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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

SBPC 08/01/2020 Entidades divulgam nota contra a MP 914



Para Ildeu Moreira, presidente da SBPC, decisão, que não tem urgência e ainda desconsidera a autonomia universitária, não pode ser tomada por Medida Provisória, por desrespeitar a Constituição Federal


NOTA SOBRE A MP 914/2019

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e as sociedades científicas e acadêmicas abaixo-assinadas manifestam sua discordância em relação ao uso de uma Medida Provisória (MP 914/2019), que foi enviada ao Congresso Nacional no dia 24/12/2019, para o estabelecimento de novas regras para a escolha dos dirigentes de universidades e institutos federais. Tal procedimento ocorreu sem qualquer diálogo anterior com a comunidade acadêmica e não atende às prescrições constitucionais. As universidades públicas e os institutos federais constituem um elemento essencial para a educação superior e para a pesquisa científica no país, tanto na formação de pessoal qualificado quanto na produção científica e tecnológica, que, em grande parte, é proveniente dessas instituições, e devem ser tratadas com a devida consideração.

Nos termos do artigo 62 da Constituição Federal só é cabível Medida Provisória nos casos de “relevância e urgência”. O requisito de urgência, que justificaria uma MP, claramente não se aplica neste caso, uma vez que há uma legislação vigente sobre a questão (que pode evidentemente ser aprimorada e deve sê-lo quando necessário), existem projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional sobre ela e, além disso, trata-se de uma matéria que, pela sua natureza, deve passar por um debate amplo envolvendo a comunidade universitária, o Congresso, os órgãos governamentais e a sociedade brasileira, que também tem interesse no funcionamento adequado destas importantes instituições. Em função disto, solicitamos ao Senado Federal que devolva a MP por ela não atender a requisitos constitucionais e que a matéria seja amplamente debatida no Congresso Nacional, o local adequado para formulação e aprimoramento da legislação brasileira.

A MP 914 fere ainda a Constituição Federal no seu Artigo 207, que trata da autonomia das universidades: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.” A autonomia administrativa é essencial para o bom funcionamento dessas instituições, como mostra a experiência dos países desenvolvidos e das melhores universidades do mundo. A MP 914 cria uma centralização muito grande na universidade, altera e reduz o papel dos conselhos superiores dessas instituições, distorce a natureza de sua organização interna e atribui ao Reitor a indicação de seu vice e de todos os diretores de unidades. Além de desconsiderar a autonomia administrativa, a cultura interna e a experiência acumulada por décadas nas universidades, ela gera um alto risco de indicação de pessoas não qualificadas e sem legitimidade na comunidade acadêmica para postos de direção universitária.

As novas regras propostas devem ser, portanto, revistas em um diálogo do governo com a comunidade universitária e com o Congresso Nacional, bem como com outros setores da sociedade brasileira envolvidos com a educação, a ciência e o desenvolvimento do país.

São Paulo, 08 de janeiro de 2020.

Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)

Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior ( Andifes)

Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES)

Conselho Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP)

Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (CONSECTI)

Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas (RBCIH)

Sociedade Brasileira de Cristalografia (ABCr)

Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia (ECOTOX-BRASIL)

Sociedade Brasileira de Física (SBF)

Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC)

Sociedade Brasileira de Química (SBQ)

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Por que o ensino superior privado produz tanto diploma e tão pouco saber?... Reinaldo Azevedo




Há algo de errado com o ensino universitário privado no Brasil, não é mesmo? E olhem que as mantenedoras não podem reclamar de desvantagem competitiva. Gozam de plena liberdade para oferecer o melhor. Tiveram ainda Prouni e Fies como estímulo. Por que digo isso? 

A Folha traz nesta segunda o ranking das 197 universidades públicas e privadas que atuam no Brasil. Nas 50 primeiras colocações, apenas sete são privadas: 18º – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; 19º – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; 30º – Pontifícia Universidade Católica do Paraná 34º – Universidade Presbiteriana Mackenzie 36º – Universidade do Vale do Rio dos Sinos 42º – Universidade de Caxias do Sul 49º – Pontifícia Universidade Católica de Minas E, ainda assim, convém notar que cinco das sete são ligadas à Igreja Católica: quatro PUCs e a Unisinos, vinculada aos jesuítas. 

A universidade de Caxias do Sul é uma fundação de direito privado, mas com forte presença do poder público local. Se formos considerar as 100 primeiras, apenas 34 têm gestão privada. Duas universidades estaduais lideram o ranking elaborado pela Folha: USP e Unicamp, de São Paulo. O Estado ainda tem uma terceira universidade entre as dez melhores, em 6º lugar: a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Convém refletir. 

A quase totalidade das pesquisas universitárias do país têm origem em instituições públicas. Nesse quesito, há apenas 13 universidades privadas entre as cem primeiras. Com a devida vênia, é uma vergonha. E a mais bem-colocada está em 07/10/2019 Por que o ensino superior privado produz tanto diploma e tão pouco saber? - 

Reinaldo Azevedo - UOL https://reinaldoazevedo.blogosfera.uol.com.br/2019/10/07/por-que-o-ensino-superior-privado-produz-tanto-diploma-e-tao-pouco-saber/ 2/2 19º lugar. No critério "ensino", as privadas são apenas 14 das 100 — seis delas são PUCs. Há ainda muito a falar a respeito. Em tempos em que se imaginam tantas feitiçarias sobre o ensino universitário, com um ministro da Educação — Abraham Weintraub — que tem óbvio déficit de alfabetização, é bom que a sociedade civil reflita sobre o seu futuro. É preciso saber por que o ensino universitário privado no Brasil produz tantos diplomas e tão pouco saber. Mesmo vivendo hoje à mingua, as instituições públicas ainda são 66 das 100 melhores e 43 das 50. Quando a elite endinheirada do país vai acordar para a necessidade de financiar o ensino universitário?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

País que não investe em humanas nunca terá Nobel de Física, Medicina.


Ministro
Novo ministro da Educação, Abraham Weintraub 
(Foto: Rafael Carvalho/Divulgação Casa Civil)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou hoje que o governo planeja reduzir investimento em faculdades de ciências humanas, como filosofia e sociologia, para focar naquilo que gera "retorno imediato para o contribuinte", como medicina e engenharia. Se fizer isso, Bolsonaro vai colocar o Brasil na contramão da ciência mundial. Para usar uma metáfora que apreciadores de armas entendem, o tiro vai sair pela culatra (será esse o "retorno imediato" de que ele falou?). 

Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, parecem achar que acadêmicos de filosofia e sociologia são seres inúteis que ficam discorrendo sobre coisas sem sentido ou planejando alguma revolução. Deveriam saber, no entanto, que os estudos mais avançados da ciência mundial da atualidade dependem em boa parte da compreensão do comportamento humano. HUMANO! Não se obtêm avanços em Inteligência Artificial, por exemplo, sem a colaboração da filosofia e da sociologia. Uma das áreas com grande aplicação no mercado, atualmente, é a de comportamento de consumidor, que depende do estudo da relação das pessoas com o ambiente e com as experiências que vivem. O mundo inteiro está estudando como as máquinas podem desenvolver tarefas e habilidades antes restritas aos seres humanos. Bolsonaro e Weintraub querem que os engenheiros brasileiros construam robôs sem os conhecimentos da filosofia e da sociologia? Impossível. 

Nos Estados Unidos, a interdisciplinaridade é regra em qualquer universidade que queira estar entre as top 10 em exatas ou biológicas. A filosofia, por exemplo, oferece método, oferece interpretação e oferece conceitos. Como estudar física quântica sem método, interpretação ou conceitos? Além disso, filosofia ensina a pensar. Boa sorte em tentar fazer ciência sem pensar. 

Na medicina, a bioética é uma área cada vez mais requisitada para ajudar os pesquisadores a lidar com o impacto humano das possibilidades incríveis que a tecnologia cria. Não existe estudo da ética médica sem filosofia e sociologia. Boa sorte em tentar desenvolver estudos com células-tronco, por exemplo, sem dar aos pesquisadores ferramentas da filosofia e da sociologia. 

Ou então abra  um hospital e tente fazê-lo funcionar sem assistentes sociais, psicólogos e comunicadores. Em 2017, os vencedores do Nobel de Medicina foram reconhecidos por suas descobertas a respeito do nosso "relógio biológico", um fenômeno com implicações evidentes no comportamento humano. Estudos como esses criam estradas de mão dupla entre as ciências biológicas e as ciências humanas: uma se beneficia da outra. 

Uma não existe sem a outra. Bolsonaro disse que quer gerar renda para as pessoas. Ele poderia perguntar, então, às empresas que sabem gerar renda o que acham dessas áreas do conhecimento que ele quer relegar às faculdades privadas. A resposta: essas áreas são essenciais. As maiores companhias de tecnologia do mundo estão contratando o quê? Sociólogos. Ontem mesmo a sede do Google na Califórnia abriu duas vagas. Os exemplos são infinitos. Uma coisa é certa. Ciência que não compreende emoção, sensibilidade e comportamento humano ou que não procura entender o seu papel na comunidade é uma ciência capenga. 

Diogo Schelp UOL


quinta-feira, 26 de julho de 2018

UFPA sedia Reunião do Conselho Pleno da Andifes




debate andifes


Um dos principais fóruns da Educação Superior no Brasil ocorre em Belém, nestas quinta e sexta-feira, 26 e 27 de julho de 2018. A Universidade Federal do Pará (UFPA) será a anfitriã da 172ª Reunião Ordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que congregará reitores, vice-reitores e gestores de 65 universidades e centros federais de todo o Brasil, além de convidados que discutirão temáticas e políticas voltadas para o fortalecimento do Ensino, da Pesquisa e da Extensão. A reunião será realizada no Hotel Princesa Louçã.


Na pauta da reunião estão questões que impactam diretamente o desenvolvimento de políticas continuadas para o Ensino Superior, tal como estabelecer proposições para a garantia de investimentos públicos em Ciência, Tecnologia e Inovação. Um dos pontos que serão discutidos, por exemplo, será um estudo sobre indicadores para as Universidade Federais, desenvolvido pelo Fórum de Pró-Reitores de Planejamento e Administração (Forplad).


Como convidado, participará o Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), Abílio Baeta Neves, que esteve em Belém, em junho deste ano, para lançar dois editais inéditos para o fomento da pós-graduação na Amazônia (Leia mais aqui). Estarão presentes também o Secretário Federal de Controle Interno, Antônio Carlos Bezerra Leonel, do Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União, e Kleber de Melo Morais, presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), rede que integra os 50 Hospitais Universitários Federais hoje existentes.


Na ocasião da Reunião do Conselho, os dirigentes também receberão dois pré-candidatos à Presidência da República. A proposta é apresentar o documento “Educação para a Democracia e o Desenvolvimento”, redigido e recentemente divulgado pela Andifes, e que é direcionado aos presidenciáveis e à sociedade brasileira como um todo.


No documento, a Andifes defende a consolidação das Universidades Federais como patrimônio público, destacando como elas geram impactos diretos e indiretos em diversos contextos sociais. São, portanto, ambiências estratégicas para a construção de um projeto de país soberano, plural e promotor de cidadania e dignidade para seu povo, como preveem os princípios constitucionais.


Diante do presente cenário político nacional e internacional, tem sido demandado cada vez mais que a atuação das Universidades seja articulada e integrada por meio de projetos e iniciativas conjuntas e em rede. A Andifes é um desses espaços que possibilita congregar as instituições para a proposição de ações orientadas, otimizadas e com maior raio de abrangência e inserção social.


Outra proposta que visa congregar esforços das Universidades e que será discutida na reunião, é a formação de uma Rede Universitária de Cinema. O foco é fomentar a criação de salas de cinema em todo o Brasil, dentro das Instituições de Ensino Superior, para o fortalecimento de circuitos alternativos, incentivo a produções cinematográficas pelas Universidades, formação de públicos e aproximação com diferentes setores sociais. Para participar da discussão dessa proposta, estará presente na reunião a diretora da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Débora Ivanov, além de professores e pesquisadores da área.


Ao final da reunião haverá, ainda, o processo de transição da Diretoria Executiva da Andifes, atualmente presidida pelo reitor da UFPA, Emmanuel Zagury Tourinho. Após a apresentação de candidaturas de chapas, será feita a eleição e tomará posse a nova Diretoria da Associação.


Sobre a Andifes - A Andifes foi criada em 1989, reunindo os reitores das Universidades Federais com o objetivo de atuar na avaliação, proposição e desenvolvimento de políticas públicas para o Ensino Superior. Além de uma atuação política junto às agências de fomento e órgãos públicos e privados, a Associação possui iniciativas próprias voltadas para a maior interação e integração entre as instituições, a publicação da produção científica das Universidades e a realização de estudos estratégicos, como a V Pesquisa do Perfil Socioeconômico dos Estudantes das Universidades Federais, coordenada pela Andifes e o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assistência Estudantil (Fonaprace). A coleta de dados foi feita em todo Brasil no primeiro semestre de 2018, e os resultados deverão ser divulgados em fevereiro de 2019.


Texto: Divulgação Andifes

Arte: Divulgação

domingo, 2 de outubro de 2016

Reforma do ensino médio defende chances iguais, diz idealizadora

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Com sólida experiência na área da educação, a professora Maria Helena Guimarães de Castro, 70 anos, desenhou, com uma equipe técnica, a reforma do ensino médio que o governo Temer baixou por meio de uma medida provisória. Em sua segunda passagem pelo Ministério da Educação (a primeira foi no governo FHC), agora como secretária executiva do ministro Mendonça Filho, Maria Helena tem plena consciência de que mexeu em um vespeiro — até o apresentador Fausto Silva, no Domingão do Faustão, esculhambou a proposta. Para ela, depois de duas décadas de debates inconclusivos, a reforma do ensino precisava mesmo de uma chacoalhada decisiva. Em seu gabinete em Brasília, a educadora recebeu VEJA para a entrevista a seguir.

O Faustão se referiu à reforma como uma decisão de “cinco gatos-pingados que não sabem p… nenhuma”. Foi isso mesmo?

O Faustão deu uma mostra de ignorância e grosseria da pior espécie. Claramente não sabe do que está falando, não leu nada e saiu por aí difundindo inverdades. Esta reforma não é obra de uns gatos-pingados. Não é uma ideia ao acaso. Ela vem sendo discutida há duas décadas no Brasil, independentemente de governos e partidos, porque o modelo em vigor é um fracasso.

Se a necessidade de mudança é tão evidente, por que saiu via medida provisória, que é por natureza um instrumento autoritário?

Por uma questão de urgência mesmo. Um projeto de lei que propõe a reforma se arrasta desde 2013 no Congresso e está parado. Enquanto o tempo passa, os jovens ficam enredados em um sistema de péssima qualidade, reconhecido como um dos piores do planeta. A meu ver, a relevância do assunto justifica a medida provisória.

Se o assunto é tão urgente, por que fica parado no Congresso?

Porque a reforma mexe em vários vespeiros. Corporações de professores temem perder direitos adquiridos. Há uma indústria gigantesca para preparar os jovens para o Enem, passaporte para a universidade que se baseia no atual modelo de ensino médio. São forças que se fazem representar no Congresso. E pesa ainda um fator político. Parlamentares podem entender que encampar tal proposta não é tão vantajoso do ponto de vista eleitoral.

Mesmo com essas forças contrárias, a senhora acredita que a MP, ainda sujeita à apreciação de deputados e senadores, vingará?

As sinalizações que temos hoje são positivas. O ministro da Educação está encarregado das costuras políticas. Acho que o debate, embora longe da unanimidade, já alcançou grau de maturidade suficiente.

Mas, no meio do barulho enorme ocorrido nas redes sociais, não havia uma vastidão de opiniões inconclusivas?

A discussão sobre a reforma se desenrola desde 1996, no âmbito da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a LDB. Passou pelo governo FHC, ficou viva em toda a era petista e, agora, ocorre na gestão Temer. É uma questão apartidária, e os próprios secretários de Educação, responsáveis por sua implantação em cada estado, estão pedindo por uma mudança. São sinais de maturidade do debate.

Por que tanta crítica então?

A resistência a mudanças é da natureza humana, mas no Brasil, e no caso específico da educação, é muito pior. O que estamos propondo — a flexibilização de uma parte do tempo do jovem na escola — bate de frente com uma ideia incrustada no caldo cultural da academia brasileira, que reverbera por toda a sociedade. É a ideia de que todo mundo tem direito ao mesmo ensino, independentemente de classe social, cor, credo. Esse discurso soa inclusivo, mas trata-­se aqui de um pseu­doigualitarismo. Na verdade, engessar os jovens no mesmo modelo cria uma grande desigualdade, cria uma das maiores desigualdades do mundo.

Como isso ocorre?

Uma parcela importante dos jovens fica pelo caminho, sem chance nenhuma de um bom futuro. Metade dos que ingressam no ensino médio não se forma. Menos de 20% deles vão para a universidade. Um batalhão entre 15 e 17 anos está fora da escola. O que o Brasil pratica com seu modelo monolítico, único no mundo, é a igualdade da mediocridade. O sistema atual não abre caminhos diferentes para pessoas de capacidades e ambições diferentes. Ele fecha portas. Muita gente não entendeu que, ao propor trajetórias diversas dentro da escola, a reforma defende justamente a igualdade de oportunidades.

Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA no iOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no iba clube.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A fabulosa farsa de “Lula, o maior criador de universidades do mundo”.



A fabulosa farsa de “Lula, o maior criador de universidades do mundo”. Ou: desmonto com números essa mentira. Ou ainda: a ignorância é mais veloz que a luz


“Para a democracia funcionar, deve estar (…) protegida de usurpadores que se pretendem representantes absolutos do bem sobre a Terra.”

São palavras do vereador Francisco Telles, de Dois Córregos, ao saudar o título de Cidadão Emérito que recebi. Esta é a minha tarefa: contestar os “absolutistas”, que só podem existir como tal recorrendo à mentira. Eu os contesto com fatos. À diferença do que fazem crer os setores áulicos da imprensa, a Educação, no governo Lula, é uma das áreas em que se andou para trás. Mais tarde, escrevo mais a respeito. Agora, quero contrapor OS FATOS a um discurso que Lula fez hoje em Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Falando a uma platéia de quase dois mil estudantes, afirmou que, no dia 31 de dezembro, último dia de seu mandato, será o homem “mais feliz do mundo”. E emendou, naquele seu doce e habitual obscurantismo: “Eu vou olhar para mim e dizer que não tenho curso superior, mas fui o presidente que mais abriu universidade no Brasil.” Lula estava na cidade para inaugurar quatro prédios da Universidade Federal de Dourados.

Muito bem! Isso é o que Lula diz. Agora há os fatos — e o que segue abaixo é elaborado com dados do próprio Ministério da Educação.


1 – Lula afirma por aí ter criado 13 universidades federais. É mentira! Com boa vontade, pode-se afirmar que criou apenas seis; com rigor, quatro. Por quê? A maioria das instituições que ele chama “novas universidades” nasceu de meros rearranjos de instituições, marcados por desmembramentos e fusões. Algumas universidades “criadas” ainda estão no papel. E isso, que é um fato, está espelhado nos números, que são do Ministério da Educação;

2 – Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 – seis anos de mandato de Lula;

3 – Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);


4 – Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;


5 – Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;


6 – O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;


7 – Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.

8 – Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina “companheira”. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 – 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;

9 – No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.

Voltarei a este tema mais tarde para abordar outras “conquistas” do Ministério da Educação. O que vai acima não é assim porque eu quero. É assim porque esses são os números. Mas vivemos os tempos do aspismo. E, infelizmente, o jornalismo online — também estou nele, mas reconheço os problemas — tem sido útil aos mentirosos. Antigamente, o jornalista tinha ao menos tempo de verificar se os números lançados ao vento eram ou não verdadeiros. Agora, corre-se para ser o “primeiro” a pôr a fala de uma autoridade no ar. E a mentira se propaga. É verdade que muitos repórteres poderiam recorrer ao Google e aos arquivos dos jornais e desfazer a farsa na hora. Mas poucos se dão ao trabalho. Nesse caso, por exemplo, só o Google não resolve.

A menos que o Ministério da Educação corra para maquiar os números, a verdade é essa que segue acima, não o que disse Lula em seu discurso. Telefonei para o ex-ministro da Educação e atual secretário da área em São Paulo, Paulo Renato, para comentar a fala do presidente:
“O Lula é um usurpador de obras passadas e futuras; toma para si o que outros fizeram e também o que outros ainda farão depois dele; algumas das suas universidades estão apenas no papel e ainda têm de ser criadas”.

Obscurantista
Muito bem! A farsa histórica está desmontada. Encerro comentando a undécima fala em que Lula faz a apologia da ignorância. Jactando-se de ser o maior criador de universidades do mundo — o que, sabemos, é mentira! —, orgulha-se de não ter curso superior, anunciando ao mundo a irrelevância não de um diploma, mas do estudo. É evidente que Lula, ao tentar destacar o que seria uma contradição — o não-universitário que cria universidades — , acaba estabelecendo uma relação de causa e efeito: porque ignorante, decidiu investir nas luzes. Logo, as luzes se transformam num apanágio da ignorância.

O efeito prático disso é que a ignorância se propaga já que, infelizmente, se move numa velocidade superior à da luz.

domingo, 8 de junho de 2014

Reitores querem mais ICMS para elevar orçamento das universidades paulistas



Diante da atual crise financeira e pressão da comunidade acadêmica por melhores salários e mais transparência, os reitores das três universidades estaduais paulistas decidiram pedir mais recursos para composição orçamentária ao governo do Estado e até à União. Há dez dias, USP, Unesp e Unicamp enfrentam greve parcial de professores, funcionários e alunos, revoltados com a decisão de congelamento dos reajustes salariais deste ano - as três instituições comprometem hoje com folha de pessoal entre 95% e 105% do total de seus orçamentos, que somam cerca de R$ 9 bilhões em 2014.

Valor Econômico

terça-feira, 27 de maio de 2014

USP deixa posto de melhor universidade da América Latina, diz ranking britânico


Mesmo com a queda da universidade paulista, Brasil conta com 10 instituições de ensino entres as 20 melhores da região


A Universidade de São Paulo (USP), a mais importante do País, já não é mais a melhor universidade da América Latina. De acordo com o ranking britânico do grupo Quacquarelli Symonds (QS), que avalia as melhores instituições da região desde 2011, a melhor colocada neste ano é a Pontifícia Universidada Católica do Chile. Desde a criação do ranking há 3 anos, a USP sempre figurava como a primeira colocada no levantamento. 



Agora, na edição 2014 do ranking, a USP ficou na segunda posição. Publicado nesta terça-feria (27), o levantamento destaca a presença de dez instituições brasileiras entre as 20 melhores da América Latina.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ficou na 3ª posição, logo à frente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Universidade Estadual Paulista (Unesp) ficou na 9ª posição. Logo abaixo estão, empatadas, as federais de Minas Gerais (UFMG) e a do Rio Grande do Sul (UFRGS). Confira outras o desempenho de outras universidades:

Por iG São Paulo

quinta-feira, 15 de maio de 2014

SP: professores em greve rejeitam proposta de Haddad



SÃO PAULO - Acabou na noite desta quinta-feira, 15, o ato de professores da rede municipal de São Paulo, que estão em greve desde o dia 23 de abril. Os manifestantes se reuniram na sede da secretaria da Educação, às 15h, onde ouviram proposta – rejeitada posteriormente – do prefeito Fernando Haddad. Agora, o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) marcou um novo protesto, para as 14h da terça, 20, no vão livre do Masp.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 8 mil pessoas participaram do ato, e marcharam pela avenida 23 de Maio até a sede da prefeitura, no centro da capital. O sindicato também estimou em 8 mil o número de manifestantes.

A principal reivindicação dos professores municipais é a inclusão de 18% no aumento salarial, a partir do ano que vem, anunciado por Haddad para funcionários que recebem o piso da categoria. A reclamação do sindicato é que, hoje, apenas uma pequena parte do quadro de empregados se enquadra nessa categoria.

Na reunião de hoje, a prefeitura ofereceu um aumento, que foi considerado insuficiente pelos professores. O Sinpeem estima que cerca de 60% dos funcionários da educação municipal estão em greve.

Por Rodrigo Pedroso | Valor

terça-feira, 18 de março de 2014

"Os novos desafios do empreendedorismo para instituições de ensino superior do Brasil".



Com o objetivo de disseminar a cultura empreendedora a Universidade Federal do Pará - (UFPA) por meio de sua Agência de Inovação Tecnológica - UNIVERSITEC realizará na próxima quinta-feira, 20, as 18:00, no auditório do Projeto Newton deUFPA (do lado da Agência de Inovação Tecnológica) a palestra "Os novos desafios do empreendedorismo para instituições de ensino superior do Brasil". A Palestra será ministrada pelo Sr. Ladmir Carvalho, Diretor Executivo da Empresa Alterdata Software.

Também estarão presentes o Reitor da Universidade Federal do Pará, Prof. Dr. Carlos Edilson de Almeida Maneschy e o Diretor Superintendente do Sebrae, Vilson João Schuber. Como debatedores do evento.


A Programação faz parte das ações desenvolvidas pelo Projeto de empreendedorismo da Universitec com objetivo de promover uma transformação na comunidade acadêmica, no que se refere a semear o empreendedorismo na cultura regional e difundí-lo ainda mais na UFPA. Além de fazer com os alunos das diversas áreas do conhecimento possam compreender que, por meio de ideias empreendedoras, podem ser gerados grandes negócios.

Sobre a Alterdata : A empresa Alterdata Software está no ranking da Revista Exame PME das empresas que mais cresce no Brasil de todos os segmentos de mercado. Considerando o segmento de Tecnologia da Informação e levando em consideração o faturamento das empresas, a Alterdata está em TERCEIRO lugar no país, apenas existem duas empresas de TI com faturamento maior e que cresceram mais, porém estas duas empresas tiveram esta performance com aquisições de concorrentes, enquanto a Alterdata tem crescido organicamente, com a sua própria excelência operacional.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

São Paulo. Das mil creches previstas até o fim do ano, governo estadual só entregou 24

Secretaria da Educação diz que há R$ 1 bilhão disponível para as unidades, mas prefeituras não conseguem apresentar documentos e conseguir terrenos


Das mil creches previstas até o fim do ano no programa Creche Escola, lançado pelo governo paulista em 2011 para repassar verbas aos municípios na área da educação infantil, apenas 24 unidades já foram entregues - quatro delas no interior. A dificuldade das prefeituras em conseguir terrenos para as obras, atender às exigências documentais e garantir recursos para o funcionamento das creches estão entre as principais razões apontadas para o atraso.

Segundo a Secretaria da Educação do Estado, já foram assinados convênios para a construção de 467 creches. Do total, há 157 obras em andamento, 93 com licitações abertas e 299 com processos de concorrência previstos. A pasta diz que há condições orçamentárias - cerca de R$ 1 bilhão - para a construção das mil creches até dezembro, mas que as obras dependem de esforço dos municípios.

Antes de abrir concorrência e receber os recursos, as prefeituras devem apresentar os terrenos regularizados e toda a documentação necessária. A verba é repassada à medida em que avançam a licitação e a obra. Além de São Paulo, só as cidades de Anhembi, Guararapes, Queluz e Lençóis Paulista já têm creches finalizadas.

Na capital, foram entregues no ano passado 14 unidades frutos de convênio com o Estado. Mais três serão finalizadas em 2014, segundo a Secretaria Municipal de Educação, e outras 25 estão em diferentes etapas de construção. Apesar dos programas de apoio dos governos estadual e federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação define que o município é o responsável pela oferta de creches e unidades de educação infantil.

Queixas. Para as secretarias municipais de educação, as exigências técnicas e burocráticas são empecilhos. "As cidades médias deveriam ser mais livres para desenvolver a licitação enquanto regularizam o terreno", defende o secretário de Educação de Guarulhos, Moacir Souza. A cidade tem convênio assinado para uma creche e está na fase de localização de terreno. Com requisitos específicos de metragem e estrutura, a busca por áreas geralmente é a fase mais complicada.

Bragança Paulista já tem um convênio assinado e outras quatro creches liberadas, ainda à espera da entrega de documentação ao governo. "Como estamos em cidade de montanha, não é simples acharmos um local plano", diz a secretária de Educação, Huguette Theodoro. Para ela, essas dificuldades explicam o baixo número de creches prontas no Estado.

Em Lençóis Paulista, o terreno já pertencia à prefeitura, o que facilitou o processo. "Quando um empreendimento imobiliário é construído, planejamos a destinação de áreas para equipamentos públicos", relata Fernando Ortega, engenheiro da Diretoria de Educação.
As pastas municipais ainda reclamam dos cofres vazios para a regularização de terrenos e alocação das verbas de funcionamento das creches.

"A iniciativa (do Estado) é boa, mas várias prefeituras esbarram na Lei de Responsabilidade Fiscal. Falta dinheiro para manter a creche depois", diz a presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo, Priscilla Bonini, que também está à frente da pasta no Guarujá.

Exigências. Em nota, a Secretaria da Educação do Estado afirmou que cumpre os critérios previstos na Lei de Licitações, "sendo eles a garantia de que a verba pública será utilizada de forma adequada e para atender o objetivo de criar mais creches". Segundo a pasta, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada ao Estado e que tem a responsabilidade de supervisionar as obras, oferece três tipos de plantas para facilitar a identificação de terrenos e reduzir custos.

(Ana Cristina Campos /Agência Brasil)

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dez anos depois, política de cotas permite maior ingresso de negros na UnB

Sistema de reserva de vagas será reavaliado pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão em março. Na última década, 18,5% dos formados são negros. Políticas afirmativas permitiram uma mudança importante: 41% dos alunos aprovados entre 2009 e 2013 são afrodescendentes




"Por ser negro, entrei pelas cotas diz 
Higor Faria, 23 anos, funcionário do Tesouro Nacional.

A Universidade de Brasília ganhou mais cor. Nos últimos quatro anos, o ingresso de alunos na UnB consolida uma tendência há muito almejada pela instituição de ensino: a maior presença de negros em sala de aula. Do total de aprovados no Programa de Avaliação Seriada (PAS) e no vestibular entre 2009 e 2013, 41% são negros. Essa mudança tem relação direta com a política de cotas raciais, adotada pela UnB desde 2004, e pela legislação federal que instituiu as cotas sociais em 2012.

Os 20% de vagas exclusivas para negros no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2014 têm chance de serem os últimos da história. As cotas de caráter racial, iniciativa de vanguarda da UnB, serão reavaliadas. A ação afirmativa completa 10 anos e o destino dela está nas mãos dos quase 70 integrantes do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). De 2004 até o ano passado, 18,5% dos estudantes que se formaram pela universidade são negros e ingressaram na instituição graças ao sistema.

Reparação histórica

O funcionário do Tesouro Nacional Higor Faria, 23 anos, entrou pelas cotas para negros em 2008. Na época, a política começava a ser consolidada e vigorava o senso comum de que o ingresso deles faria cair o nível de ensino da instituição. “Éramos bem estigmatizados. Por ser negro, entrei pelas cotas para reafirmar a política. Desde a escravidão, jogaram os negros em um canto e não olharam para eles. Estudei a vida inteira em escola privada. Não acho que a existência das cotas sociais elimine a existência da outra reserva”, afirmou.

Manoela Alcântara - Correio Braziliense.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Desafios ainda pendentes

Após dez anos, Bolsa Família tem desafio de melhorar ensino 


Ribeirão do Largo, no sul da Bahia, e Algodão de Jandaíra, no agreste da Paraíba, são cidades pobres do interior nordestino. Além disso, têm em comum o fato de a cobertura do Bolsa Família ser superior a 75% de suas respectivas populações (a média nacional é 25%). Também são considerados municípios prioritários pelo Ministério da Educação (MEC) por estarem abaixo da média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), hoje o principal instrumento para medir a qualidade do ensino no país.

Embora quase todos os filhos e filhas dos beneficiários do programa federal de transferência de renda frequentem escola pública, a trajetória de alguns indicadores educacionais que determinam avanço ou retrocesso no ensino nas duas cidades é bem diferente.

Em Algodão de Jandaíra, onde 78% dos quase 2,5 mil habitantes recebem, na média familiar, pouco menos de R$ 150 do Bolsa Família, a nota das escolas públicas no Ideb cresceu nos dois ciclos do ensino fundamental entre 2005 e 2011; a taxa de alunos em séries inadequadas conforme a idade caiu dramaticamente entre 2006 e 2010 (de 62,6% para 10,2%); e o índice de reprovação, que era de 25,9% em 2007, foi reduzido para 11,6% em 2012.

Já em Ribeirão do Largo, o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental não subiu o suficiente para cumprir a meta estabelecida pelo MEC; nas séries finais, a nota caiu de 2,5 para 2,4 entre 2005 e 2011, também aquém da meta de 3. No indicador de distorção idade-série, houve tímida melhora em cinco anos, com redução da taxa de 61,3% para 56,8%, enquanto o índice de reprovação registrou queda mais forte, de 25,9% para 11,6%. Na cidade baiana, 83% dos 8,6 mil habitantes ganham, na média familiar, R$ 132 do programa federal de transferência de renda.

A partir de uma lista de 2.050 municípios prioritários do MEC, a reportagem do Valor levantou outras 24 cidades, uma por Estado, com a maior proporção de beneficiários do Bolsa Família em relação ao total de habitantes e estendeu a análise feita para Algodão de Jandaíra (PB) e Ribeirão do Largo (BA). À primeira vista, a impressão é de melhora generalizada nos indicadores de reprovação e distorção idade-série, mas há pelo menos dez cidades que pioraram nessas duas variáveis e muitas registraram avanços em ritmo bem mais lento que outras, como no exemplo anterior.

Já a avaliação do desempenho das escolas públicas desses municípios no Ideb dos anos finais do ensino fundamental acende uma luz amarela: pelo menos quatro cidades pioraram de nota entre 2005 e 2011 e dez não bateram a meta do indicador. Na média nacional, colégios municipais e estaduais batem a meta do Ideb tanto nos anos iniciais como nos anos finais do fundamental.

Desde o seu lançamento em 2003, o Bolsa Família se consolidou como uma das principais políticas governamentais do Brasil no combate à pobreza e na promoção de ações para superá-la. Graças à condicionalidade na área educacional, que obriga pais e mães a matricular seus filhos na escola e a garantir a frequência de até 85% das aulas, o programa também apresenta resultados positivos em inclusão e permanência na escola.




A melhora no acesso escolar, no controle de faltas e na redução da taxa de abandono por influência do programa é evidente. Mas nesses dez anos de existência, o governo ainda não tem ferramentas suficientes para responder à pergunta essencial: "A qualidade do ensino dos mais de 17 milhões de alunos da rede pública, que hoje são beneficiários do Bolsa Família em todo o Brasil - mais de 40% do total de estudantes -, está melhorando?"

De forma genérica, o governo responde que sim ao promover, na publicidade oficial, muitas histórias de crianças que, ajudadas pelo programa, hoje estão chegando à universidade, mudando uma trajetória familiar historicamente marcada pela baixa escolarização e, em muitos casos, pelo analfabetismo.

O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que administra o Bolsa Família em parceria com outros ministérios, governos estaduais e prefeituras, apresenta dados concretos: no ensino médio público, a taxa de abandono escolar dos alunos atendidos pela política federal de transferência de renda é de 7%, contra 11% da média nacional; no ciclo fundamental, a mesma comparação apresenta taxa de 2,9% para alunos do Bolsa Família, um pouco abaixo da taxa média nacional da rede pública (3,2%). No quesito aprovação, os jovens do ensino médio beneficiados pelo programa também têm melhor desempenho na comparação com a média brasileira da rede pública.

Embora o governo comemore, os números, sozinhos, não evidenciam real melhora na qualidade do ensino em função do Bolsa Família, como visto no exercício comparativo entre as duas pequenas cidades na Bahia e na Paraíba. A resposta para a equação é complexa e polêmica. Alguns especialistas acreditam que o impacto do programa de transferência de renda na qualidade da educação é baixo. Há quem sustente que apenas o estímulo para a criança entrar na escola na idade certa e permanecer até o fim da educação básica traz muita vantagem ao ensino.

O secretário-adjunto de Educação do Ceará, Mauricio Holanda Maia, afirma que não é papel do Bolsa Família melhorar o ensino. "Ele dá conta de aumentar o ingresso e a permanência dos meninos e faz isso bem. Mas o programa tem um escopo e não deve-se pedir ao Bolsa Família mais que o seu escopo, para que ele não seja qualificado ou desqualificado em virtude de resultados que realisticamente não dependem dele", opina Maia.

Já Rui Aguiar, especialista em projetos para o Nordeste do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), considera plausível vincular a frequência escolar impulsionada pelo Bolsa Família a melhorias no ensino. "Uma das grandes dificuldades da gestão escolar brasileira ainda é o controle de frequência. Raras escolas respeitam os 200 dias letivos. As crianças que são beneficiadas pelo Bolsa Família, de alguma maneira, passam mais tempo na escola; isso aumenta a probabilidade de vantagens na aprendizagem", avalia Aguiar.

O governo é cauteloso na abordagem da questão e teme comparações simplistas entre o desempenho da educação recebida por estudantes não beneficiários e beneficiários do Bolsa Família. Para Daniel Ximenes, diretor do Departamento de Condicionalidades da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do MDS, é arriscado fazer estudos "aligeirados", que fomentem a criação de rankings. "Não dá para ranquear essas escolas de maneira unilateral. Temos que ter cuidado nas interpretações, tem que ter um compromisso muito técnico e ético. Não é um trabalho rápido e fácil", afirma.

Segundo ele, o MDS se aprofundará na produção de avaliações sobre o impacto do Bolsa Família na qualidade do ensino ao longo do primeiro semestre de 2014. Esse tipo de estudo será feito, principalmente, a partir de informações, já em poder do governo, sobre as 75 mil escolas públicas do país - de um universo de 200 mil - onde a maioria dos alunos é composta por beneficiários do programa de transferência de renda.

Ximenes insiste que avaliações dessa natureza só são boas quando feitas de forma contextualizada. "É preciso analisar e comparar a infraestrutura das escolas, o perfil socioeconômico das famílias, dos professores, sua formação. Tem que analisar a partir de variáveis semelhantes para não deixar a interpretação unidirecional."

Em pesquisa acadêmica recente feita pela professora Maria Inês Caetano Ferreira e por alunas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) foi constatado que em uma escola pública de Cruz das Almas, no interior baiano, o Bolsa Família não teve influência nos rumos do ensino. As pesquisadoras analisaram anotações dos professores nos diários de classe durante o ano letivo de 2011 e compararam alunos beneficiários e não beneficiários.

De acordo com o estudo, a taxa de aprovação de ambos os grupos foi semelhante, assim como os principais comentários nos diários. "Maioria aprovada por conselho de classe e outros após recuperação", dizia anotação geral sobre alunos regulares e do Bolsa Família aprovados na quarta série do ensino fundamental. "Nesse caso estamos diante de uma aprovação frágil, que tem impacto negativo no aprendizado, não importa se o aluno tem um programa social por trás, não há diferenciação. No fundo, o problema é de qualidade da educação: cabe aos governos estaduais e municipais resolver", avalia Maria Inês.

Em Mairiporã, município prioritário do MEC localizado na região metropolitana de São Paulo, a estratégia para melhorar o desempenho de alunos do Bolsa Família é a aproximação, via Secretaria Municipal de Assistência Social, com as famílias do programa. "Na escola não tem distinção, mas pelo menos a cada 15 dias, ou até semanalmente, nós nos reunimos com pais e mães cadastrados no programa para falar sobre a importância da frequência escolar e do acompanhamento das notas e das atividades dos filhos na escola", conta Maria Lucia Naf, secretaria de Assistência Social de Mairiporã, que tem mais de 13,2 mil beneficiários do Bolsa Família.

Moradora da cidade, a faxineira Maria Aparecida da Silva, de 39 anos, segue as orientações à risca e, além de acompanhar a rotina dos dois filhos na escola, voltou a estudar. Matriculou-se num programa de educação de jovens e adultos. Enquanto a filha cursa a sexta série e o filho está no terceiro ano do ensino médio, ela faz o supletivo e sonha em fazer um curso técnico e trabalhar como paisagista de jardins.

"Sempre pego no pé dos dois. Mesmo do mais velho, não é porque é marmanjo que tem que largar mão. Acho que comigo participando mais da vida deles na escola, eles vão entender que eu estou apoiando e vão se dedicar mais, dar mais valor para essa chance, que eu não tive na idade deles", diz Maria Aparecida, que normalmente usa os R$ 146 que recebe do Bolsa Família para comprar material escolar e cobrir despesas da casa.





Além da condicionalidade para estimular inclusão e a permanência na escola, o Bolsa Família, nos últimos anos, passou a ter articulação mais forte com políticas educacionais que podem ser determinantes para um bom aprendizado. Na educação infantil, o governo lançou, em 2011, o Brasil Carinhoso, que amplia a renda do programa para mães com crianças de zero a seis anos, e lançou a meta de construção de 6 mil creches dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). No ensino fundamental, milhares de escolas com maioria de estudantes beneficiários passaram a fazer parte do Mais Educação, iniciativa do MEC de ensino em tempo integral.

"Nesses dez anos, o Bolsa Família acabou tendo uma dimensão bastante significativa, às vezes maior do que ela deve ser. Virou uma grande plataforma para várias políticas públicas, e aí quando a gente entra na educação acaba tendo uma expectativa bastante elevada, mas o Bolsa não pode resolver todos os problemas de todas as áreas, é um programa que tem seus objetivos, suas características", afirma Ximenes, do Ministério do Desenvolvimento Social.

Valor Econômico


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

UFPA: Consun vota na adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares


A Administração Superior da Universidade Federal do Pará (UFPA) anunciou, na tarde desta quarta-feira, 18 de dezembro de 2013, na sala de reuniões dos Conselhos Superiores, prédio da Reitoria, o resultado da votação sobre a adesão da UFPA à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A votação foi iniciada na terça-feira, 17, durante Reunião Extraordinária do Conselho Universitário (Consun) e concluída por meio eletrônico em razão dos protestos de manifestantes. A votação computou um total de 71 votos, dos quais, 68 foram favoráveis à adesão, dois contra e uma abstenção.

O total de votos recebidos, 71, representa 81% dos membros do Consun aptos a votar, a saber, 88, excluídos os membros da Administração Superior da Instituição. O número de votantes favoráveis à adesão à Ebserh, 68, representa 96% do total de votos recebidos. Os votos contrários foram 3% e 1% foi de abstenção. Após a divulgação do resultado, o reitor em exercício, professor Edson Ortiz, deu por encerrada a sessão.

Todos os conselheiros puderam se manifestar livremente sobre o assunto pela internet. Um total de 17 conselheiros não votou, mas enviou posicionamentos por e-mail. Todos os e-mailsrecebidos até as 14h desta quarta-feira, 18, foram impressos e arquivados pela Secretaria Geral da UFPA.

Segundo o reitor em exercício, Edson Ortiz, o resultado expressa a decisão da UFPA de aderir à Ebserh. O próximo passo será comunicar a Ebserh sobre essa decisão para que seja iniciado o processo de avaliação das condições dos Hospitais Universitários Bettina Ferro de Souza (HUBFS) e João de Barros Barreto (HUJBB). A avaliação antecede a assinatura do contrato de adesão e tem por fim dimensionar as necessidades dos hospitais, em termos de infraestrutura física, de equipamentos e de pessoal.

Sobre a empresa – A Ebserh gerencia os hospitais universitários do País. Empresa pública de direito privado, os recursos da Ebserh são provenientes da União, sendo os servidores contratados por meio de concurso público e regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A lei prevê o Sistema Único de Saúde (SUS) como única porta de acesso aos serviços hospitalares. No contrato a ser celebrado entre a UFPA e a Ebserh, serão reiterados o SUS como porta única de entrada para o atendimento, bem como a autonomia da UFPA com relação às atividades acadêmicas e de pesquisa desenvolvidas nos hospitais.

A Empresa foi a alternativa apresentada pelo governo federal para equilibrar financeiramente os hospitais universitários e sanar suas deficiências de infraestrutura. Atualmente, os recursos captados pelo Barros Barreto e pelo Bettina Ferro não são suficientes para cobrir os seus custeios. Até então, a Administração Superior redirecionava parte do financiamento da educação para cobrir os gastos com os serviços dos hospitais. No ano fiscal de 2013, a UFPA vai injetar cerca de R$ 15 milhões nos dois HUs. Ainda assim, o valor será insuficiente para que o orçamento saia do vermelho e para que os hospitais mantenham seus serviços regulares.

Texto: Assessoria de Comunicação da UFPA
Foto: Laís Teixeira