A partir de 2012, o Brasil não fará mais parte da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos
(OEA) e, desde este ano, suspendeu, por ordem da presidente Dilma
Rousseff, o repasse de verba à entidade, de US$ 800 mil. A informação é
do jornal Folha de S. Paulo.
A reação do Brasil veio após a
comissão pedir, em abril, a interrupção das obras de Belo Monte por
irregularidades no processo de licenciamento ambiental da hidrelétrica,
atendendo a uma medida cautelar de entidades indígenas que questionaram o
empreendimento.
Após receber o pedido da comissão, Dilma
convocou de volta ao país o representante do Brasil na OEA, embaixador
Ruy Casaes. Ele, até agora, ainda não recebeu autorização para retomar
seu posto em Washington, tampouco sabe quando o terá.
A comissão
integra o sistema interamericano de direitos humanos nas Américas.
Embora ligada à OEA, é um órgão formalmente independente; não representa
países, embora a indicação venha deles. Seus sete membros, entre eles o
brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, são eleitos por assembleia-geral.
No
caso de Belo Monte, o Brasil argumenta que a CIDH concedeu apenas 28
dias para que o governo se explicasse, quando o prazo médio de
solicitações semelhantes supera a marca de 100 dias.
Nessa
semana, o governo enviou à entidade um relatório de 52 páginas
explicando sua atuação no empreendimento junto às comunidades locais.
Disse ter ouvido as comunidades indígenas da região e que está atento
aos efeitos sociais e ambientais da iniciativa.
De acordo com o
jornal Folha de S. Paulo, a relação pode piorar ainda mais. Isso porque
a comissão passou a analisar uma nova reclamação de ONGs, que contestam
obras no Rio para a Copa-2014 e Olimpíada-2016, eventos caros a Dilma.
Quando soube do novo processo, Dilma mandou um recado às lideranças do
órgão: se isso for levado adiante, levará o caso à própria OEA, dando
contornos de crise real ao caso.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Brasil é intimado a se manifestar sobre licença de Belo Monte na Comissão Interamericana de Direitos Humanos
O Secretário Executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), Santiago Canton,
remeteu nesta quinta, 10, uma solicitação de informações ao Brasil sobre
o licenciamento e a falta de oitivas indígenas da hidrelétrica de Belo
Monte.
O questionamento ao governo brasileiro é uma resposta a um pedido de medida cautelar encaminhada à CIDH em novembro de 2010 pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e outras 40 entidades de defesa das comunidades indígenas e tradicionais da Bacia do Xingu. Antevendo a emissão de uma licença de instalação parcial ilegal para as obras da usina, o pedido de medida cautelar solicitou que a União seja obrigada a suspender o processo de licenciamento ambiental referente à UHE de Belo Monte; a interromper qualquer intervenção, atividade ou procedimento por parte do Estado brasileiro ou terceiros para a construção da UHE de Belo Monte; e a respeitar os direitos humanos das pessoas e comunidades afetadas em tudo que seja relacionado com o projeto.
No questionamento, a CIDH exige que o governo envie à Secretaria, no prazo de 10 dias improrrogáveis, contados a partir do recebimento desta comunicação, informações sobre:
a) O estado atual da ação civil pública interposta pelo Ministério Publico Federal mediante a qual se solicita a suspensão imediata da licença parcial à empresa Norte Energia.
b) A alegação dos solicitantes de que a licença parcial outorgada à empresa Norte Energia não teria base legal e que esta teria sido outorgada sem cumprir com os requisitos estabelecidos pelo IBAMA. Tenha por bem apresentar as normas nas quais se fundamenta o outorgamento da licença.
c) Os procedimentos de consulta prévia, livre e informada realizados com os povos indígenas que seriam afetados pelo projeto Belo Monte”.
O questionamento da OEA é mais uma demonstração dos atropelos legais do governo brasileiro no processo de construção de Belo Monte. De acordo com a advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Roberta Amanajás, o pedido de informações ao Brasil servirá como base para que a CIDH avalie o deferimento do pedido de medida cautelar. Se este ocorrer, o país em tese será obrigado a acatar as recomendações da OEA, explica Amanajás. “O Brasil, quando assina um tratado, se obriga a cumprir as determinações do mesmo. Ele assinou a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece a Comissão Interamericana como legitimada para analisar estes casos”, afirma a advogada.
EcoDebate, 11/03/2011
O questionamento ao governo brasileiro é uma resposta a um pedido de medida cautelar encaminhada à CIDH em novembro de 2010 pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e outras 40 entidades de defesa das comunidades indígenas e tradicionais da Bacia do Xingu. Antevendo a emissão de uma licença de instalação parcial ilegal para as obras da usina, o pedido de medida cautelar solicitou que a União seja obrigada a suspender o processo de licenciamento ambiental referente à UHE de Belo Monte; a interromper qualquer intervenção, atividade ou procedimento por parte do Estado brasileiro ou terceiros para a construção da UHE de Belo Monte; e a respeitar os direitos humanos das pessoas e comunidades afetadas em tudo que seja relacionado com o projeto.
No questionamento, a CIDH exige que o governo envie à Secretaria, no prazo de 10 dias improrrogáveis, contados a partir do recebimento desta comunicação, informações sobre:
a) O estado atual da ação civil pública interposta pelo Ministério Publico Federal mediante a qual se solicita a suspensão imediata da licença parcial à empresa Norte Energia.
b) A alegação dos solicitantes de que a licença parcial outorgada à empresa Norte Energia não teria base legal e que esta teria sido outorgada sem cumprir com os requisitos estabelecidos pelo IBAMA. Tenha por bem apresentar as normas nas quais se fundamenta o outorgamento da licença.
c) Os procedimentos de consulta prévia, livre e informada realizados com os povos indígenas que seriam afetados pelo projeto Belo Monte”.
O questionamento da OEA é mais uma demonstração dos atropelos legais do governo brasileiro no processo de construção de Belo Monte. De acordo com a advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Roberta Amanajás, o pedido de informações ao Brasil servirá como base para que a CIDH avalie o deferimento do pedido de medida cautelar. Se este ocorrer, o país em tese será obrigado a acatar as recomendações da OEA, explica Amanajás. “O Brasil, quando assina um tratado, se obriga a cumprir as determinações do mesmo. Ele assinou a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece a Comissão Interamericana como legitimada para analisar estes casos”, afirma a advogada.
EcoDebate, 11/03/2011
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