quarta-feira, 4 de julho de 2012

São Paulo. Eleições 2012




Com Bruno Boghossian

O PSDB estipulou em R$ 98 milhões o teto para arrecadação na campanha municipal deste ano, que terá como candidato o tucano José Serra. O PT, de Fernando Haddad, fixou as despesas em R$ 90 milhões. O PMDB, de Gabriel Chalita, diz que gastará até R$ 70 milhões.

Para se ter uma ideia, na eleição de 2010, o PSDB, que lançou Serra candidato à Presidência, gastou R$ 106 milhões. O PT, da presidente Dilma Rousseff, apresentou despesas de R$ 153 milhões com a campanha presidencial. A maior parte dos custos é com os programas eleitorais que vão ao ar na televisão no horário gratuito.

Os partidos têm até amanhã para divulgar o teto do quanto pretendem gastar – e, portanto, arrecadar. As doações são permitidas depois do registro das candidaturas, que deve ser feito até sexta-feira, e da consequente obtenção de um CNPJ, por meio do qual são criadas as contas bancárias da campanha, onde entram as doações.

Outra vez com os mesmos erros


A recente matéria publicada no Blog da ex-governadora Ana Julia Carepa, hoje Diretora de Finanças de uma empresa de seguros do Banco do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, informa da entrega de máquinas no contexto de “uma doação” do MDA (imagine se fala em doação, como se o dinheiro fosse particular).

Isso caracteriza mais uma ação ao “varejo” do Governo Federal, promovida sem uma visão estratégica de conjunto do desenvolvimento regional sustentável do Pará. Mais uma doação, que vai requerer recursos adicionais para a manutenção de equipamento pelas prefeituras.

Sempre pensei que essas ações poderiam ser feitas como parte de um programa mais amplo de desenvolvimentos sustentável, no contexto de pólos de desenvolvimento e não de uma ação individual, em apenas algumas prefeituras.

Para isso se requer pensar o Estado de forma muito diferente de como é pensado hoje, simplesmente com um interesse político partidário.

Essa visão diferente supõe uma estratégia integradora do governo federal, estadual e municipal, o que não acontece no referido neste governo. Veja a foto e da para confirmar que é uma das marcas do PT na região do Carajás e Sudeste do Pará. Sem pacto federativo nenhum.

Para que essas ações de equipar ás prefeituras com maquinas que sejam de utilidade pública para as prefeituras, seria fundamental concentrar equipamentos, para promoiver realmente efeitos de integração de associativismo e de uso comum dos mecanismos de desenvolvimento sustentável.

Qual seria a idéia de concentrar equipamentos em diversas regiões? Em vez de distribuir 144 equipamentos para os municípios, seriam distribuídas patrulhas mecanizadas que atenderiam a vários municípios e ações de desenvolvimento sustentável, não apenas para melhorar estradas e sim ações diversas, abrir vias para escoar a produção, melhorar solos, promover o uso compartilhado e manutenção dos equipamentos, etc.

Mas, como sempre, se opta pelo caminho inverso que nunca deu certo no Brasil, trabalhar no varejo, distribuir deixando a marca pessoal de quem usa dinheiro público para se promover.

Perguntas que não querem calar:


é curiosa a presença da governadora em ato do MDA, quando ela mora no Rio e trabalha em uma diretoria de empresa de seguros do banco do Brasil?Chama a atenção.

Claro tem todo o direito de andar pelo Brasil afora, inaugurando obras de quem quer que seja, eu também. Mas convenhamos que se eu saisse por aí, inaugurando escolas de samba, programas da minha casa minha vida, creches ou tirando fotos com prefeitos,  que mais parecem  “test drive” que uma ação de desenvolvimento sustentável, não seria sério.


Se a governadora tem saudade do Pará, que venha aqui a trabalhar pelo seu Estado.

Para trabalhar pelo desenvolvimento do Pará, ninguém está sobrando.

Confira a matéria embaixo.


Do Blog da ex-governadora do Pará, Ana Julia Carepa.


MDA entrega máquinas para 58 municípios e Prefeitos recordam as Máquinas do meu Governo em 2010



"Uma visão do conjunto de máquinas entregues aos 58 municípios".VISÃO DE CONJUNTO?, DESCULPEM, MAS FALTA A VERDADEIRA VISÃO DE CONJUNTO, isso aí e um amontoado de máquinas, sem visão estratégica do conjunto da obra.
Ana Julia.
Estive participando da entrega de retroescavadeiras para 58 municípios paraenses. O evento aconteceu em Marabá na manhã do dia 02/07/2012, segunda-feira. Os equipamentos foram doados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para a realização de obras da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Através da sua Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário no Pará (DFDA-PA), o MDA realizou nos dias 28 e 29/06, um curso de capacitação para 116 operadores ligados aos municípios contemplados, etapa obrigatória para o recebimento do maquinário.

Participaram do Ato também os Deputados federais Cláudio Puty, Miriquinho Batista e a Dep. Estadual Bernadete Ten Caten, além de diversos Prefeitos(as).

Foram investidos mais R$ 10.9 milhões para a aquisição das máquinas aqui no Estado. Os equipamentos serão utilizadas para reestruturar e dar infraestrutura às estradas vicinais – denominação dada às estradas que ligam as cidades às zonas rurais – dos 58 municípios selecionados. A cerimônia de entrega está marcada para as 10h, no município de Marabá.


As ferramentas irão contribuir decisivamente para o desenvolvimento da agricultura familiar no Estado.pois vão viabilizar o escoamento dos produtos entre as regiões de produção e o comércio local, além de garantir também que os trabalhadores rurais tenham acesso à outras ações de fomento à agricultura familiar, tais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Foi emocionante e muito gratificante ouvir o agradecimento dos prefeitos que falaram pelas Associações de Prefeituras, em relação às mais de 500 máquinas que meu governo entregou em 2010 para Todas as 143 Prefeituras do Pará. Vários Prefeitos declararam publicamente no Ato, que estão trabalhando nos municípios graças as máquinas do Programa Faz Estrada do nosso governo. Na época entregamos 1 Patrol, 1 Pá Carregadeira, 1 Trator de Pneu e 1 Caçamba.

Veja a lista dos municípios contemplados no Pará: Acara, Afua, Agua Azul Do Norte, Almeirim, Anajas, Anapu, Aurora Do Pará, Aveiro, Bagre, Baião, Bannach, Belterra, Brasil Novo, Bujaru, Cachoeira Do Arari, Cachoeira Do Piriá, Chaves, Conceição Do Araguaia, Concórdia Do Para, Cumaru Do Norte, Curralinho, Curuá, Eldorado De Carajás, Faro, Floresta Do Araguaia, Garrafão Do Norte, Gurupá, Ipixuna Do Pará, Irituia, Itupiranga, Juruti, Limoeiro Do Ajuru, Medicilândia, Melgaço, Mocajuba, Muaná, Nova Esperança Do Piriá, Óbidos, Oeiras Do Pará, Ourilândia Do Norte, Pacajá, Piçarra, Placas, Ponta de Pedras, Portel, Porto De Moz, Prainha, Rurópolis, Santa Maria Das Barreiras, São Domingos Do Capim, São Geraldo Do Araguaia, Senador Jose Porfírio, Tome-açu, Trairão, Tucumã, Ulianópolis, Uruará e Vitória Do Xingu.

Quem vai quebrar o Estado não é a educação, é a falta de educação que quebra o Brasil.

Depois da farra das commodities, não sobrou nada. 

Aumento de gastos para educação pode 'quebrar' Estado, diz Mantega


O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou hoje que as discussões no Congresso que aumentam os gastos do governo colocam em risco a solidez fiscal do país.

Mantega citou o PNE (Plano Nacional de Educação), que pretende elevar os gastos do governo federal para o equivalente a 10% do PIB, e as pressões por aumentos salariais do funcionalismo.

"Sempre nos deparamos com riscos de que o Parlamento aumente os custos de maneira extraordinária, o que põe em risco a solidez fiscal que conquistamos a muito custo", disse.

O ministro afirmou que o aumento dos gastos em educação para 10% tempestivamente pode "quebrar" o Estado brasileiro.

Ele criticou também os pleitos salariais dos servidores do judiciário. Nas palavras de Mantega, são os servidores que têm os melhores salários e estão pedindo reajuste superior a 50%.

"Nossa folha é de R$ 200 bilhões e temos que ter cuidado, não podemos brincar em momentos de crise", afirmou Mantega.

Ele também criticou as tentativas de extinguir o fator previdenciário, que diminui a aposentadoria de quem se aposenta com menos de 60 anos (para mulheres) e 65 anos (para homens).

Segundo Mantega, o fim do fator retira a exigência da idade mínima para a aposentadoria, o que só existe em três países do mundo.

Mantega participa hoje de encontro organizado pelo Lide (grupo de líderes empresariais), em São Paulo.

Efeito Lula


PT nacional indica Patrus Ananias à Prefeitura de Belo Horizonte
 
SÃO PAULO - A executiva nacional do PT aprovou o rompimento da aliança com o atual prefeito de Belo Horizonte (MG), Márcio Lacerda (PSB), que concorrerá à reeleição, e indicou o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias como candidato da sigla à sucessão na capital mineira.

Segundo o presidente petista, deputado estadual Rui Falcão (SP), o presidente municipal do PT em Belo Horizonte e vice-prefeito da cidade, Roberto Carvalho, virá a São Paulo na quarta-feira para alinhavar os últimos detalhes do acerto.

Para oficializar Ananias, é preciso que Carvalho retire o registro de candidatura que fez ontem no Tribunal Regional Eleitoral local.

O anúncio põe fim à parceria entre PT e PSB na cidade. O deputado federal Miguel Corrêa (PT) avisou que o partido entregará ainda essa semana todos os cargos que tem no governo de Belo Horizonte.

(Vandson Lima | Valor)

terça-feira, 3 de julho de 2012

MPE-TO investigará relação entre Raul Filho, Prefeito de Palmas (PT) e Cachoeira

Em 30 dias, investigação do MP pode desencadear um inquérito policial ou o procurador-geral pode levar a denúncia ao Judiciário

O procurador-geral de Justiça do Tocantins, Clenan Renault de Melo Pereira, instaurou nesta terça-feira, 3, Procedimento de Investigação Criminal (PIC) para investigar as relações do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, flagradas em vídeo encontrado durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Veja também:

CPI em Palmas para examinar contrato com a Delta é remota, diz vereador
Prefeito que ofereceu ‘oportunidades’ a Cachoeira contratou Delta por R$ 119 mi
Prefeito de Palmas é flagrado em vídeo com Carlinhos Cachoeira
Relator da CPI quer reconvocar Cachoeira para agosto


A apuração será conduzida pelo próprio procurador-geral de Justiça, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organizado (Gaeco), coordenado pela promotora de Justiça Kátia Gallieta Chaves, na parte criminal, e pela Promotoria do Patrimônio Público conduzida pelo promotor Adriano Neves nos aspectos cíveis. O MP tem 30 dias para concluir a investigação e pode desencadear um inquérito policial ou, caso reúna provas convincentes, o procurador-geral levará a denúncia ao Judiciário.

O procurador explica que o procedimento foi aberto para apurar as negociações suspeitas decorrentes do "relacionamento do prefeito Raul Filho e seu amigo, Sílvio Roberto, com Carlinhos Cachoeira e seus assessores" e correrá paralela à investigação do órgão que apura outra denúncia envolvendo a esposa do prefeito, a deputada estadual Solange Duailibe (PT).

Esta outra investigação, conforme o procurador-geral, apura o depósito bancário de R$ 120 mil efetuados pelo esquema de Cachoeira na conta da ex-servidora Rosilda Rodrigues do Santos, que atuava no gabinete da esposa do prefeito. A conta era movimentada pelo ex-secretário municipal de governo e cunhado do prefeito Pedro Duailibe, exonerado do cargo após as denúncias do depósito.

"Nós estamos com esses procedimentos já em andamento e tomando as providências que o Ministério Público julgar conveniente; vamos ouvir muita gente, o prefeito, os seus assessores ligados ao caso para que cheguemos a uma conclusão", pontua Pereira, que vislumbra suposta conexão criminal entre todos os fatos. "Esse fato da Rosilda, do Pedro Duailibe, da Solange Duailibe, tudo envolve a Delta, a empresa. O negócio toma proporções maiores, mais profundos do que a gente pensava".

O Promotor Adriano Neves avalia que os vídeos mostrados corroboram com as denúncias da ação civil que tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de Palmas. "Tudo o que foi mostrado nos vídeos comprovam o que eu venho mostrando nas ações civis, o vínculo entre o prefeito de Palmas e a Delta que resultou na fraude no processo licitatório que escolheu a Delta". Desde 2009 o promotor questiona a contratação da empresa com sucessivos pedidos de anulação do contrato em liminares que foram negadas pela Justiça. "Quando vai ser julgado eu não sei, mas um dia vai terá de ser, e só o juiz pode dizer quando".

domingo, 1 de julho de 2012

México ressuscita o PRI. A versão mexicana do PT, que como o PRI pegou o gosto do poder.

O Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México apresenta uma ideologia e fundamentos teóricos parecidos à ideologia do PT Brasileiro. O PRI governou por mais de 70 anos no México e hoje pode retornar ao poder, se confirmados os resultados das pesquisas eleitorais, que o colocam 10% na frente do Partido da Revolução Democrárica (PRD).
O PRI nasceu inspirado na revolução bolchevique e nas revoluções e experiências socialistas da Europa, só que quando assumiu o poder pouco a pouco foi mudando de ideologia e perdendo seus fundamentos. Inspirados nas políticas pragmáticas para conduzir os diversos governos da “Revolução Mexicana” fizeram pactos até com o diabo e foram entregando recursos naturais e a própria economia ao sistema financeiro internacional e ao grande capital.
Foram administrando a economia com taxas de câmbio, taxas de juro, pequenos incentivos aos segmentos econômicos, diminuindo a dívida externa, aumentando a dívida externa, etc.
Qualquer parecido com Brasil é só coincidência.Até a proposta de Bolsa Família é parecida. Na realidade a Bolsa Família Brasileira foi uma cópia mal feita da do México. 


Veja matéria sobre a experiência mexicana da Bolsa Família Aqui

 Veja aqui a Editorial da Folha de São Paulo.

Editoriais 
Folha de São Paulo

O PRI (Partido Revolucionário Institucional) deve voltar ao poder nas eleições presidenciais de hoje no México. Hegemônica no país de 1929 a 2000, a agremiação populista cedeu a Presidência, nos últimos 12 anos, ao conservador PAN (Partido Ação Nacional).

O candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, aparece com vantagem suficiente nas pouco confiáveis pesquisas eleitorais para manter o favoritismo. É a grande esperança da legenda para voltar a dominar o segundo país mais rico e populoso da América Latina, o que antes fazia com recurso a fraudes eleitorais, benesses clientelistas e política econômica estatizante.

A dominação do PRI foi interrompida em 2000 com a eleição de Vicente Fox (PAN). Em 2006, o PAN obteve vitória apertada, com Felipe Calderón, sobre o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, candidato do PRD (Partido da Revolução Democrática).

As três forças principais voltam a se enfrentar hoje. Peña Nieto, do PRI, tem 40% a 45% das intenções de voto. López Obrador aparece em segundo, com 25% a 30%, seguido pela candidata da situação, Josefina Vázquez Mota (23% a 27%).

Sob o PAN, a economia mexicana teve desempenho razoável. Atrelado ao gigante norte-americano, o PIB do México recuou mais de 6% em 2009, mas se recuperou no ano seguinte, com 5,5% positivos.

Para este ano, o banco central projeta avanço entre 3% e 4%. Há sinais de que o México se adianta ao Brasil, entre países da América Latina, na preferência de investidores estrangeiros.

O calcanhar de aquiles do atual mandatário e de sua candidata é a violência derivada do tráfico de drogas. Desde que Calderón declarou guerra contra o crime organizado, em 2006, mais de 50 mil pessoas foram assassinadas. Estima-se que metade dessas mortes tenha relação com o crescente enfrentamento entre cartéis que disputam o controle do tráfico para os EUA.

Apesar dos problemas de segurança pública, a sociedade mexicana segue trilha similar à brasileira, com acelerado crescimento da classe média. Os índices de mortalidade infantil e de escolaridade são parecidos nos dois países -com vantagem para o México.

Nessa sociedade mais complexa e diversificada, o eventual retorno do PRI ao poder não deve reeditar o populismo nacionalista que praticou na maior parte do século 20. Uma das bandeiras de Peña Nieto, o jovem e pragmático candidato, é flexibilizar o monopólio estatal do petróleo exercido pela Pemex e dar menos ênfase à guerra contra os cartéis de drogas.

"Essa cidade não é conservadora, já elegeu um negro, uma nordestina e uma sexologa" disse Haddad.

 Claro o negro era Pitta, da equipe do Maluf.....

 Veja um diálogo com jornalistas.

Ao ser questionado se sentia falta de Paulo Maluf no evento, Haddad criticou a imprensa. “Vocês (jornalistas) têm o propósito de fulanizar o debate e estigmatizar nossa aliança”, disse, ressaltando que está focado no futuro da cidade e em como reproduzir na capital paulista as experiências que deram certo em âmbito federal.

Haddad questionou ainda a ideia de que a capital paulista tenha um perfil conservador. “Essa cidade não é conservadora, São Paulo já elegeu um negro, uma nordestina e uma sexóloga. A verdade é que atuam nessa cidade forças extremamente conservadoras. O povo paulistano merece dias melhores a vamos oferecer isso”, disse.

sábado, 30 de junho de 2012

Para pensar e agir. Marta Suplicy



São Paulo vive situação dramática. Só neste ano foram assassinados 40 policiais, todos fora de serviço. Vários ônibus foram incendiados numa possível ação orquestrada contra o comando das autoridades policiais. Isso sem falar dos arrastões a restaurantes e prédios.

É nesse contexto de agravamento da violência, tanto na região metropolitana quanto no restante do Estado, que se inserem os casos de violência contra a mulher.

De setembro de 2011 a maio deste ano, tivemos 55.174 casos de mulheres vítimas de lesão corporal dolosa e, destes, 34.906 casos foram no interior -dados da Secretaria da Segurança Pública.

Estudo do Instituto Sangari indica que a violência doméstica ainda é a maior causa de assassinatos de mulheres no Brasil (em São Paulo, em 2010, 663 morreram). Enquanto os homens morrem nas ruas, as mulheres morrem e são agredidas dentro de suas casas.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a violência contra a mulher vem apurando denúncias de omissão em diversos Estados brasileiros.

Em São Paulo, Franco Montoro foi pioneiro com a criação da Delegacia da Mulher. Entretanto, quando se aprofunda a questão, as ações são gotas d'água num oceano de problemas -que os números mostram que só se agravaram nas últimas décadas, sem empenho realmente sério por parte do Estado diante dos fatos.

Não existe um programa de atendimento integrado às vítimas e há somente uma Delegacia de Defesa da Mulher com atendimento 24 horas! Mais grave, não existe orçamento nem a devida contrapartida do recurso federal.

As verbas federais para ações de combate à violência contra a mulher não têm sido aplicadas com a transparência necessária pelo governo estadual. Em um Estado com 645 municípios, só existem 34 equipamentos específicos para atendimento às vítimas. O problema das mulheres agredidas e assassinadas tem sido tratado como ocorrência pouco importante ou relevante.

Fico pensando quantos desses que batem em mulher ou quantos assaltantes que estão fazendo da vida do paulista um inferno não são fruto de lares violentos. De mulheres espancadas, humilhadas e abandonadas à própria sorte. Que não tiveram assistência nem oportunidade para tentar, com seus filhos, uma vida melhor. Que, por circunstâncias, não conseguiram criar cidadãos.

Embora 70% das situações de violência contra a mulher ocorram na residência da vítima, esse não é um problema que será resolvido dentro de casa. O Estado tem que estar presente: na infância, prestando assistência às mães, ou, depois, construindo cadeias. Os resultados e diagnósticos da CPMI, se levados a sério, podem fazer diferença.

MARTA SUPLICY escreve aos sábados nesta coluna.

A ascensão do popularismo virtual e a falta de líderes reais

 Coluna do Thomas L. Friedman

 

Viajando pela Europa na semana passada, parecia que quase toda conversa terminava com alguma modalidade desta pergunta: por que existe a sensação de que poucos são os líderes capazes de inspirar as pessoas a fazer frente aos desafios na nossa era? Existem diversas explicações para esse déficit de liderança global, mas eu vou me concentrar em dois: uma é de natureza geracional e a outra de natureza tecnológica.

Comecemos pela explicação de natureza tecnológica. Em 1965, Gordon Moore, cofundador da Intel, propôs a chamada Lei de Moore, segundo a qual o poder de processamento capaz de ser inserido em um único microchip dobraria a cada período de 18 a 24 meses. Isso tem de fato ocorrido sistematicamente desde àquela época. Ao ver as lideranças europeias, árabes e norte-americanas às voltas com as suas respectivas crises, eu me pergunto se não existiria um corolário político da Lei de Moore: a qualidade da liderança política diminuiria com o surgimento de cada conjunto de 100 milhões de novos usuários do Facebook e do Twitter.

A conexão mundial por meio da mídia social e de telefones celulares dotados de recursos para navegação pela web está modificando a natureza da conversa entre líderes e liderados em todas as regiões. Nós estamos passando de uma estrutura baseada fundamentalmente em conversas unilaterais – de cima para baixo – para discussões que ocorrem preponderantemente nos dois sentidos – de cima para baixo e de baixo para cima. Isso tem várias consequências: mais participação, inovação e transparência. Mas seria possível que houvesse algo como um excesso de participação? Ou seja, que os líderes passassem a escutar uma quantidade de vozes tão grande e a acompanhar um número tão excessivo de tendências que eles acabassem vendo-se prisioneiros dessas vozes e tendências?

Esta sentença estava na edição da última quarta-feira do jornal "The Politico": "As campanhas de Obama e de Romney passam o dia inteiro atacando-se mutuamente no Twitter, e ao mesmo criticam a falta de ideias sérias para uma época séria. Mas na maioria das vezes em que tiveram a oportunidade de pensar grande, elas preferiram pensar e agir com pequenez".

De fato, eu escutei uma nova palavra em Londres na semana passada: “Popularismo”. Essa é a ideologia predominante da nossa época. Ler as pesquisas, acompanhar os blogues, contar as mensagens no Twitter e no Facebook e ir precisamente para onde as pessoas se encontram, e não para onde elas precisariam ir. Se todo mundo está “seguindo”, quem está liderando?

E há também o fator exposição. Atualmente todo indivíduo que tem um telefone celular é um paparazzi; todos os que possuem uma conta no Twitter são repórteres; e todos os que dispõem de acesso ao YouTube são cineastas. Mas quando qualquer um é um paparazzi, repórter e cineasta, todos os demais são figuras públicas.

E, se o indivíduo é de fato uma figura pública – um político – o escrutínio poder tornar-se tão desagradável que a vida pública passa a ser algo a ser evitado a todo custo.

Alexander Downer, ex-ministro das Relações Exteriores da Austrália, me disse recentemente: “Vários líderes estão agora, mais do que nunca, sendo alvo de um escrutínio maciço. Isso não desencoraja os melhores deles, mas o ridículo e a interação constante por parte do público estão fazendo com que seja cada vez mais difícil para eles tomar decisões sensíveis e corajosas”.

Quanto à mudança geracional, nós passamos de uma Grande Geração que acreditava na poupança e no investimento no futuro para uma geração Baby Boomer que acreditava em contrair dívidas e gastar diariamente. Basta comparar George W. Bush com o pai dele, George H.W. Bush. O pai apresentou-se como voluntário para lutar na Segunda Guerra Mundial imediatamente após o ataque a Pearl Harbor, desenvolveu a sua liderança durante a Guerra Fria – uma época séria, na qual os políticos não podiam simplesmente seguir as pesquisas – e, como presidente, elevou impostos quando a prudência fiscal recomendava esta medida. Já o seu filho da geração Baby Boomer evitou o serviço militar e tornou-se o primeiro presidente da história dos Estados Unidos a reduzir impostos em meio a não apenas uma, mas a duas guerras.

Praticamente todos os líderes atuais têm que pedir aos seus povos que façam sacrifícios, em vez de apenas oferecer-lhes benefícios, e que estudem mais e trabalhem com mais inteligência apenas para não sofrerem uma redução do padrão de vida. Isso exige uma liderança extraordinária que tem que começar pelo hábito de se falar ao povo a verdade.

Dov Seidman, autor do livro “How”, e cuja companhia, a LRN, presta assessoria sobre liderança a diretores executivos de empresas, há muito chama atenção para o fato de que “nada inspira mais as pessoas do que a verdade”. A maioria dos líderes acha que dizer a verdade ao povo os torna vulneráveis – tanto ao povo quanto aos seus oponentes. Mas eles estão equivocados.

“O mais importante em relação a dizer a verdade é que isto de fato gera vínculos positivos com o povo”, explica Seidman. “Isso porque, quando você demonstra confiança nas pessoas, dizendo a elas a verdade, elas passam a demonstrar uma confiança recíproca”. A falta de transparência por parte dos líderes faz apenas com que os cidadãos tenham um outro problema – mais opacidade – a atrapalhá-los.

“Demonstrar confiança nos outros dizendo-lhes a verdade é algo como proporcionar a eles um piso firme”, acrescenta Seidman. “Isso estimula a ação. Quem está ancorado em uma verdade compartilhada começa a resolver problemas de forma conjunta. E isso é o início do processo para que se possa encontrar uma solução melhor”.

Mas não é isso o que nós estamos vendo atualmente por parte dos líderes dos Estados Unidos, do mundo árabe ou da Europa. Se ao menos um deles, apenas um, aproveitasse a oportunidade para dizer ao verdade ao seu povo: em que patamar se encontra, do que é capaz, de que plano ele necessita para atingir os objetivos e que contribuição ele precisa dar para encontrar uma rota melhor. O líder que fizer isso contará com “seguidores” e “amigos” reais – ao contrário do que acontece no mundo virtual da Internet.

Thomas L. Friedma
Colunista de assuntos internacionais do New York Times desde 1995, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo.