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sábado, 25 de maio de 2013

Casa das Caldeiras


O combate solitário do BC contra a inflação


Assessores do governo fazem, periodicamente, uma avaliação do que a imprensa internacional está publicando sobre o Brasil. A última é frustrante. Varia entre uma visão pessimista sobre crescimento, inflação e taxa de juros, e um abandono geral do foco no país. A expressão máxima do pessimismo seria a do Financial Times. A The Economist, por exemplo, vem deixando de tratar do Brasil nas suas páginas. Isso seria um indício de que o humor dos investidores estrangeiros com o país continua ruim, afetado por uma postura pouco amigável do governo com o mercado.

Diante da campanha eleitoral, as expectativas começam a se voltar para 2015. Será a presidente Dilma Rousseff, se reeleita, vítima de sua própria herança?

Baixo crescimento e inflação alta são os efeitos colaterais de uma política econômica errante. No primeiro ano ela teve que corrigir os excessos de Lula, que deixou uma política fiscal e de crédito em franca expansão, exacerbando o consumo e gerando uma cadeia de inadimplência no sistema bancário, com todos os danos sobre a inflação.

A ação do governo derrubou a atividade econômica. No segundo ano, 2012, optou pela anabolização do consumo como instrumento para irradiar dinamismo na economia. As famílias, já altamente endividadas, não tinham mais fôlego para repetir a saída da crise de 2008/2009 e o modelo desandou. O governo tentou ajudar a indústria com a desvalorização cambial e colheu mais inflação.

Os juros, em queda desde agosto de 2011, começaram a subir este ano, depois que o governo entendeu que juros baixos, por si só, não produzem crescimento e ainda sancionam pressões inflacionárias. Na área fiscal, o superávit primário deixou de ser meta e passou a ser uma variável flutuante, ao sabor das receitas e despesas públicas. Se teve ajuda da contenção fiscal , no passado, para reduzir os juros, agora o BC está sozinho para conter a inflação.

Na próxima semana, o Copom deve aumentar novamente a taxa Selic. O mercado se divide entre uma elevação de 0,25 e de 0,50 ponto percentual. O BC reafirma seu compromisso em encerrar o ano com uma variação do IPCA inferior aos 5,84% do ano passado e de levar o índice para as “cercanias” de 4,5% em 2014. O pior que o BC pode fazer, agora, é deixar a inflação se arrastando como um problema no ano eleitoral de 2014.

Claudia Safatle

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A inflação se combate com política pública....

A alta da taxa de juros e a política cambial também.


Quem assiste as declarações oficiais se leva a impressão que o brasileiro é o verdadeiro culpado pela alta da inflação. Parece que quem paga a passagem do ônibus, a escola das crianças a conta do supermercado, a saúde da família etc. devem fazer um esforço adicional para que a inflação não siga crescendo.

Não faz seis meses que o governo pedia que os brasileiros fossem às compras, comprassem carros, geladeiras, fogões, que levassem à família de férias e, que quanto mais gastassem o Brasil mais cresceria e os brasileiros mais dinheiro teríamos no bolso. 

Hoje parece que essa festança está para acabar, existe, é verdade uma onda de inflação no mundo e Brasil não escapa a esse processo. Entretanto, longe de ser válida a explicação do mal menos do Ministro Mantega. 

O Ministro disse que o Brasil "não está mal na foto" da inflação mundial. Ele apresentou dados que mostram que diversos países emergentes também lutam contra a alta dos preços. Enquanto o Brasil tem hoje uma inflação estimada em 6,3% para 2011 (faltam ainda 8 meses para fim do ano), na Rússia, essa projeção é de 9,4% e na Índia, de 8,8%.
É só esses dois países emergentes que superam Brasil, o resto está abaixo em projeções de inflação.

Se compararmos com países da América Latina, só a inflação da Argentina e Venezuela, supera a inflação do Brasil, os demais países como Chile, Peru, Colômbia, Equador, etc. estão com inflação e projeções de inflação mais baixa que Brasil. 

Isso sem considerar as taxas de juros que nesses países é como máximo de 2%, além de que contam com uma política cambial que matem a taxa de câmbio equilibrada. 

A inflação não pode ser considerada isolada das outras variáveis monetárias e, ainda mais, não pode ser desligada da política industrial e de exportações. 

Consideradas essas variáveis todas, o Brasil deve prontamente repensar sua política econômica.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Guerra cambial pode abrir guerra no comércio

Os Estados Unidos abriram o placar, e o Brasil decide, em breve, se participará também do jogo de salvaguardas contra as importações chinesas. Em dezembro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) deu ganho de causa, por goleada, aos EUA, no primeiro caso de aplicação de salvaguardas especiais (aumento de tarifas extraordinário) contra importações da China. No Brasil, as indústrias de máquinas e equipamentos acabam de pedir barreiras semelhantes, ao Ministério do Desenvolvimento. A reação dos chineses a essas medidas ainda é uma incógnita.

 Ao ingressar na OMC, em 2001, a China aceitou medidas excepcionais para acalmar outros países, temerosos de uma enxurrada de mercadorias fabricadas pela barata mão de obra chinesa. Uma dessas medidas, a possibilidade de salvaguardas contra produtos têxteis, já teve expirado seu prazo de aplicação. A outra, a possibilidade de aplicar salvaguardas especiais contra surtos de importação danosa de outros produtos da China, vence só em 2013. Essa arma foi inaugurada contra a China, com êxito, pelos EUA, para barrar a entrada de pneus fabricados no Oriente.

A salvaguarda - sob a forma de tarifas de até 35%, decretadas em 2009 pelo presidente Barack Obama - foi questionada pela China na própria OMC, sob o argumento de que seria indevida. Ironias da globalização: os pneus são fabricados na China pelos próprios americanos, que decidiram trasladar fábricas para lá.
Adoção de salvaguardas é vista pela China como medida de agressão
Quem se queixou e pediu a salvaguarda foi o sindicato dos metalúrgicos, fato lembrado pela China para contestar, sem sucesso, a decisão dos EUA. Afinal, a OMC aceitou uma medida para proteger uma indústria que não queria proteção. É um fato interessante, mas outros pontos chamam maior atenção.

A decisão da OMC, primeira sobre um caso de salvaguarda anti-China, saiu em dezembro. Neste mês de abril, os chineses apenas insinuaram que poderão retaliar. Em um movimento que analistas na China classificaram como reação às salvaguardas, mas de baixo potencial de dano aos EUA, os chineses anunciaram que devem concluir em breve investigações que provam a venda por preços abaixo do normal, de automóveis de cinco fabricantes americanos, entre eles General Motors e Chrysler. Ainda não se fala, porém, de medidas antidumping ou outras barreiras punitivas.

É apenas um alerta chinês de que o país cavará toda possibilidade dentro das regras internacionais para responder a ataques a suas vendas. Os chineses têm reagido com indignação à ameaça de se usar as salvaguardas, que foram obrigados a aceitar para entrar na OMC.

O governo brasileiro sabe dos riscos, tanto que evitou, até agora, a medida. Até usou essa cautela como argumento para que os chineses aceitassem, como aceitaram, uma escalada de medidas antidumping no Brasil contra mercadorias da China, além do adiamento para data indefinida do reconhecimento formal da China como economia de mercado - o que dificultaria os processos contra mercadorias chinesas por dumping.

Ainda na China, há duas semanas, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, revelou ao Valor a decisão concretizada na semana passada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Máquinas e Equipamentos para a Indústria, a Abimaq, de abrir processos pedindo salvaguardas contra diversos produtos chineses. As salvaguardas são de aplicação mais fácil e rápida que qualquer outro instrumento de defesa comercial.

No seminário para empresários promovido em Pequim, o vice-presidente da Abimaq José Velloso Dias Cardoso, acusou os chineses de venderem produtos, como válvulas e chaves de fenda, a preços capazes de fechar indústrias no Brasil. A Abimaq fez um estudo apontando preços médios para alguns desses produtos abaixo até do preço médio internacional da matéria-prima.

"É a nossa Bíblia", comentou o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, ao ouvir de Velloso, no seminário, que o governo já recebeu o levantamento da associação com a comparação entre os preços chineses e os internacionais. De fato, impressionado, o ministro Pimentel exibe o estudo em uma mesa do gabinete, e orientou técnicos do ministério a estudar ações possíveis contra importações da China. Ele não pareceu interessado em deixar que considerações políticas sobre o "aliado estratégico" impeçam medidas para conter os chineses.

A adoção de salvaguardas é vista pela China, porém, como medida de agressão, e ameaças veladas de retaliação já foram feitas antes. O Brasil terá de lidar com o dilema de usar todos os instrumentos legais de que dispõe para proteger empresas nacionais e arriscar-se a despertar má vontade do principal parceiro comercial que, timidamente, começou há poucos dias a acenar com medidas para aumentar o valor agregado das compras de produtos brasileiros.

A China já vem fazendo uma transição de seu modelo exportador para um mais voltado ao mercado externo, mas os chineses sabem que não podem abrir mão rapidamente dos mercados que se alimentam de sua produção - e sustentam a geração de emprego no mercado chinês. A ação americana, seguida da brasileira, pode ser prenúncio de um ataque generalizado às invencíveis exportações chinesas, e o governo comandado por Hu Jintao não se dispõe a sancionar precedentes.

A ação aberta pela Abimaq será um teste duplo: para as relações entre Brasil e China e para a atuação chinesa em um mercado cada vez mais tentado pela saída protecionista. Acossados por custos absurdos no Brasil e pela valorização desenfreada do real, segmentos da indústria brasileira podem aproveitar a porta aberta pelos fabricantes de máquinas para impor ao governo uma sucessão de testes semelhantes, no futuro próximo.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras
E-mail sergio.leo@valor.com.br

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Grande arma do Governo Federal - Política monetária...

Já disse o Velho economista que sirviu a todos os governos, da ditadura e da democracia, Delfim Neto. 

"Inlfação aleja, mas câmbio mata"

Mais política monetária no Banco Central. 


BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu elevar a taxa de juros básica Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,0% ao ano, sem viés.

A decisão, porém, não foi unânime. Dois diretores queriam um ajuste de meio ponto. O comentário do comitê foi o seguinte:

"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 12,0% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pelo aumento da taxa Selic em 0,50 p.p.

Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012."

Desta forma, o Copom reduz o ritmo de reajuste anunciado nas reuniões de 19 de janeiro e 2 de março, quando a taxa avançou meio ponto em cada reunião. Antes disso, foram três reuniões em que a Selic ficou estável em 10,75%, em 1º de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro de 2010.
A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 7 e 8 de junho.

(Azelma Rodrigues | Valor)



terça-feira, 22 de março de 2011

Cautela e cuidado com a inflação Delfim Neto



Oproblema da inflação no Brasil está sendo tratado pelas novas políticas fiscal, monetária e cambial com o cuidado que merece. Na política fiscal não foi feito nenhum "choque dramático" (porque não era preciso), como exigem alguns fundamentalistas. É certo, entretanto, que as despesas correntes e as transferências da União crescerão menos em termos reais do que o crescimento provável do PIB.

A crítica fundamental a essa política é, curiosamente, "ad hominem": o ministro Mantega foi um gastador (diante de uma deficiência de demanda global); como pode ser um parcimonioso (diante de um excesso de demanda)? Como diria um velho conhecido, "quando a situação muda, eu mudo. E você?"

Na política monetária, a mudança de atitude do presidente Tombini, recuperando velhíssimos instrumentos (agora elegantemente chamados de "macroprudenciais"), tem sido objeto de desconfiança de muitos analistas do mercado financeiro. Apoiam-se numa pretensiosa "teoria monetária", cujos melhores autores em 2008 ainda não mencionavam, em seus "científicos" trabalhos e livros, sequer a palavra "crédito"! Prisioneiros de uma miopia produzida por um modelito de três equações perderam toda a imaginação.

Provavelmente, a manobra exclusiva com a taxa de juros cause menores "distorções" (medidas com relação a um modelo de validade duvidosa), mas também, provavelmente, compensadas no mundo real por um custo maior em termos de sacrifício de PIB. De qualquer forma, ainda que a econometria seja imaginosa, mas precária, existem claros indícios (até recentemente negados) que medidas macroprudenciais podem ser moderadas substitutas do falaciosamente simples aumento da taxa de juros. Aqui também, a crítica é "ad hominem": Tombini é um bom e respeitável técnico... mas é um "pombo"! A hora e o lugar exigiriam um "falcão" (um dos "idiots savants"), que acredita que há leis naturais que regem os mercados, particularmente o cambial.

O mais fantástico é a desconexão entre essas críticas e o que está acontecendo no mundo, particularmente com a revisão do conhecimento econômico. Ele se processa hoje sob o estímulo de quem já foi o maior defensor da equivocada ideologia que produziu o "pensamento único" apoiado numa suposta ciência monetária: o Fundo Monetário Internacional! Foi esse mesmo "pensamento único" que interditou a saudável crítica produzida por diferentes "visões do mundo econômico", que estimulou o controle da economia real pelo sistema financeiro e produziu a crise de 2007/09. No fim, consumiu-se na desmoralização...

Trata-se de uma tragédia. A descrença colocou dúvida sobre todo o conhecimento econômico - talvez seja melhor chamar de "economia política" - que foi e é de extrema importância para a boa governança do setor público e do setor privado. Essa visão niilista é a contrapartida do fundamentalismo: como a teoria econômica "fracassou", tudo é permitido nas políticas fiscal, monetária e cambial. Já sabemos como isso termina. O Brasil já foi vítima de múltiplas experiências desse tipo que tiveram alto custo econômico e social.

Temos hoje uma aceleração da taxa de inflação (e uma deterioração de suas expectativas), que deve merecer toda a atenção do governo. É óbvio que estamos diante de um fenômeno bastante complexo e que não pode ser resolvido satisfatoriamente com a receita suicida de cortar as despesas públicas (a demanda do governo) e aumentar a taxa de juros real para cortar a demanda privada, de forma a reduzir o crescimento do PIB a 3%, a taxa de inflação a 4,5% no fim de 2011 e deixar que a taxa de câmbio atinja o seu valor "natural" determinado pelo mercado.

A taxa de inflação é uma espécie de "radiador" que dissipa o calor das energias perdidas na ineficiência dos setores público e privado. Ela tem duas componentes: uma interna e outra externa. A interna parece ser menos resultado do excesso da demanda global do que da profunda mudança na sua qualidade (serviços não transacionáveis), resultado da própria política redistributiva do governo e do aumento real do salário mínimo.




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segunda-feira, 14 de março de 2011

Importados em alta

Os preços em dólar dos produtos que o Brasil compra do exterior estão em alta. Nos 12 meses até janeiro de 2011, as cotações das importações subiram 5,2% -até janeiro de 2010, eles estavam em queda de 12% nessa base de comparação, segundo números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Num cenário em que não se esperam mais valorizações expressivas do câmbio, as importações mais caras - ou menos baratas -devem deixar de ajudar no controle da inflação, ainda que não contribuam para acelerar os índices de preços. Hoje, a inflação em 12 meses está em 6%, bem acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.

A alta das commodities é um dos motivos que impulsionam os preços de importação, como fica claro no movimento dos combustíveis e produtos químicos importados, um resultado da disparada do petróleo, como nota o economista-chefe da Funcex, Fernando Ribeiro. Os produtos manufaturados também tiveram alguma recuperação de preços, num quadro em que a China enfrenta pressões inflacionárias e começa a deixar de "exportar" deflação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ciclo de alta da Selic entra na berlinda


SÃO PAULO - A insistência com que as medidas macroprudenciais foram destacadas na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) poderá levar o mercado a reavaliar, a toque de caixa, as projeções de mais alta da Selic nos próximos meses. A expectativa de analistas consultados às vésperas da definição da nova taxa de juro, agora em 11,75% ao ano, era de ciclo total de elevação da Selic em 1,50 ponto percentual, podendo chegar a 2 pontos.

O mercado futuro de juros, em queda para os contratos de DI de prazos mais curtos, indica a possibilidade de revisão de cenário.

No corpo da ata, divulgada nesta manhã, o Copom arrisca mencionar a política monetária como um segundo elemento para forçar a convergência da inflação para a meta. Já as ações macroprudenciais recentemente implementadas são consideradas "um instrumento rápido e potente para conter pressões localizadas de demanda".

Também num cenário alternativo - de manutenção da taxa de câmbio, no horizonte relevante, em patamares semelhantes aos observados no passado recente; e a trajetória de juros coletada pelo Gerin, a projeção de inflação se encontra acima da meta em 2011 e ligeiramente abaixo em 2012-- o Copom reforça que "a eventual introdução de ações macroprudenciais pode ensejar oportunidades para que a estratégia de política monetária seja reavaliada".

(Angela Bittencourt | Valor)