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quinta-feira, 14 de março de 2013

Brasil 'estaciona' na 85ª posição do ranking de IDH em 2012

BRASÍLIA - A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou nesta quinta-feira o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) referente ao ano de 2012. O indicador considera a expectativa de vida, educação e renda per capta para classificar o grau de desenvolvimento de 187 países.



Em 2011, o desempenho brasileiro foi de 0,728.



O IDH do Brasil está abaixo da média calculada para a América Latina e Caribe, que se situou em 0,741 (0,739 em 2011). Segundo a ONU, essa é a segunda maior média do mundo, perdendo apenas para a região da Europa e Ásia Central, com IDH de 0,771. A média da região latina também é superior à média mundial, de 0,694 (0,692 em 2011).

Segundo o relatório, a região apresenta bom desempenho em todos os indicadores que compõem o IDH. A esperança de vida média ao nascer é de 74,7 anos e a média dos anos de escolaridade esperados está em 13,7 anos. Tais leituras colocam a região à frente de outras no que diz respeito a estes componentes. Já a expectativa de vida é praticamente cinco anos mais elevada do que a média mundial.

A região ocupa também o segundo lugar no quesito média de anos de escolaridade (média de 7,8 anos) e rendimento nacional bruto (RNB) per capita. A média do rendimento per capita está acima da média mundial, que é de US$ 10.184.

Chile em destaque


Ainda na América Latina, o Chile é mais bem colocado no ranking IDH, com 0,819 e a 40ª colocação. Depois aparece a Argentina, com índice de 0,811, na 45ª colocação. Esses dois países estão classificados com o “desenvolvimento humano muito elevado”.

Uruguai tem a 51ª colocação e IDH de 0,792, o que coloca o país no mesmo grupo do Brasil, de “elevado desenvolvimento humano”. A linha de corte é 0,8 de IDH. Também estão no grupo o México (0,775 e 61ª colocação), Venezuela (0,748 e 71ª colocação), Peru (0,741 e 77ª colocação) e a Colômbia (0,719 e 91ª colocação).

Considerando o IDH ajustado à desigualdade interna, a leitura no Brasil cai de 0,73 para 0,531, uma perda de 27,2% decorrente das disparidades na distribuição dos índices avaliados. Para efeito de comparação, as notas de México e Colômbia perdem entre 23,4% e 27,2% em função dessas disparidades.

Sul em alta

O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2013, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimentos (Pnud) tem o título de “A Ascensão do Sul”. Nele, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) avalia como a redução da pobreza e o crescimento da classe média se apresentam como os futuros o recente progresso da América Latina, Ásia e África.

“A ascensão do Sul tem ocorrido em uma velocidade e escala sem precedentes,” diz o documento. “Nunca, na história, as condições de vida e as perspectivas de futuro de tantos indivíduos mudaram de forma tão considerável e tão rapidamente.”

Como exemplo desse crescimento "espetacular", o documento lembra que a China e a Índia duplicaram o seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita em menos de 20 anos. Isso representa um ritmo duas vezes mais rápido do que o verificado durante a Revolução Industrial na Europa e na América do Norte.

“A Revolução Industrial foi vivida, provavelmente, por uma centena de milhões de pessoas, mas o fenômeno que assistimos hoje é protagonizado por milhões de milhões de pessoas,” diz Khalid Malik, autor principal do Relatório de 2013.

Com a melhoria dos padrões de vida, o percentual global de pessoas em situação de pobreza extrema caiu de 43% em 1990 para 22% em 2008. Como consequência disso, o mundo atingiu a principal meta em matéria de erradicação da pobreza fixada nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, que era reduzir para metade a percentagem de pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia entre 1990 e 2015.

O documento também chama atenção ao aumento de participação dos países em desenvolvimento no comércio internacional. Eles praticamente duplicaram a fatia de participação, passando de 25% para 47% entre 1980 e 2010.

As trocas comerciais entre esses países do Sul saíram de menos de 30% do comércio mundial, 30 anos atrás, para 25% atualmente, enquanto o comércio entre os desenvolvidos recuou de 46% do total global para 30%. E pelas projeções feitas no RDH, as relações comerciais entre os países do Sul ultrapassarão as existentes entre as nações desenvolvidas. O documento lembra que há correlação entre abertura comercial e progresso humano.


Por Eduardo Campos | Valor

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Brasil perde in fluência no continente, diz o ex-presidente

O Brasil só exerce liderança com seus vizinhos cedendo.

Como o Lula ainda governa o Brasil não podemos falar que seja ex-presidente. Daí que a gente se refira ao FHC como o ex-presidente. 

Veja o que ele fala em entrevista.


Por Cristian Klein | De São Paulo
O Brasil só exerce liderança com seus vizinhos cedendo. Esta é, em síntese, a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as relações do Brasil na América do Sul. Em entrevista ao Valor, ele disse que o país deixou de ser o ator mais influente da região, que vive um momento de fragmentação, com a criação de um terceiro bloco de países, a Aliança do Pacífico.
Essa opinião contrasta com a imagem de "global player" que o Brasil passou a ter na comunidade internacional durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. "Houve muita retórica. Quando você é 'global player', não tem que bater tanto no peito dizendo que é", afirmou FHC.

Se pudesse voltar no tempo, independentemente do Mercosul, FHC buscaria uma integração latino-americana baseada na logística, na integração da energia, dos transportes e das comunicações. FHC participou, na terça-feira, do seminário "A liderança do Brasil na América do Sul - Visões de empresários, diplomatas e políticos", realizado na Fundação iFHC, com apoio do Valor, que publica uma síntese das discussões nesta edição.

Caderno especial "O Brasil na América do Sul"


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Farc decretam cessar-fogo




A guerrilha das Farc decretou um cessar-fogo unilateral de dois meses a partir da meia-noite desta segunda-feira, antes de iniciar em Havana as negociações de paz com o governo da Colômbia, anunciou seu líder, Iván Márquez.

"Acolhendo o clamor dos mais diversos setores do povo colombiano, (o secretariado das Farc) ordena às unidades guerrilheiras em toda a geografia nacional o fim de todas as operações militares ofensivas contra a força pública", segundo um comunicado lido por Márquez.

(Redação com AFP)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Menos de 20% do esgoto são tratados na América Latina e no Caribe



Menos de 20% do esgoto são tratados na América Latina e no Caribe. Nas cidades, 16% da população (74 milhões de pessoas) carecem de saneamento adequado. A constatação está no relatório Estado das Cidades da América Latina e Caribe, divulgado na terça-feira (21) pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).

O estudo também traz notícia positiva que a região já alcançou o Objetivos do Milênio em relação ao abastecimento de água. Atualmente, 92% da população urbana têm acesso à água encanada.

No entanto, o desperdício de água tratada é grande. Cerca de 40% da água desperdiçada ocorrem devido infraestrutura precária de abastecimento e uso inadequado. As tarifas cobradas pelo fornecimento não costumam cobrir os custos de operação e penalizam os mais pobres, segundo as Nações Unidas.

“Há muitos cidadãos mais pobres que pagam caro pelo serviço, às vezes, o dobro que os mais ricos por um serviço pior”, comentou o oficial principal de Assentamentos Humanos do ONU-Habitat, Erik Vittrup.

Constatou-se que cada habitante já produz o equivalente a 1 quilo de resíduos, e a quantidade não para de crescer. De acordo com a pesquisa, os serviços de reciclagem, reutilização e aproveitamento dos resíduos sólidos ainda são incipientes em todos os países da região.

“Ainda tem um grande número de cidades que estão contaminando rios e mares e deixando lixo a céu aberto”, lamentou Vittrup.

A pesquisa apontou falhas no acompanhamento sistemático e organizado desses serviços, como a falta de indicadores precisos, completos e comparáveis, prejudicando a adoção de estratégias. Em geral, os dados são fornecidos pelos próprios provedores dos serviços. (Fonte: Flávia Villela/ Agência Brasil)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Alegorias de uma cubana no exílio Para ler fim de semana.


Zoé Valdés se tornou reconhecida como escritora ao dar aos personagens de seus romances vozes de oposição a Fidel Castro. A autora cubana nasceu em Havana em 1959 - alguns meses depois que "el comandante" e Che Guevara retiraram do poder o ditador Fulgencio Baptista. Três décadas mais tarde, exilou-se em Miami e depois em Paris, onde vive até hoje. A sua obra se ambienta entre as suas experiências vividas na ilha e no desterro político. Também traz histórias de amor, encontros e desencontros.

Zoé: "O Todo Cotidiano" se baseia em experiências vividas na Cuba natal, em Miami e Paris
Assim é em "O Todo Cotidiano", recém-lançado no Brasil. O livro reúne o primeiro título de sucesso da autora, "O Nada Cotidiano" (1997), e o inédito "O Tudo Cotidiano". No primeiro, a personagem relata o seu dia a dia em Cuba, as descobertas amorosas, ambições, confusões. Critica o regime sob o qual nasceu. No segundo, fala do exílio nos Estados Unidos e na Europa. E a crítica prossegue.
 
Espécie de alter ego da autora, a narradora e personagem principal é batizada pelo pai com o nome curioso de Pátria. O homem, fervoroso adepto da revolução, se emociona ao saber que, pouco antes de sua filha nascer, Che cobriu a barriga de sua mãe com a bandeira cubana. Depois, ela deu à luz a menina.





Essa seria uma das partes autobiográficas das histórias contadas por Zoé, convidada a vir ao Brasil para a próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em recente entrevista publicada na internet, ela contemporiza: "O livro é bastante autobiográfico, o personagem tem muito de mim, mas é um romance". De acordo com a autora, a primeira parte tem a ver com um período precário que viveu em Cuba entre 1993 e 1994. A segunda mescla a sua vivência fora do país à de outras pessoas que conheceu.

Na ilha caribenha, Pátria se sente oprimida e sem liberdade. Ela muda de nome e passa a se chamar Yocastra - um híbrido de Jocasta com Cassandra - porque o primeiro homem por quem se apaixona não queria fazer amor com a Pátria. Ele é mais velho, tem pinta de intelectual e escritor de caráter duvidoso. Os dois vivem vários anos juntos e se casam em uma manobra manipulada - até ela descobrir que o marido é uma farsa, um opressor. Adulta, a personagem incorre no mesmo erro em Paris, com consequências ainda mais nefastas.
Tentando fazer uma alegoria com a história que relata, Zoé nomeia esse primeiro marido como Traidor. A maioria dos personagens traz no nome uma carga embutida: a amiga Gusano (verme, na tradução exata; delator, na linguagem figurada em Cuba), o amigo Lince, o amante Niilista, o Inseto Cubano. Aída, a mãe, é reconhecida como "a ida", em razão de um período em que entra em um estado emocional letárgico e sem memória.

Em Paris, reflete o sofrimento que sulca o coração, a psique e as emoções dos exilados. O romance ganha ritmo acelerado, de suspense e surpresas definidoras. Ali Yocastra vive os melhores e últimos anos de sua mãe. Faz amigos e se casa pela segunda vez com um cubano que, mais tarde, surpreenderá para o mal. Infeliz, sonha com a chegada de seu verdadeiro amor, o Niilista, preso político.

"O Todo Cotidiano"

Zoé Valdés Trad.: Ari Roitman e Paulina Wacht Benvirá, 320 págs., R$ 34,90 / BB+