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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Economia - BC vê riscos e diz estar vigilante para conter inflação, é bom que assim seja

VALOR ECONÔMICO.

SÃO PAULO - Pressões vindas do mercado interno e também do exterior estão colocando em risco o cenário " benigno " que até agora se configura para a inflação do país. Apesar de manter o juro básico estável em 8,75% sua reunião de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) prometeu ficar " vigilante " e agir para assegurar que essas incertezas não tirem a inflação da trajetória de metas.

A ata da reunião realizada na semana passada mostra um tom mais objetivo quanto à condução da política monetária. O texto abandonou expressões como " postura cautelosa " e " retomada paulatina " e as substituiu por assertivas que sinalizam que o Banco Central (BC) está pronto para elevar juros se as pressões inflacionárias se intensificarem.

Na raiz dessas pressões estão a possível elevação de preços de commodities no mercado externo e a forte demanda interna. " Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos " , diz a ata. Se houver piora do cenário da inflação, " a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias " , garante o Comitê, que vai definir seus próximos passos na próxima reunião, em 16 e 17 de março.

Entre as novas incertezas, o BC menciona o aumento da aversão ao risco e a oscilação de preços de commodities no mercado internacional. Ao mesmo tempo, o Copom nota elevação de preços no atacado, o que " evidencia retomada, ainda que incipiente, de pressões inflacionárias externas " . Para o BC, conforme o mundo se recupere da crise financeira e esse cenário persista, " a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica poderia deixar de ser benigna " .

Ao lado da influência internacional está o aquecimento crescente da demanda interna, puxada por estímulos dados pelo governo, por bancos oficiais e pela generosa oferta de crédito a consumidores e empresas. Para o BC, a demanda doméstica " se recuperou " , tanto pelo consumo quanto pelo aumento dos investimentos. Para atendê-la, a economia retomou o uso dos fatores produtivos, cuja ociosidade agora é apenas " residual " .

Adicionalmente, as expectativas dos agentes econômicos para a inflação futura, monitorada com especial atenção pelo Copom, " se elevaram no trecho intermediário do horizonte de projeção desde sua última reunião " , no começo de dezembro. A piora nas perspectivas abre caminho para que eventuais repasses de pressões para os preços ao consumidor ocorram efetivamente.

" A se confirmar a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores, a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando " , alerta a ata da reunião de janeiro. Para o Copom, a retomada da demanda doméstica, o aumento do uso da capacidade industrial e do nível de emprego e a deterioração das expectativas dos agentes " podem aumentar os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas " .

(Paula Cleto | Valor)

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