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sexta-feira, 11 de março de 2016

China deve destinar US$ 1 bilhão para área de Ciência e Tecnologia no AM

Anúncio foi feito nesta terça (19), durante visita do premiê chinês ao Brasil.China e AM devem firmar parceria para projetos estratégicos, diz governador.




O Amazonas deve receber recursos de aproximadamente US$ 1 bilhão do governo da China. O anúncio foi feito nesta terça-feira (19), durante visita oficial do primeiro-ministro chinês Li Keqiang, em Brasília. O governador José Melo, que participou do encontro com o premiê, informou que o acordo visa financiar projetos na área de ciência, tecnologia e inovação.

O governador do Amazonas destacou que, além dos acordos bilaterais Brasil e China, o Estado será beneficiado com a parceria dos governos chinês e amazonense para projetos estratégicos.

De acordo com a Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom), na próxima quinta-feira (21), José Melo deve assinar em Manaus um protocolo de intenções com o governo chinês que irá permitir financiamento para projetos do Governo Estadual, entre eles a continuidade da construção do campus da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), obras de duplicação da rodovia AM-010 e o incentivo à criação e produção de peixes em cativeiro.

Plano de Ação Conjunta 2015-2021
Brasil e China assinaram acordos no valor de cerca de US$ 53 bilhões, que envolvem uma série de projetos de investimentos nas áreas de energia, mineração, construção de infraestruturas e manufaturas.

José Melo participou de encontro com o primeiro-ministro da China, Li Keqiang (Foto: Roberto Carlos/Secom)

Entre os projetos, estão um acordo entre a Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China que criará um fundo de US$ 50 bilhões para o fortalecimento de opções de financiamento para projetos de infraestrutura no país; acordo de cooperação de desenvolvimento com crédito de US$ 10 bilhões para a Petrobras para atividades do pré-sal; e acordo para estudos de viabilidade da ferrovia transcontinental.

Melo ressaltou a importância da captação dos investimentos por parte do governo brasileiro. "Esses recursos e cooperações técnicas são muito importantes. O Brasil passa por um momento de ajuste para que a economia internacional possa voltar novamente com os investimentos necessários. Vão ser injeções fundamentais na nossa economia, prevendo um horizonte de crescimento para os próximos anos", disse, por meio de assessoria de comunicação.
G1.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

'O diabo mora nos detalhes', diz economista sobre acordos com a China

O Estado de S. Paulo


Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, é cética em relação à realização de investimentos na casa de US$ 50 bilhões anunciados pelos chineses no Brasil. Ela não acha que se trata de um episódio "pirotécnico", mas ressalta que uma coisa é a intenção e outra coisa é detalhar como serão feitos os projetos. "O diabo mora nos detalhes. Precisa ver como é que será feito, se isso vai se concretizar mesmo." A seguir, os principais trechos da entrevista.


Como a sra. avalia o anúncio de investimentos chineses no País: tem pirotecnia ou é fato?

Muitas coisas são memorandos de entendimentos, protocolos, acordos de cooperação. Isso significa que você vai detalhar o que é isso. Acho que algumas coisas estejam mais fechadas, mas todos esses US$ 50 e tantos bilhões na realidade ainda vão ter uma outra etapa que é detalhar como será feito esse acordo. Não acho que exista pirotecnia. Acho que há a intenção de fazer. Agora uma coisa é intenção e outra coisa é quando você senta para detalhar como será feito, como será construído. O diabo mora nos detalhes. Tem de olhar para ver se isso vai se concretizar mesmo. Vem para Argentina, para o Brasil, não sei se eles vão fazer todo esse investimento. Não é tão óbvio que vão bancar isso tudo, não. Depende muito das condições. Os chineses são negociadores por excelência. Não é uma coisa que vai cair do dia para noite e acabou, eles vão negociar.

Isso é um risco de não se concretizar?

Não, acho que a China tem interesse em financiar. Algumas coisas eles já fecharam. A China não está fazendo isso só com o Brasil. Fez com a Argentina, depois vão para outros países. Faz parte de uma estratégia mais global deles. De um lado você tem esses países aqui que, com a própria desaceleração da China e a queda no preço das commodities, alguns, em maior ou menor grau, por problemas domésticos estão passando por uma fase de ajuste complexo, que é o caso do Brasil. São países que têm poupança doméstica muito baixa. Argentina e Brasil precisam de investimento. Há interesse da nossa parte por esse investimento. Pelo lado dos chineses, há o interesse nos recursos minerais. A China também está num processo de internacionalização das empresas, por isso quer se expandir para a região. São regiões que têm potencial de crescimento e que estão passando por uma fase ruim. É uma intenção.

Corremos algum risco nessa investida chinesa?

A gente não é a África, que tem uma institucionalidade mais fraca. O Brasil tem uma institucionalidade mais forte. Acho que os diplomatas e as empresas no nosso caso sabem negociar para termos benefício para ambas as partes. Na época em que os chineses estavam comprando terras, o governo brasileiro limitou a compra de terras por estrangeiros, percebendo que isso não era uma boa. São culturas diferentes. Temos de aprender como fazer negócios juntos. Não há motivos para acharmos que possa ser ruim. Agora eu não sei se todos os US$ 53 bilhões serão concretizados. Não tenho muita certeza. No passado os chineses já falaram que iam investir não sei quanto e acabou não acontecendo.

Na Argentina, a indústria de vagões está preocupada com a competitividade dos produtos chineses. A sra. acha que isso pode ser um problema para a nossa indústria?

Se você deixar as empresas de construção chinesas virem construir aqui, as nossas empresas de engenharia não vão ficar muito felizes. Como faz essa repartição? Como é isso? Agora eu acho que o Brasil precisa de investimento e nessa área de infraestrutura é mais difícil vir investimento americano e europeu.

O interesse dos chineses na infraestrutura pode provocar conflito com as empresas de capital americano e europeu?

Não, porque essas empresas em geral não têm mostrado muito interesse. Como as regras de concessão na infraestrutura muitas vezes não estão muito claras aqui, o investidores europeus e americanos são mais reticentes. Já o chinês está mais acostumado a investir em outros países e aparentemente está mais disposto a correr riscos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

China, indústria do mundo


O que o contrato de patrocínio com a Parmalat representou para a equipe de futebol do Palmeiras, o que representou para o futebol mundial e, o que isso tem a ver com a nossa prateleira cheia de mercadorias chinesas?
É uma longa história, que começa antes da geração dos nossos pais e vai ter consequências talvez até depois dos nossos filhos.
Não o contrato Parmalat! Esse só durou de 1992 até 2000. Oito anos que mudam a história do clube.

Se é interdisciplinar a proposta de perceber o que impacta nossas vidas, por quê não passar pelo futebol? Paixão nacional, ou talvez mundial, que tem no seu mecanismo muita ciência pra gente explorar dos temas gestão e econ​omia!
Um clube tem corpo político, administrativo e técnico.​ ​​Lida com expectativas do seu público e, tem que apresentar resultado num ambiente muito competitivo.
Mas como nasce um clube e quanto tempo leva para construir sua história?
O principio não é feito de glórias, requer esforços e sacrifícios, aprendizados, treinamento contínuo, aposta nas categorias de base, evolução, maturidade e só daí, conquistas.



Em Agosto de 1914 o "Palestra Itália" (Palastrae - do grego, lugar de treino) foi fundado por imigrantes italianos, no estado de São Paulo.
Seus fundadores, em sua maioria trabalhadores da Indústria Matarazzo, publicaram uma convocação de esportistas num jornal da colônia italiana empolgados com a visita de clubes do futebol italiano ao Brasil. Cinco meses depois, em Janeiro de 1915 entrou pela primeira vez em campo contra o forte time Savoia Votorantim e venceu por 2 a 0, conquistando seu primeiro campeonato: Taça Savóia.

Em 1942, quando o Brasil entra na II Guerra Mundial, uma lei do Governo Vargas obriga a troca do nome. O time passa a chamar-se Sociedade Esportiva Palmeiras. Logo em seguida, seu próximo jogo definiria o campeão paulista. Já com o novo nome, marca 3 a 1 contra o São Paulo e fatura mais um título.

Resumindo a história, os números devem detalhar melhor as conquistas. Aos 85 anos de trajetória, o Palmeiras saiu do século XX avaliado como o maior campeão brasileiro tendo 37 dos principais títulos nacionais. Com aproximadamente 15 milhões de fiéis torcedores.
Mas o que vem a seguir é uma outra realidade. Completando seu centenário, o Palmeiras amarga alguns rebaixamentos consecutivos e encontra dificuldade para remontar uma equipe com qualidade e desempenho consistentes.

Nem de longe se parece com o clube glorioso do fim do milênio.



Talvez não coincidentemente, o que dividiu esses dois períodos foi o contrato com a Parmalat. Uma arriscada manobra da direção em 1992 para viabilizar uma super equipe com recurso de um patrocinador milionário, delegando e terceirizando o que até então era de competência interna do corpo administrativo do clube. Especializando-se mais em gerir a burocracia do que o seu próprio negócio. Criando dependência financeira e principalmente técnica.


O resultado por algum tempo foi gratificante, prova disso, Parmalat ainda é o patrocinador mais lembrado pelos torcedores palmeirenses, como uma época de muitas conquistas. Será mesmo?
Talvez ainda não perceberam o papel que teve aquele contrato a longo prazo.
O futebol estava indo para outro patamar e para outros valores no mundo todo e por aqui o Palmeiras apoiou essas mudanças alavancado por seu patrocinador. Tanta era a fusão, que não se diferenciava muito empresa e clube, parecia uma só identidade.
Mas por fim, ao término do jogo de interesses, o clube viu sair pela porta o dono do dinheiro, levando consigo o apoio financeiro e desmontando o plantel.


Quão drástico poderia ser o impacto de desmontar um corpo técnico?

Me perdoem os lusitanos mas pra quem já teve Dener, a Portuguesa não está longe de virar o que podemos chamar de 'Juventus da Móoca'. Como hoje também o Palmeiras recebe o apelido de 'Guarani da Capital'.
Essas comparações resumem a decadência de clubes que foram grandes e competitivos mas hoje lutam para se manter na primeira divisão ou até mesmo nos grupos de acesso.Drible não ganha jogo, gol vale por um confronto apenas e cada temporada conta pontos do zero. Não há saldo que garanta vantagem na competição seguinte. Somente uma equipe bem montada, com entrosamento, disciplina e o mais importante​, amor à camisa, podem fazer a diferença.
(A exemplo do mundial conquistado pelo Corinthians em 2012 sem a presença de estrelas. Só pra constar, eu sou santista).
Se por um lado o período vencedor não garante vitórias na atualidade, por outro lado deveria ser fácil desvencilhar-se do fantasma de ter sofrido um desmembramento técnico, retomar a gestão do time e consolidar uma equipe campeã novamente. Afinal a instituição não foi desmontada, ainda tem estádio, tem CT, tem público fiel. Por quê então vive uma crise?
Nesse novo mundo pós Parmalat o custo de montar uma boa equipe é outro, a dificuldade em mantê-la é muito maior. Futebol marketeiro e corporativo. Jogadores de carreira, motivados por riqueza, com passes caros e pouca ou nenhuma fidelidade a um brasão.

A INDÚSTRIA DO MUNDO
Com a quantidade, qualidade e preço dos produtos importados invadindo o mercado global, podemos comparar esse momento da economia consumista à fase do contrato de patrocínio Palmeiras/Parmalat.
Delegamos total gestão do parque de máquinas. Entregamos pronto, conhecimentos que levaram décadas para desenvolvermos, deixamos o nosso público se apaixonar pela conquista fácil e barata.
Mas tente adivinhar como estará nossa equipe no futuro. Aparato industrial obsoleto, carga tributária produtiva inviável, profissionais desqualificados ou sem campo de trabalho.



Essa é uma responsabilidade diária de todos.
Ao importador e ao atacadista fica a pergunta: apesar do lucro atual parecer vantajoso, pra quem esperam vender seus produtos quando faltar emprego?
E ao consumidor, fica o alerta: hoje escrevo este artigo num momento de plena retração da economia brasileira. Já se perguntou qual o seu papel na balança comercial do país? Ou qual o montante que juntos enviamos pra China diariamente?
Quanto tempo pra se recuperar disso?
Quando começaremos?



Do Blog: http://percepcaosocial.blogspot.com.br/


quinta-feira, 5 de março de 2015

Premiê da Chine anuncia redução da meta de crescimento do PIB em 2015


sábado, 26 de julho de 2014

Rio na China amanhece vermelho misteriosamente


Os moradores de Wenzhou, na China, acordaram na última quinta-feira e se depararam com as águas do rio que corta a cidade tingidas de vermelho-sangue. Todo mundo ficou confuso, já que isso não tinha acontecido antes e ninguém ainda sabe ao certo qual a causa do fenômeno. A Rádio Internacional da China informa:

Inspetores do Gabinete de Proteção Ambiental de Wenzhou estão coletando amostras e analisando a causa do incidente. Os moradores dizem que não há uma fábrica de produtos químicos ou algo do tipo rio acima. Residentes dizem que o rio estava fluindo normalmente às quatro da manhã, mas começou a ficar vermelho às seis e, de repente, ficou carmesim como sangue.
UOL 






segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Conheça aqueles que fazem acontecer






Thomas L. Friedman
Em Tengchong (China)

Eu nunca imaginei que teria que vir à China para tomar um ar fresco.


Mas foi exatamente o que aconteceu na semana passada, ao viajar para a área de fronteira da China e Mianmar para visitar escolas de aldeias chinesas com os líderes da Teach for All (Ensine para Todos), a rede de 32 países que adotou o modelo da Ensine para a América de recrutamento de diplomados universitários altamente motivados para trabalhar nas escolas mais carentes do país. O que foi mais animador em passar quatro dias com os líderes da Ensine para o Líbano, Ensine para a China, Ensine para a Índia e de todas as outras foi o fato de que, desde o 11 de Setembro, eu passei tempo demais escrevendo sobre pessoas que estão destruindo coisas e muito pouco sobre pessoas que estão fazendo coisas. Essa foi uma semana com aqueles que fazem.

De fato, eu não pude deixar de comentar para Wendy Kopp, a fundadora da Ensine para a América e presidente-executiva da Ensine para Todos, que sua rede é "a anti-Al-Qaeda". Trata-se de uma rede global livre de equipes de professores dirigidas localmente, que compartilham as melhores práticas e se concentram nos jovens em apoio a uma única meta. Mas enquanto a Al Qaeda e suas afiliadas tentam inspirar e capacitar os jovens a serem destruidores, a Ensine para Todos tenta inspirá-los e capacitá-los a serem pessoas que fazem. Sim, muitos terroristas também contam com ensino superior, mas a capacidade deles de afetar e alistar seguidores diminui quanto mais as pessoas ao redor deles contam com as ferramentas para atingir seu pleno potencial.

Grupos como o Ensine para a China, que recebeu a rede Ensine para Todos nas escolas das aldeias daqui, são novos demais para saber se conseguirão fazer a diferença na ajuda para que suas escolas com pior desempenho consigam ser bem-sucedidas. Mas se idealismo e disposição para encarar os desafios mais difíceis tiverem algum peso, é possível ser esperançoso. Viajar para cá na semana passada foi como passar quatro dias com 32 Malalas Yousafzais de 32 países.

Lu Li, 23, que se formou pela Universidade da Carolina do Sul em maio, voltou para casa para lecionar matemática como integrante da Ensine para a China aqui. Não foi fácil, ela disse: "Meus pais não conseguiram entender a escolha que fiz" após receber o diploma. "Eles nunca foram expostos a esse tipo de serviço comunitário. Eles são pessoas gentis, mas eles não consideram necessário ir à China rural para lecionar por dois anos e, especialmente por ser uma garota, meu pai espera que eu me case (...) Meu pai ainda tem dificuldade para entender minha escolha. Eu quero trabalhar duro e mostrar a ele que minha escolha foi acertada."

Sandeep Rai, 28, é um indiano-americano que participou da Ensine para a América em Washington, D.C., e então se tornou um líder da Ensine para a Índia. "Na Índia, nós tivemos 750 pessoas se inscrevendo para lecionar neste ano, e quando começamos em 2009, as pessoas diziam que ninguém se candidataria. Isso é prova do poder de construir coisas. Eu acho que as pessoas aguardam para ser inspiradas. Os governos nacionais não descobriram como explorar o idealismo dos jovens. Eu achei que depois de dois anos eu estaria fora, mas oito anos depois ainda estou aqui."

Mohammed Fakhroo, 28, da Ensine para o Qatar, disse que iniciou sua organização porque, em média, os alunos do Qatar estão três anos atrasados em comparação aos seus pares nos países industrializados. Com tanto dinheiro do gás e petróleo em seu país, muitos qatarianos acreditam que não precisam de educação para serem prósperos. "Os professores no mundo árabe vêm do terço inferior de suas turmas", ele explicou. "Se você não for inteligente, você se torna professor (...) Nossa teoria de mudança é que, ao atrairmos os mais inteligentes de nossa sociedade --que normalmente iriam para o setor de petróleo e gás-- para serem professores, eles serão os novos modelos e os defensores da mudança das normas": o Qatar futuramente precisará de uma "sociedade baseada no conhecimento".

Franco Mosso, 27, fundador da Ensine para o Peru (EnseñaPerú), me disse: "O que vejo no meu país é uma descrença" no potencial das pessoas em desvantagem. Seu grupo, ele explicou, se baseia no princípio de "sempre elevar o padrão na crença nas pessoas, de que todas têm potencial".

Alden Dilanni-Morton, 24, formada em Dartmouth, está trabalhando como administradora do programa da Ensine para a China. Ela cresceu em Chinatown, em Boston. "Eu poderia ter permanecido nos Estados Unidos", ela disse, "mas eu acho que há um enorme interesse em tornar a igualdade na educação uma questão global". Questões como meio ambiente, pobreza e igualdade na educação precisam ser pensadas como problemas globais, "porque todo mundo em toda parte" será impactado por eles "se não forem resolvidos".

Ninguém precisa dizer isso para Khalil Youssef, um dos fundadores da Ensine para o Líbano: "Não é coincidência que as regiões mais carentes e marginalizadas no Líbano --e no mundo-- se mostrem propensas a adotar políticas rejeicionistas, politicamente dogmáticas, violentas", ele disse. "A boa educação e a formação de um capital humano de alta qualidade são fundamentais para boa integração na sociedade e acesso a uma vida respeitável."

Esse é o motivo, conclui Kopp, pelo qual investir em escolas inteligentes e em crianças rende muito mais dividendos do que bombas inteligentes. A educação, ela nota, é a única força construtiva que é universal e poderosa o suficiente para fazer a diferença na reversão das maiores ameaças globais.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

sábado, 9 de março de 2013

Brasil vai pegar gripe, nada de pneumonia.....


Indústria chinesa desacelera 

Indústria da China produz menos que o previsto no primeiro bimestre





PEQUIM - A produção industrial da China cresceu 9,9% entre janeiro e fevereiro, na comparação com o mesmo período de 2012. O resultado representa uma desaceleração ante o crescimento anualizado de 10,3% em dezembro e também ficou abaixo da previsão de 10,5% feita por economistas.

Os números foram divulgados neste sábado pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país. O órgão somente apresenta nesta época o dado do primeiro bimestre, para evitar as distorções causadas pelo feriado do Ano Novo Lunar, que às vezes cai em janeiro e outras em fevereiro.

A China divulgou outros dados importantes neste sábado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC, ou CPI na sigla em inglês) avançou 3,2% em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado, menos que a alta de 2% de janeiro e a maior alta desde abril do ano passado. Os preços, porém, foram impulsionados pelo feriado do Ano Novo Lunar, onde geralmente acontecem reajustes de alimentos e outros produtos.

“O governo chinês está diante de um dilema de lidar com uma desaceleração do crescimento e ainda com uma inflação de novo mais alta”, disse o economista Xianfang Ren, da IHS.

O investimento em ativos fixos subiu 21,2% no país em janeiro e fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao longo de 2012, a alta nesse indicador foi de 20,6% ante o ano anterior. Alguns analistas argumentam, porém, que Pequim deveria fazer alterações em seu modelo de crescimento através do investimento, a fim de manter a inflação sob controle.

As vendas no varejo chinês tiveram alta de 12,3% em janeiro e fevereiro, também na comparação com igual período de 2012. Em dezembro, a alta anual havia sido de 15,2%. A produção de eletricidade, um dado bastante monitorado na China pelo temor em relação à precisão de outros dados, subiu 3,4% no ano, após registrar crescimento de entre 6% e 8% nos últimos meses do ano na comparação anual.

“Nós acreditamos que Pequim pode reduzir a demanda por investimento e a inflação deve ficar sob controle”, afirmou em nota Lu Ting, economista do Bank of America Merrill Lynch, prevendo uma inflação abaixo de 3% até meados do ano. Até o fim do ano, porém, o IPC pode voltar a subir para até 4%, segundo a previsão.




(Dow Jones Newswires)





terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Brasil muda de dono


China supera os EUA e é a maior potência comercial do planeta


GENEBRA - A China tornou-se a primeira potência comercial do planeta em 2012, no que economistas consideram um momento histórico. Medido pela soma de exportações e importações de mercadorias, a potência asiática pela primeira vez superou os Estados Unidos, em nova mostra de seu persistente crescimento na economia mundial.


Os EUA totalizaram US$ 3,82 trilhões de exportações e importações. Já a China totalizou US$ 3,87 trilhões, segundo as últimas estatísticas divulgadas pelos dois países.

A China já era o maior exportador do mundo desde 2009. Agora surge como maior nação comerciante, mas ainda não é o maior importador global. Os EUA importaram US$ 2,2 trilhões de mercadorias, enquanto a nação asiática importou US$ 1,8 trilhão.

Na cena comercial em Genebra, em todo caso, mais importante é que os últimos dados das três maiores economias mostram uma retomada do crescimento.

A China e os EUA tiveram forte alta nas exportações. E a Alemanha teve seu segundo maior recorde de vendas externas em 60 anos, obtendo um saldo comercial de US$ 188 bilhões no ano passado.

Por Assis Moreira | Valor



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

China, Índia e Brasil emitiram mais CO2 em 2011, diz pesquisa



Dados divulgados dia 02.12.2012 por pesquisadores na Grã-Bretanha indicam que China e Índia contribuíram bastante para que o mundo aumentasse em 3,5% as suas emissões de gás carbônico (CO2) no ano passado.

Em 2011, as emissões de China e Índia aumentaram 9,9% e 7,5%, respectivamente, em comparação com 2010.

O Brasil também emitiu mais CO2 em 2011: 424 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2010.

Já outras duas regiões apresentaram queda na quantidade de CO2 emitida no mesmo período, segundo os cientistas da universidade britânica: Estados Unidos (queda de 1,8%) e União Europeia (2,8%).

Os dados da Universidade de East Anglia indicam que as emissões aumentarão em 2012, atingindo um volume recorde. Um relatório produzido pela universidade afirma que as emissões de gás carbônico crescerão 2,6% este ano, na comparação com 2011, atingindo o volume de 35,6 bilhões de toneladas emitidas.

Metas do Protocolo – Este valor é 58% superior ao de 1990, ano base usado pelo Protocolo de Kyoto. O tratado, que não foi assinado pelos Estados Unidos, previa que os países signatários reduzissem as suas emissões de CO2 em 5,2% ao longo da década, tendo 1990 como referência.

O CO2 é o principal gás que provoca o aquecimento global e é produzido através da queima de combustíveis fósseis ou desmatamento. Os dados foram publicados neste domingo nas revistas científicas “Nature Climate Change” e “Earth System Science Data Discussions”.

Dados referentes a 2011 mostram que os países que mais emitem dióxido de carbono são a China (28% do total mundial), Estados Unidos (16%), União Europeia (11%) e Índia (7%). O Brasil é responsável por 1,4% das emissões de CO2.

Ainda assim, se considerados os tamanhos das populações, a emissão por pessoa (per capita) da China ainda é inferior a dos países ricos. A emissão per capita da China está em 6,6 toneladas de CO2, se aproximando da média europeia de 7,3 toneladas. Ambos ainda estão longe da média americana, de 17,2 toneladas de CO2 por pessoa.

Já no Brasil, a emissão per capita de CO2 variou pouco ao longo da última década: de 1,9 toneladas por pessoa em 2001 para 2,2 toneladas em 2011. “Os dados mais recentes estão sendo divulgados quando o mundo debate mudanças climáticas em Doha”, disse a pesquisadora Corinne Le Quéré, da universidade britânica.

“Mas com as emissões ainda crescendo, é como se ninguém estivesse ouvindo toda a comunidade científica.”

O painel da ONU sobre Mudanças Climáticas começou no Qatar na semana passada e termina na próxima sexta-feira. Mais de 17 mil pessoas estão discutindo medidas para evitar que a temperatura do planeta aumente ao longo deste século. Um dos pontos em discussão é a criação de novas metas de emissão por país. (Fonte: G1)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Chefe do FMI elogia Brasil e vê fim de desaceleração chinesa










 A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, avalia que a economia brasileira entrou em processo de recuperação e é um dos destaques positivos no cenário global deste fim de ano. Lagarde, segundo apurou o Valor, fez essa avaliação em discurso informal, ontem à noite, em um jantar oferecido aos participantes do G-20, na Cidade do México.

No jantar, Lagarde comentou que havia dois "destaques positivos" na situação global, no fim de 2012. Uma é a retomada do crescimento da economia brasileira. Outro destaque, na visão de Lagarde, é que a desaceleração da China teria sido finalmente interrompida.
Dólar


Os países do G-20 devem se comprometer com políticas cambiais mais transparentes, segundo informou nesta segunda-feira uma fonte de uma das delegações que participam do encontro de autoridades financeiras na Cidade do México.
Os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G-20 vão divulgar, até o fim do dia, um comunicado no qual se comprometerão a caminhar mais rapidamente em direção a taxas cambiais determinas pelo mercado, segundo fontes ouvidas pela Dow Jones Newswires.
No comunicado, o G-20 dirá que seus membros vão se abster de desvalorizações cambiais que tragam vantagens competitivas, segundo uma fonte.
Com Dow Jones Newswires

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Inflação ao consumidor na China desacelera para 3,4% ao ano em abril



PEQUIM – O índice de preços ao consumidor na China (CPI, na sigla em inglês) avançou ao ritmo de 3,4% ao ano em abril, abaixo dos 3,6% verificados em março, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas.

O índice veio dentro da mediana das expectativas dos 15 economistas ouvidos pela agência Dow Jones. Em relação a março, o CPI de abril apresentou queda de 0,1%, enquanto em março havia apresentado alta de 0,2% ante fevereiro.

O índice de preços ao produtor na China (PPI, na sigla em inglês) recuou 0,7% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado, após ter recuado 0,3% em março, de acordo com dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas.

A mediana das estimativas de 15 economistas ouvidos pela Dow Jones para o PPI da China em abril era de queda de 0,5%.

Em relação a março, o PPI avançou 0,2% em abril. No mês anterior, o índice havia avançado 0,3% ante fevereiro.

(Dow Jones)

sábado, 5 de maio de 2012

Jatene cancela viagem à China para cuidar da saúde



Por recomendação médica, o governador do Pará Simão Jatene cancelou a viagem que faria à China, comandando uma comitiva de empresários e secretários para uma missão comercial. O vice-governador Helenilson Pontes foi chamado às pressas para substituí-lo. A mudança causou transtornos, já que Pontes não possui visto de entrada no país, nem as vacinas exigidas para ingresso no território chinês.

Na noite de ontem, equipes do cerimonial da governadoria tentavam resolver, em São Paulo, junto à embaixada chinesa, os problemas burocráticos para garantir o embarque do vice. A partida estava prevista para a madrugada deste sábado.

As informações sobre o estado de saúde do governador eram desencontradas. Para integrantes da comitiva, fontes do Palácio chegaram a informar que trata-se de uma arritmia cardíaca. Ao DIÁRIO, o secretário de comunicação, Ney Messias Junior garantiu que Jatene fora acometido por uma virose e, como a viagem até a China seria de 36 horas, os médicos recomendaram o cancelamento.

A mudança de planos surpreendeu os integrantes da comitiva. Alguns pensaram em desistir de seguir viagem sem Jatene, mas até o fechamento desta edição, a informação era de que apenas o deputado estadual Martinho Carmona (PMDB) havia decidido voltar para Belém.

A viagem à China vinha sendo planejada desde o início deste ano. Além do próprio governador, a comitiva seria formada por integrantes do governo como o secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa. Parte do grupo vai para Dubai e outra parte seguirá via Catar. Jatene comandaria o grupo que seguiria para Dubai e as informações são de que o governador planejara embarcar ainda na quinta-feira, quando teriam começado os problemas de saúde. As malas do governador chegaram a ser despachadas, segundo uma fonte, minutos antes do cancelamento oficial.

OBJETIVO

O objetivo da viagem, segundo material distribuído pela assessoria do governador é ampliar relações comerciais com os chineses, especialmente na área da indústria metal-mecânica. A viagem prevê também passagem pela Malásia onde o assunto principal será o comércio do óleo de palma.

Segunda economia do planeta, a China é hoje um dos parceiros comerciais mais cobiçados. Em julho do ano passado, o secretario Sidney Rosa esteve no país e voltou com a promessa de que é possível aumentar as relações comerciais dos chineses com o Pará. “Eles têm grande interesse na compra de alguns produtos paraenses e em contrapartida nos foram ofertados novos produtos, pois é de interesse do país que o Pará se torne um pólo importador do que é gerado na cadeia produtiva chinesa”, informou na ocasião, o secretário.

Durante a visita, a empresa Oyamota do Brasil, com sede em Castanhal, assinará acordo de cooperação com a empresa chinesa Kikihar, em Beijing. A meta da empresa é produzir esses vagões em Castanhal e exportá-los para todo o país. (Diário do Pará)

domingo, 29 de abril de 2012

O futuro da história

Uma das vozes conservadoras influentes, e também controversas, da academia e da política americanas, Francis Fukuyama defende a criação de uma organização multilateral no nordeste da Ásia, incluída a China - cujo modelo econômico e político considera insustentável -, capaz de harmonizar interesses nacionais e que, ao mesmo tempo, funcionaria como uma espécie de fórum para discussão de questões também presentes na agenda geopolítica dos Estados Unidos. Essa é a tese central do livro "Multilateralismo na Ásia Oriental", coletânea de artigos organizada por Fukuyama e Kent E. Calder, agora publicada no Brasil.

Foi quando ainda era um dos jovens talentos da universidade Johns Hopkins - onde hoje ocupa posto de direção nas atividades do Centro de Estudos da Ásia Oriental -, que Fukuyama cunhou a expressão "fim da história". Referia-se, dessa forma, à queda do muro de Berlim e à desintegração da União Soviética como confirmação conclusiva, a seu ver, da supremacia do liberalismo econômico e político no mundo contemporâneo, que estaria então definitivamente estabelecida.

Vinte anos depois de "O Fim da História e o Último Homem" chegar às livrarias, Fukuyama publicou em janeiro, na revista "Foreign Affairs", um texto em que critica os exageros da liberalização econômica americana. Segundo ele, o ultraliberalismo proporcionou um cenário propício ao enfraquecimento da classe média e ao aumento das desigualdades sociais nos Estados Unidos. Um dos nomes responsáveis pela disseminação da chamada Doutrina Reagan, de apoio maciço aos movimentos anticomunistas (inclusive armados) como forma de esgotamento da União Soviética, Fukuyama se alinhou aos neoconservadores nos anos 90 e apoiou a invasão do Iraque.

"O Brasil precisa continuar a diversificar sua base econômica e multiplicar o investimento em educação"

O desencanto de Fukuyama com o governo de George W. Bush - chegou a comparar o neoconservantivismo ao leninismo - e o apoio, em 2008, a Barack Obama, são considerados por analistas de variados espectros uma evidência da radicalização da direita americana, na qual não haveria mais lugar para nomes conservadores como o dele.

Nesta entrevista, Fukuyama fala da exaustão, de certo modo já perceptível, do modelo chinês (recusou-se a comentar o fato de que parte da academia considera este o "século chinês"), comenta problemas de governabilidade das democracias liberais avançadas, valoriza a possível influência do Brasil em questões relacionadas aos direitos humanos e adverte para a importância de o país multiplicar o investimento em educação como primeira condição para acelerar o desenvolvimento.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Fukuyama ao Valor.

Valor:
Na semana passada, a Índia testou com sucesso seu primeiro míssil nuclear de longo alcance, gerando protestos do Paquistão e da China. Há uma preocupação em relação à escalada da corrida armamentícia na Ásia Oriental, não por acaso região cada vez mais prioritária na estratégia militar americana. Dentro desse contexto, qual a real possibilidade para a criação, como o senhor defende desde a publicação do livro nos Estados Unidos, em 2008, da formação de uma organização multilateral de peso no Extremo Oriente?

Francis Fukuyama: Ainda penso ser importante a criação de uma organização voltada exclusivamente para a discussão de assuntos de segurança no nordeste da Ásia. É de fato possível que a Coreia do Norte entre em um súbito colapso e vai haver uma corrida para ocupar o vácuo. O principal interesse da China é evitar a reunificação da Coreia, um estado democrático aliado dos Estados Unidos. Os chineses não querem tropas americanas estacionadas na fronteira. Na teoria, Estados Unidos, Coreia e China deveriam ser capazes de desnuclearizar a Península Coreana ou mesmo de terminar oficialmente a aliança Estados Unidos-Seul no caso de uma unificação. Mas não é possível sequer iniciarmos iniciativas diplomáticas a esse respeito por causa das sensibilidades chinesas. Um fórum regular que pudesse cuidar desses tópicos seria extremamente desejável.

Valor: Mas ainda é possível conter a China? Pequim hoje conta com mais embaixadas na África do que Washington e já é o principal parceiro comercial de boa parte dos países da América Latina...

Fukuyama: Veja bem, os Estados Unidos não têm interesse algum em conter os investimentos chineses ou as relações comerciais de Pequim mundo afora. Não têm. Quando falamos em "conter" a China, estamos pensando em questões de segurança internacional, como, por exemplo, na visão de Pequim sobre o Mar da China, que eles querem controlar de forma absoluta. Ou nas relações com Taiwan. Especificamente quando pensamos nesses tópicos, é certamente possível para os países que se sentem ameaçados pela China trabalhar juntos para limitar a influência de Pequim.

Valor: O pré-candidato republicano à Casa Branca Mitt Romney defende práticas comerciais mais duras em relação a Pequim. Ele acusou o governo Obama de "tolerar a sujeição de nossos interesses comerciais a Pequim". É possível para os Estados Unidos, na atual conjuntura econômica, serem de fato mais duros com a China? Qual a sua avaliação sobre as relações Washington-Pequim no governo Obama?

Fukuyama: Creio que deveríamos tratar a desvalorização da moeda chinesa da mesma forma como se trata a exportação de produtos subsidiados. Deveríamos tê-los ameaçado com uma tarifa de entrada proporcional ao peso da desvalorização, o que certamente levaria o caso para a Organização Mundial do Comércio (OMC). Aliás, não há qualquer diferença conceitual entre subsídio e desvalorização artificial da moeda. Não acredito que tal atitude levaria a uma guerra comercial com Pequim e sim a uma situação de barganha, em que os chineses provavelmente seriam forçados a retroceder. Mas isso só seria possível de fato se outros países ameaçados pelas importações chinesas se juntassem ao clube. Estou pensando aqui especialmente no Brasil, que vem sofrendo com um processo de desindustrialização por conta da política monetária chinesa.

"Partidos políticos de centro-esquerda e centro-direita são indispensáveis como forma de representação das novas classes médias"

Valor: O senhor acredita que o crescimento econômico implicará naturalmente uma abertura democrática na China? Qual papel o Brasil, como um dos Brics, poderia exercer na questão do respeito aos direitos humanos na China?


Fukuyama: Creio que a China acabará por se democratizar. Nem o modelo político nem o econômico de Pequim são sustentáveis a longo prazo. O modelo exportador já começou a diminuir sua força substancialmente e há uma necessidade crescente de elevar o consumo, ao lado de pressões para a liberalização política. Neste exato momento, o modelo chinês se mostra vulnerável, como se vê no caso de Bo Xilai [principal líder do PC Chinês em Chongquing, preso no mês passado por causa de um escândalo de corrupção e abuso de poder] e nas crescentes dificuldades vividas pela elite política. Mas não acredito que Brasília poderia exercer um papel importante na China, especialmente por causa da ausência de uma oposição formal no país. Em outras partes do planeta, no entanto, a presença do Brasil seria muito importante. Fiquei extremamente desapontado com o ex-presidente Lula, que virou as costas para a Revolução Verde no Irã e chegou a dizer que não havia diferença entre o regime e a oposição democrática. O Brasil, por causa de sua própria história, com uma ditadura recente, tem a obrigação de ter uma atitude mais decisiva contra regimes totalitários.

Valor: Mesmo com a ascensão chinesa e a crise nos Estados Unidos e na Europa, o senhor segue acreditando que a única via para a modernização é através do liberalismo democrático?

Fukuyama: Sim, a sociedade moderna só é viável por meio da democracia liberal. O único competidor real é o modelo chinês. A China se moderniza de forma autoritária, mas trata-se de um modelo impossível de se exportar, intrínseco de sociedades asiáticas com determinadas especificidades culturais. Mas não estou dizendo que todos os países vão se desenvolver da mesma forma ou que as diversas formas de capitalismo democrático serão idênticas em todas as sociedades. O modelo capitalista da Europa setentrional é muito diferente do americano e, também, do da Europa meridional. Em meu livro mais recente, "As Origens da Ordem Política", procuro mostrar como foi acidental e fortuito o desenvolvimento da democracia liberal.

Valor: Não estaríamos vivendo uma crise do modelo democrático liberal que o senhor defende no livro? Não há uma crescente descrença, no Ocidente, em relação a instituições como o Congresso e o Poder Judiciário?

Fukuyama: Não, não há uma crise universal da democracia liberal. Na América Latina, tivemos três presidentes, Lula, Michelle Bachelet, no Chile, e Álvaro Uribe, na Colômbia, que deixaram o governo com aprovação acima dos 70%. Ou seja, algo está indo bem na região. Na Europa, há uma divisão entre facções pró e contra uma Comunidade Europeia clientelista. A Alemanha e os países escandinavos são exemplos de governos que conseguiram controlar seus déficits orçamentários enquanto mantêm bons níveis de confiança. Espanha, Grécia e Itália são estados capturados por partidos políticos, com níveis muito mais baixos de apoio popular. Ou seja, a crise não é universal.

Valor: Então vamos falar dos Estados Unidos. Em janeiro, o senhor escreveu o artigo "O futuro da história" para a revista "Foreign Affairs", que repercutiu fortemente no universo acadêmico. O senhor inicia seu texto com uma pergunta: "A democracia liberal pode sobreviver ao declínio da classe média?" O senhor já chegou a uma resposta? E quais são as forças que no momento ameaçam a democracia liberal americana?

Fukuyama: Concordo que as democracias avançadas estão experimentando uma crise de governabilidade. Todas demonstraram dificuldade na hora de tomar decisões duras. Também se revelaram frágeis, passíveis de serem capturadas por lobbies poderosos e grupos de interesses. Parte do problema se dá porque o público espera altos níveis de benefícios que algumas dessas sociedades certa vez foram capazes de gerar, mas que já não são sustentáveis do ponto de vista fiscal. E falta vontade política para se informar ao público sobre a nova realidade.

"A sociedade moderna só é viável por meio da democracia liberal. O modelo autoritário aplicado na China é impossível de exportar"
Valor: Em contrapartida, há uma explosão de populismo nos Estados Unidos, à direita, com o Tea Party, e à esquerda, com o Ocupem Wall Street. Qual papel esses movimentos terão nas eleições presidenciais de novembro?

Fukuyama: O Tea Party já passou do seu clímax de influência. Conseguiu mover o Partido Republicano para uma direção tão extremista e estreita que provavelmente custará esta eleição à oposição, com nova vitória de Obama, a não ser que tenhamos uma nova recessão até o fim do ano. O Ocupem Wall Street jamais foi um movimento de massas, mas um grupo pequeno de ativistas que encontraram um novo nicho. Não terão influência nas eleições, a não ser que se organizem melhor e aprendam a dialogar com a classe trabalhadora, na qual estão os cidadãos que de fato sofrem com o aumento da desigualdade social nos Estados Unidos.

Valor: No Brasil, vivemos a experiência oposta, com uma ascensão sem precedente histórico em direção à classe média. Como o senhor vê a era Lula?

Fukuyama: O crescimento da classe média é crítico para a estabilidade da democracia brasileira, única maneira de se evitar a polarização entre as elites e os pobres. O populismo pode ser utilizado de forma positiva, como no caso de Franklin Roosevelt nos anos 30, em que se construiu o estado de bem-estar americano, mas também pode ser uma força destrutiva, como no caso de Hitler, ou apropriado por demagogos autoritários, como Hugo Chávez. A América Latina precisa de partidos políticos de centro-esquerda e centro-direita cada vez mais fortes, representando as novas classes médias, que precisam se sentir incluída no sistema.

Valor: Também na "Foreign Affairs", no início do mês, o especialista em mercados emergentes Ruchir Sharma escreveu artigo em que alerta sobre a fragilidade da ascensão da classe média brasileira, dependente de um contexto de crescimento baseado nos preços altos das matérias-primas. O senhor concorda com esse ponto de vista?

Fukuyama: Concordo. A maior parte do crescimento brasileiro na última década deu-se por consequência da demanda global - especialmente a chinesa - por matéria-prima. Essa situação não vai durar eternamente. O Brasil precisa continuar diversificando sua base econômica. O que Brasília precisa fazer, na prática, é multiplicar o investimento em educação, para que o país suba de vez a ladeira.

Valor: Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", o senhor afirmou que os Estados Unidos estão começando a se parecer com a América Latina. O que quis dizer com isso?

Fukuyama: Tradicionalmente, a América Latina é uma das regiões com maior desigualdade social, que chega a níveis dos quais os Estados Unidos vão se aproximando. É isso. Também é importante lembrar que, como muita gente na América Latina, os americanos não querem pagar mais impostos. Eles também acreditam que os governos vão desperdiçar os recursos arrecadados. O resultado é a falta de investimentos em serviços públicos, o que acaba confirmando a impressão dos que não querem pagar mais impostos.

Valor: Em "As Origens da Ordem Política", o senhor usa o exemplo da Dinamarca como modelo de um Estado funcional. Esse é um modelo passível de exportação?

Fukuyama: A Dinamarca é um país pequeno, com população de 5,5 milhões. É um país relativamente homogêneo, cujas experiências não são facilmente reproduzíveis em outras realidades. Existem como um ideal, mas, como também destaco no livro, nem mesmo os dinamarqueses sabem bem como chegaram aonde chegaram. A Dinamarca é um ponto de referência.

Valor: O senhor já foi apresentado como uma "estrela do rock" da academia americana. Nunca se cansa de ser mencionado, até hoje, como o cientista político que cunhou a expressão "o fim da história"?

Fukuyama: Sim. Mas também aprendi que não há nada que se possa fazer a respeito. Sempre tenho a esperança de que as pessoas prestem mais atenção no que estou dizendo hoje e não no que escrevi há 30 anos.

"Multilateralismo na Ásia Oriental - Perspectivas para a Estabilidade Regional"

Organização de Francis Fukuyama e Kent E. Calder. Tradução de Nivaldo Montingelli Jr. Editora Rocco. 336 págs., R$ 48,50

Por Eduardo Graça | para o Valor, de Nova York

Análise: Economia dos EUA perde impulso no fim do 1º trimestre


NOVA YORK - A expansão de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre não foi um número desapontador apenas porque ficou abaixo da expectativa de crescimento de 2,6%. Também preocupa o fato dos indicadores de março terem sido quase que uniformemente fracos, o que sugere que a economia entrou no segundo trimestre com pouco impulso.

Os consumidores fizeram sua parte: os gastos reais das famílias cresceram a uma taxa de 2,9%, a melhor desde o fim de 2010. A demanda teria sido ainda mais forte caso o inverno tivesse seguido os padrões normais. Como as temperaturas foram mais amenas este ano, as famílias usaram menos energia para aquecer suas casas.

A dúvida agora é como os gastos de consumo podem continuar aumentando perto de 3% se o crescimento dos salários não está acelerando. O relatório do índice do custo da mão de obra, também divulgado hoje, mostrou um aumento de 0,5% nos salários no primeiro trimestre, com um ganho de 1,7% sobre o primeiro trimestre de 2011. O aumento dos salários ficou abaixo da taxa de inflação atual, de 2,7%, o que significa uma redução no poder de compra das famílias.

Os ganhos de renda são registrados em categorias menores, como dividendos e aluguéis. Mas os salários ainda são um item de grande peso. Se os contracheques não crescerem em um ritmo mais forte, os consumidores não poderão continuar aumentando seus gastos muito mais.

Os ganhos no lado da demanda terão de vir, então, das empresas, estrangeiros ou governos. O problema: nenhum deles parece estar disposto ou capaz de proporcionar esse suporte.

Já foram escritos vários artigos sobre o declínio nos gastos dos governos locais e estaduais - que caíram pela sétima vez seguida no último trimestre. Agora, o enxugamento da estrutura de defesa (o que é positivo para a perspectiva) também está levando os gastos federais para o território negativo.

O crescimento das exportações também é limitado pela recessão que atinge a Europa e a desaceleração do crescimento na China.

Com isso, sobra o setor corporativo. As empresas aumentaram seus gastos com equipamentos e software em apenas 1,7% no primeiro trimestre, bem abaixo da expansão de 7,5% no quarto trimestre e de uma espetacular taxa de crescimento de 16,2% no terceiro trimestre.

Parte da desaceleração refletiu o fim de uma isenção fiscal no quarto trimestre e os preços elevados de energia podem ter levado algumas empresas a reduzirem gastos em outras partes.

Para o PIB crescer a uma taxa de 2,5% em 2012 como um todo, as empresas terão de investir em um ritmo muito mais forte. Certamente, o setor como um todo tem dinheiro para investir. Como mostra a atual temporada de balanços, os lucros permanecem ao redor de níveis recordes.

Alguns décimos de um ponto porcentual no crescimento do PIB pode parecer muito pouco para ser uma preocupação. Mas quanto mais rápido for a expansão da economia, maiores serão os ganhos em novos empregos e a recuperação ficará menos vulnerável a choques.

(Dow Jones Newswires)


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Escassez de água ameaça vinda de gigante chinesa


Gigante Foxconn quer instalar fábrica em região que tenha grande disponibilidade de água


A escassez de água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ) ameaça deixar a região de Campinas fora da disputa pela instalação da taiwanesa Foxconn. O Correio apurou que a gigante na produção de displays exige que o local de instalação tenha investimento na área de logística e melhoria da infraestrutura, como o acesso a um aeroporto internacional, uma área extensa para instalação do parque fabril e grande capacidade energética e de água.

A água é um importante insumo da empresa, que a utiliza em resfriamento durante o processo de produção. Esse é o grande limitador da região de Campinas, afirmou uma fonte. Executivos da empresa percorreram a região recentemente e apenas a oferta de água não se enquadrou nos requisitos da Foxconn. A situação é crítica, porque para uma demanda total das cidades da bacia de 81 m3/s, a disponibilidade hídrica total é de 65 m3/s para atender 61 municípios.

O presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo), Luciano Almeida, disse ontem que aguarda para o final de abril a definição do local onde a empresa vai instalar uma de suas unidades. Ele reconhece que a demanda por água é um fator limitante de investimentos na região de Campinas, mas diz que, no caso da Foxconn, não haverá pressão sobre a demanda. Ele não confirmou, no entanto, se Campinas é uma das candidatas a receber a fábrica.

Devido a cláusula de confidencialidade, que consta no protocolo de intenções assinado com a empresa, a Investe SP não disponibiliza informações como local de instalação, produção, datas, valores, número de empregos, entre outros, até que as negociações sejam concretizadas.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, José Afonso Bittencourt, disse que as conversas com a Foxconn continuam, mas a empresa está fazendo exigências que a cidade não poderá cumprir. Segundo o secretário, a taiwanesa quer que a Prefeitura faça uma doação de terreno de um milhão de metros quadrados. “Isso não tem condições, porque além de não termos uma área assim, não é política do município doar terrenos para atrair investimentos”, afirmou. Ele reconhece que a oferta de água é delicada na região, justamente por causa do intenso desenvolvimento dos últimos anos, mas segundo ele, o que pesa no momento é o terreno.

Para o ambientalista José Osório Coelho, aumentar a oferta de água exigirá grandes investimentos em busca de novos mananciais, redução de perdas, ampliação da oferta de água de reúso, economias, proteção de nascentes. “Hoje a bacia PCJ já está em situação complicada e as ações tem sido lentas. Basta ver que hoje apenas 45% do esgoto produzido nessa bacia é tratado”, afirmou.

Seis estados disputam sediar o local escolhido pela empresa: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Paraná - o local, em tese, precisa ter um solo livre de oscilações e ter garantias de fornecimento de energia e água pura. O presidente da Investe São Paulo disse que o projeto apresentado pela Foxconn possui três fases. A primeira seria a produção da Apple, a segunda, a unificação das fábricas que a empresa tem no Brasil em um só local e, a terceira, a fabricação de telas no País. Ao todo, serão investidos US$ 12 bilhões da gigante asiática no Brasil, para produção de ítens como telas sensíveis ao toque para aparelhos da Apple (iPad e iPhone) e outras marcas. 


Minas Gerais é uma das principais candidatas a receber uma das unidades. O governo mineiro elaborou um plano de benefícios, que contempla infraestrutura, energia elétrica, água e o terreno e acertou que um terço do investimento da Foxconn no Brasil ocorrerá em uma cidade mineira.

A participação da Foxconn no capital social da fábrica de telas planas para iPad que vai se instalar em Minas Gerais será entre 25% e 30%. O investimento nacional ocorrerá por meio do grupo EBX, de Eike Batista, de duas ou três empresas de médio porte do setor de informática, e ainda pelo governo, via BNDESPar. Desta forma, a Foxconn ficaria com uma parcela minoritária e responsável pela gestão do empreendimento. O capital nacional dominaria o bloco de controle da empresa.