quarta-feira, 24 de junho de 2015

Prêmio Nobel para Francisco, Daly e Mia Couto


Reconheço que é pouco provável que os sábios da Academia de Ciências da Suécia e do Comitê Norueguês do Nobel, responsáveis pela concessão do Prêmio Nobel, acompanhem os artigos da edição de sábado da imprensa mato-grossense e menos ainda que levem em consideração a opinião de um modesto cidadão brasileiro. Paciência. Mesmo assim, sinto-me animado a expressá-la.

Na realidade, jamais o fiz em anos anteriores, em boa parte por minha visão crítica com respeito a uma premiação que cometeu erros monstruosos como, por exemplo, não conceder o Prêmio Nobel da Paz a homens da estatura dos brasileiros Cândido Rondon, Francisco Cândido Xavier ou Dom Hélder Câmara e entregá-lo a indivíduos desprezíveis, responsáveis por incontáveis mortes de civis inocentes, como Henry Kissinger. No entanto, o Prêmio Nobel é talvez a honraria de maior prestígio internacional e considero salutar exercer alguma forma de influência, ainda que infinitesimal.

Começo pelo Nobel da Paz. Meu candidato é o Papa Francisco. Desconheço no planeta, outra pessoa ou organização que tenha efetuado nos últimos anos um trabalho tão efetivo, sistemático, coerente e sincero pela paz, resolução de conflitos, diálogo entre culturas, nações, etnias e religiões. Sinto-me à vontade, pois não sou nem católico nem argentino, mas admiro profundamente esse líder espiritual que tem enfrentado com coragem questões como os conflitos entre Estados Unidos e Cuba, Israel e Palestina, a imigração africana na Europa etc. Sua recentíssima encíclica ‘Laudato Si’ é simultaneamente um hino de amor ao planeta, à humanidade e à paz e um documento que deve inspirar reflexões e atitudes nos detentores do poder político e econômico. Conceder-lhe o Nobel da Paz, mais do que reconhecimento é o fortalecimento da esperança de soluções pacíficas e sensatas para nossa Terra.

A seguir, na minha área de formação profissional, o Nobel da Economia. Há cerca de quarenta anos, com poucas exceções, essa distinção tem sido monopólio da escola neoclássica e de suas ramificações, como os monetaristas, apóstolos e artífices da financeirização da economia. Proponho concedê-lo a um pensador original, crítico e de grande solidez acadêmica: o estadunidense Herman Daly, um dos principais expoentes da escola de pensamento econômico conhecida como Economia Ecológica. Autor de importantes livros teóricos, foi economista-chefe do Banco Mundial e responsável por conceitos como o do crescimento deseconômico, que é quando os custos sociais e ambientais exigidos para o crescimento quantitativo da produção superam o valor dos itens produzidos, e do Índice de Bem-estar Econômico Sustentável, como alternativa às distorções ambientais presentes no cálculo do Produto Interno Bruto. Na trilha de Georgescu-Roegen e René Passet, Daly tem postulado a elementar verdade que a economia é um subsistema do ecossistema. Premiá-lo representaria um verdadeiro tsunami de bom senso e realismo para o estudo da ciência econômica.

Finalmente, o Nobel de Literatura. Penso que chegou a hora de premiar aquele que considero o maior escritor vivo na língua portuguesa e o maior africano. Refiro-me ao moçambicano Mia Couto. Não conheço ninguém que tenha tido o prazer da leitura de um de seus livros e não tenha se surpreendido e encantado com a beleza e o vigor de seu estilo. Sua obra me lembra uma combinação das virtudes criativas de Guimarães Rosa e da magia enraizada na natureza de Manoel de Barros. Premiar Mia Couto é uma justa homenagem ao nosso idioma, até hoje só laureado uma vez com José Saramago; ao continente africano, tão fecundo de tragédias como de esperança; e a um escritor que com singularíssima maestria faz a prosa ser poética e cria personagens e estórias singelas e inesquecíveis.

Aí estão minhas preferências: Papa Francisco, Herman Daly e Mia Couto.Com a palavra, os sábios acadêmicos suecos e noruegueses.

Luiz Henrique Lima é Conselheiro Substituto do TCE-MT.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Por ordem do Itamaraty, embaixador não acompanhou os senadores em Caracas





Embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Pereira se absteve de acompanhar a comitiva de oito senadores que foi hostilizada na Venezuela nesta quinta-feira (18). Após recepcionar os visitantes no aeroporto, o diplomata se despediu. Alegou que tinha outros compromissos. Agiu assim por ordem do Itamaraty.

O governo brasileiro avaliou que a participação direta do embaixador numa comitiva cujo principal objetivo era visitar na prisão o líder oposicionista venezuelano Leopoldo Lópes causaria problemas diplomáticos com o governo pós-chavista de Nicolás Maduro. Algo que Dilma Rousseff não quer que ocorra.

“O embaixador nos virou as costas”, disse ao blog o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), após desembarcar na Base Aérea de Brasília na madrugada desta sexta-feira (19). Vinha de uma missão paradoxal, que teve sucesso porque fracassou.

Destratados por manifestantes leais a Maduro e retidos nos arredores do aeroporto por um bloqueio das vias públicas, os senadores retornaram a Brasília sem cumprir a agenda que haviam programado. A frustração virou êxito porque o governo de Caracas revelou-se capaz de tudo, menos de exibir seus pendores democráticos.

“Entre a cumplicidade com o regime ditatorial de Maduro e a assistência a cidadãos brasileiros em apuros, a nossa diplomacia preferiu o papel de cúmplice”, queixou-se o tucano Cunha Lima. “O que aconteceu ficou acima das piores expectativas”, ecoou o também tucano Aécio Neves (MG). “Uma missão oficial do Senado foi duramente agredida e o governo brasileiro nada fez para nos defender.”

Horas antes do desembarque dos senadores na Base Aérea de Brasília, ainda na noite de quinta-feira (18), um grupo de deputados estivera no Itamaraty para conversar com o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores). Enquanto aguardavam pelo início da audiência, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) acionou o viva-voz do celular para que os colegas ouvissem um relato direto de Caracas.

Do outro lado da linha, o senador Ricardo Ferraço contou o que sucedera. E realçou a ausência de Ruy Pereira, o embaixador brasileiro em Caracas. Assim, armados de informações recebidas do front, os deputados entraram no gabinete do chanceler Mauro Vieira dispostos a crivá-lo de perguntas incômodas.

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) indagou: por que o embaixador recebeu a comitiva de senadores no aeroporto e foi embora? O ministro alegou que o diplomata não poderia acompanhar os visitantes numa incursão ao presídio onde se encontra o oposicionista Leopoldo Lópes. Sob pena de provocar um incidente diplomático.

Raul Jungmann foi ao ponto: de quem partiu a ordem? O chanceler informou que o embaixador seguiu orientação do Itamaraty. Jungmann insistiu: então, ministro, o senhor está declarando que o governo brasileiro deu a ordem para que o embaixador se ausentasse? O ministro respondeu afirmativamente.

Pouco depois desse encontro, o Itamaraty soltaria uma nota oficial sobre o fuzuê de Caracas. Em telefonema para Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cobrara uma manifestação formal de repúdio do Executivo. O texto anota que “o governo brasileiro lamenta os incidentes que afetaram a visita à Venezuela da Comissão Externa do Senado e prejudicaram o cumprimento da programação prevista naquele país.”

Não há na nota nada que se pareça com uma crítica ao governo de Nicolás Maduro. “São inaceitáveis atos hostis de manifestantes contra parlamentares brasileiros'', escreveu o Itamaraty, como se desse crédito à versão segundo a qual os militantes que cercaram a van que transportava os senadores brasileiros brotaram na hora e no local exatos sem nenhuma interferência do governo venezuelano.

Como que farejando a repercussão negativa da ausência do embaixador na hora da encrenca, o Itamaraty enumerou os serviços prestados pela embaixada brasileira em Caracas. “Solicitou e recebeu do governo venezuelano a garantia de custódia policial para a delegação durante sua estada no país, o que foi feito'', diz a nota. “Os policiais, embora armados, assemelhavam-se a agentes de trânsito do Brasil”, comparou o tucano Cunha Lima. “Nada fizeram para conter as hostilidades. Se a coisa descambasse, não creio que impediriam o pior.”

“O embaixador do Brasil na Venezuela recebeu a comissão na sua chegada ao aeroporto”, acrescentou o Itamaraty em sua nota. E Cunha Lima: “Sim, recebeu, mas virou as costas e foi embora”.

“Os senadores e demais integrantes da delegação embarcaram em veículo proporcionado pela Embaixada, enquanto o embaixador seguiu em seu próprio automóvel de retorno à embaixada. Ambos os veículos ficaram retidos no caminho devido a um grande congestionamento”. Se o embaixador ficou retido, ninguém soube. Impedidos de prosseguir, os senadores viram-se compelidos a retornar para o aeroporto. O diplomata Ruy Pereira não deu as caras.

O texto do Itamaraty compra como verdadeira uma informação contestada pela venezuelana María Corina Machado, deputada cassada por divergir de Maduro. O bloqueio foi “ocasionado pela transferência a Caracas, no mesmo momento, de cidadão venezuelano extraditado pelo governo colombiano”, sustentou o documento da chancelaria brasileira.

E María Corina, no Twitter: “Está totalmente trancada a autopista porque ‘estão limpando os túneis’ e por ‘protestos’. Se o regime acreditava que trancando as vias impediria que os senadores constatassem a situação de direitos humanos na Venezuela, conseguiu o contrário. Em menos de três horas, os senadores brasileiros descobriram o que é viver na ditadura hoje na Venezuela.''

“O incidente foi seguido pelo Itamaraty por intermédio do embaixador do Brasil, que todo o tempo se manteve em contato telefônico com os senadores”, acrescentou a nota oficial. “O embaixador ficou nos tapeando pelo telefone”, contestou Cunha Lima. Recebeu orientação do Itamaraty para fazer isso.”

Ainda de acordo com a nota do Itamaraty, o embaixador Ruy Pereira “retornou ao aeroporto e os despediu [sic] na partida de Caracas.'' Na versão de Cunha Lima, o retorno do diplomata serviu apenas para reforçar a pantomima. “Ele dizia que estava muito distante. Quando decidimos partir, apareceu em menos de cinco minutos. Eu me recusei a cumprimentá-lo. O senador Ricardo Ferraço também não o cumprimentou.

“À luz das tradicionais relações de amizade entre os dois países, o governo brasileiro solicitará ao governo venezuelano, pelos canais diplomáticos, os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido”, encerrou a nota do Itamaraty. Para os congressistas, quem deve explicações no momento é o governo brasileiro.

O deputado Raul Jungmann formalizará na Câmara pedido de convocação do chanceler Mauro Vieira e do embaixador Ruy Pereira para prestar esclarecimentos no plenário da Câmara. Cunha Lima requisitará a presença da dupla na Comissão de Relações Exteriores do Senado. De resto, os parlamentares se reunirão nesta sexta-feria, na liderança do PSDB no Senado, para decidir as providências que serão adotadas em reação aos episódios de Caracas. Uma delas é cobrar do governo Dilma que coloque em prática a cláusula democrática prevista no tratado do Mercosul.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Seminário promovido pelo Governo do Estado discute economia do Xingu durante dois dias










Da Redação
Agência Pará de Notícias
Atualizado em 16/06/2015 10:03:00


O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) está com uma força-tarefa nesta terça e quarta-feira, 16 e 17, na região do Xingu, durante o Seminário de Desenvolvimento Socioeconômico do Xingu, envolvendo um conjunto de órgãos estaduais para discussão da economia regional com a representação de empreendedores, representantes municipais e sociedade civil.

A região está em vias de experimentar uma transição que se dará com o início da desmobilização da mão de obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, construída nos últimos cinco anos na bacia do rio Xingu, próximo do município de Altamira, no sudoeste paraense. ''A intenção é definir uma Agenda Socioprodutiva para dinamizar os arranjos produtivos locais e despertar a proposição de novos projetos no Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSXingu), formado por órgãos do Estado, governos federal e municipais e sociedade civil do Xingu'', diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki.

“Com o início da desmobilização da mão de obra contratada para a construção de Belo Monte, não é só o emprego que deixará de ser gerado, mas uma gama de serviços, como por exemplo hotéis e restaurantes, atividades que foram atraídas para a região com o empreendimento da usina hidrelétrica e agora ficarão com capacidade ociosa se você não mantiver o nível de atividades para dar-lhes sustentação’’, observa a secretária adjunta da Sedeme, Maria Amélia Enriquez.

Por imposição legal, o Consórcio Norte Engenharia, grupo formado por diversas empresas envolvidas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, num investimento avaliado em R$ 19,6 bilhões, é obrigada a implementar o PDRSXingu, disponibilizando R$ 500 milhões para investimentos sociais e econômicos na região, no período de 20 anos, ou seja, até o ano de 2031, considerando o início das obras de Belo Monte em 2011. "Esses recursos, porém, não dispõem de cláusulas de atualização monetária, então, num cenário de inflação como estamos vivendo, o montante tende a se corroer rápido", adverte a secretária adjunta Maria Amélia.

Face a esse cenário de desmobilização das obres de Belo Monte, a intenção do Governo do Estado é agir, contribuindo para pensar coletivamente projetos que possam ampliar os benefícios regionais. "Percebendo essas necessidades, chamamos esta discussão com foco na sustentabilidade da socioeconomia", afirma Maria Amélia.

Economia

O seminário, aberto na manhã desta terça-feira, 16, se inicia com um amplo panorama sobre as possibilidades econômicas da região na atualidade e no futuro. Nestes dois dias, as discussões vão focar na estruturação das cadeias produtivas locais, qualificação empreendedora, instrumentos de regulação, crédito e financiamento e na priorização de uma Agenda Socioprodutiva Regional.

A região do Xingu, explica a secretária adjunta, representa 21% do território paraense, todavia cerca de 70% dessa área constitui-se em terras protegidas: são nove unidades de conservação, três de preservação permanente, seis de uso sustentável e ainda 14 terras indígenas.

“Dada essa quantidade de áreas especialmente protegidas, nos questionamos qual é a economia florestal sustentável que se pode desenvolver para a região, seja considerando o manejo sustentável florestal ou o trabalho com produtos florestais não madeireiros. A gente já sabe que há muitas atividades acontecendo ali, a exemplo da produção de óleos, essências aromáticas, as próprias produções nativas. Mas como dar vazão, de fato, às melhorias para maior qualidade de vida da população que vive nessas áreas?”, questiona a coordenadora do seminário.

Maria Amélia afirma que uma das questões é o que fazer para dinamizar a economia da floresta, oportunidade grande que a região tem e que precisa ser vista de forma cuidadosa. Um outro aspecto do cenário regional é como estruturar as cadeias produtivas que já existem na região e, muitas das quais, têm recebido o apoio do PDRS Xingu.

A cadeia da agricultura, como a do cacau por exemplo, já está implantada e há grandes perspectivas de uma projeção promissora. A região produz mais de 80% do cacau no Pará e o Estado desponta como um grande produtor do Brasil. Só o município de Medicilândia produziu no ano passado mais de 40 mil toneladas de cacau, com uma qualidade diferenciada.

Além da produção de cacau, produtos da floresta e pecuária (corte e leiteira), a região tem grandes atrativos turísticos, que, para a secretária Maria Amélia, poderiam ser melhor aproveitados em prol do desenvolvimento regional. Na tarde desta terça, a discussão será direcionada para novos negócios. Haverá uma mesa, por exemplo, para discutir a regulação de atividades, denominada "Instrumentos e orientação para ampliar as oportunidades de negócio na região".

Para a Sedeme, um dos grandes problemas na economia do Pará é o alto nível de informalidade. "Existem oportunidades, negócios acontecendo, mas eles não aparecem porque são informais. Então, nós também estamos convidando representantes de entidades responsáveis por uma série de ferramentas para estimular essa produção a vir para a formalidade. São atividades que precisam se regulamentar, precisam de licenças ambientais, registros na Junta Comercial, relatórios da Receita Federal, licenças municipais, estaduais, certificados de Vigilância Sanitária, enfim, estamos levantando a discussão sobre a importância desses instrumentos de regulação, mas também estamos debatendo a necessidade de capacitação para esse empreendedor", assegura a secretária.

Municípios

O seminário conta, também, com a participação de orgãos responsáveis por instrumentos de gestão. Uma oportunidade de desenvolvimento local é o programa de compras públicas, antecipa Maria Amélia. Ela diz que a Sedeme tem se voltado para essa oportunidade de negócio para as economias municipais, conforme aconteceu com o projeto bem sucedido da Prefeitura de Paragominas, à época da gestão do ex-prefeito e atual titular da Sedeme, Adnan Demachki.

Ocorre, assinala a secretária, que a compra da merenda escolar no âmbito dos municípios, em geral, esbarra na falta de estruturação da produção local. Muitas vezes, lembra a secretária, a prefeitura não compra em seu próprio município porque a produção não tem regularidade, quantidade e até qualidade. Também há a dificuldade de geração de energia firme para armazenar alimentos frescos adequadamente.

“O produtor diz que não tem condições de assumir uma produção ‘x’ porque sua área é pequena. Então, estamos levando também a concepção de associativismo, por meio da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB Pará). Se um não pode sozinho, dez produtores juntos podem através de uma associação", argumenta a secretária adjunta.

Nesta quarta-feira, 17, o seminário oferecerá oficinas práticas para a pactuação de novas concepções junto aos atores locais para o trabalho com o cacau, pecuária, turismo, pesca, entre outros. A intenção é discutir e usar o PDRSXingu como alavanca para gerar novas oportunidades de estruturação da região.

“Construir desenvolvimento é um processo complexo, trabalhoso, muitas vezes é preferível reclamar do que arregaçar as mangas e partir para a luta na construção. O Estado está dando um exemplo proativo ao levar sua força tarefa, estaremos juntos com a Banpará, Emater, Sedap, Uepa, Municípios Verdes, Setur, além dos órgãos que já compõem normalmente as Câmaras Técnicas do PDRS Xingu, a exemplo da própria Sedeme, Fapespa, Seplan, Sespa, Semas, Segup, Seaster, Casa Civil, Seduc e Ideflor, entre outros órgãos apoiadores’’, concluiu a secretária Maria Amélia.

O seminário tem, ainda, a parceria dos seguintes agentes financeiros: Banco do Estado do Pará (Banpará), Banco da Amazônia e Banco do Brasil, bem como do Sistema S, nome dado ao conjunto de nove instituições de interesse de categorias profissionais, estabelecidas pela Constituição Brasileira a exemplo do Sebrae, Senar, Sesc, Senac e Senai.
Valéria Nascimento
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Marta ataca Dilma e diz que Levy não é 'Judas nem Cristo'



UOL
GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA


terça-feira, 9 de junho de 2015

Lésbica? Ronda já foi vista em fotos quentes, mas declara amor por homens


“É engraçado que pessoas pensem que porque sou uma lutadora mulher eu devo ser lésbica. Eu fico meio: 'Não, eu amo tanto homens, que eu bato em mulheres para viver, só para tirá-las do meu caminho''


Ronda Rousey está 'on fire' – pegando fogo – na longa série de entrevistas que vem dando para a mídia dos EUA. Aproveitando o lançamento do livro feito em parceria com sua irmã, “My Fight/Your Fight'', a campeã do UFC tem falado de tudo. Principalmente da vida privada.



Ronda Rousey em uma foto que vazou (a de cima) e gerou questionamentos quando à sua sexualidade. Na 2ª, está com a companheira de treinos Marina Shafir

E ela aproveitou para espantar um preconceito. Falando à Rolling Stone, Rondadeu risada dos rumores de que é lésbica. Alguns dos boatos até tem certo fundamento. Há algum tempo, fotos quentes dela com outras mulheres em festa vazaram, mas nada que aparentasse ser mais do que algumas noites de diversão.

Ronda, na verdade, é categórica em falar o quanto gosta de homens, apesar de estar solteira.

“O tipo de homem que gosto tem muitas mulheres desejáveis que aceitam fazer cambalhotas por eles. Mas eu não faço esse tipo de coisas.''

Outro ponto abordado na entrevista é o jeito mais leve de ela mostrar e cuidar de sua imagem. Acostumada a ganhar e perder peso nos períodos de folga e de combate, ela só capricha mesmo em roupas e maquiagem para eventos oficiais.

“Não sinto que precise ser uma gata em todos os segundos do dia. Gosto de surpreender as pessoas quando acendo este lado. Se você se esforça o tempo todo, não há uma 'revelação'. Ainda quero ter isso. E, sabe, ser difícil de ser definida ajuda a manter as pessoas interessadas.''

UOL

domingo, 7 de junho de 2015

A amarga conta da corrupção

A falta de princípios morais dos envolvidos nos recentes escândalos é a face mais visível da corrupção no Brasil, revelando a grave crise de valores, ausência de compromissos sociais e descaso com as necessidades da população em geral daqueles que assumem posições de destaque em nossas instituições. Essas pessoas, ao contrário do que ocorre, deveriam se dedicar para melhorar nossa sociedade, nossa economia, nosso meio ambiente e contribuir para a promoção do bem comum e para a construção de um país mais próspero e desenvolvido.




Todavia, a falta de ética pública que corrompe e corrói o tecido socioeconômico do país está muito longe de ser a única conta que a corrupção nos impõe a todos os cidadãos. Há outras, não tão evidentes à primeira vista, que se desdobram em várias dimensões e que assumem proporções catastróficas, prejudicando irreversivelmente não apenas a geração atual, mas várias adiante. Vejamos algumas dessas contas:

1) Inflaciona os preços de bens e serviços. Por exemplo, a construção ou reforma de uma escola que, hipoteticamente, poderia ser de um milhão de reais, passa para a custar três milhões por causa do sobre preço praticado para garantir as propinas. Essa escola, em tese, poderia beneficiar 500 alunos. Mas com o dinheiro efetivamente gasto, caso fosse bem aplicado, poderia beneficiar 1.500 pessoas, ou seja, significa que na pratica, mil ficaram de fora por causa da corrupção. Esses excluídos deixaram de receber um benefício que provavelmente mudaria para melhor suas vidas. Porém, por causa da corrupção, esse potencial aluno poderá ser um futuro delinquente porque não teve oportunidades. Assim, ao invés de construir as bases da formação de cidadãos de bem a corrupção os destrói. Esse mesmo raciocínio serve para outras áreas, como: a saúde, o hospital superfaturado que deixa de fora milhões de necessitados; as estradas superfaturadas que deixam centenas de quilômetros sem pavimentar impedindo o escoamento eficiente da produção de milhares de pequenos produtores, reduzindo a capacidade de geração e multiplicação de riqueza; o saneamento não feito deixa a população vulnerável às doenças, especialmente crianças às verminoses, o que limita a capacidade de aprender e isso compromete sua produtividades no futuro; a infraestrutura superfaturada, exclui da mesma forma outros tantos; e por ai vai...

2) Impede que investimentos produtivos aconteçam. Empresas idôneas não querem associar suas marcas a governos e instituições corruptos, pois isso mais cedo ou mais tarde vai se voltar contra elas, comprometendo sua sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e exigente. Mais uma vez, esses investimentos poderiam empregar muitas pessoas, gerar muitas oportunidades, mas como não foram feitos, muitos dos que seriam beneficiados acabam caindo na marginalidade por falta de chances;

3) Políticas públicas e projetos sociais deixam de ser feitos. A expectativa de ganhos desmedidos, que está na base da corrupção, cega quem persegue se dar bem a qualquer custo. Agentes envolvidos com a corrupção usam todo o seu tempo e energia para “bolar esquemas” em benefício próprio e usam o cargo público para expandir seu patrimônio privado. Assim, deixam de empregar esse tempo e energia para elaborar e implementar políticas em prol do bem estar coletivo. São projetos que deixam de ser feitos, convênios que não se realizam, ações que não se implementam, deixando de beneficiar, da mesma forma, milhões de pessoas;

4) Impossibilita o recebimento de recursos financeiros. Gestores que fazem mal uso do dinheiro público ficam impedidos de ter acesso a várias fontes de recursos que estão disponíveis para serem acessados em diferentes áreas. E o pior, mancham para sempre a instituição que representam, quer seja, uma empresa, um órgão público, um município, um Estado ou o país. Isso estraga o caminho do próximo gestor que vai ficar impedido de buscar esses recursos que, se não fosse pela corrupção, estariam disponíveis e assim mais ações poderiam ser feitas em prol da sociedade;

5) Democratiza a corrupção. Como a ganância não tem limites, o corrupto precisa de toda uma “rede de proteção” que lhe de suporte. Acontece que à medida que a pratica avança esta rede ganha força e acaba “democratizando a corrupção”, que deixar de ser “oligárquica”, isto é , de ficar restrita às altas cúpulas, e passa a alimentar também as bases de apoio – se democratiza. Assim, todas as contas ocultas da corrupção se potencializam.



O resultado de toda essa conta é que a economia e a sociedade não evoluem, pelo contrario, estagnam e retrocedem, portanto, de forma alguma se deve ser tolerável com aquele que “rouba mais faz” pois é o seu presente e o futuro de seus filhos que está em jogo.

(Carolina Savedra, Economista)

sábado, 6 de junho de 2015

Edinho, amor e ódio




"Todo brasileiro já nasce sabendo conviver com as diferenças", diz a mensagem publicitária da Caixa, ilustrada por um garoto que veste uma camiseta com as cores de todos os times patrocinados pelo banco estatal. A Caixa não prega a tolerância por decisão própria, mas seguindo uma orientação do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Edinho Silva. O menor dos problemas da campanha publicitária é que evidencia, uma vez mais, a apropriação partidária das estatais. O maior é que difunde um equívoco conceitual: a tolerância não é atributo inato de ninguém.

Guido Mantega, Alexandre Padilha e Fernando Haddad sofreram vaias e ofensas, respectivamente, num hospital, num restaurante e no teatro. A campanha de Edinho foi deflagrada como reação a ocorrências desse tipo, que atingem lideranças do PT. Os malcriados que se aproveitam do clima político nacional para constranger petistas só merecem desprezo: numa sociedade decente, políticos devem ter a liberdade de circular como cidadãos comuns sem serem importunados. Contudo o governo lembrou-se muito tarde da importância do amor –e finge não saber quem moveu o peão das brancas.

Nos tempos do mensalão, um assessor da deputada Erika Kokay (PT-DF) perseguiu Joaquim Barbosa em restaurantes de Brasília para ofendê-lo. Quando a blogueira cubana Yoani Sánchez visitou o Brasil, chusmas de militantes do PT e do PC do B foram orientados pela embaixada de Cuba a melar os lançamentos de seu livro. Um bando de militantes petistas impediu, pelo vandalismo, a realização de um debate com minha participação na Festa Literária Internacional de Cachoeira (BA). Tais episódios, entre tantos outros, tiveram como protagonistas grupos partidários organizados, não indivíduos isolados. O ódio era política oficial, antes da descoberta do amor.

A tolerância é um aprendizado democrático. Ela só prevalece se o outro não é visto como inimigo, mas como um de nós. A metáfora da Caixa é adequada, pois todos os times pertencem à mesma pátria: o futebol. Contudo, no poder, o lulopetismo ensinou o contrário disso. A pedagogia oficial do ódio assevera que o país se divide em "nós" e "eles". Mais: diz que "eles" não são brasileiros com opiniões políticas diferentes, mas estrangeiros ideológicos. Você será qualificado de racista se divergir das políticas raciais; de inimigo do povo, se contestar o populismo econômico; de agente das multinacionais, se apontar a ingerência partidária na Petrobras; de golpista, se criticar o governo. Na pátria que se confunde com o partido, dissentir equivale a trair.

A súbita irrupção do amor oficial não cancelou o ódio oficial. Dilma Rousseff insiste na fórmula binária dos "predadores internos" (leia-se: os corruptos) e dos "inimigos externos" (leia-se: a oposição) sempre que menciona a Petrobras. A palavra "golpismo" tornou-se marca registrada dos pronunciamentos do PT. A proposta de resolução partidária da corrente petista integrada pelo ministro José Eduardo Cardozo e pelo ex-ministro Tarso Genro denuncia um "golpismo econômico" que estaria materializado nas políticas de ajuste fiscal conduzidas por Joaquim Levy. Edinho é do amor, mas sua chefe e seu partido são do ódio.

Edinho é do amor? Com uma mão, a Caixa lançou sua nova campanha. Com a outra, prossegue sua antiga campanha de financiamento dos blogs oficialistas consagrados à difamação sistemática da oposição, dos críticos do governo e de juízes encarregados dos escândalos de corrupção. Jatos de puro ódio cintilam sob a película do amor.

Suspeito que, tipicamente, algum malcriado sugeriu que Mantega, Padilha ou Haddad se transfira para Cuba. É o avesso simétrico do que ensina há tanto tempo o lulopetismo. Os malcriados aprenderam um método, assimilaram uma linguagem. Dizem, agora, que o "estrangeiro" é o PT. De certo modo, o PT venceu.

PT impôs ao Brasil o padrão Fifa da corrupção, diz Roberto Jefferson


Dez anos depois de denunciar o mensalão à Folha, o ex-deputado Roberto Jefferson, 61, afirma que o PT implantou o "padrão Fifa de corrupção" e que o dinheiro das estatais continua a financiar as campanhas no país.






O petebista deixou a cadeia há três semanas. Cumpre prisão domiciliar em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde já viveram os ex-craques Romário e Ronaldo.

A entrevista foi autorizada pelo juiz Eduardo Oberg, titular da Vara de Execuções Penais do Rio. Leia a seguir os principais trechos.

*

Folha - Por que o sr. decidiu denunciar o mensalão?
Roberto Jefferson - Decidi dar a entrevista porque tinha sido vítima de uma matéria que deflagrou o processo da minha cassação. Aparecia um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, recebendo R$ 3 mil e dizendo que era para o PTB. Era uma pessoa com quem eu não tinha nenhuma relação.
Virei o grande vilão nacional por R$ 3 mil. A matéria foi feita por encomenda da Casa Civil [então chefiada por José Dirceu]. Nós identificamos imediatamente de onde veio.

O governo tentou algum acordo para silenciá-lo?
Quando eu estava sob tiroteio, vai à minha casa o líder do governo, o [Arlindo] Chinaglia, e propõe um acordo. "Roberto, você renuncia à presidência do PTB, o governo designa um delegado ferrabrás para o processo, ele arquiva e tudo se acerta".
Eu disse: "Não aceito. Eu entrei pela porta da frente e vou sair pela porta da frente. Só que eu vou carregar um bocado de caras comigo. Vocês não vão me ver de joelhos, eu vou enfrentar vocês".
[Chinaglia nega o relato.]

Dez anos depois, o PT diz que não se comprovou o pagamento de mesada a deputados.
Havia mesada. A Lava Jato agora clareou isso. Por respeito à decisão do ministro [Luis Roberto] Barroso, eu só posso falar do passado. Mas o [Alberto] Youssef fazia pagamento mensal para vários deputados de partidos da base. Era aquilo que havia na época. As malas chegavam com R$ 30 mil, R$ 60 mil, R$ 50 mil. Não se comprovou porque não fotografaram.

Por que o sr. não aceita ser chamado de delator?
Isso me deixa chateado. Delator é quem está dentro. Eu não deixei o PTB entrar no mensalão, não aluguei minha bancada. Quando o juiz me propôs a delação premiada, respondi: "Excelência, delação premiada é conversa de canalha. Quem faz delação premiada é canalha".

O sr. afirmou que Lula era inocente. Mantém essa versão?
Eu avisei o presidente [sobre o mensalão]. A reação dele à época me deu a impressão de que ele não soubesse. Quero crer que ele não sabia.

Seu advogado disse ao STF que Lula chefiou o esquema.
Aí foi a liberdade do advogado. Eu dizia: "Para de bater no Lula, pelo amor de Deus. Você tá contrariando o que eu disse, tá me deixando de mentiroso". Foi quando ele renunciou [à defesa].
Ele é convencido de que o Lula tem culpa, de que não se faria uma coisa dessa envergadura sem o presidente saber. Ele é meu amigo, é um grande advogado, mas não obedece o cliente (risos).

Qual a maior consequência de sua denúncia para o país?
Caiu aquele véu que havia sobre o PT, de partido ético, moralista. O PT posava de corregedor moral da pátria. Ali caiu a máscara. O PT a vida inteira deblaterou contra os adversários, mas "blatterou" a prática política padrão Fifa. O PT impôs ao país o padrão Fifa da corrupção.

Dirceu era cotado para suceder Lula. Considera que mudou a história do país?
O Dirceu saiu da fila. Se fosse ele o presidente, nós já estaríamos vivendo aqui a Venezuela. A Dilma é o Maduro (risos). O Chávez é o Dirceu. Com ele, teria cerceamento das liberdades democráticas, perseguição à imprensa livre, cadeia para opositor. Não ia ter papel higiênico.

O que o levou a aparecer na CPI com o olho roxo?
Foi por causa de uma discussão com a [ex-deputada] Laura Carneiro sobre o Lupicínio Rodrigues e a música 'Nervos de aço'. Ela dizia que era de outro autor. Eu fui pegar o CD. Era uma daquelas estantes antigas, estava solta da parede. Quando fui me apoiar, o móvel veio.
Parecia que eu tinha apanhado. Essa história não adianta [repetir]. Nem minha mãe acreditou. Se mamãe não acreditou, como é que as pessoas vão acreditar?

O sr. foi condenado por receber R$ 4 milhões do PT. O que fez com o dinheiro?
Foi gasto nas eleições municipais do PTB em 2004, em campanhas de prefeito no Rio, em Minas, São Paulo. Isso ficou no passado. O partido no poder é que tem dinheiro para fazer eleição. O pequeno não tem, ele recebe o repasse do grande.

Quem fez o acordo no PT?
O Dirceu, na Casa Civil. Fechamos ali naquele prédio da Varig [em Brasília]. Financiamento de R$ 20 milhões à eleição do PTB, em cinco parcelas de R$ 4 milhões. Esse acordo não foi cumprido, só foi paga a primeira parcela. Foi um desastre para o PTB.

Há quem acredite que esse é o verdadeiro motivo de sua briga com Dirceu e o PT.
Se mamãe não acreditou que a estante caiu em mim, não quero convencer ninguém. É minha versão. Quem não acredita, paciência.

O sr. também foi acusado de usar órgãos do governo, como o Instituto de Resseguros do Brasil, para financiar o PTB.
O Lídio Duarte nos procurou para ter aval para ser presidente do IRB, fez um acordo conosco. Ele colocaria cinco brokers, operadores de mercado, recebendo R$ 60 mil de cada um. Conseguiria fazer um caixa de R$ 300 mil para ajudar o partido. Coisa que ele nunca cumpriu.

Era dinheiro de caixa dois?
Sim.

Isso é diferente do que foi descoberto no petrolão?
Não é diferente. Infelizmente, as estatais são braços partidários. As empresas públicas ainda funcionam no financiamento dos partidos. O cara briga para fazer diretor da Petrobras. É para fazer obra positiva, a favor do povo? Não existe isso.
As estatais são as grandes promotoras da infraestrutura do país. Elas é que são fortes. Não tem empresa privada no Brasil. E tem as paraestatais, que são as empreiteiras. Funcionam em função do governo.

O que acha da proposta de financiamento público?
O Brasil não tem financiamento privado. O financiamento é público de segunda linha, mas é. Quem financia campanha no Brasil são as empresas que têm grandes contratos com BNDES, Banco do Brasil, Petrobras.
Eu acho uma graça isso: "Temos que acabar com o financiamento privado". Não tem financiamento privado, é estatal. Os empreiteiros não são privados, são braços das estatais. É aí que está o caixa de toda eleição.

Então não seria melhor proibir as doações?
Se proibir o financiamento privado, vai tirar dinheiro da saúde, do transporte e da educação para fazer campanha. É um absurdo. O político vai ser linchado na rua. E proibido o financiamento privado, você dificilmente derrotará o partido oficial.

Depois de ser cassado e preso, o sr. se arrepende por ter denunciado o mensalão?
Eu sabia o que ia acontecer e estava preparado. Não tenho nenhum arrependimento. Zero. Só não gostaria de fazer de novo, de sofrer isso tudo outra vez.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Ueba! A Fifa do Vovô!





Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Piada Pronta: "Ricardo Teixeira mora em Boca Raton".

A casa do Ricardo Teixeira em Miami fica em Boca Raton! Teixeira Boca de Ratón! Rarará!

Outra piada pronta: a empresa que pagou suposta propina pra Fifa se chama "SAFA". SAFADINHA! Rarará!

E mais piada pronta: "Homem chamado Bacon é preso após briga por linguiça". É a Guerra dos Embutidos! Rarará!

E mais esta: "Bispa Sonia lança perfume com cheiro de Jesus". Direto na igreja deve custar uns R$ 12 mil. Esse perfume tem cheiro de picaretagem!

Na próxima encarnação eu quero renascer tão rico quanto a bispa Sonia. Enriquecer em Cristo! Rarará!

E o Fifão? O Podrão Fifa! Ops, Ladrão Fifa! Padrão Fifa vira LADRÃO FIFA!

E o site "Kibeloco" lançou uma marchinha em homenagem ao Blatter: "A Fifa do Vovô Não Sobe Mais!". Rarará.

Aliás, o presidente da Fifa devia ser o Silvio Santos! Com bolas de ouro que valem mais que dinheiro! Telebola!

Ia lançar a Copa do Mundo Fifa Jequiti 2018! Rarará!

Ia fazer um Roda Roda Jequiti! Roda Roda Fifa! Rarará!

E adorei a charge do Duke: "Duas coisas que todo mundo nasce sabendo: mamar no peito e que a Fifa e a CBF são um antro de corrupção".

E durante a Copa eu chamava o Padrão Fifa de PATRÃO FIFA! Mandava no Brasil. Fifa queria dizer: "Faça Isso, Faça Aquilo". "Faça Assim, Faça Assado." "Faça Isso, Faça AGORA!" Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

Portugueis Nóis Sabe! Brasileiro escreve tudo errado, mas todo mundo se entende.

Olha esta placa num self-service: "SUFRÊ DE FRANGO". E pela cara do suflê o povo vai sufrê! Rarará!

E olha esta num supermercado em Braga, Portugal: "Baguette com sêmen!". Abreviatura de semente em Portugal é sêmen?

Já imaginou uma portuguesa grávida de uma baguete? Rarará!

E o que abre e o que fecha nesse feriadão? AS PERNAS! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Romário: apoio de Pelé a Blatter é ‘vergonhoso’

O senador Romário (PSB-RJ) considerou “vergonhoso” o apoio de Pelé à quinta reeleição de Joseph Blatter para o posto de presidente da Fifa. Em viagem a Cuba, Pelé definiu como “perfeito” o triunfo de Blatter. Por quê? “Era preciso porque é melhor ter gente com experiência.'' E Romário: “O que o Pelé tinha de gênio, de inteligente, pelo que vejo, ele perdeu a partir do momento que encerrou a carreira.”




Em conversa com o blog, Romário disse que continua atual um antigo comentário que fez sobre o mesmo personagem: “O Pelé calado é um poeta. A frase, infelizmente, tem que ser repetida. Não tem outro jeito. Essa manifestação é mais uma entre tantas.”

“Eu respeito o Pelé, não quero fazer nenhuma declaração que desmereça o que ele representa para a gente. Mas ele, nos últimos três ou quatro anos, tem sido para mim uma decepção muito grande. Você tem o direito de fazer as suas colocações. Mas, cara, o Pelé não pode estar de acordo com o quinto mandato de um presidente como o Blatter. Está mais do que nunca demostrado que a Fifa é corrupta.”

Romário prosseguiu: “A investigação ainda não acabou. Muitas coisas vão acontecer. Pode ocorrer inclusive a prisão do Blatter. Eu pergunto: amanhã, o que o Pelé vai dizer?. O cara não pode elogiar a experiência do Blatter diante de tudo isso que está acontecendo. Estou há quatro anos e meio na política. Nunca vou querer ter na minha vida essa experiência que eles têm na Fifa e que outros políticos também têm —experiência para fazer o mal, fazer sacanagem. Isso não é experiência boa para ninguém!”

Na opinião de Romário, Pelé corre o risco de ser mal interpretado. “Não estou dizendo que é isso o que acontece, mas quem está de fora acaba pensando o seguinte: Pô, esse cara com certeza tem alguma parade com a Fifa. É assim que é. Ninguém fala isso por falar —99,9% das pessoas estão contra o que acontece na Fifa. O Pelé não pode ser o único a favor. Ele não tem argumento. Dizer que o Blatter é experiente! Experiência como essa não serve para ninguém.”

Ao longo da conversa, Romário utilizou quatro adjetivos para classificar a manifestação de Pelé: “Foi uma afirmação (1) lamentável e (2) triste. Sobretudo vindo do do jogador do século”, disse de saída. “Tenho notado que opiniões (3) catastróficas como essa têm reduzido a importância que as pessoas dão às coisas que o Pelé fala. O Pelé não pode mais entrar nessas bolas divididas”, acrescentou mais adiante. Súbito, Romário soou como se tivesse encontrado o adjetivo que melhor resume sua opinião: “É (4) vergonhoso, a palavra é essa.”

quinta-feira, 28 de maio de 2015

PIADA PRONTA: PF tentará identificar possíveis crimes cometidos no Brasil, diz Cardozo


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quinta-feira (28) que a Polícia Federal analisa os fatos investigados pela Procuradoria americana sobre o esquema de corrupção na Fifa para identificar onde há indícios de crimes cometidos por dirigentes esportivos que possam ser tipificados na legislação brasileira.

"Só podemos investigar delitos que sejam tipificados pela legislação brasileira. Se neste caso houver, a Polícia Federal abrirá um inquérito e fará uma investigação rigorosa em relação a isso", afirmou.

Segundo Cardozo, o Brasil já recebeu uma solicitação de cooperação internacional para que o país auxiliasse nas investigações. O caso está a cargo da PF.




AINDA SOLTO, NO BRASIL NUNCA SERIA PRESO!


O Departamento de Justiça americano já havia afirmado na quarta quepediria a colaboração das autoridades brasileiras. O procurador Kelly Currie afirmou que a Justiça americana também vai compartilhar informações com os brasileiros para que possam, caso desejem, iniciar suas próprias investigações.

Nesta quarta (27), a polícia suíça, em colaboração com autoridades dos EUA,prendeu o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira do Futebol) José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa por suspeita de fazerem parte do esquema. Um oitavo suspeito, o ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner, se entregou em Trinidad e Tobago.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a maior parte do esquema envolvia subornos e propinas entre dirigentes da Fifa e executivos do setor na comercialização de jogos e direitos de marketing de campeonatos como eliminatórias da Copa do Mundo na América do Norte, a Concacaf, a Copa América, a Libertadores e a Copa do Brasil -esta última, organizada pela CBF.

As investigações indicam que Marin dividiu propinas recebidas pela exploração comercial da Copa do Brasil (torneio disputado desde 1989 e disputado pelos principais clubes do país) com Ricardo Teixeira (também ex-vice da CBF) e Marco Polo Del Nero (atual presidente da CBF). A confederação não se pronunciou.

O ministro do Esporte, George Hilton, disse que o governo brasileiro vai "acompanhar cada passo" de investigação.

Cardozo disse ainda que irá procurar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal analisem juntos o caso.

"A cooperação do Brasil será feita, e em havendo indício de práticas ilícitas perante a legislação brasileira e de órbita federal, agiremos com rigor. É interesse do Brasil que tudo se esclareça", disse.



AGUARDO

O titular do Esporte, no entanto, ponderou que é preciso "aguardar" o desenrolar da apuração e afirmou que não é possível iniciar, por conta própria, uma investigação sobre as denúncias.

"A nossa legislação não nos permite isso [investigação], são entidades privadas. O que o governo vai fazer é, a partir dos esclarecimentos, se posicionar e exigir que se faça o cumprimento do que determina nossa Justiça", afirmou após participar de comissão geral no plenário da Câmara dos Deputados.

O ministro aproveitou para pedir o apoio dos congressistas na aprovação de medida provisória que refinancia as dívidas fiscais dos clubes e impõe contrapartidas a eles.

"Entendemos que é bom neste momento [a investigação na Fifa], não pelo fato em si, mas porque temos aqui na Casa uma proposta - e peço o apoio a todos os nobres colegas - que busca justamente modernizar o nosso futebol, para que a gente possa ter práticas de boa gestão no nosso futebol", disse.

Questionado por jornalistas se o governo apoia a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a CBF, Hilton se limitou a dizer que o Congresso "tem essa prerrogativa". Na quarta, o senador Romário (PSB-RJ) protocolou requerimento solicitando a criação do grupo.

"O que a gente quer é que as coisas se esclareçam. O governo respeita a independência dos Poderes e se o Parlamento assim entender, temos que respeitar", afirmou.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

"No Ceará, qualquer bodega tem um projeto, mas o Brasil não tem projeto"

Não há razão para a Selic ser tão alta no país, afirma Ciro Gomes





O ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (Pros), fez duras críticas ao momento político e econômico do país durante evento da revista CartaCapital, na sexta-feira (22), em São Paulo. Candidato ao Planalto em 1998 e 2002, ele comentou seu afastamento das disputas eleitorais, afirmando que Brasília "está dominada por uma coalizão de gatunos e incompetentes". Sobre o Congresso Nacional, disse que há "ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido".


Atualmente executivo na Transnordestina, subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Ciro participou de um painel sobre as exportações no Brasil junto com o ex-ministro da Defesa e das Relações Internacionais Celso Amorim e o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), David Barioni Neto.

A falta de planejamento do governo foi um dos alvos de suas críticas. "O Brasil não tem agenda", disse. "No Ceará, qualquer bodega tem um projeto, mas o Brasil não tem projeto", declarou.

Ele ainda criticou os atuais níveis da taxa de juros básica do Brasil. "A rentabilidade dos papéis do governo é mais alta que a rentabilidade média dos negócios e é por isso que os investimentos no Brasil estão parados", disse. "Alguém fure meu olho com uma razão técnica para a taxa de juros ser dessa altura, não há razão", assinalou.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Grandes compositores

Johann Sebastian Bach (The Best of Bach) 


“Bach (riacho, em alemão) deveria se chamar Ozean (oceano) e não Bach!” Esta frase atribui-se a ninguém menos que Ludwig Van Beethoven referindo-se a Johann Sebastian Bach. Ele nasceu em 21 de março de 1685, em Eisenach na Alemanha em uma família tradicional que gerou músicos por várias gerações. Seu pai o ensinou a tocar, violino, viola e o alfabetizou musicalmente. Aos dezoito anos trabalhou na igreja de Arnstadt e já demonstrava ter uma técnica muito apurada ao órgão. Teve aulas também com Dietrich Buxtehude aprimorando sua técnica e interpretação.

Foi trabalhar em Weimar onde ganhou maior prestígio profissional. Lá ele sofreu dificuldades devido a desavenças com o duque Wilhelm Ernst.

Bach foi para Köthen trabalhar para o príncipe Leopold d’Anhalt-Köthen. Lá obteve bastante liberdade e atuou compondo em sua maioria músicas não-litúrgicas tais como os famosos e belos “concertos de Brandemburgo” e o “Cravo Bem Temperado”.

Em maio de 1723, Bach foi trabalhar como “kantor” (diretor musical e professor) na igreja de São Tomás, em Leipzig. Lá ele ensaiava coros às segundas, terças, quartas e sextas. Aos sábados, ele agregava os cantores com os instrumentistas para ensaiar e por conseguinte, apresentar aos domingos. Foi um período de muito trabalho, chegando a compor quase que uma cantata por semana. Teve algumas dificuldades e conflitos em Leipzig até que em 1729 ele ocupou o cargo de diretor doCollegium Musicum, uma orquestra de estudantes e músicos profissionais fundada por Telemann que fazia apresentações constantes na cidade.



Bach não foi tão reconhecido em sua época, sendo suas obras esquecidas até 1829, quando, segundo algumas narrativas, foram encontradas suas partituras sendo usadas para embrulhar carnes de um açougue. Assim, possivelmente muitas de suas obras foram perdidas. Porém, com o que temos, podemos ter a dimensão da genialidade deste compositor que influenciou grandes mestres da música e influencia até hoje os músicos de nosso tempo.


fff

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Barbosa critica Dilma por 'erro imperdoável' ao não vetar aumento do Fundo Partidário







O ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quarta feira, 20, que a presidente Dilma Rousseff (PT) cometeu um 'erro político imperdoável' ao não vetar a lei aprovada pelo Congresso que aumentou os recursos destinados ao Fundo Partidário.

"Há cerca de um mês a presidente da República, em um gesto absolutamente insensato, deixou de vetar uma lei irracional votada pelo Congresso que aumentou o valor do fundo partidário. Essa verba do orçamento que banca as atividades dos partidos, essa verba era algo de duzentos e poucos milhões de reais, que já era uma quantia enorme, foi aumentada para 900 milhões de reais.A presidente da República deveria ter vetado, mas deixou passar, um erro político imperdoável", disse o ex-presidente da mais alta Corte judicial do País.

Barbosa participou em São Paulo do congresso da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). Ele disse que "a corrupção pública é muito incentivada pelo modelo de organização da política que foi adotada".

"A evolução do sistema político brasileiro contribui para isso (a corrupção)", afirmou o ex-ministro. "Um sistema partidário fragmentado, sistema de partidos políticos destituídos de qualquer ideário, de qualquer conotação ideológica ou o que o valha. A atividade politica se tornou um meio para se atingir outros objetivos que não aquele de atender os interesses da coletividade. E impune".

Ele afirmou que "o esporte mais praticado pelo Congresso é a vontade de derrotar o Executivo nessa ou naquela proposta". Segundo Barbosa, o Congresso "em vez de contribuir propositivamente com políticas públicas, usa seu poder muito mais para chantagem, não é participativo" Em sua avaliação, "o Legislativo se acomodou ao presidencialismo de coalizão".

Ao criticar a ampliação dos recursos destinados ao Fundo Partidário, Joaquim Barbosa foi enfático. "Há hoje coisas inaceitáveis que o brasileiro sequer discute. A ideia de tirar uma parcela, uma fatia importante do orçamento público dedicada aos parlamentares para que possam usar lá em seus currais é algo absolutamente inaceitável."

"Eu vejo tudo isso com uma involução. O Poder legislativo, que é extremamente importante, está muito preocupado em se perpetuar nos cargos."Da platéia que o aplaudiu demoradamente, o ex-ministro ouviu a pergunta. "O sr. vai nos dar o privilégio de se tornar candidato a presidente em 2018?". Ele disse que "tornar-se presidente de seu país é a honra suprema".

Em seguida, fez uma ressalva, em meio à ovação. "Mas, em primeiro lugar é preciso ter vontade e até hoje não tive essa vontade, é simples", disse Barbosa. "Pode ser que daqui a alguns anos, mas essa vontade até hoje não tive, não."

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Papão vence e se classifica para próxima fase da Copa do Brasil

'O diabo mora nos detalhes', diz economista sobre acordos com a China

O Estado de S. Paulo


Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, é cética em relação à realização de investimentos na casa de US$ 50 bilhões anunciados pelos chineses no Brasil. Ela não acha que se trata de um episódio "pirotécnico", mas ressalta que uma coisa é a intenção e outra coisa é detalhar como serão feitos os projetos. "O diabo mora nos detalhes. Precisa ver como é que será feito, se isso vai se concretizar mesmo." A seguir, os principais trechos da entrevista.


Como a sra. avalia o anúncio de investimentos chineses no País: tem pirotecnia ou é fato?

Muitas coisas são memorandos de entendimentos, protocolos, acordos de cooperação. Isso significa que você vai detalhar o que é isso. Acho que algumas coisas estejam mais fechadas, mas todos esses US$ 50 e tantos bilhões na realidade ainda vão ter uma outra etapa que é detalhar como será feito esse acordo. Não acho que exista pirotecnia. Acho que há a intenção de fazer. Agora uma coisa é intenção e outra coisa é quando você senta para detalhar como será feito, como será construído. O diabo mora nos detalhes. Tem de olhar para ver se isso vai se concretizar mesmo. Vem para Argentina, para o Brasil, não sei se eles vão fazer todo esse investimento. Não é tão óbvio que vão bancar isso tudo, não. Depende muito das condições. Os chineses são negociadores por excelência. Não é uma coisa que vai cair do dia para noite e acabou, eles vão negociar.

Isso é um risco de não se concretizar?

Não, acho que a China tem interesse em financiar. Algumas coisas eles já fecharam. A China não está fazendo isso só com o Brasil. Fez com a Argentina, depois vão para outros países. Faz parte de uma estratégia mais global deles. De um lado você tem esses países aqui que, com a própria desaceleração da China e a queda no preço das commodities, alguns, em maior ou menor grau, por problemas domésticos estão passando por uma fase de ajuste complexo, que é o caso do Brasil. São países que têm poupança doméstica muito baixa. Argentina e Brasil precisam de investimento. Há interesse da nossa parte por esse investimento. Pelo lado dos chineses, há o interesse nos recursos minerais. A China também está num processo de internacionalização das empresas, por isso quer se expandir para a região. São regiões que têm potencial de crescimento e que estão passando por uma fase ruim. É uma intenção.

Corremos algum risco nessa investida chinesa?

A gente não é a África, que tem uma institucionalidade mais fraca. O Brasil tem uma institucionalidade mais forte. Acho que os diplomatas e as empresas no nosso caso sabem negociar para termos benefício para ambas as partes. Na época em que os chineses estavam comprando terras, o governo brasileiro limitou a compra de terras por estrangeiros, percebendo que isso não era uma boa. São culturas diferentes. Temos de aprender como fazer negócios juntos. Não há motivos para acharmos que possa ser ruim. Agora eu não sei se todos os US$ 53 bilhões serão concretizados. Não tenho muita certeza. No passado os chineses já falaram que iam investir não sei quanto e acabou não acontecendo.

Na Argentina, a indústria de vagões está preocupada com a competitividade dos produtos chineses. A sra. acha que isso pode ser um problema para a nossa indústria?

Se você deixar as empresas de construção chinesas virem construir aqui, as nossas empresas de engenharia não vão ficar muito felizes. Como faz essa repartição? Como é isso? Agora eu acho que o Brasil precisa de investimento e nessa área de infraestrutura é mais difícil vir investimento americano e europeu.

O interesse dos chineses na infraestrutura pode provocar conflito com as empresas de capital americano e europeu?

Não, porque essas empresas em geral não têm mostrado muito interesse. Como as regras de concessão na infraestrutura muitas vezes não estão muito claras aqui, o investidores europeus e americanos são mais reticentes. Já o chinês está mais acostumado a investir em outros países e aparentemente está mais disposto a correr riscos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

China, indústria do mundo


O que o contrato de patrocínio com a Parmalat representou para a equipe de futebol do Palmeiras, o que representou para o futebol mundial e, o que isso tem a ver com a nossa prateleira cheia de mercadorias chinesas?
É uma longa história, que começa antes da geração dos nossos pais e vai ter consequências talvez até depois dos nossos filhos.
Não o contrato Parmalat! Esse só durou de 1992 até 2000. Oito anos que mudam a história do clube.

Se é interdisciplinar a proposta de perceber o que impacta nossas vidas, por quê não passar pelo futebol? Paixão nacional, ou talvez mundial, que tem no seu mecanismo muita ciência pra gente explorar dos temas gestão e econ​omia!
Um clube tem corpo político, administrativo e técnico.​ ​​Lida com expectativas do seu público e, tem que apresentar resultado num ambiente muito competitivo.
Mas como nasce um clube e quanto tempo leva para construir sua história?
O principio não é feito de glórias, requer esforços e sacrifícios, aprendizados, treinamento contínuo, aposta nas categorias de base, evolução, maturidade e só daí, conquistas.



Em Agosto de 1914 o "Palestra Itália" (Palastrae - do grego, lugar de treino) foi fundado por imigrantes italianos, no estado de São Paulo.
Seus fundadores, em sua maioria trabalhadores da Indústria Matarazzo, publicaram uma convocação de esportistas num jornal da colônia italiana empolgados com a visita de clubes do futebol italiano ao Brasil. Cinco meses depois, em Janeiro de 1915 entrou pela primeira vez em campo contra o forte time Savoia Votorantim e venceu por 2 a 0, conquistando seu primeiro campeonato: Taça Savóia.

Em 1942, quando o Brasil entra na II Guerra Mundial, uma lei do Governo Vargas obriga a troca do nome. O time passa a chamar-se Sociedade Esportiva Palmeiras. Logo em seguida, seu próximo jogo definiria o campeão paulista. Já com o novo nome, marca 3 a 1 contra o São Paulo e fatura mais um título.

Resumindo a história, os números devem detalhar melhor as conquistas. Aos 85 anos de trajetória, o Palmeiras saiu do século XX avaliado como o maior campeão brasileiro tendo 37 dos principais títulos nacionais. Com aproximadamente 15 milhões de fiéis torcedores.
Mas o que vem a seguir é uma outra realidade. Completando seu centenário, o Palmeiras amarga alguns rebaixamentos consecutivos e encontra dificuldade para remontar uma equipe com qualidade e desempenho consistentes.

Nem de longe se parece com o clube glorioso do fim do milênio.



Talvez não coincidentemente, o que dividiu esses dois períodos foi o contrato com a Parmalat. Uma arriscada manobra da direção em 1992 para viabilizar uma super equipe com recurso de um patrocinador milionário, delegando e terceirizando o que até então era de competência interna do corpo administrativo do clube. Especializando-se mais em gerir a burocracia do que o seu próprio negócio. Criando dependência financeira e principalmente técnica.


O resultado por algum tempo foi gratificante, prova disso, Parmalat ainda é o patrocinador mais lembrado pelos torcedores palmeirenses, como uma época de muitas conquistas. Será mesmo?
Talvez ainda não perceberam o papel que teve aquele contrato a longo prazo.
O futebol estava indo para outro patamar e para outros valores no mundo todo e por aqui o Palmeiras apoiou essas mudanças alavancado por seu patrocinador. Tanta era a fusão, que não se diferenciava muito empresa e clube, parecia uma só identidade.
Mas por fim, ao término do jogo de interesses, o clube viu sair pela porta o dono do dinheiro, levando consigo o apoio financeiro e desmontando o plantel.


Quão drástico poderia ser o impacto de desmontar um corpo técnico?

Me perdoem os lusitanos mas pra quem já teve Dener, a Portuguesa não está longe de virar o que podemos chamar de 'Juventus da Móoca'. Como hoje também o Palmeiras recebe o apelido de 'Guarani da Capital'.
Essas comparações resumem a decadência de clubes que foram grandes e competitivos mas hoje lutam para se manter na primeira divisão ou até mesmo nos grupos de acesso.Drible não ganha jogo, gol vale por um confronto apenas e cada temporada conta pontos do zero. Não há saldo que garanta vantagem na competição seguinte. Somente uma equipe bem montada, com entrosamento, disciplina e o mais importante​, amor à camisa, podem fazer a diferença.
(A exemplo do mundial conquistado pelo Corinthians em 2012 sem a presença de estrelas. Só pra constar, eu sou santista).
Se por um lado o período vencedor não garante vitórias na atualidade, por outro lado deveria ser fácil desvencilhar-se do fantasma de ter sofrido um desmembramento técnico, retomar a gestão do time e consolidar uma equipe campeã novamente. Afinal a instituição não foi desmontada, ainda tem estádio, tem CT, tem público fiel. Por quê então vive uma crise?
Nesse novo mundo pós Parmalat o custo de montar uma boa equipe é outro, a dificuldade em mantê-la é muito maior. Futebol marketeiro e corporativo. Jogadores de carreira, motivados por riqueza, com passes caros e pouca ou nenhuma fidelidade a um brasão.

A INDÚSTRIA DO MUNDO
Com a quantidade, qualidade e preço dos produtos importados invadindo o mercado global, podemos comparar esse momento da economia consumista à fase do contrato de patrocínio Palmeiras/Parmalat.
Delegamos total gestão do parque de máquinas. Entregamos pronto, conhecimentos que levaram décadas para desenvolvermos, deixamos o nosso público se apaixonar pela conquista fácil e barata.
Mas tente adivinhar como estará nossa equipe no futuro. Aparato industrial obsoleto, carga tributária produtiva inviável, profissionais desqualificados ou sem campo de trabalho.



Essa é uma responsabilidade diária de todos.
Ao importador e ao atacadista fica a pergunta: apesar do lucro atual parecer vantajoso, pra quem esperam vender seus produtos quando faltar emprego?
E ao consumidor, fica o alerta: hoje escrevo este artigo num momento de plena retração da economia brasileira. Já se perguntou qual o seu papel na balança comercial do país? Ou qual o montante que juntos enviamos pra China diariamente?
Quanto tempo pra se recuperar disso?
Quando começaremos?



Do Blog: http://percepcaosocial.blogspot.com.br/


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Uma deputada radical assume o ministério da Justiça de Netanyahu


Gali Tibbon/AFP



Ayelet Shaked, considerada extremista pela esquerda israelense e pelos palestinos, ocupa a estratégica pasta

Benjamin Netanyahu tentou até o final, mas menos de duas horas antes de expirar o prazo para formar governo o primeiro-ministro israelense deu o braço a torcer há uma semana e aceitou designá-la ministra da Justiça. Ayelet Shaked, 39, encarna uma das arestas mais radicais no Executivo sustentado por partidos de direita e religiosos que na quinta-feira (14) à noite foi referendado pelo Parlamento, o Knesset. Shaked é a única deputada do partido nacionalista religioso Lar Judeu, defensor dos interesses dos mais de 500 mil colonos judeus assentados na Cisjordânia e o único membro do grupo parlamentar que não é judeu ortodoxo.

Sua figura de engenheira informática estabelecida em Tel Aviv, casada com um ex-piloto da força aérea e mãe de dois filhos, muito ativa nas redes sociais e nos debates na televisão, integra uma imagem política de modernidade a um discurso ultraconservador e contrário ao processo de paz, vivamente criticado pela esquerda israelense e os palestinos.

Mas até uma de suas maiores adversárias, a dirigente trabalhista Shelly Yachimocich, saiu em sua defesa diante dos comentários sexistas que surgiram depois de sua nomeação.

Por exemplo, o ex-ministro conservador Yosef Parirtzky escreveu em sua página no Facebook: "Pela primeira vez em Israel um titular da pasta da Justiça pode figurar nos calendários colocados nas oficinas de automóveis". "Não compartilho sua ideologia, e provavelmente a confrontarei, mas o surto de machismo registrado contra ela me revira o estômago", afirmou a antiga chefe de fileiras da centro-esquerda israelense.

Mães dos mártires

Ayelet Shaked não deixa a opinião pública indiferente, inclusive líderes internacionais. O então primeiro-ministro e hoje presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comparou-a a Adolf Hitler no último verão, pouco antes de eclodir a guerra em Gaza.

A deputada do Lar Judeu havia acabado de publicar no Facebook um artigo de um dirigente dos colonos com frases como esta: "As mães dos mártires [combatentes inimigos], que os enviam ao inferno com flores e beijos, devem seguir os passos de seus filhos". A divulgação da mensagem tinha sido ampliada pela mídia árabe no dia seguinte à colocação do texto no Facebook, quando um adolescente palestino foi queimado vivo por judeus radicais em represália ao sequestro e assassinato de três garotos judeus na Cisjordânia.

A nova titular da Justiça chegará hoje ao gabinete oficial acompanhada pelos escoltas que lhe atribuiu o Knesset, pois recebeu ameaças telefônicas e nas redes sociais, onde circula sua fotografia com uniforme nazista. Para os movimentos de esquerda, sua presença no ministério representa uma ameaça à independência do poder judicial.

Como deputada, defendeu na última legislatura uma lei para impedir que o Tribunal Supremo - considerado pelos analistas israelenses um contrapoder de linha liberal aos governos mais conservadores - possa continuar anulando leis votadas pelo Knesset. Yariv Oppenheimer, líder do movimento Paz Agora, define assim a chegada de Shaked à Justiça: "É como se uma divindade tivesse entrado no templo".

Líder do Likud assume Exterior

Depois de ter surpreendido nas urnas e contrariado as pesquisas em 17 de março, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se dispunha a iniciar agora seu quarto mandato de forma tranquila. O nascimento do novo gabinete ocorreu, entretanto, depois de um longo e acidentado parto. A saída do ultradireitista Avigdor Lieberman deixou o gabinete sem ministro das Relações Exteriores e com uma maioria reduzida a um só voto no Parlamento. Netanyahu assumirá pessoalmente por enquanto a direção da política externa israelense. Além de perder o apoio de Lieberman, o líder do Likud ficou à mercê de seu antigo aliado, o nacionalista e defensor dos colonos Neftali Bennet, que aproveitou sua posição privilegiada ao obter pastas de peso. Netanyahu teve de reformar a legislação para aumentar o número de ministérios e contentar os pesos-pesados de seu partido.



Juan Carlos Sanz

Em Jerusalém (Israel)

Os Estados Unidos e Cuba: uma história ímpia



O estabelecimento de laços diplomáticos entre os Estados Unidos e Cuba foi amplamente saudado como um evento de importância histórica.


Na revista "The New Yorker", John Lee Anderson resumiu a reação geral entre os intelectuais liberais.

"Barack Obama mostrou que pode agir como um estadista de peso histórico. Assim como, neste momento, Raúl Castro. Para os cubanos, este momento será tanto emocionalmente catártico quanto historicamente transformador. O relacionamento deles com seu vizinho americano rico e poderoso do norte permaneceu congelado nos anos 60 por 50 anos. Em um grau surreal, seus destinos também foram congelados."

"Para os americanos, isso também é importante. A paz com Cuba nos leva momentaneamente de volta àquela época dourada em que os Estados Unidos eram uma nação amada por todo o mundo, quando um jovem e simpático JFK estava na presidência –antes do Vietnã, antes de (Salvador) Allende (o presidente chileno), antes do Iraque e de todas as outras misérias– e nos permite nos sentir orgulhosos de nós mesmos por finalmente fazermos a coisa certa."

O passado não é tão idílico como retratado na imagem de Camelot. O presidente John F. Kennedy não foi "antes do Vietnã", nem mesmo antes de Allende e do Iraque. Mas vamos deixar isso de lado.

Em Cuba, Kennedy herdou a política de embargo do presidente Dwight Eisenhower, assim como seus planos formais para derrubada do regime, que Kennedy rapidamente botou em prática com a invasão à Baia dos Porcos em abril de 1961.

Na primeira reunião do Gabinete de Kennedy após a invasão fracassada, o clima era "quase selvagem", notou de modo privado o subsecretário de Estado, Chester Bowles. "Havia uma reação quase frenética por um programa de ação."

Kennedy articulou a histeria em seus pronunciamentos públicos: "As sociedades complacentes, autoindulgentes e moles estão prestes a ser varridas com os escombros da história. Apenas os fortes (...) podem sobreviver", disse ao país, apesar de estar ciente, como disse de forma privada, que os aliados "acham que estamos ligeiramente dementes" em relação a Cuba. Não sem razão.

As ações de Kennedy fizeram jus às suas palavras. Ele lançou uma campanha homicida para levar "os terrores da terra" a Cuba –uma frase do historiador e conselheiro de Kennedy, Arthur Schlesinger, referindo-se ao projeto que o presidente designou ao seu irmão Robert Kennedy como sendo sua mais alta prioridade.

A campanha, conhecida como Operação Mangusto, envolveu operações paramilitares, guerra econômica e sabotagem, que somadas resultaram nas mortes de milhares de cubanos.

Esses terrores da terra foram um importante fator para levar o mundo à beira da guerra nuclear durante a crise dos mísseis cubanos em outubro de 1962, como revelam estudos recentes. Mesmo assim, o governo Kennedy retomou os ataques terroristas assim que a crise passou.

Uma forma padrão dos apologistas para evitar esses assuntos desagradáveis é se ater aos planos de assassinato de Fidel Castro pela CIA, ridicularizando seu absurdo. Eles de fato existiram, mas foram apenas uma pequena nota de rodapé.

Ao tomar posse após o assassinato de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson relaxou o terrorismo. Mas não deixaria Cuba sobreviver em paz. Johnson explicou ao senador J. William Fulbright, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, que apesar de "eu não estar interessado em algo como a Baía dos Porcos", ele queria conselho sobre "como poderíamos apertar as porcas mais do que estamos fazendo".

Como observa o historiador latino-americano Lars Schoultz, "apertar as porcas tem sido a política americana desde então".

Certamente alguns sentiram que esses meios delicados não bastavam –como, por exemplo, o chefe de Gabinete do presidente Richard Nixon, Alexander Haig, que pediu ao presidente que "apenas me dê a ordem e eu transformarei aquela maldita ilha em um estacionamento".

A eloquência de Haig capturou vividamente a longa frustração dos líderes americanos com "aquela pequena república cubana infernal", a frase de Theodore Roosevelt enquanto reclamava da não disposição de Cuba em aceitar graciosamente a invasão americana de 1898 para bloquear sua libertação da Espanha e transformá-la em uma colônia virtual.

Louis Pérez, o historiador de Cuba, escreve que a "Guerra Hispano-Americana" (como é conhecida em sua nomenclatura imperial), saudada nos Estados Unidos como uma intervenção humanitária para libertar Cuba, atingiu seus objetivos: "Uma guerra cubana de libertação foi transformada em uma guerra americana de conquista", visando obscurecer a vitória cubana que a invasão rapidamente abortou.

O resultado aliviou as ansiedades americanas a respeito "do que era anátema para todos os autores de políticas norte-americanos desde Thomas Jefferson –a independência cubana".

Como as coisas mudaram em dois séculos.

Ocorreram alguns esforços hesitantes para melhorar as relações nos últimos 50 anos, analisados em detalhes por William LeoGrande e Peter Kornbluh no livro recente deles, "Back Channel to Cuba".

Se deveríamos nos sentir "orgulhosos de nós mesmos" pelos passos dados pelo presidente Barack Obama pode ser debatido, mas eles são "a coisa certa", apesar do embargo esmagador permanecer em vigor em desafio a todo o mundo (com exceção de Israel) e o turismo ainda estar proibido.

Em seu discurso à nação anunciando a nova política, o presidente também deixou claro que, em outros aspectos, a punição a Cuba por se recusar a se curvar à vontade e violência americana continuará.

Vale a pena notar as palavras de Obama:

"Orgulhosamente, os Estados Unidos têm apoiado a democracia e os direitos humanos em Cuba ao longo dessas cinco décadas. Nós o fizemos principalmente por meio de políticas que visavam isolar a ilha, impedindo a viagem e comércio mais básicos que os americanos podem desfrutar em qualquer outro lugar. E apesar dessa política ter raízes na melhor das intenções, nenhum outro país se juntou a nós na imposição dessas sanções e elas tiveram pouco efeito, fora fornecer ao governo cubano uma desculpa para impor restrições à sua população. (...) Hoje, eu estou sendo honesto com vocês. Nós nunca poderemos apagar a história entre nós."

Esse pronunciamento impressionante traz à mente as palavras de Tácito: "O crime, assim que é exposto, não tem refúgio exceto na audácia".

Obama certamente está ciente da história de fato, que inclui não apenas a guerra terrorista e o embargo econômico, como também a ocupação militar do sudeste de Cuba por mais de um século, incluindo a Baía de Guantánamo, um importante porto. Em comparação, a tomada ilegal da Crimeia pelo presidente russo, Vladimir Putin, parece quase benigna.

A vingança contra os cubanos insolentes que resistiram à dominação americana tem sido tão extrema que até mesmo prevaleceu sobre segmentos poderosos da comunidade empresarial –farmacêutico, agronegócio e energia– que fizeram lobby pela normalização. Esse é um desdobramento incomum na política externa americana.

As políticas vingativas de Washington virtualmente isolaram os Estados Unidos no hemisfério e provocaram desprezo mundial. Washington e seus acólitos gostam de fingir que "isolaram" Cuba, como Obama disse, mas a história mostra claramente que os Estados Unidos é que foram isolados –provavelmente o principal motivo para a mudança parcial de curso.

A opinião doméstica sem dúvida também pesou na "medida histórica" de Obama –apesar do público, de modo irrelevante, ser a favor da normalização há muito tempo. Uma pesquisa da "CNN" em 2014 mostrou que apenas um quarto dos americanos atualmente considera Cuba uma ameaça séria aos Estados Unidos, em comparação a mais de dois terços 30 anos atrás. Com a diminuição dos temores, talvez possamos relaxar um pouco nossa vigilância.

Nos comentários sobre a decisão de Obama, um tema principal tem sido que os esforços benignos de Washington de levar democracia e direitos humanos aos cubanos sofredores, manchados apenas pelas peripécias infantis da CIA, foram um fracasso. Nossas metas elevadas não foram atingidas, de modo que uma mudança de curso relutante é necessária.

A mentalidade imperial é maravilhosa de se ver. Dificilmente passa um dia sem novas ilustrações. Nós podemos adicionar a nova "medida histórica" em relação a Cuba, e sua recepção, à lista notável.

NOAM CHOMSKY

Noam Chomsky é um dos mais importantes linguistas do século 20 e escreve sobre questões internacionais.