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sábado, 5 de maio de 2012

Bom fim de semana, fiquem com Deus.




 
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Jatene cancela viagem à China para cuidar da saúde



Por recomendação médica, o governador do Pará Simão Jatene cancelou a viagem que faria à China, comandando uma comitiva de empresários e secretários para uma missão comercial. O vice-governador Helenilson Pontes foi chamado às pressas para substituí-lo. A mudança causou transtornos, já que Pontes não possui visto de entrada no país, nem as vacinas exigidas para ingresso no território chinês.

Na noite de ontem, equipes do cerimonial da governadoria tentavam resolver, em São Paulo, junto à embaixada chinesa, os problemas burocráticos para garantir o embarque do vice. A partida estava prevista para a madrugada deste sábado.

As informações sobre o estado de saúde do governador eram desencontradas. Para integrantes da comitiva, fontes do Palácio chegaram a informar que trata-se de uma arritmia cardíaca. Ao DIÁRIO, o secretário de comunicação, Ney Messias Junior garantiu que Jatene fora acometido por uma virose e, como a viagem até a China seria de 36 horas, os médicos recomendaram o cancelamento.

A mudança de planos surpreendeu os integrantes da comitiva. Alguns pensaram em desistir de seguir viagem sem Jatene, mas até o fechamento desta edição, a informação era de que apenas o deputado estadual Martinho Carmona (PMDB) havia decidido voltar para Belém.

A viagem à China vinha sendo planejada desde o início deste ano. Além do próprio governador, a comitiva seria formada por integrantes do governo como o secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa. Parte do grupo vai para Dubai e outra parte seguirá via Catar. Jatene comandaria o grupo que seguiria para Dubai e as informações são de que o governador planejara embarcar ainda na quinta-feira, quando teriam começado os problemas de saúde. As malas do governador chegaram a ser despachadas, segundo uma fonte, minutos antes do cancelamento oficial.

OBJETIVO

O objetivo da viagem, segundo material distribuído pela assessoria do governador é ampliar relações comerciais com os chineses, especialmente na área da indústria metal-mecânica. A viagem prevê também passagem pela Malásia onde o assunto principal será o comércio do óleo de palma.

Segunda economia do planeta, a China é hoje um dos parceiros comerciais mais cobiçados. Em julho do ano passado, o secretario Sidney Rosa esteve no país e voltou com a promessa de que é possível aumentar as relações comerciais dos chineses com o Pará. “Eles têm grande interesse na compra de alguns produtos paraenses e em contrapartida nos foram ofertados novos produtos, pois é de interesse do país que o Pará se torne um pólo importador do que é gerado na cadeia produtiva chinesa”, informou na ocasião, o secretário.

Durante a visita, a empresa Oyamota do Brasil, com sede em Castanhal, assinará acordo de cooperação com a empresa chinesa Kikihar, em Beijing. A meta da empresa é produzir esses vagões em Castanhal e exportá-los para todo o país. (Diário do Pará)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Lula recebe cinco títulos de Doutor Honoris Causa

RIO - Após meses lutando contra um câncer na garganta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia aos poucos a retomada de sua vida pública. O palco escolhido para seu retorno foi o Rio de Janeiro, onde participou, nesta sexta-feira, do segundo evento público, depois do fim tratamento.

Ontem, o ex-presidente participou de seminário promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tinha a África como tema. Hoje, no Teatro João Caetano, no centro do Rio, Lula recebeu títulos de Doutor Honoris Causa de cinco universidades com sede no Estado do Rio: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Nos dois eventos, Lula contou com a presença do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), alvo de acusações, desde a semana passada, de manter relações antiéticas com empresários. No evento de hoje, Lula subiu ao palco do teatro acompanhado de Cabral, e ambos foram saudados entusiasticamente pela plateia. Entre os convidados na cerimônia, estavam a presidente Dilma Rousseff; do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB); além de reitores das universidades que homenagearam Lula e integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE). Cabral sentou-se do lado esquerdo do ex-presidente, também era ladeado pela presidente Dilma.

Embora Dilma tenha sido saudada aos gritos de “Olê, olê, olê olá/Dilma/Dilma”, Lula foi a grande estrela e foi o mais aplaudido entre os citados no evento.

A bengala, usada como apoio no evento de ontem no BNDES, foi deixada de lado. Hoje, o ex-presidente contou com o apoio de braços, nas duas vezes em que transitou pelo palco do Teatro. A atriz Camila Pitanga foi a mestre de cerimônias do evento e quebrou o protocolo ao pedir à Dilma o veto ao Código Florestal.

Apenas Lula discursou no evento de hoje. Após vestir samarra e capelo vermelhos, cor símbolo das Ciências Humanas, pediu desculpas por não improvisar e leu sua fala de um papel, bebendo água várias vezes para molhar a garganta.

Com voz fraca, que pouco lembra o tom rouco característico dos dias pré-câncer, agradeceu a homenagem e exaltou o Rio, em discurso de de cerca de vinte minutos, com duas interrupções.

“O Rio de Janeiro passa por um grande momento, que há muito não tínhamos, com programas de segurança e infraestrutura. O Estado passa por uma revolução econômica e social”, disse.

O ex-presidente também dirigiu elogios aos avanços do Brasil na última década. “Não há município brasileiro onde o governo federal não venha fazendo investimentos no ensino básico. Entre 2001 e 2010, a desigualdade atingiu o seu menor nível” afirmou.

Lembrou ainda do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), elogiou Dilma e o sistema de cotas aprovado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentando que a decisão “vai melhorar a qualidade do ensino” no país.

(Diogo Martins/Valor)

Terremoto e tsunami no Chile teriam afundado solo marinho, diz estudo



O forte terremoto que atingiu a região de Maule, no Chile, em 2010, pode ter afundado o solo marinho em determinadas áreas e causado o desaparecimento de habitats naturais, segundo estudo publicado na “PLoS ONE”.

A pesquisa, divulgada nesta semana foi realizada por cientistas de universidades do Chile, Estados Unidos e Alemanha.

Eles apontaram casos de subsidência (deslocamento de superfícies terrestres para baixo) encontrados em algumas praias, o que modificou a altura de alcance das marés, por exemplo.

Tais fenômenos foram detectados em praias de Maule e Boyeruca, por exemplo. O estudo aponta ainda houve uma redução na quantidade de espécies e habitats naturais nessas áreas.

Em algumas praias de areia brancas, por exemplo, não há mais presença de alguns tipos de vegetais marinhos.

Impacto positivo -Já em localidades onde existiam barreiras construídas pelo homem (conhecidas como quebra-mar), agora é possível verificar a presença de invertebrados nos costões rochosos.

Segundo a pesquisa, já há indícios de colonização de invertebrados nessas áreas, que antes eram excluídos devido às barreiras impostas.

Esses animais teriam sido “afastados” dessas áreas devido às construções e agora “retomam” a região como consequência da catástrofe.

Em 27 de fevereiro de 2010 um terremoto de magnitude 8,8 atingiu o Chile e durou cerca de três minutos. O tremor causou um tsunami de 2,6 metros na região de Valparaíso e foram confirmadas 723 mortes. Porém, o governo chileno trabalha com um grande número de desaparecidos. (Fonte: Globo Natureza)

Economia florestal no Brasil ainda não atende às expectativas



O país da maior floresta tropical do mundo tem uma economia florestal pequena, disse o presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e representante do Fórum Brasileiro de ONGs (organizações não governamentais) e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente, Rubens Gomes. Ele defende a criação de uma política nacional para o uso e gestão de florestas.

Sem uma política nacional que seja cumprida à risca, o sistema florestal brasileiro ficou frágil, situação que contribui para que os investidos não realizem investimentos Floresta Amazônica brasileira, acrescentou Rubens Gomes.

A solução, segundo o presidente do GTA, é compensar o vazio legal por meio do fortalecimento do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), criado em 2006. Para Rubens Gomes, cinco anos depois da criação do órgão, o SFB ainda está longe de atender as expectativas depositadas pela sociedade brasileira em seu funcionamento.

Marcus Vinicius Alves, diretor de concessão florestal e monitoramento do SFB, reconheceu que os contratos de concessão vem apresentando “um incremento pequeno”. Disse, porém, que, embora modesto, esse crescimento vem sendo “gradual, constante e responsável”. Acrescentou que, desde as primeiras licitações, em 2008, até hoje, já foram concedidos 150 mil hectares em duas florestas públicas (Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, e Floresta Saraca-Taquera, no Pará).

“Há 20 dias lançamos mais dois editais de licitação para área remanescente de Saraca-Taquera e outro para Floresta Jacundá (Rondônia) e ainda vamos concluir outros três editais até julho. Se todos os contratos se concretizarem vamos ter, no final do ano, 1,3 milhão hectares de florestas contratadas”, explicou Marcus Vinicius.

Outra questão considerada crítica por Marcus Vinicius é a falta de instrumentos econômicos, como subsídios e incentivos financeiros para a atividade florestal. “Precisamos de uma série de incentivos que, junto com repressão à ilegalidade, produziriam um salto quantitativo e qualitativo nas concessões”, disse. (Fonte: Carolina Gonçalves / Agência Brasil)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Em discurso no BNDES Lula critica o que ele mesmo fez, o apoio desmedido à Banca.


Lula chega de bengala a evento no BNDES no Rio

Visivelmente abatido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou pela primeira vez de um evento do Rio de Janeiro após o início do seu tratamento contra um câncer na laringe.

Acompanhado do governador Sérgio Cabral, que teve seu nome anunciado em meio às palmas para o ex-presidente, Lula apareceu apoiado em uma bengala, no seminário "Investindo na África: Oportunidades, desafios e Instrumentos para a Cooperação Econômica", realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Também mais magro, o governador Sérgio Cabral evitou pela segunda vez a imprensa ao deixar um evento público depois que foram divulgadas fotos suas na França, na companhia do empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, empresa investigada pela CPI do empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Ao sair do evento, o governador evitou a reportagem da Folha, que o esperava na porta de uma área privativa das autoridades, saindo por uma porta lateral. O prefeito Eduardo Paes, que estava na mesma sala com Cabral saiu pela porta da frente.
Segundo a assesoria de Lula, o motivo do uso da bengala é a fraqueza provocada pelo tratamento contra o câncer, que fez o ex-presidente perder 18 quilos, parte já recuperados, segundo o assessor.

Lula leu seu discurso, uma prática pouco usual, e exaltou a cooperação entre o Brasil e a África, afirmando que o continente e o Brasil estão crescendo em um mesmo momento.

Ele criticou a postura dos países desenvolvidos durante a crise econômica, acusando-os de punir as vítimas da crise (trabalhadores) e distribuir prêmios para os "reais culpados" pela situação econômica mundial que seriam o mercado financeiro e as grandes empresas.

"Os países ricos deram para o sistema financeiro todo o apoio, e para os mais pobres nenhum socorro", disse Lula em seu discurso.

Folha de São Paulo

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Paralisação em Belo Monte deve seguir até o fim de semana

BRASÍLIA - A greve dos 7 mil trabalhadores da hidrelétrica de Belo Monte, que hoje completa dez dias, deve continuar pelo menos até o fim de semana. Isso porque, nestas quinta-feira e sexta-feira, ocorre o pagamento dos funcionários da obra. Nesses dois dias, os operários são dispensados do trabalho para que possam ir à cidade para fazer saques, pagamentos, compras etc.

A greve estava prevista para acabar hoje, mas o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintrapav) não liberou os funcionários para retornar às atividades. Para o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), o sindicato quebrou o acordo que havia firmado na semana passada.

A greve foi julgada ilegal pela Justiça do Trabalho da 8ª Região, que impôs uma multa de R$ 200 mil por dia caso a decisão não seja cumprida. Segundo o CCBM, o Sintrapav já estaria devendo R$ 1 milhão.

(André Borges | Valor)

Agora Bolívia

Bolívia vai pagar indenização, diz ministro espanhol

SÃO PAULO - A Espanha vai acompanhar o desenrolar do caso da subsidiária boliviana da Red Eléctrica de España (REE), que ontem foi nacionalizada pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, por meio de decreto.

O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, disse que o governo de Morales deu garantias de que vai indenizar a empresa espanhola pelos investimentos realizados na rede de eletricidade da Bolívia, mas não deixou de criticar a medida.

A Comunidade Europeia mostrou-se preocupada com a nacionalização da filial boliviana da REE e avalia que a decisão envia um sinal negativo aos investidores internacionais. "Confiamos que as autoridades bolivianas respeitem plenamente os acordos de investimento com a Espanha e garantam uma compensação rápida e adequada por esta expropriação", comentou o porta-voz de Comércio, John Clancy.

O presidente da Bolívia disse que seu governo tomou a decisão de estatizar a subsidiária da espanhola Red Eléctrica como justo reconhecimento aos trabalhadores e ao povo boliviano "que têm lutado pela recuperação dos recursos naturais e dos serviços básicos". "Para esclarecer a opinião pública nacional e internacional, esta empresa antes era nossa e estamos nacionalizando o que era nosso", afirmou Morales.

A decisão segue a da Argentina, que decidiu expropriar a YPF da espanhola Repsol no mês passado.
Por Juliana Cardoso | Valor, com agências internacionais

IFPA – Justiça reintegra Fernando Cunha Bastos. (Blog do Barata)



Por determinação da juíza Hind Kayath, da 2a Vara Federal de Belém, datada de sexta-feira passada, 27, o professor Fernando Cunha Bastos foi reintegrado aos quadros do IFPA, o Instituto Federal de Educação Tecnológica do Pará, do qual havia sido demitido no último mês de março pelo reitor Edson Ary Oliveira Fontes (foto). Em uma decisão com clara conotação de retaliação política, diante da candidatura de Bastos a reitor, a demissão foi uma opção radical de Fontes, na esteira de um PAD, processo administrativo disciplinar. O PAD foi instaurado diante de supostas irregularidade atribuídas a Bastos, quando diretor-geral do campus de Santarém do IFPA. Mas a juíza Hind Kayath, ao acolher o mandado de segurança impetrado por Bastos, assinalou não ter vislumbrado motivações, nem benefícios pessoais que o professor demitido poderia ter auferido com os supostos ilícitos apontados.

Com a reintegração, viabiliza-se a candidatura de Fernando Cunha Bastos a reitor do IFPA, na sucessão de Edson Ary Oliveira Fontes, cuja ambição é fazer seu sucessor. Mas essa não foi a única frustração do atual reitor. A reintegração, determinada pela juíza Hind Kayath, da 2a Vara Federal de Belém, esfarinha a retaliação de Edson Ary Oliveira Fontes, diante da avalanche de denúncias de irregularidades na atual administração, incluindo a suspeita de desvio de recursos. Essas denúncias, diga-se, deixaram o atual reitor na mira do MEC, o Ministério da Educação, da CGU, a Controladoria Geral da União, e do MPF, o Ministério Público Federal.

A própria comissão processante antecipou a constatação feita posteriormente pela juíza Hind Kayath, descartando indícios de má-fé por parte de Bastos, ou vantagens pessoais eventualmente auferidas pelo professor, direta ou indiretamente. Como a decisão da penalidade a aplicar cabia ao reitor, Edson Ary Oliveira Fontes extrapolou os limites estabelecidos em lei e, na contramão do que sinalizou a comissão processante, sem nenhum fundamento para tanto, determinou a demissão de Fernando Cunha Bastos.

Por isso, a enfática observação da magistrada. “Reprise-se que não é vedado à autoridade julgadora divergir da conclusão da comissão, todavia, a divergência deve encontrar fundamento na contrariedade à prova dos autos, que, por sua vez, deve ser adequadamente motivada, a fim de atender à exigência do parágrafo único do art. 168 da Lei n. 8.112/90, notadamente quando a conduta, por sua gravidade, exige, como visto, ‘conjunto probatório robusto e preciso’”, sublinhou a juíza Hind Kayath.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ministrinho e tijolaços

BRASÍLIA - Decisões longas e amadurecidas, por óbvio, tendem a ser melhores do que as rápidas e impensadas. Dilma, no entanto, levou quase meio ano para nomear, na véspera deste Primeiro de Maio, um ministro do Trabalho que enfrenta resistências na própria bancada e em centrais sindicais.

O deputado Leonel Brizola Neto, o enfim escolhido, tem duas credenciais para ocupar o cargo, além de ser do PDT: o sobrenome, herdado de um ícone do trabalhismo brasileiro e da luta contra a ditadura militar, e o blog "Tijolaço", em que se ocupa de xingar todos os críticos do governo, sobretudo do antigo governo, e alimentar a ira contra a imprensa.

A não ser que se considere credencial o fato de Brizola Neto, 33, virar o mais novo dos 38 integrantes da Esplanada dos Ministérios. Ou o fato de, apesar de eleito pelo Rio, ser o oitavo gaúcho no governo Dilma, nascida em Minas e adotada pelo RS.

O anúncio foi feito ontem pelo Planalto e a posse será na quinta-feira, encerrando a era Carlos Lupi, que se atrapalhou todo com ONGs, e a longa interinidade do secretário-executivo, que vem desde dezembro.

O pior é que ninguém sequer notava que o Ministério do Trabalho estava acéfalo. Como o mundo, o Brasil e as relações trabalhistas evoluíram tanto, a pasta se tornou quase tão desimportante quanto a da Pesca. Ambas só são úteis para alimentar tubarões e apoios políticos.

Apesar da versão corrente de que Brizola Neto era o preferido de Dilma, há controvérsias. Há quem diga que ela preferia o também deputado Vieira da Cunha, do PDT-RS, mas, no fim, dá no mesmo. O que importa é que Dilma se livrou na última hora de críticas no Dia do Trabalho e abriu caminho para voltar às boas com o seu antigo partido, o PDT.

Agora, é torcer para o novo ministro não sair infantilmente distribuindo tijolaços por aí, pois podem ter efeito bumerangue e se virar contra o governo que ele julga defender.

elianec@uol.com.br

Ministro às Pressas


Dilma (Didi) Amanhã é 1º de Maio, dia internacional dos trabalhadores e o Brasil está há 6 meses sem Ministro do Trabalho. Mas Lula, tu estavas doente. Eu doente?, estava na vera da morte Didi, com câncer, mas já estou de volta. Amanhã tudo mundo vai para Esplanada sim Ministro?. Nomeia qualquer um, mas que seja agora.


Lula, tu bem sabes que eu não gosto desse Lupi, aqui na Esplanada ninguém gosta, é muito corrupto, tem feito do ministério um verdadeiro cofre do seu enriquecimento ilícito. Didi, concordo comtigo, então nômeia o neto do Brizola. Mas amanhã eu quero que o Brasil tenha ministro de trabalho. Ta bom Lula, vou chamar esse cara, agora. 

E a matéria vazou na imprensa. Veja abaixo. 

A pedido do ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff tentava fechar ontem, antes do feriado, o nome do novo ministro do Trabalho e um projeto isentando de Imposto de Tenda os pagamentos a títulos de participação nos lucros. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Dilma e Lula trataram dos dois temas no almoço que tiveram na última quarta, no Palácio da Alvorada.

Eles avaliaram que seria negativo para o governo passar o Dia do Trabalho sem um ministro na pasta. A preferência de Dilma para ocupar o cargo que foi de Carlos Lupi (PDT-RJ) recai sobre o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), mas seu nome barra na resistência de petistas. Mas ela só convidará o aliado após conversar com Lupi, dirigente do partido.

domingo, 29 de abril de 2012

O futuro da história

Uma das vozes conservadoras influentes, e também controversas, da academia e da política americanas, Francis Fukuyama defende a criação de uma organização multilateral no nordeste da Ásia, incluída a China - cujo modelo econômico e político considera insustentável -, capaz de harmonizar interesses nacionais e que, ao mesmo tempo, funcionaria como uma espécie de fórum para discussão de questões também presentes na agenda geopolítica dos Estados Unidos. Essa é a tese central do livro "Multilateralismo na Ásia Oriental", coletânea de artigos organizada por Fukuyama e Kent E. Calder, agora publicada no Brasil.

Foi quando ainda era um dos jovens talentos da universidade Johns Hopkins - onde hoje ocupa posto de direção nas atividades do Centro de Estudos da Ásia Oriental -, que Fukuyama cunhou a expressão "fim da história". Referia-se, dessa forma, à queda do muro de Berlim e à desintegração da União Soviética como confirmação conclusiva, a seu ver, da supremacia do liberalismo econômico e político no mundo contemporâneo, que estaria então definitivamente estabelecida.

Vinte anos depois de "O Fim da História e o Último Homem" chegar às livrarias, Fukuyama publicou em janeiro, na revista "Foreign Affairs", um texto em que critica os exageros da liberalização econômica americana. Segundo ele, o ultraliberalismo proporcionou um cenário propício ao enfraquecimento da classe média e ao aumento das desigualdades sociais nos Estados Unidos. Um dos nomes responsáveis pela disseminação da chamada Doutrina Reagan, de apoio maciço aos movimentos anticomunistas (inclusive armados) como forma de esgotamento da União Soviética, Fukuyama se alinhou aos neoconservadores nos anos 90 e apoiou a invasão do Iraque.

"O Brasil precisa continuar a diversificar sua base econômica e multiplicar o investimento em educação"

O desencanto de Fukuyama com o governo de George W. Bush - chegou a comparar o neoconservantivismo ao leninismo - e o apoio, em 2008, a Barack Obama, são considerados por analistas de variados espectros uma evidência da radicalização da direita americana, na qual não haveria mais lugar para nomes conservadores como o dele.

Nesta entrevista, Fukuyama fala da exaustão, de certo modo já perceptível, do modelo chinês (recusou-se a comentar o fato de que parte da academia considera este o "século chinês"), comenta problemas de governabilidade das democracias liberais avançadas, valoriza a possível influência do Brasil em questões relacionadas aos direitos humanos e adverte para a importância de o país multiplicar o investimento em educação como primeira condição para acelerar o desenvolvimento.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Fukuyama ao Valor.

Valor:
Na semana passada, a Índia testou com sucesso seu primeiro míssil nuclear de longo alcance, gerando protestos do Paquistão e da China. Há uma preocupação em relação à escalada da corrida armamentícia na Ásia Oriental, não por acaso região cada vez mais prioritária na estratégia militar americana. Dentro desse contexto, qual a real possibilidade para a criação, como o senhor defende desde a publicação do livro nos Estados Unidos, em 2008, da formação de uma organização multilateral de peso no Extremo Oriente?

Francis Fukuyama: Ainda penso ser importante a criação de uma organização voltada exclusivamente para a discussão de assuntos de segurança no nordeste da Ásia. É de fato possível que a Coreia do Norte entre em um súbito colapso e vai haver uma corrida para ocupar o vácuo. O principal interesse da China é evitar a reunificação da Coreia, um estado democrático aliado dos Estados Unidos. Os chineses não querem tropas americanas estacionadas na fronteira. Na teoria, Estados Unidos, Coreia e China deveriam ser capazes de desnuclearizar a Península Coreana ou mesmo de terminar oficialmente a aliança Estados Unidos-Seul no caso de uma unificação. Mas não é possível sequer iniciarmos iniciativas diplomáticas a esse respeito por causa das sensibilidades chinesas. Um fórum regular que pudesse cuidar desses tópicos seria extremamente desejável.

Valor: Mas ainda é possível conter a China? Pequim hoje conta com mais embaixadas na África do que Washington e já é o principal parceiro comercial de boa parte dos países da América Latina...

Fukuyama: Veja bem, os Estados Unidos não têm interesse algum em conter os investimentos chineses ou as relações comerciais de Pequim mundo afora. Não têm. Quando falamos em "conter" a China, estamos pensando em questões de segurança internacional, como, por exemplo, na visão de Pequim sobre o Mar da China, que eles querem controlar de forma absoluta. Ou nas relações com Taiwan. Especificamente quando pensamos nesses tópicos, é certamente possível para os países que se sentem ameaçados pela China trabalhar juntos para limitar a influência de Pequim.

Valor: O pré-candidato republicano à Casa Branca Mitt Romney defende práticas comerciais mais duras em relação a Pequim. Ele acusou o governo Obama de "tolerar a sujeição de nossos interesses comerciais a Pequim". É possível para os Estados Unidos, na atual conjuntura econômica, serem de fato mais duros com a China? Qual a sua avaliação sobre as relações Washington-Pequim no governo Obama?

Fukuyama: Creio que deveríamos tratar a desvalorização da moeda chinesa da mesma forma como se trata a exportação de produtos subsidiados. Deveríamos tê-los ameaçado com uma tarifa de entrada proporcional ao peso da desvalorização, o que certamente levaria o caso para a Organização Mundial do Comércio (OMC). Aliás, não há qualquer diferença conceitual entre subsídio e desvalorização artificial da moeda. Não acredito que tal atitude levaria a uma guerra comercial com Pequim e sim a uma situação de barganha, em que os chineses provavelmente seriam forçados a retroceder. Mas isso só seria possível de fato se outros países ameaçados pelas importações chinesas se juntassem ao clube. Estou pensando aqui especialmente no Brasil, que vem sofrendo com um processo de desindustrialização por conta da política monetária chinesa.

"Partidos políticos de centro-esquerda e centro-direita são indispensáveis como forma de representação das novas classes médias"

Valor: O senhor acredita que o crescimento econômico implicará naturalmente uma abertura democrática na China? Qual papel o Brasil, como um dos Brics, poderia exercer na questão do respeito aos direitos humanos na China?


Fukuyama: Creio que a China acabará por se democratizar. Nem o modelo político nem o econômico de Pequim são sustentáveis a longo prazo. O modelo exportador já começou a diminuir sua força substancialmente e há uma necessidade crescente de elevar o consumo, ao lado de pressões para a liberalização política. Neste exato momento, o modelo chinês se mostra vulnerável, como se vê no caso de Bo Xilai [principal líder do PC Chinês em Chongquing, preso no mês passado por causa de um escândalo de corrupção e abuso de poder] e nas crescentes dificuldades vividas pela elite política. Mas não acredito que Brasília poderia exercer um papel importante na China, especialmente por causa da ausência de uma oposição formal no país. Em outras partes do planeta, no entanto, a presença do Brasil seria muito importante. Fiquei extremamente desapontado com o ex-presidente Lula, que virou as costas para a Revolução Verde no Irã e chegou a dizer que não havia diferença entre o regime e a oposição democrática. O Brasil, por causa de sua própria história, com uma ditadura recente, tem a obrigação de ter uma atitude mais decisiva contra regimes totalitários.

Valor: Mesmo com a ascensão chinesa e a crise nos Estados Unidos e na Europa, o senhor segue acreditando que a única via para a modernização é através do liberalismo democrático?

Fukuyama: Sim, a sociedade moderna só é viável por meio da democracia liberal. O único competidor real é o modelo chinês. A China se moderniza de forma autoritária, mas trata-se de um modelo impossível de se exportar, intrínseco de sociedades asiáticas com determinadas especificidades culturais. Mas não estou dizendo que todos os países vão se desenvolver da mesma forma ou que as diversas formas de capitalismo democrático serão idênticas em todas as sociedades. O modelo capitalista da Europa setentrional é muito diferente do americano e, também, do da Europa meridional. Em meu livro mais recente, "As Origens da Ordem Política", procuro mostrar como foi acidental e fortuito o desenvolvimento da democracia liberal.

Valor: Não estaríamos vivendo uma crise do modelo democrático liberal que o senhor defende no livro? Não há uma crescente descrença, no Ocidente, em relação a instituições como o Congresso e o Poder Judiciário?

Fukuyama: Não, não há uma crise universal da democracia liberal. Na América Latina, tivemos três presidentes, Lula, Michelle Bachelet, no Chile, e Álvaro Uribe, na Colômbia, que deixaram o governo com aprovação acima dos 70%. Ou seja, algo está indo bem na região. Na Europa, há uma divisão entre facções pró e contra uma Comunidade Europeia clientelista. A Alemanha e os países escandinavos são exemplos de governos que conseguiram controlar seus déficits orçamentários enquanto mantêm bons níveis de confiança. Espanha, Grécia e Itália são estados capturados por partidos políticos, com níveis muito mais baixos de apoio popular. Ou seja, a crise não é universal.

Valor: Então vamos falar dos Estados Unidos. Em janeiro, o senhor escreveu o artigo "O futuro da história" para a revista "Foreign Affairs", que repercutiu fortemente no universo acadêmico. O senhor inicia seu texto com uma pergunta: "A democracia liberal pode sobreviver ao declínio da classe média?" O senhor já chegou a uma resposta? E quais são as forças que no momento ameaçam a democracia liberal americana?

Fukuyama: Concordo que as democracias avançadas estão experimentando uma crise de governabilidade. Todas demonstraram dificuldade na hora de tomar decisões duras. Também se revelaram frágeis, passíveis de serem capturadas por lobbies poderosos e grupos de interesses. Parte do problema se dá porque o público espera altos níveis de benefícios que algumas dessas sociedades certa vez foram capazes de gerar, mas que já não são sustentáveis do ponto de vista fiscal. E falta vontade política para se informar ao público sobre a nova realidade.

"A sociedade moderna só é viável por meio da democracia liberal. O modelo autoritário aplicado na China é impossível de exportar"
Valor: Em contrapartida, há uma explosão de populismo nos Estados Unidos, à direita, com o Tea Party, e à esquerda, com o Ocupem Wall Street. Qual papel esses movimentos terão nas eleições presidenciais de novembro?

Fukuyama: O Tea Party já passou do seu clímax de influência. Conseguiu mover o Partido Republicano para uma direção tão extremista e estreita que provavelmente custará esta eleição à oposição, com nova vitória de Obama, a não ser que tenhamos uma nova recessão até o fim do ano. O Ocupem Wall Street jamais foi um movimento de massas, mas um grupo pequeno de ativistas que encontraram um novo nicho. Não terão influência nas eleições, a não ser que se organizem melhor e aprendam a dialogar com a classe trabalhadora, na qual estão os cidadãos que de fato sofrem com o aumento da desigualdade social nos Estados Unidos.

Valor: No Brasil, vivemos a experiência oposta, com uma ascensão sem precedente histórico em direção à classe média. Como o senhor vê a era Lula?

Fukuyama: O crescimento da classe média é crítico para a estabilidade da democracia brasileira, única maneira de se evitar a polarização entre as elites e os pobres. O populismo pode ser utilizado de forma positiva, como no caso de Franklin Roosevelt nos anos 30, em que se construiu o estado de bem-estar americano, mas também pode ser uma força destrutiva, como no caso de Hitler, ou apropriado por demagogos autoritários, como Hugo Chávez. A América Latina precisa de partidos políticos de centro-esquerda e centro-direita cada vez mais fortes, representando as novas classes médias, que precisam se sentir incluída no sistema.

Valor: Também na "Foreign Affairs", no início do mês, o especialista em mercados emergentes Ruchir Sharma escreveu artigo em que alerta sobre a fragilidade da ascensão da classe média brasileira, dependente de um contexto de crescimento baseado nos preços altos das matérias-primas. O senhor concorda com esse ponto de vista?

Fukuyama: Concordo. A maior parte do crescimento brasileiro na última década deu-se por consequência da demanda global - especialmente a chinesa - por matéria-prima. Essa situação não vai durar eternamente. O Brasil precisa continuar diversificando sua base econômica. O que Brasília precisa fazer, na prática, é multiplicar o investimento em educação, para que o país suba de vez a ladeira.

Valor: Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", o senhor afirmou que os Estados Unidos estão começando a se parecer com a América Latina. O que quis dizer com isso?

Fukuyama: Tradicionalmente, a América Latina é uma das regiões com maior desigualdade social, que chega a níveis dos quais os Estados Unidos vão se aproximando. É isso. Também é importante lembrar que, como muita gente na América Latina, os americanos não querem pagar mais impostos. Eles também acreditam que os governos vão desperdiçar os recursos arrecadados. O resultado é a falta de investimentos em serviços públicos, o que acaba confirmando a impressão dos que não querem pagar mais impostos.

Valor: Em "As Origens da Ordem Política", o senhor usa o exemplo da Dinamarca como modelo de um Estado funcional. Esse é um modelo passível de exportação?

Fukuyama: A Dinamarca é um país pequeno, com população de 5,5 milhões. É um país relativamente homogêneo, cujas experiências não são facilmente reproduzíveis em outras realidades. Existem como um ideal, mas, como também destaco no livro, nem mesmo os dinamarqueses sabem bem como chegaram aonde chegaram. A Dinamarca é um ponto de referência.

Valor: O senhor já foi apresentado como uma "estrela do rock" da academia americana. Nunca se cansa de ser mencionado, até hoje, como o cientista político que cunhou a expressão "o fim da história"?

Fukuyama: Sim. Mas também aprendi que não há nada que se possa fazer a respeito. Sempre tenho a esperança de que as pessoas prestem mais atenção no que estou dizendo hoje e não no que escrevi há 30 anos.

"Multilateralismo na Ásia Oriental - Perspectivas para a Estabilidade Regional"

Organização de Francis Fukuyama e Kent E. Calder. Tradução de Nivaldo Montingelli Jr. Editora Rocco. 336 págs., R$ 48,50

Por Eduardo Graça | para o Valor, de Nova York

Álbum raro traz uma das últimas gravações de Louis Armstrong | Valor Econômico

Álbum raro traz uma das últimas gravações de Louis Armstrong | Valor Econômico:

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Pará está entre os piores na educação, diz IBGE



Em 2010, 966 mil crianças e jovens brasileiros na faixa etária de 6 a 14 anos de idade não frequentavam escola. A região Norte tinha o maior percentual de crianças nesse grupo (6,1%), mais que o dobro do Sudeste (2,8%) e Sul (2,5%). Os maiores percentuais ficaram com o Amazonas (8,8%), Roraima (8,3%) e Acre (8,2%), seguidos pelo Pará (5,5%). No outro extremo, o menor percentual desse indicador foi registrado em Santa Catarina (2,2%). Os dados foram divulgados ontem, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa que se refere às mudanças ocorridas no país nessa última década, 2000 a 2010.

Ao todo, 13,59% dos paraenses entrevistados de todas as faixas etárias declararam nunca ter frequentado uma escola. Um total de 50,72% declararam não estar frequentando nenhuma escola, apesar de já terem estudado. Com relação ao ensino superior, o Censo 2010 revela que a porcentagem da população que terminou a faculdade é de apenas 7,9%. Em 2000, esse número era de 4,4%. No Pará, apenas 4,08% dos entrevistados responderam ter ensino superior completo. As regiões Norte e Nordeste registraram o pior índice de instrução em nível superior, ambos com apenas 4,7% da população diplomada. Abaixo do Pará, o pior índice do Brasil é o Maranhão, com apenas 3,61% da população graduada com nível superior. Já no Sudeste, São Paulo foi o que apresentou a melhor taxa, com 10% de formados.

O percentual de pessoas no Brasil com mais de 25 anos que têm pelo menos o ensino médio completo aumentou e chegou a 35,8%, contra os 23,1% registrados no ano 2000. No Pará, essa porcentagem não passa de 18,92%.

RENDA BAIXA

O Censo apontou ainda que, no Pará, a renda média per capita é de R$ 383, uma das mais baixas do país, ficando à frente apenas de Alagoas (R$ 378), Piauí (R$ 367) e Maranhão (R$ 319). A renda por pessoa em Belém é maior que a do Estado: R$ 697.

Os mais altos rendimentos médios domiciliares foram os das regiões Centro-Oeste e Sudeste, que ficaram próximos, com diferença de menos de 1%, vindo em seguida o da região Sul. Em patamares mais baixos ficaram os das regiões Nordeste e Norte, que representaram 55,5% e 67,5%, respectivamente, daquele da região Centro-Oeste.

DIVÓRCIOS

O número de divórcios no Brasil superou a marca histórica registrada nos últimos anos: pelo menos 1,8 por mil habitantes da população brasileira respondeu afirmativamente ao Censo do IBGE, informando a mudança do estado civil em 2010. No ano anterior, ela havia sido 1,4 por mil habitantes. Já a taxa geral de separação teve queda significativa e registrou o menor patamar da série histórica, iniciada em 1984, chegando a 0,5 caso por mil habitantes.

No Pará, foram registrados 3.747 divórcios no ano. Foram realizadas 410 separações judiciais e 1.495 mulheres conseguiram a guarda dos filhos. Em compensação, foram feitos 27.359 casamentos.

De acordo com o estudo, 40,9% dos divórcios registrados em 2010 foram de casamentos que duraram no máximo 10 anos. Em 2000, foram 33,3% dos divórcios para o mesmo período e, em 2005, 31,8%.

Considerando ainda os divórcios judiciais concedidos e sem recursos e as escrituras de divórcios realizadas em tabelionatos, essas dissoluções ocorridas em 2010 foram de casamentos que tiveram em média 16 anos de duração.

As informações da pesquisa mostram que as médias de idade se elevaram para ambos os cônjuges. Em 2010, a idade média ao se divorciar foi de 43 anos. Em 2000, essa idade era de 41 anos. Entre as mulheres, a diferença aumentou apenas um ano no período analisado, sendo a idade média atual de 39 anos.

SUB-REGISTROS

Com relação ao sub-registro de nascimentos no Brasil, o estudo mostrou que houve uma queda de 21,9% para 6,6% entre os anos de 2000 e 2010, atingindo o menor nível já observado. Enquanto estados como o Maranhão e o Piauí registraram as maiores quedas (de 73,1% para 20% em dez anos, e de 71,6% para 13,4% no mesmo período, respectivamente), o Pará, juntamente com o Amazonas registraram os maiores índices (28% e 26,5%). (Luiza Mello, Diário do Pará/Brasília)

Conservação Internacional Brasil. Contra polarização do discurso ambiental


ONG contra polarização do discurso ambiental



A dois meses da Rio+20, a conferência das Nações Unidas que trará, mais um vez para o País, a discussão sobre desenvolvimento e preservação, a pauta ambiental brasileira está em plena ebulição, aquecida pelas polêmicas em torno da construção de grandes hidrelétricas - a exemplo de Belo Monte, no Pará - e da recente votação final do Código Florestal, que entrou em pauta esta semana na Câmara. Discordantes sobre vários pontos, governo federal e ambientalistas construíram uma rotina de troca de críticas.

Recém-empossado diretor-executivo da Conservação Internacional Brasil, uma das ONGs ambientalistas mais tradicionais do mundo, André Guimarães engrossou esse caldo das críticas ao governo, que, segundo ele, tem dado pouca relevância à pauta ambiental - já que essa seria vista por setores do executivo federal como obstáculo ao desenvolvimento do País. Nesta entrevista cedida ao DIÁRIO dias antes da votação do Código Florestal, Guimarães comentou a tramitação código - que segundo ele foi conduzida com total irresponsabilidade pelo governo e pelo Congresso. Porém, o diretor-executivo da Conservação Internacional Brasil elogia os governos da Amazônia. Segundo avalia, eles têm feito o dever de casa em relação à preservação ambiental. Confira:

P: Que avaliação o senhor faz da política ambiental do governo da presidente Dilma Rousseff?

R: 
No geral, a política tem sido de retrocesso. Em 2011, pela primeira vez em 20 anos, nenhum hectare de área protegida foi criado no País. Esse é um indicador muito importante. Mas a gente precisa analisar a questão de maneira mais ampla. Não se criou área protegida. Pelo contrário, as áreas protegidas foram reduzidas em termos absolutos e nitidamente não há uma priorização da pauta ambiental nas discussões do governo e do Congresso. O código florestal é um exemplo, Houve um desleixo do governo em relação à discussão do código. A própria postura da presidente Dilma em relação à questão dos licenciamentos é sintomática. Ela tem por hábito tratar as questões ambientais muito mais como obstáculo ao desenvolvimento do que como um elemento a mais que precisa ser tratado no processo.

P: O grande embate atual entre o governo e os ambientalistas está em torno da matriz energética. É um conflito impossível de ser resolvido no Brasil hoje?

R:
 Em minha opinião, de forma nenhuma. E por uma razão simples e prosaica: a base da geração de energia no Brasil é a hidrelétrica. Quem conserva a água que gera energia são as florestas. Ou seja, não há incompatibilidade. Pelo contrário, essas duas coisas deveriam andar juntas. O planejamento energético do País, fundamentado em hidráulica como a presidente Dilma preconiza, deve supor que, antes de desenvolver a parte de engenharia dos projetos de geração, devemos cuidar do recurso principal que é a água e cuidar de água significa preservar florestas.

P: Na prática, contudo, o que a gente tem visto é um grande embate entre ambientalistas e defensores das hidrelétricas...

R: 
É importante deixar claro que ninguém discute a necessidade de energia para o País. Hidrelétrica também não se discute. É importante que tenhamos as hidrelétricas na nossa matriz energética. Mas há dois aspectos que precisam ser analisados. Primeiro, o governo priorizou quase exclusivamente hidrelétricas, em detrimento de uma matriz energética diversificada. Outro problema foi o atropelo no processo de licenciamento dessas hidrelétricas. Tivemos processos mal conduzidos, projetos mal desenhados, ações públicas e privadas, muitas vezes, contrárias aos interesses de comunidades locais, que não foram ouvidas. Tanto do ponto de vista de priorização quanto do processo, fomos equivocados, e a consequência são conflitos como estamos vendo todos os dias em relação a essas obras.

P: A presidente Dilma declarou recentemente que as pessoas contrárias às hidrelétricas no Brasil vivem uma fantasia... Há preconceito do atual governo em relação às demandas dos ambientalistas?

R: 
Não sei se a palavra é preconceito. O que há é uma pouca relevância, pouca consideração dada à questão. Essa visão, de que a pauta ambiental é um obstáculo ao desenvolvimento, é que gera esse tipo de conflito. Na realidade essa frase da presidente Dilma está criando uma polarização. Ou se está a favor, ou contra. E o desafio da pauta ambiental é integrar. Estamos falando de gerar energia elétrica, a partir de água que precisa de floresta para ser conservada. Para que essa equação possa ser devidamente entendida pela sociedade, um líder como a presidente deve buscar entendimento e não segregar. Essa declaração dela foi infeliz.

P: Em encontro feito recentemente em Belém os governadores da Amazônia declaram que têm feito o dever de casa quanto à questão ambiental. O senhor concorda?

R: 
Concordo. Acho que houve um esforço, em diferentes níveis. Não vou nominar este ou aquele que foi mais importante no processo, mas o conjunto dos amazônidas deu resposta ao Brasil, sim.

P: Os governadores agora reivindicam compensações por esse esforço...

R: 
Também concordo. Entretanto temos que considerar o fato de que é muito difícil definir como fazer isso de forma justa. Vamos compensá-los como? Transferindo impostos do Sul do Brasil para cá? Cobrando pelos produtos gerados aqui o que pode, inclusive, acabar sendo prejudicial para a produção local? Transferindo renda de outras regiões do Brasil e do mundo para cá? Há uma série de perguntas, de mecanismos financeiros e legais que precisam ser criados, antes podermos responder a essa pergunta. Tendo sido feito o dever de casa, o próximo passo é criar mecanismos de compensação, mas hoje em dia ainda não temos clareza de qual seriam esses mecanismos de justa remuneração pelos serviços ambientais que Amazônia presta para o planeta.

P: A Amazônia tem alguns dos piores índices de qualidade de vida do mundo. É preciso preservar e ao mesmo melhorar esses índices. Como é possível?

R:
 Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Infelizmente ainda há uma percepção da sociedade de que há correlação entre preservação e pobreza. O paradigma novo é como conseguir nos desenvolver preservando o ambiente. Até porque, do contrário, qualquer desenvolvimento vai ser efêmero. Dura pouco. Sustentabilidade significa desenvolvimento, qualidade de vida para esta e paras as próximas gerações. Precisamos ter certeza de que o capital natural, a água, a floresta, o solo, estarão preservados. Essa é a questão de toda a sociedade global. Daí as conferências, daí a Rio + 20, as políticas e todo o debate em torno do tema ambiental.

P: O novo Código Florestal é realmente um desastre para o ambiente, como ambientalistas têm afirmado?

R:
 Desastre é uma palavra forte, mas a discussão sobre a alteração do Código Florestal Brasileiro tem um erro de origem. Começou mal fundamentada cientificamente. Essa é uma discussão diferente daquela que envolve, por exemplo, uma medida provisória que vai alterar alíquotas de imposto, e que pode ser alterada novamente daqui a seis meses. Estamos falando de um conjunto de leis que vai afetar a mim, a você aos nossos filhos, netos e bisnetos, provavelmente. É uma legislação extremante complexa, que está afetando as pessoas que estão aqui nesse País hoje e as que estarão no futuro. Essa discussão deveria ter sido feita de uma forma mais responsável e houve irresponsabilidade do Congresso nacional e do governo federal. Houve ausência de fundamentação científica. O perdão das multas por desmatamentos passados, por exemplo, é um problema. Se você tem a oportunidade de ser perdoado de uma dívida, terá dois ganhos pessoais: primeiro deixar de pagar e segundo cria uma expectativa de que sempre que fizer uma coisa errada vai ser perdoado no futuro.

P: Alguns dizem que para os pequenos produtores fica muito pesado manter uma área preservada de 80%. Deve haver tratamento diferenciado entre pequenos e grandes proprietários?

R: 
Não arriscaria dizer que deva ter política diferenciada para pequenos, médios ou grandes. O que a gente defende é que deveria haver fundamentação técnica e científica na decisão sobre o que deve ser preservado e o que deve ser disponibilizado para a produção. A questão não é se fica 80% [da propriedade preservada] na pequena, na média ou na grande. A questão é quanto nós devemos preservar de um determinado bioma, de um determinado ecossistema para assegurar que aquele capital natural esteja preservado para o futuro. E isso pode significar 1% de uma propriedade ou 99% de outra. A resposta a essa perguntas não deve ser política, mas científica.

P: O zoneamento econômico, ecológico não responde a essa questão?

R: 
Ele é uma ferramenta. Esse é um conjunto de informações que deveria ter sido levado em conta para uma proposta de novo código florestal. Mas aí teremos uma série de problemas. O Pará fez [o zoneamento], mas quantos Estados fizeram? O Congresso Nacional conhece o que foi feito no Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santos, Minas Gerais? Tenho certeza de que não. O esforço que alguns Estados fizeram sequer foi levado em consideração.

P: Quais são as novas metas da Conservação Internacional a partir de agora?

R: 
Estamos diante de uma nova realidade. Estamos focando nossa atuação no País em direção da economia verde. Depois da luta para criação das áreas de preservação, temos o desafio de tornar essas conquistas conhecidas para que a sociedade veja nessas áreas um valor. A preservação de um parque, por exemplo, que preserve nascente de rios que abastecem cidades deve ser valorizada. Na primeira fase da nossa atuação, ajudamos a criar o parque, a partir de agora temos que mostrar para a sociedade que e preciso valorizar esse parque. A sociedade brasileira é muito sensível à questão ambiental. E não é por outra razão que o código [florestal] vai e vem [no Congresso]. A sociedade está incomodada. Precisa apenas ser corretamente informada. Durante 25 anos nossa missão foi a preservação das espécies, preservação ambiental, criação de áreas protegidas. Agora recebemos novas palavras que são “para benefício do homem e bem-estar da humanidade”. Trabalhamos para conservação da natureza, mas voltados para o bem-estar humano. (Diário do Pará)

Análise: Economia dos EUA perde impulso no fim do 1º trimestre


NOVA YORK - A expansão de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre não foi um número desapontador apenas porque ficou abaixo da expectativa de crescimento de 2,6%. Também preocupa o fato dos indicadores de março terem sido quase que uniformemente fracos, o que sugere que a economia entrou no segundo trimestre com pouco impulso.

Os consumidores fizeram sua parte: os gastos reais das famílias cresceram a uma taxa de 2,9%, a melhor desde o fim de 2010. A demanda teria sido ainda mais forte caso o inverno tivesse seguido os padrões normais. Como as temperaturas foram mais amenas este ano, as famílias usaram menos energia para aquecer suas casas.

A dúvida agora é como os gastos de consumo podem continuar aumentando perto de 3% se o crescimento dos salários não está acelerando. O relatório do índice do custo da mão de obra, também divulgado hoje, mostrou um aumento de 0,5% nos salários no primeiro trimestre, com um ganho de 1,7% sobre o primeiro trimestre de 2011. O aumento dos salários ficou abaixo da taxa de inflação atual, de 2,7%, o que significa uma redução no poder de compra das famílias.

Os ganhos de renda são registrados em categorias menores, como dividendos e aluguéis. Mas os salários ainda são um item de grande peso. Se os contracheques não crescerem em um ritmo mais forte, os consumidores não poderão continuar aumentando seus gastos muito mais.

Os ganhos no lado da demanda terão de vir, então, das empresas, estrangeiros ou governos. O problema: nenhum deles parece estar disposto ou capaz de proporcionar esse suporte.

Já foram escritos vários artigos sobre o declínio nos gastos dos governos locais e estaduais - que caíram pela sétima vez seguida no último trimestre. Agora, o enxugamento da estrutura de defesa (o que é positivo para a perspectiva) também está levando os gastos federais para o território negativo.

O crescimento das exportações também é limitado pela recessão que atinge a Europa e a desaceleração do crescimento na China.

Com isso, sobra o setor corporativo. As empresas aumentaram seus gastos com equipamentos e software em apenas 1,7% no primeiro trimestre, bem abaixo da expansão de 7,5% no quarto trimestre e de uma espetacular taxa de crescimento de 16,2% no terceiro trimestre.

Parte da desaceleração refletiu o fim de uma isenção fiscal no quarto trimestre e os preços elevados de energia podem ter levado algumas empresas a reduzirem gastos em outras partes.

Para o PIB crescer a uma taxa de 2,5% em 2012 como um todo, as empresas terão de investir em um ritmo muito mais forte. Certamente, o setor como um todo tem dinheiro para investir. Como mostra a atual temporada de balanços, os lucros permanecem ao redor de níveis recordes.

Alguns décimos de um ponto porcentual no crescimento do PIB pode parecer muito pouco para ser uma preocupação. Mas quanto mais rápido for a expansão da economia, maiores serão os ganhos em novos empregos e a recuperação ficará menos vulnerável a choques.

(Dow Jones Newswires)