segunda-feira, 23 de abril de 2012

Escassez de água ameaça vinda de gigante chinesa


Gigante Foxconn quer instalar fábrica em região que tenha grande disponibilidade de água


A escassez de água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ) ameaça deixar a região de Campinas fora da disputa pela instalação da taiwanesa Foxconn. O Correio apurou que a gigante na produção de displays exige que o local de instalação tenha investimento na área de logística e melhoria da infraestrutura, como o acesso a um aeroporto internacional, uma área extensa para instalação do parque fabril e grande capacidade energética e de água.

A água é um importante insumo da empresa, que a utiliza em resfriamento durante o processo de produção. Esse é o grande limitador da região de Campinas, afirmou uma fonte. Executivos da empresa percorreram a região recentemente e apenas a oferta de água não se enquadrou nos requisitos da Foxconn. A situação é crítica, porque para uma demanda total das cidades da bacia de 81 m3/s, a disponibilidade hídrica total é de 65 m3/s para atender 61 municípios.

O presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo), Luciano Almeida, disse ontem que aguarda para o final de abril a definição do local onde a empresa vai instalar uma de suas unidades. Ele reconhece que a demanda por água é um fator limitante de investimentos na região de Campinas, mas diz que, no caso da Foxconn, não haverá pressão sobre a demanda. Ele não confirmou, no entanto, se Campinas é uma das candidatas a receber a fábrica.

Devido a cláusula de confidencialidade, que consta no protocolo de intenções assinado com a empresa, a Investe SP não disponibiliza informações como local de instalação, produção, datas, valores, número de empregos, entre outros, até que as negociações sejam concretizadas.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, José Afonso Bittencourt, disse que as conversas com a Foxconn continuam, mas a empresa está fazendo exigências que a cidade não poderá cumprir. Segundo o secretário, a taiwanesa quer que a Prefeitura faça uma doação de terreno de um milhão de metros quadrados. “Isso não tem condições, porque além de não termos uma área assim, não é política do município doar terrenos para atrair investimentos”, afirmou. Ele reconhece que a oferta de água é delicada na região, justamente por causa do intenso desenvolvimento dos últimos anos, mas segundo ele, o que pesa no momento é o terreno.

Para o ambientalista José Osório Coelho, aumentar a oferta de água exigirá grandes investimentos em busca de novos mananciais, redução de perdas, ampliação da oferta de água de reúso, economias, proteção de nascentes. “Hoje a bacia PCJ já está em situação complicada e as ações tem sido lentas. Basta ver que hoje apenas 45% do esgoto produzido nessa bacia é tratado”, afirmou.

Seis estados disputam sediar o local escolhido pela empresa: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Paraná - o local, em tese, precisa ter um solo livre de oscilações e ter garantias de fornecimento de energia e água pura. O presidente da Investe São Paulo disse que o projeto apresentado pela Foxconn possui três fases. A primeira seria a produção da Apple, a segunda, a unificação das fábricas que a empresa tem no Brasil em um só local e, a terceira, a fabricação de telas no País. Ao todo, serão investidos US$ 12 bilhões da gigante asiática no Brasil, para produção de ítens como telas sensíveis ao toque para aparelhos da Apple (iPad e iPhone) e outras marcas. 


Minas Gerais é uma das principais candidatas a receber uma das unidades. O governo mineiro elaborou um plano de benefícios, que contempla infraestrutura, energia elétrica, água e o terreno e acertou que um terço do investimento da Foxconn no Brasil ocorrerá em uma cidade mineira.

A participação da Foxconn no capital social da fábrica de telas planas para iPad que vai se instalar em Minas Gerais será entre 25% e 30%. O investimento nacional ocorrerá por meio do grupo EBX, de Eike Batista, de duas ou três empresas de médio porte do setor de informática, e ainda pelo governo, via BNDESPar. Desta forma, a Foxconn ficaria com uma parcela minoritária e responsável pela gestão do empreendimento. O capital nacional dominaria o bloco de controle da empresa.

Dilma tem aprovação recorde, mas Lula é favorito para 2014


Presidente atinge novo pico de popularidade, com 64% de ótimo ou bom
Questionados quem preferem ver como candidato do PT, 57% citam ex-presidente, contra 32% para a atual


A presidente Dilma Rousseff bateu mais um recorde de popularidade, mas seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, é o preferido dos brasileiros para ser o candidato do PT ao Planalto em 2014.

Esse é o resultado principal da pesquisa Datafolha realizada nos dias 18 e 19 deste mês com 2.588 pessoas em todos os Estados e no Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O governo da petista é avaliado como ótimo ou bom por 64% dos brasileiros, contra 59% em janeiro.

Trata-se de um recorde sob dois aspectos: é a mais alta taxa obtida por Dilma desde a sua posse, em 1º de janeiro de 2011, e é também a maior aprovação presidencial com um ano e três meses de mandato em todas as pesquisas até hoje feitas pelo Datafolha.
Para 29%, Dilma faz um governo regular. Outros 5% consideram que a atual administração é ruim ou péssima. Em janeiro, essas taxas eram de 33% e 6%, respectivamente.

Como a curva de popularidade positiva de Dilma tem sido ascendente desde o início, o Datafolha incluiu desta vez uma nova pergunta no levantamento sobre a eleição de 2014 -quem deveria ser o candidato do PT a presidente: Dilma ou Lula?

As respostas foram bem mais favoráveis a Lula. Ele é o predileto de 57% dos brasileiros para disputar novamente o Planalto daqui a dois anos e meio. Outros 32% citam Dilma. Para 6%, nenhum dos dois deve concorrer. E 5% não souberam responder.

"A presidente Dilma vem tem tendo curva crescente de popularidade e pode reduzir essa desvantagem em relação a Lula se mantiver essa trajetória", diz Mauro Paulino, diretor do Datafolha.

Dilma, entretanto, está tecnicamente empatada com o antecessor, dentro da margem de erro, quando se observam grupos considerados formadores de opinião.
Por exemplo, entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos, Dilma tem 48% contra 45% de Lula. Situação de empate técnico.

O mesmo entre os que têm escolaridade de nível superior: 42% para atual presidente e 41% para seu antecessor.

A ATUAL E OS EX
A comparação com os dois últimos presidentes é muito favorável a Dilma e seus 64% de aprovação. Nesta época, em seu primeiro mandato, Lula tinha 38%. O tucano Fernando Henrique Cardoso tinha ainda menos, só 30%.

Mesmo no segundo mandato, Lula tinha 55% de aprovação com um ano e três meses de governo. Ou seja, nove pontos menos que Dilma.

A alta da petista foi em quase todas as faixas de renda, idade e escolaridade.
Grupos socioeconômicos nos quais Dilma não ia tão bem agora mostraram forte reação. É o caso dos brasileiros com renda familiar acima de dez salários mínimos -4% da população. A petista subiu 17 pontos nesse grupo, passando de 53% para 70%.

Outra alta significativa foi entre a população mais pobre, com renda até dois mínimos por mês -uma massa de 48% dos brasileiros. Nesse grupo, Dilma saiu de 59% para 64% de aprovação.

O atual levantamento foi feito já sob o impacto da queda da taxa de juros de bancos e da redução da taxa básica de juros do país, que passou de 9,75% para 9% na quarta.
A aprovação pessoal da presidente também evoluiu. Para 68%, o desempenho de Dilma é ótimo ou bom; 25% dizem que é regular; 4% avaliam como ruim ou péssimo.

 FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA


domingo, 22 de abril de 2012

Brasil quer dividir recursos do Fundo Amazônia


O governo Dilma Rousseff pretende anunciar durante a Rio+20 que os recursos do Fundo Amazônia passarão a ser compartilhados com os demais países que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) – Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além do Brasil. O objetivo é demonstrar à comunidade internacional os esforços do Brasil para a proteção e o desenvolvimento sustentável da floresta amazônica.

O Fundo Amazônia já recebeu a doação de US$ 102,6 milhões da Noruega, Alemanha e Petrobras. Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ele foi criado em 2008 para captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas. O decreto que regulamentou o fundo prevê a destinação de até 20% de seus recursos para projetos de desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas brasileiros e em outros países tropicais. Mas, na avaliação do governo, o BNDES precisa ainda desenvolver o “enquadramento jurídico” necessário para que os demais países possam acessar, via OTCA, os recursos do fundo.

A expetativa do Itamaraty é que essa adequação burocrática ocorra antes do início da conferência sobre o desenvolvimento sustentável Rio+20, marcado para 20 a 22 de junho, no Rio. “A decisão já está tomada pelo governo, mas está sendo trabalhada uma formatação jurídica para tornar isso uma realidade”, disse a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que integra a comissão criada para acompanhar a Rio+20.

O Fundo Amazônia já recebeu US$ 94,4 milhões em doações do governo da Noruega, US$ 3,9 milhões do governo alemão e US$ 4,3 milhões da Petrobras. Sua missão é apoiar projetos nas áreas de gestão de florestas públicas e áreas protegidas, controle, monitoramento e fiscalização ambiental, manejo florestal sustentável, uso sustentável da floresta, zoneamento ecológico e econômico, ordenamento territorial, entre outros.

Até o dia 4 de abril, haviam sido contratados 20 projetos que demandavam um total de R$ 258,8 milhões e aprovados outros sete no valor total de R$ 11,5 milhões. Até agora, os desembolsos do fundo somaram R$ 78,1 milhões. Procurada na tarde de ontem, a assessoria de imprensa do BNDES informou que não havia tempo hábil para algum executivo do banco comentar o assunto.
Por: Fernando Exman
Fonte: Valor Econômico