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domingo, 18 de novembro de 2012

Dilma pede crescimento




CÁDIZ - A presidente Dilma Rousseff fez um forte ataque aos programas de austeridade “excessiva e simultânea” em sua intervenção na plenária da 22ª Cúpula Ibero-americana, nesta manhã, sinalizando a inquietação com as consequências da crise europeia.

Em 15 minutos de discurso, a presidente observou que o panorama internacional de hoje é distinto daquele de 1991, quando as nações ibero-americanas se reuniram pela primeira vez, em Guadalajara, no México. “A crise financeira, que hoje afeta a Europa, golpeia de forma particular a península ibérica. Sabemos que Portugal e Espanha estão diante de tarefas de complexa solução. Mas sabemos, também, da força desses países, da energia criativa de suas sociedades, de sua capacidade de superação”, afirmou.

A presidente observou que “temos assistido, nos últimos anos, aos enormes sacrifícios por parte das populações dos países que estão mergulhados na crise: reduções de salários, desemprego, perda de benefícios”. Notou que “as políticas exclusivas, que só enfatizam a austeridade, vêm mostrando seus limites: em virtude do baixo crescimento, e apesar do austero corte de gastos, assistimos ao crescimento dos déficits fiscais e não a sua redução. Os dados e as previsões para 2012 e 2013 mostram a elevação dos déficits e a redução dos PIBs”.

Dilma destacou que o Brasil vem defendendo, inclusive no âmbito do G20, que “a consolidação fiscal exagerada e simultânea em todos os países não é a melhor resposta para a crise mundial – e pode, inclusive, agravá-la, levando a uma maior recessão”.

“Sabemos que os impactos da crise são diferentes entre os países, e as respostas à crise também têm suas diferenças e produzem consequências diversificadas. O equívoco, porém, é achar que a consolidação fiscal coletiva, simultânea e acelerada seja benéfica e resulte numa solução efetiva”, acrescentou.

A presidente foi adiante, no mais sólido discurso que fez até agora na cena internacional contra a austeridade: “O que temos visto são medidas que, apesar de afastarem o risco de uma quebra financeira, não afastam a desconfiança dos mercados e, mais importante ainda, não afastam a desconfiança das populações. Confiança não se constrói apenas com sacrifícios”.

Para Dilma, é preciso que a estratégia adotada mostre resultados concretos para as pessoas, apresente um horizonte de esperança e não apenas a perspectiva de mais anos de sofrimento.

A presidente reiterou que a atividade econômica mais fraca em 2012, as perspectivas para os anos seguintes, o sofrimento das populações colocam, assim, na ordem do dia a necessidade do crescimento. “Urge que os países superavitários também façam a sua parte, aumentando seu investimento, seu consumo, e importando mais”, disse.

Para Dilma, o que parece cada vez mais claro é que, “sem crescimento, será muito difícil o caminho da consolidação fiscal. Os ajustes serão cada vez mais onerosos socialmente e cada vez mais críticos politicamente”.

Em seguida, destacou medidas adotadas pelo Brasil, de estímulo econômico “sem comprometer a prudência fiscal”.

Observou que o Brasil também foi atingido pela crise, através da redução dos mercados internacionais, mas acrescentou que o país está ampliando os investimentos públicos e privados em infraestrutura. Além disso, disse que reduziu a carga tributária sobre a folha de pagamentos e fez a reforma previdenciária dos servidores públicos.

“Promovemos programas sociais que, além de seus efeitos de distribuição de renda, contribuem para manter a demanda interna. Temos logrado, assim, apesar da crise internacional, manter o desemprego em níveis bastante baixos”, acrescentou.

A presidente sugeriu à Europa não copiar erros passados da América Latina. “Quando nos reunimos em Guadalajara, duas décadas atrás, a América Latina ainda vivia as consequências de sua ‘crise da dívida’. Os governantes de então, aconselhados pelo Fundo Monetário Internacional, acreditavam, erradamente, que apenas com drásticos e fortes ajustes fiscais poderíamos superar com rapidez as gravíssimas dificuldades econômicas e sociais nas quais estávamos mergulhados. Levamos assim duas décadas de ajuste fiscal rigoroso tentando digerir a crise da dívida soberana e a crise bancária que nos afetava e, por isso, neste período, o Brasil estagnou, deixou de crescer e tornou-se um exemplo de desigualdade social. Nossos esforços só resultaram em solução quando voltamos a crescer. Pagamos a dívida externa e acumulamos quase US$ 380 bilhões de reservas e mudamos nosso modelo de desenvolvimento, ao compatibilizar crescimento econômico, contas públicas robustas, controle da inflação e distribuição de renda.”

A presidente salientou que, hoje, não só o Brasil, mas toda a América Latina “dá demonstrações de dinamismo econômico, de vigor democrático, de maior equanimidade social, graças às políticas que privilegiaram o crescimento econômico com inclusão social”.

Dilma repetiu que, na última década, o Brasil retirou da pobreza 40 milhões de brasileiros e os incorporou a um mercado de quase 200 milhões de pessoas.

Para a presidente, hoje o país está diante de um novo desafio, o da competitividade. Dilma disse que isso exige a redução do custo de capital, a ampliação dos mecanismos de financiamento de longo prazo, a criação de um forte mercado de capitais, o aprimoramento educacional, a geração de tecnologia e inovação.

Por Assis Moreira | ValorDilma pede 
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