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quinta-feira, 31 de março de 2016

Produção de castanhas alia renda e preservação


No coração da Amazônia peruana, as castanheiras se destacam, soberanas, na floresta densa. 


Max Milligan/The Body Shop

Por Andrea Vialli
Valor Econômico 

No coração da Amazônia peruana, as castanheiras se destacam, soberanas, na floresta densa. É o final da estação chuvosa, período em que a safra da castanha amazônica está em seu auge. De uma altura de até 60 metros, as árvores derrubam seus frutos, os ouriços ­ que, graças à sua grossa casca, resistem intactos até a colheita. Os ouriços são abertos com facões pelos extrativistas e revelam de cinco a dez castanhas, que são acondicionadas em grandes fardos de 75 kg na própria mata e dali seguem em uma logística complexa, que inclui homens fortes, tratores e barcos, até a cidade de Puerto Maldonado, principal centro urbano da região de Madre de Dios, sudeste do Peru, onde são beneficiadas.

A intrincada cadeia de fornecimento da castanha amazônica ­ conhecida pelo restante do mundo como castanhado­Brasil, embora também floresça no Peru e na Bolívia ­ une gente simples da floresta a gigantes do mercado de cosméticos, ávidas por insumos da biodiversidade dos trópicos.

Com habilidade para unir essas duas pontas, a Candela Perú, uma empresa de porte médio fundada em 1989, tornou­se uma referência em negócios sociais no país. Inicialmente criada com o intuito de comercializar artesanato e produtos típicos peruanos com o restante do mundo, suas atividades começaram a mudar com o avanço do desmatamento e do garimpo ilegal de ouro na Amazônia peruana. A partir daí, a Candela Perú voltouse para o fomento do extrativismo sustentável, com o objetivo de atrair os pequenos produtores para a produção de castanhas e desestimular o corte de madeira.

No Peru, as áreas de florestas são de propriedade do Estado, mas o governo destina concessões de uso da terra por até 40 anos a pequenos proprietários, que devem se comprometer a utilizar as áreas para pequenas lavouras e extrativismo. Nesse cenário, a Candela Perú passou a trabalhar diretamente com os concessionários, que se tornaram os principais fornecedores da empresa. Desenhou uma estratégia em sintonia com o movimento fair trade (comércio justo), que começava a ganhar força na Europa e tem como princípio a correta remuneração dos agentes produtores, além da prática de pagar adiantado 50% do valor da produção estimada para a safra.

Um dos objetivos da Candela era eliminar os intermediários da cadeia produtiva da castanha, para que os extrativistas pudessem receber um preço mais justo pelo produto. "Iniciamos as atividades como uma organização sem fins lucrativos, agrupando potenciais fornecedores e buscando compradores para os produtos da

floresta de origem não madeireira", relembra Gastón Vizcarra, presidente e co­fundador da Candela ao lado da esposa Guadalupe Lanao, gerente geral da empresa.

A etapa seguinte foi agregar certificados de produção orgânica, que também permite maior valorização no preço do produto, e buscar compradores que demandassem grandes volumes. O grande passo nessa direção foi dado em 1991, em uma viagem à Inglaterra, quando os donos da Candela Perú souberam do interesse da marca inglesa de cosméticos The Body Shop, famosa por utilizar ingredientes de comunidades tradicionais em sua cadeia de suprimentos, nos ativos da região amazônica. Em pouco tempo nascia uma relação comercial das mais robustas e duradouras.

A Candela Perú tornou­se a única fornecedora de óleo de castanhas para a marca, que utiliza o insumo em 40 produtos diferentes, como xampu, sabonetes e hidratantes. Em 2015, das 35 toneladas de óleo de castanhas produzidas pela Candela, um total de 30,4 toneladas foram compradas pela The Body Shop.

Outras empresas do segmento de cosméticos também compram o óleo de castanha, como a inglesa Lush, mas em volumes menores. "Conseguimos nos tornar um elo entre os extrativistas e os grandes compradores, com garantia de um padrão internacional de qualidade e preço justo", diz Guadalupe Lanao, gerente geral da empresa.

O contrato com a The Body Shop garantiu volume firme de compra e deu novo impulso à produção, permitindo agregar mais fornecedores ao longo do tempo. Hoje a Candela Perú compra as castanhas colhidas por 158 concessionários de reservas extrativistas da região de Madre de Dios, e criou um programa para envolver os castaneros ­ como são conhecidos os extrativistas ­ em boas práticas socioambientais, o que inclui treinamento sobre manejo dos recursos florestais, evitar a prática de caça, ainda comum na região, e o fogo em áreas de roçado.

A castanheira necessita do ecossistema preservado para continuar produzindo ­ sua polinização, por exemplo, é feita por uma espécie de abelha que só é encontrada em áreas de floresta primária. A dispersão das sementes também só é possível graças a um roedor endêmico da região amazônica. Na prática, a demanda firme para a castanha produzida na região contribui para a redução do desmatamento seguido de queimadas, comum em toda a Amazônia.

"Estimamos que as compras de óleo de castanha ajudaram a proteger 8.570 hectares de florestas na região de Madre de Dios. É um impacto significativo por tratar­se de uma relação comercial, não de um projeto filantrópico", diz Cristina Archer, responsável pelas cadeias de suprimento sustentáveis da The Body Shop.

Com um faturamento de US$ 5,7 milhões em 2015, a Candela Perú hoje é uma empresa de médio porte fortemente dependente da cadeia da castanha, que responde por nada menos do que US$ 4,9 milhões das vendas.

As duas plantas industriais ­ em Puerto Maldonado e Lima ­ empregam 99 trabalhadores, a maioria mulheres. Elas respondem por 75% da força de trabalho da empresa: na unidade de Puerto Maldonado, que recebe as castanhas diretamente dos concessionários, as mulheres dominam o minucioso processo de seleção das castanhas. Em geral, as inteiras e graúdas são destinadas a exportação; as menores e ainda inteiras, para o mercado interno e produtos beneficiados, como azeite e farinha; e as quebradas, para a produção do cobiçado óleo.

Segundo Vizcarra, o potencial de diversificação dos negócios é grande, e a empresa quer crescer apostando em outros insumos da biodiversidade amazônica. "Estamos estudando o mercado e a viabilidade econômica para ativos como buriti, copaíba, cupuaçu e murumuru. Assim como a castanha, eles podem ser explorados em cadeias sustentáveis", diz o fundador da Candela Perú.

A jornalista viajou a convite da The Body Sho


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Biodiversidade em Pauta.


PROJETO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE A BIODIVERSIDADE É LANÇADO NO SENADO
“O conhecimento seguro sobre a nossa biodiversidade é fundamental para a estruturação de uma economia verde. Não se pode explorar aquilo que não se conhece”, sustentou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, no lançamento do Projeto do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). A iniciativa foi lançada, nesta terça-feira (17), em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal. A iniciativa objetiva garantir o uso de dados sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros na elaboração e na implementação de políticas, facilitando e integrando a informação sobre o tema na tomada de decisão e nos processos de desenvolvimento de políticas públicas. Conta com US$ 28 milhões (US$ 20 milhões do MCTI e US$ 8 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente, o GEF, na sigla em inglês), conforme destacou Raupp. O propósito é consolidar a infraestrutura, os instrumentos, as ferramentas e a tecnologia necessários para qualificar, reunir e disponibilizar online e gratuitamente a informação de biodiversidade contida em coleções de recursos biológicos do país, além de fortalecer as capacidades institucionais para garantir a atualização dos dados e o desenvolvimento de produtos e serviços.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI
TEFÉ VAI GANHAR USINA DE CASTANHA DO BRASIL
 
O primeiro passo para a construção da Usina de Beneficiamento da Castanha do Brasil já foi dado: orçamento de máquinas e equipamentos. Agora, um estudo de viabilidade econômica, feito pela Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) vai apontar a necessidade de instalação da Usina no município. Hoje, Tefé (situada a 575 quilômetros de Manaus) está no ranking dos municípios que mais se destacam com a produção da castanha do Brasil. Por safra (novembro a abril) são produzidas, em média, 800 toneladas do produto, o equivalente a 12 mil hectolitros. Mais de mil agricultores familiares estão envolvidos com a cultura considerada principal, no que se refere ao setor extrativista. A Usina faz parte do interesse dos governos estadual e municipal e busca o fortalecimento das cadeias de valor dos produtos da sociobiodiversidade. O espaço que também vai beneficiar os extrativistas dos municípios vizinhos é aguardado com muita expectativa na região. E promete melhorar a vida dos coletores e das famílias deles. Geração de emprego, estabilidade no preço da castanha refletem a esperança de quem tem dificuldade em vender a produção no preço que realmente é válido, por conta do atravessador.

Fonte: Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas -IDAM
MAPA AUTORIZA INSCRIÇÃO DE 23 ESPÉCIES EM CADASTRO OFICIAL
 
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 19 de abril, a Instrução Normativa nº 9, que autoriza a inscrição de 23 espécies frutíferas no Registro Nacional de Cultivares – RNC. O cadastro tem como finalidade habilitar as espécies e cultivares para o sistema produtivo formal, permitindo a produção, o beneficiamento e a comercialização. De acordo com a Coordenação de Sementes e Mudas, como são variedades silvestres e exóticas de domínio público, é responsabilidade do MAPA inscrever sem a necessidade de mantenedor, pois essas culturas já se encontram em processo de exploração. Entre as plantas que poderão ser inscritas no RNC estão uva japonesa, groselha, umbu ou cajá, atemóia, jamelão, amora-preta e jambo. Sem a inscrição das no RNC, os produtores tinham dificuldades para comercializar suas mudas nos estabelecimentos comerciais e observar os parâmetros de qualidade e identidade. A IN permite incluir as espécies no cadastro nacional de cultivares, habilitando-as no Sistema Nacional de Sementes e Mudas, legalizando os cultivos para a produção formal.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA
PROGRAMA PILOTO DE PATENTES VERDES JÁ ESTÁ FUNCIONANDO
 
No combate às mudanças climáticas globais, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) também irá dar a sua contribuição. Desde o dia 17 de abril, o Instituto está realizando o programa piloto de patentes verdes, no qual o prazo de exame destes pedidos de patentes, relacionados às tecnologias limpas, cairá para menos de dois anos. O piloto será limitado a depósitos nacionais (residentes ou não residentes) e a 500 solicitações concedidas. Com o programa, o INPI atenderá a dois objetivos: identificar as tecnologias verdes e estimular o licenciamento destas, levando a inovação para quem precisa dela. De acordo com o programa, podem ser consideradas patentes verdes as tecnologias verdes referentes as seguintes categorias: energias alternativas, transporte, conservação de energia, gerenciamento de resíduos e agricultura. Para participar do programa, a partir do dia 17, o interessado deverá entregar formulário específico ao INPI e pedir exame e publicação antecipada (se ainda não o tiver feito).

Fonte: Portal PROTEC

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Nomeado hoje novo Secretário da SEICOM

 
DIÁRIO OFICIAL

Governador do Estado

DECRETO
 

O GOVERNADOR DO ESTADO RESOLVE: nomear, de acordo com o art. 135, incisos II e V, da Constituição Estadual, combinado com a Lei nº 7.570, de 22 de novembro de 2011, DAVID ARAÚJO LEAL para exercer o cargo de Secretário de Estado de Indústria, Comércio e Mineração.


PALÁCIO DO GOVERNO, 13 DE DEZEMBRO DE 2011.
SIMÃO JATENE
Governador do Estado

domingo, 17 de julho de 2011

SUSTENTÁVEL - O Pará desponta no cenário da beleza, não só como fornecedor de matéria prima.

 SUSTENTÁVEL
O Pará desponta no cenário da beleza, não só como fornecedor de matéria prima. Em breve, o
Estado também será responsável por produzir sabonetes, a partir das riquezas naturais da região.

A biodiversidade local também é o estimulo para uma série de investimentos no Estado, que serão implantados por meio do Programa Amazônia, da indústria de cosméticos Natura. Uma das propostas para a região é a implantação de uma nova fábrica da empresa no município de Benevides, onde a Natura já atua desde 2007.

Oportunidades O programa ampliará as oportunidades de trabalho e renda, envolvendo um número ainda mais expressivo de pessoas, empresas, comunidades e organizações que vivem e atuam na Amazônia Legal Brasileira e Latinoamericana.

Ele nasce para gerar novos negócios, atuar como um catalisador “Programa Amazônia” pretende implantar um fábrica de sabonete no Estado, em parceria com comunidades locais
Beleza de conhecimentos, ideias e iniciativas.

Também criará oportunidades para organizar as sociedades locais em torno de propostas de
desenvolvimento para a região, juntamente com governos, comunidades,  entidades não governamentais, meio acadêmico, dentre outros atores da sociedade civil.

Pesquisas
A meta é desenvolver conhecimento “na” Amazônia, “sobre” a Amazônia e “para” a Amazônia.
Com o desenvolvimento de novas pesquisas, a empresa pretende contribuir para estimular a fixação de pesquisadores e cientistas locais na região.

Para colocar essa iniciativa em prática, atuará através de redes internacionais, envolvendo instituições acadêmicas, de ensino, de pesquisa tecnológica e científica e de investigação
social e econômica.

A meta é envolver em rede mais de mil pesquisadores dessas instituições e colaboradores
Natura até 2020 por meio de uma presença física na cidade de Manaus com a criação de um Centro de Conhecimento e Inovação da Natura na Amazônia. “O programa surge com a intenção de desenvolver a Amazônia, de produzir riqueza para a região”, frisa Luciana Villa Nova, gerente de sustentabilidade da empresa.


“A experiência que acumulamos ao longo de mais de uma década de trabalho e pesquisa nessa região única, nos colocou diante de uma certeza: a de que é possível utilizar as riquezas da Amazônia em harmonia com a natureza, dentro de um modelo sustentável
que se opõe ao sistema exploratório e devastador que tem colocado em risco a existência da maior floresta do mundo”, afirma Alessandro Carlucci, diretor-presidente.

O Liberal. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pará - Pesquisa e Desenvolvimento, Contas a pagar.

Após a resposta da Fapespa, através de sua Assessoria de Comunicação, sobre o atraso no processo de pagamento das bolsas a alunos de graduação, pós-graduação, iniciação científica e ensino técnico básico, afirmando que "não existe nenhuma anormalidade no processo de pagamento dos bolsistas", mais bolsistas se manifestaram por meio de comentários postados na noite de ontem (30) e na manhã de hoje, no Diário Online.
Eles questionam como pode haver normalidade no pagamento se a bolsa referente ao mês de outubro, que deveria ser paga até o quinto dia útil de novembro, ainda não foi paga. Além do atraso, os bolsistas não conseguem nem uma previsão de quando o problema será resolvido. "Ligamos e nunca ninguém diz nada", afirma a estudante Rosi Souza.
"O que acho interessante é que a Fapespa acha normal o atraso no pagamento das bolsas, mas se você não entregar o seu relatório no período certo, a sua bolsa é temporariamente retida", reclama Luiz Henrique, outro bolsista da instituição.
A equipe do Diário Online entrou novamente em contato com a Ascom da Fapespa, mas nenhuma resposta foi dada de imediato. A Assessoria solicitou que fossem enviadas, por escrito, as reclamações postadas no espaço de comentários do DOL, relativas à matéria, para que estas sejam encaminhadas para o setor administrativo afim se obter um posicionamento sobre o assunto.
Enquanto isso, os bolsistas continuam se deslocando diariamente aos bancos com a esperança de que em algum momento o valor referente à bolsa esteja na conta. 

(DOL)

Leia aqui comentários dos bolsistas.

  • Rosi Sousa
Quarta-Feira, 01/12/2010, 09:56:53
Como assim, não há anormalidade, então é normal o pagamento referente ao mês de outubro, nós estarmos no mês de dezembro, e ainda não ter saido o pagamento, e ligamos e nunca ninguem diz nada, nem um prazo sequer. Isso é uma falta de RESPEITO e COMPROMISSO. UM VERDADEIRO ABSURDO.

  • Marília Fontes de Castelo Branco
Quarta-Feira, 01/12/2010, 01:14:56
É brincadeira... agora além de ter q entrar com processo administrativo contra a FAPESPA ou sei-lá-quem é responsável pelo repasse das verbas destinadas às nossas bolsas teremos também que entrar com processo de Danos Morais... adoro!

  • Luis Henrique
Quarta-Feira, 01/12/2010, 00:00:33
O que eu acho interessante é que a FAPESPA acha NORMAL o atraso no pagamento das bolsas, mas se voce nao entregar o seu relatório no periodo certo, a sua bolsa é temporariamente retida...parece que todos os bolsistas deixaram de mandar o relatório pq reteram nossas bolsas! o pior de tudo é que não podemos trabalhar e mesmo assim devemos ir aos laboratórios trabalhar todos os dias, caso contrário somos julgados de preguiçosos!Um absurdo!


  • Flavio
Terça-Feira, 30/11/2010, 23:22:42
A bolsa esta atrasada! Tive a mesma resposta de que não há previsão para o pagamento.

  • Denis
Terça-Feira, 30/11/2010, 23:19:03
Sou bolsista de Pós-graduação da FAPESPA e, assim como vários outros colegas da UFPA, ainda NÃO RECEBI o referente ao mês de outubro. Também me mantenho exclusivamente dessa renda e estou com problemas financeiros sérios, por conta desse atraso abusivo. 


Pará - Tucuruí, depois de 3 décadas

Eclusas de Tucuruí estão oficialmente inauguradas







Com a transposição feita ontem (30) de um empurrador e duas chatas que levavam o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e comitiva, estão oficialmente inauguradas as eclusas de Tucuruí. Será necessário, contudo, regulamentar o uso do serviço que, por enquanto, será operacionalizado pela Eletronorte por meio de um contrato assinado com o Departamento Nacional de Infra-estrutura Portuária. O contrato deve ficar em torno de R$ 3 milhões por ano. Nesta fase, serão feitas transposições de teste, mas a expectativa é de que aos poucos, com avaliação da demanda, seja criada uma rotina de uso de um dos maiores sistemas de transposição hidroviária do mundo.

Lula desembarcou em Tucuruí por volta de 14h. Foi do aeroporto direto para a eclusa um, que fica a ao lado da usina hidrelétrica de Tucuruí. La, embarcou para a viagem de pouco mais de 40 minutos, mas que ficará na história do Pará. Desde a construção da usina hidrelétrica, a navegação estava interrompida no rio Tocantins. Para resolver o problema, o governo iniciou, em 1981, a construção das eclusas, mas foram necessários 29 anos para que a obra fosse, finalmente, inaugurada.

PARCEIROS

No empurrador com Lula estavam a presidente-eleita do Brasil, Dilma Rousseff; a governadora do Para, Ana Júlia Carepa e os prefeitos de Tucuruí, Sancler Ferreira, e de Ananindeua, Helder Barbalho, além de ministros, dos governadores da Bahia, Jacques Wagner; de Sergipe, Marcelo Dedá e de ministros e deputados. Após passarem pela eclusa um e por parte do canal de seis metros que a liga à segunda eclusa, Lula desembarcou num galpão onde três mil pessoas o esperavam.

Lula desfiou um rosário de obras do atual governo, elogiou Dilma Rousseff e deu conselhos. “Neste País vale tudo. A única coisa que não vale é deixar de ser verdadeiro com este povo”, disse, afirmando que, quando se sentir abandonada por aliados, Dilma deve “pedir ajuda ao povo que ele ajudará”.
Lula, que falou depois da presidente eleita, ressaltou a necessidade de dar um caráter social às grandes obras. “Esta eclusa só terá sentido se significar a melhoria da qualidade de vida dos homens e mulheres do Brasil, do Pará e da região”. A obra foi iniciada em setembro 1981 e até a inauguração foram três interrupções. Passou por sete presidentes até ser oficialmente entregue, na tarde de ontem.

Primeiro a falar, o prefeito de Tucuruí Sancler Ferreira apontou os problemas do município, que responde por 10% da demanda de energia do País, mas onde os moradores não têm saneamento ou água tratada. Para ele, contudo, a interrupção da navegação no rio Tocantins era o “maior passivo da usina hidrelétrica de Tucuruí”. A expectativa, contudo é de que o governo federal e as empresas que atuam na área invistam em políticas sociais. “A nossa região tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano do País”.
Representante dos trabalhadores das eclusas, Sebastião Ivo Lemos, classificou a inauguração como um “momento histórico para a engenharia do País”. “Muita gente já não sabia onde buscar tanta fé para manter esse sonho vivo”.

INVESTIMENTOS

As eclusas consumiram investimentos de R$ 1,6 bilhão. Apenas nos últimos três anos, desde que a obra foi incluída no PAC e retomada, os investimentos somaram R$ 1 bilhão. No auge das obras, foram gerados quase 4 mil empregos diretos.

GRANDIOSIDADE

Sob qualquer ângulo que se veja, as eclusas são um empreendimento grandioso, gerador de grandes números. O concreto usado nas duas eclusas, por exemplo, seria suficiente para construir seis estádios de futebol do tipo exigido pela Fifa para a Copa de 2014.

Entre as maiores obras do mundo

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, ressaltou que as eclusas estão entre as maiores obras de transposição do mundo e afirmou que elas representam uma opção estratégica pelo transporte hidroviário. As eclusas estão preparadas para receber comboios de até 19 mil toneladas. A obra não é destinada a pequenas embarcações de passageiros.

Com a transposição do rio Tocantins, abre-se a possibilidade de aproveitamento hidroviário num trecho de até 800 quilômetros do rio. Pode haver também uma ligação com o rio Araguaia, somando dois mil quilômetros.

Para consolidar a hidrovia no trecho entre Marabá e Tucuruí, permitindo levar cargas do sul do Estado até o porto de Vila do Conde ainda serão necessárias uma série de obras. As principais são a derrocagem do pedral do Lourenço e a dragagem entre Tucuruí e Marabá, além da construção de uma plataforma multimodal (rodoviária, ferroviária e hidroviária) em Marabá. O porto em Barcarena já está sendo ampliado para atender a essa nova demanda e todas as outras obras, segundo Passos, estão garantidas.

A presidente-eleita, Dilma Rousseff, acompanhou Lula na transposição pela eclusa um. Eles saíram do Lago, ficaram cerca de 15 minutos dentro da câmara, até as águas baixarem cerca de 30 metros e então fizeram o percurso pelo canal até o palco na Nova Matinha, para onde foram remanejadas as 200 famílias atingidas com as obras.

“O Pará sempre teve uma situação muito difícil. Sempre foi olhado como um Estado muito rico em minério, na agricultura, nos grãos, um Estado do qual sempre se tirou e não tinha projeto de devolver ao Pará aquilo que o Pará tinha direito na Federação por ser um dos Estados mais importantes quando se olha o País. Importante pela grandeza de sua extensão territorial e por sua população, pioneira”.

Para a governadora Ana Júlia Carepa, a obra vai mudar o “patamar da competitividade das empresas paraenses”. “Criamos uma ambiência favorável ao desenvolvimento, à atração de indústrias”, gabou-se.

ANA JÚLIA

Ao descer do empurrador para uma das chatas que levava a comitiva presidencial, a governadora escorregou. Para não cair, sustentou-se no braço esquerdo e acabou tendo, o que pelo menos por enquanto, foi classificado como uma luxação. Ana foi tirada da embarcação e levada, numa lancha, para atendimento médico. Ao chegar à nova matinha, Lula ainda esperou alguns minutos até que a governadora retornasse para então dar início à cerimônia. Após o incidente, a governadora participou do restante do evento, mas evitou movimentos com o braço.

Lula exibiu o costumeiro bom humor. Brincou com a plateia, mas não escondia o cansaço, tanto que ficou algum tempo ausente do palco. “Fui ali chupar gelo porque o calor estava demais e só água não resolvia”.

No palco houve decerramento de placa e uma sessão de discursos. Convidado de Lula e adepto da rede social twitter, o prefeito de Ananindeua Helder Barbalho passou informações e postou fotos sobre o evento. Em uma das mensagens brincou: “Essa obra tem quase o mesmo tempo que eu de vida”.

CAPACIDADE

A previsão é que, pela hidrovia, sejam transportadas, anualmente, 40 milhões de toneladas de carga, sendo R$ 10 bilhões em minérios e quase R$ 30 bilhões em soja. Não por acaso, o senador eleito do Mato Grosso e conhecido como o rei da soja, Baliro Maggi, era um dos convidados de Lula no evento.

(Diário do Pará)

domingo, 28 de novembro de 2010

PMDB Retorna ao governo do Pará, em união com o governo de Simão Jatene

Em entrevista à jornalista Célia Pinheiro (Perereca da Vizinha) o senador Jader Barbalho se abre e conta detalhes sobre a campanha eleitoral e a participação do PMDB no governo do Jatene.
 
Segundo a Perereca, aos 66 anos de idade, o deputado federal Jader Barbalho está tinindo... 

Otimista, bem humorado, não parece arrependido da opção que fez, há 44 anos, pela carreira política, apesar de todos os problemas que já enfrentou: acusações de corrupção, ações judiciais, processo de satanização, prisão e, mais recentemente, a cassação branca do mandato de senador conquistado no último pleito.

“Confesso que vivi”, diz ele, rindo, ao plagiar o poeta chileno Pablo Neruda.


Veja a entrevista do Jader no Blog da A Perereca da Vizinha 


sábado, 2 de janeiro de 2010

Biodiversidade - Cadeia produtiva da castnha


Começou a safra da castanha do Pará. No Acre, principal estado produtor, a coleta ajuda na renda dos pequenos agricultores.

É inverno amazônico. A época de verão para o restante do país não é considerada assim para quem vive no meio da floresta porque chove muito e o acesso por estradas fica bastante comprometido.

Para chegar à casa do agricultor José Francisco de Freitas, que mora a dez anos no lugar, a equipe de reportagem precisou seguir a pé. Ele coleta castanha e extrai borracha, produtos que geram uma renda de quase mil reais por ano. Para a alimentação da família ele mantém pequenas plantações e cria alguns animais.

“A gente produz, no caso do arroz e do feijão, para a subsistência. Chega a safra da castanha e é uma ajuda. Tem também a ajuda do gado, que a gente tem para manter a subsistência da família”, falou seu José.

O trabalho do seu José com a coleta dos ouriços de castanha começa com o preparo das ferramentas. Quase todas são feitas com materiais extraídos da própria floresta, como a fibra utilizada para fazer o balaio ou panero, como se diz pela região.

Já no meio da floresta, ele procura uma mão de onça. Mas não é do bicho onça. Ele olha para o lado, pega um galho, corta, pega mais uns galhos finos e está pronta mais uma ferramenta feita na hora.

“A gente faz a mão de onça para a colheita ouriço, de castanha”, explicou seu José.

A coleta da castanha é feita entre os meses de dezembro e março. Na última safra o seu José vendeu 52 latas do produtor, cada uma com dez quilos. A renda total foi de R$ 520. Ele recebeu pelas castanhas R$ 2,00 a mais por lata do que o preço pago no mercado. Isso porque ele participa de um programa de boas práticas, que aumenta o valor do produto.

“Amontoa e deixa amontoado por dois ou três dias no máximo. Aí tem que quebrar e levar para casa e colocar para enxugar. Depois, tem a catação da castanha para tirar todas as impurezas”, esclareceu seu José.

Outras 23 famílias fazem parte da mesma associação de extrativismo que o seu José. A castanha coletada pelos produtores vai para o novo armazém da comunidade. Além das boas práticas e da estrutura de armazenamento, a associação dos extrativistas busca a certificação internacional do produto orgânico, titulo que pode render até R$ 2,00 a mais por lata de castanha vendida.

Da comunidade a castanha é carregada diretamente para a cooperativa, que recebe quase a metade de toda a produção do Estado. O controle de qualidade, que começa na floresta, continua na cooperativa. A castanha passa por um processo de secagem e classificação. Depois de esterilizada, a casca é quebrada e a amêndoa ou a própria castanha passa por outra separação, onde são tiradas impurezas como cascas e amêndoas quebradas. Elas são colocadas ainda em estufas para mais uma secagem de 20 horas.

Depois de tudo, elas voltam para uma classificação manual e seguem para serem embaladas a vácuo, em caixas de 20 quilos cada. Na safra passada a cooperativa conseguiu negociar o produto ao preço de R$ 17 a lata. Para esta safra a expectativa é aumentar o preço.

“Nós temos uma grande perspectiva para 2010. No momento ainda não temos uma definição de preço. Mas estamos na expectativa de que vai melhorar em relação a 2009”, falou Manoel Monteiro de Oliveira, representante da Cooperacre.

O Acre é responsável por 34% da produção nacional de castanha do Pará.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Amazônia - Parceria estimula acesso de extrativistas ao Fundo Amazônia

Ministério de Meio Ambiente -MMA. Ministério e agências implementadoras vão atuar para identificar projetos nas comunidades.

Para garantir que o extrativista tenha acesso ao dinheiro do Fundo Amazônia e continue conservando a floresta em pé, o Ministério do Meio Ambiente vai atuar em parceria com as agências implementadoras de projetos a fim de identificar programas desenvolvidos por essas comunidades que poderão ser ampliados e receber o benefício.

A parceria foi acertada durante oficina realizada, nesta segunda e terça-feira (5 e 6/10), pelo Departamento de Extrativismo do MMA, com a participação de representantes do BNDES órgão gestor do fundo e das agências implementadoras.

Assim, ficou decidido que o MMA dará apoio para realização de seminários com líderes da floresta a fim de identificar ações em que o recurso do fundo possa ajudar na melhoria da produção e na conservação da floresta.

O MMA ainda dará suporte para o preenchimento da Carta Consulta, que é a primeira fase de avaliação para que um projeto seja aprovado pelo BNDES e consiga recurso para colocar em prática as ações.

Para o analista ambiental do Departamento de Extrativismo, Alan Franco, o trabalho com as agências implementadoras garante que o recurso chegue para a população, melhorando a vida do extrativista, além de ser a oportunidade de ampliar o alcance dos programas do MMA, implementando as ações do Plano Nacional para Promoção das Cadeias dos Produtos da Sociobiodiversidade.

Dentre as ações previstas para garantir o sustento dos extrativistas está a Política de Garantia de Preços Mínimos para produtos como, pequi, andiroba, babaçu, castanha-do-Brasil, e o Programa de Aquisição de Alimento

Os extrativistas trabalham com atividades de produção sustentáveis, retirando das árvores o suficiente para seu sustento, mantendo a área conservada. Essa é uma das destinações previstas para o recurso do Fundo Amazônia, que também apoia ações de reflorestamento, manejo florestal, recuperação de áreas desmatadas, ecoturismo.

A oficina também serviu para esclarecer que o Fundo vai financiar projetos nos nove estados da Amazônia Legal, em sete áreas de atuação: manejo florestal sustentável; atividades econômicas desenvolvidas a partir do uso sustentável da floresta; zoneamento ecológico-econômico, ordenamento territorial e regularização fundiária; conservação e uso sustentável da biodiversidade; recuperação de áreas desmatadas; e pagamentos por serviços ambientais. Alguns representantes de agências implementadoras tinham o entendimento que só os municípios do arco do desmatamento poderiam acessar o recurso do fundo.

Para o primeiro ano do fundo, o Brasil tem cerca de R$ 200 milhões doados pela Noruega - para investir em projetos voltados à redução do desmatamento da Amazônia.

A expectativa é que ainda este ano as primeiras Cartas Consultas, dos projetos voltados às comunidades tradicionais, sejam enviadas para o BNDES.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Círio de Nazaré - Largada para o Círio 2009


Amazônia Jornal
07/10/09

A Basílica Santuário de Nazaré foi palco, ontem à noite, da abertura oficial da Festividade de Nossa Senhora de Nazaré 2009. A programação itinerante começou com uma bênção na igreja, seguida de apresentação musical na Praça Santuário (CAN) e encerrada na Casa do Plácido, espaço que acolhe romeiros, devotos e turistas que vêm até Belém para a Festividade, com homenagens e premiações. Especialmente para esta abertura, que deveria acontecer na próxima quinta-feira, mas foi antecipada para ontem, houve a inauguração da iluminação da Basílica e dos dois arcos instalados às proximidades da igreja. A decoração das estruturas metálicas começou no mês de setembro e já é fixa nas esquinas da avenida Generalíssimo Deodoro e da travessa 14 de Março, há dois anos.

Segundo a Diretoria da Festa, a peça faz alusão ao cartaz do Círio 2009, que tem como tema 'Em Maria, a palavra se fez carne' e, ainda conta com algumas novidades técnicas. 'Como sempre, nós mudamos a plotagem de acordo com o novo tema. Mas este ano resolvemos deixar o arco mais transparente e utilizar uma iluminação in led, que fica mudando de cores a cada segundo', declarou Antônio Salame, diretor de patrimônio da Festa de Nazaré.

As luzes que ornamentam a Basílica também passaram por manutenção e foram reapresentadas aos fiéis em meio a um show pirotécnico. A governadora do Estado Ana Júlia Carepa e o prefeito do município Duciomar Costa estavam presentes, juntamente com outras autoridades de entidades públicas e privadas.

Além da iluminação, uma das novidades deste ano está na participação da Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais como parte integrante da programação católica. Composto por 110 músicos da Companhia de Bandas do Batalhão Naval do Rio de Janeiro, com 85 executantes e 25 vozes, dentre oficiais regentes, suboficiais e sargentos fuzileiros navais, o grupo já esteve na capital paraense em 2004, mas nunca com a formação oficial. A sinfonia interpretou várias canções católicas e sucessos da música clássica na Concha Acústica da Praça Santuário.

De acordo com monsenhor Raimundo Possidônio, administrador diocesano, a solenidade de abertura se contitui em um momento de oração, onde autoridades, entidades parceiras e cidadãos pedem proteção à padroeira da cidade, mas principalmente agradecem pela possibilidade de poder dar vida a uma das maiores manifestações religiosas da América Latina. 'Este é um momento em que as autoridades e nós devemos pedir luzes para essa mais nova caminhada que está se abrindo. E, para que a mesma possa envolver e emocionar muito mais pessoas. A abertura da Festa de Nossa Senhora é o início de toda a programação', explicou o administrador diocesano, que ministrou a bênção no interior da Basílica junto ao arcebispo emérito de Belém, dom Vicente Zico.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

BIODIVERSIDADE - Evento apresentou plano para cadeia da castanha-do-brasil

A formação da Câmara Setorial da Cadeia da Castanha-do-brasil foi um dos objetivos do Workshop Castanha-do-brasil, que aconteceou de 15 a 17 de junho, no Instituto Israel Pinheiro, em Brasília (DF).

Cerca de 80 participantes, entre representantes dos Povos e Comunidades Tradicionais e da Agricultura Familiar (PCTAF), setor empresarial, organizações não-governamentais ligadas a agricultura familiar e meio ambiente, entidades de pesquisa e representantes dos governos estaduais e federal estiveram presentes no encontro.

A abertura aconteceou na segunda-feira (15)com as presenças do secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adoniram Sanches Peraci (SAF/MDA); do diretor de Logística e Gestão Empresarial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto; do diretor da Cooperação Técnica Alemã no Brasil (GTZ), Ulrich Krammenschneidir; do secretário de Articulação Institucional e Parcerias do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ronaldo Coutinho Garcia; e do secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Egon Krakhecke.

O workshop apresentou o Plano de Ação para a Castanha-do-brasil, elaborado a partir de diagnóstico já submetido à apreciação de organizações que desenvolvem trabalhos com o fruto nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Rondônia e Mato Grosso. Também serão definidos os responsáveis pelas ações propostas pelo plano e as atribuições da Câmara Setorial da Cadeia da Castanha-do-brasil, que foi constituída.

Plano Nacional

Na terça-feira (16), com a presença dos ministros do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Patrus Ananias; do Meio Ambiente (MMA), Carlos Minc; e da subchefe adjunta da Casa Civil, Tereza Campelo, foi assinada a portaria interministerial com as orientações para implementação do Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade.

A portaria cria o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) denominado Grupo de Coordenação do Plano Nacional que tem as atribuições de articular as ações de governo para implementação do Plano Nacional e selecionar as cadeias de produtos da sociobiodiversidade que serão prioritárias, além de estabelecer as diretrizes para elaboração e implementação dos seus respectivos planos de ação e propor a criação, a composição e as atribuições da câmara setorial por cadeia.

O Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade foi lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril de 2009. É fruto de uma articulação dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e do Meio Ambiente e de um processo de consulta e socialização junto a órgãos dos governos federal e estaduais, agência de cooperação internacional, setor empresarial, agências de fomento e a sociedade civil organizada.

Nesse primeiro ano, as ações de implantação do Plano iniciam pelas cadeias da castanha-do-brasil e do babaçu, envolvendo representantes que atuam nos níveis nacional, estadual e local. Essas cadeias foram priorizadas em virtude de sua relevância socioeconômica e ambiental pois, juntas, beneficiam cerca de 500 mil famílias de extrativistas e quebradeiras de coco e geram, anualmente, em torno de R$ 160 milhões.

SociobiodiversidadeOs produtos da sociobiodiversidade são bens e serviços (produtos finais, matérias primas ou benefícios) gerados a partir de recursos da biodiversidade, voltados à formação de cadeias produtivas de interesse dos povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares.

quinta-feira, 19 de março de 2009

BRASIL, AMAZÔNIA - RESULTADOS DE PESQUISA DE CAMPO - CADEIAS PRODUTIVAS (3)

Bioprospecção e cadeias produtivas

Uma particularidade da pesquisa de campo foi permitir a comprovação, nas principais localidades, das evidências empíricas na trajetória das cadeias produtivas selecionadas, focadas na comunidade e no mercado. Nesse sentido, constatou-se que os dois extremos das cadeias produtivas não estão formatados de modo a permitir uma interação fácil. Conforme se concluiu, existe, até certo ponto, uma relação primitiva e colonialista, pela qual as empresas que possuem a tecnologia ou empresas de países desenvolvidos extraem produtos naturais nas localidades, pagando por eles baixíssimos preços e realizando agregação de valor nos centros de desenvolvimento tecnológicos mais avançados.

Contudo, constatou-se também que, quando existem relações de parceria com empresas que propõem ações de mais longo prazo para fortalecer a cadeia produtiva e garantir compra de matéria-prima e ações de desenvolvimento nas comunidades (educação, saúde, capacitação), por pequenas que essas ações sejam, superam os apoios que as políticas públicas do governo realizam. Tal constatação permite sugerir que uma boa política pública, para fortalecer a proteção ambiental e as comunidades extrativistas pode residir no estímulo e fortalecimento de práticas dessa natureza no meio empresarial.

As cadeias produtivas da castanha-do-pará, dos óleos de copaíba e andiroba, apresentam uma potencialidade extraordinária pela sua demanda e novas possibilidades de uso na bioindústria. Requerem, entretanto, a implementação de boas práticas para o beneficiamento dos óleos. Assim, o retorno para as comunidades poderá ser significativamente superior ao que é atualmente.
Existem dois tipos de dificuldades nas cadeias produtivas estudadas: as primeiras são enfrentadas pelas comunidades que se encontram próximas dos centros urbanos. Estas apresentam dificuldades voltadas para as inovações tecnológicas dos seus produtos e, portanto, requerem soluções específicas.

As comunidades que se encontram mais distantes apresentam dificuldades voltadas para a gestão dos empreendimentos e transporte dos seus produtos. Esse é um dos seus grandes pontos fracos.

Com base nas evidências da pesquisa empírica se aponta a possibilidade de criar dois cenários de cadeias produtivas. Um de maior intensidade, formado pelas cadeias mais próximas das cidades-pólo da Amazônia, que contam com universidades e bioindústrias em expansão ou em implantação (empresas incubadas, pequenas bioindústrias ou médias e grandes empresas dedicadas à exploração sustentável dos recursos da biodiversidade, pólos tecnológicos, etc.). Outras cadeias de menor intensidade tecnológica são focadas também, principalmente, em produtores extrativistas.

Mais distantes portanto dos centros urbanos da Amazônia e das instituições de pesquisa e de empresas que atuam na área da biodiversidade, onde se criariam pólos para estoque de matéria-prima para beneficiamento primário dos produtos naturais.
Apesar de existirem diversas possibilidades para uso da biodiversidade, tais como os chamados usos indiretos, analisados, os que se apresentam como alternativa mais concreta para as comunidades são os usos diretos, que geram alternativas de trabalho e renda para as comunidades que precisam se desenvolver.

Outras alternativas, como a venda de créditos de carbono para criação de um fundo, têm gerado polêmicas sobre a forma em que se distribuirão os recursos e como serão beneficiadas realmente as comunidades. Embora isso não seja estudado adequadamente, tem havido mais dúvidas que esclarecimentos sobre a operação desse mecanismo.