Situação atípica no Mato Grosso está sendo investigada. Ibama e
outros órgãos federais estão em campo desde o início do ano. Em três
meses, foram embargados 7 mil hectares e aplicados R$ 49,5 milhões em
multas.
O desmatamento na Amazônia Legal, identificado pelo
Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), caiu 48,2% em
março deste ano frente ao mesmo mês de 2011, de 116 para 60 quilômetros
quadrados. Na comparação do período de agosto a março 2010/2011 com
agosto a março de 2011/2012, o total da área desmatada ficou estável. Os
dados foram divulgados na última quinta-feira (5), em Brasília, pela
ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Os números apontaram
um pico de desmatamento no estado de Mato Grosso em fevereiro. De
acordo com Izabella Teixeira, isso aconteceu porque a região ficou
encoberta por nuvens de outubro de 2011 a janeiro de 2012. Com a redução
da cobertura de nuvens em fevereiro, foi possível detectar os
desmatamentos acumulados no período, que somaram 307 quilômetros
quadrados. “Estamos pedindo à Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso
para verificar legalidade desses desmatamentos”, afirmou a ministra.
Migração
– O Ministério do Meio Ambiente (MMA) também verificará os motivos da
elevação do desmatamento em Roraima. Segundo Izabella Teixeira, o
aumento do desmatamento de 12 para 56 quilômetros quadrados no período
de agosto/2011 a março de 2012 frente a igual intervalo em 2010/2011
pode estar relacionado à migração de atividade madeireira ou outras
atividades econômicas para o Sul do estado. Nos demais estados da
Amazônia Legal, ainda não é possível avaliar o desmatamento em virtude
da grande cobertura de nuvens.
Os dados do Deter são fornecidos
pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ao Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para
fins de fiscalização. Esses dados são disponibilizados mensalmente no
site do Inpe. A ministra destacou que agentes do Ibama em conjunto com
Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Instituto Chico
Mendes, estão em campo desde 1º de janeiro intensificando a
fiscalização. “Estamos mudando a estratégia, sem esperar virem dados do
Deter para agir”, disse. Do início de 2012 até 16 de março, o Ibama
embargou 7 mil hectares e aplicou R$ 49,5 milhões em multas por
desmatamento ilegal.
* Confira os relatórios mensais completos: http://www.obt.inpe.br/deter.
** Publicado originalmente na EcoAgência.
(EcoAgência)
Presidente já reduziu áreas protegidas em prol das hidrelétricas
A defesa da construção de hidrelétricas na Amazônia pela presidente
Dilma Rousseff não se limita ao
discurso
como o feito anteontem no Planalto. Essa defesa impôs recentemente a
redução de 1.032 quilômetros quadrados da área de cinco unidades de
conservação na floresta, abrindo caminho para duas novas usinas. A
medida provisória que muda limites de áreas de proteção foi editada
discretamente em janeiro e tem de ser aprovada pelo Congresso até o
último dia de maio.
Anteontem, a presidente acusou a oposição à construção de hidrelétricas de “fantasiosa”. A pouco mais de dois meses de sediar a
Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a
Rio+20,
a presidente reagiu a pressão de ambientalistas que veem retrocesso na
área ambiental e reafirmou a busca de acordos para combater o
aquecimento global e a pobreza: “Ninguém numa conferência dessas também
aceita, me desculpem, discutir a fantasia”.
A presidente havia pedido pressa nas providências para construção das usinas de
São Luiz do Tapajós e de
Jatobá, no Pará. A primeira dessas usinas é a maior do
Complexo Tapajós, com potência de 6.144 MW (megawatts), mais do que metade da gigante
Belo Monte. O governo quer que essa usina entre em operação em novembro de 2016.
Texto que acompanha a medida provisória diz que, após a inundação da
área do reservatório da usina, o governo deverá aumentar unidades de
conservação ou criar novas áreas de proteção para compensar a perda
imposta a cinco áreas. A redução nessas unidades equivale a quase 70% do
tamanho da cidade de São Paulo.
O Ministério do Meio Ambiente estuda a criação de uma estação
ecológica de mais de quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo, que
ganhará o nome de
Alto Maués, no Amazonas. O projeto enfrenta resistências no Estado por conta da exploração de madeira na região.
Mas é apontado como a principal opção para compensar a redução imposta pelas usinas hidrelétricas do
Tapajós. A área abriga a maior concentração de primatas conhecida no mundo, de acordo com informações do Instituto Chico Mendes.
(
Ecodebate, 09/04/2012) publicado pela
IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.