quarta-feira, 4 de maio de 2016

A fabulosa farsa de “Lula, o maior criador de universidades do mundo”.



A fabulosa farsa de “Lula, o maior criador de universidades do mundo”. Ou: desmonto com números essa mentira. Ou ainda: a ignorância é mais veloz que a luz


“Para a democracia funcionar, deve estar (…) protegida de usurpadores que se pretendem representantes absolutos do bem sobre a Terra.”

São palavras do vereador Francisco Telles, de Dois Córregos, ao saudar o título de Cidadão Emérito que recebi. Esta é a minha tarefa: contestar os “absolutistas”, que só podem existir como tal recorrendo à mentira. Eu os contesto com fatos. À diferença do que fazem crer os setores áulicos da imprensa, a Educação, no governo Lula, é uma das áreas em que se andou para trás. Mais tarde, escrevo mais a respeito. Agora, quero contrapor OS FATOS a um discurso que Lula fez hoje em Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Falando a uma platéia de quase dois mil estudantes, afirmou que, no dia 31 de dezembro, último dia de seu mandato, será o homem “mais feliz do mundo”. E emendou, naquele seu doce e habitual obscurantismo: “Eu vou olhar para mim e dizer que não tenho curso superior, mas fui o presidente que mais abriu universidade no Brasil.” Lula estava na cidade para inaugurar quatro prédios da Universidade Federal de Dourados.

Muito bem! Isso é o que Lula diz. Agora há os fatos — e o que segue abaixo é elaborado com dados do próprio Ministério da Educação.


1 – Lula afirma por aí ter criado 13 universidades federais. É mentira! Com boa vontade, pode-se afirmar que criou apenas seis; com rigor, quatro. Por quê? A maioria das instituições que ele chama “novas universidades” nasceu de meros rearranjos de instituições, marcados por desmembramentos e fusões. Algumas universidades “criadas” ainda estão no papel. E isso, que é um fato, está espelhado nos números, que são do Ministério da Educação;

2 – Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 – seis anos de mandato de Lula;

3 – Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);


4 – Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;


5 – Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;


6 – O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;


7 – Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.

8 – Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina “companheira”. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 – 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;

9 – No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.

Voltarei a este tema mais tarde para abordar outras “conquistas” do Ministério da Educação. O que vai acima não é assim porque eu quero. É assim porque esses são os números. Mas vivemos os tempos do aspismo. E, infelizmente, o jornalismo online — também estou nele, mas reconheço os problemas — tem sido útil aos mentirosos. Antigamente, o jornalista tinha ao menos tempo de verificar se os números lançados ao vento eram ou não verdadeiros. Agora, corre-se para ser o “primeiro” a pôr a fala de uma autoridade no ar. E a mentira se propaga. É verdade que muitos repórteres poderiam recorrer ao Google e aos arquivos dos jornais e desfazer a farsa na hora. Mas poucos se dão ao trabalho. Nesse caso, por exemplo, só o Google não resolve.

A menos que o Ministério da Educação corra para maquiar os números, a verdade é essa que segue acima, não o que disse Lula em seu discurso. Telefonei para o ex-ministro da Educação e atual secretário da área em São Paulo, Paulo Renato, para comentar a fala do presidente:
“O Lula é um usurpador de obras passadas e futuras; toma para si o que outros fizeram e também o que outros ainda farão depois dele; algumas das suas universidades estão apenas no papel e ainda têm de ser criadas”.

Obscurantista
Muito bem! A farsa histórica está desmontada. Encerro comentando a undécima fala em que Lula faz a apologia da ignorância. Jactando-se de ser o maior criador de universidades do mundo — o que, sabemos, é mentira! —, orgulha-se de não ter curso superior, anunciando ao mundo a irrelevância não de um diploma, mas do estudo. É evidente que Lula, ao tentar destacar o que seria uma contradição — o não-universitário que cria universidades — , acaba estabelecendo uma relação de causa e efeito: porque ignorante, decidiu investir nas luzes. Logo, as luzes se transformam num apanágio da ignorância.

O efeito prático disso é que a ignorância se propaga já que, infelizmente, se move numa velocidade superior à da luz.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Cassado em 2005, Roberto Jefferson volta à Câmara para defender impeachment


Roberto Jefferson. Foto Arquivo / Marcello Casal Jr./ ABr


Onze anos depois de ter o mandato cassado, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) voltou nesta quarta-feira (6) à Câmara para defender a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Delator do mensalão e condenado a mais de sete anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após o julgamento da Ação Penal 470, Jefferson prometeu “trabalhar duro” para unir o PTB a favor do afastamento de Dilma.


Militante da chamada tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor Mello, cassado em 1992, Jefferson disse hoje que Dilma não tem mais condições de se manter à frente do país. “O governo acabou politicamente e moralmente. Não há condições mais de ela [Dilma] continuar à frente do governo. Como não temos um regime parlamentarista, vamos para o impeachment”, argumentou.


Conhecido por suas frases de efeito, Jefferson disse que o colega de partido Jovair Arantes (GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, fez “um golaço de rasgar a rede” ao defender o prosseguimento do processo de afastamento. “Ele merece um troféu”, disse.


Para o ex-deputado, a batalha pelo impeachment não será fácil. “É uma luta do dia a dia, tem que ser buscada, não é uma luta fácil.”
Eduardo Cunha


Na avaliação do Roberto Jefferson, as acusações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o fato de o deputado ser réu em ação no STF não inviabilizam o trabalho do peemedebista à frente da sessão que votará o impeachment. “Ele conhece profundamente o regimento interno e tem dado um show de interpretação, de bom senso na aplicação. Está indo muito bem”.


Segundo Jefferson, Cunha trava uma batalha contra o PT, da qual vai sair vitorioso. “Ele vai vencer o duelo. O Lula [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva] nunca esperou encontrar um pistoleiro tão bom quanto ele: rápido de gatilho, que atira pelas costas, atira na tocaia, rouba no jogo de pôquer, assalta o banco da cidade. O Lula nunca esperou encontrar um pistoleiro a altura dele. Ele [Cunha] é o meu herói”, ironizou.
Eleições Gerais


Em relação à proposta de realização de eleições gerais ainda este ano, defendida pela ex-senadora e ex-candidata à Presidência Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e lideranças do PMDB, Jefferson disse acreditar que isso “enfraquece” o movimento pelo impeachment.


“Como ela [Marina Silva] é próxima ao PT e quer herdar parte dos eleitores do PT, está fazendo esse discurso, que é ruim e enfraquece essa decisão do Congresso, da sociedade de colocar um ponto final, um basta ao desgoverno do PT”.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Duas instituições perdem a cabeça, para defender a Lula e Dilma



Sai um e entra outro. 


Na defesa do PT mudam os atores, Instituto Lula fica de escanteio e entra a AGU,
Advocacia-Geral da União, ou melhor, o Advogado Geral da Dilma, José Eduardo Cardozo. Ele assume por enquanto não encontrem seu nome arrolado no Lava Jato. 


Entretanto, cabe lembrar que as duas instituições não foram criadas para cumprir as desonrosas  missões que estão realizando. 

A conferir!


sábado, 2 de abril de 2016

Para Renan, Temer errou ao forçar rompimento do PMDB com governo





Michel Temer errou e passou a correr riscos desnecessários ao forçar a mão para que o PMDB rompesse com o governo, acelerando o processo de impeachment. A opinião é do presidente do Senado, Renan Calheiros, que chegou a dizer a outros parlamentares que o vice-presidente "foi muito burro".

RISCO
Calheiros diz que, ao se colocar como contraponto de Dilma Rousseff, o vice se posicionou na linha de tiro e atraiu para ele os ataques dos que são contrários ao impeachment. Disse Calheiros aos senadores que, em Alagoas, seu Estado natal, 80% eram a favor da saída da presidente. Mas, com Temer do outro lado da linha, o entusiasmo das pessoas esmoreceu.

RISCO 2
Michel Temer teria também "enchido a caneta" de Dilma de tinta, abrindo espaço para que ela fizesse centenas de nomeações para atrair aliados em cargos antes ocupados pelo grupo do vice no governo.

O MINEIRO
O presidente do Senado acha que Temer deveria ter agido como Itamar Franco, vice que assumiu a Presidência no lugar de Fernando Collor depois do impeachment, na década de 1990: o mineiro ficou nas sombras e esperou o governo cair no colo dele.

O BAIANO
Jaques Wagner, ministro-chefe do gabinete pessoal de Dilma, defende que o PMDB fique com apenas dois ministérios no governo, abrindo ainda mais espaço para partidos menores que se declarem fiéis ao governo. Kátia Abreu, da Agricultura, por exemplo, deixaria o cargo, já que não tem influência na Câmara dos Deputados, onde o impeachment da presidente será decidido.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Os acovardados irão receber pagamento pela proteção ao Lula


Cláudio Humberto - Diário do Poder


01 DE ABRIL DE 2016
ACORDÃO QUER LIVRAR POLÍTICOS DE MORO, COMO LULA
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de blindar Lula do rigoroso juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, criou o precedente que o governo queria. O Palácio do Planalto trabalha há semanas em um “acordão” com setores da Justiça, para que políticos sem mandato (e sem foro privilegiado), como o ex-presidente, flagrados na gatunagem da Petrobras, sejam julgados no STF e não por Moro.


‘CONCILIAÇÃO’, O PRETEXTO
Ministros do PT juram que o objetivo do acordão não seria livrar os políticos de condenações, mas abrir caminho à “conciliação nacional”.


MOTIVO REAL DO CONCHAVO
Como Lula, vários ex-deputados e ex-ministros, atualmente sem foro privilegiado, têm medo de ser julgados pelo juiz Sérgio Moro.


MÃO PESADA DE MORO
Como Lula, o Planalto acha que o juiz federal criminal Sergio Moro, ao contrário dos ministros do STF, condena à prisão sem hesitações.


MINISTRO FUX AVISOU
O risco de precedente, pelo qual o Planalto se empenhava, aberto ontem com a blindagem de Lula, foi citado no voto do ministro Luiz Fux.





quinta-feira, 31 de março de 2016

Produção de castanhas alia renda e preservação


No coração da Amazônia peruana, as castanheiras se destacam, soberanas, na floresta densa. 


Max Milligan/The Body Shop

Por Andrea Vialli
Valor Econômico 

No coração da Amazônia peruana, as castanheiras se destacam, soberanas, na floresta densa. É o final da estação chuvosa, período em que a safra da castanha amazônica está em seu auge. De uma altura de até 60 metros, as árvores derrubam seus frutos, os ouriços ­ que, graças à sua grossa casca, resistem intactos até a colheita. Os ouriços são abertos com facões pelos extrativistas e revelam de cinco a dez castanhas, que são acondicionadas em grandes fardos de 75 kg na própria mata e dali seguem em uma logística complexa, que inclui homens fortes, tratores e barcos, até a cidade de Puerto Maldonado, principal centro urbano da região de Madre de Dios, sudeste do Peru, onde são beneficiadas.

A intrincada cadeia de fornecimento da castanha amazônica ­ conhecida pelo restante do mundo como castanhado­Brasil, embora também floresça no Peru e na Bolívia ­ une gente simples da floresta a gigantes do mercado de cosméticos, ávidas por insumos da biodiversidade dos trópicos.

Com habilidade para unir essas duas pontas, a Candela Perú, uma empresa de porte médio fundada em 1989, tornou­se uma referência em negócios sociais no país. Inicialmente criada com o intuito de comercializar artesanato e produtos típicos peruanos com o restante do mundo, suas atividades começaram a mudar com o avanço do desmatamento e do garimpo ilegal de ouro na Amazônia peruana. A partir daí, a Candela Perú voltouse para o fomento do extrativismo sustentável, com o objetivo de atrair os pequenos produtores para a produção de castanhas e desestimular o corte de madeira.

No Peru, as áreas de florestas são de propriedade do Estado, mas o governo destina concessões de uso da terra por até 40 anos a pequenos proprietários, que devem se comprometer a utilizar as áreas para pequenas lavouras e extrativismo. Nesse cenário, a Candela Perú passou a trabalhar diretamente com os concessionários, que se tornaram os principais fornecedores da empresa. Desenhou uma estratégia em sintonia com o movimento fair trade (comércio justo), que começava a ganhar força na Europa e tem como princípio a correta remuneração dos agentes produtores, além da prática de pagar adiantado 50% do valor da produção estimada para a safra.

Um dos objetivos da Candela era eliminar os intermediários da cadeia produtiva da castanha, para que os extrativistas pudessem receber um preço mais justo pelo produto. "Iniciamos as atividades como uma organização sem fins lucrativos, agrupando potenciais fornecedores e buscando compradores para os produtos da

floresta de origem não madeireira", relembra Gastón Vizcarra, presidente e co­fundador da Candela ao lado da esposa Guadalupe Lanao, gerente geral da empresa.

A etapa seguinte foi agregar certificados de produção orgânica, que também permite maior valorização no preço do produto, e buscar compradores que demandassem grandes volumes. O grande passo nessa direção foi dado em 1991, em uma viagem à Inglaterra, quando os donos da Candela Perú souberam do interesse da marca inglesa de cosméticos The Body Shop, famosa por utilizar ingredientes de comunidades tradicionais em sua cadeia de suprimentos, nos ativos da região amazônica. Em pouco tempo nascia uma relação comercial das mais robustas e duradouras.

A Candela Perú tornou­se a única fornecedora de óleo de castanhas para a marca, que utiliza o insumo em 40 produtos diferentes, como xampu, sabonetes e hidratantes. Em 2015, das 35 toneladas de óleo de castanhas produzidas pela Candela, um total de 30,4 toneladas foram compradas pela The Body Shop.

Outras empresas do segmento de cosméticos também compram o óleo de castanha, como a inglesa Lush, mas em volumes menores. "Conseguimos nos tornar um elo entre os extrativistas e os grandes compradores, com garantia de um padrão internacional de qualidade e preço justo", diz Guadalupe Lanao, gerente geral da empresa.

O contrato com a The Body Shop garantiu volume firme de compra e deu novo impulso à produção, permitindo agregar mais fornecedores ao longo do tempo. Hoje a Candela Perú compra as castanhas colhidas por 158 concessionários de reservas extrativistas da região de Madre de Dios, e criou um programa para envolver os castaneros ­ como são conhecidos os extrativistas ­ em boas práticas socioambientais, o que inclui treinamento sobre manejo dos recursos florestais, evitar a prática de caça, ainda comum na região, e o fogo em áreas de roçado.

A castanheira necessita do ecossistema preservado para continuar produzindo ­ sua polinização, por exemplo, é feita por uma espécie de abelha que só é encontrada em áreas de floresta primária. A dispersão das sementes também só é possível graças a um roedor endêmico da região amazônica. Na prática, a demanda firme para a castanha produzida na região contribui para a redução do desmatamento seguido de queimadas, comum em toda a Amazônia.

"Estimamos que as compras de óleo de castanha ajudaram a proteger 8.570 hectares de florestas na região de Madre de Dios. É um impacto significativo por tratar­se de uma relação comercial, não de um projeto filantrópico", diz Cristina Archer, responsável pelas cadeias de suprimento sustentáveis da The Body Shop.

Com um faturamento de US$ 5,7 milhões em 2015, a Candela Perú hoje é uma empresa de médio porte fortemente dependente da cadeia da castanha, que responde por nada menos do que US$ 4,9 milhões das vendas.

As duas plantas industriais ­ em Puerto Maldonado e Lima ­ empregam 99 trabalhadores, a maioria mulheres. Elas respondem por 75% da força de trabalho da empresa: na unidade de Puerto Maldonado, que recebe as castanhas diretamente dos concessionários, as mulheres dominam o minucioso processo de seleção das castanhas. Em geral, as inteiras e graúdas são destinadas a exportação; as menores e ainda inteiras, para o mercado interno e produtos beneficiados, como azeite e farinha; e as quebradas, para a produção do cobiçado óleo.

Segundo Vizcarra, o potencial de diversificação dos negócios é grande, e a empresa quer crescer apostando em outros insumos da biodiversidade amazônica. "Estamos estudando o mercado e a viabilidade econômica para ativos como buriti, copaíba, cupuaçu e murumuru. Assim como a castanha, eles podem ser explorados em cadeias sustentáveis", diz o fundador da Candela Perú.

A jornalista viajou a convite da The Body Sho


LONDON LONDON










OLHARES






Olha ela
Ela olha
 Olho nela
   Olha ele...
 Nela olha
 Olhe ela!

Maria Delmond

Imagem:Olga Zavershinskaya | Geometria 
Fine Art Photography 
Galeria de Arte AFK, Lisboa 

Carlos Maneschy filia-se ao PMDB e será o candidato à PMB



Reitor da UFPA filia-se ao PMDB (Foto: Divulgação)
Carlos Maneschy (centro) assinou a sua filiação diante do ministro Helder Barbalho e do vice-presidente do PMDB, Romero Jucá (Foto: Divulgação)
O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Carlos Maneschy assinou ontem, em Brasília, sua ficha de filiação ao PMDB do Pará. O evento foi organizado pelo ministro dos Portos, Helder Barbalho, que é o presidente interino do partido no Estado. O vice-presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá homologou a filiação de Maneschy. Também participou da cerimônia o ex-ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha.

Para o ministro Helder Barbalho, a entrada de Maneschy no partido representa um engrandecimento para o PMDB paraense. “O professor Maneschy chega ao partido trazendo sua experiência acadêmica e administrativa”, afirma Helder Barbalho. Segundo o ministro, Carlos Maneschy vai contribuir com a construção de um projeto de governo para Belém.

“Nosso intuito é fortalecermos o PMDB para que o partido apresente um projeto para a capital que esteja à altura das necessidades da população”, diz Helder. Maneschy vai conduzir a UFPA até 2 de junho. De acordo com o reitor, sua entrada no PMDB pode contribuir para melhorar o quadro político do partido. “O que ofereço para a população paraense é a minha experiência administrativa e de gestão”, reforça.

CONTRIBUIÇÃO

A chegada de Maneschy ao partido foi também comemorada por outros peemedebistas. A deputada Simone Morgado lembrou que o reitor é um dos melhores quadros paraenses. Segundo ela, a política clama por pessoas que possam de fato contribuir para a melhoria de vida da população. “É uma grande honra fazer parte de uma equipe que passa a contar com um dos melhores nomes do Pará”, comemora Morgado.

(Luiza Mello/Diário do Pará)

terça-feira, 29 de março de 2016

A voz da rua


Dilma conseguiu construir, tijolo por tijolo, a sua ruína. Não claro, sem a preciosa ajuda de seu mentor. Por sobre toda a sua arrogância ela se achava intocável, blindada por uma carcaça protetora que ambos acreditavam inviolável: a inoxidável popularidade de Lula, que a esta altura já virou fumaça. Com uma capacidade absurda para atravessar a rua para pisar em cascas de bananas, Dilma comprou brigas que não eram suas apenas pelo gostinho de escorregar repetidas vezes em problemas que não precisava ter. Fim melancólico para uma cleptocracia que tão mal fez ao Brasil!

domingo, 27 de março de 2016

Mara Gabrilli renova o sonho de voltar a andar após conseguir mexer braços











Zanone Frassat/Folhapress Mara Gabrilli
Mara Gabrilli, 48, move sutilmente o braço e faz a mão empurrar uma alavanca que põe sua cadeira de rodas para andar, na sala de seu apartamento. Um gesto pequeno para quem vê, mas gigantesco para ela.

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Tetraplégica há 21 anos, por causa de um acidente de carro, a deputada federal pelo PSDB-SP começou há alguns dias a ir ao Congresso na cadeira nova, que ela mesma pilota. Até então, dependia de alguém para empurrá-la. "Me sinto como uma criança que descobre o mundo."

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"Ué, como de repente ela tá se mexendo?" é uma pergunta que ela tem ouvido. Mas a verdade é que não foi tão rápido assim. As conquistas aconteceram aos poucos, de cinco anos para cá. A região dos ombros, por exemplo, antes era imóvel e começou a ficar mais solta. "Eu já via avanços. Os outros é que não estavam muito ligados", diz ao repórter Joelmir Tavares.


O tratamento que resgatou parte dos movimentos envolve dois pilares: aplicação de choques, a chamada eletroestimulação, e exercícios que ela faz com cordas, tiras de tecido e suportes para ficar em pé.

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Numa manhã ensolarada de segunda-feira, antes de viajar para Brasília, ela inicia mais uma sessão das atividades. Para os choques, que contraem os músculos, uma de suas três funcionárias gruda eletrodos na pele dela e aciona um aparelho.

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No caso das pernas, uma assistente a segura por trás, em pé. "Brinco que elas é que tinham que pagar pra trabalhar comigo. Eu sou uma academia!" Com a eletricidade, as coxas ficam "uma tora", enrijecidas. "Rola uma serotonina forte", diz, rindo.

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"Foram anos e anos dando choques sem ter nenhum resultado visível. Mas eu acreditava que lá dentro tava acontecendo alguma coisa." A primeira vez que teve força suficiente para deslocar a cadeira foi no fim do ano passado. "A sensação foi de 'conseguiii!' [risos], uma felicidade muito grande. E me senti desafiada a continuar praticando." Tem treinado mais o braço direito, que não responde tão bem quanto o esquerdo.

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Parte dos fisiatras e fisioterapeutas, afirma ela, não prescreve a eletroestimulação. "Dizem que não promove movimento, que não tem serventia. Só que eu sempre achei que tinha. Que era melhor contrair uma vez por semana do que nunca."

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Mara cria os próprios exercícios com base no que aprendeu com especialistas desde que parou de se mexer do pescoço para baixo. Diz conhecer seu corpo melhor que ninguém. Com "físico de atleta", controla a alimentação e toma 60 suplementos por dia.

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A malhação é ao som de música agitada. No teto da sala e da varanda estão pendurados os suportes: cordas nas quais ela se amarra para executar posições de ioga e de pilates; um suporte de ferro em formato de cabide que desliza em um trilho; molas com tiras na ponta onde fica com as mãos suspensas, balançando pela ação da gravidade.

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"Agora eu até tenho esse negócio [para segurar a mão], mas antes a costureira fazia com pano, tiara de cabelo. É prego e elástico. Não tem segredo. Basta criatividade." Ela, que exibe nas redes sociais a rotina de duas horas diárias de exercícios, tenta mostrar as alternativas. "Dá pra ficar em pé com um aparelho nacional de choque que custa R$ 700", exemplifica.

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De família abastada, ela viaja aos EUA para fazer tratamentos, mas também utiliza serviços do SUS e da AACD. "Tenho consciência de como seria se tivesse nascido numa família pobre. Tudo que não teria, que não conseguiria."

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Mara é do tipo de pessoa que encara a vida com bom humor, acredita na ciência e não descrê da espiritualidade. "O primeiro livro que me deram na UTI depois que eu quebrei o pescoço foi 'A Cura Quântica', de Deepak Chopra. Ele explica como transformar energia em matéria, fazer pensamento virar condução elétrica, neurônio. Li, fechei o livro e comecei a trabalhar."

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Hoje em dia, ao encher os pulmões para se exercitar, relembra o medo que sentiu naquela época, quando ficou alguns meses respirando com a ajuda de aparelhos. "Parecia uma eternidade. E eu não falava, porque tinha feito traqueostomia. Minha grande conquista foi não precisar ficar presa na tomada. Me sinto muito poderosa por respirar. É a única coisa que faço sozinha, além de falar."

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Apesar de precisar de ajuda o tempo todo, ela faz o possível para o corpo não esquecer os gestos. A assistente que leva comida e água à boca de Mara segura junto a mão dela, simulando o movimento. O mesmo acontece no banho e ao escovar os dentes. A deputada ainda não é capaz, por exemplo, de levantar o braço.

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Em Brasília, faz pressão por um atendimento melhor para pessoas com deficiência. Circula pelo plenário de pé, presa pelo cinto ao encosto da cadeira, que fica na vertical. "O povo fala que eu empino carroça!", diverte-se.

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Quase na hora de sair de casa, ela é colocada na cadeira e pilota pela sala cheia de imagens de Buda ("Comprei uma e aí todo mundo começou a me dar de presente").

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Mara já estava mexendo os braços quando, neste ano, seguiu a dica de um amigo e começou a frequentar o centro do médium João de Deus, em Abadiânia (GO). "Você pode acreditar no que for, mas aquilo ali é muito forte."

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Durante sua cirurgia espiritual, soube que era o médico Oswaldo Cruz (1872-1917) incorporado no médium. Depois foi pesquisar e se surpreendeu: o sanitarista nasceu em São Luiz do Paraitinga (SP), mesma cidade onde ela sofreu o acidente em 1994, numa rodovia batizada com o nome de Oswaldo Cruz. "Pode ser coincidência, mas..."

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Deitada na maca, sob as ordens de João de Deus, ela conseguiu levar o braço até a barriga. "Ele falava: 'Vai, mexe o braço. Vai! Olha o tamanho da fila esperando!'. Assim, brigando comigo", diz ela, aos risos. "Acho importante arriscar. Porque, se eu tivesse o medo de me frustrar, eu não teria nem começado."

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Perseverante, Mara ganhou motivos para fermentar a esperança de voltar a andar. "Tenho a teimosia de acreditar nas informações que vêm do meu corpo. Nunca achei que eu tivesse um problema irreversível. Se aconteceu no braço, por que não pode acontecer na perna?"

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E segue: "Uma pessoa que fica tetra ouve: você vai ter ferida, ficar deprimido, nunca mais vai sentir, nunca mais isso, nunca mais aquilo. Foram esses os avisos que eu recebi. A única diferença é que o fofo do cirurgião falou pra mim que eu tinha 1% de chance de voltar a me mexer. Eu disse: 'Ah, valeu. Então tô no lucro'"

domingo, 20 de março de 2016

Ciro diz que não quer repetir o que Lula fez: "vender a alma, beijar a cruz, se cercar de bandidos". "



O pré-candidato à Presidência da República em 2018 pelo PDT, Ciro Gomes, deu mais uma daquelas entrevistas "sinceronas". Ao jornal O Dia, ele criticou a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil.

"Esse é o maior erro da História da República, desde que eu milito na luta política há 30 anos", opinou.

Para Ciro, a posse de Lula denota manobra para fugir da primeira instância da Justiça, onde a Operação Lava Jato começou.

"Ainda que não seja, [a ida de Lula para a Casa Civil] parecerá um constrangimento absolutamente gravoso ao Supremo Tribunal Federal. Ainda que não seja, parecerá que Lula estava querendo fugir de um juiz severo entre aspas [Sérgio Moro] para, presumindo impunidade, se abrigar na jurisdição do Supremo."

sábado, 19 de março de 2016

Agência de Inovação da UFPA - UNIVERSITEC arrecada mantimentos para crianças em tratamento de câncer


Ação arrecada doações para crianças em tratamento no Ophir Loyola.
Voluntários podem doar mantimentos até o dia 23 de março.


A Universidade Federal do Pará arrecada mantimentos para as crianças em tratamento de câncer hospedadas na Casa Ronald McDonald, em Belém. A campanha, realizada pela Agência de Inovação Tecnológica da UFPA, busca recolher o que de mais urgente as crianças em tratamento de câncer estão necessitando: copos descartáveis, vinagre, óleo de cozinha e ovos. As doações podem ser feitas até o dia 23 de março, na UFPA. O material será entregue no dia 24.

A Casa recebe dezenas de crianças vindas do interior do Pará para fazer o tratamento de câncer no Hospital Ophir Loyola. Atualmente, 35 famílias de baixa renda vivem no local. “O câncer é a segunda causa de morte em crianças e adolescentes, na faixa etária de 1 a 19 anos, perdendo apenas para causas externas, como acidentes e violência”, ressalta Rachel Gribel, presidente da Casa Ronald McDonald Belém.

“Precisamos destes materiais básicos, porque consumimos bastante para fazer bolos, pudins e outros doces que ajudam na recuperação das crianças, porque a radio e a quimioterapia queimam o esôfago das crianças, e esses alimentos contribuem para a recuperação”, explica.

Para Gonzalo Enríquez, diretor da Universitec, a parceria inaugura uma plataforma de apoio social. “Com estas parcerias como a do Instituto Ronald McDonald, a Universitec lança sua primeira plataforma de apoio a obras sociais no estado do Pará. De fato, a Universitec incorpora na sua agenda a responsabilidade social como parte das suas ações junto à comunidade”, declarou.

Acolhimento
A Casa é administrada pela Associação Colorindo a Vida, que desenvolve um trabalho psicossocial no acolhimento de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, e de seus acompanhantes.

A casa possui 35 suítes e diversos espaços de convivência. Metade dos recursos do abrigo é proveniente do Instituto Ronald McDonald, e a outra metade vem de doações. O espaço é gratuito e atende diretamente as famílias encaminhadas pelo Hospital Ophir Loyola.

Atualmente, o Instituto mantém no Pará dois programas - a Casa Ronald McDonald, que abriga crianças e adolescentes de 0 a 19 anos vindos do interior do Estado - e o Programa Diagnóstico Precoce.

O Ajude Com Palavras, empresa incubada no PIEBT (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da UFPA) da Universitec, atua na Casa Ronald McDonald. As crianças e adolescentes em tratamento de saúde recebem, diariamente, mensagens motivacionais exibidas em telas distribuídas no local. São frases apoio de internautas de diversas partes do mundo.

“A força do projeto dentro de uma sala de tratamento é enorme. As frases de acolhimento ajudam no processo de tratamento, elevam a autoestima não só dos pacientes, como dos acompanhantes”, diz Alex Lobato, criador do projeto já implantado em Belém, em Brasília e no Rio de Janeiro.

Serviço
As doações podem ser entregues no prédio da Agência de Inovação Tecnológica da UFPA – Universitec, no campus Guamá. Telefone : (91) 3201-8022. O material também pode ser entregue na Casa Ronald Mcdonald Belém, localizada na Rua Mariano, nº 123, esq. c/ Av. João Paulo II – Castanheira – CEP: 66.645-415. Telefone: (91) 3243-2881 / 3081-5130.


sexta-feira, 11 de março de 2016

China deve destinar US$ 1 bilhão para área de Ciência e Tecnologia no AM

Anúncio foi feito nesta terça (19), durante visita do premiê chinês ao Brasil.China e AM devem firmar parceria para projetos estratégicos, diz governador.




O Amazonas deve receber recursos de aproximadamente US$ 1 bilhão do governo da China. O anúncio foi feito nesta terça-feira (19), durante visita oficial do primeiro-ministro chinês Li Keqiang, em Brasília. O governador José Melo, que participou do encontro com o premiê, informou que o acordo visa financiar projetos na área de ciência, tecnologia e inovação.

O governador do Amazonas destacou que, além dos acordos bilaterais Brasil e China, o Estado será beneficiado com a parceria dos governos chinês e amazonense para projetos estratégicos.

De acordo com a Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom), na próxima quinta-feira (21), José Melo deve assinar em Manaus um protocolo de intenções com o governo chinês que irá permitir financiamento para projetos do Governo Estadual, entre eles a continuidade da construção do campus da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), obras de duplicação da rodovia AM-010 e o incentivo à criação e produção de peixes em cativeiro.

Plano de Ação Conjunta 2015-2021
Brasil e China assinaram acordos no valor de cerca de US$ 53 bilhões, que envolvem uma série de projetos de investimentos nas áreas de energia, mineração, construção de infraestruturas e manufaturas.

José Melo participou de encontro com o primeiro-ministro da China, Li Keqiang (Foto: Roberto Carlos/Secom)

Entre os projetos, estão um acordo entre a Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China que criará um fundo de US$ 50 bilhões para o fortalecimento de opções de financiamento para projetos de infraestrutura no país; acordo de cooperação de desenvolvimento com crédito de US$ 10 bilhões para a Petrobras para atividades do pré-sal; e acordo para estudos de viabilidade da ferrovia transcontinental.

Melo ressaltou a importância da captação dos investimentos por parte do governo brasileiro. "Esses recursos e cooperações técnicas são muito importantes. O Brasil passa por um momento de ajuste para que a economia internacional possa voltar novamente com os investimentos necessários. Vão ser injeções fundamentais na nossa economia, prevendo um horizonte de crescimento para os próximos anos", disse, por meio de assessoria de comunicação.
G1.

terça-feira, 8 de março de 2016

Carta à Comunidade Universitária da UFPA do Reitor Carlos Maneschy





CARTA À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA

Nos últimos meses tem ganhado ampla repercussão meu desejo de enfrentar um desafio político-eleitoral que, caso concretizado, obriga-me a renunciar ao cargo de reitor da UFPA até a data de 2 junho.
Na circunstância da renúncia, contrariamente às expectativas manifestadas dentro e fora da comunidade universitária, o vice-reitor não assume a Reitoria para complemento do mandato atual, que se encerra em 2 de julho de 2017.

Pela legislação em vigor (Lei nº 9.192, de 21/12/1995, Decreto nº 6.264, de 22/11/2007 e Decreto nº 1.916, de 23/5/1996), estabelecida a vacância do cargo, o Conselho Universitário dispõe de, no máximo, 60 dias para elaborar e encaminhar uma lista tríplice ao MEC, que procederá a nomeação do reitor para o exercício de um novo mandato de quatro anos.

Nossa experiência institucional revela, entretanto, a necessidade de um interstício de quatro a cinco meses no transcurso do processo para escolha de reitor, período esse compreendido entre a apresentação do regimento eleitoral e a elaboração da lista tríplice.
Salta evidente, portanto, o conflito nos prazos estipulados pela determinação legal e pela prática corrente na instituição, a ensejar uma reflexão pelo Conselho Universitário sobre as medidas capazes de apontar uma posição que concilie o obrigatório cumprimento dos termos legais com a experiência já acumulada na UFPA.

Diante desse cenário, meu juízo e responsabilidade fizeram-me decidir pela convocação do CONSUN feita para o dia 4 de março passado, para avaliar e decidir sobre os procedimentos que assegurem a escolha do próximo mandatário sem atribulações decorrentes da exiguidade de tempo ou posições tomadas ao arrepio da lei.

Esta a razão única daquela convocação. Nada além disso!
Minha história de vida refuta insinuações de medidas antidemocráticas ou não republicanas tomadas no exercício do mandato que exerço com muita honra à frente da UFPA.
Considerando o significativo nível de dúvidas provenientes de iniciativa minha que deveria ter sido apresentada com mais vagar - reconheço aqui o erro- suspendi a convocação feita ao Conselho Universitário.
Estou convencido de que com a amplitude do debate que agora toma corpo poderemos com mais segurança decidir sobre o melhor caminho a seguir diante das alternativas e do horizonte institucional vislumbrados.
Confio que o tempo e a razão colocarão tudo em seu devido lugar.


Carlos Maneschy
Reitor

quinta-feira, 3 de março de 2016

NA UFPA









Exonerações

Dois documentos com pedido de exoneração de cargo pousaram ontem sobre a mesa de trabalho do reitor Carlos Maneschy, na prática dando início de fato e de direito à campanha pela sucessão. São assinados pelo pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Emmanuel Tourinho, candidato da situação, e pelo pró-reitor de Administração, Edson Ortiz, de oposição. Ortiz, porém, não se ateve ao simples pedido; muito pelo contrário.

Mais

No documento, Edson Ortiz destaca sua discordância em relação ao processo eleitoral, que prevê antecipação das eleições para maio, a possibilidade de uso da máquina administrativa e refuta o que considera “interferência na livre indicação dos candidatos e atitudes que provoquem constrangimento ou intimidação a membros da comunidade universitária”.


Repórter 70



Vai um acarajé



Ganha um acarajé quem informar o paradeiro dos celulares do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Marco Regulatório de Ciência e Tecnologia é destaque na Revista Amazônia Viva






O novo Marco Regulatório de Ciência e Tecnologia, sancionado pela presidenta Dilma Roussef no último dia 11 de janeiro, representa um avanço importante para a inovação e tecnologia nos parques e incubadoras do Brasil. Sobre o tema, confira a entrevista exclusiva com Gonzalo Enríquez, diretor da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade Federal do Pará (Universitec/UFPA), publicada na edição de Fevereiro da Revista Amazônia Viva, do Jornal O Liberal:

A pluralidade da biodiversidade amazônica é o ponto de partida para uma gama de projetos de pesquisa ligados à ciência e à tecnologia realizados na região e no mundo. O seu patrimônio genético, quase que desconhecido, desperta a curiosidade e encanta por sua riqueza e possível funcionalidade.

Seus insumos perpassaram durante décadas o universo criativo e intelectual de estudiosos e empreendedores que, após cinco anos de debates e ajustes, passam a contar com um poderoso aliado legal: o Projeto de Lei Complementar (PLC) 77/2015, considerado o novo Marco Regulatório de Ciência e Tecnologia, sancionado pela presidenta Dilma Roussef no último dia 11 de janeiro.

A nova regulamentação vem para redefinir caminhos e metodologias no que tange o incentivo à pesquisa, inovação e ao desenvolvimento científico e tecnológico, flexibilizando processos e substituindo leis que regiam a relação conhecimento x inovação tecnológica x mercado no Brasil, como é o caso a Lei de 2004, e a Lei de 2011, discutida e atualizada.

O Marco é visto com bons olhos pela comunidade acadêmica, e segundo o diretor da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade Federal do Pará (Universitec/UFPA), Gonçalo Enriquez, “é um facilitador para que ocorram mais investimentos nas pesquisas, consideradas de risco e longo prazo, e também valoriza o capital intelectual dos pesquisadores”. Em entrevista à Revista Amazônia Viva, ele esclarece outros pontos que demonstram as conquistas possíveis com a nova lei.

Do que se trata o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil? Quais seus principais pontos?

O texto regulamenta parcerias de longo prazo entre os setores público e privado e dá tratamento aduaneiro prioritário e simplificado para aquisição de equipamentos, produtos e insumos a serem usados em pesquisa. A proposta também define a hipótese de dispensa de licitação para contratar bens e serviços para pesquisa e desenvolvimento e abre a possibilidade de uso do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) para “ações em órgãos e entidades dedicados à ciência, à tecnologia e à inovação". O projeto prevê ainda a possibilidade de instituições científicas autorizarem que seus bens, instalações e capital intelectual sejam usados por outras instituições, empresas privadas e até mesmo pessoas físicas.

Qual a importância deste ato para que essas mudanças incentivem o desenvolvimento científico do país?

Mesmo com as limitações e alguns vetos, o ato incentiva as atividades de pesquisa científica porque prevê a isenção e redução de impostos para importação de importação nas compras destinadas a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação – não só equipamentos, mas insumos muitas vezes estratégicos no processo da pesquisa; facilita processos licitatórios nas universidades; reduz também a burocracia nos investimentos na área e articula, com segurança jurídica, as diversas ações de ciência, tecnologia e inovação que estão em curso. É uma flexibilização dos processos, pois existia um conjunto de normas e legislações que praticamente transformavam o pesquisador, ao realizar atividades fora da universidade, em algum momento, em uma pessoa que está fazendo uma atividade ilegal.

Logo, em um ambiente regulatório e institucional mais favorável à cooperação entre universidades, laboratórios de pesquisa, governos e empresas, transformaremos, certamente, mais ciência básica em inovação e transformaremos inovação em competitividade, gerando um novo ciclo de desenvolvimento econômico no nosso país. No Pará e na Amazônia isso só tem a contribuir, para aquilo que o futuro nos reserva. Como biodiversidade e patrimônio genético, a Amazônia é estrategicamente fundamental para o conjunto do planeta.

Neste segmento de pesquisa, qual o atual cenário brasileiro e paraense?

Com a nova legislação, o poder público cria todas as condições para apoiar os ambientes inovadores, dentre eles as incubadoras de empresas, parques e polos tecnológicos, uma questão que o Brasil despertou tarde. No início da criação das incubadoras, em 1992, fui diretor nacional da Associação de Incubadoras e Parques Tecnológicos, e lembro que quando estávamos começando tinham países como Japão, Estados Unidos, Inglaterra, a Europa de maneira geral, que tinham 20 anos de incubadoras de empresas. Tínhamos cinco ou seis incubadoras no Brasil, mas hoje temos mais ou menos 500. O novo marco regulatório afeta o Brasil como um todo, os entes federativos, estaduais e as entidades municipais, perpassa toda a relação institucional e a governança da pesquisa da inovação no país, e com certeza o Pará tem a obrigação de se atentar para essa nova realidade. Assim, União, Estados e municípios poderão participar do capital social das empresas cujos projetos são voltados para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores.

Qual a importância do incentivo a inovação para a formação de novos profissionais?

Fundamental, porque amplia o tempo máximo que os professores universitários poderão se dedicar a projetos de pesquisa e extensão, assim como em atividades de natureza científica e tecnológica; permite que laboratórios universitários sejam usados pela indústria para o desenvolvimento de novas tecnologias — em ambos os casos, com remuneração, que era algo que era proibido que a universidade se abrisse para o mercado.

Apesar de ter um veto que diz respeito ao artigo que isenta o recolhimento de imposto previdenciário em cima da bolsa de pesquisa e compra de produtos e insumos, e outro veto para licitações para contratação de empresas que têm faturamento de até R$ 90 milhões anuais, precisamos pensar que é uma questão de estratégia, se você tem o fundamental, vamos deixar o secundário para um processo posterior. Esse marco regulatório valoriza o capital intelectual. Porque você da aula, faz pesquisa, chega em casa, trabalha, faz a gestão do seu trabalho através da internet. Você estende o seu horário e recebe por isso. O marco a00poia os recursos para pesquisadores, é possível fazer assessorias e consultorias para empresas privadas. Ou seja, o profissional pode crescer a partir do conhecimento adquirido na universidade. Não tira o professor da universidade, mas a sua relação com a empresa assume um caráter flexível.

E o que muda na questão da administração dos recursos, na economia?

A questão interessante é que foi definido que você pode criar fundações para administração do recurso. Nós somos um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), criado a partir da lei de 2004. Nós podemos nos transformar numa fundação para ministrar nossos recursos. Todo recurso que chega para a universidade chega para um caixa único. Dentro se divide, mas é um recurso e eu não posso pegar esse recurso. Nós recebemos recursos da iniciativa privada, porque as que estão aqui são privadas e pagam para a universidade. Recebemos R$ 100 mil, por exemplo, aí vai para o caixa da universidade e entra no bolo de todo o orçamento. Quando corta o orçamento, corta do recurso também.

Quais os desafios de aplicar o conhecimento científico em soluções viáveis para o mercado?

Na medida em que isso se flexibiliza, a possibilidade que esses recursos de conhecimentos e inovações tecnológicas sejam aplicados no mercado é muito mais forte. Com a desburocratização fica mais fácil colocar as soluções viáveis no mercado. Eu vou poder levar para o setor privado e receber recursos por isso, por mostrar para o mercado como essa inovação tecnológica é válida. E o laboratório pode prestar esse serviço para o setor privado. O mecanismo é esse.

Que projetos estão em execução no Pará para incentivar a disseminação da inovação tecnológica na economia local?

Temos convênios e parcerias hoje com o Governo do Estado, por exemplo, em que a universidade tem uma contribuição nessa dinâmica de adensamento das cadeias produtivas de alguns produtos de origem vegetal. Por exemplo, com o cacau, que o Pará tem a segunda maior produção do Brasil, temos incubada a empresa Nayah. Com o açaí, temos a empresa Amazon Dreams, que trabalha mais com o açaí para exportação, eles utilizam o insumo do açaí. Também temos uma empresa que produz placas de energia solar e o prédio da Universitec vai ser o primeiro iluminado por energia solar da UFPA. Incubamos aproximadamente 50 empresas e temos parceria com 150 laboratórios que trabalham dentro da UFPA com inovação tecnológica. Então, os processos que já estavam sendo executados e poderão acontecer de forma mais dinâmica e intensa.

Fonte: Revista Amazônia Viva, edição de Fevereiro/ 2016

Reportagem: Natália Mello

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Belém, dentre as 23 cidades mais violentas do mundo!




Durante onda de violência em 2011, em Maceió, população fecha ruas e põe grades em estabelecimentos para enfrentar insegurança

Com 16 municípios, o Brasil é o país com o maior número de cidades entre as 50 mais violentas do mundo, de acordo com pesquisa da ONG (organização não governamental) Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, do México. O estudo utiliza taxas de homicídio do ano de 2013 para classificar as cidades como mais ou menos violentas.

Maceió (AL) ocupa o quinto lugar do ranking e tem uma taxa de 79,76 homicídios por 100 mil habitantes. A capital cearense é a sétima mais violenta: Fortaleza tem uma taxa de homicídios de 72,81. João Pessoa (PB), que está na nona colocação, apresenta uma taxa de 66, 92.

Entre as cidades brasileiras também estão presentes na pesquisa Natal (RN) com 57,62; Salvador (BA) com 57,61; Vitória (ES) com 57,39; São Luís (MA) com 57,04; Belém (PA) com 48,23; Campina Grande (PB) com 46; Goiânia (GO) com 44,56; Cuiabá (MT) com 43,95; Manaus (AM) com 42,53; Recife (PE) com 36,82; Macapá (AP) com 36,59; Belo Horizonte (MG) com 34,73; e Aracaju (SE) com 33,36.

Lidera o ranking como mais violenta a cidade hondurenha de San Pedro Sula. É o terceiro ano consecutivo que o município da América Central ocupa a primeira colocação. A cidade tem uma taxa de 187,14 por 100 mil habitantes.

Com uma taxa de 134,36, Caracas, na Venezuela, é considerada a segunda cidade mais violenta. A terceira é Acapulco, no México, com uma taxa de 112, 80, segundo a pesquisa.

A maioria das cidades fica na América Latina. Das 50 cidades, nove estão no México, seis na Colômbia, cinco na Venezuela, quatro nos Estados Unidos, três na África do Sul, dois em Honduras e um em El Salvador, na Guatemala, Jamaica e Porto Rico.



Carro leva corpo de homem morto em briga de bar em 20 de novembro de 2013, em San Pedro Sula, em Honduras


"Isto confirma o que revelam diversos estudos mundiais: que [a taxa de] homicídio na América Latina tem índices muito acima da média mundial", diz José Antonio Ortega Sánchez, presidente da ONG, em texto publicado no site da organização.

A cidade que ocupa a 50ª colocação do ranking é Valencia, na Venezuela, cuja taxa é 30,04.

O estudo utiliza índices de população e de homicídios de estatísticas oficiais dos governos locais de cidades com mais de 300 mil habitantes.







segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Douglass North e a Lava Jato


Bruno Meyerhof Salama *

Douglass North, vencedor do prêmio Nobel de economia em 1993, faleceu no finzinho do ano passado aos 95 anos de idade. North se notabilizou por esposar a tese de que as instituições – às quais ele se referia como as "regras do jogo" na sociedade – são decisivas para o desempenho econômico (tratei do tema mais detalhadamente aqui ). Bem conhecida é sua defesa da importância da criação de mecanismos de cumprimento de contratos e de direitos de propriedade. No clássicoInstitutions, Institutional Change and Economic Performance, de 1990, North chegou inclusive a afirmar que "a incapacidade das sociedades de desenvolverem mecanismos de cumprimento e exigibilidade [enforcement] de contratos a baixos custos de transação é
a fonte mais importante de estagnação e subdesenvolvimento contemporâneo no Terceiro Mundo". Por outro lado, menos conhecida é sua teorização mais geral sobre a dinâmica da evolução institucional das sociedades. A partir desse capítulo menos conhecido é possível refletir proveitosamente sobre os imbróglios atuais da nossa buliçosa democracia.

A reflexão de North acerca da evolução institucional tem na "ordem social" seu conceito-chave. Escrita na maturidade, tal reflexão foi consolidada no seu último livro, Violence and Social Orders, de 2009. Num país em que vigora o que North chamou de "ordem de acesso limitada", o sistema político manipula o sistema econômico para que elites políticas possam capturar rendas e impedir o acesso por não-elites aos meios econômicos. Nesses países, as aparências enganam. Formalmente, a distribuição do poder pode ser tripartite, as burocracias estatais podem ser profissionais e as eleições podem ser pelo voto. Mas as restrições ao acesso são acima de tudo informais: vêm de pequenas e grandes corrupções de dentro e de fora da burocracia, das relações epicenas entre empresas privadas e estado, da dificuldade para a execução de contratos e proteção da propriedade, de convenções sociais perversas e, claro, de uma infinidade de óbices burocráticos, autorizações, registros, licenças e regulamentos. Por isso, a estabilidade do sistema só pode vir da cooperação e da troca de favores dentro da elite política e da plutocracia econômica. Quando todos têm telhado de vidro, ninguém ataca ninguém.

Já num país de "ordem de acesso aberto" a dinâmica básica de geração de riqueza e alocação de poder não é mais baseada na troca de favores, mas na competição política e na corrida por inovações que geram progresso econômico. Nenhum grupo é capaz, individualmente, de se impor de modo hegemônico sobre os demais, e essa é a chave para a estabilidade do sistema. O relativo equilíbrio de forças impede a apropriação do estado por qualquer grupo e, por isso, a criação de privilégios se torna mais difícil. Mesmo que cada grupo esteja continuamente tentando se apropriar da coisa pública, nenhum deles é forte o suficiente para fazê-lo de forma decisiva. Os grupos se monitoram reciprocamente, e quando há algum problema – esse é o pulo do gato – o impasse é superado pela criação de regras impessoais e estáveis. Desse modo, um conjunto de impotentes vontades de conquistar o privilégio paradoxalmente conduzem à limitação do privilégio. Esse processo pavimenta a construção da "rule of law", na reiterada dicção de North, ou do "estado de direito", na formulação com que nos acostumamos no Brasil.

É nesse ponto que a teoria de North encontra os fatos marcantes que agora se tornaram públicos em meio à operação Lava Jato e às suas congêneres. Embora tudo ainda precise ser julgado de acordo com o rigor e as proteções da lei, já não há mais dúvida de que, no Brasil, um grupo lutou arduamente para conduzir a coisa pública em benefício de um projeto de ampliação e ocupação de poder. Independentemente dos seus eventuais méritos ao longo do caminho, essa empreitada parece estar chegando ao fim.

E então, o que vai acontecer? Há pelo menos duas possibilidades. A primeira é pessimista: tudo vai voltar a ser como antes. Eventuais mudanças na política serão essencialmente cosméticas e limitadas porque no Brasil, quanto mais se muda, mais tudo fica como está. Antes o vilão era a espada dos generais; agora são os ciclos eleitorais. E por causa dos ciclos eleitorais será preciso roubar mais, porque as campanhas eleitorais são caras; e também será preciso roubar mais rapidamente, porque o horizonte de tempo para o locupletamento é curto. Tudo será o contrário do que parece ser: o maior risco de detecção policial e condenação judicial se traduzirá em propinas mais elevadas, afastando da política os homens de bem e atraindo os aventureiros. Estaremos, então, reeditando no Brasil a operação mãos limpas da Itália de anos atrás. Naquele país, uma classe política foi liquidada, mas, dizem alguns, como as regras do jogo não se alteraram, tudo voltou a ser como era antes. Em suma, nada dará certo para nós: a sina da nossa política continuará sendo o privilégio; da nossa cultura, a dissimulação; da nossa sociedade, o atraso; da nossa democracia, a mesquinhez.

A outra leitura é mais esperançosa, e um olhar northiano pode ajudar a explicar o porquê. A democracia – que é antes de tudo a competição pelo poder através do voto – exercerá a sua mágica. O caminho será longo, mas um passo decisivo terá sido dado se a competição pelo poder contribuir para reduzir, em vez de ampliar, a corrupção. Apesar das imposições do ciclo eleitoral, o crime em média não compensa quando as organizações públicas funcionaram toleravelmente. A lógica é simples: quem está no poder um dia não estará no dia seguinte, logo precisa se precaver e andar na linha. E assim, os riscos de detecção, condenação judicial e punição tornam pouco a pouco a prática da corrupção não apenas imoral, como sempre foi, mas também contrária ao interesse de quem detém o poder. Se assim ocorrer, a cultura política também mudará, e então, com sorte, será possível domar o populismo e reformar a República passo a passo, repactuando suas regras a partir do diálogo, do espírito de compromisso e da visão de um futuro mais próspero.

North sabia que as mudanças institucionais não são necessariamente rápidas, podem não dar certo e estão sujeitas a retrocessos de toda ordem. E não existe sistema perfeito nem paraíso na terra, de modo que a noção de ordem de acesso aberta não captura todos os aspectos de nenhuma sociedade existente. Mas se há uma leitura otimista possível em meio à desolação que se instalou no Brasil é a de que operações como a Lava Jato são parte desse processo de avanço institucional e de abertura da ordem social, para ficarmos com a terminologia northiana. Se tudo for assim, então o atual impasse político, o aumento do desemprego, a brutal recessão econômica e o aumento da miséria, todos eventos bastante dramáticos com os quais estamos convivendo, poderão ser reinterpretados como o preço amargo que a sociedade terá que pagar para construir o estado de direito no Brasil. Nenhuma sociedade consegue se reformar só com ações de polícia e a dificultosa história política do Brasil é um verdadeiro pitéu para céticos, descrentes e derrotistas. A dimensão dos nossos desafios sugere cautela, mas a esta altura um pouco de esperança não nos fará mal.

* Bruno Meyerhof é professor Associado da FGV DIREITO de São Paulo e Doutor em direito (J.S.D.) pela Universidade da Califórnia em Berkeley.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Procuradoria avalia pedido de inquérito para investigar ministro da Casa Civil



As mensagens obtidas pela Operação Lava Jato com a apreensão do celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido nos meios empresarial e político como Léo Pinheiro, devem servir de base para gerar uma nova lista de investigados a ser encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal.


Ao menos três ministros da presidente Dilma Rousseff aparecem nos diálogos obtidos na investigação: o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (PT); o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT); e o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Nesta quinta-feira, 7, o Estado revelou mensagens de Pinheiro em que Jaques Wagner fala sobre a liberação de recursos do governo federal. Os diálogos, segundo os investigadores, também indicam que Wagner intermediou negociações para o financiamento de campanhas eleitorais em Salvador, em 2012, no período em que esteve à frente do governo da Bahia (2007-2014). Em uma primeira análise, o diálogo é considerado “grave” por investigadores.

A avaliação preliminar é de que as conversas de Léo Pinheiro escancaram os “intestinos de Brasília” e relações “pouco republicanas” de políticos com empresários na capital federal. Léo Pinheiro tinha acesso a praticamente toda a classe política, de acordo com a investigação. Caberá ao grupo que auxilia Janot decifrar, nas próximas semanas, os supostos esquemas mencionados nos diálogos obtidos e identificar o que pode ser enquadrado como indício de crime – casos em que devem ser feitos pedidos de abertura de inquérito.


As mensagens do celular de Pinheiro foram transcritas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal no Paraná, onde correm as investigações da Lava Jato na 1.ª instância. No fim de 2015, a PF encaminhou à Procuradoria os casos em que há menção a políticos com foro privilegiado. O celular de Léo Pinheiro levou ao conhecimento de investigadores tanto conversas diretas com os políticos, como contatos com intermediários e menções aos parlamentares e ministros.

Nomes

A lista de políticos mencionados nas conversas registradas no celular de Léo Pinheiro inclui, além dos três ministros de Estado, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também fazem parte das conversas, de acordo com fontes com acesso às investigações, os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Lindbergh Farias (PT-RJ); e os deputados federais Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Osmar Terra (PMDB-RS). Léo Pinheiro usava apelidos para se referir aos políticos, como “Brahma” sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No caso de Lindbergh, a referência identificada pelos investigadores é a alcunha “lindinho”. Não há identificação, até o momento, de trocas de mensagens diretas entre Lula e o ex-presidente da OAS.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-deputado federal e ex-líder do partido na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP), já investigados na Lava Jato, também surgem nas mensagens. Ainda há conversas sobre o ex-tesoureiro do PT condenado no mensalão, Delúbio Soares, e sobre o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz.

A expectativa é de que na volta do recesso do STF, em fevereiro, parte das decisões da Procuradoria seja revelada. No total, o material com mensagens de Léo Pinheiro tem quase 600 páginas. O envolvimento do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, está entrelaçado às ações de Eduardo Cunha. Há relatos de combinação de encontro entre Cunha e o ex-presidente da OAS, por exemplo, com intermediação de Henrique Eduardo Alves, segundo fontes com acesso ao material.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

No puedo evitar enamorarme de ti - Bruce Springsteen.mp4

Analistas reveem preço do minério para US$ 40 em 2016




O mercado termina 2015 mais pessimista em relação às perspectivas do minério de ferro para o ano que vem. Bancos e consultorias estão revendo as projeções dos preços para a commodity em 2016 e em horizonte mais à frente (2017 e 2018). Os analistas preveem um preço médio próximo de US$ 40 por tonelada em 2016 para o minério com 62% de teor de ferro colocado na China. A estimativa representa queda de 20% em relação aos cerca de US$ 50 por tonelada estimados anteriormente por diversos bancos.

A maior cautela de analistas e investidores tem como pano de fundo o difícil momento vivido pelas mineradoras, inclusive as grandes (Vale, Rio Tinto e BHP) em um ambiente marcado por sobre oferta da commodity no mercado internacional, demanda fraca na China e preços em queda. Desde 2011, os preços do minério de ferro caíram cerca de 80% e situam-se hoje na faixa dos US$ 40 por tonelada no mercado à vista da China, o grande consumidor de matérias-primas minerais e metálicas. O minério de ferro, assim como o carvão metalúrgico, e os metais (cobre, níquel) são usados como insumos na produção de aço.



No atual cenário, novos cortes na produção de minério de ferro são importantes para garantir um maior equilíbrio entre oferta e demanda, abrindo espaço à frente para alguma recuperação nos preços, dizem analistas. Mas as estimativas para 2016 não são encorajadoras uma vez que o fechamento de capacidades de produção deve praticamente compensar a entrada em operação de novas minas.

Há estimativas de que o fechamento de minas deva atingir volumes entre 50 milhões e 60 milhões de toneladas no ano que vem, incluindo capacidades de maior custo na China e produtores menores ("juniors companies") na Austrália, além do efeito da exaustão global ("depletion") de minas antigas em operação. Ao mesmo tempo, pode haver aumento na oferta global da ordem de 60 milhões a 70 milhões de toneladas garantida pelas mineradoras australianas Roy Hill, RioTinto e BHP, estimou em relatório a corretora Itaú BBA.

"Precisamos ver mais capacidades de produção saindo do mercado. Mas a pergunta é: em que nível de preço essas capacidades vão deixar o mercado?", disse Laura Brooks, analista sênior da consultoria britânica CRU. A empresa está revendo estimativas, mas considera que o preço da commodity poderá ficar em um patamar médio entre US$ 35 e US$ 45 por tonelada no ano que vem. A lógica é que com o preço abaixo de US$ 40 por tonelada mais minas devem sair do mercado, o que ainda não se materializou. "Isso nos deixa mais cautelosos", disse Laura.

Segundo ela, se for considerado um preço médio de US$ 35 por tonelada no ano que vem, 80% do minério de ferro negociado no mercado transoceânico ainda vai gerar caixa. "Muitos produtores são vulneráveis aos atuais níveis de preços, mas como trata­se de um mercado concentrado e os grandes produtores operam com baixo custo significa que as 'majors' [Vale, BHP, Rio Tinto e inclusive a também australiana FMG] operam com geração positiva de caixa mesmo com o minério a US$ 35 por tonelada", disse Laura.

Na visão da CRU, os preços do minério de ferro caíram a níveis suficientemente baixos para acionar respostas pelo lado da oferta. A consultoria afirmou que a Anglo American deve reduzir a produção da mina de Kumba, na África do Sul, em 10 milhões de toneladas no ano que vem. A australiana BC Iron, por sua vez, vai parar a mina de Nullagine, na Austrália. Em contraste, a Roy Hill, da bilionária Gina Rinehart, fez os primeiros embarques de minério de ferro adicionando novos volumes a um mercado 21/12/2015 Analistas reveem preço do minério para US$ 40 em 2016 | Valor Econômico http://www.valor.com.br/empresas/4365572/analistas­reveem­preco­do­minerio­para­us­40­em­2016 2/2 sobreofertado.

A maior cautela de bancos e consultorias em relação ao mercado de minério de ferro considera uma desaceleração na demanda da China por matérias­primas. Esse movimento é resultado de uma menor produção de aço esperada para o ano que vem pelas siderúrgicas chinesas. Nesse ambiente, o minério de ferro e o carvão metalúrgico permanecem como as commodities mais expostas a novas baixas, disse o Credit Suisse em relatório. O banco projetou que no segundo semestre do ano que vem a cotação do minério de ferro pode bater em US$ 35 por tonelada.

Ao mesmo tempo, o banco previu recuperação nos preços no primeiro semestre de 2016, quando as cotações podem voltar provisoriamente a US$ 50 por tonelada em movimento impulsionado pela redução dos estoques já no fim deste ano e por questões sazonais ­ a demanda por aço da construção civil na primavera chinesa. Mas no segundo semestre do ano que vem os preços devem voltar a cair considerando a sobreoferta da commodity, uma produção sazonal de minério de ferro mais forte e uma fraca produção de aço no mundo.

O Credit Suisse foi uma das instituições financeiras que reduziram suas projeções para os preços das commodities, incluindo o minério de ferro. O banco prevê que na média de 2016 o minério com 62% de teor de ferro colocado na China possa ficar em US$ 41 por tonelada, em média, ante uma projeção anterior de US$ 46 por tonelada, também em média (ver tabela).

Outros bancos também cortaram suas projeções para a commodity no ano que vem: o Itaú BBA reduziu sua estimativa de US$ 50 para US$ 40 por tonelada considerando um maior fornecimento de minério de ferro pela Austrália, a redução na produção chinesa de aço e o recente aumento dos estoques da matéria­prima nos portos chineses. Santander, Bradesco, HSBC e Goldman Sachs são outros bancos que reviram suas projeções para o minério de ferro para patamares médios entre US$ 40 e US$ 50 por tonelada no ano que vem.

O mau humor do mercado em relação às perspectivas para o minério de ferro é expressa também em uma pesquisa que a Goldman Sachs fez com investidores na conferência global do banco sobre metais e mineração, em Nova York, no começo do mês, da qual participaram 32 empresas. Os investidores foram perguntados sobre qual é o preço médio que esperam para o minério de ferro colocado na China em 2016 em comparação aos preços registrados na ocasião no mercado à vista chinês, na faixa de US$ 45 por tonelada. Para a maioria dos entrevistados (58%), o preço médio da commodity deve ficar em patamar entre US$ 40 e US$ 50 por tonelada no ano que vem. Apenas 6% projetaram preço entre US$ 50 e US$ 60 por tonelada na média de 2016.


Boa parte dos entrevistados (41%) previu que a produção de aço na China vai cair mais de 2% no ano que vem. O crescimento chinês é por sua vez a maior preocupação da maioria dos entrevistados (64%) em 2016. O Goldman Sachs prevê que os preços caíam para US$ 44 por tonelada em 2016 e para US$ 40 por tonelada em 2017.

Por Francisco Góes | Do Rio VAOR