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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Analistas reveem preço do minério para US$ 40 em 2016




O mercado termina 2015 mais pessimista em relação às perspectivas do minério de ferro para o ano que vem. Bancos e consultorias estão revendo as projeções dos preços para a commodity em 2016 e em horizonte mais à frente (2017 e 2018). Os analistas preveem um preço médio próximo de US$ 40 por tonelada em 2016 para o minério com 62% de teor de ferro colocado na China. A estimativa representa queda de 20% em relação aos cerca de US$ 50 por tonelada estimados anteriormente por diversos bancos.

A maior cautela de analistas e investidores tem como pano de fundo o difícil momento vivido pelas mineradoras, inclusive as grandes (Vale, Rio Tinto e BHP) em um ambiente marcado por sobre oferta da commodity no mercado internacional, demanda fraca na China e preços em queda. Desde 2011, os preços do minério de ferro caíram cerca de 80% e situam-se hoje na faixa dos US$ 40 por tonelada no mercado à vista da China, o grande consumidor de matérias-primas minerais e metálicas. O minério de ferro, assim como o carvão metalúrgico, e os metais (cobre, níquel) são usados como insumos na produção de aço.



No atual cenário, novos cortes na produção de minério de ferro são importantes para garantir um maior equilíbrio entre oferta e demanda, abrindo espaço à frente para alguma recuperação nos preços, dizem analistas. Mas as estimativas para 2016 não são encorajadoras uma vez que o fechamento de capacidades de produção deve praticamente compensar a entrada em operação de novas minas.

Há estimativas de que o fechamento de minas deva atingir volumes entre 50 milhões e 60 milhões de toneladas no ano que vem, incluindo capacidades de maior custo na China e produtores menores ("juniors companies") na Austrália, além do efeito da exaustão global ("depletion") de minas antigas em operação. Ao mesmo tempo, pode haver aumento na oferta global da ordem de 60 milhões a 70 milhões de toneladas garantida pelas mineradoras australianas Roy Hill, RioTinto e BHP, estimou em relatório a corretora Itaú BBA.

"Precisamos ver mais capacidades de produção saindo do mercado. Mas a pergunta é: em que nível de preço essas capacidades vão deixar o mercado?", disse Laura Brooks, analista sênior da consultoria britânica CRU. A empresa está revendo estimativas, mas considera que o preço da commodity poderá ficar em um patamar médio entre US$ 35 e US$ 45 por tonelada no ano que vem. A lógica é que com o preço abaixo de US$ 40 por tonelada mais minas devem sair do mercado, o que ainda não se materializou. "Isso nos deixa mais cautelosos", disse Laura.

Segundo ela, se for considerado um preço médio de US$ 35 por tonelada no ano que vem, 80% do minério de ferro negociado no mercado transoceânico ainda vai gerar caixa. "Muitos produtores são vulneráveis aos atuais níveis de preços, mas como trata­se de um mercado concentrado e os grandes produtores operam com baixo custo significa que as 'majors' [Vale, BHP, Rio Tinto e inclusive a também australiana FMG] operam com geração positiva de caixa mesmo com o minério a US$ 35 por tonelada", disse Laura.

Na visão da CRU, os preços do minério de ferro caíram a níveis suficientemente baixos para acionar respostas pelo lado da oferta. A consultoria afirmou que a Anglo American deve reduzir a produção da mina de Kumba, na África do Sul, em 10 milhões de toneladas no ano que vem. A australiana BC Iron, por sua vez, vai parar a mina de Nullagine, na Austrália. Em contraste, a Roy Hill, da bilionária Gina Rinehart, fez os primeiros embarques de minério de ferro adicionando novos volumes a um mercado 21/12/2015 Analistas reveem preço do minério para US$ 40 em 2016 | Valor Econômico http://www.valor.com.br/empresas/4365572/analistas­reveem­preco­do­minerio­para­us­40­em­2016 2/2 sobreofertado.

A maior cautela de bancos e consultorias em relação ao mercado de minério de ferro considera uma desaceleração na demanda da China por matérias­primas. Esse movimento é resultado de uma menor produção de aço esperada para o ano que vem pelas siderúrgicas chinesas. Nesse ambiente, o minério de ferro e o carvão metalúrgico permanecem como as commodities mais expostas a novas baixas, disse o Credit Suisse em relatório. O banco projetou que no segundo semestre do ano que vem a cotação do minério de ferro pode bater em US$ 35 por tonelada.

Ao mesmo tempo, o banco previu recuperação nos preços no primeiro semestre de 2016, quando as cotações podem voltar provisoriamente a US$ 50 por tonelada em movimento impulsionado pela redução dos estoques já no fim deste ano e por questões sazonais ­ a demanda por aço da construção civil na primavera chinesa. Mas no segundo semestre do ano que vem os preços devem voltar a cair considerando a sobreoferta da commodity, uma produção sazonal de minério de ferro mais forte e uma fraca produção de aço no mundo.

O Credit Suisse foi uma das instituições financeiras que reduziram suas projeções para os preços das commodities, incluindo o minério de ferro. O banco prevê que na média de 2016 o minério com 62% de teor de ferro colocado na China possa ficar em US$ 41 por tonelada, em média, ante uma projeção anterior de US$ 46 por tonelada, também em média (ver tabela).

Outros bancos também cortaram suas projeções para a commodity no ano que vem: o Itaú BBA reduziu sua estimativa de US$ 50 para US$ 40 por tonelada considerando um maior fornecimento de minério de ferro pela Austrália, a redução na produção chinesa de aço e o recente aumento dos estoques da matéria­prima nos portos chineses. Santander, Bradesco, HSBC e Goldman Sachs são outros bancos que reviram suas projeções para o minério de ferro para patamares médios entre US$ 40 e US$ 50 por tonelada no ano que vem.

O mau humor do mercado em relação às perspectivas para o minério de ferro é expressa também em uma pesquisa que a Goldman Sachs fez com investidores na conferência global do banco sobre metais e mineração, em Nova York, no começo do mês, da qual participaram 32 empresas. Os investidores foram perguntados sobre qual é o preço médio que esperam para o minério de ferro colocado na China em 2016 em comparação aos preços registrados na ocasião no mercado à vista chinês, na faixa de US$ 45 por tonelada. Para a maioria dos entrevistados (58%), o preço médio da commodity deve ficar em patamar entre US$ 40 e US$ 50 por tonelada no ano que vem. Apenas 6% projetaram preço entre US$ 50 e US$ 60 por tonelada na média de 2016.


Boa parte dos entrevistados (41%) previu que a produção de aço na China vai cair mais de 2% no ano que vem. O crescimento chinês é por sua vez a maior preocupação da maioria dos entrevistados (64%) em 2016. O Goldman Sachs prevê que os preços caíam para US$ 44 por tonelada em 2016 e para US$ 40 por tonelada em 2017.

Por Francisco Góes | Do Rio VAOR

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