sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Brasil perde in fluência no continente, diz o ex-presidente

O Brasil só exerce liderança com seus vizinhos cedendo.

Como o Lula ainda governa o Brasil não podemos falar que seja ex-presidente. Daí que a gente se refira ao FHC como o ex-presidente. 

Veja o que ele fala em entrevista.


Por Cristian Klein | De São Paulo
O Brasil só exerce liderança com seus vizinhos cedendo. Esta é, em síntese, a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as relações do Brasil na América do Sul. Em entrevista ao Valor, ele disse que o país deixou de ser o ator mais influente da região, que vive um momento de fragmentação, com a criação de um terceiro bloco de países, a Aliança do Pacífico.
Essa opinião contrasta com a imagem de "global player" que o Brasil passou a ter na comunidade internacional durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. "Houve muita retórica. Quando você é 'global player', não tem que bater tanto no peito dizendo que é", afirmou FHC.

Se pudesse voltar no tempo, independentemente do Mercosul, FHC buscaria uma integração latino-americana baseada na logística, na integração da energia, dos transportes e das comunicações. FHC participou, na terça-feira, do seminário "A liderança do Brasil na América do Sul - Visões de empresários, diplomatas e políticos", realizado na Fundação iFHC, com apoio do Valor, que publica uma síntese das discussões nesta edição.

Caderno especial "O Brasil na América do Sul"


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eleições na UFPA: uma chapa vitoriosa!!!

OS CANDIDATOS 


Carlos Edilson de Almeida Maneschy é Doutor em Engenharia Mecânica (University of Pittsburgh), Professor Titular da Universidade Federal do Pará, Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) e Membro do Conselho Superior da CAPES.


Horacio Schneider é Doutor em Genética e Biologia Molecular (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Professor Associado da Universidade Federal do Pará, Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador agraciado com a comenda Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico Nacional.




O PROGRAMA


PARA FAZER AINDA MELHOR
CARLOS MANESCHY, REITOR – HORACIO SCHNEIDER, VICE

Em 2009, a chapa Pra Fazer Melhor, liderada pelos Profs. Carlos Maneschy (candidato a Reitor) e Horacio Schneider (candidato a Vice-Reitor), assumiu o compromisso de executar na UFPA uma gestão transparente, democrática e comprometida com a busca da excelência acadêmica.

Em três anos e meio, muitos bons resultados foram acumulados, dentre os quais podemos citar: a reativação do programa de monitoria acadêmica, a expansão do número de vagas na graduação e na pós-graduação, a implantação de programas de mobilidade acadêmica internacional na graduação e na pós-graduação, a expansão dos programas de assistência estudantil (incluindo bolsas, moradia e alimentação), a abertura de oportunidades para a formação continuada e qualificação no mestrado e no doutorado a servidores técnico-administrativos e docentes, a abertura de trinta novos cursos de mestrado e doutorado, a duplicação do número de bolsas de Iniciação Científica, a interiorização do Seminário de Iniciação Científica, a expansão e requalificação da infraestrutura física e de serviços (incluindo edificações novas e reforma de espaços já construídos, sistema de comunicação, internet sem fio etc.), Isso tudo foi realizado em um ambiente de diálogo e de valorização do trabalho de todos os membros da comunidade universitária.

Nossa proposta para o quadriênio 2013-2017 é dar continuidade a esse esforço, buscando aperfeiçoar as ações executadas e criando novas iniciativas voltadas à consolidação da UFPA como instituição de excelência no ensino, na pesquisa e na extensão.


Algumas das ações concebidas, que submetemos ao debate com a comunidade universitária, são apresentadas nesta primeira versão do Plano de Trabalho. Os aperfeiçoamentos e acréscimos a este Plano estarão disponíveis do Blog Para Fazer Ainda Melhor 


(http://maneschyschneider20132017.wordpress.com/).


  • Executar o planejamento estratégico para os cursos de graduação, com definição de metas, avaliação e continuação da atualização dos respectivos projetos pedagógicos.
  • Executar programas para reduzir a retenção escolar e corrigir o desequilíbrio entre acesso e conclusão.
  • Apoiar a utilização de novas tecnologias de ensino, ampliando a oferta de ambientes virtuais de aprendizagem.
  • Estimular a prática da interdisciplinaridade, da formação pluralista, do desenvolvimento do senso crítico e da mobilidade dos discentes entre as unidades e áreas de conhecimento;
  • Intensificar a integração da graduação com a pós-graduação e extensão pelo maior envolvimento dos discentes de graduação em projetos e programas de pesquisa e de extensão.
  • Fomentar a cooperação com instituições de ensino superior nacionais e internacionais para ações conjuntas de ensino da graduação.
  • Expandir o intercâmbio discente internacional e reformar as normas institucionais para garantir o aproveitamento de créditos obtidos em instituições estrangeiras, em programas de mobilidade como o “Ciências sem Fronteiras”.
  • Articular a integração entre ensino, cultura, esporte e lazer, preferencialmente incorporando essas práticas aos projetos pedagógicos.
  • Estimular a mobilidade estudantil horizontal – entre cursos – e vertical – graduação/pós-graduação.
  • Fortalecer os programas de empresa júnior, promovendo assim a integração universidade-empresa.
  • Buscar a articulação com a Diretoria de Ensino Básico da CAPES e com a FAPESPA para a implantação de projetos para alunos das licenciaturas.
  • Estimular a criação de novos grupos de pesquisa por meio de programas específicos de apoio aos recém doutores e a doutores recém contratados.
  • Estimular consolidação dos grupos de pesquisa por meio de programa de apoio à cooperação interinstitucional, com mobilidade de docentes e discentes.
  • Dobrar o número de bolsas de Iniciação Científica nos subprogramas PIBIC-UFPA e PIBIC-UFPA Interior e trabalhar para elevar o número de bolsas dos demais subprogramas.
  • Priorizar a criação de novos cursos de doutorado, em áreas nas quais os mestrado existentes alcançarem a consolidação.
  • Promover a qualidade acadêmica e científica dos cursos de mestrado e doutorado, por meio de programa de acompanhamento, com o apoio de avaliação externa.
  • Estimular a publicação científica em revistas de circulação internacional e custear as despesas necessárias para esse fim.
  • Contratar cursos de Doutorado Interinstitucional (DINTER) em áreas que demandem a aceleração da formação de doutores para a abertura de novos cursos de mestrado e/ou doutorado.
  • Dobrar o apoio a docentes e criar o apoio a discentes da pós-graduação para o comparecimento a eventos científicos no exterior, como parte do esforço para incrementar a internacionalização dos cursos de mestrado e doutorado.
  • Criar condições para dobrar a oferta de vagas e o número de titulados nos cursos de doutorado.
  • Instituir o Programa de Iniciação à Extensão com a regularização do crédito acadêmico nos curso de graduação e pós-graduação, sem acréscimo no aumento da carga horária.
  • Conceder por meio de edital recursos para a infraestrutura de programas de extensão na graduação, até atingir o valor anual de R$ 400.000,00 no ano de 2017.
  • Acrescer mais 50% de Bolsa Permanência nos campi do interior sem equipamentos de Assistência como RU e Moradia no prazo de 4 anos.
  • Instituir o Programa de Assistência Acadêmica para diminuir a retenção e a evasão em 70%.
  • Realizar o Festival Cultural Intercampus (Marajó-Belém; Bragança-Capanema-Castanhal; Abaetetuba-Cametá-Tucuruí-Altamira).
  • Elaboração de Resoluções para regularização da Mobilidade Acadêmica ( reconhecimento de créditos, dupla titulação, matrícula de alunos estrangeiros etc).
  • Criação de um Comitê de Internacionalização em cada Instituto (Um representante de cada área acadêmica) para facilitar o acesso da PROINTER e a sistematização das informações referentes a intercâmbio e a realização de parcerias e acordos internacionais.
  • Promover encontros para os alunos da UFPA para socialização de experiências de intercâmbio realizadas através da UFPA.
  • Tradução das principais informações no site da UFPA, em prol de uma maior visualização e acesso pelas universidades e pesquisadores estrangeiros.
  • Incentivar a realização de Disciplinas em Inglês para atrair estudantes estrangeiros.
  • Implantação do alojamento para professores e alunos estrangeiros.
  • Ativar parcerias no âmbito Cultural junto às Embaixadas Estrangeiras no Brasil.
  • Realizar exposições de artes, em parceria com instituições internacionais, e suas diversas linguagens.
  • Dar apoio ao ensino de línguas em idiomas não ofertados pelo cursos livres da UFPA.
  • Implantar Institutos de Cultura, iniciando pelo Instituto Confúcio.
  • Disponibilizar espaços para realizações de Semanas Culturais Estrangeiras (Semana da Cultura Italiana, Semana Cultural do Japão, etc).
  • Interiorizar as ações culturais da Prointer nos Campi da UFPA, principalmente nos locais onde há cursos de idiomas, como a Semana de Filmes da Cultura Ibero.
  • Consolidar o processo de descentralização orçamentária e execução financeira.
  • Reestruturar a manutenção predial da UFPA.
  • Avanços no processo de modernização administrativa nas unidades acadêmicas e administrativas na UFPA.
  • Fortalecimento e monitoramento do Plano de Desenvolvimento Institucional e do Plano de Desenvolvimento das Unidades, no intuito de contribuir com o alinhamento da instituição e com o cumprimento de sua missão institucional.

GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS

  • Aprimoramento dos Programas de capacitação e qualificação profissional dos servidores técnico-administrativos;
  • Criar o Programa de Pesquisa Institucional, com a participação de servidores técnico-administrativos mestres e doutores, para produzir informação qualificada para subsidiar os processos decisórios de gestão.
  • Buscar a oferta de um curso de doutorado em Gestão Pública aos servidores técnico-administrativos.
  • Consolidação da política de atenção à saúde do servidor da UFPA;
  • Aperfeiçoamento das condições de trabalho, com adequação dos ambientes às normas de acesso, segurança e saúde.
  • Buscar a oferta de cursos de Doutorado Interinstitucional para a formação de docentes em áreas estratégicas para o crescimento da pós-graduação da UFPA.
  • Concluir a implantação dos diversos módulos do Sistema Integrado de Gestão (SIG).
  • Criar o acesso sem fio à internet, em alta velocidade, em todo o campus do Guamá e estender o acesso à internet nos campi do interior.
  • Concluir as obras de acessibilidade nas edificações da UFPA em todos os campi.
  • Finalizar o processo de modernização da rede elétrica da UFPA.
  • Ampliar a compra de livros e periódicos para garantir a progressiva atualização do acervo das bibliotecas da UFPA.



  • Dar continuidade ao processo de interiorização da pesquisa e da pós-graduação, considerando a vocação acadêmica de cada campus.
  • Expandir a infraestrutura física e de equipamentos para as atividades acadêmicas nos diversos campi.
  • Incrementar em cada campus a infraestrutura para atividades esportivas.
  • Implantar a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e trabalhar pela criação da Universidade Federal do Nordeste do Pará.

  • A UNIVERSIDADE 


    OS DESAFIOS 



    sábado, 24 de novembro de 2012

    Leitura obrigatória para a esquerda que ainda vive de ilusão

    Nossos Anos Verde-Oliva - 

    Roberto Ampuero



    Um jovem chileno deixa o seu país em 1974 para escapar da ditadura de Pinochet Alemanha Oriental e em busca de refúgio no comunismo. Lá, ele se apaixona por Margarita, ninguém menos que a filha do comandante Ulysses Cienfuegos,  poderoso embaixador em Moscou de Fidel Castro. Com a seu apoio para deixar Cuba, onde, apenas 90 milhas dos Estados Unidos, a Revolução tinha emergido a partir da vontade das massas. Desde a 'Ilha da Liberdade ", e longe da sombra do regime militar, esperaria porque seu país natal recuperara sua democracia. Mas o socialismo cubano e a ditadura chilena adquiririam rapidamente uma angustiante semelhança. Órfão de ideais políticos, e enquanto no Chile descobre que nada voltaria a ser como tinha sido, vários de seus colegas políticos e familiares se tornam inimigos gradualmente perigosos.

    Nossos anos verde-oliva é um testemunho da profunda decepção que substituiu os efeitos animadores da revolução cubana na juventude mundial. Roberto Ampuero narra de forma comovente o que ele viveu durante o tempo em que ele se refugiou na ilha de Fidel, de modo que o livro foi-e ainda é-censurado em Cuba. Em última análise, é um romance sobre fraude política de uma geração de revolucionários em uma fase final da Guerra Fria, quando a renúncia de compromisso político era traição, uma análise crítica dos ideais era mudar de lado, passando para o lado do inimigo, e deixar a utopia poderia significar a morte.

    Nossos anos verde-oliva é um romance autobiográfico sobre os anos em que Roberto Ampuero viveu exilado em Cuba, e para onde não pode mais voltar. É, também, um romance sobre a decepção política de uma geração de revolucionários em uma etapa culminante da Guerra Fria, quando a renúncia ao compromisso político era traição, o questionamento dos ideais era passar-se para o lado do inimigo e abandonar a utopia podia significar a morte. Em 1974, um jovem sai de seu país, fugindo da ditadura de Augusto Pinochet, e busca refúgio no comunismo da Alemanha Oriental. Apaixona-se por Margarita, nada menos que a filha do poderoso embaixador de Fidel Castro em Moscou, o comandante Ulises Cienfuegos. Com a ajuda do embaixador, parte para Cuba, onde a revolução havia surgido da vontade das massas. Da “ilha da Liberdade” e longe da sombra do regime militar, espera que seu país natal recupere o caminho democrático. Até que a ilusão acaba.

    Nossos Anos Verde-Oliva - Roberto Ampuero


    Enem revela abismo na rede de ensino

    Avaliação

    Alunos da rede privada têm melhor desempenho do que os da pública

    Mais uma vez a condição econômica se refletiu no desempenho dos estudantes paraenses no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Somente oito escolas públicas aparecem na lista das cem melhores instituições de ensino do Pará na avaliação realizada no ano passado. Destas, nenhuma é da rede municipal de ensino e apenas duas são estaduais. Os destaques entre as escolas não privadas, são os colégios de aplicação de universidades, escolas técnicas e federais. É o caso da Escola de Ensino Infantil Fundamental e Médio Tenente Rêgo Barros, que assumiu o posto de melhor escola do Estado (era a segunda no ano passado), com média geral de 626,86 pontos. No entanto, a melhor escola do Pará só aparece na 322ª posição no ranking nacional

    As notas por escola foram divulgadas ontem pelo Ministério da Educação (MEC). As notas levam em conta as médias obtidas pelos alunos de cada escola que participaram do Enem em cada uma das quatro provas objetivas (ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e códigos, e matemática), e também na redação. A média final, no entanto, não leva em conta a nota da redação que, segundo o MEC, usa critérios subjetivos e não utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), como as outras provas. Apenas escolas com mais de 50% de participação e o mínimo de 10 alunos foram consideradas, dando um total de 180 escolas no Pará e 10.076 em todo o País.

    As outras escolas públicas que figuram no "Top 100" do Pará são o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará - Campus Belém, com nota 577,69 (7ª posição no ranking estadual e 1.829ª no nacional); Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará - Campus Tucuruí, com nota 556,07 (22ª no Pará e 2.828ª no Brasil); Escola de Aplicação da UFPA, em Belém, com média 529,90 (50ª e 4.013ª); Escola Estadual São Raimundo Nonato, de Santarém, com nota 510,44 (83ª e 5.034ª); Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará - Campus Abaetetuba, com média geral 509,55 (87ª e 5.079ª); Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará - Campus Castanhal, com 508,07 (89ª e 5.172ª); e a Escola Estadual Jornalista Romulo Maiorana, com 499,99 (100ª e 5.702ª).

    O Liberal 

    quarta-feira, 21 de novembro de 2012

    Farc decretam cessar-fogo




    A guerrilha das Farc decretou um cessar-fogo unilateral de dois meses a partir da meia-noite desta segunda-feira, antes de iniciar em Havana as negociações de paz com o governo da Colômbia, anunciou seu líder, Iván Márquez.

    "Acolhendo o clamor dos mais diversos setores do povo colombiano, (o secretariado das Farc) ordena às unidades guerrilheiras em toda a geografia nacional o fim de todas as operações militares ofensivas contra a força pública", segundo um comunicado lido por Márquez.

    (Redação com AFP)

    Sem indústrias o Pará, para.


    􀃔PARÁ

    REPORTER 70 

    Industrialização
    A Associação Comercial
    do Pará aprovou,
    por unanimidade, a
    inserção nos Anais da
    casa do artigo “Castelos
    de areia”, do nosso
    diretor jurídico Ronaldo
    Maiorana, publicado na
    edição de domingo deste
    jornal. O artigo faz um retrato
    do Pará atual, praticamente
    sem indústrias
    e vivendo do extrativismo
    - da madeira e
    dos minerais brutos - , com
    emprego de salário mínimo,
    enquanto as melhores
    oportunidades vão aflorar
    nos centros onde esses produtos
    são destinados para
    industrialização.

    O Liberal 20/11/2012

    segunda-feira, 19 de novembro de 2012

    "Boom" mineral". Mais uma ilusão...

    Mineradoras planejam investir US$ 41,3 bilhões no Pará até 2018

    Para cada um dos 230 mil empregos diretos previstos haverá 12 indiretos


    EVANDRO FLEXA JR.

    Da Redação

    Nos próximos seis anos, o Pará deve se tornar a maior província mineral brasileira e uma das maiores do mundo. Os investimentos previstos para os projetos minerais em território paraense, até 2018, baterão a casa dos US$ 41,3 bilhões. Pelo menos 13 grandes projetos já começaram a sair do papel no Estado, sendo que, ao alcançar a fase de exploração, devem gerar aproximadamente 230 mil empregos diretos. Este número é 53% maior do que o total de vagas hoje ocupadas pela mão de obra do setor, que não passa de 150 mil oportunidades de trabalho. E para cada emprego direto, pelo menos mais doze indiretos são criados, estes nas áreas de comércio e serviços, atendendo a crescente demanda gerada no entorno destes grandes projetos minerais. Segundo apontam especialistas, a mineração vai permanecer sustentando a economia paraense, no mínimo, pelos próximos 60 anos. A preocupação, entretanto, é com o depois que a fonte secar.

    De acordo com o geólogo paraense Alberto Rogério Benedito da Silva, autor do livro "A Indústria Mineral no Pará", quando se pensa em projeto de mineração a primeira coisa a ser idealizada é como ficará o local da exploração após a mina fechar. "O minério é uma obra da natureza. Cabe ao geólogo e à empresa mineradora chegar até ele. Porém, o projeto é de responsabilidade de um conjunto de entes, que jamais pode esquecer-se de garantir um retorno à sociedade", afirma, enfatizando que esta é a premissa de número 1 das exploradoras. Em sua obra, Rogério mostra como as empresas de mineração se comportaram ante a globalização e suas principais fusões no mercado, investimentos, PIB mineral e carga tributária. Segundo ele, no prazo máximo de três anos, a indústria mineral do Pará deve competir igualitariamente com as da Indonésia, da África do Sul, da Austrália, da China e da Índia, países experientes na produção e exploração de minérios.

    Entre os principais projetos de exploração mineral no Pará está o S11D, da Vale, no município de Canaã dos Carajás, que deve produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Vale também vai implantar em Canaã dos Carajás o projeto Níquel Vermelho, com produção de 45 mil toneladas/ano de níquel. Ao todo, o investimento chegará a US$ 14 milhões. A Anglo American vai investir US$ 4,3 milhões em São Félix do Xingu, para produzir 90 mil toneladas de níquel ao ano. Os projetos Cristalino, em Curionópolis; Salobo, em Marabá; 118, em Canaã dos Carajás; e Alemão, em Parauapebas, deverão produzir 550 mil toneladas/ano de cobre. A produção de 50 mil toneladas de cobre ao ano em Tucumã, a partir do projeto da empresa Caraíba, deve investir no município US$ 275 milhões. Já em Juruti deverão ser produzidos de quatro a seis milhões de toneladas de bauxita ao ano, com um investimento de US$ 300 milhões. A produção de ouro também será intensificada no Pará, nos próximos seis anos.


    domingo, 18 de novembro de 2012

    Dilma pede crescimento




    CÁDIZ - A presidente Dilma Rousseff fez um forte ataque aos programas de austeridade “excessiva e simultânea” em sua intervenção na plenária da 22ª Cúpula Ibero-americana, nesta manhã, sinalizando a inquietação com as consequências da crise europeia.

    Em 15 minutos de discurso, a presidente observou que o panorama internacional de hoje é distinto daquele de 1991, quando as nações ibero-americanas se reuniram pela primeira vez, em Guadalajara, no México. “A crise financeira, que hoje afeta a Europa, golpeia de forma particular a península ibérica. Sabemos que Portugal e Espanha estão diante de tarefas de complexa solução. Mas sabemos, também, da força desses países, da energia criativa de suas sociedades, de sua capacidade de superação”, afirmou.

    A presidente observou que “temos assistido, nos últimos anos, aos enormes sacrifícios por parte das populações dos países que estão mergulhados na crise: reduções de salários, desemprego, perda de benefícios”. Notou que “as políticas exclusivas, que só enfatizam a austeridade, vêm mostrando seus limites: em virtude do baixo crescimento, e apesar do austero corte de gastos, assistimos ao crescimento dos déficits fiscais e não a sua redução. Os dados e as previsões para 2012 e 2013 mostram a elevação dos déficits e a redução dos PIBs”.

    Dilma destacou que o Brasil vem defendendo, inclusive no âmbito do G20, que “a consolidação fiscal exagerada e simultânea em todos os países não é a melhor resposta para a crise mundial – e pode, inclusive, agravá-la, levando a uma maior recessão”.

    “Sabemos que os impactos da crise são diferentes entre os países, e as respostas à crise também têm suas diferenças e produzem consequências diversificadas. O equívoco, porém, é achar que a consolidação fiscal coletiva, simultânea e acelerada seja benéfica e resulte numa solução efetiva”, acrescentou.

    A presidente foi adiante, no mais sólido discurso que fez até agora na cena internacional contra a austeridade: “O que temos visto são medidas que, apesar de afastarem o risco de uma quebra financeira, não afastam a desconfiança dos mercados e, mais importante ainda, não afastam a desconfiança das populações. Confiança não se constrói apenas com sacrifícios”.

    Para Dilma, é preciso que a estratégia adotada mostre resultados concretos para as pessoas, apresente um horizonte de esperança e não apenas a perspectiva de mais anos de sofrimento.

    A presidente reiterou que a atividade econômica mais fraca em 2012, as perspectivas para os anos seguintes, o sofrimento das populações colocam, assim, na ordem do dia a necessidade do crescimento. “Urge que os países superavitários também façam a sua parte, aumentando seu investimento, seu consumo, e importando mais”, disse.

    Para Dilma, o que parece cada vez mais claro é que, “sem crescimento, será muito difícil o caminho da consolidação fiscal. Os ajustes serão cada vez mais onerosos socialmente e cada vez mais críticos politicamente”.

    Em seguida, destacou medidas adotadas pelo Brasil, de estímulo econômico “sem comprometer a prudência fiscal”.

    Observou que o Brasil também foi atingido pela crise, através da redução dos mercados internacionais, mas acrescentou que o país está ampliando os investimentos públicos e privados em infraestrutura. Além disso, disse que reduziu a carga tributária sobre a folha de pagamentos e fez a reforma previdenciária dos servidores públicos.

    “Promovemos programas sociais que, além de seus efeitos de distribuição de renda, contribuem para manter a demanda interna. Temos logrado, assim, apesar da crise internacional, manter o desemprego em níveis bastante baixos”, acrescentou.

    A presidente sugeriu à Europa não copiar erros passados da América Latina. “Quando nos reunimos em Guadalajara, duas décadas atrás, a América Latina ainda vivia as consequências de sua ‘crise da dívida’. Os governantes de então, aconselhados pelo Fundo Monetário Internacional, acreditavam, erradamente, que apenas com drásticos e fortes ajustes fiscais poderíamos superar com rapidez as gravíssimas dificuldades econômicas e sociais nas quais estávamos mergulhados. Levamos assim duas décadas de ajuste fiscal rigoroso tentando digerir a crise da dívida soberana e a crise bancária que nos afetava e, por isso, neste período, o Brasil estagnou, deixou de crescer e tornou-se um exemplo de desigualdade social. Nossos esforços só resultaram em solução quando voltamos a crescer. Pagamos a dívida externa e acumulamos quase US$ 380 bilhões de reservas e mudamos nosso modelo de desenvolvimento, ao compatibilizar crescimento econômico, contas públicas robustas, controle da inflação e distribuição de renda.”

    A presidente salientou que, hoje, não só o Brasil, mas toda a América Latina “dá demonstrações de dinamismo econômico, de vigor democrático, de maior equanimidade social, graças às políticas que privilegiaram o crescimento econômico com inclusão social”.

    Dilma repetiu que, na última década, o Brasil retirou da pobreza 40 milhões de brasileiros e os incorporou a um mercado de quase 200 milhões de pessoas.

    Para a presidente, hoje o país está diante de um novo desafio, o da competitividade. Dilma disse que isso exige a redução do custo de capital, a ampliação dos mecanismos de financiamento de longo prazo, a criação de um forte mercado de capitais, o aprimoramento educacional, a geração de tecnologia e inovação.

    Por Assis Moreira | ValorDilma pede 
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    sexta-feira, 16 de novembro de 2012

    A contribuição teórica do PT/MEC para ENEM. Imigrações do Século XXI para o Brasil

    Haitianos em Brasileia serão transferidos para novo espaço até a próxima segunda-feira

    Quem iria a pensar que para o ENEM o tema da redação poderia estar relacionada com as imigrações para o Brasil no século XXI. 

    Visto de outra forma. Quem, no seu pleno equilíbrio físico, mental e emocional iria a submeter aos alunos a desenvolver um tema tão absurdamente irrelevante, como o formulado pelo MEC o dia da realização do ENEM. Quem? somente poderia ser o Mercadante cada dia menos identificado com a educação e mais preocupado com sua possibilidade em disputar o governo de São Paulo. 


    O dia do ENEM procurei e não encontrei informação consistente e argumentos teóricos para realizar uma redação sobre o tema. Podemos até aceitar que redação pode ser feita sobre qualquer tema, entretanto, o MEC teria a obrigação de selecionar um tema que conta-se com fundamentos, referências históricas e informação apropriada à população alvo, alunos do ENEM. 


    Quem se sairá melhor serão obviamente os que tenham ouvido alguma declaração ou notícias da imprensa sobre um grupo de bolivianos ou haitianos que vieram ao Brasil na procura de trabalho. 


    Não pode se falar, de forma nenhuma de correntes migratórias, conhecidas em outras regiões do planeta. Menos ainda, nada teria a ver com alguma tendência que seja a característica do Século XXI no Brasil. 


    Isso é infantilismo político do PT e nada mais. Não existe teoria sobre o assunto e menos referências históricas. 


    Veja a matéria sobre "imigrações" de haitianos.   



    Com aluguel atrasado e ordem de despejo decretada, os haitianos que ainda dependem de vistos da Polícia Federal para regularizarem a situação no país vão se mudar para um clube abandonado até segunda-feira (19). Atualmente eles estão alojados em uma casa particular e se espalham pelos cinco quartos, varanda e um galpão nos fundos do terreno, no bairro Ferreira da Silva.

    O Esporte Clube Brasileia, para onde serão levados, tem cerca de mil metros quadrados de área coberta, sem paredes laterais. Na verdade, é um galpão aberto. Ontem (13), o representante do governo do estado, Damião Borges, levará alguns haitianos para fazer a primeira limpeza do lugar.

    No início da manhã, a Agência Brasil esteve no local. O mato alto cobre os 5 mil metros quadrados de terreno. O clube está em condições precárias, com as paredes rachadas, algumas sem reboco, lixo – garrafas, folhas, pneus, papel – jogado no chão e o piso quebrado.

    Os quatro banheiros, dois coletivos e dois com vasos sanitários quebrados, não dispõem de chuveiros nem de pias. A ampla cozinha só dispõe de uma pequena bancada com pia, sem torneira.

    Em outro cômodo interligado com a cozinha a situação é a mesma de todos os demais: muito lixo e sujeira. O desafio do representante do governo do estado na cidade, Damião Borges, é tornar o lugar habitável em cinco dias.



    “Não tem mais jeito de ficar aqui [no atual alojamento], tenho até segunda-feira para mudá-los daqui. É o que temos”, disse Damião à Agência Brasil. O funcionário do governo do Acre destacou que ainda nesta semana o fornecimento de água e luz, cortado por atraso nas contas, será restabelecido.

    Borges reconheceu que, pelo prazo de que dispõe para mudar os haitianos, as reformas serão “básicas”. Ele disse que o piso e as paredes receberão uma camada de cimento, os banheiros serão consertados e, para garantir o abastecimento de água, serão instaladas cinco caixas d’água de 2 mil litros cada.

    Nesse período de pouca chuva é comum o racionamento de água no local. Borges ressaltou que o antigo clube era uma empresa composta por 100 pessoas que desativaram o local.

    De acordo com o servidor, o governo estadual comprou o local, assumiu as dívidas e depositou R$ 380 mil para os atuais proprietários. Estes, por sua vez, questionaram o valor e pedem R$ 700 mil pelo terreno e o clube. A demanda está na Justiça.

    Na expectativa de uma nova chegada de haitianos ilegais a Brasileia, a reportagem permaneceu durante parte da madrugada em frente ao atual alojamento e constatou a desenvoltura com que os imigrantes ilegais transitam no bairro.



    Sem energia na casa, eles permaneceram até a madrugada nas calçadas bebendo cerveja e refrigerantes. Integrados à comunidade local, os haitianos não causam qualquer problema, segundo relatos de moradores.

    A pedido de um dos imigrantes, o vizinho Jamisclei Ferreira Campelo, de 33 anos, comprou um celular, aparelho de uso comum deles. Como não tem a entrada no país legalizada, eles estão impossibilitados de ter aparelhos de telefonia móvel e outros eletrodomésticos, mesmo dispondo do dinheiro para a compra.

    “Eles são tranquilos, não incomodam ninguém. Nós temos dó deles porque não têm nada”, frisou Filomena Maria César, 66 anos, também moradora do bairro Ferreira da Silva.

    Por: Marcos Chagas Enviado
    Fonte: Agência Brasil – EBC
    Edição: Tereza Barbosa

    quinta-feira, 15 de novembro de 2012

    O PT e seu coração de mae e assim

    Kassab diz a presidente que maioria do PSD apoia reeleição


    Apesar de ter apoiado a candidatura tucana de José Serra à Prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais, o prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD disse à presidente Dilma Rousseff que a maioria do partido apoia sua reeleição em 2014, embora a sigla tenha se formado com integrantes de outras legendas, especialmente do Democratas, que em 2010 apoiaram tanto Serra como Dilma. 

    Dilma e Kassab jantaram no Palácio da Alvorada, anteontem, na sequência de encontros que a presidente vem mantendo com os partidos da base aliada, para discutir a relação com a base nos dois últimos anos de mandato. Ontem, a presidente recebeu o presidente do PP, Francisco Dornelles, sempre acompanhada do presidente do PT, Rui Falcão, e da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). 

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    segunda-feira, 12 de novembro de 2012

    Lula evita comentar penas de José Dirceu e José Genoino

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esquivou nesta segunda-feira de comentar a definição das penas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino no processo do mensalão. O Supremo Tribunal Federal (STF) fixou nesta tarde em dez anos e dez meses de detenção, em regime fechado de prisão, a condenação de José Dirceu, enquanto José Genoino foi condenado a seis anos e onze meses de prisão, em regime semiaberto. O ex-presidente petista participou hoje da abertura das Olimpíadas do Conhecimento, na capital paulista.

    terça-feira, 6 de novembro de 2012

    Tipping point? Pesquisadores alertam para um colpaso do planeta


    Tipping point? Não precisamos nos preocupar. Recebi um paper de um leitor sobre  investimentos privados em conservação da natureza bastante alvissareiro. E as ações de sustentabilidade que crescem exponencialmente com o destroçamento dos ecossistemas e o fim dos 22 serviços ecológicos que dão sustentação a todas formas de vida terrestre?



    Os investimentos privados possuem um track record excelente, embora tenham ignorado por completo seus impactos ambientais e sociais. Entre as conquistas temos a comida mais venenosa de todos os tempos que provocou a fatalidade de um em cada dois homens ter algum tipo de câncer ao longo de suas vidas e uma em cada três mulheres. Somos assombrosamente os bichos da Terra mais submetidos a doenças degenerativas que já se teve notícia por aqui. Uma conquista e tanto. E essa conquista só tende a aumentar: o número de diabéticos da China aumentou dez vezes desde que chegou lá o fast food e os relatórios comemoram com o impulso que vai dar no sistema de saúde. Chocante, porque não há nem porque esconder a alegria com os resultados atingidos.



    Outra conquista importante, são as condições atmosféricas urbanas que se tornaram tão nefastas que hoje quase 100% de crianças e idosos sofrem de doenças respiratórias e um percentual até morre, aumentanto o setor de sepultamento. Sequer enxergamos essa exemplar destruição da camada atmosférica, totalmente irrefutável e não suscetível a qualquer desvario da negação do aquecimento global. Na verdade, nós não enxergamos mais nada, quase que literalmente e alguns mais afortunados conseguem mudar de cidade, o que impulsiona as regiões interioranas para levar lá o mesmo tipo de “desenvolvimento”. Tudo se resolve, mesmo que seja pela expansão da pior cadeia de atividades produtivas que se tem notícia desde que inventamos a roda.



    Com todas essas conquistas luxuriantes como track record, agora temos investimentos privados, private equity ou precificação para conservação da natureza. Tudo isso muito provavelmente com o propósito único de testar se a unicidade planetária de seres vivos e ecossistemas é realmente válida, porque essa seria condição sine qua non para evitar o fim da vida e para não precisar mudar radicalmente um modelo que está nos lançando na direção da nossa própria extinção.



    Ironias a parte, sabemos que de onde poderiam ver as verdadeiras críticas, isso não acontecerá; de onde poderia realmente vir as mudanças no sistema de produção, não virá. Tanto o poder econômico quanto intelectual conseguem se confundir a ponto de não saber mais onde começa nem onde termina o erro no qual nos enfiamos e nem lembramos ou reconhecemos que apenas somos psítacos repetindo da maneira que nos convém as verdades que já foram ditas por tantos antes de nós, como Georgescu.



    Adicionalmente, não dá para negar que as evidências atuais do planeta já seriam desconcertantes e mobilizadoras se algum resquício de bom senso nos tivesse restado.



    Pela nossa total falta de bom senso e interesse próprio individualista extremamente aguçado, só iremos acordar não quando a evidência for desconcertante, mas quando ela atingir um número de pessoas suficiente para deixar bem claro que até mesmo a fantasilândia onde poucos de nós vivemos nesse planeta será destroçada a qualquer momento.

    Aí iremos mexer nossos traseiros. Mas quase com certeza será tarde demais. A biologia tem toda razão em declarar que a espécie humana é a mais estúpida desse planeta, pela sua incapacidade de interagir harmoniosamente com as demais espécies vivas e os ecossistemas, sem os quais não somos nada. Não são só os físicos que se assombram com as bobagens escritas por Paul Krugman, David Romer, Joseph Stiglitz, etc. Os biólogos também não são muito misericordiosos conosco e com razão. Depois falamos dos paleontólogos que contam por dia o desaparecimento eterno de espécies animais e vegetais e podem, à diferença das espertas dúvidas com o aquecimento global, apontar com bastante clareza os culpados. Também não dizem com muito alegria que “é muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra a natureza.”

    Menos desmatamento até 2020



    O Brasil se comprometeu a reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% em 2020, tendo por base a média registrada entre 1996 e 2005; e do Cerrado em 40%, também daqui a oito anos, se comparado com a média verificada de 1999 a 2008. Essas metas, consideradas ambiciosas pelos especialistas da área ambiental, estão descritas no âmbito da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e foi um dos tópicos da explanação do analista do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Adriano Santhiago Oliveira. Na tarde de quarta-feira (31), ele participou de audiência pública na Comissão Mista de Mudanças Climáticas (CMMC) do Congresso Nacional, destinada a debater os planos de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e o plano de agricultura de baixa emissão de carbono.

    Oliveira disse aos parlamentares que o desmatamento no bioma da Amazônia é o menor dos últimos oito anos, pois houve uma redução de 77% em 2011, se comparado ao índice registrado em 2004. “O Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM) e o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) são as maiores contribuições do Brasil para a mitigação da mudança climática justamente no setor que mais contribui para as emissões de gases de efeito estufa, o setor de mudança de uso da terra e florestas”, salientou.

    Também participaram do debate promovido pela CMMC o especialista em meteorologia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Alaor Dall´Antonia, e o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas da WWF-Brasil, Carlos Eduardo Rittl. A audiência pública foi presidida pelo deputado Márcio Macedo (PT-SE). (Fonte: Luciene de Assis/ MMA)

    Chefe do FMI elogia Brasil e vê fim de desaceleração chinesa










     A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, avalia que a economia brasileira entrou em processo de recuperação e é um dos destaques positivos no cenário global deste fim de ano. Lagarde, segundo apurou o Valor, fez essa avaliação em discurso informal, ontem à noite, em um jantar oferecido aos participantes do G-20, na Cidade do México.

    No jantar, Lagarde comentou que havia dois "destaques positivos" na situação global, no fim de 2012. Uma é a retomada do crescimento da economia brasileira. Outro destaque, na visão de Lagarde, é que a desaceleração da China teria sido finalmente interrompida.
    Dólar


    Os países do G-20 devem se comprometer com políticas cambiais mais transparentes, segundo informou nesta segunda-feira uma fonte de uma das delegações que participam do encontro de autoridades financeiras na Cidade do México.
    Os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G-20 vão divulgar, até o fim do dia, um comunicado no qual se comprometerão a caminhar mais rapidamente em direção a taxas cambiais determinas pelo mercado, segundo fontes ouvidas pela Dow Jones Newswires.
    No comunicado, o G-20 dirá que seus membros vão se abster de desvalorizações cambiais que tragam vantagens competitivas, segundo uma fonte.
    Com Dow Jones Newswires

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    segunda-feira, 5 de novembro de 2012

    O pensamento único, o ENEM e o achismo do Ministro

    O Movimento Imigratório para o Brasil no Século 21.


    Sem noção, falaram alunos que renderam o ENEM, referindo-se ao tema da redação.


    Forçação de barra, falavam outro. O tema foi acertado com Lula e Dilma, para elogiar o "crescimento da economia" brasileira, dizia uma moça na porta da UFPA.

    Veja a declaração do Ministro de Educação. Achismo puro.

    “Temos uma comissão competente que considerou, entre tantas sugestões de tema, este o mais adequado. Ele pressupõe a capacidade de articular informações e refletir sobre o momento que o Brasil está vivendo. O Brasil é um país que teve uma diáspora, mas com a estabilidade, a democracia, hoje atrai povos. Acho que é um tema bastante contemporâneo, desafiador e não previsto".

    Sim, o Ministro acha, que  o tema deve ser contemporâneo. Achismo. 

    Tão contemporâneo que praticamente não existe literatura sobre o assunto, que permita construir uma argumentação teórica fundamentada, fora do que falam alguns jornais ou declarações do Palácio do Planalto sobre a COPA e outros eventos, onde se pressupõe que haverá grandes investimentos.

    Seguramente o Ministro se inspirou naquela propaganda do Ronaldo que diz que o Brasil é a bola da vez...

    Isso é diminuir a construção de um discurso sobre a imigração para o Brasil. Qual tendência migratória que supere à dos japoneses do século passado ou as dos latino americanos, também do século passado. A dos Haitianos, Quantos já vieram para o Brasil?, e quantos bolivianos entraram pelo Acre?. Chute, porque existe pouca informação estatística sobre o assunto.

    Por que no se fala logo que o que o Ministro e o Governo pretenderam foi forçar a construção de um discurso onde se elogiasse o governo Lula que, segundo muito se fala, abriu as portas para a imigração de algumas comunidades de países da América Latina (Só Bolívia) e Caribe.

    Eu não soube de chilenos que imigrassem para o Brasil em busca de oportunidades de trabalho, ou de argentinos...

    Se a "competente" designada pelo ministro tivesse mais imaginação poderia ter falado sobre o que uma suposta imigração reversa, que acho ainda não da para um texto de redação do ENEM.

    Mas o pensamento único constrói seu discurso como pode, até sem argumentos, nem fundamentos. Como não sabem que a história se mede por tendências, qualquer panfleto é suficiente....

    Como se fosse pouco, agregaria que o tema do ENEM foi escolha política partidária. Valorizou demais as Ciências Humanas (muito lero, lero) e puniu as Ciências Exatas. O que Brasil mais precisa...



    Brasil melhora participação em ranking global de inovação

    O País conquistou duas novas posições no ranking mundial de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) elaborado pela consultoria americana Booz & Company.


    O Brasil, que nas últimas duas edições anuais do levantamento era representado por cinco companhias, agora conta com sete. À lista - que tinha Petrobras, Vale, CPFL Energia, Totvs e Embraer - foram adicionadas Gerdau e Companhia Paranaense de Energia (Copel).

    "A inserção dessas duas empresas não surpreende porque são companhias de setores de capital intensivo [energia e siderurgia] que precisam de P&D para dar eficiência na aplicação desses recursos", disse ao Valor Gustavo Roxo, sócio da Booz & Company no Brasil.

    Das empresas que constavam nos levantamentos anteriores, todas melhoraram suas colocações. A maior evolução foi registrada pela CPFL Energia. A companhia saltou 71 posições e passou da 705ª para a 634ª. O levantamento é realizado desde 2005 e leva em consideração as mil maiores empresas de capital aberto do mundo.

    Com o resultado das companhias brasileiras, o país somou US$ 3,7 bilhões, um incremento de US$ 1,6 bilhão na comparação com o estudo de 2010. Isso fez com que o país quase dobrasse sua participação nos gastos globais com P&D. A parcela do Brasil, que foi de 0,39% em 2010, ficou em 0,63% em 2011.

    Na avaliação de Roxo, o desempenho do Brasil é positivo, mas as empresas brasileiras precisam evoluir muito seus investimentos para que o país possa se aproximar de nações emergentes como China e Índia. Juntos, os dois países registraram o maior aumento em recursos para P&D no mundo no ano passado: 27,2%, somando US$ 16,3 bilhões. Deste total, a China respondeu por mais de 90%. O país tem mais de 40 empresas na lista das mais inovadoras. A Índia, apesar de ter um volume de investimento (cerca de US$ 2 bilhões) menor que o do Brasil, tem nove empresas na lista.

    A questão, segundo o especialista, não é só aumentar o volume de dinheiro aplicado nessa atividade, mas também ter mais atenção à classificação desses aportes dentro dos balanços. "Muitas dessas informações às vezes não estão claras nos balanços. Gastos com P&D acabam entrando como investimento normal. E é importante ressaltar isso até para valorizar o que a empresa faz", disse.

    Globalmente, os investimentos em P&D das mil maiores empresas cresceram 9,6%, para US$ 603 bilhões. É o segundo ano consecutivo de crescimento, depois de recuos ocasionados pela crise econômica mundial entre 2008 e 2009. De acordo com Roxo, a retomada dos investimentos foi estimulada pelos Estados Unidos. "Os EUA, de certa forma, servem como referência para os investimentos em P&D no mundo. O sentimento de retomada da economia por lá é um forte estímulo", disse. Os investimentos das empresas americanas cresceram 9,7% em 2011, pouco acima da média mundial (9,6%).

    Em 2011, a montadora japonesa Toyota assumiu a liderança da lista da Booz. Com um aumento de 16,5% em seus investimentos em P&D, a companhia chegou a quase US$ 10 bilhões em recursos aplicados, o que a fez passar da 6ª colocação para a primeira. O resultado permitiu à Toyota desbancar a farmacêutica Roche, que liderou as listas de 2009 e 2010. Com retração de 2,1% nos investimentos (US$ 9,4 bilhões em 2011 ante US$ 9,64 bilhões em 2010), a Roche ficou na 3ª colocação, e ficou atrás da também farmacêutica Novartis.

    Na lista das dez companhias que mais investem em P&D no mundo, duas são do setor automotivo, quatro da área farmacêutica e quatro de tecnologia da informação. Na avaliação de Roxo, esses setores, em relação a outros segmentos, exigem aportes mais altos das companhias para se diferenciarem dos concorrentes.

    Pelo segundo ano, nenhuma empresa do mercado de TI figurou na lista das três maiores investidoras em P&D. Duas companhias do setor, no entanto, tiveram altas de investimento bem acima da média, o que ajudou a elevar suas posições no ranking: Intel (27,3% a mais de investimento, passando da 11ª para a 8ª colocação) e Samsung (13,9% de incremento, subindo um degrau, para a 6ª colocação). Os setores de computação e eletrônicos lideraram os investimentos em P&D, com 28% do total.

    Valor Econômico
    Terça-Feira, 30 de outubro de 2012

    sábado, 3 de novembro de 2012

    Novo Pacto Federativo - Campos se une a Aécio

    O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), dois nomes cotados para a eleição presidencial de 2014, já estão afinados no discurso da necessidade de um novo pacto federativo no País. A desconcentração das receitas que estão com a União e o fortalecimento dos Estados e municípios são uma bandeira antiga do senador tucano - herdada de Itamar Franco -, que foi adotada mais recentemente por Campos, na esteira das eleições municipais.

    Veja também:
    Eduardo Campos afirma que será fiel ao Planalto
    PT supera PSDB em eleitores de MG e SP
    Em recado a Eduardo Campos, Lula diz que apoiará Dilma em 2014




    Embora no plano federal participem de bases distintas, PSDB e PSB são aliados no âmbito estadual e caminharam juntos, nas eleições de outubro, na disputa por cidades importantes como Belo Horizonte e Campinas - onde a aliança derrotou candidatos apoiados pelo ex-presidente Lula e a presidente Dilma.

    Campos inseriu as expressões "novo federalismo" e "pacto federativo" no seu repertório logo após o resultado do primeiro turno. Provocado a falar sobre eventuais planos de disputar a Presidência, ele lançou o mote: a rediscussão de um novo pacto federativo é mais importante do que ficar discutindo 2014.

    "Temos que olhar para o novo debate que precisa ser feito pós-eleição, o debate do novo federalismo", disse Campos, também presidente nacional do PSB.

    Aécio afirma que se trata de "uma questão central". "Os prefeitos eleitos devem aproveitar para comemorar muito suas vitórias e começar, a partir de depois de amanhã, a se preocupar com o que vão receber. Porque há um processo de fragilização enorme dos municípios no Brasil. O governo federal tem sido muito pouco generoso com os municípios. As ações do governo são na linha da concentração. Essa certamente é uma das questões que subsidiam nossa proposta", disse o tucano ao Estado.

    "Essa mobilização por um novo pacto federativo, a reforma da Federação, é essencial."

    O senador tucano também critica "a pouca participação ou a diminuição progressiva da participação do governo federal" no financiamento da saúde e na área da segurança pública nos Estados.

    Alinhados. Na mesma linha, Campos tem dito que os repasses federais por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) devem permitir não somente custeio dos municípios e Estados, mas investimentos em saúde, educação, mobilidade, habitação e segurança pública.

    "Os municípios precisam das condições para realizar seu papel na estruturação das políticas públicas nas mais diversas áreas", disse o governador, que saiu reforçado das urnas.

    O PSB foi o partido que proporcionalmente mais cresceu nas eleições municipais. A legenda aumentou em 42% o número de prefeituras em relação a 2008 - passou de 310 para 440 - e conquistou cinco capitais. "A vitória eleitoral traz mais responsabilidade e é preciso usar a força política à disposição de boas causas", ressaltou Campos.

    A defesa de um novo pacto federativo será um dos temas do seminário que Campos organizará em janeiro com todos os 184 prefeitos eleitos de Pernambuco. O encontro irá debater os desafios dos novos gestores nos próximos quatro anos.

    quinta-feira, 1 de novembro de 2012

    Lula, Dilma e PT apostaram na polarização, surgiu a 3ª Via

    PSB diz não querer mais cargos de Dilma

    Fernando Rodrigues (UOL)

    Em nota oficial, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), presidido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, afirmou que “repudia toda e qualquer informação de que pleiteia cargos no governo federal”.

    Esse boato circula em Brasília depois que o PSB emergiu como um dos mais vitoriosos partidos nas eleições municipais deste ano. Vai governar 5 capitais, ficando no topo do ranking.

    Eduardo Campos tem interesse em eventualmente ser candidato a presidente da República em 2014 ou 2018. Para mantê-lo dentro da aliança que elegeu Dilma Rousseff em 2010, a administração federal petista estaria acenando com mais cargos para o PSB em Brasília.

    Aí o PSB soltou a nota.

    É um ato curioso. Todos os dias há um boato em Brasília sobre um ou outro partido estar recebendo ou pedindo cargos. É incomum ver um partido soltar uma nota oficial para debelar um boato cuja origem nem é conhecida.

    Ao falar em público que não deseja ver seu espaço ampliado no governo Dilma, o PSB emite também um outro sinal. Prefere ficar do tamanho que está porque fica mais fácil desembarcar do governo federal, se for o caso, mais adiante.

    Eis a íntegra da nota:



    NOTA DE REPÚDIO

    O Partido Socialista Brasileiro (PSB) repudia toda e qualquer informação de que pleiteia cargos no Governo Federal. Nenhuma declaração oficial ou pessoal foi autorizada nesse sentido, carecendo, portanto, de sustentação as insinuações veiculadas em órgãos da imprensa.

    O partido não se manifestou – e não manifestará – qualquer intenção nesse sentido, porque o apoio ao governo Dilma é desdobramento da aliança que vigorou nos dois mandatos de Lula, firmada desde a campanha de 1989.

    O PSB integra a base de sustentação do governo Dilma e honra seu compromisso na luta por um Brasil melhor, economicamente forte e socialmente mais justo. O cenário global é complexo e as forças de esquerda devem estar unidas para enfrentar os desafios que se apresentam.

    Temos também presente a necessidade de dar prioridade às novas administrações que o povo brasileiro nos confiou nesse pleito. Uma das melhores formas de proteger a sociedade e, sobretudo, de proteger as classes menos favorecidas, é fazer uma boa gestão honesta e eficiente. Fazer o debate político foi uma grande contribuição do partido nessas eleições. O PSB discutiu programas e marcou posição.

    Essa é uma vitória que deve ser festejada por todos os democratas.

    Dirceu está se “sacrificando” por Lula, afirma ex-mulher

    Dirceu e Genoino pagam por Lula, diz primeira mulher de ex-ministro

     Em entrevista, Clara Becker insinua que o ex-presidente sabia do mensalão. E assegura que seu ex-marido “não é ladrão”


    A família do ex-ministro José Dirceu (Casal Civil) já se prepara para o pior: sua condenação em regime fechado por envolvimento com o mensalão. Enquanto o Supremo Tribunal Federal não decide a pena, parentes já planejam como serão as visitas na cadeia. A refeição da penitenciária é uma das preocupações, pois ele é reconhecido como um sujeito bom de garfo. "Meu medo é que ele se mate na prisão", chora Clara Becker, 71 anos, sua primeira mulher e mãe de seu filho mais velho, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR).

    Casados por apenas quatro anos na época da ditadura militar, ela é amiga próxima do ex-marido há mais de três décadas e tem certeza de que "Dirceu não é ladrão". "Se ele fez algum pecado, foi pagar para vagabundo que não aceita mudar o País sem ganhar um dinheiro (...) Se ele pagou, foi pelos projetos do Lula, que mudou o Brasil em 12 anos", afirma, referindo-se ao pagamento a parlamentares da base aliada que receberam dinheiro para votar a favor de propostas do governo do ex-presidente Lula, segundo a denúncia do Ministério Público.

    Para ela, militantes do PT como Dirceu e José Genoino, ex-presidente do partido, estão sendo sacrificados. "Eles estão pagando pelo Lula. Ou você acha que o Lula não sabia das coisas, se é que houve alguma coisa errada? Eles assumiram os compromissos e estão se sacrificando", indigna-se.

    "Sabe, é muito sofrimento. Uma vez peguei meu filho chorando de preocupação com o pai. E minha neta, Camila, também sente muito."

    Desde que começou o julgamento da ação penal 470, Dirceu diminuiu sua exposição pública. Para se poupar de constrangimentos, ele evita circular com desenvoltura, ser visto em Brasília ou jantar fora - seu passeio predileto. Agora, o ex-todo-poderoso do governo Lula lista quem são seus amigos fiéis e os recebe em sua casa de São Paulo ou na de Vinhedo (SP). No fim de semana do dia 7 de outubro, eleição municipal, ouviu ao telefone uma ordem expressa: "Benhê, limpa a área que eu tô chegando". Era Clara avisando que lhe faria uma visita na casa do interior paulista e deixando claro que não queria dividir a atenção do ex-marido com mais ninguém - nem com a atual namorada dele, Evanise Santos. Clara saiu de Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná, levando em um isopor uma peça de carneiro temperada no vinho branco e alecrim. Instruiu a empregada a deixar a carne três horas no forno, enquanto aguardava o anfitrião chegar em casa.

    Quando ele apontou no portão, ela ouviu também uma voz feminina. Chispou escada acima e se trancou no quarto, alegando enxaqueca. Só desceu quando seu filho bateu na porta e avisou que a "dor de cabeça" já havia ido embora. Depois do fim de semana de comilança e champanhe, Dirceu despediu-se dela, dizendo: "Preciso ir embora mais cedo para São Paulo, tenho que eleger o (Fernando) Haddad". ;.;.;.; Parente. "Hoje gosto dele como se fosse meu parente, mas já sofri muito. Sabe aquele homem que é tudo o que pediu a Deus? Pois Deus me deu e me tirou", sorri. Clara, que conta nunca mais ter namorado depois de viver com o ex-ministro, foi casada, na verdade, com Carlos Henrique Gouveia de Mello, um jovem órfão paulistano de origem argentina, pessoa que nunca existiu, a não ser no disfarce adotado pelo então subversivo banido do Brasil e procurado pelo regime militar.

    Clara sabia que o marido guardava um segredo. Imaginou que ele tivesse uma família em outra cidade, mas que teria fugido "da bruxa da mulher dele e se ele quer ficar comigo e não com ela, deixe ele aqui, né?", lembra. Só quando a anistia política foi decretada, em 1979, foi que José Dirceu contou à mulher quem realmente era, apontando uma foto dele e de outros exilados em recorte de jornal. "Pensei assim: 'Ai, era isso? Grande coisa', porque nem estava por dentro do que aquilo significava."

    Sua preocupação foi ter registrado o filho com o nome de um pai fantasma. Mas compreendeu a importância da mentira. Também diz não ter-se magoado quando, assim que voltou a ser Dirceu, mudou-se para São Palo. "Ele até quis que eu fosse junto, mas não dava, eu estava com filho pequeno, ajudava minha família e ele nem salário tinha, só queria saber de fundar essa miséria desse PT", conta ela, que é petista roxa, com direito a uma piscina nos fundos de casa decorada com a estrela e a legenda do partido em minipastilhas.

    Arrependida.
    Para ela, o único golpe foi ir a São Paulo e encontrar cabelos pretos de mulher no banheiro. Descobriu que era traída. "O Dirceu me disse: 'Se eu tenho outra é um problema, agora se a gente vai se separar é outra questão'. E eu: 'Não, senhor, acabou aqui, cara'. Peguei minhas coisas, o moleque pela mão e fui embora. Hoje, me arrependo, se eu não tivesse deixado o campo limpo, estaria com ele...", imagina.

    Ela diz já ter preferido ser viúva a ver Dirceu "cada dia mais bonito" indo em sua casa visitar o filho todo mês. Depois se convenceu de que seria melhor para Zeca ter o pai por perto e sempre cedia sua cama para o ex-marido dormir com mais conforto, mesmo que ele não tenha contribuído com um centavo de pensão. Clara acha que nunca foi amada por ele. "Dirceu nunca amou nenhuma mulher nessa vida, viu? O que ele amou foi a política e pode ir preso por isso", diz. "Agora que o cartão de crédito acabou, quero ver quem vai lá visitá-lo", provoca.

    Em um de seus últimos encontros com o ex-marido, Clara o fez chorar: "Eu disse a ele: 'A nossa ampulheta está acabando, você não se tocou, hein, garoto? Mas se um dia você precisar de mim, eu venho cuidar de você'. Ele ficou todo apaixonado e prometeu que ia me comprar um cordão de ouro igual ao que o ladrão me roubou. Mas não comprou, né, só falou..."



    DÉBORA BERGAMASCO - Agência Estado

    O Gato subuiu no telhado....

    Valério ‘depõe’ à Procuradoria e menciona Lula

    A língua de Marcos Valério amolece na proporção direta da aproximação da cana dura. O operador do mensalão prestou depoimento à Procuradoria da República, informam os repórteres Ricardo Brito e Fausto Macedo. Deu-se em setembro, numa audiência com o procurador-geral da República Roberto Gurgel.

    Valério informou que tem o que dizer. Em troca de proteção, ele se dispõe a colaborar. Tomado pelos nomes que levou à mesa, o provedor das arcas do mensalão é portador de segredos insondáveis. Citou Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, dois nomes que não constam do processo sob julgamento no STF.

    Contou que fez outras remessas de dinheiro ao exterior além daquelas que foram parar na conta de Duda Mendonça, o marqueteiro da campanha de Lula em 2002. Informou que foi ameaçado de morte. E insinuou que dispõe de informações sobre outro caso: o assassinato do ex-prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, morto em 2002.

    Para prover os detalhes, Valério pede para ser incluído no programa de proteção a testemunhas. Algo que, no limite, poderia livrá-lo da cadeia. Após avistar-se com o procurador-geral, formalizou o pedido em fax enviado ao STF, conforme já havia sido noticiado no início da semana.

    Destinatário do documento, o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo, definiu-o como “hiperlacônico”. Disse ter remetido a peça ao relator do mensalão, Joaquim Barbosa. Determinou que fosse analisada sob sigilo. Por isso, absteve-se de dar detalhes.

    Um eventual depoimento de Valério já não teria o condão de alterar os rumos do julgamento do STF. Ele já foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Porém, suas revelações poderiam ter serventia em processos que ainda aguardam julgamento no próprio STF e na primeira instância do Judiciário. São desdobramentos do inquérito do mensalão. Há, de resto, o caso do mensalão do PSDB de Minas Gerais –uma parte corre no STF e outra na Justiça Federal, em Belo Horizonte.

    Na hipótese de Valério ser levado a sério, ele seria incluído no programa de ‘assistência a vítimas e a testemunhas ameaçadas’. Previsto em lei, assegura proteção do Estado. O ex-parceiro de Delúbio Soares teria de ser enviado a um local desconhecido. Na prática, a proteção evitaria o cumprimento da pena de cadeia.

    Dependendo do que Valério disser, a troca pode ser justificável. Primeiro porque o degredo não deixa de ser um castigo. Depois, poque o país tem o direito de conhecer os detalhes de tudo o que se passou no assombroso período de 2002 a 2005. Também merece conhecer os meandros do caixa clandestino que besuntou a malograda campanha reeleitoral do tucano Eduardo Azeredo ao governo mineiro.