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quarta-feira, 10 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
A amarga conta da corrupção
A falta de princípios morais dos envolvidos nos recentes escândalos é a face mais visível da corrupção no Brasil, revelando a grave crise de valores, ausência de compromissos sociais e descaso com as necessidades da população em geral daqueles que assumem posições de destaque em nossas instituições. Essas pessoas, ao contrário do que ocorre, deveriam se dedicar para melhorar nossa sociedade, nossa economia, nosso meio ambiente e contribuir para a promoção do bem comum e para a construção de um país mais próspero e desenvolvido.
Todavia, a falta de ética pública que corrompe e corrói o tecido socioeconômico do país está muito longe de ser a única conta que a corrupção nos impõe a todos os cidadãos. Há outras, não tão evidentes à primeira vista, que se desdobram em várias dimensões e que assumem proporções catastróficas, prejudicando irreversivelmente não apenas a geração atual, mas várias adiante. Vejamos algumas dessas contas:
1) Inflaciona os preços de bens e serviços. Por exemplo, a construção ou reforma de uma escola que, hipoteticamente, poderia ser de um milhão de reais, passa para a custar três milhões por causa do sobre preço praticado para garantir as propinas. Essa escola, em tese, poderia beneficiar 500 alunos. Mas com o dinheiro efetivamente gasto, caso fosse bem aplicado, poderia beneficiar 1.500 pessoas, ou seja, significa que na pratica, mil ficaram de fora por causa da corrupção. Esses excluídos deixaram de receber um benefício que provavelmente mudaria para melhor suas vidas. Porém, por causa da corrupção, esse potencial aluno poderá ser um futuro delinquente porque não teve oportunidades. Assim, ao invés de construir as bases da formação de cidadãos de bem a corrupção os destrói. Esse mesmo raciocínio serve para outras áreas, como: a saúde, o hospital superfaturado que deixa de fora milhões de necessitados; as estradas superfaturadas que deixam centenas de quilômetros sem pavimentar impedindo o escoamento eficiente da produção de milhares de pequenos produtores, reduzindo a capacidade de geração e multiplicação de riqueza; o saneamento não feito deixa a população vulnerável às doenças, especialmente crianças às verminoses, o que limita a capacidade de aprender e isso compromete sua produtividades no futuro; a infraestrutura superfaturada, exclui da mesma forma outros tantos; e por ai vai...
2) Impede que investimentos produtivos aconteçam. Empresas idôneas não querem associar suas marcas a governos e instituições corruptos, pois isso mais cedo ou mais tarde vai se voltar contra elas, comprometendo sua sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e exigente. Mais uma vez, esses investimentos poderiam empregar muitas pessoas, gerar muitas oportunidades, mas como não foram feitos, muitos dos que seriam beneficiados acabam caindo na marginalidade por falta de chances;
3) Políticas públicas e projetos sociais deixam de ser feitos. A expectativa de ganhos desmedidos, que está na base da corrupção, cega quem persegue se dar bem a qualquer custo. Agentes envolvidos com a corrupção usam todo o seu tempo e energia para “bolar esquemas” em benefício próprio e usam o cargo público para expandir seu patrimônio privado. Assim, deixam de empregar esse tempo e energia para elaborar e implementar políticas em prol do bem estar coletivo. São projetos que deixam de ser feitos, convênios que não se realizam, ações que não se implementam, deixando de beneficiar, da mesma forma, milhões de pessoas;
4) Impossibilita o recebimento de recursos financeiros. Gestores que fazem mal uso do dinheiro público ficam impedidos de ter acesso a várias fontes de recursos que estão disponíveis para serem acessados em diferentes áreas. E o pior, mancham para sempre a instituição que representam, quer seja, uma empresa, um órgão público, um município, um Estado ou o país. Isso estraga o caminho do próximo gestor que vai ficar impedido de buscar esses recursos que, se não fosse pela corrupção, estariam disponíveis e assim mais ações poderiam ser feitas em prol da sociedade;
5) Democratiza a corrupção. Como a ganância não tem limites, o corrupto precisa de toda uma “rede de proteção” que lhe de suporte. Acontece que à medida que a pratica avança esta rede ganha força e acaba “democratizando a corrupção”, que deixar de ser “oligárquica”, isto é , de ficar restrita às altas cúpulas, e passa a alimentar também as bases de apoio – se democratiza. Assim, todas as contas ocultas da corrupção se potencializam.
O resultado de toda essa conta é que a economia e a sociedade não evoluem, pelo contrario, estagnam e retrocedem, portanto, de forma alguma se deve ser tolerável com aquele que “rouba mais faz” pois é o seu presente e o futuro de seus filhos que está em jogo.
Todavia, a falta de ética pública que corrompe e corrói o tecido socioeconômico do país está muito longe de ser a única conta que a corrupção nos impõe a todos os cidadãos. Há outras, não tão evidentes à primeira vista, que se desdobram em várias dimensões e que assumem proporções catastróficas, prejudicando irreversivelmente não apenas a geração atual, mas várias adiante. Vejamos algumas dessas contas:
1) Inflaciona os preços de bens e serviços. Por exemplo, a construção ou reforma de uma escola que, hipoteticamente, poderia ser de um milhão de reais, passa para a custar três milhões por causa do sobre preço praticado para garantir as propinas. Essa escola, em tese, poderia beneficiar 500 alunos. Mas com o dinheiro efetivamente gasto, caso fosse bem aplicado, poderia beneficiar 1.500 pessoas, ou seja, significa que na pratica, mil ficaram de fora por causa da corrupção. Esses excluídos deixaram de receber um benefício que provavelmente mudaria para melhor suas vidas. Porém, por causa da corrupção, esse potencial aluno poderá ser um futuro delinquente porque não teve oportunidades. Assim, ao invés de construir as bases da formação de cidadãos de bem a corrupção os destrói. Esse mesmo raciocínio serve para outras áreas, como: a saúde, o hospital superfaturado que deixa de fora milhões de necessitados; as estradas superfaturadas que deixam centenas de quilômetros sem pavimentar impedindo o escoamento eficiente da produção de milhares de pequenos produtores, reduzindo a capacidade de geração e multiplicação de riqueza; o saneamento não feito deixa a população vulnerável às doenças, especialmente crianças às verminoses, o que limita a capacidade de aprender e isso compromete sua produtividades no futuro; a infraestrutura superfaturada, exclui da mesma forma outros tantos; e por ai vai...
2) Impede que investimentos produtivos aconteçam. Empresas idôneas não querem associar suas marcas a governos e instituições corruptos, pois isso mais cedo ou mais tarde vai se voltar contra elas, comprometendo sua sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e exigente. Mais uma vez, esses investimentos poderiam empregar muitas pessoas, gerar muitas oportunidades, mas como não foram feitos, muitos dos que seriam beneficiados acabam caindo na marginalidade por falta de chances;
3) Políticas públicas e projetos sociais deixam de ser feitos. A expectativa de ganhos desmedidos, que está na base da corrupção, cega quem persegue se dar bem a qualquer custo. Agentes envolvidos com a corrupção usam todo o seu tempo e energia para “bolar esquemas” em benefício próprio e usam o cargo público para expandir seu patrimônio privado. Assim, deixam de empregar esse tempo e energia para elaborar e implementar políticas em prol do bem estar coletivo. São projetos que deixam de ser feitos, convênios que não se realizam, ações que não se implementam, deixando de beneficiar, da mesma forma, milhões de pessoas;
4) Impossibilita o recebimento de recursos financeiros. Gestores que fazem mal uso do dinheiro público ficam impedidos de ter acesso a várias fontes de recursos que estão disponíveis para serem acessados em diferentes áreas. E o pior, mancham para sempre a instituição que representam, quer seja, uma empresa, um órgão público, um município, um Estado ou o país. Isso estraga o caminho do próximo gestor que vai ficar impedido de buscar esses recursos que, se não fosse pela corrupção, estariam disponíveis e assim mais ações poderiam ser feitas em prol da sociedade;
5) Democratiza a corrupção. Como a ganância não tem limites, o corrupto precisa de toda uma “rede de proteção” que lhe de suporte. Acontece que à medida que a pratica avança esta rede ganha força e acaba “democratizando a corrupção”, que deixar de ser “oligárquica”, isto é , de ficar restrita às altas cúpulas, e passa a alimentar também as bases de apoio – se democratiza. Assim, todas as contas ocultas da corrupção se potencializam.
O resultado de toda essa conta é que a economia e a sociedade não evoluem, pelo contrario, estagnam e retrocedem, portanto, de forma alguma se deve ser tolerável com aquele que “rouba mais faz” pois é o seu presente e o futuro de seus filhos que está em jogo.
(Carolina Savedra, Economista)
terça-feira, 12 de maio de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Só agora souberam
PT-SP expulsa deputado suspeito de elo com o PCC por unanimidade
SÃO PAULO - O comando do diretório estadual do PT de São Paulo decidiu de forma unânime nesta sexta-feira expulsar do partido o deputado estadual Luiz Moura, suspeito de ligação com a organização criminosa PCC. O PT afirmou que a partir desta sexta-feira (4) o deputado não faz mais parte de seu quadro.
O diretório estadual reuniu-se pela manhã e referendou decisão tomada ontem pela Executiva estadual. Os 41 membros do diretório com direito a voto foram à reunião e votaram pela expulsão, em decisão unânime. O PT tenta evitar mais desgaste à imagem do partido e à candidatura de Alexandre Padilha ao governo estadual.
O parlamentar petista foi flagrado em investigação da Polícia Civil, em março, ao participar de reunião de perueiros em que havia suspeitos de integrar o PCC. Moura também é alvo de investigação do Ministério Público Estadual por supostamente participar de lavagem de dinheiro do crime organizado. O deputado foi sócio de uma empresa de transporte de passageiros suspeita de lavar dinheiro para o PCC, segundo apuração coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Moura nega as acusações.
No começo de junho, o PT suspendeu o parlamentar por 60 dias para investigar o caso e negou legenda para que concorresse a um novo mandato como deputado estadual. Diante da gravidade das suspeitas, a executiva estadual decidiu conduzir a investigação.
Moura recorreu à Justiça para concorrer à reeleição e pediu até mesmo a suspensão da convenção do PT, que lançou Alexandre Padilha na disputa estadual. Por via judicial, o deputado conseguiu reverter a decisão do partido, obteve o número 13.800 para concorrer e mantém a campanha por um novo mandato.
Para evitar novas contestações judiciais, o PT deu prazo de 10 dias a partir do dia 18 para que Moura apresentasse sua defesa. O comando do partido disse que Moura não se defendeu da forma adequada e votou pela expulsão.
Além das denúncias de suposta ligação com o PCC, Moura tem um passado conturbado: foi condenado por assalto a dois supermercados em 1993, escapou da cadeia e viveu 10 anos como foragido.
Por Cristiane Agostine | Valor
sábado, 26 de julho de 2014
Abuso das linhas aéreas
Passageiros relatam ao Blog abuso de linha aérea.
Fila e indignação de passageiros no balcão da linha aérea AZUL, no aeroporto de Altamira, Pará. Desespero para tratar de embarcar em uma viagem que começou em Belém no dia 23/07. Primeiro espera de um dia no aeroporto de Belém. O voo para Altamira em Belém devia decolar às 8:00 h, mas o embarque começou às 20:00 h. Depois de uma hora de espera no pátio, os passageiros devem descer e aguardar nova orientação para embarque. Finalmente o voo decola para Altamira 22:00 h. Já os compromissos foram por terra, dinheiro botado fora. Cabe ressaltar que no Município de Altamira está sendo construída uma das maiores obras de engenharia do Brasil.
Hoje devia retornar o avião da Azul para Belém. Não deu pessoal, informou o inocente funcionário da Azul. A aeronave destinada a esta rota quebrou e só amanhã decola. Sábado 10:00h. Dois dias foi o tempo perdido.
Assim que o Brasil constrói a principal obra de energia deste século. Um novo "El Dorado".
Depois o Governo Federal se ofende porque os indignados mandam a tomar naquele lugar. E vai mesmo!
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Alexandre o Grande
Alexandre Padilha candidato ao Governo de São Paulo em visita a obras?
A presidente Dilma Rousseff visitou nesta quinta-feira (8) o estádio do Corinthians, na Zona Leste de São Paulo. A arena será palco da abertura da Copa do Mundo.
Dilma andou pelo gramado, cumprimentou operários e usou um capacete dourado que ganhou de presente.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que a presidente fez um balanço positivo ao visitar o entorno do estádio. “Ela classificou como um dos maiores legados do Brasil para a Copa.”
Mais cedo, logo após chegar a São Paulo, a presidente recebeu representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no Clube dos Metroviários. Ela recebeu pedidos de mais moradias populares do grupo, que tinha realizado ato na cidade contra o lucro de construtoras que realizaram obras para a Copa.
Haddad
O prefeito elogiou a construtora responsável pela obra, a Odebrecht, e o Corinthians pelo estádio. “A Prefeitura e o estado cumpriram todas as suas obrigações. Não temos dúvida de que vai ser uma grande abertura.”
Haddad disse que a IBM o procurou semana passada e anunciou uma planta da empresa em Itaquera com geração de 3 mil postos de trabalho. Ele também acrescentou que o dono de uma pedreira pretende ingressar com projeto de 50 mil empregos na região.
Ele acrescentou que parte das obras não pôde ser liberada nesta semana por conta do término do acesso ao estacionamento. “Na semana que vem todo o viário será liberado, como nós liberamos os túneis, governador Alckmin e eu. A partir da semana todo o viário do entorno liberado, iluminado, ajardinado, Estamos prontos para 12 de junho, com certeza."
G1
Mais cedo, logo após chegar a São Paulo, a presidente recebeu representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no Clube dos Metroviários. Ela recebeu pedidos de mais moradias populares do grupo, que tinha realizado ato na cidade contra o lucro de construtoras que realizaram obras para a Copa.
Haddad
O prefeito elogiou a construtora responsável pela obra, a Odebrecht, e o Corinthians pelo estádio. “A Prefeitura e o estado cumpriram todas as suas obrigações. Não temos dúvida de que vai ser uma grande abertura.”
Haddad disse que a IBM o procurou semana passada e anunciou uma planta da empresa em Itaquera com geração de 3 mil postos de trabalho. Ele também acrescentou que o dono de uma pedreira pretende ingressar com projeto de 50 mil empregos na região.
Ele acrescentou que parte das obras não pôde ser liberada nesta semana por conta do término do acesso ao estacionamento. “Na semana que vem todo o viário será liberado, como nós liberamos os túneis, governador Alckmin e eu. A partir da semana todo o viário do entorno liberado, iluminado, ajardinado, Estamos prontos para 12 de junho, com certeza."
G1
terça-feira, 29 de abril de 2014
Bolsa sobe mais de 1% após divulgação de pesquisa eleitoral; dólar volta a cair a R$ 2,21
Ações da Oi apresentam a maior baixa do pregão após precificação
Units do Santander disparam com oferta de compra de papéis do Santander Brasil
SÃO PAULO - O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, sobe mais de 1% influenciado pelo resultado da pesquisa de avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff, divulgada nesta manhã pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A pesquisa mostrou queda na popularidade da presidente e aumento no percentual dos que desaprovam o governo atual. Mesmo assim, ela lidera as intenções de voto, ficando com 37% das intenções frente aos 43,7% do levantamento anterior.
- A pesquisa confirmou a expectativa do mercado, que é o enfraquecimento de Dilma. A novidade deste levantamento foi o crescimento do pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, de 17% para 21,6% e do pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, de 9,9% para 11,8%. Por isso, os investidores reagem positivamente, já que uma troca de governo, com um candidato mais pró-mercado, é bem vista - diz Pedro Galdi, estrategista da SLW corretora.
Após a divulgação da pesquisa, às 10h30m, o Ibovespa ampliou a alta e chegou a se valorizar 2%. Às 13h15m, o índice ganhava 1,41% aos 52.107 pontos e volume negociado de R$ 3,4 bilhões. A alta é puxada por ações de estatais. O mercado avalia que uma troca de governo seria benéfica à gestão dessas empresas. Os papeis preferenciais (sem direito a voto) da Eletrobras avançam 3,35% a R$ 12,65, enquanto as ordinárias (com direito a voto) sobem 3,27% a R$ 7,95.
Os papéis preferenciais da Petrobras se valorizam 2,65% a R$ 17,01, enquanto as ações ordinárias da petrolífera avançam 2,30% a R$ 16,01. As ações ordinárias do Banco do Brasil sobem 2,30% a R$ 24,00.
Entre as demais blue chips, Vale PN tem alta de 0,48% a R$ 26,89 e Bradesco PN tem ganho de 2,61% a R$ 34,16.
Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco sobem 0,02% a R$ 36,79 depois de ter avançado mais de 1% pela manhã, após o banco divulgar uma alta de 27,3% no lucro do primeiro trimestre na comparação anual. O lucro líquido do primeiro trimestre somou R$ 4,19 bilhões, resultado próximo da média das projeções, que indicavam lucro de R$ 4,262 bilhões.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
O empresário mais querido do Governo Federal, o acidente histórico segundo o BNDES.
OGX levou dez meses para divulgar inviabilidade de campos, diz CVM
Investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aponta que Eike Batista e os administradores da OGX sabiam da inviabilidade comercial de campos da empresa pelo menos 10 meses antes de a petroleira declarar essa condição, em 1 de julho de 2013. Em processo ao qual o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, teve acesso, a CVM aponta que os administradores falharam ao não divulgar ao mercado informações relevantes e que Eike negociou ações de OGX e OSX com informações não públicas e potencialmente negativas para ambas. Ao mesmo tempo, deu declarações otimistas via Twitter.
O ponto central da investigação foi a declaração de inviabilidade econômica dos campos de Tubarão Azul, Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, em 1º de julho de 2013 e que marcou a derrocada da petroleira OGX, culminando com a recuperação judicial.
A CVM diz que, entre 2009 e 2011, a OGX fez uma série de divulgações a respeito do potencial desses campos, sempre com perspectivas positivas. Depois de um comunicado de julho de 2011, a próxima divulgação só ocorreu em março de 2013, quando a petroleira declarou a comercialidade das acumulações Pipeline, Fuji e Illimani, que receberam conjuntamente o nome de Tubarão Areia. Quase três meses depois, fez a já citada declaração de inviabilidade comercial dos quatro campos.
O termo de acusação, elaborado pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da CVM, destaca que essas foram as informações divulgadas pela OGX ao mercado. No entanto ao solicitar esclarecimentos adicionais da petroleira, a autarquia reuniu informações internas da companhia, que não chegaram ao público.
Conforme relatório da área de reservatórios da OGX, de junho de 2013, desde 2011 a empresa já havia analisado as áreas desses campos e concluído preliminarmente que os volumes e a compartimentação eram muito diferentes da interpretação inicial, indicando que a exploração das áreas seria mais complicada que o imaginado inicialmente. Em meados de 2012, a OGX criou um grupo de trabalho, que atuou de 24 de julho até 24 de setembro daquele ano.
A tarefa do grupo era buscar soluções mais baratas para os campos de Tubarão Tigre, Azul, Gato e Areia "em vista da aparente inviabilidade econômica dos campos". Uma segunda missão era investigar a viabilidade do "projeto de desenvolvimento de uma unidade", chamado de WCPP, relacionado à redução de custos e exposição de trabalhadores a riscos operacionais. Em face dessa questão envolvendo a unidade WCPP, a OGX desenvolveu projeto interno e contratou a empresa de engenharia Rameshni & Associates Tecnology Engineering (Rate) para validação e detalhamento do projeto. A Rate concluiu que o projeto resultou em "equipamentos de grandes dimensões e consequentemente elevados custos" e sugeriu que fossem avaliadas outras tecnologias para viabilizá-lo.
O grupo de trabalho fez uma apresentação para a diretoria da OGX em 24 de setembro de 2012. Sobre a apresentação, a autarquia destaca que o grupo apresentou estudo da Schlumberger Serviços de Petróleo. Pelos dados que foram destacados da reunião, a CVM observa que novas estimativas foram mostradas para as a acumulações Pipeline, Fuji e Illimani, referentes ao volume total de óleo na área e o que seria recuperável. Em todos os cenários traçados, o valor presente líquido (VPL) para o projeto era negativo.
Seis meses depois dessa apresentação, em março de 2013, a OGX comunicou que recebeu o reprocessamento da sísmica dos reservatórios localizados nos quatro campos, feito pela empresa CGG Brasil, com dados mais precisos sobre as características da área, "para permitir à OGX uma melhor avaliação do modelo geológico dos campos, tendo em vista comportamentos distintos dos poços perfurados e concluídos para produção". Logo, a CVM avalia que de posse dos estudos de reprocessamento sísmico; do grupo de trabalho; da Schlumberger e da Rate, a gerência executiva de reservatórios da OGX realizou um estudo final que, aparentemente, compilou todos os citados estudos, e apresentou à diretoria da OGX em junho de 2013. A diretoria levou o assunto ao conselho de administração em 28 de junho de 2013 e em 1º de julho foi declarada a inviabilidade econômica.
A área técnica da CVM destaca que, em março de 2013, a OGX divulgou apenas informações sobre o volume total dos campos, sem mencionar o volume recuperável, presente em outros comunicados: "Frise-se, era informação disponível para a companhia, com a consultoria da Schlumberger" no ano anterior. A empresa omitiu a estimativa de volume de óleo recuperável, utilizada para estimar as receitas do projeto, bem como as informações sobre valor presente líquido negativo do projeto - o que já mostrava a inviabilidade econômica dos campos. Ainda que a OGX alegue que as informações seguiam com estudos sobre as áreas "é fato que os resultados trazidos pela Schlumberger e apresentados pelo grupo de trabalho mudavam radicalmente a situação até então divulgada ao mercado e se tratavam de fato relevante".
VALOR - Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Esse é o Cara
Pizzolato tem pedido de liberdade provisória negado
BOLONHA - A Justiça italiana negou nesta sexta-feira o pedido do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no processo do mensalão, de aguardar em liberdade a decisão sobre a sua extradição para o Brasil.
Antes dessa decisão, em uma audiência realizada em Bolonha, Pizzolato informou ao juiz que não pretende voltar ao Brasil.
O fato de Pizzolato ter entrado em território italiano portando documentos falsos, o que pode lhe render uma pena de até três anos, pesou na decisão do juiz. A defesa do ex-diretor do Banco do Brasil tinha alegado que não havia risco de fuga.
Prisão
Foragido desde novembro do ano passado, Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil condenado no processo do mensalão, foi preso na manhã de quarta-feira no norte da Itália.
Numa ação das polícias italiana e brasileira, ele foi detido em Maranello, a 322 quilômetros de Roma, onde vivia na casa de um sobrinho, com passaporte falso em nome de Celso, irmão morto em 1978 em um acidente de carro.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o governo pedirá à Itália a extradição de Pizzolato. No entanto, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a medida é "inócua".
Para Celso de Mello, o pedido é "juridicamente inviável" já que Pizzolato possui cidadania italiana e as leis locais proíbem a extradição de seus cidadãos. Já a Procuradoria-Geral da República considera que existem brechas legais.
A partir de informação da polícia italiana de pedido de cidadania de residente, a Polícia Federal descobriu que Pizzolato havia falsificado documentos. O planejamento da fuga começou em 2007, cinco anos antes dele ser condenado pelo STF a 12 anos e sete meses de prisão pelo envolvimento no esquema do mensalão.
No momento da prisão, o ex-diretor do BB estava com a mulher e tinha 15 mil euros. "Ele jogou o nome da família na lama", disse a tia de Pizzolato no Brasil.
Por Folhapress
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Empresário inovador, a cara do Brasil, vende Hotel que comprou com dinheiro público.
Eike vende Hotel Glória para fundo suíço Acron
Adquirido em 2008 por Eike Batista por cerca de R$ 80 milhões, o Hotel Glória passa por uma ampla reforma que originalmente deveria ficar pronta antes da Copa do Mundo, mas foi adiada e só deve sair em 2015. A obra contou com financiamento de R$ 147 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
SÃO PAULO - O fundo suíço Acron fechou neste sábado a compra do Hotel Glória, no Rio de Janeiro, do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, conforme apurou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.
As negociações com o fundo tiveram início no segundo semestre do ano passado. Na época, o valor da transação foi anunciado em R$ 225 milhões. Nenhum representante do Acron ou da EBX foram localizados para comentar o assunto.
A compra do hotel foi o primeiro negócio do Acron no país. Especializado no setor imobiliário e com controle familiar, o fundo já fez investimentos em mais de 40 propriedades, incluindo hotéis e imóveis comerciais.
Adquirido em 2008 por Eike Batista por cerca de R$ 80 milhões, o Hotel Glória passa por uma ampla reforma que originalmente deveria ficar pronta antes da Copa do Mundo, mas foi adiada e só deve sair em 2015. A obra contou com financiamento de R$ 147 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Por Vinícius Pinheiro | Valor
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Para quem ainda duvida de princípios.... a conferir
sábado, 7 de dezembro de 2013
Na educação Superior Governo Federal da 10 a qualquer governo do passado
UFPA abre concurso para a contratação de mais professores
Tem, entretanto algumas questões que ficam no ar e perguntas que não podem calar.
Quanto gasta o Governo por aluno para financiar bolsas em universidades particulares? Quero saber porque já li que é cerca de 150%, isso significa que por cada R$ 500, reais que o aluno recebe o governo para às universidades privadas R$ 1.250,00.
OPORTUNIDADE
Remuneração é de R$ 8 mil, com jornada de 40 horas semanais
A Universidade Federal do Pará (UFPA) abriu inscrições do concurso público de 16 vagas para professores da carreira do magistério superior e mais cinco vagas para o processo seletivo de professores substitutos. Os editais foram publicados e estão disponíveis no Diário Oficial da União de ontem.
No concurso público nº. 187/2013 as oportunidades são para professores com titulação de doutorado. A remuneração total é de R$ 8.049,77 em jornada de 40 horas semanais, com dedicação exclusiva, para atuar nas seguintes áreas: Instituto de Ciências da Arte - Cenografia e Direção de Arte para Cinema e Audiovisual (1), Expografia (1), Gestão Museológica, Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (1), Produção, Política, Economia e Legislação em Cinema e Audiovisual (1), Teoria e Design do Som e da Música para o Cinema e Audiovisual (1), Anatomia Humana, Movimento e suas Abordagens Fisiológicas Aplicadas à Dança, (1), Sociologia do Teatro (1) e Documentação Museológica (1); Instituto de Ciências Sociais Aplicadas - Gestão de Documentos e Arquivos (3); Núcleo de Altos Estudos Amazônicos - Gestão Pública e Ordenamento Territorial (1) e População e desenvolvimento (1); Campus Universitário de Cametá - Prática e Metodologia do Ensino de Ciências (1), Produção Vegetal (1) e Cartografia - geoprocessamento, sensoreamento remoto, cartografia (1).
Os candidatos devem fazer a inscrição pelo site www.ceps.ufpa.br, do dia 10 de dezembro deste ano até às 18h do dia 9 de fevereiro de 2014. 5 O valor da taxa de inscrição será de R$ 100,00. Poderá requerer isenção da taxa o candidato que estiver inscrito no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e for membro de família de baixa renda, até o dia 30 deste mês. O resultado das isenções deferidas será divulgado no dia 7 de janeiro, no site so Ceps. O concurso constará de prova escrita, didática, memorial, prática e julgamento de títulos.
OPORTUNIDADE
Remuneração é de R$ 8 mil, com jornada de 40 horas semanais
A Universidade Federal do Pará (UFPA) abriu inscrições do concurso público de 16 vagas para professores da carreira do magistério superior e mais cinco vagas para o processo seletivo de professores substitutos. Os editais foram publicados e estão disponíveis no Diário Oficial da União de ontem.
No concurso público nº. 187/2013 as oportunidades são para professores com titulação de doutorado. A remuneração total é de R$ 8.049,77 em jornada de 40 horas semanais, com dedicação exclusiva, para atuar nas seguintes áreas: Instituto de Ciências da Arte - Cenografia e Direção de Arte para Cinema e Audiovisual (1), Expografia (1), Gestão Museológica, Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (1), Produção, Política, Economia e Legislação em Cinema e Audiovisual (1), Teoria e Design do Som e da Música para o Cinema e Audiovisual (1), Anatomia Humana, Movimento e suas Abordagens Fisiológicas Aplicadas à Dança, (1), Sociologia do Teatro (1) e Documentação Museológica (1); Instituto de Ciências Sociais Aplicadas - Gestão de Documentos e Arquivos (3); Núcleo de Altos Estudos Amazônicos - Gestão Pública e Ordenamento Territorial (1) e População e desenvolvimento (1); Campus Universitário de Cametá - Prática e Metodologia do Ensino de Ciências (1), Produção Vegetal (1) e Cartografia - geoprocessamento, sensoreamento remoto, cartografia (1).
Os candidatos devem fazer a inscrição pelo site www.ceps.ufpa.br, do dia 10 de dezembro deste ano até às 18h do dia 9 de fevereiro de 2014. 5 O valor da taxa de inscrição será de R$ 100,00. Poderá requerer isenção da taxa o candidato que estiver inscrito no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e for membro de família de baixa renda, até o dia 30 deste mês. O resultado das isenções deferidas será divulgado no dia 7 de janeiro, no site so Ceps. O concurso constará de prova escrita, didática, memorial, prática e julgamento de títulos.
domingo, 22 de setembro de 2013
Desindustrialização, reprimarização da economia e queda na inovação, quer mais?
Políticas equivocadas para a inovação
Nos últimos anos, o crescimento do Brasil tem se dado com base no aumento do emprego, ao contrário de outros países emergentes, que cresceram aumentando sua produtividade. Dados da Conference Board mostram que entre 2006 e 2011 a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu apenas 2% ao ano, enquanto na média das maiores economias emergentes ela cresceu 6,5%. Além disso, em 2011 a produtividade cresceu 0,7% e as estimativas para 2012 apontam para um crescimento negativo. O que está acontecendo com o Brasil?
Existem duas maneiras para aumentar a produtividade dos trabalhadores de uma economia. A primeira é aumentar a produtividade das firmas existentes, sem alterar suas parcelas de mercado. A outra é deslocar produção e trabalhadores das firmas menos produtivas para as mais produtivas. Surpreendentemente, a segunda tende a ser mais importante na maioria dos casos. Nos EUA, por exemplo, a realocação do emprego para firmas mais produtivas foi responsável por 50% do crescimento recente da produtividade no setor industrial e por 90% no comércio. Mais ainda, a entrada de novas firmas (mais produtivas do que as existentes) tem sido responsável por quase todo o aumento da produtividade no comércio. Assim, o processo de destruição criativa é o que move a economia americana.
Além disso, para aumentar a produtividade de cada firma, é necessário que ela invista em máquinas e equipamentos e inove. A inovação pode ocorrer por conta própria ou pela absorção de novos produtos ou processos desenvolvidos em outras firmas ou países. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) facilitam essa absorção de conhecimento. Assim, os retornos sociais dos investimentos em P&D são maiores do que os privados, pois novos processos descobertos por uma firma podem ser imitados pelas demais. Logo, subsídios do governo aos gastos com P&D são em geral socialmente justificados.
A proporção de empresas inovadoras que realizam gastos com P&D está diminuindo no Brasil
Nos últimos 10 anos, o governo tem lançado várias políticas de incentivo à inovação, como: Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior; Plano de Desenvolvimento Produtivo; Plano Brasil Maior e Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Apesar disso, o número de patentes obtidas por firmas brasileiras é mínimo e o gasto empresarial com P&D muito pequeno. As empresas brasileiras empregam um pesquisador a cada mil trabalhadores; as coreanas empregam dez. Ou seja, apesar de todo o incentivo, as firmas brasileiras privadas investem pouco em P&D e quase não inovam. O que está acontecendo?
A resposta está num artigo publicado recentemente por um dos maiores economistas da atualidade, Daron Acemoglu, em conjunto com outros autores*. Segundo esse artigo, em qualquer mercado existem empresas novas e antigas, inovadoras ou acomodadas. As menos inovadoras tendem a desaparecer; as mais inovadoras tendem a ganhar mercado e crescer. O problema é que mesmo as mais inovadoras envelhecem e podem ser tornar menos inovadoras, acomodando-se. Nos dados americanos, grande parte do crescimento das vendas, do emprego e dos gastos em P&D ocorre nas novas empresas. No Brasil, a maior parte do emprego também é gerado pelas pequenas empresas.
Para aumentar a produtividade da economia, a política industrial deveria incentivar o crescimento das firmas inovadoras e tirar do mercado as firmas que já se acomodaram. Por exemplo, os autores mostram que gastar 5% do PIB para proteger as firmas existentes reduz o crescimento do país em 5% e diminui o bem-estar da sociedade em 0,8% do PIB. Além disso, como parte das empresas já se acomodou, subsidiar o P&D dessas empresas tem efeitos pequenos sobre o crescimento e bem-estar. A política industrial ideal seria taxar as empresas existentes, ao mesmo tempo em que se incentivam os gastos com P&D.
Corta para o caso brasileiro. Nossas políticas dos últimos anos foram exatamente na direção oposta às preconizadas pelos autores. Nossa política industrial, ao proteger o setor industrial estabelecido e a escolha de campeões nacionais pelo BNDES, é exatamente a que se mostra equivocada no artigo. Ao proteger as grandes firmas existentes, o governo está diminuindo a realocação da produção para as firmas novas e mais eficientes, que é o grande motor do crescimento da produtividade e do bem-estar.
Os dados da Pintec coletados pelo IBGE mostram isso claramente. As empresas inovadoras que mais recebem incentivos do governo para gastos em P&D são as grandes empresas (com mais de 500 empregados). Esta proporção dobrou ao longo do tempo (de 8% em 2001/03 para 16% em 2005/08). Como parte dessas empresas já se acomodou, a produtividade dos gastos em P&D é baixa e essa alocação equivocada diminui o crescimento da economia. O resultado é que a proporção de empresas inovadoras que realizam gastos em P&D está diminuindo no Brasil e a produtividade industrial está declinando.
A política industrial correta seria aumentar a abertura da economia, baixando as tarifas de importação e aumentando a concorrência para eliminar as firmas ineficientes. Além disso, seria necessário desburocratizar o processo de criação de novas empresas e simplificar a estrutura tributária para que as pequenas empresas inovadoras possam crescer. Exatamente o contrário do que o governo está fazendo. Os resultados estão aí para todos verem.
* Innovation, Reallocation and Growth, NBER working paper número 18993
Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP e escreve mensalmente às sextas-feiras. naercioamf@insper.edu.br
domingo, 25 de agosto de 2013
Mais PT envolvido em rolo com propina de empresa
Petista teria oferecido propina em nome da Oi
Acusação contra o deputado Vicente Cândido (SP) foi feita pela revista 'Veja'
O conselheiro da Anatel que teria recebido a oferta esteve duas vezes em seu gabinete, afirma a publicação
O deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) é acusado de oferecer propina a um conselheiro da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para que a empresa Oi fosse beneficiada com a redução de multas pendentes com o órgão.
De acordo com reportagem da revista "Veja", o parlamentar se reuniu em Brasília com Marcelo Bechara, um dos conselheiros da Anatel, para tratar do tema.
No encontro, realizado no gabinete do deputado, sempre segundo a revista, Cândido ofereceu propina a Bechara para que ele atuasse a favor da Oi, companhia de telecomunicações que tem dívidas com a Anatel avaliadas em mais de R$ 10 bilhões.
A Anatel, responsável por regulamentar e fiscalizar as empresas do setor, discute no momento se as companhias poderão usar parte dinheiro que seria destinado a honrar o débito para fazer novos investimentos.
À revista, Cândido admitiu ter perguntado a Bechara "se ele tinha honorários". O deputado, ainda de acordo com a "Veja", confirmou ter atuado a favor da Oi, já que diz ser amigo de importantes sócios da empresa, mas afirmou não receber por isso.
Bechara, que disse à revista ter estranhado a "abordagem" do deputado, voltou ao gabinete para uma segunda reunião, afirma a publicação.
A fusão da Oi com a Brasil Telecom, um dos maiores negócios da história do setor, ocorreu em 2008 com o apoio do governo Lula, simpático com a ideia de uma grande tele nacional.
Ontem, a companhia soltou nota sobre o assunto: "a Oi refuta qualquer ilação de que haja atuação de terceiros em seu nome no âmbito da Anatel. A empresa desautoriza qualquer pessoa que tente atuar indevidamente em seu nome em atos que estejam em desacordo com a lei e princípios éticos".
Procurados ontem pela Folha, Vicente Cândido e Marcelo Bechara não foram encontrados.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
domingo, 28 de julho de 2013
'TV Folha' traz lavradores que perderam terras para empresário mais querido da era Lula/Dilma
'TV Folha' traz lavradores que perderam terras para Eike
Programa discute ainda os problemas ocorridos durante a visita do papa ao Brasil e a transferência dos bens da Fundação Sarney
O "TV Folha" deste domingo, que vai ao ar na TV Cultura às 19h30, com reprise às 23h, traz a história de centenas de pequenos agricultores que tiveram de deixar suas terras para dar lugar ao Porto do Açu, megaempreendimento do empresário Eike Batista em São João da Barra (RJ).
O projeto, que previa a construção de uma siderúrgica, cimenteiras e um polo ferroviário, ainda não saiu do papel. Agora, as famílias desapropriadas querem as terras de volta. A polêmica ocorre em meio aos problemas de Eike, que viu sua fortuna encolher de US$ 34 bilhões para cerca de US$ 200 milhões.
O programa traz um especial sobre a passagem do papa pelo país. Os jornalistas Daniela Lima e Mario Cesar Carvalho discutem o saldo da visita, cuja marca foi a desorganização. Pane no metrô, erro no trajeto do pontífice e cancelamento de atividades estiveram entre os problemas.
A visita do papa também foi marcada por protestos contra o governador Sérgio Cabral (RJ) e pelos direitos dos homossexuais e das mulheres. O programa traz a Marcha das Vadias, organizada em meio aos eventos da Jornada.
O colunista Xico Sá ouve as confissões de cariocas durante a estadia de Francisco. E José Simão comenta os "milagres" do papa no Brasil.
Outra reportagem mostra que o Ministério Público investiga a transferência de bens da antiga Fundação Sarney, criada para preservar a memória do ex-presidente, a outra entidade, financiada com dinheiro público. A suspeita é de irregularidade na transferência: o setor público paga para manter um acervo que pertence aos Sarney.
O desembargador aposentado Fernando Belfort, responsável pela liquidação da fundação, diz que o procedimento obedeceu à legislação.
DE SÃO PAULO
sábado, 20 de julho de 2013
Empresário bem sucedido da era LULA/DILMA, viveu às costas de incentivos fiscais para produzir commodities.
"Se pudesse voltar atrás, não recorreria ao mercado"
Filho de Eliezer Batista que se enriqueceu aproveitando seus cargos nos governos da ditadura, continuou sua carreira amparado nos governos Lula/Dilma, com recursos do BNDES para desenvolver empresas de commodities, nos setores da mineração e petróleo.
Esta tem sido o eixo do desenvolvimento brasileiro nos últimos 10 anos, basear seu crescimento na produção de commodities, o que tem feito do Brasil um país campeão da reprimarização da economia.
VEJA o artigo do Playboy Batista.
Ao longo dos últimos meses, decidi que não me pronunciaria sobre a avalanche que se abateu sobre minha vida privada e principalmente sobre meus negócios. Mudei de ideia nos últimos dias diante da grande insistência de amigos próximos e alguns de meus executivos. Venho a público então submeter à reflexão aspectos que têm passado em branco quando se analisa minha trajetória empresarial.
Eu me tornei um empreendedor ainda no início dos anos 80, quando me aventurei no garimpo da Amazônia. Aprendi bastante em regiões de fronteira, ambientes hostis à atividade produtiva, enormes dificuldades de toda ordem para transportar equipamentos, surtos de malária que me obrigaram a substituir equipes inteiras da noite para o dia, o desafio de extrair minério em locais quase inacessíveis e meu próprio questionamento em torno das possibilidades de êxito diante das adversidades que se apresentavam. Acabei por me tornar proprietário de minas em diversos países e decidi estabelecer-me em definitivo no Brasil e me desfazer das participações que detinha na área de mineração.
Muitas vezes as pessoas imaginam que surgi do nada, em meio a uma febre desenfreada de aberturas de capital, e que surfei na onda de um mercado em alta que, sem qualquer razão aparente, me ofereceu um cheque em branco com algumas dezenas de bilhões para que eu pudesse brincar de empreender. Nestes últimos anos aprendi muito, errei e acertei em diversos projetos contribuindo para geração de riqueza para terceiros, para mim e principalmente para investidores. Se algum dia mereci a confiança do mercado, foi porque havia uma trajetória de mais de 30 anos de muito trabalho, desafios superados, sucesso e uma capacidade comprovada de cumprir compromissos.
Como entendo que a OGX está na origem da crise de credibilidade que se abateu sobre meu nome e que acabou por turvar as realizações e conquistas de empresas como MPX, MMX e LLX, começo por ela.
O que aconteceu desde que ficou claro que a OGX não estaria apta a apresentar os resultados que um dia pareceu possível alcançar? Eu me tornei de repente um aventureiro inconsequente que arregimenta recursos para seu próprio benefício e não se importa se entregará o que havia anunciado? Hoje é difícil lembrar, mas a OGX foi construída por algumas das cabeças coroadas por décadas de serviços prestados a empresas de renome. Eu não investi na indústria do petróleo sem me cercar daqueles que eu e o mercado entendíamos estar entre os mais capacitados profissionais com que se podia contar. Ao arrematar os campos que arrematou, a expectativa em torno da OGX era altíssima. Esta mesma expectativa parecia uma irrelevância diante dos prognósticos que recebi de diversas empresas independentes no mercado do petróleo. Uma delas foi a DeGolyer & MacNaughton (D&M). De acordo com um relatório divulgado em 2011, auditado por empresas independentes de renome internacional, a OGX possuiria recursos aproximados de 10,8 bilhões de barris de petróleo equivalente (incluídos recursos contingenciais e prospectivos). Meu corpo técnico me reafirmava, dia após dia, a mesma coisa. Minhas empresas eram auditadas por três das maiores agências de risco do mundo, e nunca uma delas veio a mim ou a público alertar que não era bem assim.
Evidentemente, eu estava extasiado com as informações que me chegavam. Podia tê-las guardado para mim? Não, eu era o controlador de uma companhia de capital aberto e o que fiz foi compartilhar todo aquele esplendor e respectivos desafios com o mercado, além dos riscos envolvidos e chances de sucesso neste negócio de tão alto risco.
Tive ofertas para vender fatias expressivas ou mesmo o controle da OGX a partir de um valuation de 30 bilhões de dólares. Há dois anos, coloquei mais um bilhão de dólares do meu bolso na companhia. Eu perdi e venho perdendo bilhões de dólares com a OGX. Alguém que deseja iludir o próximo faz isso a um custo de bilhões de dólares? Se eu quisesse, poderia ter realizado uma venda programada de 100 milhões de dólares por semestre ao longo de 5 anos. Eu teria embolsado 5 bilhões de dólares e ainda assim permaneceria no controle da OGX. Mas não o fiz. Quem mais perdeu com a derrocada no valor da OGX foi um acionista: Eike Batista. Ninguém perdeu tanto quanto eu, e é justo que assim seja. Eu investi em um negócio de risco. É injusto e inaceitável, por outro lado, ouvir que induzi deliberadamente alguém a acreditar num sonho ou numa fantasia. Quem mais acreditou na OGX fui eu. Continuo acreditando e por isso estamos, nestes últimos meses, reinventando a companhia. Não desistirei deste desafio.
A OGX tem sido alvo de todo tipo de movimento especulativo, com vendas a descoberto no mercado e vazamentos de informações (falsas ou verdadeiras) numa escala sem precedentes e totalmente irresponsável. Muita gente ganhou dinheiro com a OGX por conta de toda esta excessiva especulação. Muitos também têm perdido dinheiro assim.
Sou solidário com os investidores que acreditaram na OGX em sua origem e que me honraram com sua confiança naquele momento ou mesmo depois, quando parecia que a companhia entregaria resultados de grande magnitude. O que posso dizer a essas pessoas é que acreditei neste cenário tanto quanto elas. Investi e continuo investindo quase todo meu patrimônio, tempo e dedicação na OGX e nas demais empresas X. E lamento profundamente não ver confirmados os prognósticos de consultorias de renome, auditados por agências de idêntico renome e referendados por executivos de renome.
Sou um otimista incorrigível em relação a meu país, a meus negócios e às pessoas que me cercam. Ao longo de minha atividade empresarial, os êxitos e conquistas superaram largamente fracassos e erros. Mas os fracassos aconteceram e eu nunca os escondi. Tive experiências mal sucedidas com a fabricação de jipes, com uma empresa concebida para concorrer com os Correios, com algumas minas fora do Brasil das quais tive de abrir mão por fatores diversos. Mas eu nunca deixei de ser transparente, pagar ninguém e nem de honrar meus compromissos. Sempre mirei atividades de alto risco com possibilidades de elevados retornos para parceiros e acionistas. Mineração é uma atividade de risco. Extração de petróleo é uma atividade de alto risco. As promessas de retorno são elevadas, num caso e noutro, mas o risco é grande. Isso jamais foi escondido, faço questão de pontuar novamente.
Mais do que ninguém, me pergunto onde errei. O que deveria ter feito de diferente? Uma primeira questão talvez esteja ligada ao modelo de financiamento que escolhi para as empresas. Hoje, se pudesse voltar no tempo, não teria recorrido ao mercado de ações. Eu teria estruturado um private equity que me permitisse criar do zero e desenvolver ao longo de pelo menos 10 anos cada companhia. E todas permaneceriam fechadas até que eu estivesse seguro de que havia chegado o momento de abrir o capital. Nos projetos que concebi, o tempo se revelou fator de estresse vital para a reversão de expectativas sobre companhias que ostentam resultados amplamente satisfatórios e possuem ativos valiosos.
Nos casos de MPX, MMX e LLX, a depreciação do valor de mercado é claramente incompatível com o que têm a oferecer. Estes últimos investimentos que efetuei tiveram como importante motivação contribuir para um Brasil mais competitivo, estruturado logisticamente e capaz de proporcionar um futuro melhor para o conjunto de sua população. A MPX possui a maior carteira de projetos licenciados do país. Ela se tornou modelo no conceito de térmicas ao longo da costa e gera hoje 2 mil megawatts, o suficiente para alimentar a cidade do Rio de Janeiro. Em pleno cenário de crise energética, foi dito publicamente por um membro da Aneel que, graças à MPX, não haveria apagão ou racionamento de energia. A MMX já produz 7 milhões de toneladas anuais de minério de ferro e conta com um ativo de importância estratégica vital, o Porto do Sudeste. Graças a ele será possível extrair minério de ferro de Minas Gerais e exportar a partir do quadrilátero ferrífero com ampla repercussão para a logística e para a balança comercial. A LLX conta com o Porto do Açu, polo industrial para os setores de petróleo e para o transporte de cargas em geral e a granel. É um porto-indústria que revela, em escala crescente, sua capacidade de atrair novas parceiras para sua retroárea de aproximadamente 90 km2. Dentre as empresas que já se instalaram ou estão se instalando no Açu, estão Technip, National Oilwell Varco (NOV), BP, GE, Wartsila e Vallourec, todas grandes corporações internacionais que acreditam nos meus negócios e no Brasil.
As pessoas ainda comentam que sou o cara do papel, do power point. Por que não visitam o Porto do Açu? Por que não visitam o Porto do Sudeste? Por que não visitam as plantas da MPX? É justamente o oposto do que se tem falado: sou o cara da economia real, que, mesmo com muitos obstáculos, coloca as coisas de pé. No pico das obras de meus empreendimentos, 30 mil pessoas estavam empregadas tornando concreto o que até então eram apenas sonhos. Isso é papel? Trinta mil pessoas em atividade? Eu realmente gostaria que todos os que duvidam de minha capacidade de entregar pudessem visitar o Porto do Sudeste e o Porto do Açu e as térmicas da MPX já em operação. É um convite que gostaria de fazer a todos. São empreendimentos para o Brasil, para o futuro do país. Meu sentimento é de que, em pouco tempo, as pessoas vão olhar para trás e pensar que pude oferecer minha contribuição ao desenvolvimento do sistema logístico brasileiro. Coloquei 2 bilhões de dólares do meu bolso na construção de um estaleiro por acreditar nas encomendas da OGX. No total, investi mais de 4 bilhões de dólares em recursos próprios nas empresas X.
Tomei a decisão de reestruturar o controle das companhias. Faço isso com a certeza de que tenho um legado a deixar ao país, e não abrirei mão de colaborar na condição de acionista relevante em cada companhia. Honrarei todos os meus compromissos. Não deixarei de pagar um único centavo de cada dívida que contraí. Acredito no meu país e nunca desistirei de investir recursos próprios em ativos que contribuem para toda a sociedade.
Eu me enxergo e continuarei a me enxergar como um parceiro do Brasil. Acho que cumpri esse papel ao conceber e entregar projetos que terão uma importância crucial nas próximas décadas. Falhei e decepcionei muitas pessoas, em especial por conta da reversão de expectativas da OGX. Esta reversão contaminou todo o Grupo X e acarretou um déficit de credibilidade com o qual nunca me deparei em minha trajetória. Mas o fato é que fui tão surpreendido quanto cada um de meus investidores, colaboradores e todo o mercado. Esta é a verdade. Hoje me sinto frustrado por não ter sido capaz de entregar o que eu mesmo esperava nos casos da OGX e da OSX, esta última concebida em parte para oferecer suporte à primeira em suas atividades. Mas acredito que a OGX reestruturada se tornará um player relevante no setor em que atua, assim como confio numa OSX redimensionada a partir de um novo cenário.
Sempre agi de boa-fé e sempre o farei. Acho que era isso o que mais gostaria de dizer e que, assim espero, sintetiza meu percurso empresarial nos últimos cinco anos. Com minha estrutura de capital equacionada, continuarei a empreender e tenho convicção de que ainda vou gerar riqueza novamente e deixar um país melhor com estes ativos que criei do zero. Eu talvez faça isso agora sem o mesmo peito aberto de antes. Talvez tenha confiado demais em pessoas que não mereciam esta confiança, ainda que no final a responsabilidade seja toda minha. Com certeza eu também não me submeteria à exposição pública excessiva de tempos recentes, da qual me arrependo sobretudo por haver exposto igualmente minha família e meus amigos a uma curiosidade indesejada.
O orgulho de erguer do nada tantas empresas em tempo tão curto me colocou no centro do palco e eu me vi como o porta-voz de um novo empreendedor, que não tem vergonha de expor suas conquistas e mostrar que é possível gerar riqueza e ao mesmo tempo contribuir com o desenvolvimento do país. Tenho consciência de que fui um símbolo para as pessoas, a representação de um Brasil que prospera, que dá certo e está preparado para desempenhar um papel de preponderância global. A destruição de valor dos meus negócios colocou por terra talvez o sonho de muita gente que acreditou na possibilidade de partir do zero e se tornar um empreendedor de sucesso. Espero que elas procurem enxergar o que deu certo em minha trajetória e peço que esperem alguns anos para uma avaliação mais definitiva do que terei sido capaz de construir com o apoio dos que acreditaram e dos que ainda acreditam em mim. Houve muitos acertos e eles ficarão mais evidentes em tempo não tão longo. Não me refiro apenas aos negócios propriamente ditos. Nestes últimos cinco anos, apoiei causas de naturezas diversas, que me levaram a investir centenas de milhões de reais próprios em projetos de interesse público e social ou mesmo de caráter humanitário, principalmente na Cidade do Rio de Janeiro, o que hoje é esquecido por muitos. Isso eu faria e farei novamente se estiver a meu alcance.
Nos últimos meses, meu obituário empresarial tem ocupado as páginas de blogs, jornais e revistas. Só posso dizer que me vejo muito longe deste Eike aposentado. Tenho 57 anos e muita energia para arregaçar mangas e tirar do papel novos projetos. Sou um empreendedor brasileiro, acredito no que faço, amo meu país. A cada dia, minha cabeça fervilha com ideias novas, que nascem do nada e tomam forma aos poucos. Eu me alimento desta capacidade de sonhar e de realizar. Empreender está no meu sangue, no meu DNA. É minha fonte inesgotável de energia e de vida.
O empresário Eike Batista é presidente e controlador do grupo EBX
Esta tem sido o eixo do desenvolvimento brasileiro nos últimos 10 anos, basear seu crescimento na produção de commodities, o que tem feito do Brasil um país campeão da reprimarização da economia.
VEJA o artigo do Playboy Batista.
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Eike: “Continuo acreditando na OGX e estamos reinventando a companhia” |
Ao longo dos últimos meses, decidi que não me pronunciaria sobre a avalanche que se abateu sobre minha vida privada e principalmente sobre meus negócios. Mudei de ideia nos últimos dias diante da grande insistência de amigos próximos e alguns de meus executivos. Venho a público então submeter à reflexão aspectos que têm passado em branco quando se analisa minha trajetória empresarial.
Eu me tornei um empreendedor ainda no início dos anos 80, quando me aventurei no garimpo da Amazônia. Aprendi bastante em regiões de fronteira, ambientes hostis à atividade produtiva, enormes dificuldades de toda ordem para transportar equipamentos, surtos de malária que me obrigaram a substituir equipes inteiras da noite para o dia, o desafio de extrair minério em locais quase inacessíveis e meu próprio questionamento em torno das possibilidades de êxito diante das adversidades que se apresentavam. Acabei por me tornar proprietário de minas em diversos países e decidi estabelecer-me em definitivo no Brasil e me desfazer das participações que detinha na área de mineração.
Muitas vezes as pessoas imaginam que surgi do nada, em meio a uma febre desenfreada de aberturas de capital, e que surfei na onda de um mercado em alta que, sem qualquer razão aparente, me ofereceu um cheque em branco com algumas dezenas de bilhões para que eu pudesse brincar de empreender. Nestes últimos anos aprendi muito, errei e acertei em diversos projetos contribuindo para geração de riqueza para terceiros, para mim e principalmente para investidores. Se algum dia mereci a confiança do mercado, foi porque havia uma trajetória de mais de 30 anos de muito trabalho, desafios superados, sucesso e uma capacidade comprovada de cumprir compromissos.
Como entendo que a OGX está na origem da crise de credibilidade que se abateu sobre meu nome e que acabou por turvar as realizações e conquistas de empresas como MPX, MMX e LLX, começo por ela.
O que aconteceu desde que ficou claro que a OGX não estaria apta a apresentar os resultados que um dia pareceu possível alcançar? Eu me tornei de repente um aventureiro inconsequente que arregimenta recursos para seu próprio benefício e não se importa se entregará o que havia anunciado? Hoje é difícil lembrar, mas a OGX foi construída por algumas das cabeças coroadas por décadas de serviços prestados a empresas de renome. Eu não investi na indústria do petróleo sem me cercar daqueles que eu e o mercado entendíamos estar entre os mais capacitados profissionais com que se podia contar. Ao arrematar os campos que arrematou, a expectativa em torno da OGX era altíssima. Esta mesma expectativa parecia uma irrelevância diante dos prognósticos que recebi de diversas empresas independentes no mercado do petróleo. Uma delas foi a DeGolyer & MacNaughton (D&M). De acordo com um relatório divulgado em 2011, auditado por empresas independentes de renome internacional, a OGX possuiria recursos aproximados de 10,8 bilhões de barris de petróleo equivalente (incluídos recursos contingenciais e prospectivos). Meu corpo técnico me reafirmava, dia após dia, a mesma coisa. Minhas empresas eram auditadas por três das maiores agências de risco do mundo, e nunca uma delas veio a mim ou a público alertar que não era bem assim.
Evidentemente, eu estava extasiado com as informações que me chegavam. Podia tê-las guardado para mim? Não, eu era o controlador de uma companhia de capital aberto e o que fiz foi compartilhar todo aquele esplendor e respectivos desafios com o mercado, além dos riscos envolvidos e chances de sucesso neste negócio de tão alto risco.
Tive ofertas para vender fatias expressivas ou mesmo o controle da OGX a partir de um valuation de 30 bilhões de dólares. Há dois anos, coloquei mais um bilhão de dólares do meu bolso na companhia. Eu perdi e venho perdendo bilhões de dólares com a OGX. Alguém que deseja iludir o próximo faz isso a um custo de bilhões de dólares? Se eu quisesse, poderia ter realizado uma venda programada de 100 milhões de dólares por semestre ao longo de 5 anos. Eu teria embolsado 5 bilhões de dólares e ainda assim permaneceria no controle da OGX. Mas não o fiz. Quem mais perdeu com a derrocada no valor da OGX foi um acionista: Eike Batista. Ninguém perdeu tanto quanto eu, e é justo que assim seja. Eu investi em um negócio de risco. É injusto e inaceitável, por outro lado, ouvir que induzi deliberadamente alguém a acreditar num sonho ou numa fantasia. Quem mais acreditou na OGX fui eu. Continuo acreditando e por isso estamos, nestes últimos meses, reinventando a companhia. Não desistirei deste desafio.
A OGX tem sido alvo de todo tipo de movimento especulativo, com vendas a descoberto no mercado e vazamentos de informações (falsas ou verdadeiras) numa escala sem precedentes e totalmente irresponsável. Muita gente ganhou dinheiro com a OGX por conta de toda esta excessiva especulação. Muitos também têm perdido dinheiro assim.
Sou solidário com os investidores que acreditaram na OGX em sua origem e que me honraram com sua confiança naquele momento ou mesmo depois, quando parecia que a companhia entregaria resultados de grande magnitude. O que posso dizer a essas pessoas é que acreditei neste cenário tanto quanto elas. Investi e continuo investindo quase todo meu patrimônio, tempo e dedicação na OGX e nas demais empresas X. E lamento profundamente não ver confirmados os prognósticos de consultorias de renome, auditados por agências de idêntico renome e referendados por executivos de renome.
Sou um otimista incorrigível em relação a meu país, a meus negócios e às pessoas que me cercam. Ao longo de minha atividade empresarial, os êxitos e conquistas superaram largamente fracassos e erros. Mas os fracassos aconteceram e eu nunca os escondi. Tive experiências mal sucedidas com a fabricação de jipes, com uma empresa concebida para concorrer com os Correios, com algumas minas fora do Brasil das quais tive de abrir mão por fatores diversos. Mas eu nunca deixei de ser transparente, pagar ninguém e nem de honrar meus compromissos. Sempre mirei atividades de alto risco com possibilidades de elevados retornos para parceiros e acionistas. Mineração é uma atividade de risco. Extração de petróleo é uma atividade de alto risco. As promessas de retorno são elevadas, num caso e noutro, mas o risco é grande. Isso jamais foi escondido, faço questão de pontuar novamente.
Mais do que ninguém, me pergunto onde errei. O que deveria ter feito de diferente? Uma primeira questão talvez esteja ligada ao modelo de financiamento que escolhi para as empresas. Hoje, se pudesse voltar no tempo, não teria recorrido ao mercado de ações. Eu teria estruturado um private equity que me permitisse criar do zero e desenvolver ao longo de pelo menos 10 anos cada companhia. E todas permaneceriam fechadas até que eu estivesse seguro de que havia chegado o momento de abrir o capital. Nos projetos que concebi, o tempo se revelou fator de estresse vital para a reversão de expectativas sobre companhias que ostentam resultados amplamente satisfatórios e possuem ativos valiosos.
Nos casos de MPX, MMX e LLX, a depreciação do valor de mercado é claramente incompatível com o que têm a oferecer. Estes últimos investimentos que efetuei tiveram como importante motivação contribuir para um Brasil mais competitivo, estruturado logisticamente e capaz de proporcionar um futuro melhor para o conjunto de sua população. A MPX possui a maior carteira de projetos licenciados do país. Ela se tornou modelo no conceito de térmicas ao longo da costa e gera hoje 2 mil megawatts, o suficiente para alimentar a cidade do Rio de Janeiro. Em pleno cenário de crise energética, foi dito publicamente por um membro da Aneel que, graças à MPX, não haveria apagão ou racionamento de energia. A MMX já produz 7 milhões de toneladas anuais de minério de ferro e conta com um ativo de importância estratégica vital, o Porto do Sudeste. Graças a ele será possível extrair minério de ferro de Minas Gerais e exportar a partir do quadrilátero ferrífero com ampla repercussão para a logística e para a balança comercial. A LLX conta com o Porto do Açu, polo industrial para os setores de petróleo e para o transporte de cargas em geral e a granel. É um porto-indústria que revela, em escala crescente, sua capacidade de atrair novas parceiras para sua retroárea de aproximadamente 90 km2. Dentre as empresas que já se instalaram ou estão se instalando no Açu, estão Technip, National Oilwell Varco (NOV), BP, GE, Wartsila e Vallourec, todas grandes corporações internacionais que acreditam nos meus negócios e no Brasil.
As pessoas ainda comentam que sou o cara do papel, do power point. Por que não visitam o Porto do Açu? Por que não visitam o Porto do Sudeste? Por que não visitam as plantas da MPX? É justamente o oposto do que se tem falado: sou o cara da economia real, que, mesmo com muitos obstáculos, coloca as coisas de pé. No pico das obras de meus empreendimentos, 30 mil pessoas estavam empregadas tornando concreto o que até então eram apenas sonhos. Isso é papel? Trinta mil pessoas em atividade? Eu realmente gostaria que todos os que duvidam de minha capacidade de entregar pudessem visitar o Porto do Sudeste e o Porto do Açu e as térmicas da MPX já em operação. É um convite que gostaria de fazer a todos. São empreendimentos para o Brasil, para o futuro do país. Meu sentimento é de que, em pouco tempo, as pessoas vão olhar para trás e pensar que pude oferecer minha contribuição ao desenvolvimento do sistema logístico brasileiro. Coloquei 2 bilhões de dólares do meu bolso na construção de um estaleiro por acreditar nas encomendas da OGX. No total, investi mais de 4 bilhões de dólares em recursos próprios nas empresas X.
Tomei a decisão de reestruturar o controle das companhias. Faço isso com a certeza de que tenho um legado a deixar ao país, e não abrirei mão de colaborar na condição de acionista relevante em cada companhia. Honrarei todos os meus compromissos. Não deixarei de pagar um único centavo de cada dívida que contraí. Acredito no meu país e nunca desistirei de investir recursos próprios em ativos que contribuem para toda a sociedade.
Eu me enxergo e continuarei a me enxergar como um parceiro do Brasil. Acho que cumpri esse papel ao conceber e entregar projetos que terão uma importância crucial nas próximas décadas. Falhei e decepcionei muitas pessoas, em especial por conta da reversão de expectativas da OGX. Esta reversão contaminou todo o Grupo X e acarretou um déficit de credibilidade com o qual nunca me deparei em minha trajetória. Mas o fato é que fui tão surpreendido quanto cada um de meus investidores, colaboradores e todo o mercado. Esta é a verdade. Hoje me sinto frustrado por não ter sido capaz de entregar o que eu mesmo esperava nos casos da OGX e da OSX, esta última concebida em parte para oferecer suporte à primeira em suas atividades. Mas acredito que a OGX reestruturada se tornará um player relevante no setor em que atua, assim como confio numa OSX redimensionada a partir de um novo cenário.
Sempre agi de boa-fé e sempre o farei. Acho que era isso o que mais gostaria de dizer e que, assim espero, sintetiza meu percurso empresarial nos últimos cinco anos. Com minha estrutura de capital equacionada, continuarei a empreender e tenho convicção de que ainda vou gerar riqueza novamente e deixar um país melhor com estes ativos que criei do zero. Eu talvez faça isso agora sem o mesmo peito aberto de antes. Talvez tenha confiado demais em pessoas que não mereciam esta confiança, ainda que no final a responsabilidade seja toda minha. Com certeza eu também não me submeteria à exposição pública excessiva de tempos recentes, da qual me arrependo sobretudo por haver exposto igualmente minha família e meus amigos a uma curiosidade indesejada.
O orgulho de erguer do nada tantas empresas em tempo tão curto me colocou no centro do palco e eu me vi como o porta-voz de um novo empreendedor, que não tem vergonha de expor suas conquistas e mostrar que é possível gerar riqueza e ao mesmo tempo contribuir com o desenvolvimento do país. Tenho consciência de que fui um símbolo para as pessoas, a representação de um Brasil que prospera, que dá certo e está preparado para desempenhar um papel de preponderância global. A destruição de valor dos meus negócios colocou por terra talvez o sonho de muita gente que acreditou na possibilidade de partir do zero e se tornar um empreendedor de sucesso. Espero que elas procurem enxergar o que deu certo em minha trajetória e peço que esperem alguns anos para uma avaliação mais definitiva do que terei sido capaz de construir com o apoio dos que acreditaram e dos que ainda acreditam em mim. Houve muitos acertos e eles ficarão mais evidentes em tempo não tão longo. Não me refiro apenas aos negócios propriamente ditos. Nestes últimos cinco anos, apoiei causas de naturezas diversas, que me levaram a investir centenas de milhões de reais próprios em projetos de interesse público e social ou mesmo de caráter humanitário, principalmente na Cidade do Rio de Janeiro, o que hoje é esquecido por muitos. Isso eu faria e farei novamente se estiver a meu alcance.
Nos últimos meses, meu obituário empresarial tem ocupado as páginas de blogs, jornais e revistas. Só posso dizer que me vejo muito longe deste Eike aposentado. Tenho 57 anos e muita energia para arregaçar mangas e tirar do papel novos projetos. Sou um empreendedor brasileiro, acredito no que faço, amo meu país. A cada dia, minha cabeça fervilha com ideias novas, que nascem do nada e tomam forma aos poucos. Eu me alimento desta capacidade de sonhar e de realizar. Empreender está no meu sangue, no meu DNA. É minha fonte inesgotável de energia e de vida.
O empresário Eike Batista é presidente e controlador do grupo EBX
segunda-feira, 15 de julho de 2013
É tanta promessa, cada dia uma nova...
No rádio, Dilma promete tornar semiárido região produtiva
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff aproveitou seu programa semanal de rádio para explicar na manhã desta segunda-feira o funcionamento do Plano Safra do Semiárido, lançado na última semana, e o Plano Safra da Agricultura Familiar, anunciado anteriormente.
“Nós queremos e temos certeza que podemos tornar o semiárido uma região produtiva, gerando trabalho e renda para os agricultores o ano inteiro. As populações que vivem nas regiões semiáridas do nosso país não podem ficar condenadas a sofrer perdas e passar tantas dificuldades a cada estiagem”, disse a presidente ao comentar o plano voltado para atender a região mais fortemente atingida pela seca. “Estamos criando as condições para o semiárido nordestino conviver de fato com a seca”, enfatizou a presidente.
A presidente afirmou também que o Plano Safra da Agricultura Familiar é “importante para o desenvolvimento harmonioso” da sociedade e destacou a segurança e proteção aos pequenos agricultores com a execução do programa, sobretudo ao garantir a comercialização da safra. “Com a agricultura familiar, nós ampliamos a produção sustentável de alimentos para todos os brasileiros. São produtos de qualidade”, disse Dilma.
A presidente disse que o Plano Safra da Agricultura Familiar totalizará R$ 21 bilhões para financiamento, custeio e investimentos do setor. Já o Plano Safra do Semiárido prevê R$ 7 bilhões para financiamento do custeio da safra 2013/2014.
(Bruno Peres | Valor)
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