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domingo, 27 de dezembro de 2015
terça-feira, 10 de junho de 2014
Perfume nativo
A francesa L'Occitane foca seu crescimento no mercado local com a marca L'Occitane au Brésil. O objetivo é chegar a 400 pontos de venda em cinco anos, diz Benjamin Beaufils
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Beaufils, da L'Occitane no Brasil: linha deve atingir 300 itens fabricados localmente e será vendida no exterior |
Os produtos da nova marca são os únicos do grupo fabricados no Brasil, por empresas terceirizadas. Os preços são, em média, 30% menores em relação à L'Occitane au Provence, cujos itens são importados.
Para acelerar a expansão da marca inspirada no Brasil, a companhia optou por adotar o sistema de franquias. Das lojas já abertas, 20 são franquias. A L'Occitane en Provence, no país desde 1995, tem apenas 14 de seus 92 pontos operados por franqueados.
A abertura de lojas da marca mais antiga do grupo deve ser mais lenta e, principalmente, com investimento próprio. Em 2013, oito unidades foram inauguradas. "A L'Occitane en Provence nunca será deixada de lado, mas hoje grande parte dos nossos esforços estão na L'Occitane au Brésil", diz Beaufils, há quatro anos na operação local, dois deles como presidente. O grupo também importa, desde 2012, os produtos da marca Le Couvent des Minimes, vendidos em lojas do supermercado Pão de Açúcar.
"O primeiro objetivo é fazer uma marca forte aqui no Brasil, mas também temos a ambição de torná-la uma marca internacional", afirma o executivo, sobre a L'Occitane au Brésil. A marca acaba de dar o primeiro passo rumo ao exterior, por enquanto em uma ação temporária. Os produtos invadiram 1,5 mil lojas da L'Occitane en Provence em 45 países, onde serão vendidos até o fim da Copa do Mundo.
No Brasil, os itens também são encontrados em lojas da Provence, onde ficam expostos em móveis exclusivos. De acordo com Beaufils, a convivência das duas marcas foi saudável. "Gerou muito mais uma curiosidade do que canibalização". Mas a ideia é separar cada vez mais os canais de distribuição para que cada marca siga seu caminho e se diferencie perante os consumidores. Segundo o executivo, o público-alvo da L'Occitane au Brésil também está nas classes A e B, mas é mais jovem.
Conhecedora dos ingredientes da Provença, a L'Occitane busca com a "Brésil" se aprofundar na natureza brasileira. A empresa pesquisa no país plantas que ainda não tenham sido usadas por concorrentes e que tenham propriedades para a indústria cosmética. Descobriu, por exemplo, que a capacidade de retenção de água do mandacaru pode ajudar na hidratação da pele.
O portfólio da L'Occitane au Brésil tem cerca de 60 produtos, como hidratantes, xampus e colônias. A empresa quer ter 100 itens até dezembro e atingir 300 em 2016. O plano é estrear em categorias que a marca ainda não atua e lançar novas linhas. Atualmente são cinco: araucária, bromélia (Mata Atlântica), jenipapo (Cerrado), mandacaru (Caatinga) e vitória-régia (Amazônia). "O país tem a maior biodiversidade do mundo e ainda há muita coisa a ser explorada", afirma Beaufils.
Segundo o executivo, parte dos recursos levantados com a abertura de capital da L'Occitane estão sendo usados no projeto. A L'Occitane foi listada na Bolsa de Hong Kong em 2010, quando captou cerca de US$ 700 milhões.
No ano fiscal terminado em março, a operação brasileira foi a que mais cresceu entre os 90 países onde a L'Occitane atua. A receita líquida avançou 21% em moeda constante no período, e Beaufils espera manter o ritmo de crescimento este ano. As vendas globais aumentaram apenas 1% no período, para € 1 bilhão. O Japão é o maior mercado da companhia, seguido por Estados Unidos e Hong Kong. A França vem em quarto lugar. O Brasil é o oitavo, ainda atrás de China, Rússia e Reino Unido.
O Brasil tem o terceiro maior mercado de cosméticos e produtos de higiene pessoal do mundo e está entre os que mais crescem. A desaceleração da economia e o câmbio desfavorável, no entanto, desafiam as empresas. "Temos que conviver com isso, mas estamos acostumados a lidar com a variação das taxas cambiais", diz Beaufils. Em euros, a receita líquida do grupo aumentou apenas 4% no país no último ano fiscal, para € 46 milhões.
Por Adriana Meyge | De São Paulo
domingo, 21 de abril de 2013
O Queridinho da vez
Socorro a Eike terá gigante da Rússia, malaios e Petrobras
Em vez de cuidar da crise econômica, financeira e de tecnológica na que se encontram as pequenas e meias empresas, que geram 90% dos empregos do País, o governo Federal cuida das suas "empresas queridinhas" a VALE e as empresas do Eike Batista.
Matéria da Folha. RENATA AGOSTINI
DE BRASÍLIA
Petroleira Lukoil negocia compra de cerca de 40% da OGX, cujas ações acumulam desvalorização de 90% em um ano.
Empresário negocia venda de parte de campo com a Petronas por US$ 1 bi e parcerias com estatal brasileira.
Segundo a Folha apurou, a empresa negocia de forma avançada com a petroleira russa Lukoil, que pretende atrair como parceira, e com a malaia Petronas, para quem deseja passar parte de campo de petróleo para fazer caixa.
Os executivos de Eike já iniciaram também conversas com a Petrobras para firmar parcerias em campos da estatal, nos quais assumiria o posto de operadora.
Iniciar o resgate do grupo pela OGX é estratégico para Eike, que está sendo assessorado pelo BTG. De suas seis empresas com ações negociadas na Bolsa, foi dela o maior tombo --queda de 90% no valor dos papéis em um ano.
A crise de confiança contaminou várias operações do grupo. Ainda assim, a OGX representa quase um terço do império X, avaliado em pouco mais de R$ 14 bilhões.
O centro da estratégia está na Lukoil. A ideia é atrair a companhia, quarta maior petroleira privada do mundo, como sócia da OGX, cedendo participação de cerca de 40% no capital total da brasileira.
A fatia, segundo executivos próximos à operação, é suficiente para que os russos possam consolidar os números da OGX em seu balanço sem que Eike perca o posto de controlador de sua petroleira, considerada a "joia da coroa" do seu grupo.
A Lukoil esquadrinha os números da OGX desde o início do ano. Para isso, foi montado um "data room" --banco de dados com informações estratégicas da companhia.
A avaliação inicial foi positiva e, há cerca de um mês, os russos contrataram o escritório brasileiro Pinheiro Guimarães para iniciar a chamada "due diligence", uma averiguação detalhada dos ativos e informações da companhia antes da aquisição.
No momento, os advogados estão debruçados sobre detalhes como obrigações trabalhistas e de conteúdo local.
LEILÃO À VISTA
A expectativa é que o negócio possa ser fechado no início de maio, a tempo da 11ª rodada de licitações para áreas de exploração de petróleo, programada para os dias 14 e 15 e que oferecerá 289 blocos.
Para a OGX, a sociedade traria musculatura --e capital-- para uma oferta mais agressiva na disputa. A empresa precisa de novas áreas após campanha exploratória com resultado abaixo do "vendido" aos investidores.
Já os russos ganhariam um valioso atalho ao mercado brasileiro, ao ter acesso a uma empresa com corpo técnico já formado e considerado de boa qualidade.
Paralelamente, os executivos de Eike negociam a venda de 40% do campo de petróleo Tubarão Martelo para a Petronas, por US$ 1 bilhão.
Segundo apurou a Folha, as negociações estão em ritmo acelerado. O diretor jurídico da OGX, José Roberto Faveret, foi a Kuala Lumpur, na sede da Petronas, negociar os termos finais da operação.
A venda do campo traria alívio imediato à OGX, dispensando Eike de capitalizar a empresa --em outubro, o empresário se comprometeu a injetar US$ 1 bilhão do próprio bolso na empresa caso o plano de negócios estivesse comprometido por falta de caixa.
Em outra frente, a OGX movimenta-se para fechar parcerias com a Petrobras em campos já em operação. As conversas já foram iniciadas, segundo executivos do grupo, que falam sob reserva.
A intenção da OGX é entrar como sócia da estatal em alguns campos, assumindo o papel de operadora.
Procurada, a petroleira de Eike se limitou a dizer, por meio de nota, que "as informações não procedem".
Colaborou MARIANNA ARAGÃO, de São Paulo
terça-feira, 9 de abril de 2013
A culpa é do boi
Lucro da Cargill cai 42% no terceiro trimestre fiscal de 2013
SÃO PAULO - A multinacional americana Cargill, maior empresa de agronegócio do mundo, reportou hoje um lucro líquido de US$ 445 milhões no terceiro trimestre fiscal de 2013 (encerrado em fevereiro), queda de 42% sobre os US$ 766 milhões reportados no mesmo período do ano anterior. Na mesma comparação, a receita líquida da Cargill aumentou 1%, para US$ 32,2 bilhões.
Em comunicado, o CEO da Cargill, Greg Page, diz que o negócio de processamento de carnes da multinacional na América do Norte sofreu com os elevado custo dos grãos usados na ração animal.
O executivo ressaltou, no entanto, que o negócio global de ingredientes para alimentação “quase alcançou o forte desempenho do terceiro trimestre do ano passado”, apesar da alta dos insumos usados na produção desses produtos.
(Luiz Henrique Mendes | Valor)
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Mineração em queda
Rio Tinto termina 2012 no vermelho
SÃO PAULO - Após um ano difícil para a mineração em todo o mundo, a anglo-australiana Rio Tinto divulgou hoje um prejuízo líquido atribuível a seus acionistas controladores de US$ 2,99 bilhões em 2012. No ano anterior, a empresa havia apresentado um lucro de US$ 5,83 bilhões.
No ano passado, a companhia registrou uma queda de 15,8% em sua receita líquida, que atingiu US$ 50,97 bilhões. Os volumes vendidos foram reduzidos em quase todos os segmentos, menos no de diamantes, que garantiu faturamento de US$ 4,04 bilhões nos 12 meses, alta de 11,1%.
O minério de ferro foi o maior responsável pela baixa nas receitas. A comercialização da commodity garantiu à Rio Tinto 17,6% menos recursos do que em 2011, ou seja, uma receita bruta de US$ 24,28 bilhões. A divisão de alumínio faturou US$ 10,1 bilhões, queda de 16,9%, e as receitas com cobre caíram 13,7%, para US$ 6,52 bilhões.
Se o desempenho operacional foi pior em 12 meses, baixas contábeis no exercício trouxeram perdas de US$ 16,41 bilhões. As reduções no valor de ativos foram realizadas principalmente no negócio de alumínio da companhia e na mina de carvão em Moçambique.
Excluindo esses efeitos considerados “não recorrentes” pela anglo-australiana e mais alguns ganhos com vendas de ativos e transações financeiras, o lucro ajustado ficou em US$ 9,3 bilhões. O montante ficou próximo dos US$ 9,83 bilhões estimados pelo mercado e por volta das 6h20 (horário de Brasília), as ações da empresa subiam 1,5% em Londres, para 38,13 libras.
Para 2013, a Rio Tinto pretende aumentar sua produção do minério de ferro em 4,5%, para 265 milhões de toneladas. A alumina é aguardada em volume 17,6% maior, ou 8,2 milhões de toneladas e é previsto um crescimento de 15,2% na extração de alumínio. A anglo-australiana estima alta de 21,2% na produção de cobre, ou 665 mil toneladas, e refinar 9,2% mais, ou 305 mil toneladas.
Outro motor do prejuízo em 2012 foi o aumento do custo operacional da Rio Tinto. Mesmo com uma queda na receita, os gastos da companhia avançaram 4,8%, chegando a US$ 39,51 bilhões. Somados a despesas gerais e administrativas, baixas contábeis e outros itens, levaram a empresa a um prejuízo operacional, antes de juros e impostos, de US$ 1,97 bilhão no período. Em 2011, o resultado operacional da Rio Tinto havia sido positivo em US$ 13,94 bilhões.
(Renato Rostás | Valor)
domingo, 6 de janeiro de 2013
Governo acelera a criação de estatais que não geram receita
Das dez empresas concebidas desde Lula, só uma já tem perspectiva de operar de forma independente
Empresa que nunca funcionou e incluída em plano de desestatização gastou R$ 110 mil para remunerar conselheiros
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Sede da Hemobrás, em Brasília, única das estatais criadas nos governos petistas que deu os primeiros passos para gerar receita - Andre Borges/Folhapress |
A prática de criar estatais foi ressuscitada pela administração petista e acelerada pela presidente Dilma Rousseff, mas a maior parte das novas empresas está longe de fazer jus a essa qualificação.
Levantamento feito pela Folha mostra que, em uma década, os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma deram à luz dez estatais, quatro delas nos últimos dois anos -não foram incluídas na conta subsidiárias de empresas preexistentes, como a CaixaPar, o Banco Popular e a recém-lançada Infraero Serviços.
Da lista, apenas uma já deu os primeiros passos rumo à geração de receitas suficientes para financiar seus investimentos e operações: a Hemobrás, fundada em 2004 para fabricar e vender medicamentos derivados do sangue.
As demais ou não saíram do papel ou são mantidas com recursos da arrecadação de tributos como uma repartição pública.
Aprovada por lei no mês passado, a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) já está classificada pelo Ministério do Planejamento entre as estatais dependentes do Tesouro Nacional, ao lado de outras cinco criadas nos governos do PT.
TREM-BALA
A EPL tomou o lugar da Etav, uma breve empresa criada no ano anterior exclusivamente para viabilizar o trem-bala nacional -e que, de um orçamento de R$ 166 milhões, desembolsou apenas R$ 3 milhões com salários e despesas administrativas.
Também necessitam do dinheiro do contribuinte a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), a EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e a Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa).
A maior delas, a EBC, não é propriamente uma novidade: surgiu em 2007 a partir de uma ampliação da antiga Radiobrás. No ano passado, segundo dados preliminares, ela gerou cerca de R$ 70 milhões em receitas com os serviços de radiodifusão, mas suas despesas ultrapassaram os R$ 400 milhões.
Criado em 2008 para fabricar chips eletrônicos, o Ceitec informou uma receita de R$ 300 mil no ano passado com a venda de seus produtos para a iniciativa privada. A legislação considera microempresas aquelas com receita anual até R$ 360 mil.
Outras duas estatais estabelecidas por lei nos últimos anos ainda não existem na prática: a PPSA, concebida para explorar o petróleo do pré-sal, e a ABGF, apelidada de Segurobras, para garantir obras de infraestrutura.
LEGADO ESPORTIVO
O caso mais inusitado é o da Brasil 2016, ou Empresa Brasileira de Legado Esportivo, criada no final do governo Lula para desenvolver projetos ligados à Olimpíada do Rio de Janeiro. Descartada antes de esboçar qualquer iniciativa, ela foi incluída no Programa Nacional de Desestatização.
Mesmo sem nunca ter entrado em operação, registrou como único gasto em seu balanço R$ 110 mil para remunerar conselheiros.
A Hemobrás, até agora, é a única incluída no orçamento federal de investimentos, que reúne as empresas utilizadoras de recursos próprios, como a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos.
Ela recebeu aportes do Tesouro Nacional para a abertura de uma fábrica em Pernambuco, ainda não concluída. De um orçamento de R$ 264 milhões em 2012, R$ 50 milhões foram investidos até outubro.
GUSTAVO PATUBRENO COSTADE BRASÍLIA
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
"Boom" mineral". Mais uma ilusão...
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Para cada um dos 230 mil empregos diretos previstos haverá 12 indiretos
EVANDRO FLEXA JR.
Da Redação
Nos próximos seis anos, o Pará deve se tornar a maior província mineral brasileira e uma das maiores do mundo. Os investimentos previstos para os projetos minerais em território paraense, até 2018, baterão a casa dos US$ 41,3 bilhões. Pelo menos 13 grandes projetos já começaram a sair do papel no Estado, sendo que, ao alcançar a fase de exploração, devem gerar aproximadamente 230 mil empregos diretos. Este número é 53% maior do que o total de vagas hoje ocupadas pela mão de obra do setor, que não passa de 150 mil oportunidades de trabalho. E para cada emprego direto, pelo menos mais doze indiretos são criados, estes nas áreas de comércio e serviços, atendendo a crescente demanda gerada no entorno destes grandes projetos minerais. Segundo apontam especialistas, a mineração vai permanecer sustentando a economia paraense, no mínimo, pelos próximos 60 anos. A preocupação, entretanto, é com o depois que a fonte secar.
De acordo com o geólogo paraense Alberto Rogério Benedito da Silva, autor do livro "A Indústria Mineral no Pará", quando se pensa em projeto de mineração a primeira coisa a ser idealizada é como ficará o local da exploração após a mina fechar. "O minério é uma obra da natureza. Cabe ao geólogo e à empresa mineradora chegar até ele. Porém, o projeto é de responsabilidade de um conjunto de entes, que jamais pode esquecer-se de garantir um retorno à sociedade", afirma, enfatizando que esta é a premissa de número 1 das exploradoras. Em sua obra, Rogério mostra como as empresas de mineração se comportaram ante a globalização e suas principais fusões no mercado, investimentos, PIB mineral e carga tributária. Segundo ele, no prazo máximo de três anos, a indústria mineral do Pará deve competir igualitariamente com as da Indonésia, da África do Sul, da Austrália, da China e da Índia, países experientes na produção e exploração de minérios.
Entre os principais projetos de exploração mineral no Pará está o S11D, da Vale, no município de Canaã dos Carajás, que deve produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Vale também vai implantar em Canaã dos Carajás o projeto Níquel Vermelho, com produção de 45 mil toneladas/ano de níquel. Ao todo, o investimento chegará a US$ 14 milhões. A Anglo American vai investir US$ 4,3 milhões em São Félix do Xingu, para produzir 90 mil toneladas de níquel ao ano. Os projetos Cristalino, em Curionópolis; Salobo, em Marabá; 118, em Canaã dos Carajás; e Alemão, em Parauapebas, deverão produzir 550 mil toneladas/ano de cobre. A produção de 50 mil toneladas de cobre ao ano em Tucumã, a partir do projeto da empresa Caraíba, deve investir no município US$ 275 milhões. Já em Juruti deverão ser produzidos de quatro a seis milhões de toneladas de bauxita ao ano, com um investimento de US$ 300 milhões. A produção de ouro também será intensificada no Pará, nos próximos seis anos.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Chefe do FMI elogia Brasil e vê fim de desaceleração chinesa
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, avalia que a economia brasileira entrou em processo de recuperação e é um dos destaques positivos no cenário global deste fim de ano. Lagarde, segundo apurou o Valor, fez essa avaliação em discurso informal, ontem à noite, em um jantar oferecido aos participantes do G-20, na Cidade do México.
No jantar, Lagarde comentou que havia dois "destaques positivos" na situação global, no fim de 2012. Uma é a retomada do crescimento da economia brasileira. Outro destaque, na visão de Lagarde, é que a desaceleração da China teria sido finalmente interrompida.
Dólar
Os países do G-20 devem se comprometer com políticas cambiais mais transparentes, segundo informou nesta segunda-feira uma fonte de uma das delegações que participam do encontro de autoridades financeiras na Cidade do México.
Os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G-20 vão divulgar, até o fim do dia, um comunicado no qual se comprometerão a caminhar mais rapidamente em direção a taxas cambiais determinas pelo mercado, segundo fontes ouvidas pela Dow Jones Newswires.
No comunicado, o G-20 dirá que seus membros vão se abster de desvalorizações cambiais que tragam vantagens competitivas, segundo uma fonte.
Com Dow Jones Newswires
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domingo, 5 de agosto de 2012
Restrição à compra de terras por estrangeiro é positiva, diz presidente da empresa Cargill
O presidente da subsidiária brasileira da Cargill, Luiz Pretti, concorda com as restrições impostas pelo governo brasileiro à compra de terras por estrangeiros. Segundo ele, as terras são a maior riqueza de um país e a compra de terras por estrangeiros poderia prejudicar os produtores agrícolas do país.
“Pessoalmente, gosto da restrição à compra de terras por estrangeiros”, disse o executivo, em debate promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham, na sigla em inglês), em São Paulo. Também presente ao encontro, o ex-ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes discordou do posicionamento. “Temos que ter restrições à venda de terras próximas das fronteiras, mas proibir o estrangeiro de comprar terra é burrice”, afirmou.
Segundo Pratini, os produtores do país ganhariam com valorização de suas terras. “Acho que os produtores deviam apoiar, até para valorizar o preço das terras deles”, destacou.
Em tom de provocação, disse o país não deve temer o fim das restrições. “Os produtores deviam ter medo do pessoal que está aqui, que pode manipular o mercado com um telefonema”, disse, ao lado dos presidentes da Cargill, Luiz Pretti, e da ADM América do Sul, Valmor Schaffer.
(Luiz Henrique Mendes | Valor)
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Cinco regras clássicas para criar bons negócios
(*) Richard Branson
Durante uma recente entrevista de rádio na BBC, o entrevistador me perguntou que conselho eu daria aos jovens que desejam abrir os seus próprios negócios. Durante os 46 anos decorridos desde que eu lancei a revista “Student”, o mundo certamente mudou. O panorama econômico incerto e o ritmo incessante de avanços tecnológicos fazem com que hoje em dia seja muito mais difícil para um jovem empreendedor repetir o sucesso da Virgin.
Na revista “Student”, nós manifestamos o nosso repúdio à Guerra do Vietnã e à Guerra Fria. Atualmente, os governos enfrentam a ameaça mais nebulosa do terrorismo e da instabilidade no Oriente Médio e na África. Naquela época, os mercados norte-americanos e europeus eram geralmente estáveis, enquanto que hoje em dia o poder econômico das nações ocidentais está sendo desafiado pelas economias de crescimento rápido do Brasil, da Rússia, da Índia e da China, e oportunidades de crescimento e de novos mercados podem ser encontradas por todo o mundo.
Há também a nova capacidade dos profissionais de marketing de contornar os canais tradicionais de mídia – a televisão, o rádio e os jornais – e de criar uma sólida rede de de seguidores online das suas companhias por meio do Twitter, do Google+, do Facebook e de novos aplicativos como o Path e o Klout. Isso significa que a maioria das novas empresas pode ser criada com orçamentos de marketing menores, e que os empreendedores têm condições de atingir novos mercados com mais rapidez. E isso significa também que as companhias de sucesso precisam defender as suas posições de liderança, já que os produtos delas podem perder popularidade no mercado tão rapidamente quanto viraram moda.
Mas, durante a entrevista de rádio, eu me vi argumentando que, embora o mundo possa estar mudando rapidamente, os passos necessários para a criação de um bom negócio continuam sendo os mesmos. As cinco diretrizes simples que nós seguimos ao criarmos a nossa revista e, a seguir, a Virgin Music, continuam tão válidas e úteis hoje quanto eram no final da década de sessenta e início da década de setenta.
1. Se você não gosta de determinada atividade, não se meta com ela. É fundamental que você goste do que faz.
2. Seja inovador: crie algo diferente e que irá se destacar.
3. Os seus funcionários são o seu melhor patrimônio. Funcionários satisfeitos geram clientes satisfeitos.
4. Lidere escutando: obtenha feedback dos seus empregados e clientes regularmente.
5. Seja visível: faça marketing da sua companhia e das ofertas dela colocando-se como um representante graduado diante das câmeras.
A Virgin Media criou o seu programa Pioneers a fim de promover aspirantes a empresários e ajudá-los a criar redes de contatos. Um dos nossos mais conhecidos pioneiros é Jamal Edwards, o fundador da SB.TV, um canal de música online e de informações sobre estilo de vida, cujo modelo de negócios e cuja companhia me fazem lembrar da Virgin na sua fase inicial.
Quando Edwards começou, a companhia dele consistia apenas dele e da sua câmera. Ele começou publicando na Internet vídeos de apresentações de rap para os seus seguidores. Edwards fazia aquilo de que gostava, e em breve ele obteve um conjunto de seguidores fervorosos dos seus vídeos iniciais apaixonados, inovativos e autênticos sobre eventos musicais.
Assim que criaram uma marca e obtiveram um grupo de seguidores, Edward e a sua equipe ampliaram o raio de alcance da SB.TV para mais áreas, incluindo música e estilo de vida, mercadorias, roupas e até mesmo uma gravadora. Marcas tradicionais como a Puma e a Nando's (uma rede de lanchonetes) passaram a contactá-lo, desejosas de discutir acordos e contratos.
Edwards também determinou o seu sucesso ao identificar talentos. Em 2010, um compositor e cantor em dificuldades enviou um vídeo para a SB.TV que foi aceito e publicado no canal da companhia no YouTube. O número de visitas foi crescendo e o rapper, chamado Example, ofereceu ao jovem e desconhecido cantor a oportunidade de acompanhá-lo em uma série de shows. O cantor desconhecido era nada mais nada menos do que Ed Sheeran, cuja carreira foi efetivamente lançada pela SB.TV.
Edwards continua muito ocupado e muito visível, promovendo a SB.TV e a si próprio sempre que pode – no seu website, na parceria com o Google Chrome e na mídia, ele conta a história da sua companhia e dos seus sonhos e sucessos, disseminando a sua mensagem. E ele sabe que um bom negócio depende de apoiar a equipe de funcionários e ser um bom ouvinte. Apesar dos seus sucessos iniciais, ele continua com os pés no chão, sempre disposto a ouvir e investindo constantemente em novos projetos empresariais.
Se você tiver a ideia certa e executá-la de forma apropriada, a data de lançamento da sua empresa não tem importância. Embora o ambiente empresarial tenha mudado, as regras básicas continuam sendo as mesmas. Em vez de cultivar uma nostalgia em relação a como as coisas eram no passado, abrace as novas oportunidades e desafios que estão disponíveis para você no presente.
(*) O megaempresário inglês é criador do grupo Virgin, que tem 200 companhias em mais de 30 países, incluindo a empresa aérea de baixo custo de mesmo nome
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Empresas. Coco seco será incluído na lista de exceção da TEC
Com o iminente fim da salvaguarda às importações de coco seco, marcado para o fim de agosto, e com um setor produtivo nacional ainda frágil, a Câmara do Comércio Exterior (Camex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) vai incluir o produto na Lista de Exceção da Tarifa Externa Comum (Letec), elevando a alíquota de importação do coco seco de 10% para 55%.
A medida deverá ser publicada no dia 1º de setembro e sua aplicação atingirá todos os países exportadores de coco. Em 31 de agosto termina o prazo de aplicação das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro em 2002, que limitam o volume de coco seco que pode ser importado. De 1º de setembro de 2011 a 31 de agosto de 2012, o máximo estabelecido foi 6 mil toneladas. Atualmente, as salvaguardas protegem a produção nacional contra o produto mais barato proveniente, sobretudo, de Malásia, Indonésia, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia e Vietnã.
Com as novas tarifas, as importações serão desestimuladas. "Não sou contra a importação, sou contra a concorrência desleal. Não é justo que um país cujo salário médio no campo é de US$ 33 e sem benefícios, consiga exportar para cá", afirmou Francisco Porto, presidente do sindicato dos produtores, Sindcoco, referindo-se às condições de trabalho nos países exportadores do sudeste asiático. Porto acrescenta que alguns governos subsidiam a produção, e assim, o preço do produto importado chega no Brasil muito abaixo do que custa para o produtor local.
De janeiro a abril deste ano, o Brasil importou 3,2 mil toneladas de coco seco, ao custo de US$ 8,3 milhões. Em 2011, no mesmo período, o volume adquirido foi de 1,3 mil toneladas, por US$ 3,3 milhões. O forte aumento decorreu de uma antecipação de compras pelos importadores para fazerem estoque, já que as salvaguardas seriam suspensas.
Em 2006, quatro anos depois do início da salvaguarda, o prazo de limitação das importações foi prorrogado novamente pela Camex por mais quatro anos. Em julho de 2010, a Camex emitiu a Resolução nº 51, com uma nova prorrogação da medida de salvaguarda até 31 de agosto de 2012. Uma fonte da assessoria técnica da Camex informou que não será mais possível obter uma nova prorrogação da medida, já que o período de salvaguarda já atingiu o prazo máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
As empresas nacionais do segmento apoiam o aumento da tarifa de importação e criticam a "avalanche" de produtos importados. De acordo com executivos da área, a alíquota servirá para proteger o pequeno produtor nacional, preservar o mercado existente e "não exportar emprego". "O que vem de fora não concorre nas mesmas condições com o que produzimos aqui", argumentou Luiz Carlos Barboza, diretor da Coco do Vale - uma das maiores produtoras do país.
Paulo Roberto Maya Gomes, diretor comercial da Sococo, líder do mercado, afirmou que os preços aplicados no varejo devem se manter estáveis. O mercado já está acostumado a praticar esses preços, afirma ele, "e não vai ter inflação". O preço sugerido ao varejo de um pacote da marca com 100 gramas de coco puro varia entre R$ 2,80 e R$ 3.
O Sindcoco também está fazendo lobby para que o governo imponha um padrão mínimo de exigência na qualidade para que um país possa exportar para o Brasil. O sindicato alega que as condições de higiene dos produtos importados são piores do que os nacionais, e, por isso, o governo deveria aplicar algumas regras para os exportadores.
Segundo Porto, o ideal seria que o governo brasileiro criasse uma regra para inspecionar as indústrias que exportam para o Brasil. "É como as casas de controle de qualidade americana: quando a empresa brasileira exporta para os Estados Unidos, precisa passar pela avaliação do governo americano", disse Porto.
Por Leticia Casado e Tarso Veloso | De São Paulo e Brasília
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Morar em vários países ajuda a ser promovido. No Brasil não é regra.
Se você crê que um período de trabalho no exterior pode lhe garantir um cargo mais elevado, comece a arrumar as malas.
Agora que o processo de levar um produto ao mercado envolve uma rede cada vez mais mundial de comercialização, gerentes que disputam cargos executivos devem estar dispostos a trabalhar no exterior por vários períodos. Esses profissionais com experiência em dois ou três países estão em alta demanda, pois o tempo passado no exterior amplia sua capacidade de administrar operações complexas e interligadas — habilidades que não podem ser desenvolvidas na sede da empresa ou num período breve no exterior, dizem recrutadores e gerentes de recursos humanos.
"Não há nada como estar no próprio local para ver a realidade de como o negócio realmente funciona", diz Tom Kolder, presidente da firma de recrutamento de executivos Crist|Kolder. "Temos visto isso passar de 'seria uma vantagem' para 'é essencial'".
No passado, enviar um executivo para o estrangeiro sinalizava que ele não era mais vital para as operações do dia-a-dia, diz James Hertlein, diretor administrativo da Boyden, firma de recrutamento de executivos. Agora, sete em cada dez clientes pedem experiência internacional ao procurar executivos de alto escalão ou membros do conselho; e, desses sete, cerca de metade começou recentemente a exigir vários anos de experiência em diversos países, estima Hertlein.
À frente dessa mudança estão os diretores-presidentes que desejam ter uma equipe na sede com experiência prática em administração em quase qualquer parte do mundo, desde encontrar parceiros locais até prever as preferências dos clientes.
À medida que a Xerox Corp. transferia suas divisões de design, fabricação e fornecimento para parceiros no exterior, os empregados com experiência em várias regiões do mundo tornaram-se os mais adequados para administrar essas parcerias — por exemplo, supervisionando um produto desde os estágios iniciais de fabricação na China até o lançamento para clientes de varejo no Brasil, diz Tom Maddison, diretor de recursos humanos da Xerox.
"Agora já não tem mais valor estar em Nova York gerenciando operações no exterior", diz ele.
Assim, quando a empresa precisou de um novo diretor financeiro, pediu aos recrutadores que encontrassem candidatos com "ampla experiência mundial no setor". Tradução: quando se trata de períodos de trabalho no exterior, "quanto mais, melhor", diz Maddison.
A equipe que buscava um diretor financeiro encontrou o executivo Luca Maestri, italiano de nascimento que já morou em mais de seis de países — inclusive Brasil, Irlanda e Tailândia — a serviço da General Motors Co. e da Nokia Siemens Networks. A Xerox nomeou Maestri seu diretor financeiro no início de 2011.
Quando veteranos em trabalhos no exterior como Maestri estão na sala, as discussões na sede da empresa, no Estado americano de Connecticut, logo passam das grandes ideias para os detalhes específicos — por exemplo, como uma dada faixa demográfica se comporta na Índia, ou qual diretor-presidente brasileiro seria melhor chamar para um dado projeto, diz Maddison. E acrescenta que esses executivos não só sabem conduzir os negócios como também quem se deve contatar.
Ter experiência no local também pode reduzir o risco de uma empresa incorrer em problemas com subornos e pagamentos por baixo da mesa, que são "bastante comuns" em alguns países em desenvolvimento, observa Kolder. Por ter experiência no país, um executivo pode identificar onde essas armadilhas podem ocorrer, e garantir que haja controles em ação para evitá-las, diz ele.
Na Xerox, os executivos com experiência mundial trazem suas redes de contatos pessoais para a empresa. Mas o importante é ter acesso ao conhecimento que eles têm dos locais, e não usar a sua influência, ressalta Maddison. "A influência é uma ladeira escorregadia, e é preciso ter cuidado", diz ele.
A Idex Corp. também queria alguém com experiência internacional significativa quando substituiu um membro do conselho que se aposentou no ano passado. A fabricante americana de produtos industriais e de tecnologia escolheu Tony Satterthwaite, executivo da área de energia, que já havia passado quatro anos no Reino Unido e cinco anos em Cingapura chefiando a divisão de geração elétrica da Cummins Inc.
Embora os membros ativos do conselho tivessem alguma experiência internacional, Satterthwaite conhecia os "detalhes sinistros" da formação de canais de distribuição, navegação pelos processos regulatórios e compreensão do papel do governo, diz o diretor-presidente Andrew Silvernail.
Silvernail reconhece que essa nova exigência tem um custo pessoal alto para os executivos, que podem não se animar a mudar a família para o exterior duas vezes ou mais. Ele mesmo nunca morou no exterior, mas diz que teria feito isso se seus chefes tivessem pedido. Contudo, passar mais que cinco ou seis anos fora do país teria sido um sacrifício demasiado grande.
"Para mim, pessoalmente, seria muito difícil, porque tenho uma família muito unida", diz ele.
Alguns críticos dizem que contratar candidatos em função do seu currículo global traz nômades, e não líderes. O trabalho no estrangeiro recompensa o funcionário por retornos de curto prazo e não por resultados duradouros, diz Brian Kropp, diretor administrativo da Corporate Executive Board, empresa de pesquisa e consultoria. Em vez disso, ele recomenda mandar os executivos para outrospaíses em viagens longas, de até duas semanas a cada mês.
Na Xerox, onde oito de cada dez executivos do alto escalão são promovidos de dentro da empresa, as estrelas em ascensão fazem rotação em períodos no exterior de dois a quatro anos, de modo que precisam passar por esse "teste decisivo" informal bem antes de serem candidatos a cargos executivos, diz Maddison.
O atual presidente da divisão de tecnologia da Xerox, Armando Zagalo de Lima, é fruto dessa preparação. O executivo, português de nascimento, tem ocupado sucessivos cargos no exterior há 22 anos, com passagens pela Bélgica, Reino Unido e Espanha. Trabalhando agora na sede, em Connecticut, o executivo de 53 anos supervisiona mais de 160 países e é diretamente subordinado à diretora-presidente Ursula Burns.
Os anos de estrada o treinaram nos detalhes mais sutis dos negócios em vários mercados, mas ele diz que sua esposa e seus dois filhos sofreram com as constantes mudanças de país. Mesmo assim, ele diz que teria disposição para fazer tudo de novo.
"Posso me ver facilmente vivendo no Brasil. Posso me ver morando no México", diz ele. "Se isso acontecer, poderia ser emocionante."
Por LESLIE KWOH
WSJ Americas
Agora que o processo de levar um produto ao mercado envolve uma rede cada vez mais mundial de comercialização, gerentes que disputam cargos executivos devem estar dispostos a trabalhar no exterior por vários períodos. Esses profissionais com experiência em dois ou três países estão em alta demanda, pois o tempo passado no exterior amplia sua capacidade de administrar operações complexas e interligadas — habilidades que não podem ser desenvolvidas na sede da empresa ou num período breve no exterior, dizem recrutadores e gerentes de recursos humanos.
"Não há nada como estar no próprio local para ver a realidade de como o negócio realmente funciona", diz Tom Kolder, presidente da firma de recrutamento de executivos Crist|Kolder. "Temos visto isso passar de 'seria uma vantagem' para 'é essencial'".
No passado, enviar um executivo para o estrangeiro sinalizava que ele não era mais vital para as operações do dia-a-dia, diz James Hertlein, diretor administrativo da Boyden, firma de recrutamento de executivos. Agora, sete em cada dez clientes pedem experiência internacional ao procurar executivos de alto escalão ou membros do conselho; e, desses sete, cerca de metade começou recentemente a exigir vários anos de experiência em diversos países, estima Hertlein.
À frente dessa mudança estão os diretores-presidentes que desejam ter uma equipe na sede com experiência prática em administração em quase qualquer parte do mundo, desde encontrar parceiros locais até prever as preferências dos clientes.
À medida que a Xerox Corp. transferia suas divisões de design, fabricação e fornecimento para parceiros no exterior, os empregados com experiência em várias regiões do mundo tornaram-se os mais adequados para administrar essas parcerias — por exemplo, supervisionando um produto desde os estágios iniciais de fabricação na China até o lançamento para clientes de varejo no Brasil, diz Tom Maddison, diretor de recursos humanos da Xerox.
"Agora já não tem mais valor estar em Nova York gerenciando operações no exterior", diz ele.
Assim, quando a empresa precisou de um novo diretor financeiro, pediu aos recrutadores que encontrassem candidatos com "ampla experiência mundial no setor". Tradução: quando se trata de períodos de trabalho no exterior, "quanto mais, melhor", diz Maddison.
A equipe que buscava um diretor financeiro encontrou o executivo Luca Maestri, italiano de nascimento que já morou em mais de seis de países — inclusive Brasil, Irlanda e Tailândia — a serviço da General Motors Co. e da Nokia Siemens Networks. A Xerox nomeou Maestri seu diretor financeiro no início de 2011.
Quando veteranos em trabalhos no exterior como Maestri estão na sala, as discussões na sede da empresa, no Estado americano de Connecticut, logo passam das grandes ideias para os detalhes específicos — por exemplo, como uma dada faixa demográfica se comporta na Índia, ou qual diretor-presidente brasileiro seria melhor chamar para um dado projeto, diz Maddison. E acrescenta que esses executivos não só sabem conduzir os negócios como também quem se deve contatar.
Ter experiência no local também pode reduzir o risco de uma empresa incorrer em problemas com subornos e pagamentos por baixo da mesa, que são "bastante comuns" em alguns países em desenvolvimento, observa Kolder. Por ter experiência no país, um executivo pode identificar onde essas armadilhas podem ocorrer, e garantir que haja controles em ação para evitá-las, diz ele.
Na Xerox, os executivos com experiência mundial trazem suas redes de contatos pessoais para a empresa. Mas o importante é ter acesso ao conhecimento que eles têm dos locais, e não usar a sua influência, ressalta Maddison. "A influência é uma ladeira escorregadia, e é preciso ter cuidado", diz ele.
A Idex Corp. também queria alguém com experiência internacional significativa quando substituiu um membro do conselho que se aposentou no ano passado. A fabricante americana de produtos industriais e de tecnologia escolheu Tony Satterthwaite, executivo da área de energia, que já havia passado quatro anos no Reino Unido e cinco anos em Cingapura chefiando a divisão de geração elétrica da Cummins Inc.
Embora os membros ativos do conselho tivessem alguma experiência internacional, Satterthwaite conhecia os "detalhes sinistros" da formação de canais de distribuição, navegação pelos processos regulatórios e compreensão do papel do governo, diz o diretor-presidente Andrew Silvernail.
Silvernail reconhece que essa nova exigência tem um custo pessoal alto para os executivos, que podem não se animar a mudar a família para o exterior duas vezes ou mais. Ele mesmo nunca morou no exterior, mas diz que teria feito isso se seus chefes tivessem pedido. Contudo, passar mais que cinco ou seis anos fora do país teria sido um sacrifício demasiado grande.
"Para mim, pessoalmente, seria muito difícil, porque tenho uma família muito unida", diz ele.
Alguns críticos dizem que contratar candidatos em função do seu currículo global traz nômades, e não líderes. O trabalho no estrangeiro recompensa o funcionário por retornos de curto prazo e não por resultados duradouros, diz Brian Kropp, diretor administrativo da Corporate Executive Board, empresa de pesquisa e consultoria. Em vez disso, ele recomenda mandar os executivos para outrospaíses em viagens longas, de até duas semanas a cada mês.
Na Xerox, onde oito de cada dez executivos do alto escalão são promovidos de dentro da empresa, as estrelas em ascensão fazem rotação em períodos no exterior de dois a quatro anos, de modo que precisam passar por esse "teste decisivo" informal bem antes de serem candidatos a cargos executivos, diz Maddison.
O atual presidente da divisão de tecnologia da Xerox, Armando Zagalo de Lima, é fruto dessa preparação. O executivo, português de nascimento, tem ocupado sucessivos cargos no exterior há 22 anos, com passagens pela Bélgica, Reino Unido e Espanha. Trabalhando agora na sede, em Connecticut, o executivo de 53 anos supervisiona mais de 160 países e é diretamente subordinado à diretora-presidente Ursula Burns.
Os anos de estrada o treinaram nos detalhes mais sutis dos negócios em vários mercados, mas ele diz que sua esposa e seus dois filhos sofreram com as constantes mudanças de país. Mesmo assim, ele diz que teria disposição para fazer tudo de novo.
"Posso me ver facilmente vivendo no Brasil. Posso me ver morando no México", diz ele. "Se isso acontecer, poderia ser emocionante."
Por LESLIE KWOH
WSJ Americas
quinta-feira, 8 de março de 2012
A revolução pacífica e silenciosa que mudou o país. Do blog do Zé Dirceu, que fala por experiência própria
Não é nem revolução, nem silenciosa. Foram um conjunto de poíticas sociais de carater populista que se são retiradas do Orçamento da União, todos voltam a ser como antes.
Não é silenciosa porque se gastou muitíssimo dinheiro em cacarear as ditas políticas sociais do Programa Bolsa Família.
Veja abaixo o artigo do José Dirceu, que sim entrou na classe A depois de incursionar "a fundo" em negócios em Portugal.
A revolução pacífica e silenciosa que mudou o país.
Publicado em 08-Mar-2012
Os dados são da Fundação Getulio Vargas: nos próximos dois anos 12,5
milhões de pessoas entrarão na classe C e 6,5 milhões vão chegar às
classes A e B. É o que estima o seu Centro de Políticas Sociais, que
acaba de publicar o estudo “De Volta ao País do Futuro”.Calcula a Fundação que as classes A e B, somadas, vão crescer 29,3% até 2014. E esse crescimento será bem superior ao previsto para a classe C, de 11,9%.
O economista Marcelo Neri, coordenador do levantamento, resume: “Daqui a pouco, vamos estar falando da nova classe AB como se fala hoje da nova classe C”, afirma ele. O estudo tem por base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Transformação contou com muitos partidos e lideranças
Os dados da pesquisa da FGV só comprovam a verdadeira revolução silenciosa, pacífica e democrática que fizemos no país. Foi uma ação que reuniu Lula, o PT e todos aqueles que acreditaram num novo projeto. Principalmente os partidos e as lideranças que apoiaram Lula - e depois Dilma - sem os quais não seria possível aprovar, no Congresso Nacional, todas as mudanças que fizeram possível ao Brasil deixar de ser o país do futuro e entrar no século XXI com uma das maiores nações e uma das maiores economias.
Somos hoje uma das maiores democracias do mundo, não apenas do ponto de vista político, mas, também, do social.
sábado, 3 de março de 2012
Mais acidentes em predios no Pará.
Construtora esclarece incidente em obra
A construtora Leal Moreira enviou uma nota sobre o incidente ocorrido na tarde de hoje (2), em um de seus empreendimentos, localizado na travessa João Balbi, em Belém. Na nota, a empresa esclarece que houve uma retração de concreto em um dos blocos das fundações do edifício Sonata Residence e ressalta que o fato não compromete a solidez do prédio.
“Foi realizada uma vistoria em toda a
estrutura do edifício, não sendo encontrada nenhuma peça com problemas
estruturais, estando a estabilidade global conservada”, afirma a nota. A
vistoria foi realizada pelo engenheiro responsável pelo cálculo
estrutural do empreendimento, bem como pelo Corpo de Bombeiros e Defesa
Civil.
A empresa afirma que, segundo avaliação
final, não há qualquer problema estrutural no empreendimento. “Com a
liberação da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, os colaboradores da
Construtora Leal Moreira voltam ao trabalho na próxima segunda-feira”.
A empresa destaca ainda que o empreendimento passa regularmente por inspeções técnicas. (DOL)
domingo, 7 de agosto de 2011
Governo e ambientalistas começam a elaborar plano para a preservação da biodiversidade
O Brasil quer estabelecer metas de conservação do meio ambiente e do uso sustentável da biodiversidade para atender aos compromissos assumidos na 10ª Conferência das Partes (COP-10), realizada no ano passado em Nagoia (Japão) com a participação de 193 países.
Governo e ambientalistas fazem até esta quinta-feira (4), em Brasília, a primeira reunião com o meio empresarial para estabelecer uma estratégia brasileira de biodiversidade até 2020.
A COP-10 determina que os países devem elaborar planos estratégicos nacionais para esta década, calculando o valor da biodiversidade nas contas públicas. A ideia é ter um indicador para medir os benefícios e prejuízos financeiros causados pelo impacto de uma atividade econômica no meio ambiente.
Segundo Cláudio Maretti, do WWF-Brasil, para proteger todas as florestas do planeta a estimativa é de custo global de US$ 40 bilhões ao ano. Entretanto, a perda financeira pelo desmatamento pode custar até 100 vezes mais, considerando, por exemplo, a extinção de fontes de matéria-prima, a diminuição de recursos hídricos e os efeitos climáticos (que ocasionam, por exemplo, grandes prejuízos com as inundações de cidades).
Maretti avalia que há empresários de diferentes setores (inclusive do agronegócio) “entendendo que a biodiversidade é parte do negócio” e que o meio ambiente deve ser tratado como “capital natural”. Essa postura rompe com a visão tradicionalista de que é inevitável a destruição ambiental para que haja desenvolvimento.
Para o secretário-executivo do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, a crise econômica mundial de 2008 “reintroduziu o crescimento predatório”, o que pode ser um risco para a biodiversidade do planeta.
“Nenhum país renuncia ao seu potencial de crescimento, mas para que a gente possa aproveitar esse potencial, precisamos conhecer antes de destruir e gerar danos irreversíveis”, disse Gaetani que avalia que o Brasil pode ser protagonista na defesa da agenda ambiental. “O país é G1 em biodiversidade”, lembra referindo-se à extensão territorial e diversidade de biomas.
Em junho do ano que vem, o Brasil sediará a conferência Rio+20 que deverá ter como temas a transição para a chamada economia verde, com baixos níveis de poluição, tendo em vista o crescimento sustentável e o foco na diminuição da pobreza. A discussão das estratégicas, de acordo com a COP-10, prepara o país para coordenar a conferência no Rio. “Temos que discutir na Rio +20 quais são os procedimentos adotados por todos”, defende Maretti.
Além dos empresários, o governo e os ambientalistas farão reuniões nos próximos meses com a sociedade civil; com o meio acadêmico; com os povos indígenas e comunidades locais; além das representações dos três níveis de organização da Federação (municípios, estados e União).
(Fonte: Gilberto Costa/ Agência Brasil)
Alguma coisa está faltando nessa nova articulção do governo com o setor empresarial, a presença da Amazônia, empresários, pesquisadores e as comunidades, onde se concentra a biodiversidade brasileira. Como sempre acontece, eles estão ausentes.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Empresário industrial está menos otimista em abril, diz CNI
SÃO PAULO - Diante do aumento da inflação e da queda
nas expectativas de crescimento, os empresários industriais estão menos
otimistas. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário
Industrial (ICEI), calculado pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI), que em abril recuou pelo terceiro mês consecutivo. O indicador
somou 59,7 pontos, uma queda de 0,8 ponto em relação a março. Foi a
primeira vez desde julho de 2009 que o índice ficou abaixo dos 60
pontos.
Depois de perder 7,2 pontos desde abril de 2010, o ICEI fechou abril no mesmo patamar de sua média histórica. O indicador varia de zero a cem, e valores acima de 50 pontos sinalizam otimismo.
De acordo com o gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, após o pico de janeiro de 2010, quando o índice da confiança do empresário industrial atingiu 68,7 pontos, a tendência era de acomodação entre 60 e 65 pontos. “Nós não esperávamos que a queda continuasse neste ano”, explicou. “A inflação está corroendo o poder de compra e as medidas do Banco Central visam reduzir a demanda”, afirmou, explicando que, como consequência, os empresários tendem a conter investimentos e acreditar menos no crescimento econômico.
O índice da confiança do empresário relativo às condições atuais de seus negócios e da economia nacional caiu de 52,1 pontos em março para 50,5 em abril, no limite do pessimismo. Em relação às expectativas futuras, a confiança permanece alta, com indicador em 64,3 pontos. Porém, houve queda significativa frente às expectativas de abril de 2010, quando a medição foi de 69,7 pontos. Para Fonseca, se as condições continuarem piorando, a tendência é que a confiança nas expectativas futuras diminua ainda mais.
O setor da indústria extrativa foi o único que obteve alta no índice de confiança (de 61,9 para 63,1 na variação mensal). De acordo com Fonseca, a causa disso é a elevada demanda internacional por commodities, especialmente petróleo e minério de ferro. “O preço alto compensa a valorização cambial”, afirmou.
Já a confiança do empresário da indústria de transformação teve queda significativa em abril, chegando a 58,1 pontos. Em março o índice marcava 59,0 e, em abril do ano passado, 65,7. Os industriais do couro e da madeira são os menos otimistas, com índices de 49,6 e 50,3 respectivamente. “Esse é um setor que compete muito com as exportações e tem dificuldades por causa disso”, disse Fonseca.
A pesquisa foi feita entre 31 de março e 14 de abril, com 1957 empresas (1072 pequenas, 601 médias e 284 grandes).
Depois de perder 7,2 pontos desde abril de 2010, o ICEI fechou abril no mesmo patamar de sua média histórica. O indicador varia de zero a cem, e valores acima de 50 pontos sinalizam otimismo.
De acordo com o gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, após o pico de janeiro de 2010, quando o índice da confiança do empresário industrial atingiu 68,7 pontos, a tendência era de acomodação entre 60 e 65 pontos. “Nós não esperávamos que a queda continuasse neste ano”, explicou. “A inflação está corroendo o poder de compra e as medidas do Banco Central visam reduzir a demanda”, afirmou, explicando que, como consequência, os empresários tendem a conter investimentos e acreditar menos no crescimento econômico.
O índice da confiança do empresário relativo às condições atuais de seus negócios e da economia nacional caiu de 52,1 pontos em março para 50,5 em abril, no limite do pessimismo. Em relação às expectativas futuras, a confiança permanece alta, com indicador em 64,3 pontos. Porém, houve queda significativa frente às expectativas de abril de 2010, quando a medição foi de 69,7 pontos. Para Fonseca, se as condições continuarem piorando, a tendência é que a confiança nas expectativas futuras diminua ainda mais.
O setor da indústria extrativa foi o único que obteve alta no índice de confiança (de 61,9 para 63,1 na variação mensal). De acordo com Fonseca, a causa disso é a elevada demanda internacional por commodities, especialmente petróleo e minério de ferro. “O preço alto compensa a valorização cambial”, afirmou.
Já a confiança do empresário da indústria de transformação teve queda significativa em abril, chegando a 58,1 pontos. Em março o índice marcava 59,0 e, em abril do ano passado, 65,7. Os industriais do couro e da madeira são os menos otimistas, com índices de 49,6 e 50,3 respectivamente. “Esse é um setor que compete muito com as exportações e tem dificuldades por causa disso”, disse Fonseca.
A pesquisa foi feita entre 31 de março e 14 de abril, com 1957 empresas (1072 pequenas, 601 médias e 284 grandes).
TAXA DE INOVAÇÃO DAS ESTATAIS FEDERAIS
RIO - As empresas estatais federais fecharam
2008 com uma taxa de inovação de 68,1%. Das 72 companhias analisadas
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 49
implementaram produtos ou processos novos ou substancialmente
aprimorados entre 2006 e 2008.
Os dados constam da Pesquisa de Inovação nas Empresas Estatais Federais 2008, divulgada hoje, e mostram que a fatia de empresas inovadoras ficou acima dos 38,6% verificados para empresas industriais e dos serviços selecionados no âmbito da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec 2008), excluídas as estatais federais.
As estatais federais gastaram R$ 5,6 bilhões nas atividades de inovação em 2008, o que representa 1,7% do faturamento de cerca de R$ 330 bilhões. O estudo mostra que as inovações das estatais federais foram baseadas especialmente na realização de atividades contínuas de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Segundo a pesquisa, mais da metade das estatais federais enfrentou obstáculos à inovação em 2008. Os dois principais foram a dificuldade para se adequar a padrões, normas e regulamentações e a rigidez organizacional, cada um deles citado por 64,3% das estatais federais, percentual superior aos mencionados pelas empresas da Pintec em geral (32,4% e 31,4%, respectivamente), cujo principal obstáculo foram os elevados custos da inovação, apontado por 73,1% das empresas investigadas.
Esta é a primeira pesquisa do IBGE que analisa apenas as estatais federais, além de setores que nunca tinham sido estudados pelo instituto. O estudo engloba as atividades econômicas de eletricidade e gás; construção; comércio; transporte, armazenagem e correio; atividades financeiras, de seguros e serviços selecionados; atividades imobiliárias; atividades profissionais, científicas e técnicas; atividades administrativas e serviços complementares; e outras atividades de serviços.
Entre as 49 estatais inovadoras, 37 tinham mais de 500 pessoas ocupadas. A inovação apenas em processo predominou em 33,3% das estatais inovadoras, enquanto 30,6% delas inovaram em produto e processo e 4,2% apenas em produto.
“Trata-se de um comportamento diferente do observado pelas empresas em geral da Pintec 2008, em que as inovações em produto e processo predominaram em 17,2% das inovadoras”, diz a nota divulgada pelo IBGE.
Dentre as estatais federais inovadoras, 27,8% realizaram inovação de produto para o mercado nacional e 29,2% implementaram processo novo direcionado ao mercado interno, percentuais superiores aos registrados para as empresas em geral (4,4% e 2,4%, respectivamente). De acordo com o IBGE, isso ocorre porque grande parte das estatais federais são as únicas produtoras de um bem e/ou as únicas a oferecer determinado serviço.
Entre as atividades empreendidas para inovar, destacaram-se as de P&D, que, desenvolvidas internamente, representaram 42,9% nas estatais contra 11,9% no âmbito da Pintec 2008; já a aquisição externa ficou em 34,7% entre as estatais frente a 4,2% para as empresas da Pintec 2008. Nas estatais inovadoras, cerca de 10 mil pessoas se envolveram nesta atividade, 53% com ensino superior, sendo 27% com pós-graduação.
Dos R$ 5,6 bilhões investidos pelas estatais em inovação, o gasto em P&D interno foi de R$ 3,5 bilhões. Das 19 inovadoras que investiram em P&D interno, 17 desenvolveram a atividade continuamente, o equivalente a 89%, percentual superior aos 72% da Pintec.
Todas as estatais inovadoras apontaram ao menos um impacto proveniente da inovação como relevante, em especial a melhoria da qualidade dos produtos (83,7%), o aumento da flexibilidade de produção (83,7%) e o aumento da capacidade produtiva (75,5%), estes últimos diretamente ligados à produtividade. Em seguida, aparecem a manutenção (69,4%) e a ampliação (61,2%) da participação da empresa no mercado, considerado o menos importante (46,9%).
(Rafael Rosas | Valor)
Os dados constam da Pesquisa de Inovação nas Empresas Estatais Federais 2008, divulgada hoje, e mostram que a fatia de empresas inovadoras ficou acima dos 38,6% verificados para empresas industriais e dos serviços selecionados no âmbito da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec 2008), excluídas as estatais federais.
As estatais federais gastaram R$ 5,6 bilhões nas atividades de inovação em 2008, o que representa 1,7% do faturamento de cerca de R$ 330 bilhões. O estudo mostra que as inovações das estatais federais foram baseadas especialmente na realização de atividades contínuas de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Segundo a pesquisa, mais da metade das estatais federais enfrentou obstáculos à inovação em 2008. Os dois principais foram a dificuldade para se adequar a padrões, normas e regulamentações e a rigidez organizacional, cada um deles citado por 64,3% das estatais federais, percentual superior aos mencionados pelas empresas da Pintec em geral (32,4% e 31,4%, respectivamente), cujo principal obstáculo foram os elevados custos da inovação, apontado por 73,1% das empresas investigadas.
Esta é a primeira pesquisa do IBGE que analisa apenas as estatais federais, além de setores que nunca tinham sido estudados pelo instituto. O estudo engloba as atividades econômicas de eletricidade e gás; construção; comércio; transporte, armazenagem e correio; atividades financeiras, de seguros e serviços selecionados; atividades imobiliárias; atividades profissionais, científicas e técnicas; atividades administrativas e serviços complementares; e outras atividades de serviços.
Entre as 49 estatais inovadoras, 37 tinham mais de 500 pessoas ocupadas. A inovação apenas em processo predominou em 33,3% das estatais inovadoras, enquanto 30,6% delas inovaram em produto e processo e 4,2% apenas em produto.
“Trata-se de um comportamento diferente do observado pelas empresas em geral da Pintec 2008, em que as inovações em produto e processo predominaram em 17,2% das inovadoras”, diz a nota divulgada pelo IBGE.
Dentre as estatais federais inovadoras, 27,8% realizaram inovação de produto para o mercado nacional e 29,2% implementaram processo novo direcionado ao mercado interno, percentuais superiores aos registrados para as empresas em geral (4,4% e 2,4%, respectivamente). De acordo com o IBGE, isso ocorre porque grande parte das estatais federais são as únicas produtoras de um bem e/ou as únicas a oferecer determinado serviço.
Entre as atividades empreendidas para inovar, destacaram-se as de P&D, que, desenvolvidas internamente, representaram 42,9% nas estatais contra 11,9% no âmbito da Pintec 2008; já a aquisição externa ficou em 34,7% entre as estatais frente a 4,2% para as empresas da Pintec 2008. Nas estatais inovadoras, cerca de 10 mil pessoas se envolveram nesta atividade, 53% com ensino superior, sendo 27% com pós-graduação.
Dos R$ 5,6 bilhões investidos pelas estatais em inovação, o gasto em P&D interno foi de R$ 3,5 bilhões. Das 19 inovadoras que investiram em P&D interno, 17 desenvolveram a atividade continuamente, o equivalente a 89%, percentual superior aos 72% da Pintec.
Todas as estatais inovadoras apontaram ao menos um impacto proveniente da inovação como relevante, em especial a melhoria da qualidade dos produtos (83,7%), o aumento da flexibilidade de produção (83,7%) e o aumento da capacidade produtiva (75,5%), estes últimos diretamente ligados à produtividade. Em seguida, aparecem a manutenção (69,4%) e a ampliação (61,2%) da participação da empresa no mercado, considerado o menos importante (46,9%).
(Rafael Rosas | Valor)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Empresas sustentáveis - OXFAM
Depois da mias de 15 anos de realizar pesquisas, consultorias e atuar na área da sustentabilidade na Amazônia, tenho conhecido inumeras experiências de empresas preocupadas com a sustentabilidade da Amazônia.
Quando começamos o nosso trabalho de valorização das cadeias produtivas da biodiversidade, como uma janela de oportunidade para a construção de um novo modelo para a Amazônia, foram poucos os que acreditavam. Hoje vemos resultados concretos.
Alguns dos exemplos de pequenas, medias e grandes empresas que usam a biodiversidade como insumos para elaborar seus produtos, principalmente para a indústria de cosméticos, são já conhecidos no Brasil e no exterior.
Uma das pioneiras pequenas empresas, a CHAMMA da Amazônia, Brasmazon, Juruá, Chocolates da Amazônia e outras, nascidas na Incubadora da Universidade Federal do Pará, contribuiram para que muitas empresas nacionais e internacionais se deslocassem para a Região para explorar a biodiversidade com uma visão de sustentabilidade. Das empresas nacionais a que tem destacado, sem dúvida, é a NATURA, que conta com uma extensa linha de produtos que usam insumos da biodiversidade.
Hoje gostaria mostrar a empresa Oxfam, italiana que atua na África e na Amazônia.
Conheça um pouco de uma empresa que prega a sustentabilidade ambiental.
A postura da empresa frente a exploração de petróleo na Amazônia equatoriana.
Chevron vai pagar 8,6 bilhões por danos ambientais na Amazônia: A gigante do petróleo tenha sido condenado por um tribunal, no Equador. É uma compensação por danos ambientais a maior da história. Os juízes estavam certos aos 30.000 indígenas e colonos na província equatoriana de Sucumbios
que denunciou a empresa e reconheceu que a Texaco (Chevron agora) tem
derramado em mais de 68 bilhões de litros (18 bilhões de galões) de
resíduos tóxicos nos rios e abandonados na floresta amazônica, pelo
menos, 900 tanques cheios de restos de extração de petróleo.
Nossa posição tem sido sempre a apoiar, sempre que possível, as comunidades contra empresas petrolíferas.
O caso que mais me foi cometida apoio para a comunidade de Playas de Cuyabeno, quando Petroecuador é a perfurar a entrada no seu território.
Foi o que aconteceu, nas palavras de Andrea Cianferoni, coordenador do projeto da Oxfam sobre a Reserva Cuyabeno.
Em 18 agosto de 2006 houve um derramamento de petróleo de um
oleoduto da Petroecuador na estrada de Puerto del Carmen, na província
de Sucumbíos, na fronteira com a Reserva Cuyabeno. O óleo
derramado em um rio que flui para o sistema lagunar que constitui uma
das peças mais relevantes da Fauna Cuyabeno de reserva de produção, área
considerada uma das maiores do mundo por suas características naturais e
da biodiversidade.
Vittoria e Pierfrancesco per l’Africa
Il film "La vita facile" porta sotto i riflettori l'impegno di Vittoria Puccini e Pierfrancesco Favino al nostro fianco
Vanessa, Carole, Johny e 1.200.000 pessoas do Haiti, muito obrigado
Conheça mais sobre a empresa Oxfam
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Empresa francesa de cosméticos estuda fazer aquisição no Brasil
O plano de expansão da francesa L'Oréal, que está praticamente sem dívidas e tem um caixa disponível de € 1,9 bilhão, está carimbado com o termo "aquisições" em letras maiúsculas e o Brasil, um dos maiores mercados de cosméticos do mundo, faz parte dele.
"Seria interessante comprar uma marca no Brasil ou na Índia", disse Jean-Paul Agon, diretor-geral da L'Oréal, ao jornal "Le Figaro", em entrevista publicada na sexta-feira. "O Brasil é extremamente estratégico para a L'Oréal. É o terceiro maior mercado mundial de cosméticos, juntamente com a China, e, rapidamente, com esse ritmo de crescimento, estará entre os primeiros países em termos de faturamento do grupo", disse Agon ao Valor na sexta-feira, durante a apresentação dos resultados do grupo em 2010, na sede do grupo, em Clichy, nos arredores de Paris.
As vendas da L'Oréal no Brasil, sétimo maior mercado da empresa, cresceram 20,9% em 2010 em relação a 2009, para € 705 milhões (expansão maior do que o da América Latina, que foi de 17,5%).
A valorização do real permitiu que o Brasil passasse a pesar 3,8% nas vendas do grupo francês, o que representa um aumento de 18,4% sobre 2009.
"Temos grandes ambições em relação ao Brasil. Vamos ampliar nossa presença nas áreas de produtos capilares e solares e vamos desenvolver, progressivamente, nossas atividades nas linhas de produtos de cuidados com a pele e de maquiagem", diz Agon, que não deu mais detalhes sobre eventuais aquisições no Brasil.
"Nos mercados emergentes, muitos novos consumidores são novos compradores de cosméticos. Cabe a nós fazer com que eles prefiram imediatamente nossas marcas", diz Agon, que a partir de 17 de março será o novo presidente diretor-geral da L'Oréal, com a reunificação dos dois cargos. Lindsay Owen Jones, o atual presidente, deixa o cargo depois de 23 anos.
Praticamente sem dívidas e com um caixa de quase € 1,9 bilhão, além de um "tesouro de guerra" - a participação de cerca de 8% no capital da Sanofi-Aventis, considerada uma "reserva" que pode ser utilizada em grandes aquisições -, não faltariam recursos para a líder mundial entrar em ação.
"O dinheiro em caixa continua tendo como prioridade as aquisições", diz Agon. Mas, ao mesmo tempo, ele afirma que elas "não são indispensáveis". Nos países emergentes, diz, a L'Oréal não precisa comprar marcas locais para acelerar sua expansão. "Podemos conquistá-los com nossas marcas. Se houver aquisições, será com um objetivo muito específico, mas não precisamos disso para nos desenvolvermos nesses países".
O grupo procura, em geral, dar novo fôlego às marcas de cosméticos compradas e mudar sua estratégia de marketing antes de lançá-las no mundo inteiro, como fez com a Maybelline, criada nos Estados Unidos. É o que deve ser feito com a marca de esmaltes americana Essie, que a L'Oréal comprou em 2010. A L'Oréal tem a "ambição de transformá-la na líder mundial de esmaltes, levando o tempo que for necessário", diz Agon.
Ele diz que as marcas internacionais são, às vezes, mais apreciadas nos mercados emergentes do que as nacionais. No caso do Brasil, no entanto, isso deve ser visto com reservas, já que a líder do setor é a brasileira Natura.
Leia mais no Valor
Aqui
Daniela Fernandes | Para o Valor, de Clichy
14/02/2011
Natura e Jequiti - metade do mercado de cosméticos no país
Há quem diga que a L'Oréal tem uma espécie de secreta lista de empresas,
uma pequena "wish list" como se referem os analistas estrangeiros aos
maiores desejos de consumo da companhia; marcas que o tradicional grupo
francês adoraria ver em seu portfólio. Mas para que consiga trazê-las
para perto, a L'Oréal pode precisar, além de caixa, de alguma dose de
paciência e persistência - pelo menos em negociações que envolvam ativos
no mercado brasileiro.
A L'Oréal não está sozinha em seu interesse por marcas brasileiras. Na semana passada o CEO mundial da Estée Lauder, Fabrizio Freda, disse ao Valor que estuda a possibilidade de comprar uma empresa no Brasil e esta não precisaria ser de grande porte.
No Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo Valor, não há, aparentemente, grande companhias do setor de cosméticos à venda. E alguns desses negócios, com expansão anual na faixa dos 15% a 20% ao ano há meia década, andam valendo uma respeitável soma de recursos.
No segmento de vendas diretas, responsável por metade do mercado de cosméticos no país, as fabricantes Natura e Jequiti não buscam parcerias ou compradores. A primeira descarta a hipótese e, ainda que aceitasse conversar, não sairia barato e envolveria minoritários no processo, visto que ela é de capital pulverizado.
A Jequiti, do grupo Silvio Santos, quer crescer mais antes de pensar em qualquer outra coisa. Algumas companhias e fundos de investimentos sondaram a Jequiti nos últimos meses. "Ninguém da L'Oréal fez proposta para nós. E mesmo que fizessem, não vamos vender", diz Lásaro do Carmo Júnior, presidente da Jequiti, que cresceu acima de 100% em 2010.
O empresário Miguel Krigsner, fundador do O Boticário, também não dá sinais, nem aos mais próximos, de que desejaria se afastar do negócio. O grupo criou há um ano uma holding que pode negociar compra de empresas e criar novas marcas em novas áreas.
Especialistas acreditam num interesse maior da L'Oréal em negócios de venda direta (três meses atrás surgiram rumores do interesse dela em adquirir a Avon no mundo), assim como em marcas focadas nas classes C e D em países como Índia e Brasil - e não necessariamente em empresas líderes do setor. Aí, a cesta de marcas com negócios interessantes se amplia um pouco. E o sonho pode ficar mais fácil de ser realizado.
A L'Oréal não está sozinha em seu interesse por marcas brasileiras. Na semana passada o CEO mundial da Estée Lauder, Fabrizio Freda, disse ao Valor que estuda a possibilidade de comprar uma empresa no Brasil e esta não precisaria ser de grande porte.
No Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo Valor, não há, aparentemente, grande companhias do setor de cosméticos à venda. E alguns desses negócios, com expansão anual na faixa dos 15% a 20% ao ano há meia década, andam valendo uma respeitável soma de recursos.
No segmento de vendas diretas, responsável por metade do mercado de cosméticos no país, as fabricantes Natura e Jequiti não buscam parcerias ou compradores. A primeira descarta a hipótese e, ainda que aceitasse conversar, não sairia barato e envolveria minoritários no processo, visto que ela é de capital pulverizado.
A Jequiti, do grupo Silvio Santos, quer crescer mais antes de pensar em qualquer outra coisa. Algumas companhias e fundos de investimentos sondaram a Jequiti nos últimos meses. "Ninguém da L'Oréal fez proposta para nós. E mesmo que fizessem, não vamos vender", diz Lásaro do Carmo Júnior, presidente da Jequiti, que cresceu acima de 100% em 2010.
O empresário Miguel Krigsner, fundador do O Boticário, também não dá sinais, nem aos mais próximos, de que desejaria se afastar do negócio. O grupo criou há um ano uma holding que pode negociar compra de empresas e criar novas marcas em novas áreas.
Especialistas acreditam num interesse maior da L'Oréal em negócios de venda direta (três meses atrás surgiram rumores do interesse dela em adquirir a Avon no mundo), assim como em marcas focadas nas classes C e D em países como Índia e Brasil - e não necessariamente em empresas líderes do setor. Aí, a cesta de marcas com negócios interessantes se amplia um pouco. E o sonho pode ficar mais fácil de ser realizado.
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