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sábado, 27 de junho de 2015

Depoimento do Lava Jato deixa Planalto sob tensão





A presidente Dilma Rousseff convocou nesta sexta-feira, 26, noite uma reunião de emergência com ministros, no Palácio da Alvorada, e preparou a estratégia de defesa política para o agravamento da crise após a delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O governo avalia que perdeu totalmente o controle da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e teme que a delação de Pessoa acirre o clima de confronto, mas guarda como munição os nomes de adversários citados pelo empresário.

Dilma cobrou respostas rápidas dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) - que estava em agenda no Rio quando o escândalo veio à tona -, Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social). À noite, os três e o assessor especial Giles Azevedo foram chamados por ela para a reunião no Alvorada, que durou duas horas.

No diagnóstico do governo, o depoimento de Pessoa é mais uma pedra no caminho de Dilma, joga luz sobre o financiamento das campanhas do PT e pode ressuscitar a bandeira do impeachment.

Se isso ocorrer, porém, o Palácio do Planalto já tem o roteiro traçado para o contra-ataque. Ministros vão lembrar que o empresário apresentou uma lista "suprapartidária" de doações. De acordo com reportagem da revista Veja, Pessoa disse que também repassou recursos para campanhas dos senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), Fernando Collor (PTB), Gim Argello (PTB), Edison Lobão (PMDB), Ciro Nogueira (PP) e Benedito de Lira (PP), além de dinheiro para deputados de outros partidos.

Aloizio Mercadante é, hoje, o ministro mais forte de Dilma e Edinho foi o tesoureiro do comitê da reeleição da presidente, no ano passado. Os dois garantem que as doações recebidas foram legais e registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o governo admite não saber o que vem pela frente nas investigações.

A nova turbulência ocorre num momento delicado, no auge do distanciamento entre Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. Além disso, o executivo Marcelo Odebrecht, dono da construtora Odebrecht e também preso, tem ligações com Lula, o que provoca ainda mais apreensão no Planalto.

"Não há saída individual. O problema não é o PT, não é a Dilma. O problema é que querem criminalizar o Lula e nos destruir", disse o ex-presidente, falando na terceira pessoa. Lula estará na segunda-feira em Brasília, para se reunir com deputados e senadores do PT.

O depoimento de Pessoa causou tanta tensão no Planalto que, ao longo do dia, Dilma acionou várias vezes ministros e advogados. Pediu também para emissários conversarem com a equipe do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, que homologou a delação premiada de Pessoa.

Nos bastidores, interlocutores da presidente compararam a nova crise a uma batalha sem fim. "É como se estivéssemos numa guerra e não conseguíssemos nem contabilizar os mortos para enterrar", disse um ministro ao Estado, sob a condição de anonimato. Com informações do Estadão Conteúdo.

Dilma se reuniu com Cardozo, Mercadante e Edinho




Um dia depois de vir a público o conteúdo da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, a presidente Dilma Rousseff se reuniu novamente com os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social) para tratar dos desdobramentos da operação Lava Jato.

A reunião emergencial durou cerca de uma hora na manhã deste sábado

(27) no Palácio da Alvorada. Segundo o Broadcast Político apurou, a conversa se concentrou no teor da delação premiada de Pessoa.

A reunião atrasou em cerca de uma hora e trinta minutos o embarque da presidente aos Estados Unidos, onde Dilma cumprirá uma intensa agenda de compromissos a partir deste domingo (28).

Os novos desdobramentos da operação Lava Jato causaram desconforto no Planalto, por envolverem acusações contra o financiamento das campanhas à reeleição da própria presidente em 2014, e a do atual ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao governo do Estado de São Paulo, em 2010.

Os ministros Cardozo e Edinho Silva concedem coletiva de imprensa neste momento no Palácio da Justiça, em Brasília. Dilma já havia se reunido com Cardozo, Mercadante e Edinho nesta sexta-feira à noite (26), assim que vazou na imprensa o teor da delação de Pessoa. Com informações do Estadão Conteúdo.

Dunga "O Idiota" se vê como 'afrodescendente'


A coletiva de Dunga antes do treino da Seleção Brasileira no Estádio Municipal de Concepción nesta sexta-feira ocorria com o mesmo roteiro das anteriores: mistério sobre a equipe titular, previsão de dificuldades diante do adversário e até mesmo avaliação de características sobre um determinado jogador. No entanto, uma pergunta fez o treinador fazer uma analogia equivocada, o que gerou muita polêmica entre os jornalistas.



Questionado sobre a pressão entre a sua geração, que tinha um jejum de 40 anos sem ganhar a Copa América e 20 anos sem erguer a taça de uma Copa do Mundo, com a atual, Dunga se colocou como "afrodescentente" e acabou soltando a seguinte declaração:

- Nosso grupo era burro e tinha sorte, enquanto os outros eram bons, mas tinham azar. Eu até acho que eu sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham pra mim: vamos bater nesse aí, e começam a me bater, sem noção, sem nada, não gosto dele, começam a me bater - disse.

Quando perguntando sobre a conversa com Neymar antes da despedida do craque, que já está curtindo férias no Brasil, o treinador não entrou em muitos detalhes. E foi seco para explicar a saída do capitão.

- Foi normal. Sentamos todos e conversamos na linha do que era melhor para a Seleção Brasileira. Esse é um capítulo a parte que ficou para trás. O foco agora é na partida contra o Paraguai - afirmou.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Prêmio Nobel para Francisco, Daly e Mia Couto


Reconheço que é pouco provável que os sábios da Academia de Ciências da Suécia e do Comitê Norueguês do Nobel, responsáveis pela concessão do Prêmio Nobel, acompanhem os artigos da edição de sábado da imprensa mato-grossense e menos ainda que levem em consideração a opinião de um modesto cidadão brasileiro. Paciência. Mesmo assim, sinto-me animado a expressá-la.

Na realidade, jamais o fiz em anos anteriores, em boa parte por minha visão crítica com respeito a uma premiação que cometeu erros monstruosos como, por exemplo, não conceder o Prêmio Nobel da Paz a homens da estatura dos brasileiros Cândido Rondon, Francisco Cândido Xavier ou Dom Hélder Câmara e entregá-lo a indivíduos desprezíveis, responsáveis por incontáveis mortes de civis inocentes, como Henry Kissinger. No entanto, o Prêmio Nobel é talvez a honraria de maior prestígio internacional e considero salutar exercer alguma forma de influência, ainda que infinitesimal.

Começo pelo Nobel da Paz. Meu candidato é o Papa Francisco. Desconheço no planeta, outra pessoa ou organização que tenha efetuado nos últimos anos um trabalho tão efetivo, sistemático, coerente e sincero pela paz, resolução de conflitos, diálogo entre culturas, nações, etnias e religiões. Sinto-me à vontade, pois não sou nem católico nem argentino, mas admiro profundamente esse líder espiritual que tem enfrentado com coragem questões como os conflitos entre Estados Unidos e Cuba, Israel e Palestina, a imigração africana na Europa etc. Sua recentíssima encíclica ‘Laudato Si’ é simultaneamente um hino de amor ao planeta, à humanidade e à paz e um documento que deve inspirar reflexões e atitudes nos detentores do poder político e econômico. Conceder-lhe o Nobel da Paz, mais do que reconhecimento é o fortalecimento da esperança de soluções pacíficas e sensatas para nossa Terra.

A seguir, na minha área de formação profissional, o Nobel da Economia. Há cerca de quarenta anos, com poucas exceções, essa distinção tem sido monopólio da escola neoclássica e de suas ramificações, como os monetaristas, apóstolos e artífices da financeirização da economia. Proponho concedê-lo a um pensador original, crítico e de grande solidez acadêmica: o estadunidense Herman Daly, um dos principais expoentes da escola de pensamento econômico conhecida como Economia Ecológica. Autor de importantes livros teóricos, foi economista-chefe do Banco Mundial e responsável por conceitos como o do crescimento deseconômico, que é quando os custos sociais e ambientais exigidos para o crescimento quantitativo da produção superam o valor dos itens produzidos, e do Índice de Bem-estar Econômico Sustentável, como alternativa às distorções ambientais presentes no cálculo do Produto Interno Bruto. Na trilha de Georgescu-Roegen e René Passet, Daly tem postulado a elementar verdade que a economia é um subsistema do ecossistema. Premiá-lo representaria um verdadeiro tsunami de bom senso e realismo para o estudo da ciência econômica.

Finalmente, o Nobel de Literatura. Penso que chegou a hora de premiar aquele que considero o maior escritor vivo na língua portuguesa e o maior africano. Refiro-me ao moçambicano Mia Couto. Não conheço ninguém que tenha tido o prazer da leitura de um de seus livros e não tenha se surpreendido e encantado com a beleza e o vigor de seu estilo. Sua obra me lembra uma combinação das virtudes criativas de Guimarães Rosa e da magia enraizada na natureza de Manoel de Barros. Premiar Mia Couto é uma justa homenagem ao nosso idioma, até hoje só laureado uma vez com José Saramago; ao continente africano, tão fecundo de tragédias como de esperança; e a um escritor que com singularíssima maestria faz a prosa ser poética e cria personagens e estórias singelas e inesquecíveis.

Aí estão minhas preferências: Papa Francisco, Herman Daly e Mia Couto.Com a palavra, os sábios acadêmicos suecos e noruegueses.

Luiz Henrique Lima é Conselheiro Substituto do TCE-MT.