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sábado, 16 de junho de 2012

Dilma Rousseff se prepara para o pior com agravamento da crise na Europa


Publicação: 16/06/2012 10:04 Atualização: O otimismo com que tenta convencer o eleitorado de que o Brasil está superando os estragos provocados pela crise global desapareceu ontem das palavras da presidente Dilma Rousseff, durante encontro com governadores e vice-governadores de 26 estados e do Distrito Federal. Ela traçou um quadro sombrio para o mundo, diante da gravidade da situação na Europa. “Com o aproximar da eleição na Grécia, eu diria aos senhores que a luz no fim do túnel não está acesa. Estamos todos de olho naquilo que pode ser o pior: o período pós-eleitoral da Grécia”, disse. Em meio a um silêncio perturbador, ouviu-se a voz do ministro da Fazenda, Guido Mantega: “Se me permite, presidente, há, sim, luz no fim do túnel. Só que é uma locomotiva vindo em sentido contrário”.

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O diálogo deixou claro o quanto o governo está preocupado com os impactos da crise sobre as economias emergentes, grupo que inclui o Brasil. O país praticamente parou nos primeiros quatro meses deste ano e são pequenas as chances de uma retomada forte no segundo semestre. O crescimento anual deve ficar próximo de 2%. Ciente desse quadro, a presidente pediu união aos presentes no Palácio do Planalto. E, para convencê-los de que o momento é de agir, anunciou uma linha de R$ 20 bilhões para os estados, dinheiro que será liberado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). A meta é ampliar os investimentos em infraestrutura e dar um sinal à arredia iniciativa privada de que não há riscos para se tirar projetos da gaveta. O aumento da produção é vital para a atividade sair do atoleiro. O prazo para a contratação da linha de financiamento termina em 31 de janeiro de 2013, prazo considerado curto pelos governadores.


Correio Braziliense. 
Rosana Hessel, Vera Batista, Denise Rothenburg 

domingo, 3 de junho de 2012

No mundo do cada um por si

Marcos Troyjo é codiretor do Briclab, nos EUA - Reprodução
Marcos Troyjo é codiretor do Briclab, nos EUA
SÃO PAULO - De um lado do Atlântico, a crise na União Europeia ganha proporções inéditas. Do lado oposto, críticos veem no livre mercado o responsável pelas desigualdades de renda na maior economia do mundo. Na seara política, a democracia representativa parece não dar conta de problemas tão distintos quanto a formação de um novo governo na Grécia e os impasses no Congresso dos Estados Unidos. No mundo todo, a ideia de Estado-Nação volta a ganhar força. Esses parecem todos sintomas de um novo fenômeno que pode durar alguns anos e deve afetar não só o mundo desenvolvido, mas o Brasil e outras economias emergentes: a desglobalização.

O diagnóstico é do economista e cientista político brasileiro Marcos Troyjo, um dos diretores do recém-criado BRICLab, núcleo dedicado ao estudo dos Brics na Universidade Colúmbia e especialista do think tank liberal Instituto Millenium. 

Na opinião de Troyjo, a nova conjuntura apresenta uma série de desafios para o Brasil. O principal é mudar o DNA de nossa economia. De país exportador de produtos de baixo valor agregado, ele precisa se tornar líder em inovação. Para que isso ocorra, o pesquisador defende maior investimento em ciência, educação e tecnologia e o resgate de um debate sobre o que chama de "interesse nacional", conceito que considera pouco claro para os brasileiros, mas bastante concreto em economias como a da China. 

Diplomata de carreira - serviu na missão brasileira junto às Nações Unidas em Nova York entre 1997 e 2001 -, Troyjo também faz críticas ao que considera falta de um plano estratégico para lidar com esse novo cenário e defende a substituição de clássicas prioridades da política externa brasileira, como a demanda por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, por uma política mais ampla de inserção global do Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista que esse paulistano de 45 anos deu ao Aliás. 

Quando o economista Jim O'Neill cunhou o acrônimo Bric, alguns analistas o criticaram por incluir o Brasil. De fato, o país vem crescendo menos que seus parceiros. Em sua opinião, o grupo é representativo? 

Há um futuro comum para os Brics?

Marcos Troyjo: A ideia de Bric foi um conceito pensado para tentar descrever a evolução da economia global de agora até 2050. População, tamanho do mercado e dinâmica relativa foram os fatores que criaram uma certa identidade para esse grupo. Mas imaginar que esses países vão se converter em uma organização internacional é incorreto. É mais provável que seu futuro seja parecido com aquilo que durante muito tempo foi o G-7 (grupo das nações mais industrializadas), ou seja, um grupo que se reúne regularmente para emitir opiniões sobre como o mundo funciona e como deve funcionar. Se é verdade que o Brasil cresce menos que os outros, é verdade que talvez seja a economia mais madura dessas quatro. Muito provavelmente haverá outras economias que vão crescer a taxas superiores, mas isso não quer dizer que o Brasil terá sua posição ameaçada. O que vai poder ameaçar o Brasil é o país não conseguir fazer a conversão do DNA de sua economia, ou seja, se continuar apenas como produtor de baixo valor agregado, com um trabalhador de baixa produtividade. Esse é o grande dilema brasileiro: fazer a transição entre país que investe intensivamente em produtos de baixo valor agregado para país inovador, que investe com energia em tecnologia. Mas não existe um esforço nacional em relação a esse caminho. Não temos uma grande parceria entre a sociedade e o governo para fazer do Brasil um país com esse perfil. 

Ao mesmo tempo, os Brics vêm se posicionando de maneira conjunta em fóruns internacionais. O grupo pode se tornar um agente político de peso? 

Marcos Troyjo: Acho que os Brics vão ser muito mais uma espécie de voz crítica à inadequação e atraso no desenho de algumas instituições multilaterais, sem necessariamente se constituírem numa grande força em prol de sua reforma. A China e a Rússia são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Esses países não querem ver seu status diminuído em termos relativos com a entrada do Brasil e da Índia. A China deseja uma ou outra reforma, mas não uma revolução da governança global a partir da qual ela venha a desempenhar um papel de liderança. Pelo contrário, a China vai focar seus problemas internos. Aliás, entendo que vamos viver uma década de desglobalização, e isso vai afetar os Brics. Se percebemos a globalização como mais comércio e investimento internacional, mais coordenação macroeconômica, mais livre circulação de bens, capitais e pessoas, todas essas frentes estão em xeque, assim como a globalização de valores, aquela ideia dos anos 1990 de que democracia representativa e economia de mercado eram os melhores parâmetros para a organização da sociedade. Vinte anos atrás, parecia que o mundo estava caminhando para um processo de integração econômica regional que tinha na União Europeia um caso paradigmático. Ora, a União Europeia está descarrilando. Estamos observando um renascimento do Estado-Nação. Há várias frentes desglobalizantes no mundo e um renascimento não dos nacionalismos, mas dos individualismos nacionais. É o mundo do cada um por si. 

E como isso afeta o Brasil?

Marcos Troyjo: Isso pode ser benéfico se conseguirmos definir onde reside nosso interesse nacional. Os chineses, por exemplo, sabem muito bem qual é o deles. O Brasil às vezes parece saber com mais clareza o que ele quer para o mundo do que definir o que quer receber dele. 

Como essa dificuldade se reflete nas decisões do governo? 

Marcos Troyjo: Qual comércio exterior o Brasil quer como porcentual do PIB em 2025, por exemplo? Qual o número de doutores por 100 mil habitantes que o Brasil pretende formar em 2025? Qual a poupança em relação ao PIB que o Brasil quer ter em 2025? Com metas assim você vai arregimentar recursos e esforços para chegar lá. Existe isso no Brasil? Acho que não. O Brasil precisa de um plano. 

Nós já tivemos algum projeto nacional? 

Marcos Troyjo: Existem planos emergenciais, desenhados para lidar com problemas pontuais urgentes. Por exemplo, os planos de combate à inflação no Brasil, como o Plano Cruzado e o Plano Verão. Há também planos voltados para a harmonização das capacidades internacionais de competir. Temos o caso do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. O PAC não é o Brasil construindo para o futuro. É o Brasil em busca do tempo perdido. Construir ferrovias, portos, estradas não é o futuro, é o presente. O País já teve alguns planos estratégicos, o "50 anos em 5" de Juscelino Kubitschek, por exemplo. Agora vamos ingressar em uma fase, talvez até já estejamos nela, de desglobalização, em que o tema do interesse nacional vai ter que prevalecer. 

O Brasil parece carecer da mesma influência internacional que seus parceiros de grupo. Em termos de influência política, o País tem que se conformar em ser um sócio menor dos Brics?

Marcos Troyjo: É importante saber quais são as políticas de poder, de prosperidade e de prestígio brasileiras. Em relação ao poder, o País abriu mão de posições estratégico-militares de caráter ofensivo. As ambições nesse aspecto se resumem a ser um membro construtivo e, se depender do Brasil, ainda mais ativo de organismos multilaterais como a ONU. O Brasil gostaria de ser membro permanente do Conselho de Segurança. Essa é uma questão que depende dos atuais membros e não deve ser resolvida no curto prazo. Talvez nem devêssemos colocar tanta ênfase no assunto. O Conselho de Segurança tem mandato internacional para fazer intervenções importantes no mundo, mas hoje tem sido pouco eficiente. Em termos de influência de prosperidade, vai depender muito do que acontecer com a economia brasileira. Se o Brasil crescer 5% ao ano no período de 2012 a 2030, vai ser uma das quatro maiores economias do mundo. E, se fizer uma conversão da sua economia para atividades cada vez mais tecnológicas, sem dúvida projetará influência por conta de sua prosperidade. Quanto à política de prestígio, acho que vai estar ligada à prosperidade brasileira e projeção dos interesses econômicos do Brasil. Deve estar muito associada também a políticas de inclusão social, como programas de renda mínima, Bolsa Escola e Bolsa Família, que têm chamado atenção de outros países e sido um elemento importante do chamado soft power brasileiro. 

Qual deveria ser então o objetivo principal de nossa política externa?

Marcos Troyjo: Acho que deveria ser um objetivo que vá além da política externa, algo a ver com a política de inserção global do Brasil. É um esforço que precisaria ir além da diplomacia tradicional para aumentar a parcela do comércio internacional na composição do PIB, ou seja, aumentar o número de exportações e importações e também abrir novas frentes para investimentos. O número de funcionários que nosso serviço exterior coloca à disposição das atividades de promoção comercial e atração de investimentos nas embaixadas e consulados é muito pequeno se comparado ao de outros países. Tínhamos de unificar o comando da política de comércio exterior e de atração de investimentos estrangeiros diretos. Se conseguirmos colocar todos os nossos ativos de política exterior ao serviço do projeto de prosperidade brasileiro, acho que isso constituiria uma prioridade mais relevante para as necessidades da população do que fazer parte de um clube restrito como o Conselho de Segurança. 

Como a crise europeia afeta o Brasil?

Marcos Troyjo: Em primeiro lugar, os investidores puxam o freio, correm para os ativos mais tradicionais e seguros. Essa onda de pessimismo e apreensão também chega ao Brasil. A questão do comércio é algo menos impactante. Feliz ou infelizmente, o Brasil tem apenas cerca de 17% de seu PIB como resultado da soma de importações e exportações. Ou seja, o comércio exterior para o Brasil não desempenha um papel tão importante. Além disso, apenas 20% das nossas exportações vão para a União Europeia e são produtos em geral de baixo valor agregado. Não há necessariamente uma grande retração de demanda. Já em relação a investimentos, aí sim o Brasil é mais afetado. Primeiro porque os investimentos financeiros saem daqui para buscar opções mais seguras e mais chamativas, pois o País perdeu atratividade com a redução da taxa de juros. Em segundo lugar, com a perda de velocidade da economia mundial e da economia brasileira, os investimentos estrangeiros diretos também arrefeceram. 

A redução da taxa de juros deveria ser evitada, já que juros altos atraem mais investimentos?

Marcos Troyjo: É uma faca de dois gumes. Do ponto de vista teórico, está correto jogar as taxas de juros para baixo, porque taxas elevadas acabam se tornando um dos obstáculos para o crescimento econômico. O fato é que há uma aversão de risco generalizada. Vamos saber se essa redução da taxa de juros vai ser benéfica se a atividade industrial e econômica se aquecer em velocidade superior aos efeitos negativos da saída de capitais. Essa vai ser a tensão. Muita gente acha que os efeitos negativos da saída de investimentos são mais rápidos que os efeitos benéficos de taxas mais baixas.
Caio Quero - O Estado de S.Paulo

domingo, 20 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Executivos brasileiros estão mais pessimistas com cenário externo



Executivos brasileiros estão mais pessimistas que a média mundial a respeito da evolução da economia global. A conclusão é da 15ª Pesquisa Global Anual de CEOs da PricewaterhouseCoopers (PwC), divulgada ontem pela empresa em Davos, na Suíça. Nesta edição, a PwC consultou 1.258 empresas em 60 países, das quais 43 são brasileiras e representam todos os setores da economia. Dessas, apenas 5% esperam que o cenário externo melhore nos próximos 12 meses, contra 15% na média global. "Eu também não acho que vá melhorar", disse, ao Valor o presidente da PwC Brasil, Fernando Alves.

Também chama atenção o elevado grau de incerteza dos CEOs brasileiros sobre a situação econômica mundial. Enquanto na média global apenas 4% das empresas não sabiam ou escolheram não opinar sobre o ambiente internacional para este ano, no Brasil esse percentual atingiu 42%. A volatilidade do crescimento econômico é apontada por 58% das empresas brasileiras como possível ameaça à expansão dos negócios, à frente da inflação e da volatilidade da taxa de câmbio, ambas citadas por 56% dos CEOs ouvidos.

Para Alves, tanto o pessimismo como a incerteza maiores no Brasil são reflexo do recrudescimento da crise externa. "O Brasil acreditou que estava distanciado da crise, mas o aprofundamento da recessão na Europa nos faz revisitar as coisas porque isso impacta tanto a economia chinesa como a americana", afirmou. Ele observa que a demanda enfraquecida no velho continente reprime as exportações chinesas à Europa, o que diminui o crescimento do país asiático e, consequentemente, os embarques de commodities do Brasil à China.

  


Além disso, lembrou Alves, a União Europeia ainda figura entre os principais destinos dos embarques brasileiros, com uma fatia de 20,7% das exportações do país, atrás apenas da Ásia, que detém uma parcela de 29,9%. "O executivo percebe que o Brasil não é um mercado dissociado do mundo."

A crise na Europa foi mencionada por 49% das empresas brasileiras como evento significante que provocou mudanças de estratégia, gerenciamento de riscos e planejamento operacional. Também é o principal fator (citado por 60% delas) que afetou financeiramente essas companhias.

Apesar do cenário externo negativo, as empresas brasileiras ainda estão otimistas sobre o crescimento de suas receitas em 2012, mostrou a pesquisa da PwC. Dos executivos ouvidos, 42% se disseram "muito confiantes" no aumento do faturamento nos próximos 12 meses, contra 40% na média global. O percentual de companhias brasileiras confiantes, 51%, também é maior que o mundial (44%).

Segundo Alves, o resultado reflete um reposicionamento das empresas brasileiras para enfrentar a crise, que estão buscando ampliar sua atuação em mercados onde a presença do Brasil ainda é tímida. "O Brasil está paulatinamente olhando mais para fora", comentou. Todos os CEOs de empresas brasileiras consultados esperam que seus negócios aumentem na África e no Oriente Médio nos próximos 12 meses. Também há um claro interesse pela América Latina, citada por 83% dos empresários.

O mesmo raciocínio vale para as companhias de outros países, que, face ao enfraquecimento da economia na zona do euro, estão voltando cada vez mais seus olhares para os mercados emergentes. Nesse contexto, o Brasil ganhou destaque este ano na pesquisa da PwC: desbancou a Alemanha e a Índia e é o terceiro país considerado mais importante para a expansão de negócios em 2012, atrás apenas de China e Estados Unidos. Do total de 1.258 empresas consultadas, 15% citaram o Brasil como alvo para seus negócios nos próximos 12 meses. Os EUA representaram 22% das respostas e a China, 30%.

Em 2011, o Brasil estava em quinto lugar no ranking, com 11% das respostas, atrás da Índia e da Alemanha. Para Alves, o resultado deste ano é "uma medalha de bronze com significado de medalha de ouro", reflexo principalmente de uma maior estabilidade política e econômica, que acaba se transformando em vantagem competitiva.

O executivo também destacou a pujança do mercado interno brasileiro, uma taxa de crescimento respeitável - "que poderia ser muito maior" - o retorno obtido por investidores estrangeiros e o bônus demográfico do país, ou seja, uma população jovem que integrará a força produtiva no longo prazo. Assim, acredita Alves, o Brasil deve seguir como destaque nas próximas edições da pesquisa. "Temos performance e temos tamanho".

Por Arícia Martins | De São Paulo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Faz sentido o Brasil ajudar a Europa?

A China teria cogitado comprar toda a dívida da Grécia e, assim, evitar a debacle daquele país europeu. O propósito seria abortar, no nascedouro, o recrudescimento da crise financeira internacional. O crescimento da economia chinesa, graças ao modelo exportador, depende muito da economia mundial.

Os chineses teriam chegado à conclusão, no entanto, de que o socorro à Grécia teria consequências internas e geopolíticas imprevisíveis. No primeiro caso, as autoridades teriam dificuldade de explicar a ajuda ao seu próprio povo. Apesar da exuberância dos últimos anos, os chineses têm renda per capita muito inferior à média das economias avançadas e à da própria Grécia.

Segundo dados do FMI, a renda per capita da China é hoje de US$ 8,1 mil, menos da metade da brasileira (US$ 16,5 mil). No conceito de Paridade do Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), sobe para US$ 13,7 mil (ainda menor que a do Brasil, que é de US$ 15,1 mil). Os países avançados têm, respectivamente, renda per capita média de US$ 50,5 mil e US$ 46,5 mil. A Grécia, de US$ 30,9 mil e US$ 33,3 mil.
Do ponto de vista geopolítico, a compra da dívida grega deslocaria de Washington para Pequim o centro das grandes decisões políticas internacionais. Os chineses, evidentemente, querem chegar lá, mas possivelmente avaliaram que isso também traria consequências imprevisíveis para o seu já delicado equilíbrio político interno. Ser uma potência mundial acarreta custos, e é o caso de se pensar: o povo chinês já está em condições de arcar com esses custos?

Soa estranho o entusiamo de autoridades brasileiras com uma possível operação de ajuda financeira do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a economias europeias. A ideia, no caso brasileiro, seria diversificar a aplicação de reservas cambiais, comprando títulos de governos europeus.

O principal critério de aplicação de reservas é segurança e, por essa razão, o Brasil aplica a maior parte das suas em títulos to Tesouro americano, mesmo amargando uma situação insólita — o Tesouro capta recursos, grosso modo, à taxa Selic (12% ao ano) e compra papéis americanos de rentabilidade baixíssima (2% ao ano, no caso de títulos de dez anos).

O quesito segurança não é, neste momento, algo que se possa dar como certo no caso dos papéis emitidos por governos europeus, guardadas as honrosas exceções (Alemanha à frente). É verdade que a rentabilidade, por essa razão, vem tornando esses títulos mais atrativos — a Itália aceitou há pouco pagar 5,6% de juros ao ano em papéis de cinco anos.

Ao contrário do Brasil, a China acumula reservas a partir de excedentes fiscais. O governo gasta menos do que arrecada e usa a diferença para comprar divisas. Na experiência brasileira, o governo se endivida a um preço altíssimo para fazer o mesmo. Embora nove entre cada dez analistas reconheçam que, ao acumular reservas, o país criou um seguro anticrise, é forçoso admitir que isso é feito a um custo elevado.

Não faz muito sentido, portanto, o Brasil elevar o risco de aplicação de suas reservas para ajudar países europeus. Já é estranho o país subsidiar, com o suor dos brasileiros, o endividamento dos americanos, um povo 3,5 vezes mais rico.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Análise: Qualquer ajuda da China sairá a um custo alto para a Europa


Por Tom Orlik | Dow Jones Newswires
PEQUIM – As histórias de dois encontros de cúpula revelam o provável preço do apoio da China à Europa. Em 2008, uma raivosa China cancelou sua cúpula anual com a União Europeia por causa de um insulto político: o encontro do presidente da França, Nicolas Sarkozy, com o Dalai Lama. Desta vez, foram os europeus que pularam fora do compromisso – originalmente agendado para terça-feira – porque eles estavam muito ocupados em enfrentar sua crise da dívida.

O que não era tão claro há três anos, mas que hoje é bastante evidente, é que o equilíbrio de poder está mudando. As pesadas dívidas da UE e os fundos bolsos da China ajudaram a acelerar essa mudança no cenário.

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, e outros líderes chineses fizeram um tour pelo velho continente prometendo apoio à Grécia, Espanha e Itália nessa hora de necessidade. Mas fora alguns poucos dados inconclusivos e sugestões de autoridades europeias, que têm todo o interesse em alardear uma demanda por seus ativos, não está claro se a China realmente aumentou suas compras de títulos da dívida de países europeus.

A Administração Estatal de Câmbio – que administra as reservas internacionais da China – está focada em segurança em vez de retorno. Portanto, parece improvável que o país mergulhe de cabeça na dívida emitida por países europeus em dificuldade financeira.

Se a Europa quer receber uma verdadeira injeção de capital da China vai ter de colocar ativos reais, ou concessões políticas, à mesa.

Esse processo já está em andamento. Em julho de 2010, a chinesa Cosco, uma gigante estatal de navegação, assinou um contrato de arrendamento de 35 anos de um porto grego por US$ 4,2 bilhões. Para uma importante nação comercial, nada mais estratégico do que um porto.
Além de tijolos e argamassa, a China tem outros interesses. A designação como uma economia de mercado sob as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) pode estar no topo de sua lista, mas isto limitaria a capacidade da Europa de adotar ações contra a China em questões comerciais.

Wen já deixou escapar que o apoio da China para uma endividada Europa estaria atrelada a uma mudança da posição da UE nesta questão chave.

O fim do embrago europeu sobre vendas de armas à China, imposta desde o massacre de Tiananmem de 2989, pode parecer uma possibilidade mais distante. Mas as críticas da Europa ao histórico de violações aos direitos humanos da China estão mais amenas do que já foram. E no final de 2010 até mesmo circularam informes na imprensa europeia de que a chefe da diplomacia da EU Catherine Ashton teria estimulado os Estados membros a reverem esse embargo.

À medida que a desenrola a crise da dívida e a posição da China continua a se fortalecer, mesmo o que era impensável antes pode vir a entrar na mesa de negociação.
(Tom Orlik, da Dow Jones Newswires)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mitos da austeridade

PAUL KRUGMAN – O GLOBO

Quando eu era jovem e ingênuo, acreditava que pessoas importantes tomavam decisões baseadas em cuidadosa consideração das opções. Sei mais hoje. Muito do que as pessoas sérias acreditam se baseia em preconceito, não em análise.

E esses preconceitos são sujeitos a manias e modas. O que me traz ao assunto desta coluna. Nos últimos meses, temos assistido, com espanto e horror, à emergência em círculos políticos de um consenso em favor de imediata austeridade fiscal. Isto é, de alguma forma tornou-se senso comum que agora é tempo de cortar gastos, apesar de as principais economias mundiais permanecerem profundamente deprimidas. Esse senso comum não se baseia em evidência ou análise cuidadosa.

Em vez disso, repousa no que poderíamos caridosamente chamar de completa especulação, e menos caridosamente, de fábula na imaginação da elite política — especificamente, na crença no que passei a chamar de “vigilante invisível de títulos” e de “confiança imaginária”. Os vigilantes de títulos são investidores que tiram da tomada governos que percebem ser incapazes de pagar suas dívidas.

Não há mais dúvida de que países podem entrar em crise de confiança (veja a Grécia). Mas o que os advogados da austeridade argumentam é que: a) os vigilantes de títulos estão para atacar os EUA, e b) gastar qualquer coisa a mais em estímulo à economia vai fazer com que ataquem.

Que razão temos para acreditar que algo disso seja verdadeiro? Sim, os EUA têm problemas orçamentários de longo prazo, mas o que fizermos para estimular a economia nos próximos dois anos não terá quase impacto sobre nossa capacidade de lidar com esse problema. Conforme Douglas Elmendorf, diretor do Escritório Orçamentário do Congresso, disse recentemente, “não há contradição intrínseca entre prover estímulo adicional hoje, enquanto o desemprego é elevado e muitas fábricas e escritórios estão subutilizados, e adotar restrições fiscais vários anos mais tarde, quando a produção e o emprego estiverem provavelmente perto de seu potencial”.

Apesar de tudo, quase a cada mês somos informados que os vigilantes dos títulos chegaram e que precisamos impor austeridade agora, agora e agora, para aplacá-los. Há três meses, uma leve alta nos juros de longo prazo foi recebida com algo próximo da histeria: “Temor sobre dívida faz juros subirem”, foi a manchete do “Wall Street Journal”, embora não houvesse prova real de tais preocupações, e Alan Greenspan tenha considerado a alta um “canário na mina”.

Desde então, os juros de longo prazo caíram. Longe de fugirem dos títulos da dívida americana, os investidores evidentemente os veem como a aposta mais segura numa economia cambaleante. Ainda assim, os defensores da austeridade continuam garantindo que os vigilantes dos títulos vão atacar a qualquer momento se não cortarmos os gastos imediatamente. Mas não se preocupe: corte de gastos pode doer, mas a confiança imaginária levará a dor embora. “A ideia de que medidas de austeridade possam provocar estagnação é incorreta”, disse Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, recentemente. Por quê? Porque “medidas que aumentem a confiança vão ajudar, e não pre judicar, a recuperação da economia”.

Qual é a base para a crença de que a contração fiscal é de fato expansionista porque aumenta a confiança? (Por falar nisso, esta é precisamente a doutrina exposta por Herbert Hoover, em 1932.) Bem, houve casos históricos de cortes de gastos e aumento de impostos seguidos de crescimento econômico. Mas, tanto quanto eu possa afirmar, cada um desses exemplos prova, num exame mais cuidadoso, que os efeitos negativos da austeridade foram ofuscados por outros fatores, de pouca relevância hoje. Por exemplo, a era de austeridade com crescimento na Irlanda, nos anos 80, dependeu de uma drástica inversão de déficit para superávit comercial, estratégia que não pode ser adotada por todos ao mesmo tempo.

Os atuais exemplos de austeridade são tudo, menos encorajadores. A Irlanda foi um bom soldado nesta crise, implementando cortes de gastos selvagens. Sua recompensa foi um tombo em nível de Depressão — e os mercados financeiros continuam a tratar o caso como um sério risco de calote. Outros bons soldados, como Letônia e Estônia, foram ainda mais longe nas medidas restritivas — e, acredite ou não, sofreram tombos maiores em produção e emprego do que a Islândia, que foi forçada, pela escala de sua crise, a adotar medidas menos ortodoxas. Desta forma, da próxima vez que você ouvir pessoas sérias explicando a necessidade de austeridade fiscal, tente analisar seu argumento.

Quase certamente, descobrirá que o que soa como realismo repousa numa fantasia, na crença de que os vigilantes invisíveis vão nos punir se formos maus e a confiança imaginária vai nos recompensar se formos bons. E a política do mundo real — que prejudicará as vidas de milhões de famílias de trabalhadores — está sendo feita sobre essa fundação. Somos advertidos que os “vigilantes invisíveis de títulos” preparam ataque aos EUA

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Jefe de inteligencia british contaba su vida por Facebook (espanhol)


La seguridad nacional inglesa se puso a prueba tras conocer que el nuevo jefe de Inteligencia y capo del MI6, John Sawers, contaba todos los datos de su vida a través de Facebook. En la red social subía fotos de su familia, videos íntimos y datos personales como su dirección, hijos y amigos, además de poner sus estados de ánimo.
Agentes investigaron al jefe, pero se dieron cuenta que el creador de la página era la esposa de Sawers.

Veja aqui

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Comparações transatlânticas: em que os europeus se enganam a respeito dos americanos? - in which the Europeans are wrong about the Americans?


Muitos europeus pensam que os Estados Unidos são cheios de maníacos com armas na cintura e idiotas analfabetos. Na segunda parte da série sobre diferenças transatlânticas, o historiador americano Peter Baldwin mostra que os europeus se enganam totalmente a esse respeito - e em relação a muitos outros fatos sobre os Estados Unidos.

Num ensaio em três partes para a Spiegel Online, o historiador americano Peter Baldwin argumenta que os EUA e a UE são muito mais semelhantes do que imaginam. Você pode ler a primeira parte desse ensaio aqui.

Quando comparado com a Europa, o estado de bem-estar social dos EUA é frequentemente considerado miserável e subdesenvolvido. E isso é verdade, se o parâmetro for a Suécia ou a Alemanha. Mas se olharmos para a variedade de políticas sociais em toda a Europa, surge um quadro diferente.

É claro, os EUA não têm um sistema de saúde pública universal - o filme "Sicko", 2006, de Michael Moore, garante que ninguém se esqueça disso. Cerca de 15% da população americana não tem um plano de saúde.

Não há dúvida de que não ter assistência médica é injusto e brutal, nem de que a falta de uma cobertura universal de saúde é o problema mais urgente para a política interna americana. A verdadeira desgraça do sistema de saúde americano é que a mortalidade infantil é maior do que em qualquer lugar da Europa. O presidente Obama parece determinado a não deixar a crise financeira adiar sua promessa de melhorar o acesso aos planos de saúde.

Na íntegra aqui