No dia seguinte ao anúncio de que as nomeações para o segundo escalão
estavam suspensas, o "Diário Oficial da União" traz nesta quarta-feira
indicações para o governo Dilma Rousseff.
Mário Augusto Lopes Moysés vai permanecer com a presidência da Embratur
(Instituto Brasileiro de Turismo), enquanto Frederico Silva da Costa vai
ficar com a Secretaria Executiva do Ministério do Turismo.
PT e PMDB estão em crise por causa da partilha de cargos no novo
governo. Para conter a animosidade entre os partidos, a presidente
decidiu suspender as nomeações para o segundo escalão. As indicações
voltarão a acontecer depois das eleições no Congresso.
A suspensão foi anunciada ontem pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB).
A maior preocupação do governo e do PT neste início de governo é evitar
que as insatisfações no PMDB acabem por prejudicar a eleição do petista
Marco Maia (RS) à presidência da Câmara, em fevereiro.
Insatisfeito, o PMDB boicotou a posse do novo ministro das Relações
Institucionais, o petista Luiz Sérgio. Em meio ao desgaste, o partido
ainda anunciou que não está convencido do valor do salário mínimo de R$
540 fixado para 2011.
Os peemedebistas cobram uma reunião com a equipe econômica para discutir outro valor para o salário mínimo.
"Queremos discutir, queremos que a área econômica nos convença desse
valor. Essa não tem que ser uma decisão partidária, mas a que representa
o melhor para o país", afirmou Eduardo Alves.
Questionado se a discussão do salário mínimo tem relação com as
indicações do segundo escalão, ele negou. "Não tem nada a ver uma coisa
com a outra", disse o deputado.
Em contrapartida, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo
federal vai vetar qualquer reajuste que aumente o salário mínimo para
mais de R$ 540.
"Neste momento, é temerário nós aumentarmos [o mínimo] para mais de R$
540. Se vier alguma coisa diferente, nós vamos simplesmente vetar",
disse o ministro, citando a necessidade de conter os gastos públicos
para, entre outras coisas, facilitar uma queda maior nos juros e evitar
uma maior valorização do real.
Folha.com (Poder)