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sábado, 15 de setembro de 2012

O sentido das palavras



RIO DE JANEIRO - "Até nas flores se encontra a diferença da sorte: umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte." Esse poema se aprendia nas escolas do passado. Hoje, a diferença da sorte atinge até mesmo os partidos políticos, que podem ser resumidos em situação e oposição.

Para a oposição, dona Dilma é presidente da República. Para a situação (PT e aliados), é presidenta, como ela própria gosta de ser tratada. É fácil identificar quem é a favor ou contra o governo. Embora não se diga de uma moça que é "estudanta", de uma mulher acamada que é "doenta" ou "pacienta", a sutileza do tratamento é uma declaração de princípios, um programa
de salvação nacional.

Há também uma outra sutileza que define os rumos ideológicos e transcendentais da atual situação nacional. Os veículos de comunicação, principalmente as TVs oficiais e as oficiosas, quando botam no ar os debates no Supremo Tribunal Federal (STF), identificam o programa como "ação penal 470". Tudo certo, a informação não foi sonegada nem deformada. As emissoras não comprometidas com o governo se referem ao mesmo programa de outra forma: "mensalão" --um tiro que o PT disparou no próprio pé.

Palavras e palavras. O pai de Samuel encontrou Isaac e declarou, contristado: "Meu coração está cheio de tristeza, soube que o seu filho Jacó está dando!". No dia seguinte, Isaac procurou o pai de Samuel, com o coração transbordando de alegria: "Meu filho não está dando, está tomando!".

Palavras, palavras e palavras servem para isso mesmo. O papa Pio 11, antecessor de Pio 12, fez uma advertência severa contra o nazismo --que, em 1933, tomava o poder na Alemanha. Recebeu uma resposta oficial daquele país, justificando o regime ali adotado. O papa reclamou: "Perdemos o sentido das palavras!".

 

Carlos Heitor Cony é membro da Academia Brasileira de Letras desde 2000. Sua carreira no jornalismo começou em 1952 no "Jornal do Brasil". É autor de 15 romances e diversas adaptações de clássicos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cenário global faz Vale adiar projetos em fase “conceitual”



RIO - A Vale anunciou hoje que vai adiar projetos que estiveram ainda na fase “conceitual” de desenvolvimento, por conta do atual ambiente econômico global.

A maior produtora de minério de ferro do mundo já havia informado que está postergando seu empreendimento de potássio na província de Kronau, no Canadá, avaliada em US$ 3 bilhões.

Outros adiamentos devem ser anunciados depois de apreciação por parte do corpo diretivo da mineradora, segundo a nota enviada à Dow Jones Newswires.

A fase conceitual de um projeto consiste nas estimativas da operação futura em cada empreendimento. É a primeira parte da elaboração de um novo negócio e possui poucos estudos conclusivos.

“Em dezembro, quando anunciarmos nosso plano de investimentos, ele também vai refletir o novo cenário econômico”, disse a companhia.

O plano de investimentos de 2013 deve ser divulgado no Vale Day, evento anual realizado pela empresa com investidores em Nova York, de acordo com uma porta-voz da Vale.

(Dow Jones Newswires)



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Para ela até sobra

Marta se diz satisfeita com orçamento do Ministério da Cultura

BRASÍLIA - A senadora Marta Suplicy (PT-SP), que assume nessa quinta-feira o Ministério da Cultura, afirmou estar satisfeita com o orçamento da Pasta e que, se for buscar mais recursos, será por meio de emendas parlamentares, "mas não pedindo para a presidente da República".

Citou, como "vantagem" de sua escolha, o fato de não pertencer a nenhum grupo do setor cultural. Afirmou que vai conversar com todo mundo e vai procurar deixar "uma marca" no ministério, que seja inovadora.

O descontentamento da ministra que deixa o cargo, Ana de Hollanda, com o orçamento do Ministério da Cultura é apontado como principal causa de seu afastamento. Ela chegou a enviar carta à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, queixando-se da falta de recursos da pasta.

"O orçamento está satisfatório para começar. Vou tentar aumentar, mas não pedindo para a presidente da República, e sim no parlamento. Estou muito satisfeita com o orçamento. E vou tentar ampliar com o Congresso. Estou satisfeita porque colegas da Câmara e do Senado têm me telefonado, dizendo que vão colaborar", afirmou.

A senadora, que renunciou nesta quarta-feira à 1ª Vice-Presidência do Senado, disse que a partir de quinta vai "mergulhar" no ministério. Afirmou que seu objetivo é tentar deixar uma marca do governo Dilma Rousseff na área da cultura.

"Vou tentar deixar uma marca para inovar. Tenho uma vantagem. Talvez tenha sido motivo da escolha: não pertenço a nenhum grupo cultural, não milito na cultura. Estou aberta ao diálogo. Vou conversar com todos, ouvir".

A petista afirmou que, quanto mais percebe o tamanho do desafio, mais fica entusiasmada com o cargo que irá ocupar. "Gosto de fazer isso: quanto mais difícil [melhor]", disse.

Marta afirmou que já começará com um "gol de placa", que é a aprovação, pelo Senado, de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que institui o Sistema Nacional de Cultura (SNC), que tem por objetivo fortalecer as políticas públicas de cultura.

Esse sistema, segundo a senadora, vai tornar mais ágil o financiamento de municípios e Estados. Marta foi a relatora da PEC, a pedido de Ana de Hollanda. A aprovação está prevista para a tarde desta quarta-feira, com a supressão dos prazos de tramitação - o que foi possível graças a acordo entre os líderes partidários.

A senadora afirmou que, depois de assumir o cargo no governo, continuará participando da campanha do candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo ela, o "trio" formado por ela, pela presidente Dilma Rousseff, e pelo ex-presidente Luiz Ínácio Lula da Silva pode alavancar a candidatura.

"O trio é capaz de alavancar: Dilma, Lula e Marta. Eu tenho o apelo de quem fez. Lula é Deus e Dilma é a presidente bem avaliada", disse. Celso Russomano (PRB), líder nas pesquisas, segundo ela, tem um pouco de votos que são dele, mas tem também de petistas, de martistas e de quem rejeita o candidato do PSDB, José Serra, e não conhece Haddad ou Gabriel Chalita (PMDB). Sua tarefa na campanha, afirmou, será tentar recuperar os votos de petistas e martistas.

(Raquel Ulhôa | Valor)

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Eike Batista desiste de fechamento de capital da LLX, diz nota


RIO - A assessoria de comunicação do Grupo EBX, de Eike Batista, divulgou há pouco nota em que informa que o empresário “anunciou hoje sua decisão de não prosseguir com a oferta pública para aquisição de até a totalidade das ações de emissão da Companhia em circulação no mercado (OPA) para fins do cancelamento do seu registro como companhia aberta junto à CVM e da saída da Companhia do segmento especial de negociação de valores mobiliários da BM&FBOVESPA, denominado Novo Mercado”.

A seguir, a íntegra do comunicado:

“Eike Batista, fundador do Grupo EBX (“EBX”) e acionista controlador da LLX Logística S.A. (a “Companhia” ou “LLX”) anunciou hoje sua decisão de não prosseguir com a oferta pública para aquisição de até a totalidade das ações de emissão da Companhia em circulação no mercado (“OPA”) para fins do cancelamento do seu registro como companhia aberta junto à CVM e da saída da Companhia do segmento especial de negociação de valores mobiliários da BM&FBOVESPA S.A. - Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (“BM&FBOVESPA”) denominado Novo Mercado.

Essa decisão foi tomada pelo controlador Eike Batista após a divulgação do laudo de avaliação preparado pelo Bank of America Merill Lynch Banco Múltiplo S.A. (“BAML”), a instituição financeira selecionada pelos acionistas minoritários da Companhia, na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 16 de agosto de 2012, para realizar a avaliação da Companhia. O laudo de avaliação do BAML estabeleceu o valor econômico das ações ordinárias da Companhia dentro de um intervalo entre R$ 6,94 e R$ 7,63 por ação.

Eike Batista acredita que o laudo de avaliação do BAML, juntamente com as recentes operações financeiras anunciadas pela LLX e ainda o plano de investimento em rodovias e ferrovias federais brasileiras recém-anunciado, sustentam as expressivas perspectivas de criação de valor extraordinário na LLX tanto no curto quanto longo prazo.

A subsidiária da Companhia LLX Açu Operações Portuárias S.A. (“LLX Açu”) recentemente anunciou a emissão de debêntures no montante principal de R$750 milhões. Adicionalmente, a Companhia também recentemente anunciou que a LLX Açu havia rolado por 18 meses o empréstimo-ponte de R$345,18 milhões firmado inicialmente em setembro de 2010. Tais avanços financeiros demonstram a capacidade da LLX de garantir o suporte financeiro necessário para implementar o projeto do Superporto de Açu, o maior investimento em infraestrutura portuária da América Latina, com capacidade para receber até 350 milhões de toneladas de carga. Finalmente, o governo federal anunciou em 15 de agosto de 2012 um novo plano de concessão de rodovias e ferrovias para investimento de R$ 133 bilhões no setor. Segundo o governo, estima-se que o novo pacote de rodovias e ferrovias deverá construir ou reformar 7.500km de rodovias e 10.000km de ferrovias que cruzam todo o país, com 60% dos investimentos esperados para os próximos cinco anos. Esse plano permitirá a reforma da ferrovia que conectará o Superporto de Açu aos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

Localizado a apenas 150km da Baía de Campos (responsável por 85% da produção atual de petróleo no Brasil), e próximo aos novos blocos de exploração de petróleo, o Superporto de Açu é o quintal das reservas do pré-sal e confirma sua excelência como a nova rota para as companhias prestadoras de serviço no setor de óleo e gás.”

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Quem falou que cuidaria do seu cargo na Vice-Presidência do Senado?


Saiu prêmio de consolação para Marta Suplicy

Trocam 6 por meia duzia.

Planalto confirma Marta como nova ministra da Cultura; ela assume na 5ª feira. 


O Palácio do Planalto confirmou ainda nesta terça-feira (11) a troca de Ana de Hollanda pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) no comando do Ministério da Cultura. A petista vai assumir a nova função na quinta-feira.

A troca foi antecipada pela Folha e faz parte do acordo para que a senadora se integrasse à campanha de Fernando Haddad pela Prefeitura de São Paulo.

A presidente Dilma Rousseff se encontrou com a ministra na tarde de hoje. Dilma conversou por telefone com a senadora petista e confirmou o convite.

Marta já havia sido sondada no início do ano para assumir o posto.

Nota da assessoria de imprensa da Presidência afirma que "a presidenta agradeceu hoje o empenho e os relevantes serviços prestados ao país [por Ana de Hollanda] à frente da pasta desde janeiro de 2011".

"Dilma Rousseff manifestou confiança de que Marta Suplicy, que vinha dando importante colaboração ao governo no Senado, dará prosseguimento às políticas públicas e aos projetos que estão transformando a área da Cultura nos últimos anos", conclui o texto.

Ao chegar ao Senado hoje, Marta Suplicy desconversou e chamou de "especulação" a sua ida para o ministério. A senadora também não quis responder se aceitaria um convite para comandar a Cultura.

Pela manhã, Marta ficou a maior parte do tempo em seu gabinete e depois saiu para uma conversa com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A petista já avisou ao suplente, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), para que fique preparado para assumir sua cadeira no Senado.

A senadora, segundo Rodrigues relatou a interlocutores, o procurou na segunda-feira (10) e informou que estavam avançadas as negociações para que ocupe o ministério.

POLÊMICAS

Irmã do compositor Chico Buarque, Ana de Hollanda é cantora e fez carreira na burocracia estatal, trabalhando inclusive na Funarte.

Sua gestão tem sido marcada por críticas e em diversas oportunidades o Planalto precisou negar a saída da ministra.

A ministra sofre pressão de setores do PT desde que cancelou a nomeação do sociólogo Emir Sader para presidir a Fundação Casa de Rui Barbosa. O sociólogo havia dito à Folha que a ministra era "meio autista".

Além da pressão por parte de petistas, as críticas à ministra se devem à política sobre direitos autorais defendida pela pasta, à suspensão de pagamento de convênios e à retirada do selo Creative Commons (licença para uso de conteúdo) do site da pasta.

Outra crítica de parte do setor cultural é que ela não teria se empenhado para reduzir o corte no Orçamento da Cultura neste ano.

No ano passado, a CGU (Controladoria Geral da União) determinou ainda que Ana devolvesse cinco diárias que recebeu quando estava no Rio de Janeiro sem compromissos oficiais.

Em outra polêmica envolvendo a ministra, a Comissão de Ética Pública da Presidência pediu esclarecimentos à ministra por ter recebido camisetas da escola de samba Império Serrano para desfilar no Carnaval.

O brinde foi enviado seis meses após o ministério zerar a inadimplência da agremiação carioca, desbloqueando o CNPJ da escola.

MARTA

Esta será a segunda passagem de Marta Suplicy no governo federal. Em 2007, assumiu o Ministério do Turismo durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, foi criticada por conceder entrevista em que aconselhou a população do país "relaxar e gozar" em meio a caos nos aeroportos.

Deixou a pasta em 2008 para disputar a Prefeitura de São Paulo, mas perdeu a disputa no segundo turno para o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD).

Famosa por apresentar um programa de TV que falava sobre sexo na década de 80, Marta foi deputada federal na década de 90 e também prefeita da cidade entre 2001 e 2004, mas não conseguiu ser reeleita.

Ex-mulher do senador Eduardo Suplicy, de quem ainda carrega o sobrenome, é uma das lideranças do PT em São Paulo.

TROCA

Ana de Hollanda é a 13ª ministra a deixar o governo da presidente Dilma Rousseff - ao todo, oito ministros deixaram a gestão de Dilma devido a denúncias de irregularidades.

Os ministros que já deixaram a Esplanada dos Ministérios são: Antonio Palocci (Casa Civil), Pedro Novais (Turismo), Alfredo Nascimento (Transporte), Nelson Jobim (Defesa), Orlando Silva (Esporte), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), Mário Negromonte (Cidades), Iriny Lopes (Mulheres), Luiz Sérgio (Pesca), Carlos Lupi (Trabalho), Wagner Rossi (Agricultura) e Fernando Haddad (Educação).

Colaboraram Márcio Falcão e Flávia Foreque, de BrasíliaFolha de São Paulo

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Photoshop eleitoral





domingo, 9 de setembro de 2012

As alianças para se manter no poder

O Partido dos trabalhadores fez alianças políticas com o que tem de pior na política brasileira ou com aqueles partidos que sempre estiveram fora da sua agenda eleitoral. Quem mudou, o DEM, o PP ou o PMDB?


Os casos emblemáticos são  São Paulo,  onde o PT procurou aliança programática com o Partido Progressista do Paulo Maluf. O arqui - inimigo, que agora se abraça a Martha Suplicy, ao Presidente Lula, ao candidato Fernando Haddad e à Presidenta Dilma.

Tem outros exemplos onde as rixas internas foram tão fortes que até terminaram na justiça. Nada de programas, nem diferenças políticas profundas, só problemas de poder. Nas cidades de Recife, Porto alegre, fortaleza e Belém, as diferenças internas no Partido, podem representar uma verdadeira derrota do PT nestas eleições e encoler sua força eleitoral nas bases da sociedade brasileira.

Veja reportagem do Jornal do Brasil.



 A pesquisa Ibope divulgada segunda-feira em Recife demonstrou a queda da última candidatura petista que liderava as pesquisas de intenção de votos nas 10 capitais com os maiores eleitorados do país, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O senador Humberto Costa, que virou candidato depois de um racha dentro do PT e do rompimento da aliança com o PSB, foi ultrapassado por Geraldo Julio (PSB), candidato indicado pelo governador Eduardo Campos. Dono de uma ampla aliança e do maior tempo de TV em Recife, Julio vive uma arrancada surpreendente. Após dois meses de campanha, o socialista saiu de 16% para a liderança, com 33% das intenções de voto - oito pontos percentuais de vantagem sobre Costa, que aparece com 25% do total, de acordo com a pesquisa Ibope divulgada no dia 03 de setembro.

Entre essas 10 cidades, o PT possui candidatos próprios em sete - São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife e Porto Alegre - e governa duas, Fortaleza e Recife. Coincidentemente, a escolha dos atuais candidatos nas duas capitais do Nordeste foram tumultuadas e culminaram no rompimento da aliança com o PSB, que optou por indicar candidaturas próprias em ambas as cidades.

No Ceará, o PT governa há oito anos com a atual prefeita Luizianne Lins (PT), que escolheu Elmano de Freitas, seu secretário municipal de Educação, como candidato da legenda.

Como o PSB, do governador Cid Gomes, preferia uma chapa encabeçada por outro petista, o atual secretário de Cidades do Estado, Camilo Santana (PT), a aliança com o PT foi rompida e o partido então optou por lançar Roberto Cláudio (PSB) em uma chapa separada de seu antigo aliado.

Com o racha, ambas as candidaturas se enfraqueceram e, de acordo com a última pesquisa Vox Populi divulgada no dia 29 de agosto, Freitas e Cláudio aparecem na segunda e terceira colocação, respectivamente, com 13% e 12% do total de intenções de voto, enquanto Moroni Torgan (DEM) lidera com folga, com 26% do total.

"O desempenho do candidato petista é reflexo também da grande rejeição à prefeita Luizianne Lins", afirma o cientista político Paulo Kramer.

Racha interno

No Recife, após conflito interno durante as prévias do PT, que por semanas ocupou os jornais e os tribunais, os dois pré-candidatos cotados para a disputa, o deputado federal Maurício Rands e o atual prefeito da cidade João da Costa, foram substituídos pelo senador Humberto Costa, convocado pela executiva nacional como solução para o impasse jurídico criado durante o processo interno do partido na capital pernambucana.

A confusão petista motivou o PSB, do governador Eduardo Campos, a também romper a aliança com o PT, a exemplo de Fortaleza, e lançar Geraldo Julio como seu candidato.

Em outra capital do Nordeste, o PT também não apresenta bom desempenho. Em Salvador, o deputado federal Nelson Pelegrino tem 16% das intenções de voto, e ocupa a segunda colocação, a 24 pontos percentuais do primeiro colocado, ACM Neto (DEM), que tem 40%, de acordo com pesquisa Ibope divulgada no dia 24 de agosto. Os votos somados pelo petista são menores do que os brancos e nulos, por exemplo, que representam 19% do total.

Rompimento

Em Belo Horizonte, outro conflito entre PT e PSB colocou em choque as legendas, que também eram parceiras na cidade e dividiam o governo da capital mineira ao lado do PSDB, do senador Aécio Neves.

Como o PSB, do atual prefeito Marcio Lacerda, optou por não se coligar também na chapa de vereadores com o PT, sob articulações de Aécio, os petistas optaram por romper a peculiar aliança e lançar candidatura própria. O escolhido foi o ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus Ananias.

Apesar de estar em trajetória ascendente nas pesquisas, Patrus ainda está distante de Lacerda, que, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 29 de agosto, tem 46% do total de intenções de votos, contra 30% do petista, uma diferença de 16 pontos percentuais.

A força de Lula

Em São Paulo, apesar do processo de escolha da candidatura petista não ter causado nenhum rompimento com partidos aliados, a nomeação do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, escolhido pelo ex-presidente Lula, como o concorrente petista na cidade culminou na insatisfação da senadora Marta Suplicy, que desejava concorrer ao cargo nesta eleição.

No início da campanha, conturbada também pela saída da deputada federal Luiza Erundina (PSB) da vice da chapa após o PT firmar aliança com o PP, de Paulo Maluf, Marta não esteve ao lado de Haddad, ainda pouco conhecido do eleitorado. Somente na última semana a senadora acertou sua entrada na campanha do petista.

Apesar de mostrar crescimento nas pesquisas, Haddad ainda está na terceira colocação, com 16% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada nessa terça-feira. Baseado na margem de erro da pesquisa, de três pontos, o petista está tecnicamente empatado com o segundo colocado, José Serra (PSDB), que tem 21% do total de votos. Apesar da trajetória descendente do tucano, Haddad ainda estaria fora de um possível segundo turno.

Sem consenso

Em Porto Alegre, a escolha entre o candidato petista ficou dividida entre Raul Pont e Adão Villaverde, que acabou sendo escolhido como o concorrente do partido.

A escolha do candidato do partido evidenciou a falta de um consenso em torno de um nome, o que motivou parte da legenda a querer apoiar a candidata Manuela D'Ávila (PCdoB).

O PT, porém, optou por lançar candidatura própria, e até o momento está distante do foco da disputa, polarizado entre Manuela e o atual prefeito da cidade, José Fortunati (PDT). Villaverde aparece na terceira posição, mas possui apenas 5% das intenções de voto, e está a 30 pontos percentuais do segundo colocado, Fortunati, que possui 35%, e está tecnicamente empatado na primeira colocação com Manuela, que tem 37%, de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada no último sábado.

No maior colégio eleitoral do norte do Brasil, Belém, os números divulgados pelas pesquisas também não mostram a candidatura petista em boas condições. Alfredo Costa (PT) tem apenas 3% do total de votos, de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada no último sábado, e é o quinto colocado na disputa, liderada por Edmilson Rodrigues (Psol), que tem 47%.

Nas outras três cidades, o PT apoia apenas uma das chapas vitoriosas. No Rio de Janeiro, o atual prefeito, Eduardo Paes, que tem 53% das intenções de voto, lidera com folga a disputa.

Em Manaus, porém, onde apoia o PCdoB, de Vanessa Grazziotin, e Curitiba, onde apoia Gustavo Fruet (PDT), o PT ocupa a segunda e a terceira posição nas pesquisas de intenções de votos, respectivamente.

Enquanto na capital amazonense Vanessa tem 19% e está a 10 pontos percentuais de Arthur Virgílio (PSDB), com 29% das intenções - de acordo com a pesquisa Ibope do dia 16 de agosto - no Paraná, Fruet está em terceiro lugar, com 15% do total, a 13 pontos percentuais de Ratinho Jr. (PSC), que lidera a disputa com 28%, e a 12 do atual prefeito Luciano Ducci (PSB), que possui 27% do total, de acordo com a última pesquisa Vox Populi divulgada na segunda-feira.

Vitrines

O PT, que por três mandatos seguidos governa o Brasil, tem com o ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff dois grandes puxadores de votos, devido à boa avaliação que ambas as gestões possuem, próxima de 80%.

Porém, os principais puxadores de votos do partido não tiveram participação tão forte na campanha até o momento. Enquanto Dilma optou por não participar ativamente nas eleições municipais, principalmente em cidades em que haja disputa entre candidatos petistas e de outros partidos da base, Lula se recupera do tratamento do câncer na laringe, diagnosticado em outubro de 2011.

Por conta disso, o ex-presidente, tido como um dos principais puxadores de voto do País, tem apenas gravado depoimentos e tirado fotos com candidatos, e não tem ido às ruas, onde era esperado, principalmente em São Paulo. Com sua melhora, a expectativa é de que participe mais ativamente das campanhas petistas em todo o Brasil.

A volta do presidente é uma das esperanças do PT para reverter o quadro e conseguir conquistar a prefeitura dessas cidades, tidas como prioritárias. Segundo Kramer, com o mau resultado nas capitais, o partido pode perder municípios que servem como vitrines importantes para mostrar seus principais nomes em cada estado e também programas de governo, o que pode inclusive afetar o desempenho na eleição de 2014, por exemplo.

Para o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, Marcus Ianoni, porém, o quadro não pode ser considerado ruim, já que o PT aparece quase sempre na segunda colocação nas pesquisas e possui chance de ir para o segundo turno nesses locais.

"O PT cresceu em relação às eleições de 2004 e me parece que, com a boa avaliação que o governo Dilma está tendo, o momento é propício para o PT se fortalecer ainda mais", disse.

Para Ianoni, apesar da importância de se conquistar cidades maiores, aumentar o número de prefeituras no país pode amenizar a perda de grandes centros. Segundo o cientista político, além de pensar em eleger prefeitos, os partidos precisam focar seus esforços também em cionquistar cargos nas Câmaras de todos os municípios, como forma de dar base de governabilidade aos prefeitos eleitos.

"Nessas eleições está em jogo também a eleição dos vereadores. Um prefeito sem base na Câmara de Vereadores terá dificuldade", afirmou.

Reunião

A executiva nacional do partido fará uma reunião por volta do meio de setembro para discutir o cenário nas principais cidades brasileiras e traçar as estratégias que orientarão as campanhas até a reta final, o dia 07 de outubro, data marcada para o primeiro turno das eleições deste ano.