O plano de expansão da francesa L'Oréal, que está praticamente sem
dívidas e tem um caixa disponível de € 1,9 bilhão, está carimbado com o
termo "aquisições" em letras maiúsculas e o Brasil, um dos maiores
mercados de cosméticos do mundo, faz parte dele.
"Seria interessante comprar uma marca no Brasil ou na Índia", disse
Jean-Paul Agon, diretor-geral da L'Oréal, ao jornal "Le Figaro", em
entrevista publicada na sexta-feira. "O Brasil é extremamente
estratégico para a L'Oréal. É o terceiro maior mercado mundial de
cosméticos, juntamente com a China, e, rapidamente, com esse ritmo de
crescimento, estará entre os primeiros países em termos de faturamento
do grupo", disse Agon ao
Valor na sexta-feira, durante a apresentação dos resultados do grupo em 2010, na sede do grupo, em Clichy, nos arredores de Paris.
As vendas da L'Oréal no Brasil, sétimo maior mercado da empresa,
cresceram 20,9% em 2010 em relação a 2009, para € 705 milhões (expansão
maior do que o da América Latina, que foi de 17,5%).
A valorização do real permitiu que o Brasil passasse a pesar 3,8% nas
vendas do grupo francês, o que representa um aumento de 18,4% sobre
2009.
"Temos grandes ambições em relação ao Brasil. Vamos ampliar nossa
presença nas áreas de produtos capilares e solares e vamos desenvolver,
progressivamente, nossas atividades nas linhas de produtos de cuidados
com a pele e de maquiagem", diz Agon, que não deu mais detalhes sobre
eventuais aquisições no Brasil.
"Nos mercados emergentes, muitos
novos consumidores são novos compradores de cosméticos. Cabe a nós fazer
com que eles prefiram imediatamente nossas marcas", diz Agon, que a
partir de 17 de março será o novo presidente diretor-geral da L'Oréal,
com a reunificação dos dois cargos. Lindsay Owen Jones, o atual
presidente, deixa o cargo depois de 23 anos.
Praticamente sem dívidas e com um caixa de quase € 1,9 bilhão, além
de um "tesouro de guerra" - a participação de cerca de 8% no capital da
Sanofi-Aventis, considerada uma "reserva" que pode ser utilizada em
grandes aquisições -, não faltariam recursos para a líder mundial entrar
em ação.
"O dinheiro em caixa continua tendo como prioridade as aquisições",
diz Agon. Mas, ao mesmo tempo, ele afirma que elas "não são
indispensáveis". Nos países emergentes, diz, a L'Oréal não precisa
comprar marcas locais para acelerar sua expansão. "Podemos conquistá-los
com nossas marcas. Se houver aquisições, será com um objetivo muito
específico, mas não precisamos disso para nos desenvolvermos nesses
países".
O grupo procura, em geral, dar novo fôlego às marcas de cosméticos
compradas e mudar sua estratégia de marketing antes de lançá-las no
mundo inteiro, como fez com a Maybelline, criada nos Estados Unidos. É o
que deve ser feito com a marca de esmaltes americana Essie, que a
L'Oréal comprou em 2010. A L'Oréal tem a "ambição de transformá-la na
líder mundial de esmaltes, levando o tempo que for necessário", diz
Agon.
Ele diz que as marcas internacionais são, às vezes, mais apreciadas
nos mercados emergentes do que as nacionais. No caso do Brasil, no
entanto, isso deve ser visto com reservas, já que a líder do setor é a
brasileira Natura.
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Daniela Fernandes | Para o Valor, de Clichy
14/02/2011