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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

UFPA - Nosso compromisso com o Pará e a Amazônia Por Carlos Maneschy

Por Carlos Maneschy
Reitor da UFPA


O momento de mudança de gestão é sempre associado ao desejo de alterações qualitativas nos rumos institucionais. É um clima naturalmente propício à recepção de novas ideias, tanto quanto à consciência dos desafios colocados pelas demandas sociais e das dificuldades a enfrentar na busca de atendê-las.

Esses desafios se agigantam numa instituição que ocupa posição de liderança como a Universidade Federal do Pará, a maior instituição de ensino superior na Amazônia, responsável por grande parte da produção científica e tecnológica da região e também por um ousado programa de interiorização que, implantado há mais de 20 anos, tornou-se referência nacional.

É, entretanto, na tarefa da formação inovadora de jovens quadros que identificamos nosso compromisso prioritário com o Pará e a Amazônia. Isso significa que, sem diminuir a importância das atividades de pesquisa e extensão, consideramos a busca da excelência no ensino de graduação como missão central da UFPA nos próximos quatro anos. Para tal, é preciso ir mais além de cumprir as exigências mínimas como oferta de professores qualificados e laboratórios, por exemplo. É preciso investir na formação que seja capaz de entregar à sociedade um cidadão em condições de analisar criticamente a realidade e nela intervir para superar o atraso e melhorar a vida das pessoas.

Alterar a realidade é uma das funções sociais da universidade. Por isso, também, ela precisa ser o lugar da discussão pautada pelo interesse público, mostrando capacidade de dialogar de forma politicamente autônoma e honestamente interessada com a sociedade. É indispensável para esse diálogo que a Universidade melhore sua capacidade de comunicação, reconhecendo a informação como um bem social a ser amplamente compartilhado.

O diálogo precisa, obviamente, começar no interior da instituição, por sua natureza um espaço de circulação de ideias, onde não se pode admitir restrição a nenhuma manifestação de pensamento. A tolerância com o que é diverso e o respeito às diferenças são da essência do espírito universitário.

Com esses princípios, acreditamos na convivência respeitosa e cooperativa com as entidades representativas de docentes, técnicos e estudantes, acreditando que, na defesa de interesses legítimos, será sempre possível encontrar convergências entre posições em confronto.

Fundamentalmente, a universidade é, também, o espaço da esperança, entendida aqui não como um conceito vazio, mas como expectativa que se materializa nos atos e consequências provindas da razão e do conhecimento.

Nossa Universidade jamais será depositária dessa esperança se não garantir que sua atuação institucional seja percebida como instrumento de intervenção na vida das pessoas, de todas as formas e em todas as áreas possíveis.

Não será espaço para alimentar utopias se não acelerar o movimento para ganhar maior legitimidade social, garantindo que seus programas e projetos possam propor e, no limite, pôr em prática soluções para problemas reais.

Para tanto, precisamos da competência e do compromisso de professores e técnico-administrativos, mas também do entusiasmo típico da juventude que, ao agir, muitas vezes, com irreverência e rebeldia, ajuda a desmontar o conservadorismo dos que se acomodam com o passar dos tempos.

Essa primeira manifestação neste jornal pode parecer reflexo do otimismo natural de quem chega. Na verdade, sabe o reitor e sabe toda sua equipe dos desafios e dificuldades. O que pode parecer apenas otimismo é, tão somente, confiança num projeto pensado coletivamente com a contribuição dos diversos setores da UFPA. Um projeto que não está fechado, no sentido de que admite correção de rumos e rotas, ditada pela experiência do dia a dia.

Este artigo é uma forma de conversar com a comunidade da UFPA. Estes canais de comunicação serão ampliados em breve para permitir um diálogo o mais fluente possível entre a administração superior e os professores, técnico-administrativos e estudantes que fazem esta Universidade.

Acompanhe a Coluna do Reitor

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