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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Brasil ocupa penúltima posição em ranking de competitividade



O Brasil só está à frente da Argentina na lista que compara a competitividade de 14 países com economia semelhante à brasileira. O levantamento Competitividade Brasil 2012, feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o Brasil ocupa a 13ª posição em um grupo que considera os integrantes dos BRICs (Rússia, Índia, China e África do Sul), alguns países da América do Sul e outros, como México, Polônia, Espanha e Austrália. O país mais competitivo entre os 14 pesquisados é o Canadá, seguido pela Coréia do Sul. A posição brasileira é a mesma verificada na edição 2010 do estudo.

A má posição do Brasil se deve principalmente à mão de obra cara, ao alto custo do capital, à má qualidade da infraestrutura de transporte e ao ambiente macroeconômico desfavorável. Em todos os quatro quesitos o Brasil ficou na pior colocação do ranking. “A indústria brasileira está perdendo espaço tanto no mercado interno, como no externo. O baixo nível de investimento, sobretudo em inovação, certamente se apresenta como uma das razões para esse desempenho", afirma o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. "Mas porque as empresas deixariam de investir se isso é crucial para sua sobrevivência? É aqui que o ambiente econômico desfavorável, a deficiência na infraestrutura do país e a baixa qualidade da educação mostram sua importância”, acrescenta Fonseca.

A má qualidade da infraestrutura brasileira é uma barreira para a competitividade. O país tem o sistema de transporte menos competitivo entre os 14 países. A pior situação é a dos portos e dos aeroportos. A infraestrutura ferroviária coloca o Brasil em 12ª posição, e a qualidade das rodovias, em 11ª. A situação da infraestrutura de energia e comunicações é melhor. O Brasil está em 6º, atrás da Rússia, Coréia do Sul, Chile, Polônia e Espanha. O país aparece em 8º lugar na comparação dos serviços associados ao comércio exterior alfândega, capacidade logística, rastreabilidade e pontualidade).

O Brasil é o país com a maior disponibilidade de mão de obra porque dispõe de um grande número de pessoas economicamente ativas. Porém, o elevado custo da mão de obra e a baixa produtividade reduzem os benefícios dessa vantagem. “Há alguns anos não era difícil encontrar analistas econômicos apontando que uma das vantagens competitivas da economia brasileira era a juventude da população. Infelizmente, o período do bônus demográfico está caminhando para o fim, e o Brasil não conseguiu se aproveitar dessa oportunidade em razão da baixa qualidade da educação”, avalia Renato da Fonseca.

(Redação - Agência IN)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Brasil melhora participação em ranking global de inovação

O País conquistou duas novas posições no ranking mundial de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) elaborado pela consultoria americana Booz & Company.


O Brasil, que nas últimas duas edições anuais do levantamento era representado por cinco companhias, agora conta com sete. À lista - que tinha Petrobras, Vale, CPFL Energia, Totvs e Embraer - foram adicionadas Gerdau e Companhia Paranaense de Energia (Copel).

"A inserção dessas duas empresas não surpreende porque são companhias de setores de capital intensivo [energia e siderurgia] que precisam de P&D para dar eficiência na aplicação desses recursos", disse ao Valor Gustavo Roxo, sócio da Booz & Company no Brasil.

Das empresas que constavam nos levantamentos anteriores, todas melhoraram suas colocações. A maior evolução foi registrada pela CPFL Energia. A companhia saltou 71 posições e passou da 705ª para a 634ª. O levantamento é realizado desde 2005 e leva em consideração as mil maiores empresas de capital aberto do mundo.

Com o resultado das companhias brasileiras, o país somou US$ 3,7 bilhões, um incremento de US$ 1,6 bilhão na comparação com o estudo de 2010. Isso fez com que o país quase dobrasse sua participação nos gastos globais com P&D. A parcela do Brasil, que foi de 0,39% em 2010, ficou em 0,63% em 2011.

Na avaliação de Roxo, o desempenho do Brasil é positivo, mas as empresas brasileiras precisam evoluir muito seus investimentos para que o país possa se aproximar de nações emergentes como China e Índia. Juntos, os dois países registraram o maior aumento em recursos para P&D no mundo no ano passado: 27,2%, somando US$ 16,3 bilhões. Deste total, a China respondeu por mais de 90%. O país tem mais de 40 empresas na lista das mais inovadoras. A Índia, apesar de ter um volume de investimento (cerca de US$ 2 bilhões) menor que o do Brasil, tem nove empresas na lista.

A questão, segundo o especialista, não é só aumentar o volume de dinheiro aplicado nessa atividade, mas também ter mais atenção à classificação desses aportes dentro dos balanços. "Muitas dessas informações às vezes não estão claras nos balanços. Gastos com P&D acabam entrando como investimento normal. E é importante ressaltar isso até para valorizar o que a empresa faz", disse.

Globalmente, os investimentos em P&D das mil maiores empresas cresceram 9,6%, para US$ 603 bilhões. É o segundo ano consecutivo de crescimento, depois de recuos ocasionados pela crise econômica mundial entre 2008 e 2009. De acordo com Roxo, a retomada dos investimentos foi estimulada pelos Estados Unidos. "Os EUA, de certa forma, servem como referência para os investimentos em P&D no mundo. O sentimento de retomada da economia por lá é um forte estímulo", disse. Os investimentos das empresas americanas cresceram 9,7% em 2011, pouco acima da média mundial (9,6%).

Em 2011, a montadora japonesa Toyota assumiu a liderança da lista da Booz. Com um aumento de 16,5% em seus investimentos em P&D, a companhia chegou a quase US$ 10 bilhões em recursos aplicados, o que a fez passar da 6ª colocação para a primeira. O resultado permitiu à Toyota desbancar a farmacêutica Roche, que liderou as listas de 2009 e 2010. Com retração de 2,1% nos investimentos (US$ 9,4 bilhões em 2011 ante US$ 9,64 bilhões em 2010), a Roche ficou na 3ª colocação, e ficou atrás da também farmacêutica Novartis.

Na lista das dez companhias que mais investem em P&D no mundo, duas são do setor automotivo, quatro da área farmacêutica e quatro de tecnologia da informação. Na avaliação de Roxo, esses setores, em relação a outros segmentos, exigem aportes mais altos das companhias para se diferenciarem dos concorrentes.

Pelo segundo ano, nenhuma empresa do mercado de TI figurou na lista das três maiores investidoras em P&D. Duas companhias do setor, no entanto, tiveram altas de investimento bem acima da média, o que ajudou a elevar suas posições no ranking: Intel (27,3% a mais de investimento, passando da 11ª para a 8ª colocação) e Samsung (13,9% de incremento, subindo um degrau, para a 6ª colocação). Os setores de computação e eletrônicos lideraram os investimentos em P&D, com 28% do total.

Valor Econômico
Terça-Feira, 30 de outubro de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cenários sobre desindustrialização e reprimarização da economia se confirmam

Brasil se afasta de países avançados, diz estudo

O  Brasil entrou num processo de desindustrialização precoce e de distanciamento em relação às economias avançadas, sobretudo as que estão hoje na fronteira do desenvolvimento tecnológico, segundo estudo dos economistas André Nassif, do BNDES e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carmem Feijó, da UFF, da Eliane Araújo, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A queda da fatia da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB), a elevação do déficit comercial nos setores mais intensivos em tecnologia e o aumento da distância da produtividade do trabalho na indústria brasileira em relação à americana apontam nessa direção, dizem os autores.

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Capacidade da indústria recua


Uso da capacidade da indústria cai para 81% em abril, diz CNI

SÃO PAULO - O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria brasileira caiu para 81% em abril, com ajuste sazonal, em relação aos 81,5% registrados em março, de acordo com a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A utilização era maior em abril de 2011, quando o setor operou com 82,4% de sua capacidade instalada.

O faturamento real da indústria cresceu 0,2% no período, ante março, feitos os ajustes sazonais, e subiu 2,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O emprego dessazonalizado diminuiu 0,60% em abril na comparação com março e teve contração de 0,40% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já o número de horas trabalhadas apresentou queda de 0,60% em abril ante março, com ajuste, e queda de 1,9% na comparação anual.

2012

No primeiro quadrimestre do ano, o faturamento real da indústria cresceu 2,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O emprego aumentou 0,2% e as horas trabalhadas cederam 1,1% na mesma base de comparação.

Caminhos opostos em um setor

A indústria de tecidos registrou o pior desempenho dentre todos os 19 setores da indústria de transformação no quesito horas trabalhadas: queda de 8,5% ante o mesmo mês de 2011.

Na outra ponta da cadeia, os fabricantes de vestuário registraram o melhor resultado entre os pesquisados pela CNI: avanço de 1,2% nas horas trabalhadas na comparação entre abril deste ano e abril do ano passado.

Mesmo com a forte queda nas horas trabalhadas, a indústria têxtil ampliou seu faturamento real em 8,3% na mesma comparação (abril de 2012 ante abril de 2011).

Mais curioso é o aumento do emprego formal - os empregados do segmento trabalharam menos em abril, mas os empresários ampliaram seu quadro de pessoal em 3,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Já os fabricantes de vestuário viram seu faturamento real saltar 8,9%, na mesma comparação, e o nível de emprego apenas 0,2%.

(João Villaverde | Valor)

domingo, 3 de junho de 2012

No mundo do cada um por si

Marcos Troyjo é codiretor do Briclab, nos EUA - Reprodução
Marcos Troyjo é codiretor do Briclab, nos EUA
SÃO PAULO - De um lado do Atlântico, a crise na União Europeia ganha proporções inéditas. Do lado oposto, críticos veem no livre mercado o responsável pelas desigualdades de renda na maior economia do mundo. Na seara política, a democracia representativa parece não dar conta de problemas tão distintos quanto a formação de um novo governo na Grécia e os impasses no Congresso dos Estados Unidos. No mundo todo, a ideia de Estado-Nação volta a ganhar força. Esses parecem todos sintomas de um novo fenômeno que pode durar alguns anos e deve afetar não só o mundo desenvolvido, mas o Brasil e outras economias emergentes: a desglobalização.

O diagnóstico é do economista e cientista político brasileiro Marcos Troyjo, um dos diretores do recém-criado BRICLab, núcleo dedicado ao estudo dos Brics na Universidade Colúmbia e especialista do think tank liberal Instituto Millenium. 

Na opinião de Troyjo, a nova conjuntura apresenta uma série de desafios para o Brasil. O principal é mudar o DNA de nossa economia. De país exportador de produtos de baixo valor agregado, ele precisa se tornar líder em inovação. Para que isso ocorra, o pesquisador defende maior investimento em ciência, educação e tecnologia e o resgate de um debate sobre o que chama de "interesse nacional", conceito que considera pouco claro para os brasileiros, mas bastante concreto em economias como a da China. 

Diplomata de carreira - serviu na missão brasileira junto às Nações Unidas em Nova York entre 1997 e 2001 -, Troyjo também faz críticas ao que considera falta de um plano estratégico para lidar com esse novo cenário e defende a substituição de clássicas prioridades da política externa brasileira, como a demanda por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, por uma política mais ampla de inserção global do Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista que esse paulistano de 45 anos deu ao Aliás. 

Quando o economista Jim O'Neill cunhou o acrônimo Bric, alguns analistas o criticaram por incluir o Brasil. De fato, o país vem crescendo menos que seus parceiros. Em sua opinião, o grupo é representativo? 

Há um futuro comum para os Brics?

Marcos Troyjo: A ideia de Bric foi um conceito pensado para tentar descrever a evolução da economia global de agora até 2050. População, tamanho do mercado e dinâmica relativa foram os fatores que criaram uma certa identidade para esse grupo. Mas imaginar que esses países vão se converter em uma organização internacional é incorreto. É mais provável que seu futuro seja parecido com aquilo que durante muito tempo foi o G-7 (grupo das nações mais industrializadas), ou seja, um grupo que se reúne regularmente para emitir opiniões sobre como o mundo funciona e como deve funcionar. Se é verdade que o Brasil cresce menos que os outros, é verdade que talvez seja a economia mais madura dessas quatro. Muito provavelmente haverá outras economias que vão crescer a taxas superiores, mas isso não quer dizer que o Brasil terá sua posição ameaçada. O que vai poder ameaçar o Brasil é o país não conseguir fazer a conversão do DNA de sua economia, ou seja, se continuar apenas como produtor de baixo valor agregado, com um trabalhador de baixa produtividade. Esse é o grande dilema brasileiro: fazer a transição entre país que investe intensivamente em produtos de baixo valor agregado para país inovador, que investe com energia em tecnologia. Mas não existe um esforço nacional em relação a esse caminho. Não temos uma grande parceria entre a sociedade e o governo para fazer do Brasil um país com esse perfil. 

Ao mesmo tempo, os Brics vêm se posicionando de maneira conjunta em fóruns internacionais. O grupo pode se tornar um agente político de peso? 

Marcos Troyjo: Acho que os Brics vão ser muito mais uma espécie de voz crítica à inadequação e atraso no desenho de algumas instituições multilaterais, sem necessariamente se constituírem numa grande força em prol de sua reforma. A China e a Rússia são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Esses países não querem ver seu status diminuído em termos relativos com a entrada do Brasil e da Índia. A China deseja uma ou outra reforma, mas não uma revolução da governança global a partir da qual ela venha a desempenhar um papel de liderança. Pelo contrário, a China vai focar seus problemas internos. Aliás, entendo que vamos viver uma década de desglobalização, e isso vai afetar os Brics. Se percebemos a globalização como mais comércio e investimento internacional, mais coordenação macroeconômica, mais livre circulação de bens, capitais e pessoas, todas essas frentes estão em xeque, assim como a globalização de valores, aquela ideia dos anos 1990 de que democracia representativa e economia de mercado eram os melhores parâmetros para a organização da sociedade. Vinte anos atrás, parecia que o mundo estava caminhando para um processo de integração econômica regional que tinha na União Europeia um caso paradigmático. Ora, a União Europeia está descarrilando. Estamos observando um renascimento do Estado-Nação. Há várias frentes desglobalizantes no mundo e um renascimento não dos nacionalismos, mas dos individualismos nacionais. É o mundo do cada um por si. 

E como isso afeta o Brasil?

Marcos Troyjo: Isso pode ser benéfico se conseguirmos definir onde reside nosso interesse nacional. Os chineses, por exemplo, sabem muito bem qual é o deles. O Brasil às vezes parece saber com mais clareza o que ele quer para o mundo do que definir o que quer receber dele. 

Como essa dificuldade se reflete nas decisões do governo? 

Marcos Troyjo: Qual comércio exterior o Brasil quer como porcentual do PIB em 2025, por exemplo? Qual o número de doutores por 100 mil habitantes que o Brasil pretende formar em 2025? Qual a poupança em relação ao PIB que o Brasil quer ter em 2025? Com metas assim você vai arregimentar recursos e esforços para chegar lá. Existe isso no Brasil? Acho que não. O Brasil precisa de um plano. 

Nós já tivemos algum projeto nacional? 

Marcos Troyjo: Existem planos emergenciais, desenhados para lidar com problemas pontuais urgentes. Por exemplo, os planos de combate à inflação no Brasil, como o Plano Cruzado e o Plano Verão. Há também planos voltados para a harmonização das capacidades internacionais de competir. Temos o caso do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. O PAC não é o Brasil construindo para o futuro. É o Brasil em busca do tempo perdido. Construir ferrovias, portos, estradas não é o futuro, é o presente. O País já teve alguns planos estratégicos, o "50 anos em 5" de Juscelino Kubitschek, por exemplo. Agora vamos ingressar em uma fase, talvez até já estejamos nela, de desglobalização, em que o tema do interesse nacional vai ter que prevalecer. 

O Brasil parece carecer da mesma influência internacional que seus parceiros de grupo. Em termos de influência política, o País tem que se conformar em ser um sócio menor dos Brics?

Marcos Troyjo: É importante saber quais são as políticas de poder, de prosperidade e de prestígio brasileiras. Em relação ao poder, o País abriu mão de posições estratégico-militares de caráter ofensivo. As ambições nesse aspecto se resumem a ser um membro construtivo e, se depender do Brasil, ainda mais ativo de organismos multilaterais como a ONU. O Brasil gostaria de ser membro permanente do Conselho de Segurança. Essa é uma questão que depende dos atuais membros e não deve ser resolvida no curto prazo. Talvez nem devêssemos colocar tanta ênfase no assunto. O Conselho de Segurança tem mandato internacional para fazer intervenções importantes no mundo, mas hoje tem sido pouco eficiente. Em termos de influência de prosperidade, vai depender muito do que acontecer com a economia brasileira. Se o Brasil crescer 5% ao ano no período de 2012 a 2030, vai ser uma das quatro maiores economias do mundo. E, se fizer uma conversão da sua economia para atividades cada vez mais tecnológicas, sem dúvida projetará influência por conta de sua prosperidade. Quanto à política de prestígio, acho que vai estar ligada à prosperidade brasileira e projeção dos interesses econômicos do Brasil. Deve estar muito associada também a políticas de inclusão social, como programas de renda mínima, Bolsa Escola e Bolsa Família, que têm chamado atenção de outros países e sido um elemento importante do chamado soft power brasileiro. 

Qual deveria ser então o objetivo principal de nossa política externa?

Marcos Troyjo: Acho que deveria ser um objetivo que vá além da política externa, algo a ver com a política de inserção global do Brasil. É um esforço que precisaria ir além da diplomacia tradicional para aumentar a parcela do comércio internacional na composição do PIB, ou seja, aumentar o número de exportações e importações e também abrir novas frentes para investimentos. O número de funcionários que nosso serviço exterior coloca à disposição das atividades de promoção comercial e atração de investimentos nas embaixadas e consulados é muito pequeno se comparado ao de outros países. Tínhamos de unificar o comando da política de comércio exterior e de atração de investimentos estrangeiros diretos. Se conseguirmos colocar todos os nossos ativos de política exterior ao serviço do projeto de prosperidade brasileiro, acho que isso constituiria uma prioridade mais relevante para as necessidades da população do que fazer parte de um clube restrito como o Conselho de Segurança. 

Como a crise europeia afeta o Brasil?

Marcos Troyjo: Em primeiro lugar, os investidores puxam o freio, correm para os ativos mais tradicionais e seguros. Essa onda de pessimismo e apreensão também chega ao Brasil. A questão do comércio é algo menos impactante. Feliz ou infelizmente, o Brasil tem apenas cerca de 17% de seu PIB como resultado da soma de importações e exportações. Ou seja, o comércio exterior para o Brasil não desempenha um papel tão importante. Além disso, apenas 20% das nossas exportações vão para a União Europeia e são produtos em geral de baixo valor agregado. Não há necessariamente uma grande retração de demanda. Já em relação a investimentos, aí sim o Brasil é mais afetado. Primeiro porque os investimentos financeiros saem daqui para buscar opções mais seguras e mais chamativas, pois o País perdeu atratividade com a redução da taxa de juros. Em segundo lugar, com a perda de velocidade da economia mundial e da economia brasileira, os investimentos estrangeiros diretos também arrefeceram. 

A redução da taxa de juros deveria ser evitada, já que juros altos atraem mais investimentos?

Marcos Troyjo: É uma faca de dois gumes. Do ponto de vista teórico, está correto jogar as taxas de juros para baixo, porque taxas elevadas acabam se tornando um dos obstáculos para o crescimento econômico. O fato é que há uma aversão de risco generalizada. Vamos saber se essa redução da taxa de juros vai ser benéfica se a atividade industrial e econômica se aquecer em velocidade superior aos efeitos negativos da saída de capitais. Essa vai ser a tensão. Muita gente acha que os efeitos negativos da saída de investimentos são mais rápidos que os efeitos benéficos de taxas mais baixas.
Caio Quero - O Estado de S.Paulo

sábado, 26 de maio de 2012

Será que as empresas são tão inovadoras quanto dizem?

Na sua empresa há inovação? Praticamente todas diriam que sim.

O termo é usado a torto e a direito por empresas. É um modo de mostrar que estão na vanguarda, seja lá do que for: da tecnologia, da medicina, dos salgadinhos, dos cosméticos. É um tal de exibir diretores de inovação, equipes de inovação, estratégias de inovação. Há até "dia" da inovação.
Não significa, no entanto, que a empresa esteja realmente inovando em alguma coisa. Nada disso: embora o termo remeta a uma transformação monumental, o progresso sendo descrito volta e meia é bem ordinário.

Como outros motes popularíssimos no passado — "sinergia", "otimização" —, a inovação corre o risco de virar um clichê. Se é que já não virou.

"A maioria das empresas diz que é inovadora na esperança de levar o investidor a crer que há crescimento onde não há", diz Clayton Christensen, professor da Faculdade de Administração Harvard e autor de "O Dilema da Inovação", de 1997.

Uma busca em informes de resultados anuais e trimestrais apresentados à agência reguladora do mercado aberto nos Estados Unidos, a SEC, revela que empresas citaram alguma variação do termo "inovação" 33.528 vezes no ano passado, alta de 64% em relação a cinco anos antes.

Mais de 250 livros com o termo "innovation" no título foram lançados nos últimos três meses — a maioria na seção de administração, segundo pesquisa na Amazon.com.

A definição do termo varia muito dependendo de quem estiver respondendo. Para Bill Hickey, diretor-presidente da Sealed Air Corp., significa inventar algo que não existia antes, como o plástico-bolha da empresa.

Para o presidente da Ocean Spray Cranberries Inc., Randy Papadellis, significa transformar um artigo como a casca de uma fruta — no caso, cranberry, ou mirtilo —, que antes ia para o lixo, numa guloseima, como os doces Craisins.

Para o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pfizer Inc., Mikael Dolsten, é pegar um produto que já existe e aplicá-lo a outro público, como uma vacina para bebês que também se prova eficaz em idosos.

Scott Berkun, autor de "Mitos da Inovação" — um livro de 2007 que alerta para a diluição do termo —, diz que o que a maioria das pessoas chama de inovação não passa, na verdade, de um "produto muito bom".

Berkun prefere reservar a palavra a inventos capazes de transformar uma civilização —como a eletricidade, a imprensa, o telefone e, mais recentemente, talvez o iPhone.

Hoje consultor de inovação, Berkun aconselha clientes a banir a palavra da empresa.

"É uma palavra camaleônica [usada] para ocultar a falta de substância", diz.

Para Berkun, a popularização do termo inovação remonta à década de 1990, época da bolha da internet e do lançamento de Dominando a Dinâmica da Inovação, de James M. Utterback, e do livro de Christensen.

O termo seduz empresas estabelecidas por conotar algo ágil e bacana, como seriam uma empresa nova e seus criadores, explica.

Nem sempre empresas de tecnologia são as que mais abusam do termo. A Apple Inc. e a Google Inc. usaram a palavra inovação 22 vezes e 14 vezes, respectivamente, nos últimos relatórios anuais. Junto com elas vieram Procter & Gamble Co. (22 vezes), Scotts Miracle-Gro Co. (21) e Campbell Soup Co. (18).

A febre da inovação fez nascer toda uma indústria de consultoria. Empresas do ranking das cem maiores da revista "Fortune" pagam a consultores de inovação entre US$ 300.000 e US$ 1 milhão para a colaboração em um único projeto, o que pode chegar a US$ 1 milhão e US$ 10 milhões ao ano, estima Alex Kandybin, consultor de estratégia de inovação da Booz & Co.

Além disso, quatro de cada dez executivos dizem que sua empresa hoje tem um diretor de inovação, de acordo com um estudo recente do fenômeno divulgado no mês passado pela consultoria Capgemini.

Os resultados, baseados numa sondagem pela internet de 260 executivos do mundo todo, além de 25 entrevistas mais detalhadas, sugerem que o título pode ser mera "propaganda".

A maioria dos executivos admitiu que sua empresa ainda não tem uma estratégia de inovação clara para respaldar o posto.

Jeff Semenchuk, que em agosto virou o primeiro diretor de inovação da Hyatt Hotels Corp., diz que seu cargo não tem nada de "enrolação".

A cadeia de hotéis fez uma sondagem recente com centenas de hóspedes e concluiu que "estamos todos basicamente presos ao passado", diz ele em alusão ao setor.

Semenchuk dirige iniciativas experimentais em oito hotéis recentemente destacados como "laboratórios" no mundo todo. Entre os projetos: um processo no qual um recepcionista com um iPad em punho vai ao aeroporto receber o hóspede e dar início ao seu registro.

A palavra inovação de nova não tem nada. O primeiro registro do termo, que vem do latim "innovatus" (renovação, mudança), em um documento impresso data do século 15, diz Robert Leonard, presidente do programa de linguística de Universidade Hofstra, nos EUA.

Com a aceleração do ciclo de produtos em empresas, a palavra passou a significar não só fazer algo novo, mas fazê-lo com mais rapidez, diz ele.

A fabricante de sopas enlatadas Campbell, por exemplo, diz que está tentando levar novidades — novos sabores de sopa, novos molhos — ao mercado mais depressa do que as concorrentes. "Hoje em dia, uma ideia pode ser imitada com muito mais rapidez", diz o vice-presidente e gerente-geral da empresa, Darren Serrao.

Para Christensen, há três tipos de inovação: a inovação na eficiência, pela qual o mesmo produto é feito a um custo menor, como a automatização da consulta ao cadastro de crédito de alguém; a inovação sustentadora, que converte um produto já bom em algo ainda melhor, como o carro híbrido; e a inovação de ruptura, que transforma coisas caras e complexas em algo simples e mais acessível, como a migração do mainframe para o microcomputador.

Para a empresa, o maior potencial de crescimento reside na inovação de ruptura, diz. Christensen observa que as demais modalidades poderiam muito bem ser chamadas de progresso comum — e normalmente não criam mais empregos nem negócios.

Como a inovação de ruptura pode levar de cinco a oito anos para dar frutos, diz ele, muita empresa perde a paciência.

Para a empresa é bem mais fácil, acrescenta o autor, apenas dizer que está inovando. "Todo mundo está inovando, pois qualquer mudança virou inovação".

Usuários inveterados admitem que já estão cansando do termo inovação.

Hickey, da Sealed Air, diz que a empresa vem usando o termo em informes ao mercado pelo menos desde a década de 1980. E que está considerando suspender seu uso.

E o que entraria no lugar? "Inventivo".

"Inventivo é estado de espírito; inovação é uma coisa", explica. "Vamos abrir caminho".

(Colaborou Melissa Korn.)


WSJ Americas

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Brasileiro produz abaixo da média mundial

A produtividade do trabalhador brasileiro está abaixo da média mundial e tem evoluído em ritmo bem menor do a que a dos trabalhadores de outros países emergentes.

Um brasileiro produziu no ano passado, em média, um quinto da riqueza gerada por um americano, um terço da de um sul-coreano e cerca da metade da de um argentino, calcula a consultoria americana Conference Board.

De 2005 a 2010, a produtividade do brasileiro cresceu em média 2,1% ao ano, taxa inferior as de China (9,8%), Índia (5,8%) e Rússia (3,2%).

Segundo economistas, isso ajuda a explicar a perda de competitividade do produto brasileiro e o aumento da inflação no país. Na medida em que a remuneração cresce mais rápido que a produtividade, produtos e serviços tendem a ficar mais caros.

Dados do departamento de estatísticas do trabalho dos EUA mostram que os salários na indústria cresceram, de 2002 a 2008, 174% no Brasil e 133% na China.

Mas lá isso foi compensado pelo aumento da produtividade, diz o economista da UNB (Universidade Nacional de Brasília) Jorge Arbache: "O aumento do salário não é uma coisa ruim, mas, se a produtividade não acompanha, vira um problema".

O ranking elaborado neste ano pelo Conference Board com 114 países mostra que o brasileiro está na 68ª posição em produtividade. Segundo o levantamento, o brasileiro produziu em 2010 20,6% da riqueza gerada por um americano, enquanto a média mundial foi de 26,1%.
A consultoria mede a produtividade do trabalhador dividindo o PIB (Produto Interno Bruto) de cada país por sua força de trabalho.

Para o professor do Insper Naercio Menezes, a precariedade do ensino é o principal fator que explica a baixa produtividade do brasileiro. Além disso, ele aponta a falta de inovação das empresas, que investem pouco na criação de novas tecnologias.

Entre os fatores que limitam a inovação, aponta, estão o excesso de burocracia e a precariedade da infraestrutura, que acabam sugando tempo e dinheiro que poderiam ser gastos em pesquisa.

"A inovação permite produzir mais com o mesmo número de trabalhadores. Enquanto a China solicitou 13.337 patentes em 2010, o Brasil pediu apenas 442. Isso mostra como inovamos pouco", observa Menezes.

Segundo o Conference Board, a produtividade do chinês é ainda menor que a do brasileiro. Isso ocorre porque metade dos chineses vive no campo, setor pouco produtivo no país, diz Arbache.

"A produtividade do trabalhador industrial chinês é maior que a do brasileiro. Isso porque nos últimos anos a indústria chinesa migrou de setores pouco produtivos, como têxtil, para a produção de automóveis e chips", disse.

MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO


Editoria de Arte/Folhapress

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

NOSSA ROMA IMPERIAL DO SÉCULO XXI

China quer construir ferrovia de R$ 10 bi de Cuiabá a Santarém



Uma intenção do grupo chinês é construir a linha férrea para tornar mais ágil e eficiente o escoamento da soja - entre outros produtos - de cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, no norte do Mato Grosso. Hoje esse trajeto é feito pela rodovia BR-163, que passa pelas mesmas cidades.

De Santarém, a produção parte de navio direto para a China, explica o secretário-extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes de Mato Grosso, Francisco Vuolo.

Outra intenção dos chineses seria também usar a ferrovia como um canal de acesso mais barato para trazer importados aos mercados do Centro-Sul do país. Compõem a comitiva chinesa também funcionários da agência de promoção de exportações e investimentos do país, a Asian Trade & Investments (ATI).

Linha de 2 mil quilômetros

De acordo com Vuolo, a obra terá uma extensão de quase 2 mil quilômetros, o que, pelo custo médio das últimas ferrovias feitas no Brasil, poderia ter um orçamento estimado em até R$ 10 bilhões. Mas o valor vai variar muito conforme o estudo do relevo, que será feito pelos chineses durante a viagem – a construção de pontes ou túneis encarece muito a obra.


Esse trecho da Ferronorte, entre outros, era concedido à América Latina Logística (ALL) até o ano passado, mas a concessão foi devolvida ao governo federal por falta de interesse da companhia. Por isso, já existem estudos preliminares para a instalação do empreendimento.

Segundo Vuolo, os chineses da CMC poderão vir a construir esse ramal da Ferronorte em forma de Parceria Público-Privada (PPP) ou algum outro modelo de concessão. A estatal, que já assinou protocolo de intenções para fazer a obra, possui mais de 90 mil quilômetros de ferrovias já instalados na China e em outros países, diz Vuolo.

Vuolo explica que, inicialmente, os chineses tendem a construir a ferrovia nas proximidades da BR-163, porque a construção nesses arredores – a chamada “faixa de domínio” – ofereceria maior facilidade para conseguir licenças ambientais.

Governo deve ser chamado a dar apoio

A expedição foi acertada pelo governador do Estado, Silval Barbosa, em viagem à China no início deste ano. Até cem pessoas – entre elas 14 chineses – vão sair de Cuiabá no sábado para uma viagem de três dias. Entre os passageiros, estarão também profissionais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O projeto da ferrovia não está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e, a princípio, poderia ser um projeto 100% privado. No entanto, espera-se que os chineses queiram apoio financeiro do governo brasileiro para instalar a ferrovia, como ocorre no caso da fábrica da Foxconn, no Estado de São Paulo.

Futuramente, o governo do Estado de Mato Grosso espera que a ferrovia criada pelos chineses também possa se conectar à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) em Sorriso (MT) e que o ramal da Ferronorte ainda concedido, que vai de Rondonópolis (MT) a Cuiabá, seja concluído. Essas duas linhas se conectam à ferrovia Norte-Sul, que corta o País e, em breve, chegará aos portos mais relevantes do Brasil.

domingo, 15 de maio de 2011

Investimentos em aguas profundas, só se comprar prato feito

A Petrobras está voltando á época de ouro, optou por cancelar licitação de 28 sondas de perfuração em águas profundas. Essas sondas eram parte da promessa do governo de construir no Brasil, aproveitando as competências e capacidades internas. Mas não deu certo e serão compradas fora, um pacote fechado e nada de transferência de tecnologia, nem repasse do conhecimento. 


Nada de "LEARNING BY DOINGLEARNING BY USING" é pacote fechado, mesmo. Da mesma forma que foram comprados os maiores barcos de tranportação de minérios existentes no MUNDO, comprados na Coreia, de viagem o Brasil. 

Você sabia?. 

Antes de concluir seu governo, Lula demitiu Roger Agnelli, justamente pela compra dos barcos coreanos. 

quarta-feira, 16 de março de 2011

Governo está preocupado com falta de mão de obra qualificada


BRASÍLIA – O governo está preocupado em como enfrentar o desafio da falta de qualificação profissional, num momento em que o mercado de trabalho se mostra bastante aquecido.

Segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o tema foi abordado na segunda reunião do Fórum de Desenvolvimento Econômico.
Ao deixar o Ministério da Fazenda, Coutinho comentou, rapidamente, que o governo quer encontrar soluções para a desqualificação no mercado de trabalho. Ele destacou que a questão se agrava “com o nível de emprego alto”, com mais e mais empresas buscando mão-de-obra especializada, sem conseguir preencher vagas.
Ontem, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, divulgou a criação de 280 mil novas vagas em fevereiro, e também mencionou a urgência do governo em criar cursos de formação profissional.

Coutinho disse que outro ponto debatido no fórum foi a manutenção do “avanço dos investimentos com estabilidade de preços, de forma consolidar o crescimento econômico, embora em ritmo mais modesto” do que em 2010.
(Azelma Rodrigues | Valor)

domingo, 13 de março de 2011

De continuar assim a economia regride, o país regride e voltamos a ser terceiro mundo

O Brasil como um todo parece surfar na onda da valorização dos commodities e relaxa na geração de mais competitividade, de inovação e agregação de valor local nos seus produtos. Estamos vivendo um processo de desindustrialização e em geral, reprimarização da produção.


Veja artigo completo, no Valor Econômico do Carlos A. Cavalcanti é vice-presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior e diretor do departamento de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

 Aqui leia este trecho do artigo. 



"No campo comercial, a qualidade da relação deteriorou-se, sobretudo da perspectiva brasileira. O pior déficit do Brasil é com os EUA, embora o quinto melhor superávit dos EUA seja conosco. 
Em 2010, as exportações americanas atingiram mais de US$ 27 bilhões - o maior valor registrado na série histórica bilateral. Já as exportações brasileiras, de cerca de US$ 19 bilhões, mantém-se em nível pré-2004. Além disso, a pauta exportadora do Brasil para os EUA se reprimarizou: a participação dos produtos básicos saltou de 6% em 2001 para 31% em 2010".

terça-feira, 1 de março de 2011

O mercado, inovações tecnológicas e competitividade - Delfim Neto



Nunca foi tão importante para o desenvolvimento social e econômico do Brasil fazer as pazes com o conhecimento econômico (que chamamos de economia política). É preciso reconhecer que, não importa qual o "modelo" que organiza nossa compreensão da realidade e orienta a nossa ação, o nome do jogo é "competição". Os agentes econômicos (gostemos ou não) movem-se por incentivos e usam o mercado para fazerem livremente suas escolhas.

O desenvolvimento é basicamente alimentado pelas "inovações" e todos devem poder apropriar-se dos benefícios resultantes do seu trabalho. As regras dentro das quais o "jogo" se realiza são definidas pela Constituição do Estado onde ele ocorre. Elas devem propiciar um ambiente institucionalmente amigável para atender às condições anteriores.

O primeiro problema é que, como inúmeros exemplos históricos comprovam, as decisões tomadas pelo setor privado apenas olhando as condições presentes tendem, frequentemente, quando não estimuladas por um Estado-indutor adequado, a ignorar os benefícios futuros de atividades que não parecem eficientes no curto prazo.
É difícil coordenar com eficácia decisões de longo prazo
No fundo, os mercados e os agentes, deixados a si mesmos, tendem a ser míopes e oportunistas, por conta da própria opacidade do futuro. No que respeita às "inovações", é claro que elas não podem ser antecipadas, nem por eles, nem pelo Estado-indutor. Essa incerteza explica por que é difícil para o mercado coordenar com eficácia as decisões de longo prazo.

Talvez o exemplo mais marcante dessa "falha", seja dado pelo que aconteceu à produção do elemento chamado "terras raras", hoje um insumo fundamental das novas tecnologias de comunicação, geração de energia alternativa ao petróleo etc. Há pouco mais de 30 anos, os EUA eram o maior produtor do mundo. Os chineses usando mão de obra barata, métodos primitivos e "incentivos" apropriados aproveitaram a oportunidade. Aumentaram a sua oferta a preços que eliminaram a produção americana.

O mercado revelou sua miopia e oportunismo: transferiu toda a sua demanda para a China! Os chineses aperfeiçoaram a tecnologia da sua produção, organizaram-na e mantiveram seus "incentivos". Hoje, representam 97% da oferta mundial. Controlam a sua exportação (com cotas que vêm diminuindo) para reservá-lo para uso doméstico, o que lhes dá vantagem competitiva nas tecnologias de última geração.

Olhado superficialmente, o fato parece sugerir que os dois (os agentes competitivos nos EUA e o Estado chinês) agiram "racionalmente". Os primeiros reduziram seus custos. O segundo deu emprego à sua mão de obra excedente. Logo, tudo parece ter terminado no melhor dos mundos. A não ser que, entre seus inegáveis talentos, Deng Xiao Ping tivesse, também, o de conhecer o futuro, é difícil explicar por que ele disse, em plena crise do petróleo nos anos 80, que "os senhores têm o petróleo, mas a China tem as terras raras"...


O segundo problema é que não há dúvida sobre as virtudes da competição e dos mercados (a história mostra que elas existem e são imensas) nas economias fechadas. Quando se trata de economias abertas (em que a competição não é entre países, mas entre empresas privadas ou públicas instaladas em cada um deles), o mínimo que se exige para a sobrevivência daquelas virtudes é que o comércio se faça em condições "isonômicas": 1) taxas de câmbio estabelecidas de forma a equilibrar o fluxo do valor das exportações com o das importações; 2) taxas de juros reais equivalentes; 3) completa desoneração fiscal das exportações; e 4) condições equivalentes no crédito e no financiamento às exportações etc.


É absolutamente legítimo, e economicamente correto, estimular atividades onde a dimensão do mercado interno, presente ou futuro, permite, ou permitirá, a absorção de tecnologia capaz de, usando na margem o mercado externo, construir num prazo razoável vantagens comparativas para que seus produtos possam competir no exterior sem a ajuda do Estado-indutor. O fundamental é a existência da capacidade para absorver a tecnologia, ambientá-la no "estado da arte" e, principalmente, ter a perspectiva de segura demanda interna futura.

Sem essa última, o incentivo necessário para o início do processo tem pouca probabilidade de sobreviver. Deveria ser óbvio que os estímulos chineses (taxa de câmbio desvalorizada, taxa de juros muito baixa e amplo crédito para exportação), oferecidas a quem investir localmente e transferir tecnologia, têm funcionado com sucesso porque ela é o mais apetitoso mercado interno do mundo. E o mesmo vai repetir-se com a Índia...
Diante do mundo como ele é (e não como supõem os fundamentalistas da Teoria do Equilíbrio Geral), qual é o sentido do misterioso movimento (que a Petrobras nega ser dela) que pretende reduzir o índice de nacionalização no setor petrolífero? Os 30% anunciados de redução de preços são menores do que a desvalorização administrada do yuan!


A taxa de juros mais baixa e os prazos maiores são oferecidos pelo Estado-indutor chinês para tentar apropriar-se do maior mercado de equipamentos petrolíferos dos próximos 20 anos, que é o do Brasil. Se quiserem aproveitá-lo, que se instalem aqui. Como a Petrobras é uma empresa público-privada, talvez seja necessário uma compensação, mas seria um crime de lesa-pátria entregar esse promissor mercado à indústria instalada no exterior por conta da falta de isonomia competitiva.

Não se trata, entretanto, de licença para arbitrárias políticas industriais ou comerciais. É bom não esquecer o velho teorema: todo imposto sobre as importações é, também, um imposto sobre as exportações!

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento
E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vender a Amazônia, um bom negócio?

A ética da riqueza

O historiador americano disse, em 2002, que as tradições de
um povo são tão importantes para a economia
quanto
os recursos materiais e que o Brasil poderia ser desenvolvido se fosse dividido, separando Sul do Norte. 
Também alertava que era de alto risco investir na China.

Entrevista `Veja" 
22/3/2000
Carlos Graieb
 "Se o Brasil se dividisse em dois, 
o Sul teria chances 
de ser desenvolvido"


É alarmante  como em apenas 10 anos mudaram de forma radical as visões sobre o conceito de riqueza das nações. 
O economista americano e insstitucionalista, David Landes se equivocou redondamente ao considerar que a riqueza das nações não dependia dos recursos naturais e das matérias primar, e nem da extensão do território. 

Alguns critérios como: "Minerais? Madeira? Tudo isso pode ser comprado. Não é preciso ser dono desses recursos, é mais fácil comprar que ser proprietário", hoje são largamente questionados e em qualquer análise básico os indicadores importantes que se utilizam como importantes são o território, a população, os recursos naturais (Caso dos BRIC). 

Veja trechos da entrevista que David Landes ofereceu à Veja, em 2000. 
Para o historiador americano David Landes, a humanidade se divide em duas classes: a dos que vivem para trabalhar e a dos que apenas trabalham para sobreviver. "Quanto mais pessoas do primeiro tipo houver, mais chances uma nação terá de sair ganhando no jogo da globalização", diz ele. Landes tem 75 anos.

Em décadas de trabalho como professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ele se dedicou a desenvolver a idéia lançada pelo pensador alemão Max Weber de que a cultura e os valores de um povo são tão ou mais importantes para o seu crescimento econômico do que os fatores materiais. Suas teses ganharam forma de livro em 1998 e deram notoriedade ao autor. Escrito com verve e lidando com uma vasta quantidade de informações, A Riqueza e a Pobreza das Nações alcançou a lista de mais vendidos em diversos países, inclusive o Brasil, onde foi lançado pela Editora Campus. Na semana passada Landes visitou São Paulo para uma série de palestras, a convite da Fundação Armando Álvares Penteado e do Instituto Fernand Braudel, e deu a seguinte entrevista a VEJA.

Veja – Quais são as causas da riqueza e da pobreza das nações?
Landes –
Não há dúvida de que fatores "clássicos", como o acesso a recursos naturais ou mão-de-obra, são importantes. Também estou certo de que a geografia e o clima podem ser determinantes, embora muita gente não concorde com isso. Mas eu gostaria de insistir em uma variável pouco lembrada: a cultura. Ela é preponderante no sucesso material de algumas nações e no insucesso de outras. Falo de cultura em sentido amplo. Não me refiro a obras de arte, mas aos valores e atitudes vigentes numa sociedade. Foi por prezar a liberdade individual, a curiosidade e a criatividade, e por assumir uma atitude positiva com relação ao trabalho, que a Europa Ocidental tomou a dianteira na corrida pelo desenvolvimento, 500 anos atrás. Fora da Europa, os países que assimilaram esses valores, como os da América anglo-saxônica, ou dispunham de tradições semelhantes em sua própria cultura, caso dos asiáticos, entraram para o clube dos vitoriosos.

Veja – Assim como o pensador alemão Max Weber, o senhor diria que o espírito protestante está diretamente ligado à ascensão do capitalismo?
Landes –
Certamente. As outras religiões monoteístas, incluindo o judaísmo, ao qual pertenço, fazem da pobreza uma virtude. Quase toda a história da cristandade inclui uma louvação da pobreza: os pobres vão para o céu, enquanto a riqueza é uma forma de corrupção. Nos países islâmicos, a pobreza é considerada um antídoto para os modos, o luxo, a auto-indulgência do Ocidente. O protestantismo foi importante por causa de sua atitude positiva com relação ao trabalho e ao enriquecimento. Também foi importante porque desde o começo os protestantes discordaram e discutiram entre si. O protestantismo era na origem pluralista, enquanto o catolicismo sempre foi centralizador.


Veja – E no que esse aspecto centralizador atrapalhou o desenvolvimento?
Landes –
O catolicismo não apenas tinha uma atitude ambivalente com relação aos empreendedores como também segregava os que pensavam diferente. Na sociedade colonial, comandada por espanhóis e portugueses, a imigração de europeus do norte era evitada a todo o custo. Imperava o fechamento. Além disso, o homem que vencia nos negócios era incentivado a retirar-se para uma vida aristocrática e não esperava que seus filhos repetissem seu itinerário de trabalho. Empreendimentos são realizados por pessoas que vivem para trabalhar, e não por aquelas que trabalham para viver. É preciso ter prazer no trabalho para tornar-se um empresário bem-sucedido.

Veja – O Brasil é mesmo "o país do futuro"?
Landes –
Acho que o Brasil vai conseguir diminuir suas taxas de pobreza. Quanto a tornar-se um dos países mais desenvolvidos, isso é outra história. Isoladamente, a Região Sul do país teria boas chances.  
 
Veja – O senhor está sugerindo que o país se divida em dois?
Landes –
Estou dizendo que se o Sul se separasse do Norte teria boas chances de alcançar os países mais avançados. Sei que as pessoas logo vão pensar em coisas do tipo: mas como assim, abrir mão dos infindáveis recursos da Amazônia? Pois eu lhe digo que, se vivesse em São Paulo, não me preocuparia muito com o destino do Amazonas. Minerais? Madeira? Tudo isso pode ser comprado. Não é preciso ser dono desses recursos. É mais fácil comprar e vender do que ser proprietário. Em nossa época, não existe nenhuma virtude intrínseca, política ou econômica, em manter um grande território e ser uma grande unidade.  

 Leia a entrevista completa ha href="http://veja.abril.com.br/220300/entrevista.html">Aqui

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Perda de Competitividade da Indústria Brasileira



Sergio Lamucci (Valor, 14/12/2010) reporta que a indústria de transformação brasileira perde espaço na produção da economia brasileira e mundial, tendência que pode ameaçar a consolidação de ritmo de crescimento mais expressivo nos próximos anos, adverte, em estudo, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Enquanto no Brasil a fatia do setor no Produto Interno Bruto (PIB) está em queda, recuando da casa de 30% nos anos 70 para nivel inferior a 24%, ela mantém trajetória de alta em países asiáticos que há décadas crescem a taxas elevadas. Na Coreia do Sul, está em 38% e na China, próximo de 53%. Os números são da Organização das Nações Unidas (ONU), a preços em dólares de 1990 (ver gráfico).


Para o Iedi, a situação brasileira é reversível, mas exigirá esforço que passa não só por mudar o quadro de câmbio valorizado, mas também por medidas como a redução do custo financeiro na economia e dos encargos sobre a mão de obra e pela melhora dos sistemas de logística e da inovação empresarial.

O estudo ressalta a importância do bom desempenho da indústria de transformação para a expansão recente da economia brasileira, ao analisar o resultado de uma série de 54 resultados para o crescimento do PIB brasileiro acumulado em quatro trimestres entre o começo de 1997 e junho de 2010. Nesse período, em apenas 12 trimestres o aumento do PIB superou 5% em bases anuais, e em todos esses trimestres a indústria de transformação cresceu em percentuais próximos ou superiores. Em oito desses trimestres, o crescimento da indústria de transformação situou-se entre 6% e 9%.
Os números indicam que, para promover expansão a taxas robustas, é fundamental que a indústria de transformação avance a passos rápidos. Países com taxas robustas de crescimento “tiveram na indústria o principal apoio.
Segundo o estudo, “China, Coreia do Sul, Indonésia, Índia, Malásia, Tailândia e Irlanda, todos com taxas médias anuais de expansão superiores a 5% ao ano entre os anos de 1970 e 2007, tiveram aumentos relevantes na participação de seus setores industriais no PIB. No outro extremo, países já industrializados e várias economias latino-americanas, dentre elas o Brasil, tiveram médias de crescimento abaixo de 5% ao ano e declinantes participações nos respectivos PIBs.”

Na China, a fatia da indústria de transformação no valor adicionado total da economia pulou da casa de 35%, no começo dos anos 80, para 52,9%, em 2007. Na Coreia, a participação passou de 20%, nos anos 80, para 38,4% em 2007. Nesse cenário, a participação do Brasil no valor adicionado da indústria de transformação global caiu da casa de mais de 3%, no começo dos anos 80, para os 2,2% de 2007.

Outro sinal que preocupa é o comportamento do balanço comercial da indústria de transformação. Em 2006, havia superávit bastante expressivo, na casa de US$ 30 bilhões. Em 2008, o resultado entrou no vermelho, atingindo déficit de US$ 7,1 bilhões, que se ampliou para US$ 8,3 bilhões em 2009. De janeiro a setembro de 2010, o rombo foi de US$ 25,8 bilhões. Isso revela processo intenso e rápido de deterioração da competitividade do setor, atribuindo-se à apreciação da moeda nacional (ou queda da taxa do câmbio) a maior responsabilidade por essa piora.


Para o Iedi, a apreciação do real tem no diferencial de juros internos e externos uma de suas principais causas. Não é o saldo comercial do agronegócio e da mineração que vem determinando a apreciação da moeda, pois não há oposição entre agricultura e indústria ou entre a economia industrial e a de commodities, tampouco existindo a necessidade de o país optar por especialização em algum desses segmentos. O êxito simultâneo da indústria e dos demais setores é perfeitamente possível, considerando-se, evidentemente, a obtenção de taxa de câmbio competitiva.
 
Para o IEDI, o papel do câmbio tem sido relevante para explicar a perda de importância da indústria de transformação. Em primeiro lugar, a tendência do real tem sido de apreciação, exceto em momentos de crise, como em 1999, 2002 e 2008. Há grande flutuação do câmbio, o que também atinge a competitividade. Esses problemas do câmbio afetam especialmente a competitividade da indústria, que não conta com preços internacionais favoráveis na mesma intensidade que os setores que produzem commodities.

 O estudo do IEDI diz que não há uma solução única para reverter esse quadro para a indústria. Mexer no câmbio é importante, mas também é fundamental diminuir o custo financeiro e tornar menos pesado os encargos que encarecem a mão de obra, assim como melhorar a logística. Ele destaca ainda a necessidade de políticas voltadas à indústria, à inovação empresarial e à sustentabilidade. Outro ponto crucial é o país desenvolver regime mais avançado de financiamento de longo prazo. É importante algo que contemple, além do BNDES, mecanismos voluntários de crédito bancário em longo prazo e de instrumentos do mercado de capitais.