sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PSB trabalha para aumentar cacife político no 2º turno

O PSB vai concentrar todos os seus esforços neste mês nas sete cidades em que seus candidatos disputam segundo turno como forma de melhorar o fraco desempenho no ranking dos maiores colégios eleitorais do país e, assim, aumentar seu cacife para a sucessão presidencial de 2014.


Embora tenha sido uma das legendas que mais cresceram nestas eleições - passou de 310 para 434 municípios -, ficou distante dos maiores partidos nas cidades com mais de 200 mil eleitores e, consequentemente, possibilidade de segundo turno. Elegeu Belo Horizonte, (MG), Recife (PE), São José do Rio Preto (SP), Serra (ES) e Limeira (SP). Neste universo, o campeão foi o PT (22), seguido do PSDB (17) e do PMDB (16). Além disso, o maior número de vitórias do PSB ocorreu nos três Estados governados pela legenda: Pernambuco (58), Piauí (53) e Ceará (39).

Por essa razão, os sete municípios em que o partido disputa o segundo turno são fundamentais para o projeto nacional do governador Eduardo Campos. São três capitais - Cuiabá (MT), Fortaleza (CE) e Porto Velho (RO) - e quatro cidades polo: Campinas (SP), Duque de Caxias (RJ), Petrópolis (RJ), e Uberaba (MG). Campinas, contudo, foi tratada como capital por Campos na reunião da Executiva Nacional ontem em Brasília, motivo por que deve ser das primeiras em que ele comparecerá neste mês para fazer campanha.

Na sua fala de abertura da reunião, declarou que o PSB ganhou musculatura nessa eleição e definitivamente não é mais satélite de nenhum outro partido, mas que é fundamental vencer nessas sete cidades. Para tanto, vedou a correligionários qualquer outro assunto até o dia 28 de outubro, como a sucessão presidencial em 2014 e a sucessão das Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado em fevereiro de 2013. Também recomendou que fossem analisadas corretamente a correlação de forças nos locais em que o apoio do PSB está sendo solicitado, já que agora "toda vez que o partido vai pedir mercadoria [apoio político] tem que analisar o 'frete' [a contrapartida a esse apoio]". Sinalizou, porém, duas tendências do partido. Ambas em oposição aos candidatos do Palácio do Planalto. Em Manaus (AM), a sigla deve apoiar Arthur Virgílio (PSDB) contra Vanessa Grazziotin (PCdoB) e em Curitiba nada será definido sem antes conversar com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

Na saída do encontro, evitou falar sobre sua eventual candidatura a presidente. "Quem pensa no Brasil com responsabilidade não eleitoraliza o debate político. Há uma crise internacional profunda e o Brasil tem uma pauta densa ainda neste ano no Congresso. Queremos ajudar a presidente a ajudar o Brasil a atravessar esse momento em que a crise econômica recrudesce lá fora", afirmou.

Segundo ele, o PSB cresceu "porque não pensa só em eleição". "Pensamos na pauta do cidadão que não pensa só em eleição e essa pauta é retomar o crescimento econômico. Esse é o Brasil real." Disse ainda que nem a presidente Dilma Rousseff abriu o debate pela sua sucessão. "Ela tem esse direito legítimo de tentar a reeleição. Nenhum partido abriu esse debate ainda." Afirmou ainda que irá a todos os municípios em que o PSB disputa o segundo turno e depois irá atender alguns convites para visitas de apoio, como o de Fernando Haddad (PT) em São Paulo.

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), porém, foi mais enfático ao rejeitar um projeto presidencial para o partido já em 2014. "Um partido para disputar eleição nacional tem que cumprir alguns passos. O PSB só cresce a cada eleição, mas faltam ainda alguns passos para podermos lançar uma candidatura". Segundo ele, há Estados, como Roraima, que não foi eleito nenhum prefeito. Além disso, afirmou, "precisamos ampliar presença no Sul e no Centro-Oeste".

Cid também declarou haver outro limitador: o fato de o PSB integrar a base governista da presidente Dilma Rousseff. "Não penso que estrutura partidária seja importante para lançar candidatos. Mas há uma limitação. Ajudamos a eleger Dilma Rousseff presidente. Por isso seria prematuro lançar uma candidatura agora. Temos tempo para isso."

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