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sábado, 29 de março de 2014

Tombini: Brasil está comprovadamente resistente a choques externos


SAUÍPE - A volatilidade “é do jogo e não deve ser confundida com vulnerabilidade”, observou o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. Segundo ele, os bancos centrais devem estar atentos e os governos devem trabalhar em conjunto no sentido de adotar reformas e criar estímulos aos investimentos, principalmente, privados.

Em discurso do Fórum Econômico da América Latina, realizado pelo Institute of International Finance (IIF) na Costa do Sauípe, na Bahia, Tombini fez questão de mostrar aos participantes que o Brasil “comprovadamente” está mais resistente aos choques externos.

Além disso, ressaltou que a normalização das condições monetárias gera um realinhamento dos ativos financeiros, como por exemplo, o câmbio. “O ajuste não deve ser confundido com vulnerabilidade”, afirmou. “O Brasil é um país robusto e resistente a choque externos e tem sistema financeiro sólido”, acrescentou.

Para mostrar que a economia brasileira é sólida, Tombini destacou as elevadas reservas internacionais do país, que uma parcela pequena da dívida pública (17%) está nas mãos de não residentes e que o sistema financeiro está capitalizado.

O presidente do BC disse ainda que o Brasil tem respondido aos efeitos da crise e vai continuar respondendo de forma clássica, com austeridade na política macroeconômica e utilização de “colchão” para suavizar os preços dos ativos.

Tombini afirmou ainda que grande parte das regras de Basileia 3 estão definidas e muitos países, como é o caso do Brasil, já adotam as medidas. “A agenda regulatória do sistema financeiro global é simples, mas tem pendências a serem resolvidas.”
Por Edna Simão e Luciano Máximo | Valor


sábado, 1 de março de 2014

Governo central tem menor superávit primário para janeiro desde 2009


BRASÍLIA - O governo central, que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC), registrou superávit primário de R$ 12,954 bilhões em janeiro, o que representa uma queda de 50,7% ante janeiro de 2012, quando esse saldo positivo foi de R$ 26,287 bilhões, segundo informou o Tesouro Nacional, na manhã desta sexta-feira, 28. 

O resultado é o mais baixo para meses de janeiro desde 2009, quando houve superávit de R$ 3,977 bilhões, e é reflexo de um superávit do Tesouro Nacional de R$ 17,462 bilhões, déficit da Previdência Social de R$ 4,595 bilhões e resultado positivo do Banco Central de R$ 87,4 milhões.

A queda 50,7% no superávit primário do governo central em janeiro ante mesmo período de 2012 decorre da redução na antecipação de pagamentos do ajuste anual do IRPJ/CSLL, referente a lucro obtido no ano anterior.

Além disso, disso houve incremento nas transferências para Estados e municípios em função do Refis, entre outros. Também foi verificado um aumento das despesas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), abono salarial e seguro-desemprego.

Nos 12 meses até janeiro, o superávit primário do governo central somou R$ 63,7 bilhões. Esse resultado representa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo nota do Tesouro Nacional, a meta do governo central para o primeiro quadrimestre é de R$ 28 bilhões, sendo que, em janeiro, foi feito R$ 12,954 bilhões, ou seja, 46,3% da meta prevista para o quadrimestre.

No início deste ano, as despesas cresceram em ritmo mais forte do que as receitas. Foi uma alta de 19,5%, indo de R$ 75,405 bilhões em janeiro de 2013 para R$ 90,112 bilhões no primeiro mês deste ano.

Enquanto isso, a receita líquida total do governo central — que reúne Tesouro, Previdência e Banco Central (BC) — registrou crescimento de 1,4%, somando R$ 103,066 bilhões. No mesmo período do ano passado, a arrecadação líquida foi de R$ 101,693 bilhões.

Por Edna Simão e Lucas Marchesini | Valor


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O problema não é a receita ou a arrecadação


E sim o investimento!

Arrecadação é recorde em R$ 123,667 bilhões 

em janeiro



BRASÍLIA - (Atualizada às 11h17) O governo federal arrecadou R$ 123,667 bilhões em tributos em janeiro, um recorde, o que representa um aumento real de 0,91% na comparação com o mesmo mês de 2013. Os números foram divulgados pela Receita Federal. Em janeiro de 2013, a arrecadação foi de R$ 116,066 bilhões.

Sem correção inflacionária, a receita com impostos e contribuições teve alta de 6,55% no mês passado ante janeiro de 2013.

As receitas administradas pela Receita mostraram alta real também de 0,91%, para R$ 117,136 bilhões em janeiro, em relação a igual período do ano anterior. O aumento nominal ficou em 6,55%.

Já a receita própria de outros órgãos federais totalizou R$ 6,531 bilhões em janeiro, crescimento real 0,89% na comparação com o mesmo mês de 2013. Em termos nominais, as receitas próprias de outros órgãos subiram 6,52% em janeiro, ante um ano antes.

A Receita informou ainda que arrecadou R$ 389 milhões em janeiro com parcelamentos especiais como Refis da Crise e parcelamentos especiais concedidos no ano passado pelo governo para seguradoras, bancos e empresas multinacionais. Apenas no último trimestre do ano passado, essa arrecadação foi de R$ 21,786 bilhões.

Por Edna Simão e Leandra Peres | Valor


domingo, 15 de setembro de 2013

Atividade econômica abre trimestre em queda

Recuo de 0,33% apurado por índice do BC foi menor que média esperada pelas instituições consultadas pelo Valor Data, de baixa de 0,6%


BRASÍLIA - (Atualizada às 9h24) Depois do firme avanço no mês de junho, a economia brasileira voltou a mostrar contração em julho. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br, que busca antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,33% em julho, na série com ajuste sazonal. Além disso o Banco Central reviu os dados de junho, que agora registram alta de 1,03% sobre maio, ante leitura inicial de 1,13%.

A variação mensal de menos 0,33% foi melhor do que a média projetada pelas 13 instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, que sugeria contração de 0,6% em julho ante junho, no dado ajustado. O intervalo de projeções variava de queda de 0,1% a 1%.

O prognóstico feito pelas instituições ouvidas pelo Valor Data levava em consideração a queda da produção industrial (baixa de 2% no mês de julho) e o resultado melhor do que esperado pelas vendas no varejo, divulgado ontem pelo IBGE (avanço de 1,9% em julho).

O IBC-Br mostrou alta de 3,38% em julho ante igual período do ano passado, na série sem ajustes. Considerando a sazonalidade, foi verificado avanço de 2,60% na mesma comparação. E nos 12 meses acumulados em julho, o aumento foi de 2,3%, com ajuste sazonal (e alta de 2,11% sem ajuste). No ano, o aumento é de 2,97% (sem ajuste) e 3,10% considerada a sazonalidade.

O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços). A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB calculado pelo IBGE, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.

No Relatório de Inflação de junho, o BC rebaixou sua previsão de crescimento para o ano de 3,1% para 2,7%. A projeção deve ser atualizada no fim do mês, com a divulgação de um novo Relatório de Inflação. Já os analistas consultados para a confecção do boletim semanal Focus estimam avanço de 2,35%.

Média móvel trimestral

O IBC-Br apresentou contração na passagem de junho para julho e também tem variação negativa na medida móvel trimestral.

Considerando os dados com ajuste sazonal, o indicador, que tenta antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), mostra queda de 0,26% nos três meses encerrados em julho quando comparado com os três meses encerrados em junho.

Essa é a primeira leitura negativa da média móvel desde maio do ano passado. Mantendo a base de comparação, o trimestre encerrado em junho mostrava avanço de 0,16% sobre os três meses findos em maio.


(Eduardo Campos | Valor)

sábado, 13 de julho de 2013

Empresa mais querida do Governo está mal das perna, mas segue recebendo apoio da mãe do PAC.


Apesar de ter recebido todos os incentivos financeiros, legais e econômicos dos governos Lula/Dilma, a empresa mais querida do PT e Governo, está quebrando aos pedaços e ainda segue sendo apoiada pelo Papai e Mamãe do PAC. SEM RESULTADOS PARA O BRASIL!!!
Ja recebeu incentivos fiscais, do BNDES, BB, CEF, SEBRAE, e até do Planalto, que serve de aval!. Só lucra e nada retorna para o País e muito para eles.

Desde a época da ditadura, os Batistas se serviram das informações privilégiadas do poder, para explorar minérios e levar riquezas, sem deixar em contrapartida NADA, para a Amazônia nem para o Brasil.

Oferece como garantia aquilo que não tem. Enquanto as pequenas empresas devem ter garantias reais, Eike Batista oferece o que não é dele. Isso é como se eu tivesse que entregar para o Banco do Brasil, suas próprias ações, para receber um crédito.

Modelo econômico de desenvolvimento brasileiro Maravilha!!! só aqui existe. Incentivos fiscais para produzir commodities, nada para incentivar indústria, inovação tecnológica, produtividade.

Agora recem sairam da manga uns penduricalhos, políticas 1,99 que podem ajudar o desenvolvimento da indústria.



Veja matéria do Valor. 


ANP se diz tranquila sobre OGX assinar novos contratos arrematados



RIO - A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, afirmou que está tranquila sobre a OGX, empresa de petróleo do grupo EBX, de Eike Batista, assinar os contratos de concessão dos blocos arrematados na 11ª Rodada de Licitações.

Durante entrevista coletiva no Rio nesta sexta-feira, a diretora afirmou que a companhia está estudando a proposta feita pela OGX de dar como garantia o óleo previsto para ser produzido no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, para o programa exploratório mínimo das áreas da 11ª Rodada.

"As empresas podem dar seguro garantia, carta garantia ou penhor de óleo. Está no edital. Nesse caso, há um pleito de programa exploratório mínimo ser honrado com a garantia utilizando o penhor de óleo", acrescentou.

A OGX porém ainda não está produzindo em Tubarão Martelo. E por isso a agência está analisando a proposta da petroleira.

O assunto deverá ser definido até a data prevista para a assinatura dos contratos de concessão da 11ª Rodada, prevista para ocorrer em 6 de agosto. A data foi escolhida pela agência por ser o aniversário de 15 anos da assinatura do primeiro contrato de concessão da ANP. Mas o edital da licitação prevê que a assinatura dos contratos ocorrerá em agosto, sem explicitar o dia.

Com relação à informação dada pela OGX de que é inviável economicamente manter a produção no campo de Tubarão Azul, também na Bacia de Campos, a superintendência de produção da ANP está analisando o assunto. Caso a superintendência determine que a área é comercial, a OGX será obrigada a manter o programa de desenvolvimento ou devolver os blocos. "Se a OGX achar que não tem comercialidade [no campo de Tubarão Azul] ela terá que devolver o campo", acrescentou.

Por Rodrigo Polito e Marta Nogueira | Valor



sexta-feira, 31 de maio de 2013

Então Tá, no longo prazo estaremos todos mortos.

Inflação pode cair abaixo de 5% em 2014, diz Tombini a jornal

SÃO PAULO - O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, que a decisão da autoridade monetária de subir a taxa básica de juro em 0,5 ponto percentual tem por objetivo reforçar a confiança de investidores e consumidores na economia brasileira. E afirmou que é possível ter uma inflação abaixo de 5% em 2014.
O comunicado divulgado após a última do Copom, na quarta-feira, disse que alta de juros “contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”, embora muitos analistas vejam ainda com ceticismo a possibilidade de inflação recuar para baixo dos 5,5%. Tombini reiterou, entretanto, que o BC trabalha “nesse horizonte para a convergência da inflação para a meta, de 4,5%”.

“Inflação baixa, sob controle, é uma condição necessária para o planejamento dos empresários, logo, para o investimento”, afirmou. Tombini negou que a economia do país esteja entrando em um processo de estagflação, como afirmam alguns especialistas, pois a economia brasileira começa agora uma recuperação gradual. E disse ainda que o investimento será o carro-chefe do crescimento. “O consumo, naturalmente, ajuda a propagar o crescimento, mas não necessariamente vai ser o carro-chefe”, disse.

Sobre o câmbio, Tombini disse que a desvalorização observada recentemente segue o movimento internacional. Reforçou que o câmbio é flexível e refletirá os fundamentos da economia. E que o Banco Central “intervirá sempre que necessário para reduzir a volatilidade”.


Por Lucinda Pinto | Valor

sábado, 25 de maio de 2013

Casa das Caldeiras


O combate solitário do BC contra a inflação


Assessores do governo fazem, periodicamente, uma avaliação do que a imprensa internacional está publicando sobre o Brasil. A última é frustrante. Varia entre uma visão pessimista sobre crescimento, inflação e taxa de juros, e um abandono geral do foco no país. A expressão máxima do pessimismo seria a do Financial Times. A The Economist, por exemplo, vem deixando de tratar do Brasil nas suas páginas. Isso seria um indício de que o humor dos investidores estrangeiros com o país continua ruim, afetado por uma postura pouco amigável do governo com o mercado.

Diante da campanha eleitoral, as expectativas começam a se voltar para 2015. Será a presidente Dilma Rousseff, se reeleita, vítima de sua própria herança?

Baixo crescimento e inflação alta são os efeitos colaterais de uma política econômica errante. No primeiro ano ela teve que corrigir os excessos de Lula, que deixou uma política fiscal e de crédito em franca expansão, exacerbando o consumo e gerando uma cadeia de inadimplência no sistema bancário, com todos os danos sobre a inflação.

A ação do governo derrubou a atividade econômica. No segundo ano, 2012, optou pela anabolização do consumo como instrumento para irradiar dinamismo na economia. As famílias, já altamente endividadas, não tinham mais fôlego para repetir a saída da crise de 2008/2009 e o modelo desandou. O governo tentou ajudar a indústria com a desvalorização cambial e colheu mais inflação.

Os juros, em queda desde agosto de 2011, começaram a subir este ano, depois que o governo entendeu que juros baixos, por si só, não produzem crescimento e ainda sancionam pressões inflacionárias. Na área fiscal, o superávit primário deixou de ser meta e passou a ser uma variável flutuante, ao sabor das receitas e despesas públicas. Se teve ajuda da contenção fiscal , no passado, para reduzir os juros, agora o BC está sozinho para conter a inflação.

Na próxima semana, o Copom deve aumentar novamente a taxa Selic. O mercado se divide entre uma elevação de 0,25 e de 0,50 ponto percentual. O BC reafirma seu compromisso em encerrar o ano com uma variação do IPCA inferior aos 5,84% do ano passado e de levar o índice para as “cercanias” de 4,5% em 2014. O pior que o BC pode fazer, agora, é deixar a inflação se arrastando como um problema no ano eleitoral de 2014.

Claudia Safatle

domingo, 6 de janeiro de 2013

Torturadora moderna

Se existisse uma verdadeira lei de imprensa, essa mulher estaria presa....

Ela é um obstáculo ao Pensamento Único....

"A bagunça da atual administração da política econômica".


Por Miriam Leitão


Pode levar anos para consertar o que a bagunça da atual administração da política econômica do Brasil tem feito. Aos poucos, está sendo dilapidado o patrimônio de solidez fiscal do país. Com truques contábeis, jeitinhos, mudanças de regras, invenções, o ministro Guido Mantega está minando o que o Brasil levou duas décadas para construir: a base da estabilização.

De todos os erros do ministro, esse é o pior. Mantega está tirando a credibilidade dos números das contas públicas. Mesmo quem acompanha o assunto já não sabe mais o valor de cada número que é divulgado.

O governo autorizou o resgate antecipado de R$ 12,4 bilhões do Fundo Soberano. Isso é 81% de um dos fundos do FSB. Além disso, o BNDES pagou R$ 2,3 bilhões e a Caixa R$ 4,7 bilhões, definindo esse dinheiro como dividendo antecipado para o Tesouro.

Está fabricando dinheiro. O Tesouro se endivida, manda o dinheiro para os bancos públicos, depois extrai deles recursos antecipados, alegando serem dividendos de balanços ainda nem fechados. Os recursos são registrados como arrecadação no fechamento das contas do ano. É estelionato fiscal.

Foram tantos truques em que dívida do Tesouro virou receita do governo para fingir o cumprimento de metas fiscais que hoje ninguém sabe dizer qual parte é confiável dos números que o governo divulga. Só com truques, diferimentos, transformismos e abracadabras, o Ministério da Fazenda conseguiu chegar à meta do ano.

A Caixa recebeu dinheiro público recentemente, e agora está antecipando dividendos ao Tesouro. A capitalização foi feita para fortalecer a instituição centenária da fragilidade financeira em que ficou após operações como a compra de 49% de um banco falido, no qual teve depois que despejar mais dinheiro.

As transferências para o BNDES aproximam-se de R$ 300 bi. Nascem como dívida, viram empréstimo subsidiado, e depois dividendo antecipado para o Tesouro. Com manobras circulares assim que se montou o mais nefasto e inflacionário dos mecanismos do passado, a conta movimento.

O Fundo Soberano era para ser um fundo de longo prazo onde fosse feito um esforço extra de poupança para momentos de crise. Em 2012 o país não cresceu, mas não foi ano exatamente de crise.

A mudança da Lei de Responsabilidade Fiscal é um atentado à viga mestra do edifício que os brasileiros construíram para ter uma moeda estável. Se a Fazenda considera que o custo da dívida dos entes federados ficou incompatível com a atual taxa de juros no Brasil, precisa abrir um debate amplo, sério e transparente para se encontrar a saída sem fazer rachaduras na sustentação da estabilidade.

Na época da renegociação, foram oferecidas duas taxas de juros aos devedores: quem fizesse um ajuste prévio pagaria 6%, quem não quisesse fazer pagaria 9%. A prefeitura de São Paulo escolheu não se ajustar e pagar mais. Agora, o governo está oferecendo a todos os juros de 4%.

A conta dos desatinos fiscais da atual equipe econômica chegará, mas quando os autores das artimanhas contábeis não estiverem mais lá para responder. Como sempre, a conta cairá sobre a população. O governo militar inventou artefatos de fabricação de dinheiro que produziram inflação. A democracia consumiu uma década para desarmar essas bombas. Os riscos a que o governo tem exposto o país são enormes.

Era preferível o governo ter simplesmente admitido que em 2012 arrecadou menos do que previa e, por isso, não pôde cumprir a meta. Ao mesmo tempo, se comprometeria a fazer esforço extra em ano de maior crescimento.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Casa das Caldeiras


Chama o BC


A passagem de novembro para dezembro marca uma clara pausa na euforia do governo com o movimento de queda de juros e alta de dólar. A confiança na “nova matriz econômica” parece der dado lugar a um momento de maior cautela. Uma pausa para avaliação. E coube ao Banco Central (BC) colocar ordem na casa.

Segundo um importante gestor, foi o BC quem agiu de forma firme e tempestiva para cercear um movimento expressivo do mercado de juros, que passou a imputar novas quedas à Selic depois do “choque” com o pibinho do terceiro trimestre.

Foi esse mesmo BC que acabou com a euforia com o dólar rumo a R$ 2,30 que vinha sendo capitaneada por diversos setores do governo, como presidência, Desenvolvimento e Fazenda.

Para esse gestor, há consistência nas ações do governo, mas o que falta é o conhecimento de uma regra fundamental do capitalismo: não existe almoço grátis. Parece faltar um reconhecimento melhor dos custos e benefícios de cada ação.

O caso do câmbio é sinal claro disso, diz esse especialista. “Depreciar o câmbio é algo positivo, mas não se pode ficar o tempo todo acenando que o movimento da moeda será sempre para um lado só”, diz.

O investimento não sobe enquanto o dólar está em alta, explica o gestor, pois o custo de investimento sobe junto com ele. Outro ponto que o dólar alto freia é o crédito, que já vinha desacelerando, pois a moeda em alta barra as captações externas.

Ao contrário do restante do governo, o BC parece conhecer melhor essa matriz de custos e benefícios. E justamente por causa dessa visão a autoridade monetária parece ter resolvido “colocar um pouco de ordem na casa”. Fora isso, o BC sabe que a inflação de curto de prazo “inspira cautela”, não só pelo lado dos transacionáveis, mas também pelo lado dos bens industriais – que ganham valor conforme a política industrial toma forma e abre espaço para os empresários fazerem uma recomposição de margem (mais um efeito colateral).

Segundo o gestor, a visão prevalente dentro do governo parece ser a dos “múltiplos equilíbrios”, ou seja, é possível fazer uma coisa sem custos imediatos ou incontornáveis – como cortar os juros sem grande impacto sobre a inflação ou mesmo mudar o câmbio de forma rápida sem consequência sobre preços e investimentos.

No mercado, há a percepção de que há um acordo entre Banco Central, Fazenda e presidência tentando preservar o juro baixo e o câmbio mais depreciado em 2013. No entanto, pondera o gestor, o mercado sabe que esses acordos tendem a durar pouco. E esse pode ser o caso se o crescimento demorar a reagir nos próximos meses.

Se o pânico tomar conta do governo, o resultado pode ser inflação acima da meta. E o gestor não descarta tal possibilidade, por isso mantém aposta de que a Selic pode sim voltar a cair.


Leia mais em:http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/2941164/chama-o-bc#ixzz2FG0Hpi8s

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Brasil cresce abaixo do potencial desde 3º tri de 2011, afirma Tombini

BRASÍLIA - O Brasil está crescendo abaixo do ritmo potencial há três trimestres, entre o terceiro trimestre de 2011 e os primeiros três meses deste ano, afirmou nesta terça-feira o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"Não é por outra razão que o BC vem ajustando a taxa básica de juros", disse Tombini a senadores durante audiência pública, em clara justificativa da política monetária expansionista adotada pelo BC desde agosto do ano passado, quando iniciou a trajetória de cortes da Selic.

"O Brasil está crescendo abaixo do potencial desde o terceiro trimestre do ano passado e, ainda que não tenhamos concluído o primeiro trimestre deste ano, isso continua até hoje", disse Tombini.

O avanço potencial do Produto Interno Bruto (PIB) é aquele que permite o crescimento econômico pleno sem induzir aumento da inflação. Pouco antes, o presidente do BC afirmou que o Brasil vive processo de "desinflação" desde outubro.
(João Villaverde, Ribamar Oliveira e Murilo Rodrigues Alves | Valor)


domingo, 9 de outubro de 2011

Presidente do BC prevê recuo da inflação em outubro



Num instante em que o IBGE acaba de anunciar que a inflação bateu em 7,31% no acumulado de 12 meses, Alexandre Tombini prevê dias menos piores:

“Nosso horizonte é dezembro de 2012, mas em outubro [de 2011] a inflação em 12 meses vai começar a recuar em 0,30 ponto.”

Antes, o presidente do Banco Central previra que o pior momento da inflação de 2011 seria vivido em agosto. 

Vencido pelo índice de setembro (0,53%), Tombini reposicionou-se numa entrevista aos repórteres Valdo Cruz e Sheila D'Amorim.

Prefere realçar o itinerário, não os desvios conjunturais de rota:

“Desde o início do ano, nosso plano de voo, junto com outras políticas, era moderar o crescimento da economia brasileira…”

“…Há sinais cada vez mais nítidos de que essa moderação veio. Mas dissemos também que a política monetária atua com defasagem…”

“…E que, no segundo semestre [de 2011], a ação dessas políticas seria mais fortemente sentida. Isso vem ocorrendo.”

No comando de uma equipe que pisou no freio dos juros em meio à turbulência, Tombini ganhou um apelido molesto: “Pombini”.
No jargão do mercado, autoridades monetárias que suavizam o combate à inflação são chamadas de “pombos”. Adeptos do receituário conservador clássico, são os “falcões”.

‘Pombini’ dá de ombros: “Se é essa a avaliação, estou muito bem acompanhado no mundo hoje em dia.”
O governo opera com meta anual de inflação de 4,5%. O modelo prevê tolerância de dois pontos percentuais.
Significa dizer que, fechando em até 6,5%, a inflação de 2011 ainda estaria dentro da meta.
A expectativa do mercado está em 6,52%, ligeiramente acima do teto de 6,5%”, diz Tombini. “O regime [de metas] está preparado para essas questões….”
”…Dos países que seguem o sistema de metas, várias economias –Inglaterra, Nova Zelândia e outras— estão com inflação acima da banda ou acima da meta.”
Alheio à qualificação da plumagem, Tombini mantém a expectativa de promover novos tombos na taxa de juros.
“[…] Comunicamos na decisão de agosto, quando reduzimos a taxa básica de 12,5% para 12% ao ano, que ajustes moderados seriam consistentes com a convergência da inflação para a meta de 2012. Essa visão continua válida.”
Ele repisa o discurso segundo o qual o BC não deixou de operar com “autonomia” administrativa.
Já se sentiu pressionado por Dilma Rousseff a puxar os juros para baixo? “Não, absolutamente não”, declarou Tombini, em timbre de Falcão.
Há certa pressão em relação a qual é a visão do Banco Central em relação ao que está acontecendo…”
Há “uma cobrança de como o Banco Central está vendo o cenário internacional, o brasileiro.” Nada além disso.
De resto, o mandarim do BC disse que espera concluir o mandato, em 2014, com uma “inflação girando em torno da meta [4,5%] e uma economia crescendo de forma sustentável.” Algo “entre 4,5% e 5%.”

Josias de Souza/UOL



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Grande arma do Governo Federal - Política monetária...

Já disse o Velho economista que sirviu a todos os governos, da ditadura e da democracia, Delfim Neto. 

"Inlfação aleja, mas câmbio mata"

Mais política monetária no Banco Central. 


BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu elevar a taxa de juros básica Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,0% ao ano, sem viés.

A decisão, porém, não foi unânime. Dois diretores queriam um ajuste de meio ponto. O comentário do comitê foi o seguinte:

"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 12,0% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pelo aumento da taxa Selic em 0,50 p.p.

Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012."

Desta forma, o Copom reduz o ritmo de reajuste anunciado nas reuniões de 19 de janeiro e 2 de março, quando a taxa avançou meio ponto em cada reunião. Antes disso, foram três reuniões em que a Selic ficou estável em 10,75%, em 1º de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro de 2010.
A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 7 e 8 de junho.

(Azelma Rodrigues | Valor)



domingo, 3 de abril de 2011

"admirável mundo novo"

Crise faz economistas rever seu manual

Mercado livre, ausência do Estado e obsessão com inflação perdem força no receituário de política econômica

Olivier Blanchard, do FMI, propõe debate em busca de ideias para "admirável mundo novo" criado pela crise


ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO

O velho manual que orientou a condução da política econômica nas últimas décadas está sendo revisto.

Esqueçam os conceitos de mercados financeiros livres de interferência do Estado; da preocupação exclusiva dos Bancos Centrais com a inflação, e de reprovação ao uso de controles de capitais.

A crise financeira de 2008 provoca o surgimento de um novo pensamento econômico, batizado por Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, de "admirável mundo novo" (título do livro clássico de Aldous Huxley).

O debate também provoca polêmica no Brasil, onde o governo tem sido criticado por supostamente adotar postura mais flexível no controle da inflação e dos gastos públicos a fim de evitar desaceleração econômica brusca.

Em seminário organizado pelo FMI no início de março, houve consenso entre notáveis da economia sobre visões erradas do passado.

Há décadas o pensamento econômico predominante (também chamado de ortodoxo) defendia, por exemplo, o mínimo de interferência do Estado no funcionamento dos mercados.
A crise global de 2008 provou que se tratava de um erro. A bolha de preços no setor imobiliário em vários países desenvolvidos -fruto de especulação e endividamento excessivos- estourou arrastando o mundo para a maior recessão desde o pós-guerra.

"Há consenso agora de que bolhas precisam ser combatidas", disse à Folha o economista americano John Williamson, um dos palestrantes no evento do FMI.
Isso implica papel mais ativo do Estado nas áreas de fiscalização e regulação.

NOVAS METAS
Outro ponto que representa grande mudança em relação ao "velho consenso" se refere à política monetária.

Até então, prevalecia no pensamento econômico ortodoxo a ideia de que a política monetária deveria ter um instrumento (taxa de juros) para perseguir um objetivo (a estabilidade dos preços).

Agora, preservação do crescimento e estabilidade do sistema financeiro foram adicionados à lista de metas.
Já as regras para que bancos não tomem riscos excessivos -chamadas medidas macroprudenciais, no jargão econômico- entraram para o rol de instrumentos importantes de política monetária.

O problema, segundo Williamson, é que há discordância e dúvidas sobre como esses novos instrumentos e mecanismos para regular a atuação dos mercados devem ser implementados.
Essas incertezas também transparecem em documento escrito por Blanchard resumindo as principais conclusões da conferência:

"Nós podemos ter muitos instrumentos de políticas, mas não temos certeza sobre como usá-los".
É nessa zona cinzenta da discussão que entra a situação atual do Brasil.

O Banco Central adotou medidas prudenciais para frear a expansão do crédito e sugere que os efeitos colaterais dessa política ajudarão a reduzir pressões inflacionárias. O mercado é cético e defende forte aperto monetário via mais aumentos de juros.

Em artigo publicado na Folha na semana passada, o economista Antonio Delfim Netto disse que as conclusões do encontro do FMI indicam que o BC está em sintonia com o pensamento econômico emergente.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, ressalta, no entanto, que "lá fora não se pensam em medidas prudenciais como instrumento para controle de inflação", mas para evitar, por exemplo, o endividamento excessivo.

A visão é compartilhada por Eduardo Giannetti da Fonseca, do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), que afirma que o principal instrumento para conter pressões inflacionárias continua sendo a taxa de juros:

"O uso de medidas prudenciais como alternativa no combate à inflação é território incerto, o que traz riscos".

terça-feira, 22 de março de 2011

Cautela e cuidado com a inflação Delfim Neto



Oproblema da inflação no Brasil está sendo tratado pelas novas políticas fiscal, monetária e cambial com o cuidado que merece. Na política fiscal não foi feito nenhum "choque dramático" (porque não era preciso), como exigem alguns fundamentalistas. É certo, entretanto, que as despesas correntes e as transferências da União crescerão menos em termos reais do que o crescimento provável do PIB.

A crítica fundamental a essa política é, curiosamente, "ad hominem": o ministro Mantega foi um gastador (diante de uma deficiência de demanda global); como pode ser um parcimonioso (diante de um excesso de demanda)? Como diria um velho conhecido, "quando a situação muda, eu mudo. E você?"

Na política monetária, a mudança de atitude do presidente Tombini, recuperando velhíssimos instrumentos (agora elegantemente chamados de "macroprudenciais"), tem sido objeto de desconfiança de muitos analistas do mercado financeiro. Apoiam-se numa pretensiosa "teoria monetária", cujos melhores autores em 2008 ainda não mencionavam, em seus "científicos" trabalhos e livros, sequer a palavra "crédito"! Prisioneiros de uma miopia produzida por um modelito de três equações perderam toda a imaginação.

Provavelmente, a manobra exclusiva com a taxa de juros cause menores "distorções" (medidas com relação a um modelo de validade duvidosa), mas também, provavelmente, compensadas no mundo real por um custo maior em termos de sacrifício de PIB. De qualquer forma, ainda que a econometria seja imaginosa, mas precária, existem claros indícios (até recentemente negados) que medidas macroprudenciais podem ser moderadas substitutas do falaciosamente simples aumento da taxa de juros. Aqui também, a crítica é "ad hominem": Tombini é um bom e respeitável técnico... mas é um "pombo"! A hora e o lugar exigiriam um "falcão" (um dos "idiots savants"), que acredita que há leis naturais que regem os mercados, particularmente o cambial.

O mais fantástico é a desconexão entre essas críticas e o que está acontecendo no mundo, particularmente com a revisão do conhecimento econômico. Ele se processa hoje sob o estímulo de quem já foi o maior defensor da equivocada ideologia que produziu o "pensamento único" apoiado numa suposta ciência monetária: o Fundo Monetário Internacional! Foi esse mesmo "pensamento único" que interditou a saudável crítica produzida por diferentes "visões do mundo econômico", que estimulou o controle da economia real pelo sistema financeiro e produziu a crise de 2007/09. No fim, consumiu-se na desmoralização...

Trata-se de uma tragédia. A descrença colocou dúvida sobre todo o conhecimento econômico - talvez seja melhor chamar de "economia política" - que foi e é de extrema importância para a boa governança do setor público e do setor privado. Essa visão niilista é a contrapartida do fundamentalismo: como a teoria econômica "fracassou", tudo é permitido nas políticas fiscal, monetária e cambial. Já sabemos como isso termina. O Brasil já foi vítima de múltiplas experiências desse tipo que tiveram alto custo econômico e social.

Temos hoje uma aceleração da taxa de inflação (e uma deterioração de suas expectativas), que deve merecer toda a atenção do governo. É óbvio que estamos diante de um fenômeno bastante complexo e que não pode ser resolvido satisfatoriamente com a receita suicida de cortar as despesas públicas (a demanda do governo) e aumentar a taxa de juros real para cortar a demanda privada, de forma a reduzir o crescimento do PIB a 3%, a taxa de inflação a 4,5% no fim de 2011 e deixar que a taxa de câmbio atinja o seu valor "natural" determinado pelo mercado.

A taxa de inflação é uma espécie de "radiador" que dissipa o calor das energias perdidas na ineficiência dos setores público e privado. Ela tem duas componentes: uma interna e outra externa. A interna parece ser menos resultado do excesso da demanda global do que da profunda mudança na sua qualidade (serviços não transacionáveis), resultado da própria política redistributiva do governo e do aumento real do salário mínimo.




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quinta-feira, 10 de março de 2011

Itaú Unibanco mantém projeção de alta da taxa Selic e alerta para riscos

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco mantém a projeção de altas adicionais da taxa Selic em 0,50 e 0,25 ponto percentual nas próximas duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). 

Em relatório, o economista-chefe Ilan Goldfajn e o economista Caio Megale alertam, contudo, que a estratégia do Banco Central (BC) de combate à inflação traz riscos à sua convergência para o centro da meta - seja por repasses adicionais do choque de commodities, reindexação formal e informal de preços e salários.

Assim, o Itaú Unibanco avalia que mesmo com essas duas elevações do juro básico e já incorporando uma nova rodada de ações macroprudenciais o IPCA permanecerá perto do teto da meta este ano e acima do centro da meta em 2012.

Goldfajn e Megale afirmam que a surpresa da ata ficou por conta do cenário alternativo, no qual, com o câmbio estável próximo a R$ 1,65 por dólar e juros se elevando para 12,50%, o IPCA converge para em torno do centro da meta em 2012.

"Neste cenário, elevar os juros em adicionais 0,75 ponto já seria suficiente para trazer o IPCA de volta à meta. O Copom também abre a porta para uma nova rodada de medidas macroprudenciais. A surpresa é a indicação de que essa nova rodada poderia levar a um ajuste menor que os 0,75 ponto na taxa Selic. A frase foi interpretada como excessivamente confiante com a inflação prospectiva, já que não há indicação equivalente no sentido contrário, do que poderia levar a um ajuste maior na taxa de juros, caso o cenário se revele pior do que projetado pelo Comitê."
(Angela Bittencourt | Valor)

Copom eleva juro ao notar evolução desfavorável para inflação, diz ata

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia persistir um nível de incerteza acima do usual no ambiente econômico e que "o cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente desde sua última reunião", em janeiro. O organismo observou riscos maiores à concretização de um quadro no qual a inflação "convirja tempestivamente para o valor central da meta".
A informação consta da ata da reunião realizada na semana passada, quando o Banco Central (BC) decidiu aumentar a taxa básica de juro, a Selic, em 0,5 ponto percentual, para 11,75% ao ano. No texto, a instituição destaca que cabe à política monetária estar vigilante para assegurar "que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos".

"O Copom prevê dois momentos distintos para a trajetória de inflação, segundo o cenário central para 2011. Neste trimestre e nos dois seguintes, a inflação acumulada em 12 meses tende a permanecer em patamares similares ou mesmo superiores àquele em que atualmente se encontra. Isso, em parte, explica-se pela elevada inércia trazida de 2010 e pelo fato de as projeções, contrastando com o observado em 2010, apontarem taxas de inflação próximas ao padrão histórico no trimestre junho/agosto de 2011. Entretanto, a partir do quarto trimestre, o cenário central indica tendência declinante para a inflação acumulada em 12 meses, ou seja, deslocando-se na direção da trajetória de metas", conforme o documento divulgado nesta quinta-feira.

O BC vê perspectivas favoráveis para a atividade econômica, citando o vigor no mercado de trabalho e apesar de um abrandamento, "em ritmo ainda incerto", do crescimento da demanda doméstica. Do ambiente externo, a percepção é de aumento da volatilidade e da aversão ao risco desde o encontro realizado em janeiro, em razão de "extraordinários níveis de liquidez global" e de eventos adversos no campo geopolítico.

(Juliana Cardoso | Valor)

Ciclo de alta da Selic entra na berlinda


SÃO PAULO - A insistência com que as medidas macroprudenciais foram destacadas na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) poderá levar o mercado a reavaliar, a toque de caixa, as projeções de mais alta da Selic nos próximos meses. A expectativa de analistas consultados às vésperas da definição da nova taxa de juro, agora em 11,75% ao ano, era de ciclo total de elevação da Selic em 1,50 ponto percentual, podendo chegar a 2 pontos.

O mercado futuro de juros, em queda para os contratos de DI de prazos mais curtos, indica a possibilidade de revisão de cenário.

No corpo da ata, divulgada nesta manhã, o Copom arrisca mencionar a política monetária como um segundo elemento para forçar a convergência da inflação para a meta. Já as ações macroprudenciais recentemente implementadas são consideradas "um instrumento rápido e potente para conter pressões localizadas de demanda".

Também num cenário alternativo - de manutenção da taxa de câmbio, no horizonte relevante, em patamares semelhantes aos observados no passado recente; e a trajetória de juros coletada pelo Gerin, a projeção de inflação se encontra acima da meta em 2011 e ligeiramente abaixo em 2012-- o Copom reforça que "a eventual introdução de ações macroprudenciais pode ensejar oportunidades para que a estratégia de política monetária seja reavaliada".

(Angela Bittencourt | Valor)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ata do Copom e dados da China são destaques na semana


SÃO PAULO - A quarta-feira marca a retomada dos negócios após o feriado de Carnaval. Na agenda deste resto de semana, destaque para a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que será apresentada amanhã. No front externo, atenção aos dados da economia chinesa, como balança comercial, produção industrial, vendas no varejo e inflação, que começam a sair na noite de hoje.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os investidores ajustam posições depois dos dias sem pregão. Entre segunda e terça-feira, o comportamento dos mercados externos foi errático. Na segunda-feira, os índices americanos caíram conforme o barril de petróleo do tipo WTI subiu a US$ 105. Ontem, o pregão foi de recuperação em Wall Street, com destaque para as ações do setor financeiro. O Dow Jones subiu 1,03%, o S&P avançou 0,89% e o Nasdaq se valorizou 0,73%.

No entanto, as ações brasileiras negociadas em Nova York não acompanharam tal movimentação. O Dow Jones Brazil Titans, que lista os 20 recibos de ações (ADR) mais negociados, perdeu 0,21%, para 36.456 pontos.

No câmbio, atenção à possibilidade de ajuste de alta, já que na sexta-feira o preço no mercado futuro fechou em alta, refletindo notícias de que o governo prepara novas medidas para conter a valorização do real.

O mercado à vista não reagiu a tal noticiário, pois os negócios já tinham encerrado. Na sexta, o dólar comercial perdeu 0,42%, para R$ 1,645 na venda. Menor cotação desde 29 de agosto de 2008, quando a moeda fechou a R$ 1,635.

De volta à agenda, o dia reserva o Boletim Focus, do Banco Central (BC). No campo externo, saem os estoques no atacado nos EUA, a balança comercial da Alemanha e a produção industrial do Reino Unido.

(Eduardo Campos | Valor)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Economia - Como combatir a inflação sem produzir efeitos perversos...

Combate à inflação

(*) Amir Khair

O debate sobre cenário inflacionário deste ano está polarizado entre os que acham que a inflação vai subir devido ao superaquecimento da demanda e os que atribuem pressão inflacionária atípica por fatores estranhos à demanda no primeiro trimestre. Parece que a razão pende cada vez mais para a tese da atipicidade e, assim, as elevações da Selic não se justificariam, e os R$ 15 bilhões a serem gastos com a elevação da Selic neste ano seriam pagos indevidamente pelos contribuintes. Vamos aguardar. Desde 1945 até 1980 a inflação média anual medida pelo IGP-DI e IPC-Fipe foi de 31,7% e só em três anos ficou abaixo de 10%.

Entre 1983 e 1994, esteve acima de 100%, com média anual ao nível de 600%. O auge foi em 1993 com 2400%, ou 1% ao dia! O Plano Real, a partir de julho de 1994, sustou o processo inflacionário. Decorridos 16 anos, a inflação média anual caiu para 9,1% de 1995 a 2002 e 5,7% de 2003 a 2010, admitindo as previsões deste ano. São níveis compatíveis com os países emergentes, mas acima dos desenvolvidos, com 2%. Importa reduzir mais ainda nossa inflação.

Todos saem ganhando, especialmente a população de baixa renda. Com o avanço da globalização a concorrência aumentou e impôs redução na inflação dos países emergentes. Na década de 80 a média anual foi de 37%, na de 90 de 17% e de 2001 a 2009 de 7%. Em economias abertas a empresa não consegue impor seu preço ao mercado, à exceção dos monopólios, como no caso do minério de ferro no País. Nesses casos é necessário o controle de preços para não elevar a inflação e contaminar a economia. Isso ainda não está ocorrendo na forma desejável no Brasil.

No interesse geral, a forma de combate à inflação merece ser mais debatida. Fora o controle de preços sobre os monopólios, eis algumas questões para reflexão: 1) responsabilidade pela inflação; 2) inflação que independe do Banco Central (BC); 3) influência do crescimento na inflação; 4) a relação Selic e inflação.

1) Responsabilidade pela inflação – se for só do BC, ele deve dispor de todos os instrumentos para isso: possuir independência formal, influir sobre a demanda (das famílias e do governo), os meios de pagamento, o depósito compulsório e o câmbio.

Nessa hipótese ocorre a predominância da política monetária sobre a fiscal e o nível de despesas do governo fica dependente da orientação do BC. Se a responsabilidade for do governo, o BC atuaria como integrante da formulação e do processo decisional da equipe econômica. Entre essas opções, creio que a política econômica perde eficácia quando não são integradas as decisões que afetam as principais variáveis macroeconômicas, pois há forte inter-relação entre elas. Caso contrário, corre-se o risco de formar, em ocasiões críticas, um verdadeiro cabo de guerra, onde a política fiscal puxa para um lado e a monetária para o outro.

2) Inflação que independe do BC – preços de alimentos, commodities, preços administrados, preços internacionais, oferta de crédito, massa salarial, etc. Representam mais de 70% no peso da inflação, reduzindo a eficácia da política monetária e tornando precárias suas projeções de inflação. Assim, deixar o controle inflacionário à exclusiva responsabilidade do BC não parece ser a melhor estratégia. Isso reforça a opção de se usar políticas econômicas integradas, sob responsabilidade do governo, para permitir resultados mais efetivos de redução da inflação.

3) Influência do crescimento na inflação – várias análises defendem a oposição entre crescimento e inflação. Se ocorre crescimento forte da produção, acendem as luzes vermelhas do BC, que eleva os juros. Deveria ser o contrário, pois mais produção significa maior oferta de bens e serviços, pressionando os preços para baixo. Se o crescimento vem puxado pela expansão da demanda, essas análises usam como argumento para contê-la, a elevação dos juros, usando como justificativa velhos conceitos, como produto potencial, taxa de juros de equilíbrio, taxa mínima de desemprego e nível máximo de utilização da capacidade instalada. O pressuposto desses conceitos é que o atendimento à demanda é feito exclusivamente pelas empresas locais, sem contribuição da importação. Assim, perdem significado, especialmente em contexto de forte oferta internacional, como agora.
A partir de 2004, quando a economia pode experimentar níveis maiores de crescimento a inflação ficou sempre abaixo de 7%, com média de 5,1%. A lógica parece estar no fato de ocorrer redução na participação dos custos fixos nas empresas quando há maior produção. Ou seja, para uma mesma margem de lucro, é possível adotar preços mais baixos. Por outro lado, inflação baixa eleva o poder aquisitivo, ampliando a demanda e o crescimento. Assim, não parece haver conflito entre crescimento econômico mais robusto e inflação, e a política econômica adequada seria de estímulo à produção (ampliação da oferta) como melhor arma para o controle inflacionário.

4) A relação Selic e inflação – o uso da Selic como principal instrumento de controle inflacionário pelo BC é problemático. Seu nível historicamente elevado atua como desestímulo à oferta, sem afetar a demanda das famílias e aumenta a demanda do governo. O desestímulo à oferta ocorre pela decisão empresarial de preferir aplicar seus recursos em títulos federais, com bons lucros, sem risco e liquidez imediata, ao invés de arriscar em investimentos na produção.
A Selic não afeta a demanda das famílias, pois as taxas de juros ao consumidor se descolaram dela e o comércio soube adequar as prestações ao alcance do bolso do consumidor. A elevação da Selic aumenta as despesas do governo federal com juros, ou seja, aumenta a demanda do governo. Pode-se argumentar que a Selic cumpriria o papel de orientar as expectativas dos agentes econômicos. Não parece, pois o BC ao sinalizar a possibilidade de elevação da inflação para daqui a doze meses, os consumidores podem antecipar compras e as empresas remarcar preços.

Finalmente poder-se-ia argumentar que a Selic por ser elevada, atrai dólares na busca de ganhos fáceis pelo investidor estrangeiro e com isso aprecia o real, reduzindo os preços dos produtos importados (âncora cambial). Ocorre que essas aplicações especulativas de estrangeiros têm dupla mão: entra X e sai X mais os juros, ou seja, acaba saindo mais dólares do que entrou, o que leva à depreciação do real, causando inflação no médio prazo. Além disso, há dano ao País, pois o BC cria uma bomba de sucção de recursos públicos para o exterior. Diante disso tudo, o que fazer?

Seguem algumas sugestões.

1) A meta de inflação deve ser definida para horizontes de doze meses e não por ano, como é hoje, e a responsabilidade por cumpri-la é do governo (equipe econômica e BC).

2) Ampliar as políticas de estímulo (fiscais e creditícios) à produção industrial e agropecuária para aumentar a oferta.

3) Reduzir o preço ex-refinaria, margens de distribuição e eliminação da CIDE para o óleo diesel e isenção/redução de pedágio para transporte de carga. Isso rebaixa custos de locomoção e de fretes

4) Estimular a criação de centros de abastecimento para comercialização direta entre produtores e consumidores de produtos agrícolas. Existem experiências exitosas em prefeituras.

5) Criar programa permanente de orientação aos consumidores via internet e mídia para facilitar decisões de compras a preços mais acessíveis.

6) Controlar os preços dos monopólios.

7) Reduzir/eliminar a tributação sobre produtos e serviços de consumo popular.

8) Usar alíquotas/quotas para importação e exportação em casos de majorações indevidas de preços internos. Exemplo: minério de ferro.

 9) Reduzir a Selic ao nível internacional e controlar a oferta de crédito ao consumo via ajuste nos depósitos compulsórios e/ou alteração na relação capital sobre empréstimos às instituições do setor financeiro.

10) Apresentar relatórios bimestrais sobre as ações adotadas para o controle inflacionário e seus resultados. Finalmente é sempre bom ressaltar o peso sobre a demanda das despesas com juros, que atingiu nos últimos doze meses encerrados em maio R$ 179,4 bilhões ou 5,42% do PIB! A taxa básica de juros atual, excluída a inflação é de 5,2%, mais do dobro do segundo colocado com taxa mais alta que é a China com 2,4%. Enquanto não for resolvida essa anomalia será impossível por em ordem as finanças públicas e o desenvolvimento de forma sustentada.

O País não pode se dar ao luxo de desperdiçar 5,4% do seu PIB com taxas anormais de juros. Creio que esse será um dos principais desafios imediatos do próximo governo. Usando um conjunto amplo e integrado de ações, a possibilidade de sucesso na redução da inflação é superior ao uso duvidoso e exclusivo da Selic.

(*) Estadão