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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Continua dando as cartas. Lula escala Marinho para evitar racha na Câmara

 
Diante de mais um iminente racha na bancada do PT na Câmara dos Deputados, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu interferir na disputa em busca de um acordo entre os deputados José Guimarães (CE) e Jilmar Tatto (SP). Ele deslocou um dos seus principais interlocutores, o prefeito de São Bernardo do Campo (ABC paulista), Luiz Marinho (PT), para disparar telefonemas a deputados para que viabilizem o acordo no qual Tatto seria o líder neste ano e Guimarães em 2013.
  Matéria completa assinantes do Valor.

"Diário Oficial" publica demissões e troca de cargos em ministérios

BRASÍLIA - O "Diário Oficial da União" traz na edição desta sexta-feira, a troca de comando no Ministério das Cidades, como a nomeação de Aguinaldo Velloso Borges Ribeiro para o lugar do ex-ministro Mário Negromonte, exonerado a pedido.
A saída de Negromonte, que é deputado federal pelo PP da Bahia, foi anunciada ontem, após denúncias de irregularidades. O também deputado Aguinaldo Ribeiro é o novo ministro, preservando a vaga do PP no governo Dilma Rousseff.
Mudanças também nos dois ministérios em que houve alteração na semana passada. Na equipe do novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, entra Luiz Antonio de Mello Rebello como chefe de gabinete. Outro nomeado foi Leonardo Osvaldo Barchini Rosa para diretor de programa da secretaria-executiva do MEC, no lugar de José Luis Balalaica.
Da ex-equipe de Mercadante no Ministério da Ciência e Tecnologia foi exonerado Ronaldo Mota, que deixa o cargo de secretário de Desenvolvimento Tecnológico. Outro demitido foi Eduardo Xavier Ballarin, do cargo de diretor do Ministério da Cultura. E Onaur Ruano também deixou diretoria do Ministério de Desenvolvimento Social.
(Valor)

Vale está quebrando todas as empresas no Salobo - A empresa mais querida do Brasil


Associação Comercial e Industrial de Parauapebas encaminhou ofício ao secretário da Seicom, David Leal, narrando o processo de quebradeira de empresas que trabalham no Projeto Salobo, e que culminou, esta semana, com a busca e apreensão de diversos caminhões e equipamentos da Construtora Brasileira e Mineradora Ltda (CBEMI), inadimplentes com a Volkswagen.

Na área de exploração da jazida de cobre do Salobo quase todas as empresas ali contratadas, quebraram.

Há uma lista de CNPJs encaminhada ao governo compondo o regime de falência rigorosamente referendado pela gestão da Salobo Metais S.Sa, empresa que toca o projeto da Vale. Ao todo, se filtrar cuidadosamente, é provável que não sobre nenhuma empresa que tenha escapado da quebradeira. Principalmente pequenas e médias.

As grandes empresas rescindiram contratos antes do aperto geral, entre elas, OAS e Odebrecht.

Como o cenário é singular, há fortes suspeitas de que a Salobo Metais S.A, esteja com seu orçamento em descompasso com as demandas, fato que vem ocasionando a falência generalizada.

Ou a gestão do projeto está levando dezenas de firmas ao fechamento de portas, num processo jamais visto nos grandes projetos tocados pela Vale, por incapacidade gerencial.

Depois de ser contemplada com oprêmio de “Pior Empresa do Mundo”, a Vale pode concorrer agora ao “caneco” de empresa estimuladora de falências.

Afinal, em última instância, é a mineradora quem está promovendo esse deprimente quadro de insolvência regional.

Cada ano mais poderosa, às custas da miserável política discriminatória e selvagem que adota em sua relação com a sociedade paraense.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mobilidade versus carrocentrismo



Ampliar espaços de circulação para automóveis individuais é enxugar gelo, como já bem perceberam os responsáveis pelas mais dinâmicas cidades
Automóveis individuais e combustíveis fósseis são as marcas mais emblemáticas da cultura, da sociedade e da economia do século 20.

A conquista da mobilidade é um ganho extraordinário, e sua influência exprime-se no próprio desenho das cidades. Entre 1950 e 1960, nada menos que 20 milhões de pessoas passaram a viver nos subúrbios norte-americanos, movendo-se diariamente para o trabalho em carros particulares. Há hoje mais de 1 bilhão de veículos motorizados. Seiscentos milhões são automóveis.
A produção global é de 70 milhões de unidades anuais e tende a crescer. Uma grande empresa petrolífera afirma em suas peças publicitárias: precisamos nos preparar, em 2020, para um mundo com mais de 2 bilhões de veículos.

O realismo dessa previsão não a faz menos sinistra. O automóvel particular, ícone da mobilidade durante dois terços do século 20, tornou-se hoje o seu avesso.

O desenvolvimento sustentável exige uma ação firme para evitar o horizonte sombrio do trânsito paralisado por três razões básicas.

Em primeiro lugar, o automóvel individual com base no motor a combustão interna é de uma ineficiência impressionante. Ele pesa 20 vezes a carga que transporta, ocupa um espaço imenso e seu motor desperdiça entre 65% e 80% da energia que consome.
É a unidade entre duas eras em extinção: a do petróleo e a do ferro. Pior: a inovação que domina o setor até hoje consiste muito mais em aumentar a potência, a velocidade e o peso dos carros do que em reduzir seu consumo de combustíveis.

Em 1990, um automóvel fazia de zero a cem quilômetros em 14,5 segundos, em média. Hoje, leva nove segundos; em alguns casos, quatro.
O consumo só diminuiu ali onde os governos impuseram metas nesta direção: na Europa e no Japão.
Foi preciso esperar a crise de 2008 para que essas metas, pela primeira vez, chegassem aos EUA. Deborah Gordon e Daniel Sperling, em "Two Billion Cars" (Oxford University Press), mostram que se trata de um dos menos inovadores segmentos da indústria contemporânea: inova no que não interessa (velocidade, potência e peso) e resiste ao que é necessário (economia de combustíveis e de materiais).

Em segundo lugar, o planejamento urbano acaba sendo norteado pela monocultura carrocentrista. Ampliar os espaços de circulação dos automóveis individuais é enxugar gelo, como já perceberam os responsáveis pelas mais dinâmicas cidades contemporâneas.
A consequência é que qualquer estratégia de crescimento econômico apoiada na instalação de mais e mais fábricas de automóveis e na expectativa de que se abram avenidas tentando dar-lhes fluidez é incompatível com cidades humanizadas e com uma economia sustentável. É acelerar em direção ao uso privado do espaço público, rumo certo, talvez, para o crescimento, mas não para o bem-estar.

Não se trata -terceiro ponto- de suprimir o automóvel individual, e sim de estimular a massificação de seu uso partilhado. Oferecer de maneira ágil e barata carros para quem não quer ter carro já é um negócio próspero em diversos países desenvolvidos, e os meios da economia da informação em rede permitem que este seja um caminho para dissociar a mobilidade da propriedade de um veículo individual.
Eficiência no uso de materiais e de energia, oferta real de alternativas de locomoção e estímulo ao uso partilhado do que até aqui foi estritamente individual são os caminhos para sustentabilidade nos transportes. A distância com relação às prioridades dos setores público e privado no Brasil não poderia ser maior.

RICARDO ABRAMOVAY é professor titular do Departamento de Economia da FEA, do Instituto de Relações Internacionais da USP e pesquisador do CNPq e da Fapesp.

Folha de São Paulo de 14/12/2011.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PSB é governo em 21 Estados e 17 capitais


Partido que registra um crescimento sem solavancos em seu número de prefeitos e deputados federais desde 2000 - teve seu número de governadores diminuído de quatro para três entre 2002 e 2006, mas cresceu para seis governadores em 2010-, o PSB, conforme mostra levantamento do Valor, é hoje sinônimo de legenda alinhada à máquina pública. Está na situação em 21 Estados e em 17 capitais brasileiras.

Além de comandar seis Estados, o PSB compõe a base aliada em outras 15 federações. Nas capitais a conta é semelhante: o partido tem a prefeitura de quatro capitais e oferece seu apoio em outras 13. Na maioria dos casos, com presença de integrantes da sigla em cargos no primeiro escalão. Apenas no Amazonas e Rio Grande do Norte o PSB é oposição tanto à prefeitura da capital quanto ao governo estadual.

Capitaneado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o PSB prepara-se para em 2012 alargar sua representação no grande espaço de disputa da política brasileira atual: o centro, território dominado pelo PMDB e visado pelo recém-criado PSD.

O secretário-geral da sigla e governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, explica a postura adotada pela legenda. "O PSB considera que as pessoas querem resultado, não falatório. Isso faz com que nossos parlamentares busquem dar suporte aos governos. Temos um critério de acompanhamento das alianças, mas de fato não há veto automático a nenhum partido", afirma.

"Somos um partido preocupado em governar, conquistar e fazer bom uso do poder", diz o governador do Ceará, Cid Gomes. "Mas me preocupa que possamos ser taxados de adesistas, porque penso que não é o caso. O PSB iniciou seu crescimento em oposição ao poder", ressalva.

O cientista político Jairo Nicolau crê que em tal cenário - no qual partidos põem em segundo plano o discurso ideológico em favor do mantra da gestão eficiente e abarrotada de indicadores - predomina a lógica do acúmulo de espaço e aliados. "O PSB está passos à frente de partidos como o PDT, o PP e o PTB, que também fazem coligações a depender das circunstâncias. Seu diferencial é que, além de ter conquistado um número considerável de governos estaduais, o PSB deslocou o PMDB do posto de partido mais relevante em alguns Estados, especialmente no Nordeste".