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segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudo mostra por que usuários de celular são irritantes


Se você acabou de ler o mesmo parágrafo 12 vezes porque a pessoa sentada ao seu lado no ônibus está conversando no telefone celular, sinta-se livre para mostrar a ela o seguinte: os cientistas descobriram mais uma prova de que ouvir conversas alheias de celulares é muito mais irritante e causa mais distração do que ouvir o diálogo entre duas pessoas.

Em um estudo publicado na revista PLoS One, estudantes universitários que foram solicitados a completar anagramas enquanto uma pesquisadora próxima falava em seu celular ficaram mais irritados e distraídos --e muito mais propensos a lembrar o conteúdo da conversa-- do que os estudantes que fizeram os mesmos quebra-cabeças enquanto a mesma conversa acontecia entre duas pessoas que estavam na sala.

O estudo é o mais recente de um corpo de pesquisa crescente sobre por que os celulares estão no topo da lista de irritações modernas. Cada vez mais provas indicam que os hábitos encorajados pela tecnologia móvel --entre eles falar alto em público com alguém que não está presente-- são feitos sob medida para sequestrar as funções cognitivas de quem está próximo.

Um dos motivos, disse Veronica V. Galvan, professora-assistente de psicologia da Universidade de San Diego e autora principal do estudo, é o desejo do cérebro de preencher os espaços em branco das conversas.

"Se você ouvir só uma pessoa falando, ficará constantemente tentando colocar essa parte da conversa em contexto", disse Galvan. "Isso, naturalmente, vai atrair sua atenção para longe de qualquer outra coisa que você estiver tentando fazer."

Também é uma questão de controle, dizem Galvan e seus colegas. Quando as pessoas estão presas ao lado de uma conversa unilateral --conhecida hoje em dia como um "metálogo"--, a raiva vem à tona da mesma forma que em outras situações em que as pessoas não têm liberdade de sair, como esperando um trem.

"Se você estiver esperando em fila e alguém atrás de você estiver falando num telefone celular, você está de certa forma preso ali", diz ela, "e você pode ter uma resposta de estresse psicológico".

Não que você precise se sentir estressado para achar os celulares perturbadores. Alunos que participaram de um estudo da Universidade Cornell em 2010 tiveram problemas para completar tarefas simples, como acompanhar um ponto numa tela com um cursor, enquanto ouviam uma fita de uma conversa unilateral, mesmo sabendo que a conversa era o foco do estudo.

Os 149 alunos no estudo de Galvan não sabiam que as conversas paralelas faziam parte da pesquisa; 15 alunos que descobriram isso não foram contabilizados nos resultados. E embora sua capacidade de resolver os anagramas não tenha sido visivelmente prejudicada, os alunos que ouviram os "metálogos" tiveram uma pontuação mais alta ao se avaliarem numa "escala de distração". Eles também disseram que se lembravam de mais detalhes da conversa, que tinha o mesmo roteiro em ambos casos (um professor de teatro foi convocado para interpretar a conversa).

O cérebro simplesmente não pode ignorar um fluxo de novas informações, disse Lauren Emberson, associada de pós-doutorado da Universidade de Rochester, de Nova York, que liderou o estudo de Cornell quando trabalhava lá.

"Nossos cérebros estão configurados para se concentrar em coisas que são novas ou inesperadas", disse Emberson. "Quando você está ouvindo metade de uma conversa, cada enunciado novo é uma surpresa, então você é forçado a constantemente prever o que vai acontecer a seguir."

Como é quase impossível se desligar de uma conversa de celular próxima, as pessoas sujeitas a elas muitas vezes acreditam –incorretamente-- que o locutor está falando alto fora do normal, de acordo com os resultados de um estudo de 2004 da Universidade de York (Inglaterra).

Sessenta e quatro passageiros foram expostos à mesma conversa em níveis de volume diferentes, metade numa ligação de telefone celular e a outra metade numa conversa face a face. Em média, os passageiros acharam que os indivíduos que estavam ao telefone falavam mais alto, mesmo que isso não fosse verdade.

"Quando você olha para uma luz, ela parece mais brilhante", disse Emberson. "E quando você não consegue deixar de prestar atenção em um ruído, ele parece mais alto."

Essa sensação de estar submetido a algo inevitável e desagradável transformou as conversas de telefone em público num ponto de irritação.
"Quando você está ouvindo uma conversa tola de um estranho ao celular, seu cérebro é obrigado a trabalhar muito mais no que você está fazendo, e isso interfere em sua capacidade de se concentrar em outras coisas", disse Amy Alkon, colunista que escreveu um livro sobre boas maneiras chamado "I See Rude People" [algo como "Eu Vejo Pessoas Mal Educadas"]. "Ela dá o que eu chamo de 'cócegas neurais'."

Embora as pesquisas tenham repetidamente colocado as conversas de celular em público no topo das irritações dos norte-americanos, há indícios de que o problema está diminuindo --ou, talvez, de que as pessoas estão começando a aceitar que todo esse blá blá blá é a nova realidade. Em 2006, 82% dos norte-americanos disseram que se irritavam pelo menos ocasionalmente com conversas de celular em público. Em 2012, esse número caiu para 74%.

Alkon atribui a queda a uma rejeição crescente do comportamento. "As pessoas estão começando a reconhecer que é realmente rude obrigar as outras pessoas a ouvirem a sua conversa", disse ela, "especialmente em lugares em que você fica preso, como em um trem ou em um consultório médico."

É uma sensação familiar para qualquer um que já tenha tentado ler, trabalhar ou apenas relaxar no transporte público. Geoff Huntting, executivo de marketing da New Canaan, em Connecticut, diz que seu trajeto de mais de uma hora até Manhattan é muitas vezes marcado por alguém conversando ao celular.

Como os alunos no estudo de Galvan, ele disse que ainda conseguia se lembrar dos detalhes de um "metálogo" irritante que ouviu há mais de um mês. "Uma jovem de 20 e poucos anos reclamando para o namorado ou parceiro --no volume máximo durante toda a viagem-- sobre uma outra garota que estava tentando marcar pontos com o chefe ou algo parecido", disse Huntting, 38.

Para ser justo, disse ele, o trem também é frequentado por torcedores barulhentos e embriagados dos Yankees a caminho de casa depois dos jogos. Mas de alguma forma ele acha mais fácil ignorar essas conversas.

"É alto, mas é menos irritante do que ouvir as reclamações só de um lado sobre algo que você não pode colocar em contexto", disse. "Não é nem mesmo uma conversa: é tagarelice, é só barulho."

Douglas Quenqua


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vendas da linha Galaxy S da Samsung somam 100 milhões de aparelhos



SÃO PAULO - Em mais um sinal do espaço que vem ocupando no mercado mundial de smartphones, a coreana Samsung informou hoje ter atingido a marca de 100 milhões de aparelhos da linha Galaxy S vendidos.

O número inclui as vendas dos modelos Galaxy SIII e dos antecessores Galaxy SII e Galaxy S. Segundo informou a Samsung, o Galaxy S, lançado em junho de 2010, vendeu 10 milhões de unidades nos primeiros sete meses no mercado. Já o Galaxy SII atingiu a marca em cinco meses, enquanto o Galaxy SIII vendeu 20 milhões de unidades em 100 dias.

O anúncio da Samsung acontece no mesmo dia em que notícias de agências internacionais indicam que a Apple teria diminuído a demanda por componentes para o iPhone 5 diante da menor expectativa de demanda.

(Bruna Cortez | Valor)

sábado, 30 de junho de 2012

A ascensão do popularismo virtual e a falta de líderes reais

 Coluna do Thomas L. Friedman

 

Viajando pela Europa na semana passada, parecia que quase toda conversa terminava com alguma modalidade desta pergunta: por que existe a sensação de que poucos são os líderes capazes de inspirar as pessoas a fazer frente aos desafios na nossa era? Existem diversas explicações para esse déficit de liderança global, mas eu vou me concentrar em dois: uma é de natureza geracional e a outra de natureza tecnológica.

Comecemos pela explicação de natureza tecnológica. Em 1965, Gordon Moore, cofundador da Intel, propôs a chamada Lei de Moore, segundo a qual o poder de processamento capaz de ser inserido em um único microchip dobraria a cada período de 18 a 24 meses. Isso tem de fato ocorrido sistematicamente desde àquela época. Ao ver as lideranças europeias, árabes e norte-americanas às voltas com as suas respectivas crises, eu me pergunto se não existiria um corolário político da Lei de Moore: a qualidade da liderança política diminuiria com o surgimento de cada conjunto de 100 milhões de novos usuários do Facebook e do Twitter.

A conexão mundial por meio da mídia social e de telefones celulares dotados de recursos para navegação pela web está modificando a natureza da conversa entre líderes e liderados em todas as regiões. Nós estamos passando de uma estrutura baseada fundamentalmente em conversas unilaterais – de cima para baixo – para discussões que ocorrem preponderantemente nos dois sentidos – de cima para baixo e de baixo para cima. Isso tem várias consequências: mais participação, inovação e transparência. Mas seria possível que houvesse algo como um excesso de participação? Ou seja, que os líderes passassem a escutar uma quantidade de vozes tão grande e a acompanhar um número tão excessivo de tendências que eles acabassem vendo-se prisioneiros dessas vozes e tendências?

Esta sentença estava na edição da última quarta-feira do jornal "The Politico": "As campanhas de Obama e de Romney passam o dia inteiro atacando-se mutuamente no Twitter, e ao mesmo criticam a falta de ideias sérias para uma época séria. Mas na maioria das vezes em que tiveram a oportunidade de pensar grande, elas preferiram pensar e agir com pequenez".

De fato, eu escutei uma nova palavra em Londres na semana passada: “Popularismo”. Essa é a ideologia predominante da nossa época. Ler as pesquisas, acompanhar os blogues, contar as mensagens no Twitter e no Facebook e ir precisamente para onde as pessoas se encontram, e não para onde elas precisariam ir. Se todo mundo está “seguindo”, quem está liderando?

E há também o fator exposição. Atualmente todo indivíduo que tem um telefone celular é um paparazzi; todos os que possuem uma conta no Twitter são repórteres; e todos os que dispõem de acesso ao YouTube são cineastas. Mas quando qualquer um é um paparazzi, repórter e cineasta, todos os demais são figuras públicas.

E, se o indivíduo é de fato uma figura pública – um político – o escrutínio poder tornar-se tão desagradável que a vida pública passa a ser algo a ser evitado a todo custo.

Alexander Downer, ex-ministro das Relações Exteriores da Austrália, me disse recentemente: “Vários líderes estão agora, mais do que nunca, sendo alvo de um escrutínio maciço. Isso não desencoraja os melhores deles, mas o ridículo e a interação constante por parte do público estão fazendo com que seja cada vez mais difícil para eles tomar decisões sensíveis e corajosas”.

Quanto à mudança geracional, nós passamos de uma Grande Geração que acreditava na poupança e no investimento no futuro para uma geração Baby Boomer que acreditava em contrair dívidas e gastar diariamente. Basta comparar George W. Bush com o pai dele, George H.W. Bush. O pai apresentou-se como voluntário para lutar na Segunda Guerra Mundial imediatamente após o ataque a Pearl Harbor, desenvolveu a sua liderança durante a Guerra Fria – uma época séria, na qual os políticos não podiam simplesmente seguir as pesquisas – e, como presidente, elevou impostos quando a prudência fiscal recomendava esta medida. Já o seu filho da geração Baby Boomer evitou o serviço militar e tornou-se o primeiro presidente da história dos Estados Unidos a reduzir impostos em meio a não apenas uma, mas a duas guerras.

Praticamente todos os líderes atuais têm que pedir aos seus povos que façam sacrifícios, em vez de apenas oferecer-lhes benefícios, e que estudem mais e trabalhem com mais inteligência apenas para não sofrerem uma redução do padrão de vida. Isso exige uma liderança extraordinária que tem que começar pelo hábito de se falar ao povo a verdade.

Dov Seidman, autor do livro “How”, e cuja companhia, a LRN, presta assessoria sobre liderança a diretores executivos de empresas, há muito chama atenção para o fato de que “nada inspira mais as pessoas do que a verdade”. A maioria dos líderes acha que dizer a verdade ao povo os torna vulneráveis – tanto ao povo quanto aos seus oponentes. Mas eles estão equivocados.

“O mais importante em relação a dizer a verdade é que isto de fato gera vínculos positivos com o povo”, explica Seidman. “Isso porque, quando você demonstra confiança nas pessoas, dizendo a elas a verdade, elas passam a demonstrar uma confiança recíproca”. A falta de transparência por parte dos líderes faz apenas com que os cidadãos tenham um outro problema – mais opacidade – a atrapalhá-los.

“Demonstrar confiança nos outros dizendo-lhes a verdade é algo como proporcionar a eles um piso firme”, acrescenta Seidman. “Isso estimula a ação. Quem está ancorado em uma verdade compartilhada começa a resolver problemas de forma conjunta. E isso é o início do processo para que se possa encontrar uma solução melhor”.

Mas não é isso o que nós estamos vendo atualmente por parte dos líderes dos Estados Unidos, do mundo árabe ou da Europa. Se ao menos um deles, apenas um, aproveitasse a oportunidade para dizer ao verdade ao seu povo: em que patamar se encontra, do que é capaz, de que plano ele necessita para atingir os objetivos e que contribuição ele precisa dar para encontrar uma rota melhor. O líder que fizer isso contará com “seguidores” e “amigos” reais – ao contrário do que acontece no mundo virtual da Internet.

Thomas L. Friedma
Colunista de assuntos internacionais do New York Times desde 1995, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo.