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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Indústria automotriz, Exportação cresce, mas seu futuro está sob risco


Os dirigentes da indústria automobilística orgulham-se de seus novos contratos de exportação. Entre os mais recentes, caminhões fabricados pela Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo serão usados para transportar água em minas de Serra Leoa. 


 Nas montadoras de automóveis, as equipes de vendas comemoram o fato de os chilenos, antes fiéis aos carros importados da Ásia, começarem a gostar também dos modelos brasileiros. O novo impulso da exportação, que já absorve quase 30% da produção de veículos no Brasil, levou a indústria a elevar projeções para o ano. Mas a falta de competitividade brasileira, alerta Olivier Murguet, presidente da Renault na América Latina (na foto), coloca em risco esse potencial. Devido a essa debilidade no Brasil, a direção da Renault já começa a pensar em trocar parte da exportação feita hoje a partir da fábrica do Paraná pela de Medellín, na Colômbia. 

Da linha de produção que a Renault possui na cidade colombiana sai o Duster, veículo fabricado também no Brasil. Segundo Murguet, os cáculos mostram que exportar o Duster a partir de Medellín para alguns países latino-americanos abastecidos hoje pelo Brasil vai sair mais barato. "Apesar de ter aumentado bastante, a exportação brasileira de veículos continua frágil. Perde na concorrência para a Colômbia e, principalmente, para o México em termos de impostos, logística e mão de obra", destaca Murguet. Para o executivo, a capacidade de exportar está atrelada ao que acontece na atividade brasileira. "Somente a retomada econômica será capaz de garantir o aumento da produtividade que precisamos para manter a exportação", diz. "Não se constrói um futuro para a indústria automobilística no Brasil só com exportação", afirma. Apesar do cenário pessimista traçado pelo dirigente, o mercado externo transformou-se numa espécie de tábua de salvação para compensar a súbita queda de demanda nas vendas internas. 

No primeiro semestre, as vendas da indústria de veículos a outros países somou um total de US$ 6,2 bilhões em divisas, o que representou um aumento de 57% na comparação com os seis primeiros meses de 2016. Há pouco mais de uma semana, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aumentou de 7% para 35,6% a expectativa de exportações em 2017. Por conta do aumento do ritmo dos embarques, o setor espera agora também mais crescimento na produção. A projeção do início do ano era de aumento de 11,9% na produção de veículos em 2017. O novo cálculo indica que a expansão será de 21,5%, num total de 2,619 milhões de unidades. O volume está ainda distante da capacidade instalada, de cerca de 5 milhões de unidades. Os fabricantes de veículos se agarraram ao mercado externo ao perceber que a crise da demanda doméstica não era passageira. A própria Renault, que hoje exporta 34% do que produz no Paraná, montou, há quatro anos, plano para aumentar as vendas na América Latina. 

A MAN, fabricante dos caminhões Volkswagen, adotou estratégia semelhante. Ao perceber as vendas no Brasil minguarem, a montadora alemã elaborou no ano passado um programa de investimentos de R$ 1,5 bilhão, quase todo voltado à internacionalização das vendas. "Se nosso caminhão serve para o Brasil serve também em mercados parecidos, como Peru, Chile, Argentina e África", afirma o presidente da empresa na América Latina, Roberto Cortes. Em pouco tempo, as vendas externas na MAN saltaram de 15% para 30%. "O mercado interno vai voltar, mas de forma gradual", diz o executivo. Para ele, manter a fatia externa em 30% seria saudável. Capacidade é o que não falta hoje na indústria de caminhões, ainda com ociosidade em torno dos 70%. Na Mercedes-Benz, o mercado externo também ajudou a aliviar a crise interna. De janeiro a junho, a montadora embarcou 3,9 mil caminhões, 44,3% mais do que no mesmo período do ano anterior. As exportações de ônibus da marca avançaram 24,2%. O chamado setor de customização da fábrica em São Bernardo do Campo (SP) ficou mais movimentado nos últimos meses.

 Os veículos que serão usados nas minas em Serra Leoa receberam tanques para armazenar água e pneus mais largos. Caminhões destinados ao Ministério de Defesa de Emirados Árabes receberam pintura de base para camuflagem. No caso dos automóveis, colaborou para o avanço no mercado externo melhorias nos modelos fabricados no Brasil, que surgiram à esteira do Inovar-Auto, programa de benefícios fiscais criado pelo governo federal em 2012. Esse programa estabeleceu exigências de equipamentos de segurança, como airbags e freios ABS nos carros novos. O Chile, um mercado aberto e que havia se acostumado a importar veículos mais completos de países como a Coreia, passou a se interessar pelo produto brasileiro. Segundo a Anfavea, somente nos cinco primeiros meses do ano, as exportações de automóveis e comerciais leves para o mercado chileno aumentaram 218%. O Peru também passou a receber mais carros brasileiros. Hoje os volumes enviados aos peruanos estão 250% maiores do que há um ano. "Com o Inovar-Auto, os padrões dos nosso carros melhoraram não apenas em segurança mas também em nível de eficiência energética", destaca o presidente da Anfavea, Antonio Megale. Segundo ele, algumas empresas, como a Volkswagen, reforçaram suas equipes dedicadas ao mercado externo. Somente nos cinco primeiros meses do ano, a Volks, montadora que mais exporta no país, elevou as vendas externas em 63%. O volume exportado pela Volks corresponde a quase um quarto de todos os embarques da indústria automobilística brasileira.  

Apesar da conquista de novos mercados, a maior força externa para a produção de veículos no Brasil vem da Argentina. É para o mercado argentino, o segundo maior na América do Sul, que seguem 68% das exportações das montadoras instaladas no Brasil. O fim das restrições à entrada de produtos estrangeiros ajudou no incremento de 42% nas vendas de carros para o país vizinho este ano na comparação com um ano atrás. 

A General Motors espera aumentar as vendas para o mercado argentino em mais de 50% este ano. Para o Chile, os embarques da GM vão crescer 180,6%. Apesar da crise interna, o gigantismo do Brasil continua notável no mercado automotivo. Dos 5,5 milhões de veículos vendidos em toda a América Latina no ano passado, 36% saíram das fábricas brasileiras. Por isso, a demanda dos vizinhos chegou em boa hora. Para Murguet, a boa notícia é que essa indústria dá mostras de que pode exportar e a má é que ela perde quando confrontada em termos de competitividade. "Perceber que algo tem que mudar para tornar a exportação sustentável é o grande desafio", diz.

Valor, Marli Olmos, de São Paulo.

terça-feira, 19 de maio de 2015

China, indústria do mundo


O que o contrato de patrocínio com a Parmalat representou para a equipe de futebol do Palmeiras, o que representou para o futebol mundial e, o que isso tem a ver com a nossa prateleira cheia de mercadorias chinesas?
É uma longa história, que começa antes da geração dos nossos pais e vai ter consequências talvez até depois dos nossos filhos.
Não o contrato Parmalat! Esse só durou de 1992 até 2000. Oito anos que mudam a história do clube.

Se é interdisciplinar a proposta de perceber o que impacta nossas vidas, por quê não passar pelo futebol? Paixão nacional, ou talvez mundial, que tem no seu mecanismo muita ciência pra gente explorar dos temas gestão e econ​omia!
Um clube tem corpo político, administrativo e técnico.​ ​​Lida com expectativas do seu público e, tem que apresentar resultado num ambiente muito competitivo.
Mas como nasce um clube e quanto tempo leva para construir sua história?
O principio não é feito de glórias, requer esforços e sacrifícios, aprendizados, treinamento contínuo, aposta nas categorias de base, evolução, maturidade e só daí, conquistas.



Em Agosto de 1914 o "Palestra Itália" (Palastrae - do grego, lugar de treino) foi fundado por imigrantes italianos, no estado de São Paulo.
Seus fundadores, em sua maioria trabalhadores da Indústria Matarazzo, publicaram uma convocação de esportistas num jornal da colônia italiana empolgados com a visita de clubes do futebol italiano ao Brasil. Cinco meses depois, em Janeiro de 1915 entrou pela primeira vez em campo contra o forte time Savoia Votorantim e venceu por 2 a 0, conquistando seu primeiro campeonato: Taça Savóia.

Em 1942, quando o Brasil entra na II Guerra Mundial, uma lei do Governo Vargas obriga a troca do nome. O time passa a chamar-se Sociedade Esportiva Palmeiras. Logo em seguida, seu próximo jogo definiria o campeão paulista. Já com o novo nome, marca 3 a 1 contra o São Paulo e fatura mais um título.

Resumindo a história, os números devem detalhar melhor as conquistas. Aos 85 anos de trajetória, o Palmeiras saiu do século XX avaliado como o maior campeão brasileiro tendo 37 dos principais títulos nacionais. Com aproximadamente 15 milhões de fiéis torcedores.
Mas o que vem a seguir é uma outra realidade. Completando seu centenário, o Palmeiras amarga alguns rebaixamentos consecutivos e encontra dificuldade para remontar uma equipe com qualidade e desempenho consistentes.

Nem de longe se parece com o clube glorioso do fim do milênio.



Talvez não coincidentemente, o que dividiu esses dois períodos foi o contrato com a Parmalat. Uma arriscada manobra da direção em 1992 para viabilizar uma super equipe com recurso de um patrocinador milionário, delegando e terceirizando o que até então era de competência interna do corpo administrativo do clube. Especializando-se mais em gerir a burocracia do que o seu próprio negócio. Criando dependência financeira e principalmente técnica.


O resultado por algum tempo foi gratificante, prova disso, Parmalat ainda é o patrocinador mais lembrado pelos torcedores palmeirenses, como uma época de muitas conquistas. Será mesmo?
Talvez ainda não perceberam o papel que teve aquele contrato a longo prazo.
O futebol estava indo para outro patamar e para outros valores no mundo todo e por aqui o Palmeiras apoiou essas mudanças alavancado por seu patrocinador. Tanta era a fusão, que não se diferenciava muito empresa e clube, parecia uma só identidade.
Mas por fim, ao término do jogo de interesses, o clube viu sair pela porta o dono do dinheiro, levando consigo o apoio financeiro e desmontando o plantel.


Quão drástico poderia ser o impacto de desmontar um corpo técnico?

Me perdoem os lusitanos mas pra quem já teve Dener, a Portuguesa não está longe de virar o que podemos chamar de 'Juventus da Móoca'. Como hoje também o Palmeiras recebe o apelido de 'Guarani da Capital'.
Essas comparações resumem a decadência de clubes que foram grandes e competitivos mas hoje lutam para se manter na primeira divisão ou até mesmo nos grupos de acesso.Drible não ganha jogo, gol vale por um confronto apenas e cada temporada conta pontos do zero. Não há saldo que garanta vantagem na competição seguinte. Somente uma equipe bem montada, com entrosamento, disciplina e o mais importante​, amor à camisa, podem fazer a diferença.
(A exemplo do mundial conquistado pelo Corinthians em 2012 sem a presença de estrelas. Só pra constar, eu sou santista).
Se por um lado o período vencedor não garante vitórias na atualidade, por outro lado deveria ser fácil desvencilhar-se do fantasma de ter sofrido um desmembramento técnico, retomar a gestão do time e consolidar uma equipe campeã novamente. Afinal a instituição não foi desmontada, ainda tem estádio, tem CT, tem público fiel. Por quê então vive uma crise?
Nesse novo mundo pós Parmalat o custo de montar uma boa equipe é outro, a dificuldade em mantê-la é muito maior. Futebol marketeiro e corporativo. Jogadores de carreira, motivados por riqueza, com passes caros e pouca ou nenhuma fidelidade a um brasão.

A INDÚSTRIA DO MUNDO
Com a quantidade, qualidade e preço dos produtos importados invadindo o mercado global, podemos comparar esse momento da economia consumista à fase do contrato de patrocínio Palmeiras/Parmalat.
Delegamos total gestão do parque de máquinas. Entregamos pronto, conhecimentos que levaram décadas para desenvolvermos, deixamos o nosso público se apaixonar pela conquista fácil e barata.
Mas tente adivinhar como estará nossa equipe no futuro. Aparato industrial obsoleto, carga tributária produtiva inviável, profissionais desqualificados ou sem campo de trabalho.



Essa é uma responsabilidade diária de todos.
Ao importador e ao atacadista fica a pergunta: apesar do lucro atual parecer vantajoso, pra quem esperam vender seus produtos quando faltar emprego?
E ao consumidor, fica o alerta: hoje escrevo este artigo num momento de plena retração da economia brasileira. Já se perguntou qual o seu papel na balança comercial do país? Ou qual o montante que juntos enviamos pra China diariamente?
Quanto tempo pra se recuperar disso?
Quando começaremos?



Do Blog: http://percepcaosocial.blogspot.com.br/


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Vale acusa Suíça de 'campanha caluniosa'

Empresa diz que não descumpriu contratos e que está sendo usada em disputa política


Em meio a uma disputa judicial na Suíça, a Vale acusa as autoridades do país de estarem usando a mineradora numa briga política doméstica. E, segundo Clovis Torres, consultor-geral da Vale e responsável pela área de tributos, diante do que chamou de "campanha caluniosa", a empresa estaria disposta até a sair da Suíça, não fossem as restrições contratuais.

A empresa rejeita a informação de que violou acordos fiscais com os suíços e alega que está sendo usada de exemplo para outras multinacionais. "Fomos pegos para Cristo", disse Torres.
A mineradora vive uma polêmica em torno do pagamento de seus impostos na Suíça. O governo federal julgou que a mineradora não havia cumprido os critérios do acordo fechado entre a empresa e a região de Vaud, que dava à Vale amplas vantagens fiscais.

Para os suíços, a decisão da Vale de transformar seu escritório no país numa sede mundial, repatriando lucros bilionários de suas operações pelo planeta, não estava prevista quando a exoneração foi estabelecida, em 2006. Na versão das autoridades suíças, o escritório não estava destinado a ser uma sede mundial, com lucros bilionários.

Após cinco anos de vigência do acordo, os suíços decidiram impor uma multa de US$ 233 milhões e ainda reduzir a isenção fiscal de 80% para 60% nos próximos cinco anos. A empresa apelou da decisão, e a confirmação final ainda não saiu.

Torres admite que, no acordo de 2006, existiam condições. "Mas não havia um valor máximo sobre as movimentações." Ele reconhece que, desde 2006, o volume de recursos que passou pela Suíça e pela própria mineradora foi amplamente elevado. "Houve um aumento nos preços dos minérios, compramos a (canadense) Inco e passamos a ter produção em novos locais."
Torres admite que funções da empresa em outros locais foram transferidos para a Suíça e, num total, cerca de 200 empresas da holding mundial foram levadas para o país europeu. "Isso gerou mais receita e mais recursos."

Transparência. Segundo ele, porém, os números das movimentações cada vez maiores eram sempre apresentados ao Fisco de Vaud. "Não há surpresa. Isso nunca foi um problema", insistiu. "Não houve quebra de contratos por nossa parte. Nunca enganamos um país. Não estamos enganando ninguém. Tudo era transparente."


O executivo não hesitou em culpar a disputa política em Vaud pela eclosão da polêmica. Sua avaliação é de que o governo federal suíço optou ainda por estabelecer novas regras para a questão dos benefícios fiscais que cada cantão suíço pode dar e pretende colocar um basta à guerra fiscal entre as regiões para atrair empresas.

O problema, segundo ele, é que está "usando a Vale" como exemplo. "Foram eles que não cumpriram o contrato", disse. "Não estamos e nunca estivemos fechados a um diálogo. Se o governo acha que estamos ganhando muito dinheiro e quer redividir isso, estamos prontos a conversar", declarou.

Saída. Mas a própria Vale admite que já "não se sente segura" no país. Segundo Torres, se não fossem as limitações contratuais, a mineradora poderia deixar a Suíça e buscar uma nova sede mundial. Antes de avaliar a situação na Suíça, a Vale pensou em estabelecer sua sede em países como Holanda e Espanha.

O problema agora, segundo ele, é que o acordo de 2006 prevê que qualquer abandono unilateral de seus investimentos na Suíça faria a empresa ser obrigada a pagar impostos em sua totalidade pelos últimos cinco anos, uma conta milionária e que certamente pesaria para a empresa.

Se tivesse liberdade contratual, a Vale indica que dificilmente ficaria no país. "É por isso que eles (autoridades) estão agindo assim, sabem que não podemos pegar e sair", declarou. "Da forma que estamos sendo tratados, não era o lugar que eu imaginava." Torres acusa o governo de estar conduzindo uma "campanha caluniosa" e uma pressão pouco comum, sabendo das dificuldades financeiras que a Vale teria para deixar o país.

Nesta semana, o Tribunal Federal suíço rejeitou um recurso apresentado pela Vale. Torres explicou que o objetivo da Vale era o de acelerar o processo. "Não queríamos ficar mais presos a isso", disse. Mas o Tribunal rejeitou o recurso. "Agora, vamos aguardar a decisão de fundo", disse, indicando que não há uma decisão final em relação à cobrança da multa e nem sobre a redução da exoneração de 80% para 60%.

Segundo a Vale, o último recurso que foi negado pelo tribunal não tem relação direta com pagamento de multa. "O processo citado envolve o Governo federal suíço e o Governo do Cantão de Vaud. A Vale buscou aproveitar este processo para sugerir que a Justiça decidisse a respeito do mérito da discussão: se devem ou não ser mantidos os incentivos oferecidos à empresa para instalar-se no país. A Justiça negou o pedido da Vale para antecipar o julgamento do mérito", disse a empresa.

A versão apresentada pelas autoridades suíças é de que, ao rejeitar o recurso da Vale, a Justiça estaria abrindo caminho para que haja uma decisão sobre a redução dos benefícios fiscais da empresa na Suíça e sobre a aplicação da multa de US$ 233 milhões, versão que a Vale nega.


JAMIL CHADE O Estado de S. Paulo - 05/09/2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Brasil perde 9 posições em ranking de inovação


 
País é 58º da lista de países mais inovadores, atrás de Portugal, Chile e África do Sul. Crédito, ambiente de negócios e educação são entraves.

O Brasil desabou no ranking dos países mais inovadores do mundo. Uma classificação publicada hoje (3) pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual e pelo instituto Insead, considerada como a mais completa temperatura do grau de inovação no mundo, aponta que o Brasil ocupa apenas a 58ª posição no ranking, uma queda de nove posições em relação a 2011.

Países como Portugal, Sérvia, Romênia, África do Sul e Bulgária estão melhores colocados que o Brasil. Os principais obstáculos no País: a qualidade do ensino superior e as condições para investir em ciência. O ranking é liderado pela Suíça, seguido pela Suécia, Cingapura e Finlândia. Os Estados Unidos estão na décima colocação.

O levantamento revela que o Brasil foi o país que mais caiu no ranking entre os Brics, sigla que agrupa China, Índia, Rússia e Brasil. Para os especialistas, o bloco todo precisa corrigir obstáculos institucionais para fomentar a inovação. China e Índia são citados como exemplos de países que conseguiram transformar bolsões de tecnologia em ganhos mais generalizados para a economia.

Mas, quanto ao Brasil, o levantamento revela que o País não é líder em inovação nem mesmo na América Latina. O Chile está na 39.ª posição. Já o restante da região está bem abaixo. Na 58ª posição, a situação do Brasil não é cômoda. "Particularmente preocupante é a posição do Brasil no que se refere ao ambiente para negócios (127ª posição de 141 países analisados), a educação superior (115º lugar), condições de crédito e comércio (108º lugar)", alertou o estudo.

O levantamento ainda indica que o peso das importações no PIB brasileiro é o menor do mundo. Em 2010, as importações representavam apenas 12% do PIB, o menor índice entre 141 países avaliados. O Brasil também tem uma baixa taxa de pesquisas publicadas em revistas científicas em comparação a seu PIB. O Brasil tem uma produção menor que Fiji, Irã ou Zimbábue, levando em conta o tamanho das economias.

Exportação - Com apenas 14% de suas exportações com valor agregado de alta tecnologia, o Brasil ocupa a 49.ª posição entre os países com uma pauta de exportação mais avançada. Tunísia, Indonésia e Cazaquistão estão em melhor posição. Outra constatação é de que empresas raramente contribuem com a inovação no Brasil, com menos de 5% das patentes registradas. Hoje, 24% das patentes são registradas por universidades.
(O Estado de São Paulo)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

IPCA-15 sobe 0,56% em dezembro, aponta IBGE



São Paulo concentrava 2.715.067 pessoas vivendo em condições de precariedade, ao passo que o Rio de Janeiro tinha 2.023.744 de sua população em aglomerados desse tipo.

De acordo com o IBGE, foram identificados 6.329 aglomerados subnormais em 323 municípios, 5,8% dos municípios brasileiros. Nessas favelas, foram contabilizados 3.224.529 domicílios particulares ocupados. Desse total, 49,8% encontravam-se no Sudeste do país.

Em seguida, segundo o levantamento do IBGE, as regiões Nordeste e Norte possuíam, respectivamente, 28,7% e 14,4% de representação de domicílios em aglomerados. O instituto aponta que a ocorrência era menor nas regiões Sul (5,3%) e Centro-Oeste (1,8%).

O IBGE observa que as características dos aglomerados subnormais variam em cada localidade. O instituto diz que os aglomerados frequentemente ocupam áreas menos propícias à urbanização, como encostas íngremes no Rio de Janeiro, áreas de praia em Fortaleza, vales profundos (grotas) em Maceió, baixadas permanentemente inundadas  em  Macapá,  manguezais  em  Cubatão, igarapés e encostas em Manaus.
O IBGE considera aglomerado subnormal um conjunto de, no mínimo, 51 unidades habitacionais carentes de serviços públicos essenciais, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e de maneira desordenada.   
(Diogo Martins | Valor)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Muito amadorismo...em economia


Governo corta verba de apoio a exportador


"É no orçamento que o cidadão identifica a destinação de recursos que o governo recolhe sob a forma de impostos", diz a página oficial da secretaria de Orçamento Federal, com um tanto de otimismo, já que, ultimamente, só na execução das despesas federais, após cortes e suplementações orçamentárias, se pode ter uma ideia clara do que a administração faz com os tributos que recolhe. Mas não há dúvida que o orçamento é um planejamento estratégico, uma definição de prioridades. E os últimos números definidos para o Proex, uma das principais linhas de apoio à exportação do país, alarmaram o setor privado.
Com base nas demandas de financiamento e nos resultados de exportação do país, o Comitê de Financiamento e Garantia de Exportações (Cofig), que coordena sete ministérios e quatro instituições financeiras com atuação no comércio exterior, definiu que o Proex deveria ter aumento de verbas neste ano. O Proex-Financiamento, que apoia empresas com faturamento bruto de até US$ 600 milhões, teria seu orçamento elevado, dos atuais US$ 1,3 bilhão para US$ 2,78 bilhões; o Proex-Equalização, que cobre para os exportadores a diferença entre juros internacionais e os juros disponíveis no país, passaria de US$ 1 bilhão para US$ 1,2 bilhão. Esse aumento foi vetado, porém.
Mais que rejeitar o cálculo do Cofig, o Ministério do Planejamento baixou as verbas destinadas para aquele que é anunciado no site do Banco do Brasil como o "principal instrumento público de apoio às exportações brasileiras". No orçamento, que revela ao setor privado as prioridades e vontades do governo, a dotação do Proex-Financiamento caiu para US$ 800 milhões, e o Proex-Equalização caiu para US$ 400 milhões. Uma queda de 72% em relação à proposta original de financiamentos e de 60% nos recursos para equalização de juros.
"É o contrário do que diz o plano Brasil Maior; em vez de aumentar incentivos para exportar produtos manufaturados, estamos fazendo o inverso", reagiu o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro.
A preocupação maior dos exportadores é com os mercados nos quais investiram nos últimos meses, onde o Brasil começava a ganhar espaço que poderá ser deixado aos competidores asiáticos, especialmente chineses, explica ele. O Proex é particularmente importante como instrumento de financiamento nas exportações das firmas de engenharia brasileiras em concorrências no exterior, em produtos como máquinas e equipamentos industriais, os chamados bens de capital. O orçamento mais curto faria sentido se o governo estiver apostando no fiasco dos brasileiros nas concorrências internacionais.
Integrantes do Cofig consultados pelo Valor não quiseram comentar o assunto, a pretexto de que será tema ainda de debate no governo. O Ministério do Planejamento garantiu, por meio da assessoria, que "o governo sempre apoiou e continuará apoiando as exportações brasileiras, em especial as de alto valor agregado". Só que o apoio não se traduziu em números e indicações concretas no orçamento. "O orçamento de 2012 foi analisado sob ótica diferente do ano anterior e traz uma proposta compatível com o momento econômico em que se está vivenciando uma série de incertezas internacionais", argumenta o ministério.
Segundo os técnicos do orçamento, a previsão de verbas procurou "resguardar os recursos necessários para atender as operações estratégicas" compatíveis com a capacidade de financiamento do país. "Em função da incerteza com relação à evolução do cenário internacional", diz a nota enviada ao Valor, o governo, como no passado, poderá fazer "adequações necessárias, complementando o orçamento do Proex", caso seja "verificada a necessidade de ajustes em virtude de novos fatos".
De fato, é prática governamental a complementação do orçamento do Proex, após intensas e difíceis negociações na burocracia. Mas, além da disparidade entre os recursos considerados necessários pelo órgão criado para coordenar as ações de comércio exterior, outro problema, desta vez, é a insuficiência dos recursos até para cobrir as operações já previstas em 2012, conforme indicações do setor técnico. Os pedidos encaminhados ao governo já superam os recursos reservados para o Proex no ano que vem. Em vez de facilidades, criou-se um desestímulo aos exportadores na busca de mercados.
Os responsáveis pelo orçamento, obrigados a acomodar as inumeráveis pressões técnicas e políticas por verbas, tentam dar alguma racionalidade à previsão de gastos, e, como explicitam na justificativa encaminhada ao Valor, contam fazer ajustes durante o ano, talvez facilitados por algum aumento de receita.
O Ministério do Planejamento garante, na nota, estar "atento às despesas estratégicas do país". Atenção, apenas, não basta, é preciso sinalizar aos agentes privados. E o que os brutais cortes no orçamento para o Proex sinalizam é que exportar, aparentemente, não é tão estratégico assim para o governo.
Sergio Leo para O Valor, é repórter especial e escreve às segundas-feiras

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Guerra cambial pode abrir guerra no comércio

Os Estados Unidos abriram o placar, e o Brasil decide, em breve, se participará também do jogo de salvaguardas contra as importações chinesas. Em dezembro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) deu ganho de causa, por goleada, aos EUA, no primeiro caso de aplicação de salvaguardas especiais (aumento de tarifas extraordinário) contra importações da China. No Brasil, as indústrias de máquinas e equipamentos acabam de pedir barreiras semelhantes, ao Ministério do Desenvolvimento. A reação dos chineses a essas medidas ainda é uma incógnita.

 Ao ingressar na OMC, em 2001, a China aceitou medidas excepcionais para acalmar outros países, temerosos de uma enxurrada de mercadorias fabricadas pela barata mão de obra chinesa. Uma dessas medidas, a possibilidade de salvaguardas contra produtos têxteis, já teve expirado seu prazo de aplicação. A outra, a possibilidade de aplicar salvaguardas especiais contra surtos de importação danosa de outros produtos da China, vence só em 2013. Essa arma foi inaugurada contra a China, com êxito, pelos EUA, para barrar a entrada de pneus fabricados no Oriente.

A salvaguarda - sob a forma de tarifas de até 35%, decretadas em 2009 pelo presidente Barack Obama - foi questionada pela China na própria OMC, sob o argumento de que seria indevida. Ironias da globalização: os pneus são fabricados na China pelos próprios americanos, que decidiram trasladar fábricas para lá.
Adoção de salvaguardas é vista pela China como medida de agressão
Quem se queixou e pediu a salvaguarda foi o sindicato dos metalúrgicos, fato lembrado pela China para contestar, sem sucesso, a decisão dos EUA. Afinal, a OMC aceitou uma medida para proteger uma indústria que não queria proteção. É um fato interessante, mas outros pontos chamam maior atenção.

A decisão da OMC, primeira sobre um caso de salvaguarda anti-China, saiu em dezembro. Neste mês de abril, os chineses apenas insinuaram que poderão retaliar. Em um movimento que analistas na China classificaram como reação às salvaguardas, mas de baixo potencial de dano aos EUA, os chineses anunciaram que devem concluir em breve investigações que provam a venda por preços abaixo do normal, de automóveis de cinco fabricantes americanos, entre eles General Motors e Chrysler. Ainda não se fala, porém, de medidas antidumping ou outras barreiras punitivas.

É apenas um alerta chinês de que o país cavará toda possibilidade dentro das regras internacionais para responder a ataques a suas vendas. Os chineses têm reagido com indignação à ameaça de se usar as salvaguardas, que foram obrigados a aceitar para entrar na OMC.

O governo brasileiro sabe dos riscos, tanto que evitou, até agora, a medida. Até usou essa cautela como argumento para que os chineses aceitassem, como aceitaram, uma escalada de medidas antidumping no Brasil contra mercadorias da China, além do adiamento para data indefinida do reconhecimento formal da China como economia de mercado - o que dificultaria os processos contra mercadorias chinesas por dumping.

Ainda na China, há duas semanas, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, revelou ao Valor a decisão concretizada na semana passada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Máquinas e Equipamentos para a Indústria, a Abimaq, de abrir processos pedindo salvaguardas contra diversos produtos chineses. As salvaguardas são de aplicação mais fácil e rápida que qualquer outro instrumento de defesa comercial.

No seminário para empresários promovido em Pequim, o vice-presidente da Abimaq José Velloso Dias Cardoso, acusou os chineses de venderem produtos, como válvulas e chaves de fenda, a preços capazes de fechar indústrias no Brasil. A Abimaq fez um estudo apontando preços médios para alguns desses produtos abaixo até do preço médio internacional da matéria-prima.

"É a nossa Bíblia", comentou o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, ao ouvir de Velloso, no seminário, que o governo já recebeu o levantamento da associação com a comparação entre os preços chineses e os internacionais. De fato, impressionado, o ministro Pimentel exibe o estudo em uma mesa do gabinete, e orientou técnicos do ministério a estudar ações possíveis contra importações da China. Ele não pareceu interessado em deixar que considerações políticas sobre o "aliado estratégico" impeçam medidas para conter os chineses.

A adoção de salvaguardas é vista pela China, porém, como medida de agressão, e ameaças veladas de retaliação já foram feitas antes. O Brasil terá de lidar com o dilema de usar todos os instrumentos legais de que dispõe para proteger empresas nacionais e arriscar-se a despertar má vontade do principal parceiro comercial que, timidamente, começou há poucos dias a acenar com medidas para aumentar o valor agregado das compras de produtos brasileiros.

A China já vem fazendo uma transição de seu modelo exportador para um mais voltado ao mercado externo, mas os chineses sabem que não podem abrir mão rapidamente dos mercados que se alimentam de sua produção - e sustentam a geração de emprego no mercado chinês. A ação americana, seguida da brasileira, pode ser prenúncio de um ataque generalizado às invencíveis exportações chinesas, e o governo comandado por Hu Jintao não se dispõe a sancionar precedentes.

A ação aberta pela Abimaq será um teste duplo: para as relações entre Brasil e China e para a atuação chinesa em um mercado cada vez mais tentado pela saída protecionista. Acossados por custos absurdos no Brasil e pela valorização desenfreada do real, segmentos da indústria brasileira podem aproveitar a porta aberta pelos fabricantes de máquinas para impor ao governo uma sucessão de testes semelhantes, no futuro próximo.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras
E-mail sergio.leo@valor.com.br

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Oriundas do Sul do Pará 17 mil bois cruzam o mar com destino ao Oriente Meio,


A cena parecia extraída de um filme épico. Quase 17 mil bois ou, em números mais precisos, 16.459 bois sendo embarcados no navio Ocean Driver com destino ao Oriente Médio, numa operação gigantesca efetuada no Porto de Vila do Conde, em Barcarena, ontem pela manhã. Serão 12 dias de viagem até que o mercado do Líbano receba as 6.200 toneladas bovinas oriundas do sul do Pará.

A empresa responsável pela proeza foi a italiana Welard do Brasil Agronegócios, que há dois anos se instalou no Brasil depois de meio século na Itália e trinta anos na Austrália. Foi o maior transporte de gado vivo já feito no Estado. Uma estrutura especial foi montada para que a operação fosse viabilizada.

“Estamos utilizando a maior embarcação para transporte de bovinos e ovinos do mundo”, diz o diretor da Welard, Henry Steingiesser. De fato, é um navio tão impressionante que foi tema de um documentário do canal de TV Discovery Channel. O Ocean Driver possui 10 andares, como se fosse um edifício, seis deles acima do nível do mar. A capacidade de transporte pode chegar a 20 mil bovinos.

A ideia é focar novos mercados para o gado paraense. Atualmente as exportações de bovinos vivos representam a quarta maior exportação do Pará, em um cenário brasileiro que cresceu quase 30% nos primeiros sete meses de 2010, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “Estamos focando a abertura de novos mercados, como o venezuelano e o do Líbano. Com o desenvolvimento sanitário animal, outros mercados poderão ser abertos para incrementar a exportação”, diz o diretor da Welard.

É um mercado onde o Pará tem voz ativa. Nos últimos dois anos o estado foi o responsável pelo embarque de mais de 95% do gado vivo exportado pelo Brasil, segundo o Ministério da Agricultura, e cada vez mais esta atividade tem ganhado peso na economia do estado. Pode-se dizer que, em faturamento, as exportações de bovinos vivos do Pará já representam quase 7% da pauta de exportação do estado, só ficando atrás do setor de minérios.
Não à toa os cuidados para o embarque desses animais têm sido cada vez mais rigorosos. A carga embarcada ontem para o Oriente Médio chegou a ser embargada, mas a empresa comprovou a origem legal do gado e conseguiu a concordância do Ministério Público Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para exportar os bois.

“A Welard se instalou no Pará depois da assinatura do Termo de Ajuste de Conduta entre o Ministério Público do Pará e os produtores. Mas fez tudo de acordo com o que estabelece o TAC. Posso dizer que nunca uma exportação foi tão fiscalizada”, diz o veterinário Roberto Lima, 44 anos. O veterinário refere-se ao compromisso assinado em 2009, com a exigência de que a carne, para ter a comercialização liberada, seja proveniente de fazendas legalizadas do ponto de vista ambiental, social, trabalhista e fundiário.

Esse será apenas o primeiro embarque. A Welard possui uma frota com quatro navios, todos desenvolvidos para o transporte de passageiros de quatro patas. Dois entraram em atividade em 2010 e dois estão sendo construídos na Coreia do Sul e devem entrar em operação no final de 2012.

Passava pouco das 7h quando o navio desatracou de Vila do Conde. Em menos de meia hora, já se tornava apenas um pequeno ponto no horizonte. A velocidade da embarcação é outra característica. No oceano, pode atingir até 19 nós, algo em torno de 35 km por hora. “É um navio rápido”, orgulha-se o diretor, enquanto acenava para a tripulação.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Argentina deve passar EUA no ranking dos mercados para produtos brasileiros



A Argentina deve superar os Estados Unidos, em breve, como segundo destino para as exportações brasileiras, só atrás da China, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento obtidos pelo Valor. Em janeiro, as exportações aos argentinos cresceram 35,6%, bem acima da média do aumento nas vendas externas brasileiras, de 28,2%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. As exportações para os EUA cresceram apenas 15,4%. As vendas argentinas ao Brasil não seguem o mesmo ritmo, o que tem provocado sucessivos superávits nas contas bilaterais. Em janeiro, o superávit quase quintuplicou em relação ao mesmo mês de 2010.

O governo aponta o fato como demonstração da crescente importância da Argentina para a indústria brasileira, mas o aumento do superávit brasileiro com a Argentina preocupa a presidente do país vizinho, Cristina Kirchner, que abordou o assunto ao receber a presidente Dilma Rousseff, em Buenos Aires, no início do mês.

Leia mais no O Valor (para assinantes). 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Com alta nas exportações, Brasil precisa inovar mais, avalia MDIC



     Com alta no volume exportado no primeiro mês deste ano, o Brasil precisa investir mais em inovação para ampliar sua participação no mercado internacional. A avaliação é do secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira.

     O volume exportado alcançou a casa dos US$ 15,2 bilhões e a meta do ministério é exportar, em 2011, US$ 228 bilhões em produtos. “Inovação é a única solução para continuarmos aumentando as exportações”, afirmou Teixeira na última terça-feira (1º).

     Os dados da balança comercial mostram que o país também conseguiu diversificar a pauta de exportação, o que demonstra que o Brasil tem agregado valor às commodities produzidas em solo brasileiro, principalmente nos setores de autopeças, motores, máquinas de terraplanagem e perfuração.

     (Com informações da Agência Brasil)


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Economia - Exportações brasileiras perdem espaço para produtos chineses na América do Sul

Durante a copa do mundo na Alemanha, a seleção brasileira aparentemente se considerou imbatível, treinou pouco, achou que poderia ganhar de qualquer outro time quando bem entendesse e foi eliminada. O mesmo acontece com o mercado: se as empresas não se preparam adequadamente, tendem a desaparecer. Sob o ponto de vista da produtividade, se estivessem disputando a copa, os jogadores chineses teriam grandes chances de erguer a taça. O país de maior população de todo o planeta, com cerca de 1, 313 bilhão de habitantes, impõe tantos desafios à indústria mundial que até mesmo as maiores potências econômicas precisam suar a camisa para acompanhar o ritmo frenético de produção asiático.

Baixos salários, produção em larga escala e estratégias governamentais que fomentam o setor produtivo a partir de políticas industriais eficientes são alguns fatores que explicam a forte competitividade da China no mercado mundial, fazendo com que a produção industrial do país consiga crescer mais de 16% ao ano. O índice subiu 16,2% em 2005, em comparação a 2004, e já cresceu 18,7% só no primeiro semestre de 2006. Outra vantagem competitiva é a taxa de câmbio, que mantém a moeda chinesa desvalorizada de modo a baratear os produtos. As longas jornadas de trabalho e o menor salário/hora do mundo são situações que acabam por atrair o investidor frente à baixa participação do custo trabalho na composição do valor do produto.

Hoje, apesar da crise internacional a economia chinesa tem conseguido se recuperar com relativa rapidez, entretanto, a grande diferença do setor empresarial chines, se comparado com o brasileiro, é o valor agegado aos produtos o que reflete na baixa competitividade das empresas. O País vende mais commodities e menos produto acabados.

Veja a matéria do Correio abaixo:

Liana Verdini
Correio

As exportações brasileiras estão perdendo espaço para os produtos chineses na América do Sul, principal destino das manufaturas nacionais. De acordo com estudo da economista Lia Valls, da Fundação Getulio Vargas (FGV), as perdas ainda são pequenas, mas a situação pode se agravar este ano, pois a estratégia desse país oriental é vender produtos manufaturados para nações em desenvolvimento, uma vez que todas as projeções indicam que esse grupo está sofrendo menos perda de renda do que os países desenvolvidos.

Trata-se de uma tentativa da China de compensar a perda de exportações para o mercado dos Estados Unidos, que enfrentam uma das piores recessões de toda a sua história. Esse movimento chinês explica a expressiva perda de mercado no exterior de alguns produtos brasileiros, especialmente siderúrgicos e componentes do setor automobilístico.

Esse é o caso, por exemplo, do dispositivo para comando de acelerador, freio, embreagem, direção ou caixa de marchas vendido ao Uruguai. De acordo com o levantamento da economista, 98% das perdas das exportações brasileiras para o país vizinho são devido ao aumento da participação chinesa na venda desse tipo de componente. Outro exemplo são os tubos para perfuração utilizados na extração de petróleo ou gás comprado do Brasil pela Colômbia. Em 2008, o Brasil perdeu 90% desse mercado para produtos similares chineses.

"O preocupante de tudo isto é que o Brasil está perdendo exportações de produtos de maior valor agregado (mais caros). E isso poderá ter algum impacto em nossa balança comercial se não houver maior atenção das autoridades para essa tendência que está se desenhando", observa a economista.

Leia a matéria completa no Correio Braziliense Aqui