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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Empreendedorismo - As pequenas e micro empresas: desafios e oportunidades para Brasil (Parte II)



Referencial teórico e analítico -principais conceitos e modelos
Gonzalo ENRÍQUEZ

Diversos estudos comprovam que o brasileiro é um empreendedor nato. Dados apurados pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), instituição criada por três organismos mundiais de ensino: London Business School, Babson College de Boston e Fundação Kauffmanm, apontam o povo brasileiro como o mais empreendedor do mundo. Em 2001, Brasil se destacou como um dos cinco países mais empreendedores, com 14,2% de sua população adulta iniciando ou administrando uma nova empresa. Expresso de outra forma este resultado indica que 14 em cada 100 adultos estavam criando ou administrando uma nova empresa (GEM 2002).

Nos últimos cinco anos, 96% das novas ocupações foram geradas por pequenos negócios. Apesar do espírito empreendedor, a maior parte das iniciativas empreendedoras no Brasil acaba em quebra, por conta da PEM’s serem predominantemente formadas por empresas impulsivas e marcadas pela falta de planejamento.. De cada 10 empresas que abrem as portas, sete deixam de existir até o quinto ano de operação. A vida curta não faz jus ao espírito empreendedor tão característico do brasileiro.

Mas o fenômeno pode ser compreendido ao analisar o que leva um novo empreendimento a nascer neste País. O Brasil é campeão mundial de empreendedorismo "por necessidade", ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, onde as pessoas abrem negócios próprios por vocação, sonho ou "oportunidade de mercado". No Brasil - assim como em outros países pobres - a decisão é motivada por fome, miséria ou falta de alternativa no mercado de trabalho. O que significa que o empreendedorismo, mesmo que de forma espontânea e um tanto estabanado, acaba sendo a saída para essas pessoas driblarem o desemprego e garantirem o sustento de suas famílias.
Nesse contexto as pequenas empresas tornam-se um dos mecanismos mais importantes na geração de empregos no Brasil, daí que o interesse pelo estudo e desenvolvimento das (PME’s) está sendo cada dia mais importante.

As (PME’s) no Brasil respondem por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto, 12% das exportações e 60% dos empregos gerados.
Em 2000, havia 2,2 milhões de empresas com até 99 empregados (micro e pequenas empresas), assim distribuídas: 0,3% no extrativismo mineral, 10,7% na indústria de transformação, 0,25% nos serviços industriais de utilidade pública, 4,3% na construção civil, 37,6% no comércio, 35% nos serviços, 0,34% na administração pública e 11,5% na agropecuária.

Entre 1995 e 2000, cerca de 96% dos novos empregos foram criados por PME’s com até 100 empregados, o que demonstra sua importância, enquanto mecanismo de efetiva inclusão social que o Brasil tanto necessita.

As análises sobre o papel e importância das PME’s no conduzem a um mundo paradoxal no qual, nos setores de ponta, a geração de emprego nem sempre acompanha aos aumentos da produção, criando uma estranha pobreza nascida no centro da prosperidade.

Outra cara dessa realidade é que a participação dos setores modernos aa economia debilita-se continuamente, isto provoca o crescimento explosivo do setor informal, formado por trabalhadores por conta própria, familiares não remunerados, domésticos por horas, dentre outros, etc. Setor que atrai quantidade crescente de pessoas que, quando expulsos do setor formal, são deslocados para a “economia popular”, dentro das quais ressaltam as pequenas unidades de produção ou de serviços, as microempresas. Mais estruturadas e formalmente organizadas encontram-se também as pequenas empresas.

Com o propósito de conhecer o comportamento das PME’s têm-se realizado inúmeros estudos demonstrando suas debilidades e fortalezas. A experiência revela que é fácil entrar no mundo das pequenas empresas. O capital requerido para gerar um emprego no setor informal é muito menor que o setor formal. Entretanto, também é difícil crescer nele, sua localização à margem dos circuitos financeiros faz com que seja mais difícil a obtenção de recursos necessários para expandir a capacidade produtiva e conseguir capital de trabalho, dentre outros inúmeros obstáculos.
Nesse sentido as PME’s têm se convertido na fonte principal de empregos insatisfatórios, entretanto, tanto quanto às condições de remuneração como quanto às condições de trabalho. Sua reduzida produtividade se reflete nos baixos salários e as poucas alentadoras expectativas de crescimento, são inferiores às taxas dos trabalhadores do setor formal, o que amplia o diferencial salarial, aumentando a desigualdade na distribuição da renda.

Entretanto, além desse reduzido horizonte, há também as inúmeras possibilidades e potencialidades do setor das PME’s. Existem outros indicadores para se avaliar as perspectivas dessas empresas já que, além de aumentar a taxa de ocupação e contribuir a aliviar a pobreza, como já foi dito, elas apresentam a potencialidade de integração estrutural em setores formais, em redes e agrupações locais - onde promovem negócios sustentáveis - dinamizando recursos e tecnologias nacionais, dentre outros aspectos que revelam seu importante papel na dinâmica social.
É conhecido o fato de que apesar da publicidade e marketing, acerca das corporações multinacionais e transnacionais e dos conglomerados que geram bilhões de dólares, mais pessoas estão localizadas nos pequenos negócios do que nos grandes.

Segundo Perez (2002), para serem competitivas as PEM’s precisam apropriar-se das práticas gerenciais disponíveis em forma de modelos, métodos, técnicas, ferramentas e estratégias que, conforme com a experiência internacional, são acessíveis e aplicáveis com sucesso no contexto das empresas PEM’s.

As PEMs “necessitam ser pequenas e competitivas, conciliar a rentabilidade com a produtividade, qualidade e bom serviço para competir com sucesso”, entendendo como competitividade a não agressividade e ferocidade para destruir adversários, mas sim sendo as melhores, respondendo às exigências dos mercados, locais, nacionais ou internacionais.

Perez (2002) destaca três elementos essenciais para que as pequenas empresas ganhem competitividade: o primeiro é o processo de melhoramento contínuo de todos seus membros, que contribui ao aprendizado organizacional da empresa, onde todos seus membros são parte do capital humano que se incrementa, através da capacitação, observação dos processos de forma que cada empregado identifica problemas a resolver, encontra soluções e gera inovações incrementais. Isto pressupõe a valorização e capacitação das pessoas, estimulando sua criatividade, o que vai promover nas pessoas um processo constate de absorção e domínio crescente, tanto das tecnologias que já utiliza, bem como das novas que adquire e produz.

Um segundo fator consiste na estratégia de especialização, que permite à empresa identificar suas fortalezas e debilidades, bem como analisar o leque de opções de segmentos de mercados onde poderia competir em cenários mundiais cada vez mais diferenciados*, para saber selecionar e definir bem o mercado aonde a empresa vai a concorrer, Isso deve ter em consideração que a economia em escala não é a única alternativa, hoje já existem nichos aonde para o usuário pode ser mais importante a qualidade, a oportunidade da entrega ou o serviço (PEREZ 2OO2) .

O terceiro elemento colocado por Perez (2002) é a participação em redes de cooperação com sócios que as complementem, tomando consciência de que a competitividade e cooperação não são dois conceitos opostos e aprendendo que as redes de apoio e cooperação são características das empresas mais bem sucedidas no mercado mundial.

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