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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Organização reúne pesquisa e indústria na busca de economia sustentável para a Amazônia





Promover o uso sustentável da biodiversidade amazônica é o foco da organização social Biotec-Amazônia, criada na última quinta-feira (4), em Belém. O núcleo objetiva difundir o conhecimento e prestar informações e serviços nas áreas de biodiversidade, biotecnologia e bionegócios no estado do Pará, para fins de desenvolvimento econômico e social. O próximo passo do grupo é receber a qualificação do Governo do Estado.

Entidades que são referências no tema estão reunidas na organização. Compõem o Conselho Administrativo da instituição o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisas Industriais (Embrapii), Jorge Almeida Guimarães e o diretor executivo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Márcio de Miranda Santos. Além disso, o professor Seixas Lourenço foi eleito para o cargo de diretor-presidente.

A Universidade Federal do Pará se faz presente na organização da Biotec-Amazônia com a participação dos professores e pesquisadores Paula Schneider, do Instituto de ciências biológicas, Arthur Silva, coordenador da pós-graduação em genética; Sidney Santos, diretor do núcleo de pesquisa em oncologia; e Gonzalo Enríquez, diretor da Universitec e que também foi o diretor provisório da instituição, mas agora integra o Conselho de Administração.

“Todas essas entidades de grande expertise em pensar a Amazônia com responsabilidade socioambiental estão reunidas na Biotec a fim de potencializar os resultados em função dos objetivos de constituição e consolidação de um modelo econômico autossustentado, baseado no conhecimento e voltado à diversificação das cadeias produtivas regionais”, frisa Gonzalo Enríquez, diretor da Universitec, a Agência de Inovação Tecnológica da UFPA.

O encontro contou com as participações de vários parceiros, entre eles o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (SECTET), Alex Fiúza, e o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (SEMED), Adnan Demachki, que já sinalizaram o apoio do governo do Pará à iniciativa da Biotec–Amazônia.
Ciência e sustentabilidade
Entre as prioridades traçadas pela organização, está a indução da parceria entre a academia e o setor produtivo, possibilitando a pesquisa de novos produtos, processos para a redução dos custos de transação, além da superação dos entraves de fornecimento às indústrias, entre empresas e órgãos públicos.

A promoção do crescimento das cadeias industriais - particularmente da bioindústria-, também é um dos focos da Biotec-Amazônia. Para tanto, o grupo irá utilizar, entre outras estratégias, da infraestrutura dos Parques Tecnológicos e das incubadoras, de novas empresas de base tecnológica, voltadas, prioritariamente, aos produtos da biodiversidade.

“Precisamos de uma instituição que desenvolva o crescimento integrado da biotecnologia na Amazônia para que preenchamos determinadas lacunas com uma gestão tecnológica integrada, com prospecção de negócios, além de uma articulação efetiva e permanente com diversos setores, e neste caso a Biotec – Amazônia vem para cumprir bem este papel”, destaca o Diretor-presidente Seixas Lourenço.

Texto: Gil Sóter - G1/Pará
Foto: Wan Aleixo/Universitec





terça-feira, 10 de junho de 2014

Perfume nativo

A francesa L'Occitane foca seu crescimento no mercado local com a marca L'Occitane au Brésil. O objetivo é chegar a 400 pontos de venda em cinco anos, diz Benjamin Beaufils



Beaufils, da L'Occitane no Brasil: linha deve atingir 300 itens
 fabricados localmente e será vendida no exterior
Há um ano, a francesa L'Occitane lançou no país uma marca que leva o nome do Brasil e cujos cosméticos são criados a partir de plantas da biodiversidade local. Com preços mais acessíveis, a L'Occitane au Brésil passou a ser a principal aposta de crescimento da operação brasileira. O plano é passar dos atuais 33 pontos de venda exclusivos para 400 lojas e quiosques em cinco anos, afirma o presidente da companhia no Brasil, Benjamin Beaufils.

Os produtos da nova marca são os únicos do grupo fabricados no Brasil, por empresas terceirizadas. Os preços são, em média, 30% menores em relação à L'Occitane au Provence, cujos itens são importados.

Para acelerar a expansão da marca inspirada no Brasil, a companhia optou por adotar o sistema de franquias. Das lojas já abertas, 20 são franquias. A L'Occitane en Provence, no país desde 1995, tem apenas 14 de seus 92 pontos operados por franqueados.

A abertura de lojas da marca mais antiga do grupo deve ser mais lenta e, principalmente, com investimento próprio. Em 2013, oito unidades foram inauguradas. "A L'Occitane en Provence nunca será deixada de lado, mas hoje grande parte dos nossos esforços estão na L'Occitane au Brésil", diz Beaufils, há quatro anos na operação local, dois deles como presidente. O grupo também importa, desde 2012, os produtos da marca Le Couvent des Minimes, vendidos em lojas do supermercado Pão de Açúcar.

"O primeiro objetivo é fazer uma marca forte aqui no Brasil, mas também temos a ambição de torná-la uma marca internacional", afirma o executivo, sobre a L'Occitane au Brésil. A marca acaba de dar o primeiro passo rumo ao exterior, por enquanto em uma ação temporária. Os produtos invadiram 1,5 mil lojas da L'Occitane en Provence em 45 países, onde serão vendidos até o fim da Copa do Mundo.

No Brasil, os itens também são encontrados em lojas da Provence, onde ficam expostos em móveis exclusivos. De acordo com Beaufils, a convivência das duas marcas foi saudável. "Gerou muito mais uma curiosidade do que canibalização". Mas a ideia é separar cada vez mais os canais de distribuição para que cada marca siga seu caminho e se diferencie perante os consumidores. Segundo o executivo, o público-alvo da L'Occitane au Brésil também está nas classes A e B, mas é mais jovem.

Conhecedora dos ingredientes da Provença, a L'Occitane busca com a "Brésil" se aprofundar na natureza brasileira. A empresa pesquisa no país plantas que ainda não tenham sido usadas por concorrentes e que tenham propriedades para a indústria cosmética. Descobriu, por exemplo, que a capacidade de retenção de água do mandacaru pode ajudar na hidratação da pele.

O portfólio da L'Occitane au Brésil tem cerca de 60 produtos, como hidratantes, xampus e colônias. A empresa quer ter 100 itens até dezembro e atingir 300 em 2016. O plano é estrear em categorias que a marca ainda não atua e lançar novas linhas. Atualmente são cinco: araucária, bromélia (Mata Atlântica), jenipapo (Cerrado), mandacaru (Caatinga) e vitória-régia (Amazônia). "O país tem a maior biodiversidade do mundo e ainda há muita coisa a ser explorada", afirma Beaufils.

Segundo o executivo, parte dos recursos levantados com a abertura de capital da L'Occitane estão sendo usados no projeto. A L'Occitane foi listada na Bolsa de Hong Kong em 2010, quando captou cerca de US$ 700 milhões.

No ano fiscal terminado em março, a operação brasileira foi a que mais cresceu entre os 90 países onde a L'Occitane atua. A receita líquida avançou 21% em moeda constante no período, e Beaufils espera manter o ritmo de crescimento este ano. As vendas globais aumentaram apenas 1% no período, para € 1 bilhão. O Japão é o maior mercado da companhia, seguido por Estados Unidos e Hong Kong. A França vem em quarto lugar. O Brasil é o oitavo, ainda atrás de China, Rússia e Reino Unido.

O Brasil tem o terceiro maior mercado de cosméticos e produtos de higiene pessoal do mundo e está entre os que mais crescem. A desaceleração da economia e o câmbio desfavorável, no entanto, desafiam as empresas. "Temos que conviver com isso, mas estamos acostumados a lidar com a variação das taxas cambiais", diz Beaufils. Em euros, a receita líquida do grupo aumentou apenas 4% no país no último ano fiscal, para € 46 milhões.
Por Adriana Meyge | De São Paulo

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Jornal O Liberal aponta conhecimento como fator fundamental para exploração da biodiversidade


Serge Letchimy, presidente do Conselho Regional da Martinica, Com Reitor Carlos Maneschy, Gonzalo Enríquez e pesquisadores da Martinica. 



O Liberal. 


Presidente do Conselho da Martinica participa de debate na UFPA sobre biodiversidade

Aliar o desenvolvimento econômico à sustentabilidade é um dos maiores desafios contemporâneos, sobretudo dentro da maior floresta tropical do planeta, a Amazônia. A questão é o centro da palestra “Biodiversidade e Desenvolvimento”, ministrada por Serge Letchimy, presidente do Conselho Regional da Martinica, nesta quinta-feira, 17, no auditório da Universitec, a partir das 9h30.

O encontro, promovido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio da Agência de Inovação Tecnológica (Universitec), traz, ainda, a participação dos pesquisadores Emmanuel Nossin, farmacêutico e etnofarmacólogo, e Philippe Joseph, professor de Botânica, Ecologia e Biogeografia na Universidade das Antilhas e Guiana.

O encontro integra a agenda de Letchimy, no Pará, onde estará em visita entre os dias 15 e 18 de abril, a fim de formalizar um desejo comum de fortalecer as relações existentes com o Estado. Letchimy estará em Belém para assinar uma convenção de cooperação descentralizada entre o Pará e a Região da Martinica.

A cooperação entre as regiões tem um caráter múltiplo e abarca setores como o desenvolvimento de energias renováveis, biodiversidade e nutrição animal; a transferência de tecnologia no campo da agroindústria e pecuária; a busca de sinergia em produtos farmacêuticos e na área da farmacopeia e o setor do turismo e da cultura.

Com a UFPA, um dos interesses é estabelecer intercâmbio de conhecimento e parceria científica por meio do PARM - Polo Agroalimentar Regional da Martinica. Trata-se de um polo deexpertise que desenvolve, há 10 anos, atividades de pesquisa, orientação e assessoria junto aos setores e às empresas da área agroalimentar. O PARM é o parceiro do desenvolvimento e da inovação dessa área na Martinica, beneficiado pelo apoio da Autoridade Regional em termos de financiamento e de orientação na estratégia de implantação das suas atividades na Martinica.

Interesses comuns - Referência no desenvolvimento de tecnologia e conhecimento na área de biodiversidade na Amazônia, a Universitec tem interesses em comum com a Martinica, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias capazes de agregar valor a matérias-primas da floresta e estimular o desenvolvimento econômico sustentável. “Essa parceria é fundamental porque integra interesses comuns. São dois focos primordiais: o uso da biodiversidade em programas que agreguem valor a produtos oriundos do patrimônio genético da Amazônia, tornando-os competitivos para o mercado nacional e estrangeiro. Em segundo lugar, trata-se de uma parceira importante em atividades conjuntas na área do desenvolvimento científico, tão fundamental quanto a própria inovação tecnológica”, analisa o diretor da Universitec, Gonzalo Enriquez.

Ao final do encontro, o presidente da Martinica e os pesquisadores expuseram o interesse de retomar um projeto de rede junto a estudiosos e empresários do Pará. "O interesse é mútuo. Em breve, enviaremos uma comitiva de pesquisadores da UFPA que, por meio da Universitec, irão realizar uma visita a universidades da Martinica, para que essa proximidade entre as regiões se efetive", anunciou o reitor da UFPA, Carlos Maneschy.
Texto: Gil Sóter - Assessoria de Comunicação da Universitec


Serge Letchimy, presidente do Conselho Regional da Martinica e Gonzalo ENRÍQUEZ Diretor da UNIVERSITEC. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pesquisadores do Pará descobrem 169 novas espécies da flora e da fauna na Amazônia

O Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), uma das principais instituições de estudos sobre a Amazônia, anunciou nesta quarta-feira que seus cientistas descobriram nos últimos quatro anos um total de 169 espécies da flora e da fauna na maior floresta tropical do mundo.

São 14 novas espécies de plantas e 155 de animais, a maioria aracnídeos, informou em comunicado a instituição, vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Das novas espécies de fauna descobertas e descritas, 112 são de aracnídeos, 12 de peixes, dez de aves, dez de anfíbios, seis de répteis, quatro de dípteros (grupo dos mosquitos e moscas) e somente uma espécie de mamífero. Já as da flora, foram encontradas 13 espécies de angiospermas e uma de briofita.

O único mamífero na lista é o “Mico rondoni”, um pequeno macaco batizado assim por ser encontrado apenas em Rondônia e por habitar uma região entre os Rios Mamoré, Madeira e Ji-Paraná.

De acordo com o museu, esta espécie, já ameaçada pelo avanço do desmatamento em seu habitat, foi confundida por muitos anos com a do “Mico emiliae”, típico do Pará. Contudo, estudos mais detalhados, especialmente de morfologia e crânio, chegaram a conclusão que são diferentes.

Segundo o MPEG, o expressivo número de invertebrados na lista de novas descobertas não é surpresa, já que eles aparecem em maior quantidade na natureza.

A quantidade de espécies descobertas nos últimos quatro anos é significativa se for levado em consideração o Catálogo Espécies do Milênio, publicado em 2012. Nele, a instituição descreveu 130 novos espécies (49 de flora e 81 de fauna) descobertas em 11 anos de pesquisa (2000-2011).

O forte aumento das descobertas foi favorecido pela participação dos pesquisadores do museu no inventário da Biodiversidade Planetária, desde 2007. A iniciativa reúne cientistas de 20 instituições do mundo todo, e permite a descrição de novas espécies em uma plataforma online

“Com as ferramentas cibernéticas é possível fazer descrições estruturadas, que podem ser comparadas com as dos outros colegas, o que facilita e acelera a descoberta de novidades”, afirmou o zoólogo Alexandre Bonaldo, pesquisador da instituição.

Para o especialista em mastozoologia, José de Sousa e Silva Jr., que também participou do trabalho de identificação do novo macaco, o museu pode anunciar nos próximos meses a descoberta de outras espécies, já que analisa vários exemplares resgatados da região amazônica inundada pelo lago da Usina Hidrelétrica de Samuel.

Segundo ele, algumas novas espécies de mamíferos, a maioria primatas, estão em fase de final de investigação, como, por exemplo, o macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo.

Os cientistas do MPEG afirmaram que a diversidade biológica da Amazônia pode ser maior do que se imagina devido ao fato de vários grupos da mesma família se desenvolveram como espécies diferentes ao ficar separadas em margens opostas de grandes rios, um fenômeno visto somente nesta região. (Fonte: Terra)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Exploração econômica da floresta no Pará

Governo prepara edital para exploração de 440 mil hectares de floresta no Pará


Mais de 440 mil hectares de uma área florestal no Pará poderão ser explorados por madeireiras a partir do próximo ano. O edital para que as empresas interessadas disputem as concessões de exploração sustentável de madeira foi lançado há uma semana pelo Serviço Florestal Brasileiro (SBF).

A Floresta Nacional do Crepori está localizada entre as rodovias Transamazônica (BR-230) e Cuiabá-Santarém (BR-163). O lote de concessão está dividido em quatro unidades de manejo com áreas de 29 mil hectares, 59,8 mil hectares, 134 mil hectares e 219 mil hectares, o que permitirá atrair empreendedores de vários portes. Um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial.

Os empresários têm até o final de novembro para apresentar os documentos e as propostas para concorrer à concessão de uma das quatro unidades em que a floresta foi dividida. O valor mínimo de pagamento é R$ 16,38 por mil metros cúbicos de madeira.

A disputa vai depender não apenas da taxa que as madeireiras pretendem pagar a cada mil metros cúbicos retirados. Além disso, as empresas precisam apontar indicadores ambientais, sociais e econômicos que aumentem a produtividade, como uso de tecnologias inovadoras para a retirada do produto e investimentos em infraestrutura e serviços para a comunidade local.

“No plano do manejo, verificamos se tem comunidades tradicionais próximas. Do retorno social, nossa estimativa é a criação de 200 empregos diretos e 400 indiretos, apenas em um dos municípios”, explicou Marcelo Arguelles, gerente executivo de Concessões Florestais do SBF.

Essa será a terceira concessão de parcela de florestas que o SBF abre para concorrência. O primeiro edital foi lançado em 2008 para uma floresta em Rondônia. “Em 2010, lançamos novos contratos no Pará. Temos mais um processo de mais 85 mil hectares em andamento e a expectativa de lançamento de vários editais de grandes áreas, que vão somar mais de 1 milhão de hectares”, disse ele.

A expectativa do governo é estimular a produção de madeira legal e sustentável nessas regiões, mas os técnicos ainda não conseguem medir os impactos da iniciativa.

˜São contratos ainda pontuais. Não temos condições de avaliar regionalmente. Mas do ponto de vista local, há benefícios claros. No Jamari [floresta em Rondônia com área explorada sob concessão], por exemplo, havia problema muito grave de invasão. Com a presença dos concessionários, a exploração ilegal foi reduzida a zero”, concluiu.

Segundo Argueles, a percepção da sociedade local sobre a floresta muda com a geração de riqueza e renda que a concessão passa a representar.

Por: Carolina Gonçalves
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Davi Oliveira

sábado, 18 de maio de 2013

O Pará prefere dinheiro fácil e rápido, mesmo que signifique pobreza do paraense


 Se o Pará tiver a inteligência de implantar  cinco projetos desta natureza em parques tecnológicos, não seriamos um Estado pobre e subdesenvolvido, criaríamos altas externalidades econômicas para gerar um verdadeiro desenvolvimento e não essa pobreza que não conseguimos superar. 



PCTGuamá terá unidade do CEABIO


A equipe do Centro de Estudos Avançados em Biodiversidade da UFPA (CEABio) teve o projeto aprovado pelo Conselho Curador do Parque de Ciência e Tecnologia - PCTGuamá . O CEABio representa um dos mais importantes centros de Pesquisa Básica em biodiversidade, com o qual conta a UFPA, e reúne uma equipe de pesquisadores, a maioria dos quais com formação acadêmica em áreas estratégicas para pesquisa em biodiversidade, como biotecnologia, química e biologia.

A apresentação feita pela equipe do CEABio mostrou, passo-a-passo, o processo de implantação do centro e ressaltou a importância dos produtos que serão gerados a partir das pesquisas que serão realizados pelo pesquisadores do Centro. Conforme o Plano de Negócios, os produtos serão extraídos, aproveitando a biodiversidade de plantas, peixes e microrganismos, existentes na Amazônia, sobre os quais a equipe de pesquisadores já estuda faz alguns anos.

Atuação - As áreas de atuação do CEABio serão a saúde, fitoterápicos, cosméticos e dermocosméticos e realização de serviços tecnológicos para empresas que precisem alargar suas pesquisas e colocar produtos de alto valor agregado, no mercado nacional e internacional.

A realização do Plano de Negócios contou com apoio técnico da Agência de Inovação Tecnológica (Universitec). Na ocasião foram apresentados os objetivos e o papel estratégico que cumprirá um centro de pesquisa de biodiversidade no Parque Tecnológico do Guamá, que incorpora uma área de serviços tecnológicos e produtos voltados para o mercado. Além das oportunidades e potencialidades da Amazônia aliados à experiência que o CEABio possui no desenvolvimento de produtos a partir da pesquisa básica.

Para conhecer e preservar a biodiversidade amazônica - O CEABio será coordenado pelo professor doutor Júlio Cesar Pieczarka, com o objetivo de desenvolver pesquisas para conhecer e preservar a biodiversidade amazônica com base no uso sustentável dos recursos naturais. Será construído em uma área de 2 mil m², no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT-Guamá), situado na Cidade Universitária José da Silveira Netto, em Belém , em um prazo de até 24 meses.

De acordo com Julio Pieczarka, o apoio da Universitec foi importante, no sentido de orientar na formatação do Plano de Negócio que foi apresentado ao conselho curador do PCT-Guamá. E essa parceria irá se estender, uma vez que o CEABio contará com o apoio da Universitec no que se refere a viabilizar um acordo de cooperação que possa garantir a capacitação e formação de empreendedores biotecnólogos com objetivos de desenvolver empreendimentos que reforçem a geração de inovação no ambiente da Universidade e transferí-los para o mercado.

O diretor da Agência, professor Dr. Gonzalo Enríquez, ressaltou o papel de um empreendimento dessa natureza implantado no Parque e afirmou que o CEABio representa um dos mais importantes centros de alta tecnologia, que será implantado em um parque tecnológico, pela capacidade e competência na academia; e na pesquisa básica e tecnológica, o CEABIO será um empreendimento de negócios como poucos que existem no Brasil e que nos países desenvolvidos são rotineiros.


Linhas de pesquisa e geração de produtos tecnológicos de alto valor agregado do CABIo. 


1. Biodiversidade de vertebrados: Cultura de células-tronco

2. Biodiversidade de invertebrados: agroindústria

3. Ecologia de florestas tropicais: bioprospecção de espécies

vegetais com potencial para fármacos

3.1. Propagação de espécies lenhosas nativas da Amazônia:

indústria madeireira

3.2. Etnofarmácia: produção de remédios

3.3. Fitoquímica de derivados de espécies vegetais: uso medicinal

4. Citogenética da biodiversidade amazônica: determinação

de modelos animais

5. Genética molecular da biodiversidade: base genética de

princípios ativos.

6. Cultura celular e células tronco mesenquimais.

7. Mutagênese ambiental: testes de extratos vegetais com

potencial para fármacos

7.1. Estudo reprodutivo de biomarcadores: determinação de

modelos animais


Texto : Hellen Lobato – Ascom Universitec

domingo, 6 de janeiro de 2013

Métrica biológica e os impactos à biodiversidade



Juliana Rehfeld, da Anglo American: A fórmula baliza investimentos e dá segurança à mitigação de danos e ao relacionamento com as comunidades"



Antes de explorar a jazida de níquel do Jacaré, em São Félix do Xingu, no Pará, atualmente em estudo de pré-viabilidade e com estimativa de produção anual de 80 mil toneladas por 49 anos, a mineradora responsável pelo projeto iniciou medições inéditas que vão além do potencial e vida útil da reserva, das análises de mercado e das planilhas financeiras. Também os impactos à biodiversidade e a dependência atual e futura do empreendimento em relação aos estoques naturais foram incorporados à conta. "No cenário da gestão de riscos, busca-se um método capaz de dimensionar os efeitos dessas alterações e, no próximo passo, valorar ativos ambientais", afirma Juliana Rehfeld, gerente de desenvolvimento sustentável da Anglo American, com plano de replicar a experiência nas demais operações no país.

Está em jogo o acesso à matéria-prima e a oportunidades de negócio: "A fórmula baliza investimentos e dá segurança à mitigação de danos e ao relacionamento com comunidades". A iniciativa integra um projeto-piloto internacional que reúne no Brasil oito empresas de grande porte para a calibragem de uma nova ferramenta de gestão - o Corporate Ecosystem Services Review - testada no exterior por mais de 300 corporações nos últimos quatro anos. Em território brasileiro, o foco é a Amazônia. "Problemas no acesso aos serviços vitais dos ecossistemas, como água e fixação de carbono, podem gerar riscos e impactos nos lucros operacionais", adverte Francisco Almendra, coordenador de clima e energia do World Resources Institute (WRI) no Brasil. Ele completa: "No mundo de hoje é estratégia de sobrevivência para os negócios avaliar o impacto e dependência em relação a esses ativos".

A métrica avalia 24 serviços ecossistêmicos. O grupo sul-africano Mondi, uma das maiores companhias globais de papéis e embalagens, com receita anual de € 5,7 bilhões, aplicou a metodologia para reverter o índice de espécies invasoras da fauna e flora levadas a ambientes estranhos ao seu habitat natural junto com o transporte de mercadorias, causando desequilíbrios ecológicos. Foi também aferido o impacto sobre a água doce, medida cujos resultados fortaleceram as relações com comunidades e permitiram a geração de renda com turismo.

No caso da empresa canadense de energia BC Hydro, a medição reduziu conflitos com partes interessadas do entorno dos empreendimentos e contribuiu para diminuir pela metade o tempo de licenciamento ambiental de hidrelétricas - de três a cinco anos para um a três anos.

A inovação principal é a análise sobre quanto o negócio depende dos recursos naturais impactados pelas atividades da própria empresa e seus fornecedores, principalmente nos setores do agronegócio, abastecimento de água, produção florestal, energia, petroquímica, mineração e turismo. De acordo com a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, estudo conduzido pelo WRI em parceria com 2,5 mil pesquisadores de todo o mundo, 15 dos 24 serviços ambientais do planeta se degradaram em níveis perigosos nos últimos 50 anos. Além de custos operacionais com implicações na competitividade, como alto valor da água limpa no futuro, o ambiente de escassez implica riscos regulatórios, de reputação e de acesso a mercados e a crédito - mas também abre caminho para novas tecnologias, modelos de negócios e arranjos produtivos.

Para uma indústria de cosméticos, impactos na regulação do clima pelo ambiente natural podem mudar o regime de chuvas e, por tabela, a incidência de insetos, prejudicando a produção de ativos da biodiversidade, como óleos essenciais. "Evoluímos na medição mais aprofundada dessas dependências", afirma Janice Casara, gerente de sustentabilidade da Natura, participante do projeto do WRI no Brasil, no qual as empresas testam a ferramenta com apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). Os resultados finais serão divulgados em meados de 2013.

A Natura emprega a fórmula para monitorar a produção pioneira de óleo de palma em sistemas agroflorestais mantidos por produtores familiares, na Amazônia. "Olhar estrategicamente para o futuro, e não apenas para o quanto foi emitido, gerado ou consumido no passado, é chave para a gestão sustentável mais coerente e de longo prazo", avalia a gerente. O foco unicamente nos impactos, diz ela, revela apenas "a ponta do iceberg" e não a real conexão dos negócios com os ecossistemas, envolvendo "questões culturais e de valor espiritual".

A preocupação chegou ao varejo. "É importante entender em que medida as operações de uma rede de supermercados estão associadas aos serviços ecossistêmicos", diz Camila Valverde, diretora de sustentabilidade do Walmart. O alvo principal será a cadeia de suprimento, em geral responsável por 90% dos impactos até os produtos serem expostos nas prateleiras.

Em Randon, no Pará, uma mina de bauxita hoje em fase de licenciamento para ser explorada a partir de 2016 incorpora dados sobre serviços ecossistêmicos ao planejamento das operações. Está prevista a recuperação de floresta em áreas de pastagens degradadas de onde o mineral será extraído, além da construção de aterro sanitário e estação de tratamento de esgoto na cidade, reduzindo o risco do abastecimento da empresa com água poluída.

"É uma forma de evitar custos operacionais mais altos no futuro", argumenta David Canassa, gerente de sustentabilidade da Votorantim Metais, responsável por investimento de R$ 5,6 bilhões na região. "Em 2010, quando a biodiversidade foi inserida na pauta do planejamento estratégico, estipulamos que em cinco anos teríamos uma metodologia para medi-la", diz o executivo. Não bastava valorar os serviços ecossistêmicos, mas identificar os impactos sobre os recursos que a natureza provia às operações. Após a experiência inicial, o método começou a ser aplicado em outras quatro plantas do grupo.

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Perdas da biodiversidade podem afetar economias



Quando a iniciativa The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) divulgou há três anos que o mundo perde anualmente entre US$ 2,5 trilhões e US$ 4,5 trilhões com a destruição dos ecossistemas vitais, o setor empresarial despertou para os riscos e começou a se movimentar para evitar impactos irreversíveis nos negócios. Liderado por Pavan Sukhdev, diretor-fundador da empresa indiana GIST (Green Indian States Trust), o estudo, iniciado em 2007, gerou diferentes relatórios que subsidiariam negociações internacionais sobre o tema. No Brasil, dono de 15% da biodiversidade do planeta, invejável estoque hídrico e expressivo potencial no mercado de fixação de carbono, o governo federal decidiu iniciar a tropicalização da metodologia para inserir o assunto nas contas nacionais, trabalho conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Em paralelo, foi lançada em outubro no Brasil uma versão do TEEB específica para o mundo dos negócios, de modo que o meio empresarial contabilize riscos e identifique oportunidades a partir da biodiversidade. "A inclusão desses valores nas políticas adotadas pelas empresas pode gerar economia de recursos, desenvolvimento local, geração de emprego e melhoria na qualidade de vida", diz Helena Pavese, gerente de política ambiental da Conservação Internacional (CI-Brasil), organização ambientalista que desenvolve o projeto em cooperação com a ONU.

O objetivo é tornar as ferramentas de medição acessíveis e mudar a cultura corporativa para incluir a biodiversidade no manejo de riscos. Nos próximos 25 anos, diz Pavese, as perdas de biodiversidade podem atingir € 25 bilhões, podendo afetar setores estratégicos.

Só os EUA movimentam entre US$ 75 bilhões e US$ 150 bilhões com a produção de fármacos a partir de recursos naturais. Pavese acredita ser possível reverter o processo quando se mede financeiramente a biodiversidade.

A cidade de Nova York, por exemplo, economizou US$ 6 bilhões em tratamento de água após o recente investimento na recuperação ambiental de seu principal manancial hídrico, nas montanhas de Catskills.

Contabilizar o retorno para as empresas e para a sociedade de cada real investido na proteção dos recursos naturais é uma estratégia que fortalece os argumentos para a urgência da conservação. No Brasil, 78% da hidroeletricidade provem de fontes geradoras nutridas por rios situados em áreas protegidas, como parques ou reservas, que garantem qualidade e boa vazão à água. Os dados constam no relatório "Contribuição das Unidades de Conservação Brasileiras para a Economia Nacional", elaborado pelo United Nations Environment Programme (UNEP).

Para o pesquisador Carlos Eduardo Young, um dos autores do estudo, "o sucesso ou fracasso dos empreendimentos deixam de ser consequência apenas dos resultados financeiros atingidos".

Na competição por mercado, surgem ferramentas de gestão para diferenciar empresas que adotam boas práticas no uso da biodiversidade. É o caso do selo de certificação Life, projeto brasileiro reconhecido pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), em fase piloto de desenvolvimento. (SA)


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Açaí, fruto típico de uma palmeira amazônica, ganhou o mundo


O açaizeiro é uma palmeira tipicamente tropical, encontrada no estado silvestre e faz parte da vegetação das matas de terra firme, várzea e igapó. A palmeira também é explorada na região para a extração do palmito. Conhecido por ter uma polpa com grande poder nutritivo, a fruta é consumida no mundo todo em bebidas, mix de frutas, sorvetes e cápsulas.

O Açaí, fruto típico de uma palmeira amazônica, ganhou o mundo. É vedete nas lanchonetes de cidades litorâneas do Brasil, em quiosques de Los Angeles e Nova Iorque (EUA) e até em Paris (França). Açaí, típico da região Amazônica, fruto do açaizeiro (Euterpe oleracea, família Palmae) é muito utilizado pelos habitantes no preparo de sucos, vinhos, doces, licores e sorvetes. O açaizeiro é uma palmeira tipicamente tropical, encontrada no estado silvestre e faz parte da vegetação das matas de terra firme, várzea e igapó. A palmeira também é explorada na região para a extração do palmito. Conhecido por ter uma polpa com grande poder nutritivo, a fruta é consumida no mundo todo em bebidas, mix de frutas, sorvetes e cápsulas.

Na região amazônica, o suco feito com a polpa é conhecido como “vinho de açaí”. Consumido geralmente com farinha de tapioca, faz parte da alimentação local. Hoje, o estado que lidera a produção é o Pará, com quase 90% do mercado, mas o açaí é apreciado em toda a região amazônica e recentemente tem sido também consumido pelos estados do Sul e Sudeste do Brasil, principalmente por academias e atletas.


Açaizeiro

 Despolpamento do fruto
Pelo despolpamento do fruto, obtem-se o tradicional "vinho do açaí", bebida de grande aceitação e bastante difundida entre as camadas populares, considerado um dos alimentos básicos da região. O caroço (endocarpo e amêndoa), após decomposição é largamente empregado como matéria orgânica, sendo considerado ótimo adubo para o cultivo de hortaliças e plantas ornamentais.

Utilização da Estirpe do Açaí
Quando adulto e bem seco, a estirpe é bastante utilizado como esteio para construções rústicas, ripas para cercados, currais, paredes e caibros para coberturas de barracas, lenha para aquecimento de fornos de olarias. Experiências realizadas pelo Idesp-Pará, demonstraram a sua importância como matéria-prima para produção de papel e produtos de isolamento elétrico.

A Copa
As folhas do açaí servem para cobertura de barracas provisórias e fechamento de paredes, especialmente as de uso transitório como as utilizadas pelos roceiros e caçadores. Quando verdes e recém-batidas, servem como ração, sendo bastante apreciada pelos animais. As folhas do açaizeiro, após trituração, também fornecem matéria-prima para fabricação de papel. Na base da copa, constituída pela reunião das bainhas e o ponto terminal do estipe, encontra-se um palmito de ótima qualidade e muito procurado pelas indústrias alimentícias.

As bainhas da folhas, por sua vez, após separação para extração do palmito e os resíduos deste, são utilizadas como excelente ração para bovinos e suínos, bem como - após decomposição - excelente adubo orgânico para hortaliças e fruteiras.

A Planta
É palmeira de belo porte, apresentando-se bastante alta, quando em concorrência na floresta, porém de porte médio se cultivada isoladamente ou sem influência de árvores de grande porte. Presta-se com ótimos resultados para ornamentação de jardins e parques. Pelas características de cultura permanente, pode ser recomendada para proteção do solo, por apresentar uma deposição constante de folhas, aliado ao sistema radicular abundante que possui.

Importância Comercial
O açaí é de importância incalculável para a região amazônica em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, tornando-se impossível, nas condições atuais de produção e mercado, a obtenção de dados exatos sobre sua comercialização. A falta de controle nas vendas, bem como a inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida apoia-se pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta, também impedem a constituição de números exatos.

Variedades
O açaizeiro apresenta duas variedades bastante conhecidas pelo homem interiorano, cuja diferenciação é feita apenas pela coloração que os frutos apresentam quando maduros, as quais podem ser assim caracterizadas:

Açaí Roxo:
É a variedade regional predominante conhecida com açaí preto, pois seus frutos apresentam, quando maduros, uma polpa escura, da qual se obtém um suco de coloração arroxeada "cor de vinho", originando assim, a denominação popular de "vinho de açaí".

Açaí Branco
É assim denominado por produzir frutos cuja polpa, quando madura, se apresenta de coloração verde-escuro brilhante, fornecendo um suco (vinho) de cor creme claro.

Além de ser aproveitado de todas estas formas, o palmito do açai, que é muito apreciado e considerado como um prato fino, é comercializado em grande escala e chega a ser exportado.

Bom para a Saúde
O mais recente resultado da pesquisa traz nova boa notícia aos consumidores do açaí. Em artigo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, os cientistas descrevem que os antioxidantes contidos no fruto são absorvidos pelo organismo humano. O estudo envolveu 12 voluntários, que consumiram açaí em polpa e na forma de suco, esta última contendo metade da concentração de antocianinas – pigmentos que dão cor às frutas – do que a versão em polpa. Os dois alimentos foram comparados com sucos sem propriedades antioxidantes, usados como controle.

Amostras do sangue e da urina dos participantes foram tomadas 12 e 24 horas após o consumo e analisadas. Segundo os pesquisadores, tanto a polpa como o suco apresentaram absorção significativa de antioxidantes no sangue após terem sido consumidos. "O açaí tem baixo teor de açúcar e seu sabor é descrito como uma mistura de vinho tinto e chocolate. Ou seja, o que mais podemos querer de uma fruta?", disse Susanne Talcott, principal autora do estudo, do qual também participaram cientistas das universidades do Tennessee e da Flórida.

Segundo ela, trabalhos futuros poderão ajudar a determinar se o consumo do açaí pode resultar em benefícios para a saúde com relação à prevenção de doenças. O grupo do qual faz parte tem estudado a ação do açaí contra células cancerosas. “Nossa preocupação é que o açaí tem sido vendido como um superalimento. E ele definitivamente tem atributos notáveis, mas não pode ser considerado uma solução para doenças. Há muitos outros bons alimentos e o açaí pode ser parte de uma dieta bem balanceada”, disse Susanne.

O artigo Pharmacokinetics of anthocyanins and antioxidant effects after the consumption of anthocyanin-rich açai juice and pulp (Euterpe oleracea Mart.) in human healthy volunteers, de Susanne Talcott e outros, pode ser lido por assinantes do Journal of Agricultural and Food Chemistry em http://pubs.acs.org/journals/jafca

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Biodiversidade - Tesouro no meio da selva. O que faz o Estado do Amazonas progredir.



A Amazônia abriga a maior diversidade de vida do planeta e 12% das espécies de plantas já descritas, mas ainda precisa aprender a gerar de lucro sem a destruição do meio ambiente.

A primeira recomendação que um pesquisador recebe ao ingressar na equipe do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) é ficar de boca fechada. Para explorar economicamente um dos maiores santuários de vida selvagem do planeta, um dos cuidados básicos é assinar acordos de confidencialidade com os parceiros privados. Em ocasiões especiais, no entanto, a regra pode ser quebrada.

A clonagem do curauá - uma planta amazônica da família das bromélias, cujo fruto se parece muito com um abacaxi em miniatura - foi uma dessas ocasiões. Amargo demais para virar suco, o curauá entrou no radar dos pesquisadores após a descoberta do potencial econômico das fibras de suas folhas. Além de servir para revestimento de colchões e forro de carros, as folhas do curauá podem entrar na cadeia produtiva de celulares e equipamentos eletrônicos em substituição à fibra de vidro.

Nada mais simbólico do que um abacaxi para ilustrar o esforço do País na busca por um novo ciclo de desenvolvimento econômico para a Amazônia - uma região que tem no desmatamento o maior inimigo. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo e a região amazônica abriga muitos de seus tesouros biológicos. Há 85 mil espécies descritas (43% do total do País). E isso representa apenas uma pequena parte do potencial estimado para a região. A flora, a fauna, os fungos e os micro-organismos da floresta são vistos como matéria-prima para a produção de remédios e alimentos. Só que toda essa riqueza não valerá nada, caso não seja estudada pela ciência. E está aí uma das dificuldades crônicas da região. A Amazônia ocupa 61% do território nacional, mas absorve apenas 4% dos doutores e grupos de pesquisa do País.

"São formiguinhas contra um gigante. Existe pesquisa de qualidade, mas não há escala para o desafio econômico e as oportunidades que a região representa para o País", lamenta o pesquisador Ulisses Galatti, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

Só que transformar pesquisa em dinheiro e tirar a Amazônia do limbo científico não são tarefas fáceis. É necessário conciliar interesses muitas vezes conflitantes. Os cientistas estão empenhados em superar a fronteira do conhecimento. Os empresários apostam na biodiversidade como fonte de lucros. E as comunidades locais dependem da natureza para sobreviver. São interesses que envolvem cifras atraentes. Só na última década, o Museu Goeldi, instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), descreveu 130 novas espécies, entre plantas, animais e fungos.

Em menos de um quilômetro quadrado da Floresta Amazônica há mais espécies de plantas do que em todos os países da Zona do Euro. Uma única árvore, por exemplo, é habitat de numerosos tipos de invertebrados, de formigas a aranhas, passando por abelhas e besouros.

Em número de plantas descritas, a Amazônia tem hoje catalogadas 60 mil espécies, o que representa 12% das espécies do planeta. E ainda há três mil espécies de peixes de água doce, 849 de anfíbios, 540 de mamíferos, 1.700 de aves, 693 de répteis e 13 mil de fungos. Além de ser de longe o bioma mais rico do planeta Terra, a Amazônia é, ao mesmo tempo, a floresta com o maior número de espécies descritas. Só que, paradoxalmente, é também onde se estima haver o maior número de espécies a descobrir.

Superar o desafio da biotecnologia vai muito além da identificação de novas espécies. É preciso isolar o princípio ativo (a substância que confere ação de interesse para a produção de fármacos, por exemplo) e descobrir onde aplicá-lo. Criado em 2002, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) precisou de uma década para clonar as mudas do curauá - etapa obrigatória para garantir a produção em larga escala para a indústria. Resta agora atrair parcerias estratégicas. Ou seja, encontrar empresários que acreditem no potencial da fibra amazônica e de outro, rastrear comunidades locais dispostas a plantar as mudas.

A imensidão territorial e as transformações provocadas pela ação humana não bastam para explicar o desconhecimento sobre o potencial da biodiversidade amazônica. Estudos sobre esse tesouro no meio da selva, como o Censo da Biodiversidade, conduzido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, estão apenas no começo. A situação é agravada pela pequena quantidade de pesquisadores residentes na região, muitos deles motivados por posições ideológicas que se chocam com a ideia de explorar comercialmente o patrimônio genético nacional.

No ano em que o CBA foi inaugurado, em Manaus, o mercado internacional de produtos biotecnológicos movimentou US$ 780 bilhões. De olho nesse mercado o projeto saiu do papel para ser um centro de excelência na Amazônia. Visto como um projeto estratégico, a meta era abocanhar uma parcela dos negócios mundo afora. Pesquisas começaram a ser desenvolvidas nos laboratórios montados para explorar o potencial da floresta. Só que, nesses dez anos, os projetos ambiciosos minguaram, a ponto de a instituição ter corrido risco de virar um elefante branco.

Nenhuma patente foi registrada e o centro não tem personalidade jurídica própria, o que o impede de contratar cientistas diretamente. E pior: os recursos do CBA são originários somente dos impostos pagos pelas 600 empresas da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Para evitar a paralisia, driblar a burocracia e impedir que o CBA virasse de fato um elefante branco, a saída foi se aproximar do setor privado e se submeter as regras de mercado. O sigilo passou a ser exigido nas pesquisas em andamento e as equipes de cientistas mudaram a dinâmica de trabalho. Agora, elas atuam apenas numa das etapas do desenvolvimento do projeto.

"Inicialmente, os colegas reagiram mal à ideia de trabalhar em linha de montagem. O Brasil não tem essa experiência. Os cientistas sempre foram vinculados à academia. Mas fomos obrigados a cortar esse vínculo. Não fazemos mais pesquisa básica", analisa o farmacêutico José Augusto Cabral, coordenador de Produtos Naturais da instituição. "Quem planeja fazer um mestrado ou mesmo um doutorado, tem que procurar outro lugar para trabalhar".

(O Globo )

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pobre nosso Pará, aqui temos 70% dos pesquisadores da Amazônia, mas quem fala pela Região e Manaus.

Encontro de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia

Após três dias de debates, representantes de todos os estados da Amazônia Legal finalizaram documento que será encaminhado à presidente Dilma Rousseff e apresentado na Rio+20.
De 30 de maio a 1º de junho, aconteceu em Manaus (AM) o Fórum de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, no Salão Rio Negro, em Manaus, Amazonas. Durante três dias, delegações de todos os estados da Amazônia Legal discutiram as prioridades da região e qual será o modelo de desenvolvimento econômico a ser defendido na Conferência das Nações Unidas Rio+20, que acontece de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. O objetivo principal era a construção da Carta da Amazônia, que contém ações de desenvolvimento sustentável do Norte para os próximos anos.

Em seu discurso na abertura do evento, o governador do Amazonas, Omar Aziz, discursou sobre a inclusão do homem no processo de crescimento da Amazônia, "somos favoráveis a preservação do meio ambiente, mas nesse contexto há que se observar as dificuldades de viver na Amazônia, ver o que nossos ribeirinhos e homens da floresta vivem e enfrentam. Posso dizer que este Fórum é um dos maiores encontros já feitos para se discutir a Amazônia. Na Rio+20 os países vêm discutir modelos de desenvolvimento para o mundo, mas virão também discutir nossa região", disse o governador.

No encontro, autoridades e estudiosos deram o tom de como pretendem trabalhar o ideal de sustentabilidade na Amazônia. No primeiro dia de debates, observou-se que há vontade de pesquisadores e políticos em criar um modelo de desenvolvimento pensado pelos próprios amazônidas em detrimento a modelos impostos por outros estudiosos fora do contexto amazônico, "com a Carta da Amazônia queremos dizer ao mundo o que entendemos por desenvolvimento sustentável. É fácil dizer o que é bom para nós, mas desejamos mostrar o que queremos e pensamos", disse o representante de secretarias de meio ambiente da Amazônia.

Outro palestrante foi o pesquisador Ennio Candotti, vice-presidente da SBPC e diretor do Museu da Amazônia. Candotti ministrou palestra sobre os problemas da Amazônia e apontou sugestões para enriquecer os debates.

Falou ainda sobre o pequeno número de pesquisadores que há na Amazônia e os poucos incentivos para a área de pesquisas na região, "cerca de 70% das pesquisas na Amazônia são realizadas por estrangeiros, temos que mudar este quadro valorizando nossos cursos de mestrado e doutorado, minha sugestão é que o programa Ciência sem Fronteiras, [programa de incentivo a ciência e pesquisa do governo federal] que investe em 75 mil bolsas de estudos, transfira pelo menos 20 mil destas bolsas para o desenvolvimento da Amazônia, em nossos estudantes da região", relata.

O palestrante abordou temas delicados, como o crédito de carbono, na qual chamou de colonialismo, ao ver que certos países possuem licença para desmatar e produzir, bastando somente que consigam áreas em outras regiões onde se preserve a floresta. Outro ponto foi quanto às águas na Amazônia que, ao exemplo do petróleo, poderia gerar 'royalties' por onde passasse, como a água que move turbinas e que irriga plantações.

Candotti frisou pela preservação do potencial amazônico e seus microorganismos, onde a regeneração da floresta depende de fungos que transformam folhas e madeiras em nutrientes. Outro ponto foi quanto à falta de menção no novo Código Florestal as florestas alagadas que, segundo o cientista, atinge uma área de 500 mil quilômetros quadrados na Amazônia. No discurso final fez uma defesa das populações ribeirinhas, povos indígenas e dos aqüíferos [reservatórios de águas subterrâneas] na Amazônia.

Outra palestrante foi a pesquisadora Berta Becker. A professora deu início a sua fala onde cita que há mudanças propostas pelo mundo entre o conceito de desenvolvimento sustentável para o de sustentabilidade global. Berta Becker fez críticas às exportações feitas na Amazônia atualmente, "temos que terminar com este conceito de exportar em bruto, temos que fortalecer nossas cadeias produtivas, isso melhorará nosso modelo de desenvolvimento e nossa contribuição ao PIB nacional que é de apenas 8%", disse.

Berta Becker expôs que este modelo de exploração da Amazônia está mudando. "A exploração de nossas matérias primas está cedendo à exploração das funções da natureza, por exemplo, o uso racional de nossa estrutura para fins mais sustentáveis como o uso de energias alternativas".

Também relatou sobre a transformação da Amazônia em uma fronteira de imigrantes internacionais, "países como índia e o Haiti são exemplos onde há pessoas vindas para trabalhar e viver na Amazônia", disse.

Carta da Amazônia - A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, participaram do último dia do "Encontro de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia". Elas serão as responsáveis de encaminhar pleitos dos governadores à presidente Dilma Rousseff.

Antes do pronunciamento no evento, as titulares se reuniram com as autoridades dos nove estados da Amazônia Brasileira para tratar sobre a "Carta da Amazônia", que integrará as discussões na Rio+20. Ideli Salvatti enfatizou a disposição dos governadores em criar um Conselho do Desenvolvimento Sustentável com participação dos governos federal e estaduais, sociedade civil e municípios para que o desenvolvimento com sustentabilidade possa acontecer na Amazônia.

"A Amazônia tem um grande apelo mundial e por este motivo ela tem uma relevância neste evento. Por isso, o que os governadores fizeram preparando a carta, colocando as necessidades, os avanços e os pleitos são de fundamental importância nesse momento. Realço que na carta uma das principais deliberações é no sentido de avançar naquilo que será debatido na Rio+20, que é a governança para o desenvolvimento sustentável", disse Ideli Salvatti.

A ministra assegurou que o documento formulado pelas autoridades da Amazônia Legal será encaminhado à presidente Dilma Rousseff. Além disso, as titulares irão articular uma audiência entre os governadores e a presidente. "A ideia é que esse encontro ocorra antes da Rio+20 para que todos esses pleitos, análises e a parceira entre os governadores da Amazônia e a presidenta possa se consolidar", concluiu Ideli Salvatti.

Já Izabella Teixeira ressaltou que a região Amazônica irá se apresentar ao mundo depois de 20 anos com a menor taxa de desmatamento da história. "Houve avanços nas políticas de desenvolvimento regional e com uma convergência de políticas importantes em relação ao mundo sustentável. O próprio sentido da erradicação da pobreza, da economia verde e inclusiva que aposta nos melhores caminhos em termos de sustentabilidade, que traga crescimento econômico e social", declarou a ministra.

Na análise da titular, dois pontos importantes integram as prioridades da 'Carta da Amazônia': o foco nas questões urbanas e os aspectos das inovações científicas e tecnológicas. "A proposta dos governadores é uma proposta muito concreta com um comitê que vai avaliar, reunir as prioridades e as questões de buscar os meios para implementação, não vai ser uma governança separada e sim única, mudando o modelo atual das Nações Unidas", explicou a ministra do Meio Ambiente.

(JC com informações do Portal Bvnews e Portal G1)

domingo, 27 de maio de 2012

UFPA recebe recursos do BNDES para projetos



A Universidade Federal do Pará (UFPA) receberá recursos de, aproximadamente, R$ 9,2 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). O repasse vai-se dar por meio do Fundo Amazônia, programa voltado à captação de recursos de doações voluntárias para o apoio não reembolsável a ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a promoção da conservação e do uso sustentável das florestas na Amazônia. A verba deverá custear projetos de pesquisa que visam à preservação ambiental, a prospecção de compostos bioativos e até a construção de um Centro de Estudos Avançados em Biodiversidade na UFPA.

Ao todo, os recursos somam R$ 9.112.269,91, que serão repartidos entre quatro projetos de pesquisa ou iniciativas científicas na UFPA, que envolvem o Instituto de Ciência e Tecnologia (ITEC), o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), ambos do Campus Guamá- Belém e o Instituto de Estudos Costeiros, do Campus de Bragança.

A maior soma de recursos, um total de R$ 4.639.706,98, será destinado ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa da UFPA voltada para a biodiversidade, que compreende, entre outras ações, a construção do Centro de Estudos Avançados em Biodiversidade (CEABIO).

Biodiversidade em foco - O CEABIO será vinculado ao ICB e coordenado pelo professor doutor Júlio Cesar Pieczarka, com o objetivo de desenvolver pesquisas para conhecer e preservar a biodiversidade amazônica com base no uso sustentável dos recursos naturais. O CEABIO será construído em uma área de 2 mil m², no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT-Guamá), situado na Cidade Universitária José da Silveira Netto, em Belém , em um prazo de até 24 meses.

O recurso será, ainda, utilizado para a reforma do Laboratório de Planejamento de Fármacos e do Laboratório de Neuroquímica Molecular e Celular, além da aquisição e instalação de equipamentos em laboratórios de pesquisa da Faculdade de Biotecnologia da UFPA, sob a coordenação do professor José Luiz do Nascimento, o que deverá ser executado em um prazo de 12 meses.

Avanço - De acordo com Julio Pieczarka, os recursos destinados pelo BNDES representam um grande avanço para a produção científica na UFPA e as pesquisas sobre a biodiversidade amazônica, pois permitirá o agrupamento de pesquisadores para trabalharem, de forma integrada e cooperativa, no objetivo comum de “manter a floresta em pé” e saber como utilizar seus recursos com base nos princípios da bioprospecção e preservação ambiental. A meta é, ainda, angariar apoio com outras instituições financiadoras, além daqueles obtidos por editais como o da Vale e Bionorte, ligado ao CNPq, para criar e reforçar uma rede de grupos de pesquisa em biodiversidade espalhados pela Região Amazônica.

Histórico – Um total de 20 projetos científicos da UFPA foi apresentado ao BNDES, em março de 2010, com o objetivo de pleitear financiamento do Fundo Amazônia (confira aqui), o que representava investimentos na ordem de R$ 20 milhões. De todos, quatro projetos chegaram à reta final do edital de colaboração financeira, que recebe propostas em fluxo contínuo (saiba mais aqui), equivalendo ao repasse de quase metade do valor pleiteado. A operação de financiamento pelo BNDES aos projetos foi aprovada no âmbito do Conselho de Administração da UFPA (CONSAD), na terça-feira, dia 22 de maio.

Demais beneficiados - Também serão beneficiados pelo Fundo Amazônia os Projetos: “Desenvolvimento de Novos Produtos e Aplicações Tecnológicas a partir de Compostos Bioativos Extraídos de Plantas e Frutas Típicas da Amazônia”, pertencente ao ITEC e coordenado pelo professor doutor Hervé Rogez; “Zoneamento Econômico e Ambiental nas Ilhas do Entorno da Cidade de Belém em Escala Local”, pertencente ao ICB e coordenado pela professora Victória Nahum; e “Desenvolvimento de Tecnologia para Recuperação de Áreas Degradadas de Mangue na Região Norte”, pertencente ao Campus de Bragança e coordenado pelo professor Marcus Fernandes (conheça o projeto aqui). Todos os projetos serão beneficiados com ampliação de infraestrutura, custeio de atividades e equipamentos. (Ascom Ufpa)

sábado, 12 de maio de 2012

Governo quer lei para agilizar pesquisas e facilitar aproveitamento da biodiversidade

As pesquisas sobre o aproveitamento da biodiversidade brasileira para produção de cosméticos e medicamentos podem ganhar impulso nos próximos meses. O governo está finalizando uma proposta de lei que desburocratiza a atividade no País e dá mais liberdade aos cientistas para trabalhar com recursos genéticos da natureza.

No final de 2010, mais de 300 processos de regularização de atividades de bioprospecção e desenvolvimento tecnológico aguardavam decisão do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) do Ministério do Meio Ambiente. Os casos ainda estão sendo analisados nas reuniões mensais do órgão, que é o responsável pelas autorizações de acesso aos recursos genéticos. A proposta é regularizar a situação dessas atividades, sem eximir multas e outras punições.

Em contrapartida, segundo Carlos Joly, assessor do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), uma das novidades da legislação a ser proposta é que o controle mais rigoroso sobre licenças e contratos será feito apenas na fase em que o produto derivado de recursos genéticos for, de fato, para o mercado.

Hoje, os pesquisadores têm que apresentar toda a documentação no início do processo. O esforço burocrático, entretanto, muitas vezes é desperdiçado, porque cerca de 95% de todo o trabalho de bioprospecção (projeção sobre potencial dos recursos) não resultam em produtos que podem ser comercializados.

"Temos uma legislação muito burocrática. Você faz exigências na etapa inicial que sobrecarregam os pesquisadores e institutos de pesquisa, e o governo ainda tem que checar todos esses documentos. Temos que estimular a pesquisa e não engessar o processo e criar barreiras", disse.

Em pelo menos outros dois pontos da proposta, o grupo de técnicos dos seis ministérios envolvidos ainda não encontrou consenso. Um deles trata da tarifação dos benefícios oriundos do uso da biodiversidade.

A lei precisa prever um retorno, em porcentagem de ganhos, para o provedor do recurso, que pode ser tanto a União, no caso de moléculas encontradas em unidades de conservação, quando proprietários de áreas particulares. "É sempre complicado definir o que é uma repartição justa. O assunto é delicado e tem tomado tempo nas negociações, mas estamos chegando a um denominador comum", explicou Joly.

Por outro lado, o impasse sobre punição em caso de descumprimento da lei ainda parece longe de um fim. "Todos entendem que deve ter penalidade, mas de que tipo? Quase todas as pesquisas são financiadas por órgãos públicos e muitas vezes os pesquisadores desconhecem a complexidade do processo. Podem perder a licença por não apresentar um documento, já que não estão acostumados", explicou Joly.

Depois que técnicos dos ministérios da Saúde, do Meio Ambiente, da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores finalizarem a proposta, o texto será encaminhado para análise da Casa Civil. Só então será encaminhado para apreciação do Congresso Nacional.

(Agência Brasil)

domingo, 22 de abril de 2012

Bioindústria do Pará em Foco


Bioindústria, o diferencial competitivo da natureza paraense

Gonzalo V. Enríquez[1]
A Amazônia representa uma das maiores fontes de recursos naturais, além de ser um dos três patrimônios naturais mais importantes do planeta. Os outros são os mares profundos, sem uma governança ainda definida, e o território antártico, compartilhado entre diversas nações. Assim, a Amazônia é a única grande reserva da natureza que pertence, em sua maior parte, a um único país – o Brasil. Também, a Amazônia é uma das regiões mais cobiçadas no mundo pela riqueza da sua biodiversidade.
É sabido que o atual modelo econômico vigente na Amazônia não tem contribuído para o seu dinamismo econômico sustentável, nem para uma melhor distribuição de renda, a partir do benefício econômico gerado. No caso do Pará, o estado precisa de uma verdadeira transformação do conhecimento e mudança da sua base produtiva. Afinal, nos caracterizamos por ser meramente um exportador de matérias primas, sem valor agregado. Os recursos minerais representam mais US$ 16 bilhões (90%), e deixa o setor madeireiro com quase US$ 400 milhões (2%) e os produtos da biodiversidade ou chamados produtos florestais não madeireiros (PFNM) com pouco mais de US$ 32 milhões (0,18%) do valor das exportações do Estado (Gráfico abaixo).
O maior desafio consiste em alterar esse quadro perverso de exploração predatória dos recursos naturais e ampliar a participação da biodiversidade nas exportações paraenses. Um modelo diferente é necessário para dar valor à floresta e aproveitar a biodiversidade de forma sustentável. Para que isso aconteça se faz necessário transformar os recursos da biodiversidade em produtos com valor agregado e, a inovação tecnológica é a principal ferramenta para que esse processo aconteça.
Entretanto, nossa capacidade científica e tecnológica ainda é extremamente frágil, fragmentada e pouco consolidada. São escassas as experiências de sucesso de empresas que exploram comercialmente a biodiversidade e que representem uma contribuição à economia do Estado.
Conhecemos apenas mostras de pequenas empresas, incubadoras e parques tecnológicos, que são protótipos que mostram a transformação da biodiversidade em produtos com alto valor agregado, mas com pouca expressão na economia paraense. Para transformar essa realidade é fundamental a criação de uma bioindústria paraense, de dar escala aos produtos da biodiversidade, alterando a base produtiva do Estado com produtos de alto valor agregado, como são os perfumes, óleos naturais e essenciais e remédios naturais, os que são altamente demandados nos países desenvolvidos.
A floresta tem valor e pode ser alto e muito rentável, mas é preciso demonstrar que ela pode valer mais como floresta em pé que derrubada, principalmente pelas enormes possibilidades de incorporação de tecnologia e criação de bioindústrias, para produzir produtos com alto valor agregado, remédios e produtos da cosmetologia (cosméticos e dermocosméticos), bem como fitoterápicos, óleos essenciais e alimentos. Esse é o verdadeiro valor estratégico da natureza e que a Amazônia pode oferecer para o mercado mundial.
Assim o confirmam as inúmeras empresas que são verdadeiros cases de sucesso no planeta e que usam insumos da biodiversidade da nossa região. Produtos como copaíba, andiroba, o tradicional óleo de castanha-do-pará que ganham escala em insumos de produtos de beleza, como óleos naturais para massagens, sabonetes óleos essenciais para perfumes e em geral cosméticos, que contam com maior valor agregado que commodities como o ferro, a soja e a madeira, exportados com escasso valor agregado e que contribuem muito pouco com a sustentabilidade do Pará (criação de empregos, renda e preservação do meio ambiente).
Mas, o que está faltando para que a biodiversidade, não apenas tenha um valor potencial e sim consiga alcançar os mercados internacionais? Parte da resposta pode estar na tecnologia, mais especificamente na inovação tecnológica nos produtos da biodiversidade, processo que acontece, precisamente, na indústria. E no caso da exploração da biodiversidade, esse processo acontece na bioindústria. Daí que a bioindústria é um mecanismo essencial para realizar inovação tecnológica e agregar valor aos produtos da biodiversidade.
Apesar de que já existem experiências pilotos de pequenas bioindústrias, em incubadoras e parques tecnológicos, que se relacionam com universidades e centros de pesquisa, o Estado deve transformar esses cases de sucesso, em políticas públicas e dar escala à produção da biodiversidade, caso contrário, continuaremos sendo uma região rica em biodiversidade e em matérias primas e, no entanto, exportando produtos com baixo valor agregado, commodities.
Para dar escala à aos produtos da biodiversidade é fundamental criar um novo conceito de produção sustentável, implantar complexos industriais, dos segmentos empresariais voltados à exploração da biodiversidade. Esses complexos devem contar com políticas públicas, incentivos de investimentos tecnológicos e de gestão e operação para sua implantação, além de apoios das instituições de desenvolvimento que atuam na região Amazônica e no Estado do Pará. Nesta perspectiva, a indústria da biodiversidade poderá absorver as inovações tecnológicas de forma compartilhada e agregar valor à biodiversidade, uma das questões fundamentais para que a floresta consiga produzir para uma demanda cada vez mais crescente de produtos oriundos da Amazônia e, nesse arranjo inteligente, a região deixe de ser apenas fornecedora de matéria-prima, exporte valor agregado, alavanque empregos e distribua renda internalizando os lucros da biodiversidade.


[1] Economista. Mestre em Política científica e Tecnológica (UNICAMP), Doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB), Docente da UFPA

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Biodiversidade em Pauta.


PROJETO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE A BIODIVERSIDADE É LANÇADO NO SENADO
“O conhecimento seguro sobre a nossa biodiversidade é fundamental para a estruturação de uma economia verde. Não se pode explorar aquilo que não se conhece”, sustentou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, no lançamento do Projeto do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). A iniciativa foi lançada, nesta terça-feira (17), em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal. A iniciativa objetiva garantir o uso de dados sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros na elaboração e na implementação de políticas, facilitando e integrando a informação sobre o tema na tomada de decisão e nos processos de desenvolvimento de políticas públicas. Conta com US$ 28 milhões (US$ 20 milhões do MCTI e US$ 8 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente, o GEF, na sigla em inglês), conforme destacou Raupp. O propósito é consolidar a infraestrutura, os instrumentos, as ferramentas e a tecnologia necessários para qualificar, reunir e disponibilizar online e gratuitamente a informação de biodiversidade contida em coleções de recursos biológicos do país, além de fortalecer as capacidades institucionais para garantir a atualização dos dados e o desenvolvimento de produtos e serviços.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI
TEFÉ VAI GANHAR USINA DE CASTANHA DO BRASIL
 
O primeiro passo para a construção da Usina de Beneficiamento da Castanha do Brasil já foi dado: orçamento de máquinas e equipamentos. Agora, um estudo de viabilidade econômica, feito pela Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) vai apontar a necessidade de instalação da Usina no município. Hoje, Tefé (situada a 575 quilômetros de Manaus) está no ranking dos municípios que mais se destacam com a produção da castanha do Brasil. Por safra (novembro a abril) são produzidas, em média, 800 toneladas do produto, o equivalente a 12 mil hectolitros. Mais de mil agricultores familiares estão envolvidos com a cultura considerada principal, no que se refere ao setor extrativista. A Usina faz parte do interesse dos governos estadual e municipal e busca o fortalecimento das cadeias de valor dos produtos da sociobiodiversidade. O espaço que também vai beneficiar os extrativistas dos municípios vizinhos é aguardado com muita expectativa na região. E promete melhorar a vida dos coletores e das famílias deles. Geração de emprego, estabilidade no preço da castanha refletem a esperança de quem tem dificuldade em vender a produção no preço que realmente é válido, por conta do atravessador.

Fonte: Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas -IDAM
MAPA AUTORIZA INSCRIÇÃO DE 23 ESPÉCIES EM CADASTRO OFICIAL
 
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 19 de abril, a Instrução Normativa nº 9, que autoriza a inscrição de 23 espécies frutíferas no Registro Nacional de Cultivares – RNC. O cadastro tem como finalidade habilitar as espécies e cultivares para o sistema produtivo formal, permitindo a produção, o beneficiamento e a comercialização. De acordo com a Coordenação de Sementes e Mudas, como são variedades silvestres e exóticas de domínio público, é responsabilidade do MAPA inscrever sem a necessidade de mantenedor, pois essas culturas já se encontram em processo de exploração. Entre as plantas que poderão ser inscritas no RNC estão uva japonesa, groselha, umbu ou cajá, atemóia, jamelão, amora-preta e jambo. Sem a inscrição das no RNC, os produtores tinham dificuldades para comercializar suas mudas nos estabelecimentos comerciais e observar os parâmetros de qualidade e identidade. A IN permite incluir as espécies no cadastro nacional de cultivares, habilitando-as no Sistema Nacional de Sementes e Mudas, legalizando os cultivos para a produção formal.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA
PROGRAMA PILOTO DE PATENTES VERDES JÁ ESTÁ FUNCIONANDO
 
No combate às mudanças climáticas globais, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) também irá dar a sua contribuição. Desde o dia 17 de abril, o Instituto está realizando o programa piloto de patentes verdes, no qual o prazo de exame destes pedidos de patentes, relacionados às tecnologias limpas, cairá para menos de dois anos. O piloto será limitado a depósitos nacionais (residentes ou não residentes) e a 500 solicitações concedidas. Com o programa, o INPI atenderá a dois objetivos: identificar as tecnologias verdes e estimular o licenciamento destas, levando a inovação para quem precisa dela. De acordo com o programa, podem ser consideradas patentes verdes as tecnologias verdes referentes as seguintes categorias: energias alternativas, transporte, conservação de energia, gerenciamento de resíduos e agricultura. Para participar do programa, a partir do dia 17, o interessado deverá entregar formulário específico ao INPI e pedir exame e publicação antecipada (se ainda não o tiver feito).

Fonte: Portal PROTEC