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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Energia e mineração, regime perverso


O governador afirmou que o regime fiscal nos setores da energia e minério, é “perverso” para os Estados produtores, embora estratégico e benéfico para o Brasil. 


Em uma conversa franca com técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), nesta quinta-feira (17), no auditório do órgão, o governador Simão Jatene fez uma análise do atual cenário do país e falou sobre os desafios que a gestão pública tem para conseguir superar a série de entraves econômicos e fiscais que hoje estão postos, seja para a União, seja para os Estados e municípios. O debate fez parte do projeto “Sexta da Integração”, que todo mês convida alguma autoridade dos órgãos jurisdicionados pelo TCE.

“Só vamos conseguir caminhar na direção que a sociedade aspira quando entendermos que precisamos estar juntos no esforço de dar densidade a algo que chamo de capital único, que nada mais é do que o conjunto de valores que definem como uma sociedade vive. Essa é a pior crise dos últimos 23 anos, porque além de econômica e fiscal, ela também é política e moral. Estou absolutamente convencido de que nosso maior desafio é repensarmos e discutirmos sobre direitos e deveres. Precisamos recuperar, antes de tudo, nossos valores que foram perdidos nas más práticas de gestão e de governo”, defendeu Simão Jatene.

O governador criticou ainda a forma como questões importantes para o país vêm sendo tratadas pelos partidos de forma geral. Com exemplo, Jatene citou a discussão pela nova alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e reiterou que não concorda com a forma de condução nas negociações. “Parece que no final das contas é cada um querendo se salvar e querendo garantir a sua parte do bolo, mas a questão é não como que partidos, empresas ou governos se salvam, e sim como que o país se salva. E para isso, qualquer tipo de ajuste não pode ser apenas mais um, ele tem que ser capaz de nos aproximar do caminho que queremos”, afirmou.

Reduções – Ao falar sobre a situação do Pará diante da crise, Simão Jatene ressaltou que o Estado não está isento dos efeitos causados pela recessão e que, apesar de conseguir apresentar resultados acima dos nacionais e da maioria dos Estados brasileiros, vem sofrendo cortes ao longo dos anos que tiveram que ser superados pelo desempenho da receita própria. Com dados, o governador demonstrou que o aumento na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi decisivo para manter o equilíbrio das contas do Estado e dos municípios, diante da instabilidade das receitas transferidas.

O governador informou que, entre 2008 e 2012, R$ 190 bilhões deixaram de ser distribuídos pela União aos fundos federais em função da desoneração fiscal. Fora as reduções nas transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI). Além disso, o Fundo de Estímulo à Exportação (FEX) também deixou de ser transferido em 2014, o que gerou um déficit de mais R$ 1,9 bilhão aos Estados. “Para se ter uma ideia de como a crise avança, prefeitos de dezenas de municípios paraenses informam que não receberam o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) este mês”, acrescentou.

Mudanças – Ao final do encontro, Jatene propôs mudar o quadro a partir de um novo olhar sobre o modelo tributário incidente sob as matizes econômicas, especialmente energia e minério, cujo regime fiscal, na avaliação do governador, é “perverso” para os Estados produtores, embora estratégico e benéfico para o Brasil. Para o governador, a crise oportuniza mudanças profundas que, a cada dia, são mais necessárias, devido ao esgarçamento do pacto federativo, que o longo dos anos tem punido os Estados exportadores ao não gerar recompensas. Em contrapartida, esses estados contribuem significativamente para o equilíbrio da balança comercial.

O governador lembrou que em 1939, mesmo após a grande crise da borracha, o Pará ocupava o sétimo lugar no ranking de Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil. Sete décadas depois de exploração dos recursos naturais, especialmente de minério e dos recursos hídricos, o Estado está no 22° lugar. “A verdade é que temos ajudado a financiar o país às custas da nossa pobreza. Quando comparamos os dados, vemos que a exploração dos nossos recursos ao longo desse tempo é proporcional a queda da nossa renda per capita. Isso foi necessário para o país por um tempo, mas ainda hoje continuamos a não sermos recompensados”, frisou.

Diálogo – O presidente do TCE, Luís Cunha, destacou o caráter técnico do encontro. “Há oito anos iniciamos a nossa caminhada no sentido de nos aproximarmos dos nossos jurisdicionados e da sociedade em geral. Esse projeto é, sem dúvida, mais um grande avanço neste sentido. Acredito esse encontro nada mais é do que uma reunião de trabalho e, justamente por isso, é muito gratificante que o governador tenha aceitado de pronto o convite. É a primeira vez que vejo a autoridade máxima do Estado vim até a nossa sede para este tipo de conversa e não para alguma solenidade. Apesar de novo, acredito que chegamos ao ápice do que imaginamos para o projeto”, disse.

O governador fez questão de agradecer pelo convite do tribunal. “Somos todos seres humanos e sei que erramos, mas quero pedir a ajuda de vocês para que possamos caminhar no sentido certo. Não estamos condenados nessa crise, mas é preciso um esforço coletivo. A sociedade não aceita mais financiar um país quebrado, que corresponde com uma prestação de serviços que não atende as próprias expectativas da sociedade. Por isso, nos ajudem a não errar e a lutarmos pelas grandes causas do Brasil e do Pará”, finalizou Jatene.

Amanda Engelke
Secretaria de Estado de Comunicação
Da Redação
Agência Pará de Notícias
Atualizado em 17/09/2015 16:30:00

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Lançado livro sobre hidrelétricas na América Latina. Paraense um dos autores

Publicação é resultado de debates entre procuradores de diversos países da região


Felício Pontes Júnior, um dos autores da obra 
Arquivo. Beth Begonha

O procurador do Ministério Público Federal no Pará Felício Pontes Júnior, um dos autores da obra sobre hidrelétricas na América Latina, é o entrevistado desta quinta-feira (30) doAmazônia Brasileira. Ele fala sobre o livro, lançado por membros do Ministério Público da América Latina e pesquisadores, que aborda os impactos causados pela instalação de hidrelétricas na região e a maneira como o MP trabalha para evitá-los ou minimizá-los.

Hidrelétricas e atuação do Ministério Público na América Latina registra a importância de tratar os impactos causados pelas hidrelétricas de forma integrada, observando os efeitos acumulados da instalação de diversas usinas em uma mesma região. A publicação apresenta também propostas para que poder público, empresas e cidadãos possam aprofundar a análise e o tratamento das questões socioambientais ligadas a esses impactos, principalmente na região amazônica do Brasil, Equador e Peru. O livro é organizado por Felício Pontes Júnior, pelo promotor de Justiça em Minas Gerais Leonardo Castro Maia e pela procuradora de Justiça no Rio Grande do Sul Sílvia Capelli.

A obra está disponível para download em PDF na internet.

Matéria da Rádio Nacional da Amazônia/EBC, publicada pelo EcoDebate, 31/01/2014

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Todo o poder do Estado da 5ª economia do Planeta, para defender um leilão

A concessão do megacampo no pré-sal recebeu apenas uma proposta, do grupo que inclui as chinesas CNPC e CNOOC


Consórcio de chinesas, Shell, Total e Petrobras arremata Libra


RIO - O consórcio formado pelas empresas chinesas CNPC e CNOOC, a anglo-holandesa Shell e a francesa Total, junto com a brasileira Petrobras, arrematou a concessão para exploração de petróleo e gás no campo de Libra, no pré-sal da bacia de Campos. O grupo se dispôs a ofertar para a União a parcela mínima de 41,65% do óleo a ser produzido no local.

Essa foi a única proposta entregue no certame. Havia 11 empresas inscritas para participar da competição, mas algumas - como a Repsol e a Petronas - já tinham informado que ficariam de fora.

CNPC, CNOOC e Petrobras têm 10% do grupo cada uma, enquanto Shell e Total têm 20% cada. Os 30% restantes também cabem à Petrobras, que entra como operadora do consórcio.

Libra foi a primeira área no Brasil licitada sob regime de partilha de produção. Nesse modelo, a propriedade do óleo extraído é exclusiva da União. O consórcio vencedor vai trabalhar para produzir no bloco e, como pagamento, recebe uma parcela do petróleo extraído. Se tivesse havido competição, o percentual de óleo oferecido para a União teria sido a única variável para decidir o vencedor. O valor do bônus de assinatura é fixo, em R$ 15 bilhões, e não interfere no resultado.

O pico da produção estimado para o Campo de Libra será de 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, em dez ou 15 anos, de acordo com a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. Quanto mais cedo o consórcio vencedor da área conseguir colocar a área em produção, mas cedo ele terá retorno dos seus investimentos. Entretanto, o desenvolvimento da área depende da capacidade da indústria de serviços do setor, ainda pequena para a demanda que virá.

A ANP estima que Libra tenha entre 8 e 12 bilhões de barris recuperáveis de petróleo, o que corresponde a um reserva "in situ" no campo - nem toda ela capaz de ser extraída com a tecnologia atual - variando entre 26 bilhões a 42 bilhões de barris segundo estimativa da consultoria Gaffney, Cline, contratada pela agência reguladora. Já a IHS estim a que o campo gigante tenha reservas "in situ" de 18 bilhões de barris.

Mesmo projetando um volume menor, o campo é disparado o de maior tamanho descoberto no mundo desde 2008.

O consórcio terá que perfurar mais poços, testar o reservatório e delimitar a área do campo, que tem mais de 1,5 mil quilômetros quadrados de extensão em lâmina d'água de aproximadamente 1.500 metros até o subsolo marinho. Ainda não se conhecem os planos para escoamento dos enormes volumes de gás que serão produzidos. As estimativas são de que a produção de gás chegue a 20 milhões de metros cúbicos dia, o equivalente a dois terços das atuais importações da Bolívia. Contudo, como não existe gasoduto na área, a Petrobras já sinalizou que grande parte da produção de gás no pré-sal será reinjetada nos poços, frustrando setores da indústria.

Por Rodrigo Pedroso, Cláudia Schüffner, Rodrigo Polito e Francisco Góess | Valor

sábado, 21 de setembro de 2013

Não só o Brasileiro vive de ilusão, o Governo Federal até vende

Lobão: 7 das 12 maiores empresas do setor estão no leilão de Libra



BRASÍLIA - (Atualizada às 17h10) O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, disse, nesta sexta-feira, 20, que a ausência de algumas grandes empresas petroleiras no leilão de Libra gerou “interpretações equivocadas”. Segundo ele, o governo está convencido do sucesso do leilão, que representa uma “grande oportunidade para as petroleiras”. O ministro comenta na tarde desta sexta o resultado das inscrições para o leilão do campo de Libra.
Onze empresas se inscreveram no leilão, mas o governo esperava uma participação de 40 companhias. As ausências da Exxon Mobil, BP, Chevron e BG, gigantes do setor, chamaram a atenção do mercado.

“Estamos vendo certo pessimismo porque duas ou quatro grandes empresas deixaram de se inscrever no leilão”, afirmou Lobão, lembrando que, das 12 maiores empresas do setor, sete companhias estão participando do leilão.

Sobre a participação da Petrobras no leilão, o ministro argumentou: “Não há mal em empresas estatais participarem”. Para ele, o leilão terá “êxito total”, frisando que as regras para a operação estão claras.

Lobão disse que o governo procurou defender o “interesse brasileiro, sem complicar a vida das empresas”. “O regime de partilha é bom para o Brasil.” Ele, no entanto, admitiu que houve atraso na elaboração da legislação do leilão.

Espionagem

O ministro de Minas e Energia disse, ainda, que as empresas inscritas no leilão são grandes e “tranquilizadoras com sua presença”. Assim, o leilão será bem sucedido e será “um dos mais importantes da história do petróleo do mundo”.

Questionado sobre um possível risco político no leilão e se algumas empresas deixaram de participar por causa das denúncias de espionagem feitas pelo governo americano contra a Petrobras, ele respondeu que, dizer isso, “seria especulação”. Lobão reiterou que não tem informações sobre a questão da espionagem à estatal.

O ministro vê “interesse legítimo das empresas” no leilão marcado para o dia 21 de outubro. Para ele, as empresas que não se inscreveram “tiveram suas razões”.

(Lucas Marchesini e Thiago Resende | Valor)


ANP divulga empresas interessadas no pré-sal; gigantes estão fora



RIO - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou nesta quinta-feira a lista das 11 empresas cadastradas para participação no leilão do prospecto de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, na primeira licitação sob o regime de partilha de produção.

Gigantes

As petroleiras britânicas BP e BG e as norte-americanas ExxonMobil e Chevron não vão participar do leilão. A diretora-geral da ANP, Magda Chambriar, já havia informado sobre a negativa das três primeiras.

Ela contou ter recebido ligações de representantes das empresas informando que não participariam do leilão, marcado para 21 de outubro, por motivos específicos. A diretora informou que esperava todas as companhias, as chamadas "A" e as "B" para o leilão e previa participação de até 40 companhias.

As empresas classificadas como "A" são aquelas com experiência já comprovada em exploração e produção em águas profundas, ultra-profundas, águas rasas e terra. Já as empresas do tipo "B" são as que têm experiência apenas em águas rasas e terra.

Se inscreveram na ANP e pagaram a taxa de R$ 2 milhões as empresas chinesas CNOOC International Limited e China National Petroleum Corporation (CNPC); a japonesa Mitsui; a colombiana Ecopetrol; a indiana ONGC Videsh; a portuguesa Petrogal; a Petrobras; a malaia Petronas; a hispano-chinesa Repsol-Sinopec; a anglo-holandesa Shell; e a francesa Total.

Por Marta Nogueira, Rafael Rosas e Rodrigo Polito | Valor

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Redução da conta de LUZ, se lembram?, Teremos energia mais barata, depois a gente aumenta

Aneel aprova aumento na tarifa de energia elétrica da Celtins

O aumento varia de 10,23% a 12,96%.

Energia elétrica da Celtins no Tocantins vai
aumentar até 12,96% (Foto: Bernardo Gravito/G1)
A agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (2) o reajuste tarifário que valerá a partir do dia 4 deste mês. São 506 mil unidades consumidoras em 139 municípios doTocantins. Os consumidores residenciais de baixa tensão, terão aumento de 10,23% à 10,45%, que dependerá do gasto de cada unidade consumidora. Já para os de alta tensão, como as indústrias, o aumento será de 12,96%.

Segundo a Aneel os valores repassados para os consumidores refletem o índice previsto no contrato de concessão para medir a inflação do período, provocada pelo aumento dos gastos da Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins (Celtins)

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Pará que fornece energia para o Brasil, está sem energia, acredite


Apagão deixa nordeste do Pará sem energia elétrica


Segundo Celpa, falha ocorreu entre estações de Castanhal e Santa Maria.
Não há previsão para normalização do fornecimento


Parte do nordeste do Pará está sem eletricidade desde as 10h45 desta quinta-feira (7). Segundo a Celpa, concessionária de energia responsável pelo fornecimento de eletricidade para o estado do Pará, o apagão aconteceu após uma falha do sistema de transmissão administrado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) entre as subestações de Castanhal e Santa Maria.

A Celpa informou em nota que aguarda relatório sobre as causas do desligamento, e que, embora a maior parte da cidade de Castanhal já tenha tido fornecimento de energia normalizado, não há previsão para o reestabelecimento da eletricidade nas demais regiões.

G1

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Impactos do Linhão do Tucuruí no meio ambiente


Linhão de Tucuruí pode causar danos ambientais em área do Igarapé do Mindu, diz especialista


Obra, que foi iniciada pela Eletrobrás Amazonas Energia, deverá ter seu licenciamento ambiental revisto pela Semmas



Caminhões e outros equipamentos pesados estão trabalhando
nas obras do 'Linhão' e transitam entre as árvores (Márcio Silva)

A instalação de torres de transmissão de energia elétrica do Linhão de Tucuruí às margens do igarapé do Mindu, em Manaus, pode causar graves impactos na mobilidade urbana, no solo, no clima, na fauna e na vegetação do local, provocando desde alagamentos de ruas, como as avenidas Umberto Calderaro Filho e Maceió, a alterações climáticas na área de influência da obra, sobretudo no bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul.

Animais como o sauim-de-coleira, que sofre risco de extinção, podem ficar isolados devido à redução do habitat e se tornarem vítimas de choque elétrico, e répteis e peixes nativos podem ter a reprodução comprometida.

O alerta foi feito pelo especialista em manejo de fauna em Unidades de Conservação e Áreas Protegidas e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Fonseca, ao ser consultado sobre as obras do Linhão de Tucuruí dentro do Corredor Ecológico do Mindu, iniciadas há poucos dias. Para Fonseca, a instalação das torres “não está no lugar certo” e outro local deve ser considerado pelos responsáveis.

Revisão

As obras do Linhão de Tucuruí dentro do Corredor Ecológico do Mindu e na margem do igarapé foram iniciadas, sem alarde, há alguns dias, mas a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) prometeu rever o licenciamento ambiental concedido à Eletrobras Amazonas Energia.

O órgão municipal afirmou que ainda nesta quarta-feira (30), notificaria a concessionária a respeito da revisão do documento. Nesse ínterim, a concessionária tem autorização para executar as obras apenas em outras áreas do traçado do Linhão de Tucuruí em Manaus.

Refúgio

Na última terça-feira (29), a reportagem de A CRÍTICA flagrou máquinas e tratores em um trecho a poucos metros do igarapé do Mindu, nas proximidades do Parque Municipal do Mindu.

Funcionários do parque, que pediram sigilo de seus nomes, demonstraram preocupação com o futuro dos animais que vivem no parque. O local é refúgio de animais silvestres, como cotia, preguiça, arara, tucano e sauim-de-coleira, este último ameaçado de extinção.

Durante a visita ao canteiro de obras, a reportagem não encontrou apenas máquinas de perfuração para a instalação das torres, mas também áreas onde árvores foram suprimidas.

Nem mesmo uma árvore localizada numa pracinha do condomínio Veneza, localizado ao lado do Igarapé do Mindu, escapou. Ao seu redor, várias pequenas toras de madeira estavam espalhadas, que seriam usadas provavalmente como calços.

Segundo Rogério Fonseca, a área do Igarapé do Mindu é uma zona de infiltração de água que serve como amortecimento da cidade. “É por conta do Parque do Mindu estar ali que as avenidas Paraíba (Umberto Calderaro Filho) e Maceió não ficam debaixo de água. Essa capacidade de absorção da água pela área de floresta que tem nas margens vai diminuir se as torres forem instaladas ali”, explicou.

Outra conseqüência é que, reduzindo a área verde, reduz-se também o dormitório dos papagaios e periquitos, o que levaria estes animais a procurar outras áreas para descansar. “Tirou a floresta, para onde eles vão migrar? Vão para os condomínios, ‘encher o saco’ dos moradores. Isso em uma área onde os buritizais já foram aterrados para se construir a entrada de um condomínio”, contou.

Licenciamento

Procurada, a Eletrobras Amazonas Energia disse que a obra citada é a Linha de Transmissão Mutirão-Cachoeira Grande-Compensa e que ela possui licenciamento ambiental.

A empresa diz que trata-se “de obra de baixo impacto ambiental por não exigir a realização de terraplanagem ou o desmatamento de área considerável, tendo em vista que serão instaladas apenas torres de transmissão. Neste trecho, foi programada a instalação de torres de transmissão cujas linhas são instaladas sobre a vegetação (com mais de 15 metros de altura) de forma a evitar o desmatamento e outros impactos”.

O licenciamento ambiental que autoriza a Eletrobrás Amazonas Energia realizar as obras na área foi liberado pela própria Semmas, na gestão do ex-secretário Marcelo Dutra, na administração de Amazonino Mendes.

A CRÍTICA apurou que o processo possui indícios de falhas. Há quem questione até mesmo as medidas mitigatórias propostas pelo EIA/RIMA elaborado pela concessionária.

Nessa quarta-feira (30), a atual gestão da Semmas informou que uma equipe já estaria em campo para avaliar os impactos produzidos pela obra. Após o término dessa avaliação será possível fornecer maiores informações.

“Até que tenhamos uma análise da situação a empresa/prestadora de serviços irá ter a notificação de trabalhar em outras partes da linha de transmissão aguardando o posicionamento do órgão”, disse a nota.



Sistema

A linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus vai interligar os Estados do Amazonas, Amapá e parte do Pará ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Terá aproximadamente 1.800 quilômetros de extensão total em tensões de 500 e 230 kV em circuito duplo e passará por trechos de florestas e vai atravessar o rio Amazonas. O licenciamento ambiental interestadual foi concedido pelo Ibama.

Na nota que enviou ao jornal, a Eletrobras Amazonas Energia informou que está executando obras em diversas áreas da cidade de Manaus e que, na região citada pela reportagem, estão sendo realizadas obras que fazem parte da implantação da Linha de Transmissão (LT) de 138 kV, necessária ao escoamento da energia proveniente da interligação de Manaus ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio do ‘linhão’ de Tucuruí, em 500 kV.

A Crítica; Manaus.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

BNDES tem resultado histórico em números de desembolsos em 2012


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiu nível histórico em termos de oferta de crédito. A entidade aumentou os recursos em R$ 18,7 bilhões em 2012. Setores como indústria e infraestrura responderam por 65% dos R$ 156 bilhões disponibilizados pela instituição.

As áreas que mais se destacaram na infraestrutura foram os segmentos de energia elétrica e transporte rodoviários, com desembolso de R$ 18,9 bilhões para o primeiro e R$ 15,5 bilhões
para o segundo.

Na indústria, os segmentos que mais receberam aportes foram o químico e petroquímico (R$ 8,5 bilhões) e material de transporte (R$ 7 bilhões). Comércio e serviços receberam R$ 44 bilhões, o equivalente a 28% do valor total de desembolsos.

De acordo com o BNDES, o nível histórico foi ultrapassado em consequência de ações adotadas pelo governo federal para fomentar o crescimento dos investimentos no país, tanto do setor público quanto do privado.

Para área pública programas como BNDES Estados, Proinveste e Propae, que financiam investimentos do setor público das unidades federativas, desembolsaram R$ 11 bilhões.

No âmbito privado, o Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES PSI), com taxas de juros baixas, liberou R$ 44 bilhões, com a realização de quase 150 mil operações de financiamento ao setor produtivo, sobretudo no segmento de máquinas e equipamentos. Do total liberado, 57% foram para micro, pequenas e médias empresas.

( informações do BNDES)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Casa das Caldeiras


No coração do brasileiro, luz mais barata e bronca em banco 


A redução da conta de luz em cerca de 20% neste ano entusiasmou os brasileiros na virada do terceiro para o quarto trimestre do ano passado. A novidade, rara inclusive pela dimensão do corte, não passou em branco. Foi registrada na pesquisa de opinião sobre o governo da presidente Dilma Rousseff realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope em setembro do ano passado como um tema de destaque nos noticiários. Teve cartaz semelhante, na pesquisa de junho, o combate do governo Dilma às elevadas taxas de juros cobradas pelos bancos aos tomadores de crédito. O apreço da população por essas notícias faz sentido. Repercutem pra valer no orçamento das famílias. Interferem nas decisões de consumo.

As pesquisas de opinião pública a respeito do governo e da gestão da presidente sugerem elevada correlação entre as medidas tomadas no sentido de fortalecer o consumo e melhorar a distribuição de renda e a positiva e crescente avaliação positiva – tanto do governo quanto de Dilma.

O “prejuízo” na imagem do governo que poderia resultar de um abatimento menor no preço da conta de luz em função da escassez de energia – possibilidade afastada categoricamente ontem pelo governo – não chegou a ser estimado por analistas de mercado. Mas, segundo esses analistas, não deve ser desconsiderado. Até porque, explicam, no caso de revisão de cálculos sobre redução da conta de luz, a inflação tende a ficar mais pesada.

E, como uma coisa puxa a outra, na pior hipótese o Banco Central poderia ser forçado a também tirar a taxa Selic do atual nível recorde de baixa para algo superior, cenário em que todo mundo sairia perdedor: o governo, que prefere o juro o mais nanico possível, mesmo com inflação mais gorducha, e o brasileiro que subiu à classe média e conquistou espaço no mercado de crédito.

VALOR ECONÔMICO

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Resultados do vestibular da UFPA será divulgado neste sábado, dia 5

Listão da UFPA será divulgado neste sábado, dia 5




O resultado do Processo Seletivo 2013 (PS 2013) da Universidade Federal do Pará (UFPA) será divulgado neste sábado, dia 5 de janeiro, a partir das 10h. O Centro de Processos Seletivos da Instituição (Ceps) recebeu nesta quarta-feira, 2 de janeiro, os dados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) - que equivale à Primeira Fase do PS 2013 - e já está processando as informações.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), mais de 90 universidades e institutos federais brasileiros utilizam o Exame na seleção de candidatos. Na UFPA, além do Enem, os 76.874 candidatos inscritos no concurso participaram da segunda fase do processo seletivo no dia 9 de dezembro e 68.745 deles continuam na disputa por uma das 8.569 vagas ofertadas em 179 cursos de graduação em Belém e em outras dez cidades do interior do Estado.

A divulgação inicia-se a partir das 8h com a reunião da Comissão Permanente de Processos Seletivos da UFPA (Coperps), a qual é responsável pela realização do concurso. Após homologado, o “listão” será entregue ao reitor em exercício, Edson Ortiz, e em seguida, divulgado para a imprensa durante uma entrevista coletiva realizada no Centro de Eventos Benedito Nunes, no campus básico, no bairro Guamá.

No encontro com os jornalistas, além do reitor, estarão disponíveis para entrevistas também a presidente da Coperps, Marlene Freitas; a diretora do Ceps, Marilucia Oliveira; e o diretor do Centro de registro e Indicadores Acadêmicos (CIAC), Aluizio Barros, além de integrantes da Coperps e da administração superior da Universidade que acompanham a cerimônia.

Entre os temas abordados estão informações sobre a realização do concurso, sobre o preenchimento das vagas e, ainda, orientações aos calouros sobre documentos e procedimentos para habilitação, matrícula e início das aulas na Universidade. A previsão da UFPA é de que a tradicional leitura do resultado pelas rádios se inicie por volta das 10h30 da manhã e cerca de meia hora após o início da transmissão, o listão estará disponível no site do Ceps e no Portal da UFPA.

Números e novidades – Este ano a Universidade Federal do Pará oferta 8.569 vagas em 179 cursos de graduação em diversas áreas do conhecimento. Entre os candidatos que não concorrem pelo sistema de cotas, a maior procura é pelo curso de Medicina. Já entre os cotistas, Educação Física é o curso mais procurado. Entre as novidades do PS 2013, destacam-se a criação da reserva de vagas para estudantes quilombolas e a adoção da cota renda, prevista pela nova legislação brasileira. Além disso, a UFPA criou dois novos cursos de graduação: Engenharia Biomédica e Tecnólogo em Produção Multimídia.

Serviço:

Resultado do PS 2013 da UFPA
Data: 5 de janeiro de 2013
Local: Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), no Campus Básico da UFPA.
Divulgação: no www.ufpa.br e no www.ceps.ufpa.br

Texto: Glauce Monteiro - Assessoria de Comunicação da UFPA
Foto: Karol Khaled




Outras.



CARACAS - O ministro da Informação da Venezuela, Ernesto Villegas, disse na noite desta quinta-feira, em um pronunciamento nacional transmitido pela TV, que o presidente do país, Hugo Chávez, está sofrendo complicações de uma “infecção pulmonar severa”, três semanas depois da quarta cirurgia contra um câncer, realizada em Cuba.

Nesta quinta, o vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, retornou a Caracas, após ter passado os últimos dias em Havana. “O presidente Chávez está consciente das circunstâncias, circunstâncias complexas. Está consciente da batalha que enfrenta, com a mesma energia de sempre”, disse o vice-presidente na tarde desta quinta-feira, ao chegar à capital venezuelana.

Mais cedo, o fato de alguns dos mais importantes líderes políticos da Venezuela terem se reunido em Havana desencadeou uma onda de rumores sobre o estado de saúde de Chávez. Ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, considerado o principal rival de Maduro na disputa pela herança política chavista, o vice-presidente culpou a mídia de “ultradireita” ao redor do mundo e o governo dos Estados Unidos por relatos “falsos” e “danosos” sobre as condições de saúde do líder venezuelano.

(Dow Jones Newswires)


Orçamento 2012/2013 do ONS é ampliado para R$ 511 milhões


BRASÍLIA - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou hoje um novo orçamento para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o período de julho de 2012 a junho de 2013.


O novo orçamento será de R$ 511,219 milhões para o período, conforme resolução publicada nesta sexta-feira no “Diário Oficial da União”.


Do total, R$ 426,443 milhões serão destinados a despesas de custeio, R$ 73,717 milhões ao plano de ação proposto pelo ONS e R$ 11,058 milhões a aquisições e benfeitorias, que estão detalhadas na resolução.


A norma altera o orçamento anterior do ONS para o período, que havia sido aprovado em junho, no valor de R$ 493,877 milhões. O ONS, que havia solicitado R$ 511,2 milhões, apresentou um pedido de reconsideração.


(Maíra Magro | Valor)


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A novela dos apagões.

Após dez anos de governo dos trabalhadores, apoiado pelos empresários, o PT ainda culpa à privataria tucana, do governo Fernando Henrique Cardoso, da seqüência de apagoes no Sul, Sudeste e Norte do Brasil.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Exportador neto de energia eletrica o Pará não consegue gerar sua própria energia



Após 19 horas sem luz, moradores interditam rua para conseguir reparo


Moradores do Jurunas, no perímetro entre a avenida Fernando Guilhon e a passagem Jacó, em frente à Unidade Municipal de Saúde do bairro, interditaram ontem a pista da avenida, por cerca de duas horas, queimando pedaços de madeira para protestar contra cerca de 19 horas sem energia elétrica. Os manifestantes relataram que, por volta das 2 horas da madrugada de ontem, um transformador deixou de funcionar, interrompendo o fornecimento de energia elétrica em algumas casas. "Nós ligamos para a Celpa e os técnicos (da Endicon, empresa contratada pela Celpa para serviços) só chegaram aqui por volta das três horas da tarde. 

Eles mexeram no transformador que fica na passagem São Miguel (próximo da Jacó), e ele começou a pegar fogo. Os técnicos foram embora e não voltaram mais. A Celpa disse que não ia mais voltar aqui, porque é área de risco, e os técnicos não voltaram até o começo da noite, e foi aí que os moradores se revoltaram com a situação e fecharam a rua", afirmou o pedreiro Santino Leal, que participou da manifestação na Fernando Guilhon.

De acordo com os manifestantes, a área sem energia elétrica envolveu a Fernando Guilhon e as passagens Jacó, São Miguel "A", "B" e "C" e Gurjão, reunindo cerca de 300 famílias. Com a interdição da rua, três guarnições da 4ª Zona de Policiamento compareceram ao local, sob o comando do major Sérgio Fialho. O militar relatou a situação ao Centro Integrado de Operações (Ciop), que acionou a Celpa. Ocorre que os técnicos enviados à noite ao perímetro sem energia elétrica eram os mesmos que haviam ido ao local durante o dia. 

Os moradores começaram a fazer pressão para o conserto rápido do transformador, o que provocou pânico entre os funcionários da empresa prestadora da serviços. Eles deram a ré na camionete pela Fernando Guilhon e saíram rapidamente do local. Momentos depois, foram convencidos pelos policiais da 4ª ZPol a retornar ao trecho e fazer o serviço. Por volta das 21 horas, o problema foi solucionado, retornando o fornecimento de energia elétrica.


domingo, 15 de maio de 2011

Investimentos em aguas profundas, só se comprar prato feito

A Petrobras está voltando á época de ouro, optou por cancelar licitação de 28 sondas de perfuração em águas profundas. Essas sondas eram parte da promessa do governo de construir no Brasil, aproveitando as competências e capacidades internas. Mas não deu certo e serão compradas fora, um pacote fechado e nada de transferência de tecnologia, nem repasse do conhecimento. 


Nada de "LEARNING BY DOINGLEARNING BY USING" é pacote fechado, mesmo. Da mesma forma que foram comprados os maiores barcos de tranportação de minérios existentes no MUNDO, comprados na Coreia, de viagem o Brasil. 

Você sabia?. 

Antes de concluir seu governo, Lula demitiu Roger Agnelli, justamente pela compra dos barcos coreanos. 

sábado, 26 de março de 2011

Mar no Japão tem nível de radiação 1.250 vezes acima do aceitável


O Japão anunciou neste sábado (26), que o nível de iodo radioativo no mar perto da usina nuclear de Fukushima está 1.250 vezes acima do limite aceitável. O temor de novos vazamentos de material radioativo nos reatores danificados pelo terremoto também segue no país.

Esta grande quantidade de iodo agrava o risco de contaminação alimentar. O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, disse na sexta que a situação em Fukushima continua “imprevisível". A Agência de Segurança Nuclear japonesa afirmou que a radioatividade encontrada no mar será diluída com as marés.

Mais de 10 mil pessoas foram mortas e 17.500 continuam desaparecidas em consequência do desastre, de acordo com a polícia. Estes números foram ofuscados pela possibilidade de uma destruição catastrófica da usina nuclear.

O governo japonês estimulou dezenas de milhares de pessoas vivendo num raio de 20 a 30 quilômetros de Fukushima a se retirarem, mas garantiu que não está ampliando a área isolada de 20 km.

A China disse que níveis de radiação excessivamente altos foram detectados em dois viajantes japoneses que chegaram ao seu território.

Alta contaminação

Mais de 700 engenheiros vêm trabalhando em turnos o dia todo para estabilizar os seis reatores do complexo, mas se retiraram de alguns setores quando três trabalhadores que substituíam um cabo no reator 3 foram expostos a uma alta contaminação na quinta-feira, informaram as autoridades.

Dois foram levados ao hospital com possíveis queimaduras de radiação depois que água radioativa penetrou em suas botas.
"A água contaminada tinha 10 mil vezes o grau de radiação que seria encontrado em água circulando de um reator operando normalmente", disse um funcionário.
* Com agências internacionais

quarta-feira, 23 de março de 2011

Só o interior de Rondônia foram criados mais postos de trabalho do que todo o Estado do Pará, em 2009

SÃO PAULO – Os trabalhadores que atuam no canteiro da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, frustraram o plano do consórcio responsável pela construção da usina de retomar as obras hoje.
As atividades estão paralisadas preventivamente desde a sexta-feira, em razão dos conflitos no canteiro de obras da usina Jirau, distante a 120 quilômetros.

Em nota, o consórcio construtor, liderado pela Odebrecht, informa que os trabalhadores compareceram hoje ao canteiro de Santo Antônio, mas uma reunião de lideranças determinou que as obras sejam retomadas apenas após as definições de uma assembleia marcada para esta quarta-feira, quando será definida uma pauta de reivindicações trabalhistas.

O grupo justificou que a paralisação em Santo Antônio visou garantir a segurança dos operários diante dos conflitos na região. Em Jirau, trabalhadores incendiaram veículos e alojamentos e também depredaram instalações do canteiro. Os protestos podem atrasar o cronograma do projeto.
(Eduardo Laguna | Valor) 


Mauro Zanatta | De Porto Velho23/03/2011


Sob forte clima de tensão, os 16 mil operários da usina de Santo Antônio, em Rondônia, voltaram ontem ao canteiro de obras comandado pela Odebrecht, mas decidiram cruzar os braços até o fim da negociação de uma extensa pauta de reivindicações. Agora, não há prazo para a retomadas das obras, paralisadas desde sexta-feira, quando os episódios de vandalismo e violência forçaram a saída de quase todos os 22 mil operários na vizinha usina de Jirau, no rio Madeira.

O sindicato dos trabalhadores da construção civil, que opera sob uma espécie de intervenção branca de dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), improvisou uma assembleia no pátio de Santo Antônio e decidiu, em acordo com a Odebrecht, esvaziar as dependências da usina para evitar eventuais conflitos. Houve, segundo apurou o Valor, um princípio de discussão, ameaças de apedrejamento de ônibus e correria entre os encarregados da obra, os primeiros a deixar o local. Policiais civis reprimiram manifestantes da Liga Operária na portaria principal. Em outro ponto, a Polícia Militar observou a retirada pacífica dos trabalhadores em aproximadamente 150 ônibus.

Os sindicalistas querem usar os episódios violentos de Jirau para forçar um acordo favorável em Santo Antônio. E vinculam uma solução para a obra da Odebrecht à resolução do drama de Jirau. "Nossa ideia é solidariedade total a Jirau. Queremos resolver concomitantemente. E voltar ao trabalho só depois de uma negociação", disse o secretário de Finanças da CUT, Vagner Freitas Moraes, escalado pela central para comandar o processo. A CUT disputa com a Força Sindical o controle do sindicato que reúne 40 mil filiados.

A pauta de reivindicações mais urgentes mistura-se com a proximidade do dissídio da categoria, em maio. Uma assembleia geral está marcada para domingo, mas pode haver um adiamento para hoje ou amanhã. Assim, os operários decidiriam sob quais condições devem voltar ao trabalho.

Os operários de Santo Antônio pedem um reajuste de até 35%, maior participação nos lucros, alterações nos planos de saúde, revisão de descontos indevidos e cortes de horas extras, além da redução dos preços nas lanchonetes privadas do canteiro.

A Odebrecht afirma que tem negociado de forma antecipada para evitar as insatisfações. Mas a empreiteira informa que não tinha recebido a totalidade da pauta de reivindicações. Não há uma greve formal, mas as obras estão paralisadas por tempo indeterminado.

Os trabalhadores reclamam da perda do poder de compra de seus salários. E Porto Velho vive o drama da inflação de demanda, puxada pelos 40 mil operários e suas famílias. Os preços na capital dispararam desde o início das obras das duas usinas, em 2008. Os alugueis são caríssimos e o setor de serviços puxa a inflação. Uma casa de dois quartos custa R$ 2,5 mil. Um quarto e sala, R$ 1 mil. E um bom apartamento de três cômodos é anunciado nos classificados por R$ 400 mil.

Existe um déficit habitacional estimado em 15 mil unidades, avalia o professor e economista da Fecomércio, Silvio Persivo. E cerca de 150 prédios estarão em construção até o fim de 2012. O preço do metro quadrado em área comercial nobre chega a R$ 3 mil. No distrito de Jaci-Paraná, a 10 quilômetros de Jirau, um quarto é alugado por R$ 500 mensais. Lojas comerciais valem de R$ 1 mil a R$ 2 mil.
No shopping da cidade, o fluxo de potenciais clientes nos fins de semana supera as oito mil pessoas. De 2003 a 2007, Rondônia cresce 25% ao ano.
O preço da cesta básica em Porto velho aumentou de R$ 185 para R$ 198 entre janeiro e maio de 2010, o último dado calculado pela Universidade Federal de Rondônia (Unir). Carne, leite, derivados lácteos, farinha, café, açúcar e óleo puxaram o custo de vida na região para cima entre 2007 e 2010.

"As duas usinas e quem veio atrás delas vão injetar R$ 40 bilhões na economia daqui. A comida vem de fora, do interior, e custa caro esse frete. Então, é inevitável a corrosão do salário do operário", analisa Persivo. Sozinha, a usina de Santo Antônio serviu cerca de 21 milhões de refeições até 2010.

As vendas de veículos crescem 22% ao ano desde 2007. Há 125 mil motores a rodar pelas ruas estreitas de Porto Velho. As bicicletas, que antes dominavam as ruas, cederam vez às motos. São registrados 20 acidentes de trânsito por dia. São comuns batidas entre duas motos nos cruzamentos da cidade.

Como resultado da explosão do consumo, a inadimplência tem subido, aponta a Fecomércio em pesquisas. As contas em atraso passaram de 27% para 33% nos últimos 12 meses. As famílias endividadas somam 64% do total - há um ano, eram 58%. Pior ainda: o grupo que afirma não poder pagar as contas cresceu de 2% para 14% nesse período. Cartões de crédito e carnês são os vilões.

O surto inflacionário em Rondônia, especialmente em Porto Velho, decorre da forte elevação dos níveis de emprego. De 2008 a 2009 foram criadas cerca de 8,7 mil empresas no Estado - 30% na capital. Até então, somavam 40 mil as empresas em Rondônia. Em 2009, o Estado foi o principal gerador de empregos da região Norte: 67% do total, segundo a Federação das Indústrias (Fiero). Só o interior de Rondônia criou mais postos de trabalho do que todo o Estado do Pará no período.

Leia as manchetes de hoje dos principais jornais do país


VALOR ECONÔMICO
- Oferta de ações de controle acirra disputa na Usiminas.
- Obras urbanas para a Copa-14 estão atrasadas.
- Grupo francês já detém 29% da Parmalat.
- O rico oeste baiano prospera com infraestrutura precária.
- Indústria de games agora tem tudo para deslanchar.

FOLHA DE S.PAULO
- Pela 1ª vez, Brasil apoia saída de ditador líbio.
- Japoneses detectam radioatividade no mar.
- Estudo em MT acha agrotóxico em leite humano.
- Deputado tucano nega ter desviado dinheiro em SP.
- Planalto quer limitar atuação das agências reguladoras.

O ESTADO DE S.PAULO
- Acordo deve entregar à Otan comando de operação na Líbia.
- Controle da inflação pede paciência, diz Tombini.
- Marina quer 'democratizar' PV, mas pode criar partido.
- Dengue tipo-4, a mais perigosa, chega ao Nordeste.
- Fracassa retomada de trabalho em usina de Rondônia.

O GLOBO
- BC indica mais restrição ao crédito para conter inflação.
- Coalizão não freia ataques de Kadafi a civis.
- Dilma critica política de saúde da mulher.
- Ação de Mantega na Vale desagrada à presidente
- Megaoperação policial prende 13.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Japão se salva depois da 2ª explosão, mas já teme uma 3ª

Energia atômica AIEA diz que reator que explodiu de madrugada está intacto. Agora, outro reator na mesma central nuclear vive sequência idêntica de falhas dos que explodiram

sexta-feira, 11 de março de 2011

Brasil é intimado a se manifestar sobre licença de Belo Monte na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

O Secretário Executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), Santiago Canton, remeteu nesta quinta, 10, uma solicitação de informações ao Brasil sobre o licenciamento e a falta de oitivas indígenas da hidrelétrica de Belo Monte.

O questionamento ao governo brasileiro é uma resposta a um pedido de medida cautelar encaminhada à CIDH em novembro de 2010 pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e outras 40 entidades de defesa das comunidades indígenas e tradicionais da Bacia do Xingu. Antevendo a emissão de uma licença de instalação parcial ilegal para as obras da usina, o pedido de medida cautelar solicitou que a União seja obrigada a suspender o processo de licenciamento ambiental referente à UHE de Belo Monte; a interromper qualquer intervenção, atividade ou procedimento por parte do Estado brasileiro ou terceiros para a construção da UHE de Belo Monte; e a respeitar os direitos humanos das pessoas e comunidades afetadas em tudo que seja relacionado com o projeto.

No questionamento, a CIDH exige que o governo envie à Secretaria, no prazo de 10 dias improrrogáveis, contados a partir do recebimento desta comunicação, informações sobre:

a) O estado atual da ação civil pública interposta pelo Ministério Publico Federal mediante a qual se solicita a suspensão imediata da licença parcial à empresa Norte Energia.

b) A alegação dos solicitantes de que a licença parcial outorgada à empresa Norte Energia não teria base legal e que esta teria sido outorgada sem cumprir com os requisitos estabelecidos pelo IBAMA. Tenha por bem apresentar as normas nas quais se fundamenta o outorgamento da licença.

c) Os procedimentos de consulta prévia, livre e informada realizados com os povos indígenas que seriam afetados pelo projeto Belo Monte”.

O questionamento da OEA é mais uma demonstração dos atropelos legais do governo brasileiro no processo de construção de Belo Monte. De acordo com a advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Roberta Amanajás, o pedido de informações ao Brasil servirá como base para que a CIDH avalie o deferimento do pedido de medida cautelar. Se este ocorrer, o país em tese será obrigado a acatar as recomendações da OEA, explica Amanajás. “O Brasil, quando assina um tratado, se obriga a cumprir as determinações do mesmo. Ele assinou a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece a Comissão Interamericana como legitimada para analisar estes casos”, afirma a advogada.

EcoDebate, 11/03/2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

Campanha da Fraternidade critica exploração do pré-sal

A exploração do petróleo do pré-sal "não é essa maravilha toda", segundo documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançado ontem para a Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema aborda o aquecimento global e as mudanças climáticas. O programa de exploração do pré-sal, uma das principais peças de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff, "exige o dispêndio de fortunas para a extração de um produto altamente poluente", disse a CNBB. "A exploração do pré-sal não é essa maravilha toda apresentada pelas propagandas governamentais", acrescenta o documento.

Sob o tema "Fraternidade e a vida no Planeta - A criação geme em dores de parto", a Campanha da Fraternidade da CNBB pretende criticar os setores que contribuem ao aumento do aquecimento global. Durante a apresentação da campanha, foram citados, além da exploração do pré-sal, o agronegócio e a geração de energia por meio de petróleo, gás natural e carvão.

"É a atividade que desperdiça e consome 70% da água doce utilizada no mundo. Os seus fertilizantes, além de contaminarem lagos e rios, já são causadores de zonas mortas nas águas marítimas litorâneas. Nesse modelo, questiona-se o compromisso para com a sustentabilidade da natureza e sua biodiversidade", diz o texto da campanha sobre o agronegócio.

Ontem, o secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, fez críticas ao novo Código Florestal, em discussão no Congresso. Os pontos mais criticados foram a anistia a pessoas que cometeram crimes ambientais e a redução dos limites ambientais.

Segundo Dom Dimas, o novo código deveria tratar com mais respeito as populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas. "Estamos trabalhando para discutir formas alternativas ao relatório [do novo código]. Nossa preocupação é que não seja votado de forma superficial, apressada'', afirmou. O relator da nova legislação, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse que o texto pode ser aperfeiçoado.

A ideia da campanha é motivar ações que ajudem na preservação ambiental. "As enchentes em São Paulo, por exemplo, poderiam ser minimizadas se não houvesse aquela massa de detritos jogadas no rio", disse dom Dimas. "Desastres como o ocorrido na Região Serrana [do Rio] vêm alertar os governos para o problema da ocupação desordenada de encostas" avalia o secretário-geral da CNBB. Criada em 1964, a Campanha da Fraternidade aborda pela quarta vez um tema ambiental.  

(Com agências noticiosas)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As riquezas do Pará


As lideranças paraenses, com ou sem cargo eletivo, com ou sem poder econômico, com ou sem participação na formação da opinião pública, não podem mais permanecer de braços cruzados. Se assim prosseguirem, à espera de um milagroso maná caído dos céus, o Pará não conseguirá jamais impedir que duas curvas continuem a evoluir em paralelo: a curva da exploração das suas riquezas naturais e a curva do seu empobrecimento crescente. De acordo com o IBGE, permanecemos com 1,8% de participação no PIB nacional.

É a forma do uso desses recursos que explica a intensividade da exploração não se traduzir pelo enriquecimento do estado e também não agregar o valor que seria possível internalizar, para maior benefício dos paraenses.

Em recente seminário, fazia eu comparações entre os ciclos econômicos dos minérios e da borracha e lembrava, quando o primeiro trem (hoje o maior trem de carga do mundo) saiu de Carajás, que a vida útil da jazida era de 400 anos. 

Hoje, apenas um quarto de século depois, a expectativa é de menos de 100 anos. Em 2015 a produção será 12 vezes maior do que em 1985. E quanto isso gera de tributos ao Pará? Excetuando-se uns 5% da produção, que vão para as guseiras implantadas ao longo da ferrovia, nada.

Mas há a compensação financeira, os royalties, sobre os quais, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mostrei que o parágrafo 1º do artigo 20 da Constituição assegura aos estados e municípios participação no resultado da exploração de petróleo, energia elétrica e minérios. Porém, enquanto a alíquota para o caso do petróleo é de 10%, podendo ainda nos casos de superprodução gerar participação especial a mais, e para a energia elétrica é de 6,75%, na mineração as alíquotas oscilam entre 1% e 3%. Essas alíquotas não são definidas pela Constituição, mas por leis ordinárias.

Um estudo preliminar coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, que servirá de base para o marco regulatório do setor mineral e que já parece ter sensibilizado o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, chegou à conclusão de que o subsolo brasileiro é o mais barato do mundo, se não o mais em conta na exploração mineral. Na Austrália, as mineradoras desembolsam 7% da receita bruta pela exploração do minério de ferro, 4,8% na Rússia e, no Brasil, a incidência é de 2%. Da receita da exportação do ferro, o ICMS corresponde a menos de 1%.

O estado do Pará já é o segundo que mais fornece divisas líquidas ao país, sem as quais a atual onda de desenvovimento não existiria, dadas as insuficientes poupanças nacionais. De cada US$10 aportados ao caixa do Banco Central, quase US$1 é contribuição paraense. No entanto, nosso estado é o 16º em desenvolvimento humano e o 21º em PIB per capita. Com 25 anos de intensa extração mineral, esses números desacreditam a retórica de que a compensação financeira cobre a perda de receita.

A Lei Kandir, que isentou as matérias primas e semielaborados exportados do pagamento de imposto, em 10 anos de vigência já causou prejuízo imenso ao Pará. A compensação da União depende de vontade política do Executivo e do Legislativo, em tratativas que precisam ser renovadas anualmente. O resultado está muito longe de ser satisfatório. Na verdade, é injusto e danoso.
 
Por isso, já está mais do que na hora de buscar alternativas. O governador Simão Jatene é a última esperança de sua geração a desfrutar da oportunidade histórica de interromper essa hemorragia, sanar os problemas que ela criou e abrir um novo caminho para uma Federação saudável e positiva. O momento é de dar conteúdo de realidade às promessas e compromissos de eliminar os gritantes desníveis interregionais.

As grandes empresas, que levaram o comércio exterior a resultados recordes, graças aos preços excepcionais das commodities, alegam que a taxação tributária lhes tiraria a competitividade conquistada no concorrido mercado internacional. Sabe-se muito bem que as alíquotas brasileiras no setor mineral são mais baixas do que as dos seus concorrentes diretos. Mas aceite-se o argumento dos exportadores.Vamos então propor a participação do estado, em cujo território se acham os recursos naturais, sobre o lucro líquido.

Se os acionistas das corporações recebem seus dividendos, dos maiores do mundo, por que não a sociedade local? Descontados os custos operacionais e financeiros, por que as empresas se recusariam a ceder parte dos seus lucros? Não é o exercício da responsabilidade social, que algumas tanto apregoam como essencial? Que a cumpram, pois. Assim todos ganharão.

O caminho está delineado. É a trajetória do futuro, que colocará o Pará em posição de crescente destaque no cenário nacional, como o principal produtor de minérios e de energia. Contamos hoje com 75 mil MW de potência instalada em hidrelétricas no Brasil. 

Nos próximos nove anos, as 12 hidrelétricas a serem construídas em solo paraense acrescentarão mais 28 mil MW, ou seja, 38% de tudo que o Brasil construiu até hoje. Estaremos preparados para a liderança da produção nacional? E o ICMS continuará com os estados consumidores? O que restará para nós? O momento é de buscar os caminhos e por eles alcançar a meta de progresso, justiça, bem-estar e ambiente saudável, que os paraenses precisam alcançar, por ser de seu direito.

Engenheiro, empresário, vice-presidente da Associação Comercial do Pará.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Belo Monte- Perguntar não ofende. De quanto será a “compensação financeira” para o Estado do Pará e seus municípios? Como será calculada?

Interessante artigo do Mário Ribeiro, colega da Faculdade de Economia da UFPA, Presidente da Fundação de Pesquisa do Estado. 

Seguem alguns trechos do artigo publicado hoje (sabado 12 de fevereiro) no Jornal O Liberal do Pará.

O que existe de perigoso no “modelo de compensação” de Belo Monte é que
as coisas foram mal feitas. É para lá de óbvio que o País precisa superar os seus
“gargalos” de infraestrutura, dentre os quais o de energia. 

O atual Plano Decenal de Energia para 2010-2019 é bastante claro neste aspecto. Chega a romper com os princípios que emolduraram o modelo de oferta de energia para o país entre 2003 e 2009.

Mas este não é o ponto em discussão. Praticamente toda a margem direita do
rio Amazonas é naturalmente propícia à implantação de usinas hidrelétricas
- desde as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH, com capacidade abaixo de 30MW) até as usinas como Belo Monte, ou como as seis que estão no PDE 2019 para a bacia do Tapajós (na região hidrográfica da Amazônia, o PDE 2019 planeja construir mais 18 hidrelétricas).
 
Logo, se a moda pega...
 
O pesadelo começa quando se imagina: 

a) Quais as medidas de mitigação do dano ambiental, ex-ante e ex-post à implantação do projeto? Note-se que depois de construídas as usinas, a energia gerada é limpa (o dano ambiental é baixo), mas durante a fase da construção destas existem valores econômicos, jurídicos, antropológicos e culturais, biológicos, físicos e geológicos, entre outros, que exigem o máximo de esforço para se obter o mínimo de dano. Aqui o dano ambiental é extremamente alto.

Ofende a quem perguntar isto? 


b) Quanto será a “compensação financeira” para o Estado do Pará e seus municípios? Como será calculada? A legislação atual simploriamente tira “um número do bolso da casaca”;

c) O tal cálculo de viabilidade econômica esconde os custos das “externalidades negativas” do projeto, isto é, os custos gerados na fase de construção e que ficam externos à contabilidade do projeto, mas que existem, e que a econometria ambiental moderna para o cálculo de “valores de existência” do meio ambiente (aqueles bens ambientais que não
têm preço de mercado porque simplesmente não existem estes mercados!) tem as mais perfeitas condições de informar; 

d) A inclusão destes valores, que são universalmente aceitos na economia ambiental, e devidamente trabalhados nos países do Ocidente (muitos já estão inclusive juridicamente positivados, na maior parte dos países da OCDE!), apenas geraria a justa “renda compensatória” para os paraenses; 

e) O Pará tem sido nos últimos cem anos o Estado mais espoliado neste modelo de colonialismo monárquico que ainda desaba sobre nós. Calculada dessa forma discricionária (no modelo de Belo Monte) a “renda compensatória”, rasga-se o véu e percebe-se que o quanto os nossos municípios receberão os coloca na condição de mendicantes de seus próprios direitos.