Mostrando postagens com marcador Biotecnologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Biotecnologia. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de maio de 2013

O Pará prefere dinheiro fácil e rápido, mesmo que signifique pobreza do paraense


 Se o Pará tiver a inteligência de implantar  cinco projetos desta natureza em parques tecnológicos, não seriamos um Estado pobre e subdesenvolvido, criaríamos altas externalidades econômicas para gerar um verdadeiro desenvolvimento e não essa pobreza que não conseguimos superar. 



PCTGuamá terá unidade do CEABIO


A equipe do Centro de Estudos Avançados em Biodiversidade da UFPA (CEABio) teve o projeto aprovado pelo Conselho Curador do Parque de Ciência e Tecnologia - PCTGuamá . O CEABio representa um dos mais importantes centros de Pesquisa Básica em biodiversidade, com o qual conta a UFPA, e reúne uma equipe de pesquisadores, a maioria dos quais com formação acadêmica em áreas estratégicas para pesquisa em biodiversidade, como biotecnologia, química e biologia.

A apresentação feita pela equipe do CEABio mostrou, passo-a-passo, o processo de implantação do centro e ressaltou a importância dos produtos que serão gerados a partir das pesquisas que serão realizados pelo pesquisadores do Centro. Conforme o Plano de Negócios, os produtos serão extraídos, aproveitando a biodiversidade de plantas, peixes e microrganismos, existentes na Amazônia, sobre os quais a equipe de pesquisadores já estuda faz alguns anos.

Atuação - As áreas de atuação do CEABio serão a saúde, fitoterápicos, cosméticos e dermocosméticos e realização de serviços tecnológicos para empresas que precisem alargar suas pesquisas e colocar produtos de alto valor agregado, no mercado nacional e internacional.

A realização do Plano de Negócios contou com apoio técnico da Agência de Inovação Tecnológica (Universitec). Na ocasião foram apresentados os objetivos e o papel estratégico que cumprirá um centro de pesquisa de biodiversidade no Parque Tecnológico do Guamá, que incorpora uma área de serviços tecnológicos e produtos voltados para o mercado. Além das oportunidades e potencialidades da Amazônia aliados à experiência que o CEABio possui no desenvolvimento de produtos a partir da pesquisa básica.

Para conhecer e preservar a biodiversidade amazônica - O CEABio será coordenado pelo professor doutor Júlio Cesar Pieczarka, com o objetivo de desenvolver pesquisas para conhecer e preservar a biodiversidade amazônica com base no uso sustentável dos recursos naturais. Será construído em uma área de 2 mil m², no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT-Guamá), situado na Cidade Universitária José da Silveira Netto, em Belém , em um prazo de até 24 meses.

De acordo com Julio Pieczarka, o apoio da Universitec foi importante, no sentido de orientar na formatação do Plano de Negócio que foi apresentado ao conselho curador do PCT-Guamá. E essa parceria irá se estender, uma vez que o CEABio contará com o apoio da Universitec no que se refere a viabilizar um acordo de cooperação que possa garantir a capacitação e formação de empreendedores biotecnólogos com objetivos de desenvolver empreendimentos que reforçem a geração de inovação no ambiente da Universidade e transferí-los para o mercado.

O diretor da Agência, professor Dr. Gonzalo Enríquez, ressaltou o papel de um empreendimento dessa natureza implantado no Parque e afirmou que o CEABio representa um dos mais importantes centros de alta tecnologia, que será implantado em um parque tecnológico, pela capacidade e competência na academia; e na pesquisa básica e tecnológica, o CEABIO será um empreendimento de negócios como poucos que existem no Brasil e que nos países desenvolvidos são rotineiros.


Linhas de pesquisa e geração de produtos tecnológicos de alto valor agregado do CABIo. 


1. Biodiversidade de vertebrados: Cultura de células-tronco

2. Biodiversidade de invertebrados: agroindústria

3. Ecologia de florestas tropicais: bioprospecção de espécies

vegetais com potencial para fármacos

3.1. Propagação de espécies lenhosas nativas da Amazônia:

indústria madeireira

3.2. Etnofarmácia: produção de remédios

3.3. Fitoquímica de derivados de espécies vegetais: uso medicinal

4. Citogenética da biodiversidade amazônica: determinação

de modelos animais

5. Genética molecular da biodiversidade: base genética de

princípios ativos.

6. Cultura celular e células tronco mesenquimais.

7. Mutagênese ambiental: testes de extratos vegetais com

potencial para fármacos

7.1. Estudo reprodutivo de biomarcadores: determinação de

modelos animais


Texto : Hellen Lobato – Ascom Universitec

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Biodiversidade - Tesouro no meio da selva. O que faz o Estado do Amazonas progredir.



A Amazônia abriga a maior diversidade de vida do planeta e 12% das espécies de plantas já descritas, mas ainda precisa aprender a gerar de lucro sem a destruição do meio ambiente.

A primeira recomendação que um pesquisador recebe ao ingressar na equipe do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) é ficar de boca fechada. Para explorar economicamente um dos maiores santuários de vida selvagem do planeta, um dos cuidados básicos é assinar acordos de confidencialidade com os parceiros privados. Em ocasiões especiais, no entanto, a regra pode ser quebrada.

A clonagem do curauá - uma planta amazônica da família das bromélias, cujo fruto se parece muito com um abacaxi em miniatura - foi uma dessas ocasiões. Amargo demais para virar suco, o curauá entrou no radar dos pesquisadores após a descoberta do potencial econômico das fibras de suas folhas. Além de servir para revestimento de colchões e forro de carros, as folhas do curauá podem entrar na cadeia produtiva de celulares e equipamentos eletrônicos em substituição à fibra de vidro.

Nada mais simbólico do que um abacaxi para ilustrar o esforço do País na busca por um novo ciclo de desenvolvimento econômico para a Amazônia - uma região que tem no desmatamento o maior inimigo. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo e a região amazônica abriga muitos de seus tesouros biológicos. Há 85 mil espécies descritas (43% do total do País). E isso representa apenas uma pequena parte do potencial estimado para a região. A flora, a fauna, os fungos e os micro-organismos da floresta são vistos como matéria-prima para a produção de remédios e alimentos. Só que toda essa riqueza não valerá nada, caso não seja estudada pela ciência. E está aí uma das dificuldades crônicas da região. A Amazônia ocupa 61% do território nacional, mas absorve apenas 4% dos doutores e grupos de pesquisa do País.

"São formiguinhas contra um gigante. Existe pesquisa de qualidade, mas não há escala para o desafio econômico e as oportunidades que a região representa para o País", lamenta o pesquisador Ulisses Galatti, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

Só que transformar pesquisa em dinheiro e tirar a Amazônia do limbo científico não são tarefas fáceis. É necessário conciliar interesses muitas vezes conflitantes. Os cientistas estão empenhados em superar a fronteira do conhecimento. Os empresários apostam na biodiversidade como fonte de lucros. E as comunidades locais dependem da natureza para sobreviver. São interesses que envolvem cifras atraentes. Só na última década, o Museu Goeldi, instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), descreveu 130 novas espécies, entre plantas, animais e fungos.

Em menos de um quilômetro quadrado da Floresta Amazônica há mais espécies de plantas do que em todos os países da Zona do Euro. Uma única árvore, por exemplo, é habitat de numerosos tipos de invertebrados, de formigas a aranhas, passando por abelhas e besouros.

Em número de plantas descritas, a Amazônia tem hoje catalogadas 60 mil espécies, o que representa 12% das espécies do planeta. E ainda há três mil espécies de peixes de água doce, 849 de anfíbios, 540 de mamíferos, 1.700 de aves, 693 de répteis e 13 mil de fungos. Além de ser de longe o bioma mais rico do planeta Terra, a Amazônia é, ao mesmo tempo, a floresta com o maior número de espécies descritas. Só que, paradoxalmente, é também onde se estima haver o maior número de espécies a descobrir.

Superar o desafio da biotecnologia vai muito além da identificação de novas espécies. É preciso isolar o princípio ativo (a substância que confere ação de interesse para a produção de fármacos, por exemplo) e descobrir onde aplicá-lo. Criado em 2002, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) precisou de uma década para clonar as mudas do curauá - etapa obrigatória para garantir a produção em larga escala para a indústria. Resta agora atrair parcerias estratégicas. Ou seja, encontrar empresários que acreditem no potencial da fibra amazônica e de outro, rastrear comunidades locais dispostas a plantar as mudas.

A imensidão territorial e as transformações provocadas pela ação humana não bastam para explicar o desconhecimento sobre o potencial da biodiversidade amazônica. Estudos sobre esse tesouro no meio da selva, como o Censo da Biodiversidade, conduzido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, estão apenas no começo. A situação é agravada pela pequena quantidade de pesquisadores residentes na região, muitos deles motivados por posições ideológicas que se chocam com a ideia de explorar comercialmente o patrimônio genético nacional.

No ano em que o CBA foi inaugurado, em Manaus, o mercado internacional de produtos biotecnológicos movimentou US$ 780 bilhões. De olho nesse mercado o projeto saiu do papel para ser um centro de excelência na Amazônia. Visto como um projeto estratégico, a meta era abocanhar uma parcela dos negócios mundo afora. Pesquisas começaram a ser desenvolvidas nos laboratórios montados para explorar o potencial da floresta. Só que, nesses dez anos, os projetos ambiciosos minguaram, a ponto de a instituição ter corrido risco de virar um elefante branco.

Nenhuma patente foi registrada e o centro não tem personalidade jurídica própria, o que o impede de contratar cientistas diretamente. E pior: os recursos do CBA são originários somente dos impostos pagos pelas 600 empresas da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Para evitar a paralisia, driblar a burocracia e impedir que o CBA virasse de fato um elefante branco, a saída foi se aproximar do setor privado e se submeter as regras de mercado. O sigilo passou a ser exigido nas pesquisas em andamento e as equipes de cientistas mudaram a dinâmica de trabalho. Agora, elas atuam apenas numa das etapas do desenvolvimento do projeto.

"Inicialmente, os colegas reagiram mal à ideia de trabalhar em linha de montagem. O Brasil não tem essa experiência. Os cientistas sempre foram vinculados à academia. Mas fomos obrigados a cortar esse vínculo. Não fazemos mais pesquisa básica", analisa o farmacêutico José Augusto Cabral, coordenador de Produtos Naturais da instituição. "Quem planeja fazer um mestrado ou mesmo um doutorado, tem que procurar outro lugar para trabalhar".

(O Globo )

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O big bang da bioindústria

Pergunte a Bill Gates qual ramo da atividade humana abriga o embrião da próxima grande revolução tecnológica. Esqueça a internet, os celulares, os games, a realidade ou a inteligência virtuais. A resposta é a biotecnologia. O fundador da Microsoft acredita que esse campo desempenha na atualidade papel semelhante ao exercido pela programação de computadores no século 20.

Ou seja, concentra o que há de mais instigante e potencialmente transformador no planeta. E o executivo, entre os mais bem-sucedidos da história do capitalismo, argumenta: “Hoje, se alguém quer mudar o mundo de forma radical, deve começar pelas moléculas. Elas precisam do mesmo tipo de fanatismo amalucado, característico dos jovens gênios que criaram a indústria dos PCs”. Agora, pergunte a gigantes globais como DuPont, BP, Basf, Shell, Monsanto, Bunge, Dow Chemical, Ely Lilly e Novozymes, além de fundos de investimento, como Burrill & Company e Khosla Ventures, qual país reúne condições excepcionais para abrigar parte expressiva dessa nova fonte de inovações. A resposta é o Brasil.

Tal indicação pode soar surpreendente, mas existem mais de 100 companhias brasileiras de biotecnologia. A cada ano, mais de uma dezena de empreendimentos desse tipo são criados. Não há estudos conclusivos, mas o governo federal estima que essa área receba US$ 1 bilhão em investimentos por ano. Além de crescente, esse núcleo de empresas introduz novidades significativas no cenário corporativo nacional. Em primeiro lugar, entrelaça os mundos da ciência e dos negócios. Dessa fusão, movida por altas doses de pesquisa e conduzida por times qualificadíssimos de profissionais, tendem a proliferar inovações em profusão. Ela funciona como um propulsor, uma espécie de Big Bang para ideias e produtos inusitados. Exemplos desse poder criativo são oferecidos há décadas de maneira ininterrupta pelas indústrias de semicondutores, telecomunicações (celulares, por exemplo), eletrônicos e materiais avançados. Todas com os pés firmemente fincados em laboratórios.

A vocação das bioempresas brasileiras abrange a medicina e o agronegócio, o que também inclui a produção de etanol

Paralelamente, a formação das bioempresas no Brasil alimenta – e fortalece – um ecossistema de negócios riquíssimo, embora ainda frágil no país. Funciona assim: tudo começa nas universidades. Elas abrigam incubadoras, onde são embaladas as jovens empresas ( as start ups) que, não raramente, amadurecem e se associam a grandes conglomerados nacionais e internacionais. Esse sistema é complementado por uma ampla teia de financiamentos formada por angel investors (investidores anjos, normalmente pessoas físicas) e venture capitalists (investidores de risco), além de fundos públicos e privados de todos os portes. “Esse modelo, que tem todos os ingredientes para estimular o empreendedorismo, fundou o Vale do Silício, nos Estados Unidos. Agora, começa a ganhar corpo entre nós”, diz Eduardo Emrich Soares, presidente da Fundação Biominas, uma organização não governamental com sede em Belo Horizonte, voltada para o fomento de negócios enraizados nas ciências biológicas.

Neste ponto, é ilustrativo observar a gênese da empresa paulista Pele Nova. Ela foi criada em 2003 por dois cientistas: a médica oncologista Fátima Mrué e o médico especializado em bioquímica Joaquim Coutinho Netto. Ambos trabalhavam como pesquisadores na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), no campus da USP, no interior paulista. A dupla desenvolveu um produto, o BioCure, feito do látex extraído da seringueira. A inovação, uma membrana de borracha, funciona como um tecido artificial. É empregado com sucesso na cicatrização de úlceras crônicas e na regeneração de esôfagos e tímpanos perfurados. Atualmente, a mesma matéria-prima (o látex) está sendo testada no desenvolvimento de um gel antirrugas. Qual o resultado da iniciativa? A Pele Nova acumula sete patentes depositadas no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão.

A arquitetura financeira da empresa é outro fator de interesse. Inicialmente, arrecadou R$ 4 milhões. Parte do valor foi captada com investidores anjos. Entre eles, Ozires Silva, o ex-presidente da Embraer e da Varig. Outro quinhão saiu de um fundo semente (seed capital), o Returning Entrepreneur Investment Fund, conhecido pela sigla REIF, da DGV Investment. Também aplicaram recursos no negócio outras três empresas de venture capital. A Pele Nova arrecadou mais R$ 2 milhões do Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime), mantido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Por conta de acordos de confidencialidade, a start up não divulga o faturamento, mas estima-se que gire em torno de R$ 3 milhões.

Por Carlos Rydlewski, Rafael Barifouse e Alessandro Greco com reportagem de Karla Spotorno 

sábado, 13 de agosto de 2011

Esforço pela biodiversidade pode favorecer as comunidades locais


O declínio da biodiversidade é consequência da baixa valorização da matéria-prima extraída da natureza. Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CSN), conhece bem essa situação.

"O grileiro chega e oferece um valor irrisório pela floresta; como o caboclo em geral está insatisfeito com o que apura no trabalho, ele aceita qualquer oferta e se muda para a cidade grande, imaginando que terá uma vida melhor. Todo mundo sabe como termina essa história". Cunha falou durante o painel que tratava de biodiversidade, na Conferência Ethos.

Encontrar valores econômicos que contemplem a sobrevivência das populações extrativistas e representem vantagem para investidores são os desafios. Segundo Cunha, a questão só será resolvida a partir de um modelo de política pública favorável aos dois lados. E a transformação deve ser radical. "Até início dos anos 1990 o governo incentivava o desmatamento. Quem não desmatava não conseguia crédito."

As consequências estão aí: "Não tivemos tempo nem oportunidade de formar técnicos para lidar com a biodiversidade."

"O extrativista é um caboclo que depende não só de políticas públicas, mas precisa de orientações técnicas diferenciadas sobre como lidar com as culturas; precisa aprender a tratar com mercados diferenciados e obter compensações para desenvolver uma atividade em harmonia com o meio ambiente."

Mesmo com tantas carências, Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônica do WWF, demonstrou otimismo durante sua participação no painel. "Somos o país que mais reduziu emissões de carbono associadas a desmatamento", disse. "Apesar de recente, esse histórico é muito positivo."

Esse histórico leva Maretti a prever desmatamento zero até 2020. Para tanto ele enumera providências básicas e urgentes: investimento no desenvolvimento do valor econômico da floresta e dos ecossistemas, mecanismos de compensação para quem não desmata (item que o Código Florestal não prevê), além da valorização dos ativos da floresta. "O modelo que temos hoje é contra a biodiversidade", alerta Maretti.

Embora nas duas últimas décadas o governo federal tenha reduzido em 40% o desmatamento na Amazônia, a partir de fiscalização e criação de áreas protegidas, Luciano Penido, mediador do painel, acredita que ainda há muito por fazer.

É imprescindível, na opinião dele, promover a integração das fronteiras com os países amazônicos. "O momento é propício", diz ele. "Como já temos georreferência, precisamos também de um cadastro ambiental rural - transparente e à disposição de toda a sociedade". Segundo Penido, grandes proprietários e empresas devem arcar com esse custo. "O cadastro ambiental é fundamental para a preservação da diversidade e nem é tão caro."

Manoel Cunha citou o Fundo Médio Juruá, parceria entre a comunidade de Carauari e a Natura como um exemplo de melhoria do processo coletivo. "Os investimentos melhoraram a produção, o beneficiamento e a distribuição", conta Cunha. "Antes disso passávamos três horas caminhando até chegar à área de produção; hoje temos um rabete, que nos leva à área de produção em uma hora, o que aumentou a produção de forma sustentável. Mas precisamos de mais empresas que queiram fazer negociação saudável na Amazônia, em que o investidor ganha e o caboclo, também", disse.

A população extrativista de Carauari envolve 200 mil famílias. "Estamos mais felizes do que há dez anos", diz. "Antes éramos classificados como doidos defendendo a floresta. Hoje, o sofrimento geral que veio com os efeitos das mudanças climáticas mobilizou a sociedade para uma economia verde". Cunha continua: "Nos últimos dez anos caminhamos o que não caminhamos em 100 anos".

Há muito a se fazer ainda, na opinião de Rodolfo Gutilla, diretor de assuntos corporativos e relações governamentais da Natura. Gutilla ficou entusiasmado com a revelação de Bráulio Ferreira Dias, secretário de biodiversidade e florestas do Ministério do Meio Ambiente, que reconheceu que a legislação brasileira está a merecer um item específico que contemple o acesso das empresas ao patrimônio genético. "Como explicar aos acionistas que o governo leva 17 meses para aprovar uma autorização de acesso ao cacau, ou à andiroba?", questionou.
Tanto o governo como as empresas deveriam olhar a biodiversidade como uma oportunidade de negócio, segundo Maretti, do WWF. "Ainda que a sociedade grite contra o desmatamento, por enquanto estamos apenas reduzindo o prejuízo", diz. E citou um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente que mostra a necessidade de o Brasil investir US$ 40 bilhões ao ano para conservar as florestas. "Perdemos cem vezes mais com o desmatamento."
Silvia Torikachvili | Para o Valor, de São Paulo
12/08/2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cientistas apresentam tratamento promissor contra leucemia.

Modificação genética se mostrou eficaz contra a forma mais comum de câncer no sangue

AFP


A modificação genética das células T, tipo de glóbulos brancos que integram o sistema imunológico, demonstrou ser eficaz contra a leucemia linfocítica crônica, a forma mais comum de câncer do sangue, segundo estudo experimental publicado esta quarta-feira.

Segundo cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia (leste dos Estados Unidos), este tratamento permitiu que a doença recuasse no prazo de um ano em dois dos três pacientes pesquisados que sofriam de leucemia em estágio avançado.

O terceiro sofreu uma recorrência da doença depois de quatro meses, mas de forma atenuada. Esta terapia poderia ser aplicada também em outros cânceres, como o de pulmão, de ovário e o melanoma, afirmaram os cientistas.

O tratamento consistiu em eliminar as células T nos pacientes doentes e modificá-las geneticamente para que atacassem seletivamente as células cancerosas, todas portadoras de uma determinada proteína, e salvar a grande maioria das células saudáveis do corpo.

Os cientistas também programaram as células T para acelerar sua multiplicação. Em seguida, injetaram estas células modificadas em seus pacientes, que foram tratados previamente com quimioterapia.

"Em três semanas, os tumores foram destruídos com uma eficácia nunca vista até agora", disse o doutor Carl June, professor de patologia no Centro Oncológico Abramson da Universidade da Pensilvânia, autor principal deste trabalho, publicado nas revistas New England Journal of Medice e Science Translational Medicine.

"Foi muito mais eficaz do que esperávamos", disse o cientista, destacando que as células T modificadas geneticamente, as quais chamou de "assassinas em série", destruíram quase um quilo (910 gramas) de tumor em cada paciente.

Segundo os autores do estudo, os resultados deste teste clínico piloto contrastam fortemente com os tratamentos existentes para o tratamento deste tipo de leucemia. Estes três pacientes tinham poucas chances de tratamento. Outra alternativa era um transplante de medula óssea, um procedimento que requer uma longa hospitalização e tem risco de mortalidade de 20%.

Além disso, o transplante não oferece mais do que 50% de chances de recuperação. "Este novo tratamento tem o potencial de oferecer as mesmas possibilidades de cura, mas com muito menos risco", resumiu David Porter, professor de Medicina da Universidade de Pensilvânia e co-autor do estudo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Século da Biotecnologia. Oportunidades, dificuldades e riscos tecnológicos e econômicos


O Século da Biotecnologia (em espanhol)

Nunca antes en la historia ha estado la humanidad tan mal preparada para las nuevas oportunidades, dificultades y riesgos tecnológicos y económicos que se ven en el horizonte. Es probable que sean más fundamentales los cambios de nuestra forma de vida en las próximas décadas que en los mil años anteriores. Hacia el año 2025 viviremos, nosotros y nuestros hijos, en un mundo sumamente diferente de todo lo que los seres humanos hayan experimentado en el pasado.

En poco más de una generación nuestra definición de la vida y del significado de la existencia se habrá alterado de forma radical; habrá seguramente que reconsiderar muchos supuestos sobre la naturaleza, incluida nuestra propia naturaleza humana, que desde hace mucho se dan por sentados. Puede ...que muchas viejas prácticas relativas a la sexualidad, la reproducción, el nacimiento y la paternidad se abandonen en parte. También es probable que las ideas sobre la igualdad y la democracia, o las que nos hacemos del significado de expresiones como «libre albedrío» y «progreso», se redefinan. Seguramente cambiará la percepción que tenemos de nuestra identidad y de la sociedad igual que el espíritu del primer Renacimiento modificó la de la Europa medieval hace más de setecientos años.

Hay muchas fuerzas convergentes que están juntándose para crear esta nueva y poderosa corriente social. En el epicentro está una revolución tecnológica sin parangón en toda la historia, que tiene el poder de rehacemos y de rehacer nuestras instituciones y nuestro mundo. Los científicos empiezan a reorganizar la vida a nivel genético. Los nuevos instrumentos de la biología abren oportunidades para la remodelación de la vida en la Tierra a la vez que clausuran opciones que han existido a lo largo de los milenios de la historia de la evolución. Ante nuestros ojos se extiende un nuevo paisaje, sin mapas aún, que se ha conformado en miles de laboratorios biotecnológicos de universidades, organismos gubernamentales y empresas de distintas regiones del mundo. Con que se cumpliese parte de lo que se está anunciando acerca de la nueva ciencia, las consecuencias para la sociedad y las generaciones futuras serían seguramente enormes. He aquí unos ejemplos de lo que podría suceder en los próximos veinticinco años:

Un puñado de empresas multinacionales, institutos de investigación y gobiernos podría poseer las patentes de prácticamente cada uno de los 100.000 genes que constituyen los planos del género humano y de las células, órganos y tejidos que el cuerpo humano comprende. Igualmente podrían tener patentes similares de las decenas de millares de microorganismos, plantas y anima les que existen, de tal modo que poseerían el poder sin precedentes de dictar cómo viviríamos, nosotros y las generaciones futuras, nuestras vidas.

La agricultura de todo el planeta podría verse en medio de una gran transición de la historia mundial, con un volumen creciente de alimentos y fibra cultivados en interiores, en gigantescos baños bacterianos, a un precio que sería una fracción de lo que cuesta cultivar en la tierra. El paso a la agricultura de interiores presagiaría el ocaso de la era agrícola, que empezó hace unos diez mil años con la revolución neolítica y se ha prolongado hasta la revolución verde de la segunda mitad del siglo xx. 

La agricultura de interiores podría suponer unos precios más baratos y una oferta de alimentos más abundante, pero millones de campesinos, tanto del mundo desarrollado como de los países en vías de desarrollo, serían quizá arrancados de sus tierras; se desencadenaría una de las grandes perturbaciones sociales de la historia.

Podrían liberarse en el medio ambiente decenas de miles de nuevos virus, bacterias, plantas y animales transgénicos con fines comerciales, de la «biodepuración» a la producción de combustibles alternativos. Pero algunas de estas sueltas podrían sembrar la desolación en la biosfera del planeta y diseminar una contaminación genética desestabilizadora, letal incluso, por el mundo. Los usos militares de la nueva tecnología podrían igualmente tener efectos devastadores sobre la Tierra y sus habitantes. Los agentes de guerra biológica creados mediante ingeniería genética podrían suponer en el siglo que viene una amenaza tan seria a la seguridad mundial como las armas nucleares en la actualidad.

La clonación de animales y seres humanos podría llegar a ser algo corriente, y la «replicación» reemplazaría en parte a la «reproducción» por vez primera en la historia. Podrían emplearse clones de animales, diseñados genéticamente por encargo y producidos en serie, como fábricas químicas que segreguen --en su sangre y leche- volúmenes grandes de abaratadas sustancias químicas y fármaco s de uso humano. Podríamos incluso ver la creación de una gama de nuevos animales quiméricos, incluidos híbridos de animal y persona. Podría, por ejemplo, llegar a ser realidad un ser chimpumano, medio chimpancé, medio ser humano. Podrían utilizarse ampliamente los híbridos de animal y ser humano como sujetos experimentales en las investigaciones médicas y como «donantes» de órganos para xenotrasplantes. La creación artificial y la propagación de animales clonados, quiméricos y transgénicos podría suponer el fin de la vida salvaje, sustituida por un mundo bioindustrial.

Habrá padres que prefieran concebir sus hijos en tubos de ensayo y gestarlos en vientres artificiales, fuera del cuerpo humano, para librarse de las molestias del embarazo y garantizar un entorno seguro, transparente, donde pueda vigilarse el desarrollo de su hijo antes de nacer. Se podrían hacer cambio genéticos en los fetos humanos dentro del seno materno para corregir anomalías y enfermedades mortales, y para mejorar el carácter, la conducta, la inteligencia y los rasgos físicos. 


Los padres podrían diseñar algunas características de sus hijos, alterando decisivamente la noción de paternidad. Los niños «a gusto del cliente» prepararían el camino al nacimiento de una sociedad eugenésica en el siglo XXI.

Millones de personas podrían obtener una lectura genética detallada de sí mismas, y así vislumbrarían su futuro biológico. La información genética les daría el poder de predecir y planificar sus vidas de acuerdo con unas pautas que nunca antes han sido posibles. Pero escuelas, patronos, compañías de seguros y gobiernos podrían usar esa misma «información genética» para determinar el curso de la educación de una persona y sus perspectivas de empleo, cuotas de seguros y vencimientos; se generaría una nueva forma de descriminación, basada en el perfil genético. Podrían transformarse nuestras nociones de sociabilidad y equidad. La meritocracia daría paso a la geneticocracia, donde individuos, grupos étnicos y razas serían clasificados y encasillados, cada vez más, conforme a su genotipo, impulsando en todo el mundo un sistema informal de castas biológicas.

El siglo de la biotecnología podría introducir algunos de estos cambios, o puede incluso que la mayoría de ellos, y muchos más en nuestra vida cotidiana; nuestra consciencia individual y colectiva, el futuro de la civilización y de la misma biosfera quedarían profundamente afectados. Los beneficios y los peligros de lo que algunos llaman «la última frontera tecnológica» son a la vez apasionantes y escalofriantes. No obstante, pese al potencial formidable y las sombras ominosas de esta revolución técnica extraordinaria, hasta ahora se ha prestado mucha más atención pública a la otra gran revolución técnica del siglo XXI: los ordenadores y las telecomunicaciones. Eso está a punto de cambiar. 

Tras más de cuarenta años de seguir sendas paralelas, las ciencias de la información y de la vida están empezando a fundirse, lentamente, en una sola fuerza tecnológica y económica. 
El ordenador se usa cada vea nás para descifrar, gestionar y organizar la vasta información genética que es la materia prima de la naciente economía biotecnológica. Los científicos que trabajan en el nuevo campo de la «bioinformática» están extrayendo la información genética de millones de años de evolución, y así están creando un nuevo y potente tipo de «bancos de datos biológicos». La rica información genética que se guarda en ellos sirve a los investigadores para rehacer el mundo natural.

El maridaje de los ordenadores y los genes altera para siempre nuestra realidad, hasta los niveles más profundos de la experiencia humana. Para empezar a comprender la dimensión del cambio que está teniendo lugar en la civilización humana conviene dar un paso atrás y entender mejor la naturaleza histórica de los muchos cambios que están ocurriendo a nuestro alrededor tan cerca ya del nuevo siglo. Estos cambios suponen un giro de la civilización. Estamos en las agonías del parto de una de las grandes transformaciones de la historia mundial.
(...)

Jeremy Rifkin El siglo de la Biotecnología. El comercio genético y el nacimiento de un mundo feliz, Crítica/Marcombo, Barcelona, 1999, p. 19.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Biotecnologia Projetos recebem investimentos de R$ 500 mil, pouco!

CNPq recebe, até 15 de outubro, projetos de cursos na área de biotecnologia, em nível de pós-graduação

O objetivo do edital lançado pelo CNPq é apoiar projetos de cursos na área de biotecnologia, em nível de pós-graduação, nos seguintes temas: Aplicações de análises metagenômicas; Comparação de ecossistemas de populações microbianas por meio de análises genômicas e metagenômicas; Técnicas para análise, conservação e uso de recursos genéticos; Plataformas avançadas de sequenciamento de DNA; Biotecnologias de células mães: desenvolvimento e aplicações; Avanços tecnológicos em biorreatores e suas aplicações; Análises globais da expressão genética: transcriptômica, proteômica, e metabolômica; Biocombustíveis de terceira generação; Biofilmes microbianos; Desenvolvimento inovador de vacinas, fármacos e métodos de diagnóstico de enfermidades humanas, animais e vegetais; Aplicações de RNA de interferência e Propriedade intelectual em Biotecnologia.

Os projetos aprovados serão financiados com recursos no valor global de R$ 500 mil, provenientes do Fundo Setorial de Biotecnologia (CT-Biotec) e liberados de acordo com a disponibilidade orçamentária do CNPq. No mínimo 30% do montante será aplicado nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. Cada proposta terá financiamento máximo de R$ 50 mil e deverá ser executada em um ano.

Para classificação das propostas, quanto ao mérito técnico-científico e sua adequação orçamentária, serão avaliados: a relevância bilateral da proposta; o conteúdo teórico-prático; competência do corpo docente; Infraestrutura disponível da instituição em função da proposta; grau de inovação da metodologia; Importância regional e adequação orçamentária.

As propostas devem ser acompanhadas de arquivo contendo o projeto e encaminhadas exclusivamente via Internet, por meio do Formulário de Propostas Online, disponível na Plataforma Carlos Chagas, até 15 de outubro. A divulgação dos resultados está prevista para 26 de novembro deste ano.

Confira o edital completo em CNPq Editais

sexta-feira, 31 de julho de 2009

BIOTECNOLOGIA - Em debate, a concessão de patentes e o futuro da pesquisa de substâncias extraídas de organismos vivos no país.



Em debate, a concessão de patentes e o futuro da pesquisa de substâncias extraídas de organismos vivos no país.

O artigo 10, da Lei 9.279/96, veta o patenteamento de material biológico e seres encontrados na natureza, mesmo que isolados. Porém, pesquisadores e parlamentares se mostram favoráveis ao Projeto de Lei 4961/05, do deputado Antonio Carlos Mendes Thame, que possibilita a concessão de patentes a substâncias extraídas de organismos vivos no Brasil. O assunto foi tema da audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu no dia 25 de junho.

O parlamentar Germano Bonow, relator da proposta, afirmou que fará uma modificação em seu relatório, cuja recomendação era rejeitar o projeto, por entender que existem contextos para que as patentes sejam conferidas, desde que o material biológico seja isolado por processos de pesquisa. Segundo o deputado, a compreensão era de que “o Brasil deveria proteger esse patrimônio genético, porque é signatário de acordos internacionais sobre o tema”. Para Bonow, hoje há experiências internacionais em que o país pode ter como base.

Para alguns especialistas, o PL pode ser um meio para desenvolver pesquisas no ramo da biodiversidade brasileira e os estudos científicos não podem ser realizados sem que haja investimentos para testes, análises e produção. Logo, o país precisa requerer as patentes.

Na opinião de Gonzalo Enríquez, doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB) e professor de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), o patenteamento de substâncias biológicas e partes de organismos vivos é uma das controvérsias junto à biotecnologia e direitos de propriedade intelectual. “Existem setores francamente favoráveis e os que lhe fazem oposição. A tese favorável voltou a tomar corpo a partir do anúncio da conclusão do sequenciamento do genoma humano. Há uma linha argumentativa segundo a qual as pesquisas biológicas e da engenharia genética geram, na verdade, descobertas e não invenções, já que nada mais fazem do que recombinar materiais genéticos preexistentes ou isolar substâncias que ocorrem na natureza”.

Divergência entre os países

A decisão de patentear as substâncias diverge em vários países. Segundo Gonzalo Enríquez, os Estados Unidos já aceitam a apropriação do patrimônio genético. Em contrapartida, a maioria das nações européias não aceita a idéia. “Nem mesmo entre os países participantes do Projeto Genoma Humano há convergência quanto à questão. Para muitos especialistas, o código genético, sobretudo o do ser humano, é patrimônio inalienável de toda a humanidade. A própria Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): o genoma, em seu estado natural não deve dar lugar a ganhos financeiros”.

Benefícios ao Brasil

Segundo o parlamentar Mendes Thame, a exploração da biodiversidade brasileira pode trazer benefícios ao país. Dados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, finalizada em 2006 e que estudou a proteção do patrimônio genético do Brasil, cujo deputado foi relator, apontam que é necessário beneficiar e remunerar as comunidades detentoras da biodiversidade. Ele salienta que as patentes devem ser conferidas, apenas, às substâncias isoladas. De acordo com o PL, para ser patenteado, o material deve apresentar requisitos de novidade, aplicação industrial e atividade inventiva.

Ana Cristina Almeida Müller, doutora em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos (UFRJ) e co-coordenadora da Comissão de Estudos de Biotecnologia da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), explicou que o país detém mais de 22% de todas as espécies vegetais e animais do planeta e o uso sustentável de toda essa biodiversidade mostra-se como uma possibilidade atraente para empresas e pesquisadores. “Os medicamentos oriundos de produtos naturais, onde as plantas são uma fonte interessante de extratos e princípios ativos, são uma perspectiva atraente na busca por tratamentos eficazes para diversas doenças. Entretanto, é notório que os custos de desenvolvimento de produtos, desde a pesquisa até sua colocação no mercado, atingem cifras altíssimas (milhões de dólares). Assim, um sistema de patentes eficiente, que incentive a inovação, é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico de qualquer país, sob pena de se colocar em risco o avanço da pesquisa”.

Gonzalo Enríquez ressalta que pode existir um lucro importante para as empresas farmacêuticas internacionais e uma desigual repartição de benefícios dos produtos extraídos da biodiversidade.

A co-coordenadora da ABPI ressalta que a possibilidade de proteção por patentes de materiais ou substâncias obtidas, extraídas ou isoladas de seres vivos é um estímulo essencial à inovação na área farmacêutica e biotecnológica no Brasil, protegendo inventores e empresas contra a competição desvantajosa em relação àqueles que não assumiram o risco financeiro inicial, ao mesmo tempo em que cria condições favoráveis para o emprego do capital de risco na transformação de uma invenção em uma inovação.

Experiências internacionais

Ana Cristina Müller cita que em alguns países, como a China, e nas nações desenvolvidas, por exemplo, as européias e os Estados Unidos, o entendimento é de que quando um material biológico é extraído ou isolado do seu ambiente natural, a partir da intervenção humana, o referido torna-se novo e inventivo. “Diversos são os países que entendem que o material isolado de seu ambiente natural é passível de patenteamento e que a intervenção humana para identificar, isolar e purificar materiais ou substâncias naturais requer uma atividade inventiva”.

No caso brasileiro, a doutora esclarece que a proteção por patente para materiais ou substâncias isoladas, extraídas ou obtidas da natureza, estaria equivalente à postura adotada por outros países que se destacam no âmbito da biotecnologia. “Ademais, no que se refere à implementação de políticas públicas, seria possível o alcance de um dos pilares da Convenção sobre a Diversidade Biológica, que é a repartição justa e equitativa de benefícios”.

Gonzalo Enríquez destaca o caso dos países africanos que aprovaram uma lei-modelo que rejeita a transformação dos seres vivos em mercadorias. O doutor explica que alguns autores afirmam que a história de patentes transformou-se em pirataria. “Em 1995, a Universidade de Wisconsin depositou quatro patentes sobre a brazeína, uma proteína super-açucarada que pesquisadores isolaram da vagem de uma planta encontrado no Gabão. A partir de então, ela passou a negociar licenças de exploração com diversas empresas de biotecnologia. Um de seus objetivos é o de vir a introduzir em frutas e legumes um gene produtor da brazeína a fim de obter alimentos de gosto adocicado, porém mais pobres em calorias. Anunciam-se magníficos lucros. Menos para os camponeses do Gabão que não verão um único centavo proveniente da exploração da planta. Planta cujas propriedades eles conhecem, da qual eles sempre se utilizaram e que por conta de seus modos de vida e práticas culturais, contribuíram com a preservação, de geração a geração.”

Ele ainda esclarece que a cada ano, patentes são depositadas por empresas ou universidades dos países do Norte sobre plantas cultivadas ou utilizadas em países do Sul. Não há acordo financeiro entre os envolvidos neste processo. “Para por um fim a biopirataria, a Comissão Científica, Técnica e de Pesquisa da Organização da Unidade Africana (OUA) redigiu uma "lei-modelo" sobre ‘a proteção dos direitos das comunidades locais, dos agricultores e extratores e sobre as normas de acesso aos recursos biológicos’”.

Capacidade brasileira

Na opinião dos pesquisadores, além da biodiversidade brasileira, o país apresenta capital financeiro e recursos humanos para o desenvolvimento de pesquisas. “O governo tem realizado investimentos significativos em pesquisa. Longe de todas as previsões de muitos pesquisadores, o governo aumentou os recursos nessa área. Já estão sendo criadas redes de pesquisa em biotecnologia e biodiversidade para explorar economicamente os recursos da biodiversidade (plantas e animais)”, explica Gonzalo Enríquez.

Segundo Ana Cristina Müller, o país possui cerca de 35 projetos na área genômica, ocupando o 9º lugar no ranking dos países sequenciadores de genoma. Possui, também, 1.282 grupos de pesquisa e 3.350 especialistas atuando em genômica. “Na área de produtos naturais, a situação também é bastante favorável para a realização de pesquisas, onde temos cerca de 70 grupos lidando com a pesquisa de produtos naturais, 900 profissionais na área de química de produtos naturais e outros 1500 em farmacologia. O Brasil possui, portanto, mão de obra altamente especializada e produção cientifica comparável aos países de primeiro mundo”.

Políticas Públicas

Müller aponta algumas medidas nacionais que vêm estimulando pesquisas em áreas estratégicas, como biotecnologia e farmacêutica. “Como exemplos, podemos citar a Lei de Acesso a Recursos Genéticos, a Lei de Inovaçao, a Medida Provisória do Bem e a Lei de Biossegurança. Alinhando-se, assim, à política de desenvolvimento da biotecnologia, estabelecida pelo Decreto 6.041 /2007, e que apresenta dentre suas ações o aprimoramento da legislação, incluindo a de propriedade intelectual, com impacto direto no desenvolvimento da biotecnologia”.

Segundo o professor, há falhas nas políticas públicas acerca do uso e da repartição dos benefícios da biodiversidade. “A maioria das ações de política ambiental está focada no combate ao desmatamento, pecuária, soja, e pouco se realiza para o acesso aos recursos genéticos e acesso à biodiversidade, com projetos e recursos para as comunidades que moram na fronteira verde da Amazônia e que são conhecedoras dos recursos genéticos por muitos anos. Essas políticas públicas poderiam ser importantes para incentivar a produção da biodiversidade para obter produtos da biodiversidade possíveis de serem pesquisados e transformados em remédios, ou dermocosméticos para a saúde humana”.

Iniciativa privada

Assim com os pesquisadores do setor público, a iniciativa privada também manifesta apoio à possibilidade de patenteamento de substâncias extraídas de organismos vivos. “A iniciativa privada não investe em ciência só em pesquisa tecnológica e nas áreas onde o risco não seja tão alto”.

Leia a reportagem completa na revista Via Política

Aqui

quinta-feira, 30 de julho de 2009

BIOTECNOLOGIA - REMÉDIO DA INOVAÇÃO (por isso gosto do vinho)

Nos últimos anos, o Brasil conquistou notável visibilidade nos mercados de alta tecnologia (aviões da Embraer), energia (etanol e petróleo) e design (moda). Agora, o mundo está de olho na biotecnologia brasileira.

Essa notícia, até há pouco, teria como base apenas a reconhecida vantagem competitiva que só o Brasil tem: sua biodiversidade. De fato, a flora e a fauna brasileiras, com mais de 20% dos bichos e vegetais do planeta, são o celeiro cobiçado por pesquisadores de todo o mundo. Mas agora, graças a pesquisas inovadoras de cientistas e farmacologistas brasileiros e ao interesse de novas empresas de biotecnologia, o país "está a caminho de uma transição de imitador para inovador em produtos relacionados à saúde".

Essa é a conclusão de uma extensa análise publicada na revista canadense Nature Biotechnology pelo McLaughlin-Rotman Centre for Global Health (MRC), ligado à Universidade de Toronto. O estudo deu visibilidade mundial à potencialidade brasileira de produzir inovações a um custo substancialmente menor que os das gigantes multinacionais dos fármacos (clique aqui para ler resumo, em inglês).

Todos os casos de sucesso das farmacêuticas nacionais passam pela exploração da ainda quase desconhecida biodiversidade brasileira. Um exemplo disso é o medicamento contra o envelhecimento em pesquisa no laboratório Eurofarma, que licenciou patentes criadas pelo químico André Arigony Souto, da Faculdade de Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

A droga terá como base o resveratrol - molécula presente no vinho e no suco de uva que faz enorme sucesso potencialmente com a perspectiva de retardar o envelhecimento. André Arigony foi um pioneiro no estudo da substância, antes de ela entrar na moda.

"Pesquiso o resveratrol desde 1999", diz. "Recentemente a literatura científica mostrou que ele é uma supermolécula com amplo espectro de ação - antioxidante, antiinflamatório, antiviral, cardioprotetor, neuroprotetor, quimiopreventivo de câncer, além de proteger contra infecções e isquemia, reduzir a obesidade e retardar o envelhecimento."

Leia a matéria completa na Revista PIB

Aqui

Como disse o poeta: gosto do vinho porque o vinho é bom, mas quando vejo a água brotar limpa, pura e cristalinha da terra..mais gosto do vinho.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

biodiversidade e biotecnologia - Conselho da Rede Bionorte debate curso de pós-graduação na Amazônia Legal


A Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) conta com recursos para iniciar os seus projetos ainda neste ano. A informação foi dada hoje (6), pelo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antonio Barreto de Castro, durante a 2ª Reunião do Conselho Diretor da Bionorte, realizada na sede do MCT. "No total, dispomos de R$ 21 milhões para serem investidos ainda em 2009", afirmou.

Na ocasião, os participantes do Conselho da Rede Bionorte discutiram a elaboração de um edital para a estruturação de cursos de pós-graduação em biotecnologia. O debate foi feito com base em um estudo realizado, no mês passado, pelo Comitê Científico da Rede Bionorte que apontou a existência de 74 cursos de mestrados e de doutorados na Amazônia Legal.

Entre outros pontos, foram apontados problemas como a dificuldade para a fixação e atração de doutores na Amazônia, a falta de equipamento e o conceito inicial de curso de pós-graduação fixado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). "Em sua grande maioria, eles têm o conceito de nível 3, mas temos que trabalhar muito para aumentar", disse o coordenador do Conselho Científico, Spartaco Astolfi Filho. Ele sugeriu, como forma de amenizar o problema, que esses cursos tenham o mesmo formato da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), onde o aluno pode fazer cursos nas instituições associadas.

Outra proposta é a possibilidade dos projetos da rede terem a participação de pelo menos três Estados, obrigando, assim, maior interação da região. "É uma idéia interessante que pode formar doutores nos Estados da Amazônia Legal", afirmou o secretário Luiz Antonio Barreto de Castro. Os temas das pesquisas deverão ser biodiversidade, conservação e uso sustentável da floresta e a bioprospecção e desenvolvimento de produtos.


Site do MCT

quinta-feira, 14 de maio de 2009

BIOTECNOLOGIA - EXCLUSIVO: Especialista norte-americano fala dos riscos dos transgênicos - North American expert speaks risks of transgenic

Danielle Jordan / AmbienteBrasil

As discussões sobre os possíveis problemas causados pelo consumo de organismos geneticamente modificados ganharam força esta semana quando algumas entidades de defesa do consumidor questionaram o descontrole das produções. (Veja mais em: Idec cobra ação sobre descontrole de transgênico)

Ontem (12), em Curitiba (PR) o diretor-executivo do Instituto pela Tecnologia Responsável, por Jeffrey M. Smith, apresentou estudos que comprovam os danos à saúde. Ele lembrou que, na última sexta-feira (8), a Academia Americana de Medicina Ambiental exigiu a moratória dos transgênicos nos Estados Unidos.

Segundo ele uma segunda organização médica prepara uma resolução semelhante. “Eles disseram que não há um único alimento transgênico no mundo que tenha sido devidamente avaliado e, com base na revisão de 600 trabalhos publicados, chegaram à conclusão que a presença de alimentos transgênicos na dieta dos norte-americanos é, em grande parte, responsável pelo aumento das condições ruins de saúde evidenciadas naquele país nos últimos 12 anos”, alertou.
NA INTEGRA AQUI

quarta-feira, 6 de maio de 2009

BIODIVERSIDADE - Amazônia ganha rede de Biodiversidade e Biotecnologia - Amazon wins network of Biodiversity and Biotechnology


A Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte) terá R$ 6 milhões para a sua implantação. O anúncio foi feito hoje (28) pelo secretário de Política e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Barreto de Castro, na 1ª Reunião do Conselho Diretor da rede, em Brasília.
“O papel da Bionorte é criar uma nova realidade para o desenvolvimento da região”, afirmou Barreto de Castro. Os recursos para esta ação são dos Fundos Setoriais e o termo de referência para o edital já está pronto. Além daquela verba, estão previstos ainda para este ano mais R$ R$ 8,5 milhões para a estrutura de redes temáticas para a conservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
“Queremos grandes projetos sem pulverizar o dinheiro e envolvendo todos os estados do Norte”, acrescentou o secretário. O objetivo da Bionorte, segundo Barreto de Castro, é integrar competências para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, desenvolvimento, inovação e formação de doutores, com foco na biodiversidade e biotecnologia.
Conselho
O conselho da Bionorte é formado por representantes do MCT, dos ministérios da Integração (MI), do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), dos conselhos Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia e Inovação (Consecti), Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), setor empresarial e das universidades.
“Os representantes presentes têm condições de fazer um trabalho na Amazônia bem coordenado entre a sociedade e o governo”, destacou Barreto de Castro. Na reunião de hoje, ficou decidido que os membros enviarão até o dia 7 de maio, os 12 nomes que formarão o Comitê Científico da Bionorte.
Este comitê já tem uma pauta definida, que é a de debater a estruturação de um curso de pós-graduação em Biotecnologia, avaliar um documento de criação do Centro Franco Brasileiro de Biodiversidade e Biotecnologia e o fortalecimento do sistema de pesquisa e desenvolvimento na Amazônia por meio de Redes Temáticas. Em princípio a reunião ocorre em meados de maio.

terça-feira, 17 de março de 2009

UFPA cria primeira graduação da Amazônia em Biotecnologia - UFPA the Amazonian establishing the first graduate in Biotechnology

O segundo curso, já que o primeiro foi criado na UFAM - Universidade Federal do Amazonas.

Quem deseja ingressar na UFPA tem uma nova opção. O Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade (CONSEPE) aprovou a criação do primeiro curso de Biotecnologia sediado na Amazônia. As 30 vagas serão ofertadas em um Processo Seletivo Especial (PSE). O lançamento do edital está previsto para o mês de abril e o concurso deve acontecer nos meses de maio e junho.
A Biotecnologia é uma ciência antiga que caminha lado a lado com o futuro. Os processos fermentativos para a produção de vinhos e produtos derivados do leite, como manteiga, queijo e iogurte, o descobrimento da penicilina e de sua ação antibacteriana ou o desenvolvimento de insulina a partir de bactérias em laboratório para o tratamento de diabéticos são exemplos de pesquisas e descobertas da área, ou seja, são situações em que as células e moléculas atuam em benefício do homem.
O diretor do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA (ICB), José Luiz Martins, explica o que é a Biotecnologia. “Os tecnólogos estudam como produzir moléculas ou isolar substâncias para gerar produtos que sejam úteis para a humanidade”, esclarece o futuro coordenador da Faculdade de Biotecnologia.
Leia mais: http://www.ufpa.br

quarta-feira, 4 de março de 2009

Como a biotecnologia transformou à biodiversidade em um recurso estratégico? - How to become biodiversity biotechnology in a strategic resource?

Pode-se afirmar que a biotecnologia transformou a biodiversidade em um recurso estratégico? Alguns autores já discutem que essa é uma das novas tendências da biotecnologia: focar-se no material genético genéticos, da mesma forma como nas décadas passadas foi fundamental para o desenvolvimento das sementes e produtos transgênicos (SCHRAMM, 1996; ALBAGLI, 1998, p. 1; KLOPPENBURG, 1992, p. 39; RIFKIN, 1999, p. 19).

Praticamente não existe campo que a biotecnologia não possa permear ou reestruturar. Pode-se vislumbrar uma época que trará mudanças muito importantes e que acarretará não necessariamente uma transformação no modo de produção atual, mas uma reestruturação, ao menos, do sistema internacional do trabalho, situação em que os países do centro serão os que proverão os investimentos e as ferramentas tecnológicas. Entretanto serão os países periféricos a abastecer de matérias-primas de qualidade e de “germoplasmas” ou recursos genéticos (SULE, 2005).

Esse acervo ou material genético se encontra nos países que contam com abundante biodiversidade – os seres vivos e os ecossistemas onde habitam. Essa biodiversidade e seus componentes se encontram ameaçados pela crise ecológica e o abuso do qual tem sido vítima, pelas necessidades do hegemônico modo de produção capitalista. Nesse sentido, as empresas e institutos de pesquisa de biotecnologia procuram formar bancos de dados genéticos que contenham a informação de todos os genes existentes no planeta, quer dizer, da diversidade biológica.

Segundo Bartra (2001), o sustento da revolução biotecnológica é a informática, e o monopólio do “germoplasma” adota cada vez mais a forma de bases de dados. Os bancos de “germoplasma” e a informação sobre os códigos genéticos formam a base da inédita indústria da vida.

Dessa forma, os recursos naturais evoluem da qualidade do necessário ao estratégico, já que deixam de ser parte da dotação de recursos e matérias para se constituir em um acervo genético, que se forma com a apropriação e uso de novas técnicas, junto com um sistema de patentes.

Essa revalorização dos recursos como reservas bióticas ocorre ao se converter em fontes adicionais do desenvolvimento tecnológico, na medida em que proporcionam códigos de informação e possibilidades de criação múltiplas.

As técnicas adquiridas desde o final do século XX permitem o desenvolvimento e aplicação de novas opções para manipular a matéria viva mediante a engenharia genética. Não é por acaso que atualmente a produção biótica seja uma indústria em expansão que no sistema econômico do mercado está ocupando espaços crescentes, e que atualmente representa cerca de 45% da economia mundial (BARTRA, 2001).

Assim, a biotecnologia passou a desempenhar um papel decisivo, como mecanismo para o domínio da biodiversidade e de seu uso comercial. Por intermédio da pesquisa científica, a procura de espécies que contenham possível valor econômico é um desafio das principais empresas do segmento. Como já foi dito, grande parte dos investimentos das empresas de biotecnologia são voltados à realização de pesquisas que possam trazer como resultado algum composto que abra caminho a um novo remédio, a uma nova droga ou a um novo cosmético ou algum produto que prolongue a vida humana.

Dessa perspectiva, é principalmente como matéria-prima das biotecnologias avançadas que a biodiversidade assume hoje um caráter estratégico, valorizando nem tanto a vida em si, mas a informação genética nela contida. A biodiversidade investe-se assim de um duplo significado: como elemento essencial de suporte à vida e como reserva de valor futuro.
Gonzalo ENRÍQUEZ, 2008.