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quarta-feira, 14 de março de 2012

O mundo cheio

A “prima-dona” da economia

'Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio 1' photo (c) 2009, Milton Jung - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/A economia moderna gira, sem exagero, em torno do automóvel. Sua produção, os serviços que demanda, a infraestrutura que necessita e a energia que consome são o principal impulso da atividade produtiva. Não importa que mais carros entulhem ao absurdo as cidades, que o transporte rodoviário seja ineficiente, que a poluição que gera seja insuportável e que a garantia de seu suprimento energético tenha sido o principal objetivo das recentes guerras “antiterror”. O fato é que o PIB se “alimenta” do automóvel.

Repare leitor que no caso dos automóveis, utilitários, caminhões e ônibus o que mais importa, na avaliação dos efeitos nefastos, é a frota e não o aumento da produção anual. E o Reino Unido continua absorvendo, segundo o artigo Peak stuff: the data cerca de 2 milhões de carros por ano (2,5 milhões em 2007, antes da crise e em ascensão desde 2010), com consequente aumento constante da frota. O que é agravado pelo fato de que os carros duram mais, com a crise tendem a rodar por mais tempo e apesar de menores são mais pesados. O mesmo ocorre com os demais tipos de veículos mencionados.

Duas consequências deste fato saltam aos olhos imediatamente. Não faz o menor sentido falar em pico material enquanto a frota continua crescendo. E, ainda mais importante e dramático, é que enquanto o automóvel for a “prima dona” da economia, o modelo econômico não muda. 

Aliás, nem queda do número de veículos novos é razoável esperar-se. No artigo Carros de sobra de Míriam Leitão publicado em O Globo em 20 de janeiro pode-se perceber que o setor fará de tudo para escoar sua produção potencial. A indústria mundial está ociosa em 20 milhões de veículos, cinco vezes mais que o mercado brasileiro que consumiu 3,7 milhões em 2011. A previsão é que este número aumente para 24 milhões em 2012 e que a capacidade produtiva chegue a 103 milhões de veículos.

Esta é alias uma das principais razões para suspeitar da chamada economia verde. Se as novas tecnologias forem destinadas, entre outros usos, à troca de motores a combustão por elétricos não estarão dando uma real contribuição para superar os agudos problemas que a inviável enfase no transporte individual, em detrimento do público, geram.
Bem, prosseguindo na questão do pico material, o próprio conceito de recurso material e sua medida precisam ser ser revistos. O peso é importante mas não decisivo para afirmar que seja possível crescimento sem aumento no uso de recursos. A quantidade é um indicador que tem que ser considerado também, e provavelmente, é tão importante quanto.

De fato, a tendência à miniaturização e diminuição do peso de uma parte dos produtos consumidos não significa que o uso de recursos naturais e intermediários seja menor. Eles vem em muitos casos de cadeias produtivas distintas com impactos diferentes na absorção de recursos e no meio ambiente, como os encanamentos prediais, por exemplo.
Em geral temos visto também o aumento na quantidade de itens consumidos resultado da redução nos custos, aprimoramento e criação de novos tipos de produtos e serviços. Computadores pessoais, notebooks, netbooks, tablets, celulares e os chamados “smart phones” são claros exemplos de expansão, aprimoramento e inovação.

Tal aumento na quantidade de itens consumidos, independentemente do peso, parece ser uma tendência inevitável gerada pela inovação tecnológica e a sofisticação dos hábitos das pessoas, o que leva à crescente diversificação dos bens que consomem. E não parece razoável atribuir isto ao consumismo ou pressão do marketing das empresas. Linhas inteiras de novos produtos são geradas a partir de novos conceitos, dos quais tiram partido as empresas. Um bom exemplo é o do crescente reconhecimento da importância do exercício físico. Academias, vestuários, calçados, alimentos, bebidas e outro produtos deste segmento passaram a ser indispensáveis.

Ainda em relação à questão do pico de recursos, Alan Boccatto, da lista “Decrescimento“, lembra que mesmo que houvesse redução no uso de recursos, o que não é o caso, estes em muitos casos são finitos e não renováveis no horizonte da civilização humana. Minérios, petróleo e atmosfera são bons exemplos. 

Assim é, pois, que por mais que se queira, a tese da sustentabilidade já nasceu capenga. Tudo o que não é fluxo, como bens agropastoris, não é sustentável por definição, já que ocorre degradação contínua do estoque.
Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Fonte: NOVA ECONOMIA.
http://anovaeconomia.wordpress.com/sobre/


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