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sábado, 14 de novembro de 2015
domingo, 18 de março de 2012
São Félix do Xingu (PA) - Município nº 1 em desmate troca bovinos por cacau
Pressão do mercado leva São Félix do Xingu (PA) a cultivar fruta para recuperar mata que virou pasto
Em uma década, 12 mil km2 de floresta - ou oito vezes o tamanho da
cidade de São Paulo - desapareceram para dar espaço a mais de 2 milhões
de cabeças de gado em São Félix do Xingu, no sul do Pará. O título de
campeão de desmatamento na Amazônia levantou barreiras de mercado contra
a carne do município, que detém o maior rebanho do País.
Os caminhões lotados de bois e vacas não vão deixar de marcar a
paisagem da cidade e da balsa que atravessa os Rios Fresco e Xingu
várias vezes ao dia, a caminho dos frigoríficos, preveem representantes
do governo e de mais de uma dezena entidades da sociedade civil que
trabalham na construção de um modelo econômico sustentável para o
município. Mas a cena ficou um pouco mais promissora no lugar em que
tudo parece ser gigante, a começar pela extensão do município, com o
dobro do tamanho do Estado do Rio de Janeiro.
A pressão do mercado, aliada à dos "olhos" dos satélites,
inviabilizou em grande parte a forma mais barata de aumentar a produção,
que consistia em derrubar floresta para criar pastos num lugar onde a
terra era barata e quase ninguém tem títulos válidos de propriedade.
Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que
haviam registrado o ritmo acelerado das motosserras, colheram também os
primeiros sinais de mudança: o desmatamento caiu quase 60% entre 2010 e
2011, a 146 km2 durante o ano.
"Ninguém deixou de desmatar porque é bonzinho, mas porque não tem
comprador para o produto, o mercado está cobrando", registra o
secretário de Meio Ambiente da cidade, Luiz Alberto de Araújo.
Crédito. A freada no desmatamento ainda não foi suficiente para tirar
São Félix do Xingu da lista dos municípios que mais abatem a florestas e
restabelecer o crédito na região, cortado desde o início de 2008, em
meio às medidas de combate à ação das motosserras.
Mas sinais mais sutis mostram que o município está no caminho de
trocar o título de campeão de desmatamento pelo de grande produtor de
cacau.
A produção da amêndoa da fruta -matéria-prima para a fabricação do
chocolate - quadruplicou em cinco anos e alcançou 1,5 mil toneladas no
ano passado, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Mais importante: o cacau vem sendo usado para
recompor a vegetação em áreas desmatadas e garante fonte de renda,
sobretudo para os pequenos produtores, com menos de 100 hectares de
terra.
Em maior número (mais de 40% das propriedades), eles representam
menos de 4% do território de São Félix, e são parte importante na
engenharia de sustentabilidade ambiental do território.
A cerca de duas horas de distância, ou 34 quilômetros do centro da
cidade pelas estradas de terra esburacadas do município, a entrada da
propriedade de Jaime Martins de Sousa é de um verde intenso. Com
orgulho, ele mostra a floresta que cresce vigorosa onde havia pasto até
pouco tempo atrás. As margens de rios estão protegidas, há uma área de
pasto recuperada para as vacas que ainda cria e uma produção de cacau,
que cresce à sombra de outras espécies nativas.
"Dentro de pouco tempo, a capoeira vai recuperando e em dois anos já
está dessa grossura", diz Sousa, que nem tem banheiro em casa, apontando
para as encostas dos morros em volta, onde a floresta já cresce alta. A
declaração põe em xeque um dos tabus do debate da reforma do Código
Florestal em votação na Câmara, segundo o qual a exigência recuperação
de Áreas de Preservação Permanente (APPs), já aprovada no Senado,
inviabilizaria a vida dos produtores.
Macacos. Além da falta de estradas para escoar as amêndoas, o
principal obstáculo das plantações de cacau ainda são os macacos, que
comem, em algumas propriedades, até 40% da produção de frutos. É um dos
problemas em que a precária assistência técnica tem de lidar. Uma calda
preparada a base de pimenta tem sido a melhor alternativa, nesse caso.
"Tem pessoas de todo tipo aqui. Conheço gente que, se tivesse 20
alqueires de floresta, iria derrubar 30. Eu me arrependi de ter
derrubado para fazer pasto, mas, para recuperar, basta pôr uma cerca e
dar uma ajuda, é muito fácil de pegar", diz um outro mineiro instalado
no lugar, o também pequeno produtor Altamiro Pereira Lourenço. "Com gado
em terra pequena, não dá para viver; diversificando dá pra viver, é
bom."
Lourenço cria peixes e produz polpas de frutas da região, além do
próprio cacau. O troféu que guarda na propriedade é uma sumaúma gigante,
na parte de mata que acompanha a plantação de cacau.
"A expectativa é de que a produção cresça, porque garante renda e
contribui para a redução do desmatamento", diz Iron Eterno de Faria,
presidente da Cooperativa Alternativa dos Pequenos Produtores Rurais e
Urbanos (Cappru). Considerando a produtividade média de cada pé de cacau
na região, um alqueire de terra, ou cerca de cinco hectares, pode
render R$ 31 mil por ano, mais do que a renda proporcionada pela criação
de gado na mesma área, calcula. Uma oportunidade também para o País,
que ainda importa 50% do cacau que consome.
Negociações. Na quinta-feira, Faria participou de reunião com
representante da multinacional Cargill, maior compradora de cacau no
Brasil. As negociações indicam que a produção de cacau, restrita a menos
de 20 km2, pode alcançar 500 km2 (50 mil hectares) nos próximos anos,
dependendo da oferta de sementes de boa qualidade e assistência técnica.
Isso significaria multiplicar por 200 a produção atual, de acordo com
estimativas preliminares. Atualmente, o cacau produzido na região vai
para Itabuna, onde as amêndoas são processadas.
As negociações vêm sendo acompanhadas pelo cuidado de não transformar
o cacau em monocultura. Seria arriscado para os pequenos produtores
locais, porque o preço produto está sujeito a instabilidades do mercado
internacional.
Por ora, os médios e grandes produtores não parecem muito
interessados em investir em cacau. Diferentemente da criação de gado, o
cultivo do cacau exige cuidados frequentes e mais gente trabalhando.
"Esperamos autorização para compensar a reserva legal em outras
áreas", diz o produtor rural Pedro Rodrigues Vieira, que investe em
aumento da produtividade das pastagens. "Para o cacau, precisamos de mão
de obra, e isso é custoso", avalia.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Assumir a derrota
Na quarta-feira, na Comissão de Meio Ambiente do
Senado, ocorreu uma das derrotas mais sofridas que a luta socioambiental
em defesa do desenvolvimento sustentável poderia viver. A sessão, que
deveria tratar com tempo e profundidade o mérito do projeto de lei que
propõe criar um novo Código Florestal, transformou-se em um exemplo
perfeito do que, sem medo de errar, pode ser chamada de velha política.
O indicador dessa senilidade política veio na forma de argumentos apelativos que tentavam convencer os "derrotados" de que deveriam alargar o sorriso, disfarçar a indignação e posar para a foto com os "vencedores", sem lhes estragar o realce da moldura.
Afinal, todos, como no episódio do vaidoso rei que estava nu, deveriam repetir que o relatório Viana/Luiz Henrique havia conseguido tecer um texto que, finalmente, faria o impossível: aumentar a proteção de rios, encostas e florestas ao mesmo tempo em que acaba com a obrigatoriedade de recuperação das áreas de preservação permanente e das reservas florestais na maioria das propriedades privadas, com anistia de multas de desmatamentos ilegais.
Durante toda a sessão, o tom era de "dever cumprido", de "conquista histórica", de "consenso entre ruralistas, cientistas, governo e ambientalistas". Mas, na verdade, o que ocorreu mesmo foi um acordo entre poucos: governo e ruralistas, mediados pelos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Jorge Viana (PT-AC), Luiz Henrique (PMDB-SC), Kátia Abreu (PSD-TO) e pela ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira.
Agora, o que se vê são todos os espaços sendo usados para fazer grudar na história uma espécie de adesivo verde, um tapume para esconder os escombros da legislação ambiental, que começa a ruir na derrocada do velho guardião das florestas.
Nada mais característico da velha política do que conformar-se em apenas parecer. Nesse caso, bastaria aos socioambientalistas deixar prevalecer a tese de que -apesar dos retrocessos- também saíram vencedores. Afinal de contas, também fazem parte do grande consenso. Poderiam nos colocar na foto de todos os jornais esverdeando a moldura, mas não seria a verdade.
As mais de 200 emendas apresentadas ao relator Jorge Viana demonstram que o único consenso é que não havia consenso algum. E isso, por si só, deveria fazer com que o processo de tramitação do projeto tivesse mais tempo, para tentar construir soluções mediadas, e não aplicar na lei aquilo que tanto se faz na floresta: o correntão! Sem essa mediação, vão empurrar para a berlinda o compromisso assumido publicamente no segundo turno pela então candidata Dilma.
O indicador dessa senilidade política veio na forma de argumentos apelativos que tentavam convencer os "derrotados" de que deveriam alargar o sorriso, disfarçar a indignação e posar para a foto com os "vencedores", sem lhes estragar o realce da moldura.
Afinal, todos, como no episódio do vaidoso rei que estava nu, deveriam repetir que o relatório Viana/Luiz Henrique havia conseguido tecer um texto que, finalmente, faria o impossível: aumentar a proteção de rios, encostas e florestas ao mesmo tempo em que acaba com a obrigatoriedade de recuperação das áreas de preservação permanente e das reservas florestais na maioria das propriedades privadas, com anistia de multas de desmatamentos ilegais.
Durante toda a sessão, o tom era de "dever cumprido", de "conquista histórica", de "consenso entre ruralistas, cientistas, governo e ambientalistas". Mas, na verdade, o que ocorreu mesmo foi um acordo entre poucos: governo e ruralistas, mediados pelos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Jorge Viana (PT-AC), Luiz Henrique (PMDB-SC), Kátia Abreu (PSD-TO) e pela ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira.
Agora, o que se vê são todos os espaços sendo usados para fazer grudar na história uma espécie de adesivo verde, um tapume para esconder os escombros da legislação ambiental, que começa a ruir na derrocada do velho guardião das florestas.
Nada mais característico da velha política do que conformar-se em apenas parecer. Nesse caso, bastaria aos socioambientalistas deixar prevalecer a tese de que -apesar dos retrocessos- também saíram vencedores. Afinal de contas, também fazem parte do grande consenso. Poderiam nos colocar na foto de todos os jornais esverdeando a moldura, mas não seria a verdade.
As mais de 200 emendas apresentadas ao relator Jorge Viana demonstram que o único consenso é que não havia consenso algum. E isso, por si só, deveria fazer com que o processo de tramitação do projeto tivesse mais tempo, para tentar construir soluções mediadas, e não aplicar na lei aquilo que tanto se faz na floresta: o correntão! Sem essa mediação, vão empurrar para a berlinda o compromisso assumido publicamente no segundo turno pela então candidata Dilma.
Artigo de Marina Silva na Folha de São Paulo de hoje (25).
Código Florestal. Quem mais ganha são os pecuaristas?
Réquiem para o Código Florestal
Quem mais ganha são os bovinocultores, pois adquirem o direito de não devolver cobertura vegetal aos 44 milhões de hectares de áreas sensíveis em beiras de rio, encostas, topos de morro e nascentes, que foram invadidas por degradantes pastagens. Um crime de lesa humanidade, pois a ocorrência de pastos nessas áreas de preservação permanente (APP) desrespeita um dos mais básicos fundamentos das ciências agrárias e da economia socioambiental.
São infinitamente menos graves as implicações da análoga "consolidação" de atividades agrícolas ou florestais nos demais 11 milhões de hectares subtraídos às APP, pois na maioria dos casos ela não comprometerá as principais funções ecossistêmicas da manutenção de vegetação nativa, além de também não promover assoreamentos ou erosões. Por isso, as benesses aos tradicionais arrozeiros gaúchos, produtores catarinenses de maçã, cafeicultores mineiros, etc., não serão concedidas em detrimento do interesse nacional, público ou social. Não chega a haver conflito.
Na mesma toada, praticamente ninguém sairá perdendo com os dispositivos do projeto que facilitam as compensações das reservas legais (RL). Além de acabarem com a irracionalidade de impedir a exploração de terras de alta aptidão agrícola, também evitam as desvantagens da dispersão desses tesouros de biodiversidade em fragmentos isolados. Ao instituir a Cota de Reserva Ambiental e incentivar compensações em condomínios, o novo programa "PRA" estimulará o surgimento de mercados estaduais de compensações, atendendo tanto os interesses dos que devem respeitar as normas da "RL", quanto os interesses da coletividade.
Todavia, vai em direção oposta o tratamento "vip" oferecido a todos os proprietários de imóveis com área de até quatro módulos fiscais, em vez de restringir tais regalias apenas a esses pequenos empreendedores que se matam para garantir a educação dos filhos com a esquálida remuneração do árduo trabalho de sitiante. Grande parte dos imóveis com área de até quatro módulos fiscais são bucólicas chácaras de recreio de privilegiadas famílias urbanas. Com certeza, muitos dos membros do Congresso passam alguns de seus fins de semana em propriedades desse tipo, mesmo que não lhes pertençam, por serem de parentes ou amigos. O viés chega a ser escandaloso, pois tais imóveis nada têm a ver com aquilo que muitos parlamentares adoram chamar de "setor produtivo".
Também serão muito beneficiados todos os que cometeram desmatamentos ilegais no intervalo de dez anos entre o início da regulamentação da Lei de Crimes Ambientais e o odiado decreto do ex-presidente Lula, de 22 de julho de 2008, sobre infrações ambientais. Qual a razão da escolha dessa data, em vez de setembro de 1999, para demarcar a separação entre as normas atinentes ao chamado passivo ambiental das que o projeto propõe para o presente e o futuro? Quem são os diretamente interessados nesse expediente que joga o projeto na imoralidade? Por que a base parlamentar do governo Dilma temeria rejeitar tão asquerosa prerrogativa aos devastadores?
No geral, também sairão bem favorecidos os setores e ramos mais propensos à "absorção da proposta neocolonizadora da China", como diz Carlos Lessa, ou que defendem o "Brasil da Fama" (fazenda, mineração e maquiladoras), como diz Marcio Pochmann. É um projeto que atropela simultaneamente a política climática (PNMC), o Plano Brasil Maior, e o Documento de Contribuição Brasileira à Conferência Rio+20, pois se opõe - em gênero, número e grau - ao "Brasil do Vaco" (valor agregado e conhecimento). Aliás, chega mesmo a autorizar a Camex a adotar medidas de restrição às importações, contrariando o empenho da presidenta em impedir que pretextos ambientais levem a Rio+20 a legitimar mais obstáculos ao comércio internacional.
Apesar disso tudo, o Código Florestal terá um digno e respeitoso funeral se o plenário do Senado adotar apenas três simples, mas incisivas, intervenções cirúrgicas. Primeiro, excluir pastagens de todos os perdões oferecidos aos desmatamentos de APPs. Segundo, admitir tratamento preferencial apenas à agricultura familiar legalmente reconhecida, com repúdio a qualquer discriminação baseada em área de imóvel, seja ela medida em módulos fiscais ou em qualquer outra unidade. Terceiro, substituir o rancoroso símbolo político de 22 de julho de 2008 por uma data que ao menos faça algum sentido jurídico.
Se, ao contrário, a maioria se inclinar pela manutenção dessas três aberrações, a lei que revogará o Código Florestal será mais um grande estímulo à exportação barata dos recursos naturais concentrados na carne bovina. A exata negação do que reza o sétimo dos oito "princípios" que abrem o projeto: "fomentar a inovação em todas as suas vertentes".
José Eli da Veiga, professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), escreve mensalmente às terças e excepcionalmente nesta sexta.
(Valor Econômico)
Quem ganha ou perde com a lei que revogará o Código
Florestal? O balanço já pode ser feito com base no extenso e intricado
projeto que resultou de trâmite-relâmpago em quatro comissões do Senado.
Talvez ajude os senadores dispostos a mitigar em plenário seus impactos
mais nocivos.
Quem mais ganha são os bovinocultores, pois adquirem o direito de não devolver cobertura vegetal aos 44 milhões de hectares de áreas sensíveis em beiras de rio, encostas, topos de morro e nascentes, que foram invadidas por degradantes pastagens. Um crime de lesa humanidade, pois a ocorrência de pastos nessas áreas de preservação permanente (APP) desrespeita um dos mais básicos fundamentos das ciências agrárias e da economia socioambiental.
São infinitamente menos graves as implicações da análoga "consolidação" de atividades agrícolas ou florestais nos demais 11 milhões de hectares subtraídos às APP, pois na maioria dos casos ela não comprometerá as principais funções ecossistêmicas da manutenção de vegetação nativa, além de também não promover assoreamentos ou erosões. Por isso, as benesses aos tradicionais arrozeiros gaúchos, produtores catarinenses de maçã, cafeicultores mineiros, etc., não serão concedidas em detrimento do interesse nacional, público ou social. Não chega a haver conflito.
Na mesma toada, praticamente ninguém sairá perdendo com os dispositivos do projeto que facilitam as compensações das reservas legais (RL). Além de acabarem com a irracionalidade de impedir a exploração de terras de alta aptidão agrícola, também evitam as desvantagens da dispersão desses tesouros de biodiversidade em fragmentos isolados. Ao instituir a Cota de Reserva Ambiental e incentivar compensações em condomínios, o novo programa "PRA" estimulará o surgimento de mercados estaduais de compensações, atendendo tanto os interesses dos que devem respeitar as normas da "RL", quanto os interesses da coletividade.
Todavia, vai em direção oposta o tratamento "vip" oferecido a todos os proprietários de imóveis com área de até quatro módulos fiscais, em vez de restringir tais regalias apenas a esses pequenos empreendedores que se matam para garantir a educação dos filhos com a esquálida remuneração do árduo trabalho de sitiante. Grande parte dos imóveis com área de até quatro módulos fiscais são bucólicas chácaras de recreio de privilegiadas famílias urbanas. Com certeza, muitos dos membros do Congresso passam alguns de seus fins de semana em propriedades desse tipo, mesmo que não lhes pertençam, por serem de parentes ou amigos. O viés chega a ser escandaloso, pois tais imóveis nada têm a ver com aquilo que muitos parlamentares adoram chamar de "setor produtivo".
Também serão muito beneficiados todos os que cometeram desmatamentos ilegais no intervalo de dez anos entre o início da regulamentação da Lei de Crimes Ambientais e o odiado decreto do ex-presidente Lula, de 22 de julho de 2008, sobre infrações ambientais. Qual a razão da escolha dessa data, em vez de setembro de 1999, para demarcar a separação entre as normas atinentes ao chamado passivo ambiental das que o projeto propõe para o presente e o futuro? Quem são os diretamente interessados nesse expediente que joga o projeto na imoralidade? Por que a base parlamentar do governo Dilma temeria rejeitar tão asquerosa prerrogativa aos devastadores?
No geral, também sairão bem favorecidos os setores e ramos mais propensos à "absorção da proposta neocolonizadora da China", como diz Carlos Lessa, ou que defendem o "Brasil da Fama" (fazenda, mineração e maquiladoras), como diz Marcio Pochmann. É um projeto que atropela simultaneamente a política climática (PNMC), o Plano Brasil Maior, e o Documento de Contribuição Brasileira à Conferência Rio+20, pois se opõe - em gênero, número e grau - ao "Brasil do Vaco" (valor agregado e conhecimento). Aliás, chega mesmo a autorizar a Camex a adotar medidas de restrição às importações, contrariando o empenho da presidenta em impedir que pretextos ambientais levem a Rio+20 a legitimar mais obstáculos ao comércio internacional.
Apesar disso tudo, o Código Florestal terá um digno e respeitoso funeral se o plenário do Senado adotar apenas três simples, mas incisivas, intervenções cirúrgicas. Primeiro, excluir pastagens de todos os perdões oferecidos aos desmatamentos de APPs. Segundo, admitir tratamento preferencial apenas à agricultura familiar legalmente reconhecida, com repúdio a qualquer discriminação baseada em área de imóvel, seja ela medida em módulos fiscais ou em qualquer outra unidade. Terceiro, substituir o rancoroso símbolo político de 22 de julho de 2008 por uma data que ao menos faça algum sentido jurídico.
Se, ao contrário, a maioria se inclinar pela manutenção dessas três aberrações, a lei que revogará o Código Florestal será mais um grande estímulo à exportação barata dos recursos naturais concentrados na carne bovina. A exata negação do que reza o sétimo dos oito "princípios" que abrem o projeto: "fomentar a inovação em todas as suas vertentes".
José Eli da Veiga, professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), escreve mensalmente às terças e excepcionalmente nesta sexta.
(Valor Econômico)
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Oriundas do Sul do Pará 17 mil bois cruzam o mar com destino ao Oriente Meio,
A cena parecia extraída de um filme
épico. Quase 17 mil bois ou, em números mais precisos, 16.459 bois sendo
embarcados no navio Ocean Driver com destino ao Oriente Médio, numa
operação gigantesca efetuada no Porto de Vila do Conde, em Barcarena,
ontem pela manhã. Serão 12 dias de viagem até que o mercado do Líbano
receba as 6.200 toneladas bovinas oriundas do sul do Pará.
A empresa responsável pela proeza foi a
italiana Welard do Brasil Agronegócios, que há dois anos se instalou no
Brasil depois de meio século na Itália e trinta anos na Austrália. Foi o
maior transporte de gado vivo já feito no Estado. Uma estrutura
especial foi montada para que a operação fosse viabilizada.
“Estamos utilizando a maior embarcação
para transporte de bovinos e ovinos do mundo”, diz o diretor da Welard,
Henry Steingiesser. De fato, é um navio tão impressionante que foi tema
de um documentário do canal de TV Discovery Channel. O Ocean Driver
possui 10 andares, como se fosse um edifício, seis deles acima do nível
do mar. A capacidade de transporte pode chegar a 20 mil bovinos.
A ideia é focar novos mercados para o
gado paraense. Atualmente as exportações de bovinos vivos representam a
quarta maior exportação do Pará, em um cenário brasileiro que cresceu
quase 30% nos primeiros sete meses de 2010, segundo o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “Estamos focando a
abertura de novos mercados, como o venezuelano e o do Líbano. Com o
desenvolvimento sanitário animal, outros mercados poderão ser abertos
para incrementar a exportação”, diz o diretor da Welard.
É um mercado onde o Pará tem voz ativa.
Nos últimos dois anos o estado foi o responsável pelo embarque de mais
de 95% do gado vivo exportado pelo Brasil, segundo o Ministério da
Agricultura, e cada vez mais esta atividade tem ganhado peso na economia
do estado. Pode-se dizer que, em faturamento, as exportações de bovinos
vivos do Pará já representam quase 7% da pauta de exportação do estado,
só ficando atrás do setor de minérios.
Não à toa os cuidados para o embarque
desses animais têm sido cada vez mais rigorosos. A carga embarcada ontem
para o Oriente Médio chegou a ser embargada, mas a empresa comprovou a
origem legal do gado e conseguiu a concordância do Ministério Público
Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) para exportar os bois.
“A Welard se instalou no Pará depois da
assinatura do Termo de Ajuste de Conduta entre o Ministério Público do
Pará e os produtores. Mas fez tudo de acordo com o que estabelece o TAC.
Posso dizer que nunca uma exportação foi tão fiscalizada”, diz o
veterinário Roberto Lima, 44 anos. O veterinário refere-se ao
compromisso assinado em 2009, com a exigência de que a carne, para ter a
comercialização liberada, seja proveniente de fazendas legalizadas do
ponto de vista ambiental, social, trabalhista e fundiário.
Esse será apenas o primeiro embarque. A
Welard possui uma frota com quatro navios, todos desenvolvidos para o
transporte de passageiros de quatro patas. Dois entraram em atividade em
2010 e dois estão sendo construídos na Coreia do Sul e devem entrar em
operação no final de 2012.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Copenhage (Cop - 15) - Maior produtividade para a pecuária reclama Nicholas Stern na Conferência
Sir Nicholas Stern, o economista autor do omônimo relatório, ex-economista chefe do Banco Mundial, tratou dos custos e condições para reduzir desmatamento, em sua palestra no plenário do Forest Day, hoje domingo, em Copenhague. Em discurso repleto de ironias, Stern fez referência ao estudo apresentado ontem na COP - por um grupo de pesquisadores brasileiros - a respeito das emissões da pecuária no Brasil:
"me mostraram este novo estudo sobre a pecuária do Brasil: estas vacas ocupam um hectare cada uma, devem ser vacas muito solitárias, não podemos mantê-las sozinhas".
Stern defendeu que o aumento da produtividade da pecuária é uma prioridade que deve "ir junto" com a defesa das florestas: "não são duas coisas complementares, são a mesma coisa". Stern também defendeu a adoção de um imposto sobre carbono e calculou que as medidas hoje viáveis para diminuir as emissões do desmtamento deveriam ter um custo entre US$5 e US$10 por tonelada de carbono evitada.
No mesmo plenário, o ministro britânico Hilary Benn defendeu a importância dos mercados europeus selecionarem os produtos de acordo com sua "pegada florestal". O governador do Amazonas, Eduardo Braga, apresentou os programas sociais do Estado (Bolsa Floresta) para assistir as populações ribeirinhas por meio de pagamentos pelos serviços ambientais prestados: em sua opinião, a chave para evitar o desmatamento é a de oferecer apoio para as comunidades locais.
Novidades após a conclusão da primeira semana
Enquanto isso, hoje (13) seguiram as negociações informais, enquanto pararam aquelas formais. Parece haver acordo básico sobre as salvaguardas sociais e ambientais para REDD+, incluindo populações indígenas e biodiversidade, enquanto permanecem fortes diferenças a respeito de implementação e financiamento.
Na noite de hoje é prevista a chegada em Copenhague do governador de São Paulo, José Serra, que marcou um jantar para apresentar o compromisso de redução de emissões estabelecido pela recente legislação paulista. Também o governador do Acre, Binho Marques, terá um encontro com lideranças empresariais e ambientais internacionais no final do Forest Day.
"me mostraram este novo estudo sobre a pecuária do Brasil: estas vacas ocupam um hectare cada uma, devem ser vacas muito solitárias, não podemos mantê-las sozinhas".
Stern defendeu que o aumento da produtividade da pecuária é uma prioridade que deve "ir junto" com a defesa das florestas: "não são duas coisas complementares, são a mesma coisa". Stern também defendeu a adoção de um imposto sobre carbono e calculou que as medidas hoje viáveis para diminuir as emissões do desmtamento deveriam ter um custo entre US$5 e US$10 por tonelada de carbono evitada.
No mesmo plenário, o ministro britânico Hilary Benn defendeu a importância dos mercados europeus selecionarem os produtos de acordo com sua "pegada florestal". O governador do Amazonas, Eduardo Braga, apresentou os programas sociais do Estado (Bolsa Floresta) para assistir as populações ribeirinhas por meio de pagamentos pelos serviços ambientais prestados: em sua opinião, a chave para evitar o desmatamento é a de oferecer apoio para as comunidades locais.
Novidades após a conclusão da primeira semana
Enquanto isso, hoje (13) seguiram as negociações informais, enquanto pararam aquelas formais. Parece haver acordo básico sobre as salvaguardas sociais e ambientais para REDD+, incluindo populações indígenas e biodiversidade, enquanto permanecem fortes diferenças a respeito de implementação e financiamento.
Na noite de hoje é prevista a chegada em Copenhague do governador de São Paulo, José Serra, que marcou um jantar para apresentar o compromisso de redução de emissões estabelecido pela recente legislação paulista. Também o governador do Acre, Binho Marques, terá um encontro com lideranças empresariais e ambientais internacionais no final do Forest Day.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
AMAZÔNIA - Acordo com frigoríficos deve reduzir o desmatamento imediatamente, diz procurador
Por Bruno Calixto
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e assinado pelo governo do Pará e frigoríficos foi uma vitória para a Amazônia, e o principal resultado - a queda do desmatamento - deve acontecer logo. Esta é a opinião do procurador da República Daniel César Azeredo Avelino.
O TAC foi assinado após o MPF ajuizar ações contra pecuaristas e frigoríficos, corresponsabilizando-os pelo desmatamento ilegal na Amazônia. Na terça-feira (14), o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc avaliou como importante o acordo firmado, apesar de concordar que pode ter havido alguma injustiça.
As denúncias foram feitas por diversas entidades ambientalistas que monitoram os problemas ambientais na Amazônia. Em maio, a organização Amigos da Terra - Amazônia Brasileira lançou um estudo - A Hora da Conta - em que mostra que a pecuária era a grande responsável pelo desmatamento, e que esse desmatamento recebia financiamento direto do BNDES. Em junho, o Greenpeace lançou o relatório "A farra do boi na Amazônia", que evidenciou o papel de toda a cadeia da pecuária no desmatamento, principalmente em frigoríficos como o Bertin.
Avelino, um dos responsáveis pelo TAC, acredita que o acordo pode diminuir o desmatamento no Pará. "A idéia é que o desmatamento comece a cair no Pará imediatamente. Até porque vai haver uma fiscalização rígida no estado e qualquer fazendeiro que hoje desmate qualquer porção de área estará automaticamente excluído do mercado".
Com o acordo, os frigoríficos Bertin, Minerva, Coopermeat e Kaiapós Exportadora deixarão de comprar gado bovino de produtores que estejam em desacordo com a legislação ambiental, tenham desmatado ou estejam presentes na lista suja do trabalho escravo.
Além disso, o TAC define prazos para que os produtores entrem na legalidade. Pelos termos assinados, os produtores têm seis meses para dar entrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dois anos para obter a licença ambiental. Após esse prazo, os frigoríficos só poderão comprar gado bovino de produtores que estejam dentro das leis ambientais.
Leia na íntegra aqui a entrevista com o Procurador da República Daniel Avelino para explicar como funcionam os termos do TAC
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e assinado pelo governo do Pará e frigoríficos foi uma vitória para a Amazônia, e o principal resultado - a queda do desmatamento - deve acontecer logo. Esta é a opinião do procurador da República Daniel César Azeredo Avelino.
O TAC foi assinado após o MPF ajuizar ações contra pecuaristas e frigoríficos, corresponsabilizando-os pelo desmatamento ilegal na Amazônia. Na terça-feira (14), o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc avaliou como importante o acordo firmado, apesar de concordar que pode ter havido alguma injustiça.
As denúncias foram feitas por diversas entidades ambientalistas que monitoram os problemas ambientais na Amazônia. Em maio, a organização Amigos da Terra - Amazônia Brasileira lançou um estudo - A Hora da Conta - em que mostra que a pecuária era a grande responsável pelo desmatamento, e que esse desmatamento recebia financiamento direto do BNDES. Em junho, o Greenpeace lançou o relatório "A farra do boi na Amazônia", que evidenciou o papel de toda a cadeia da pecuária no desmatamento, principalmente em frigoríficos como o Bertin.
Avelino, um dos responsáveis pelo TAC, acredita que o acordo pode diminuir o desmatamento no Pará. "A idéia é que o desmatamento comece a cair no Pará imediatamente. Até porque vai haver uma fiscalização rígida no estado e qualquer fazendeiro que hoje desmate qualquer porção de área estará automaticamente excluído do mercado".
Com o acordo, os frigoríficos Bertin, Minerva, Coopermeat e Kaiapós Exportadora deixarão de comprar gado bovino de produtores que estejam em desacordo com a legislação ambiental, tenham desmatado ou estejam presentes na lista suja do trabalho escravo.
Além disso, o TAC define prazos para que os produtores entrem na legalidade. Pelos termos assinados, os produtores têm seis meses para dar entrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dois anos para obter a licença ambiental. Após esse prazo, os frigoríficos só poderão comprar gado bovino de produtores que estejam dentro das leis ambientais.
Leia na íntegra aqui a entrevista com o Procurador da República Daniel Avelino para explicar como funcionam os termos do TAC
domingo, 31 de maio de 2009
MEIO AMBIENTE - “Os bois comerão a Amazônia em 20 anos” - The cows eat the Amazon in 20 years - Los bueyes comerán la amazonía en 20 años
A abertura de pastagens na Amazônia é responsável por 78% do desmatamento na região. Parte desses pastos depois, se torna lavouras de soja, algodão ou outros grãos. Assim, a fronteira agropecuária do Brasil avança em direção à floresta amazônica. Segundo o economista e especialista em produção agropecuária Guilherme Leite da Silva Dias, se não barrarmos essa expansão e mudarmos o modelo de pecuária extensiva para a intensiva, em 20 anos, as florestas terão sido devastadas pelos bois. “Se deixar do jeito que está, os bois comerão a Amazônia em 20 anos e não há restrição de clima ou solo para isso”, diz.
Para Dias, se a medida provisória 458/09 for aprovada, ficará ainda mais difícil frear o desmatamento. A MP permite que a propriedade de terrenos de até 1500 hectares (15 km²) ocupados na Amazônia Legal seja transferida pela União sem licitação a quem os ocupou até 1º de dezembro de 2004. Dias considera essa medida uma nova “Lei de Terras”, como a que o Brasil teve em 1850 e legitimava o usucapião, ou a “posse pelo uso”, que daria legitimidade à grilagem. A MP foi aprovada pela Câmara na metade do mês de maio e espera agora aprovação do Senado.
O avanço da fronteira agrícola na Amazônia é motivada, principalmente, por dois fatores: a crescente demanda dos consumidores pelos produtos e o baixo preço das terras ilegais da floresta. Estima-se que, a cada dez anos, o consumo de carne bovina estimule um crescimento de 35% no setor pecuário.
O que não se deve esquecer é que o problema é mais complexo, o modelo de destruição da Amazônia envolve a destruição da floresta, a pecuária e o cultivo da soja.Em outras palavras, o que está falido é o modelo de desenvolvimento da Amazônia (Comentário do Blog).
leia artigo sobre o tema aqui
Revista Época
Para Dias, se a medida provisória 458/09 for aprovada, ficará ainda mais difícil frear o desmatamento. A MP permite que a propriedade de terrenos de até 1500 hectares (15 km²) ocupados na Amazônia Legal seja transferida pela União sem licitação a quem os ocupou até 1º de dezembro de 2004. Dias considera essa medida uma nova “Lei de Terras”, como a que o Brasil teve em 1850 e legitimava o usucapião, ou a “posse pelo uso”, que daria legitimidade à grilagem. A MP foi aprovada pela Câmara na metade do mês de maio e espera agora aprovação do Senado.
O avanço da fronteira agrícola na Amazônia é motivada, principalmente, por dois fatores: a crescente demanda dos consumidores pelos produtos e o baixo preço das terras ilegais da floresta. Estima-se que, a cada dez anos, o consumo de carne bovina estimule um crescimento de 35% no setor pecuário.
O que não se deve esquecer é que o problema é mais complexo, o modelo de destruição da Amazônia envolve a destruição da floresta, a pecuária e o cultivo da soja.Em outras palavras, o que está falido é o modelo de desenvolvimento da Amazônia (Comentário do Blog).
leia artigo sobre o tema aqui
Revista Época
terça-feira, 19 de maio de 2009
AMAZÔNIA - Pecuária se expande baseada em grilagem e desmatamento, diz estudo do Amigos da Terra.
Acima de 1.500ha o que se garante são os privilêgios para os desmatadores.
Propõem fechar a tornera de regular terras públicas,
Segundo Amigos da Terra pela escacez de uma política de créditos e tecnológica que favoreça aos pequenos, os produtores estão fadados a vender suas propriedades e assim se inicia, novamente o círculo vicioso do desmatamento.
Pesquisa da ONG Amigos da Terra traz perfil do setor na Amazônia.
Frigoríficos receberam R$ 6 bi de investimentos públicos em 2008.
As áreas de pasto na Amazônia triplicaram nos últimos 30 anos, ocupando hoje uma área superior à soma dos estados da Bahia e Rio de Janeiro. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (22) pela ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, a expansão da pecuária só foi possível graças à invasão de terras públicas e desrespeito às leis ambientais.
Ao mesmo tempo em que aponta esse problema, a pesquisa indica que, em 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,9 bilhões para a indústria frigorífica, o equivalente a 49,1% dos empréstimos à área industrial realizado pelo banco. A maior parte desses recursos foi direcionado a quatro grandes empresas com forte atuação na Amazônia. Na última semana, o ministro da Economia, Guido Mantega, anunciou a liberação de mais R$ 10 bilhões para socorro a empresas da área.

Números do relatório 'A hora da conta'
As áreas de pasto na Amazônia saltaram de 203 mil km², em 1975, para 616 mil km², em 2006. A área supera a soma dos estados da Bahia com o Rio de Janeiro.
Num período de 10 anos (1997 a 2007), o rebanho bovino dos estados que compõem a Amazônia Legal cresceu 77,4%, frente ao crescimento de 23,7% do rebanho brasileiro.
Enquanto em Barretos, no interior de São Paulo, um hectare de terra custa em média R$ 15 mil, no estado do Amazonas a mesma área sai por R$ 300.
O número de cabeças de gado na Amazônia atingiu seu pico em 2005, quando havia 74.589.450 animais na região, o equivalente a 36% do rebanho brasileiro.
Os maiores compradores estrangeiros de carne in natura dos estados da Amazônia Legal em 2008 foram, na ordem, Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Egito e Líbia.
Na Amazônia, a média é de 1,08 cabeça de gado por hectare. Isso significa que, em uma área equivalente à cidade de São Paulo, são criados 152 mil animais.
Leia mais aqui
Propõem fechar a tornera de regular terras públicas,
Segundo Amigos da Terra pela escacez de uma política de créditos e tecnológica que favoreça aos pequenos, os produtores estão fadados a vender suas propriedades e assim se inicia, novamente o círculo vicioso do desmatamento.
Pesquisa da ONG Amigos da Terra traz perfil do setor na Amazônia.
Frigoríficos receberam R$ 6 bi de investimentos públicos em 2008.
As áreas de pasto na Amazônia triplicaram nos últimos 30 anos, ocupando hoje uma área superior à soma dos estados da Bahia e Rio de Janeiro. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (22) pela ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, a expansão da pecuária só foi possível graças à invasão de terras públicas e desrespeito às leis ambientais.
Ao mesmo tempo em que aponta esse problema, a pesquisa indica que, em 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,9 bilhões para a indústria frigorífica, o equivalente a 49,1% dos empréstimos à área industrial realizado pelo banco. A maior parte desses recursos foi direcionado a quatro grandes empresas com forte atuação na Amazônia. Na última semana, o ministro da Economia, Guido Mantega, anunciou a liberação de mais R$ 10 bilhões para socorro a empresas da área.

Números do relatório 'A hora da conta'
As áreas de pasto na Amazônia saltaram de 203 mil km², em 1975, para 616 mil km², em 2006. A área supera a soma dos estados da Bahia com o Rio de Janeiro.
Num período de 10 anos (1997 a 2007), o rebanho bovino dos estados que compõem a Amazônia Legal cresceu 77,4%, frente ao crescimento de 23,7% do rebanho brasileiro.
Enquanto em Barretos, no interior de São Paulo, um hectare de terra custa em média R$ 15 mil, no estado do Amazonas a mesma área sai por R$ 300.
O número de cabeças de gado na Amazônia atingiu seu pico em 2005, quando havia 74.589.450 animais na região, o equivalente a 36% do rebanho brasileiro.
Os maiores compradores estrangeiros de carne in natura dos estados da Amazônia Legal em 2008 foram, na ordem, Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Egito e Líbia.
Na Amazônia, a média é de 1,08 cabeça de gado por hectare. Isso significa que, em uma área equivalente à cidade de São Paulo, são criados 152 mil animais.
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