PT adia reunião que decidiria sobre rompimento com Cabral
Partido procura consenso interno em torno da decisão de sair já do governo
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Quando tudo era amor |
RIO — O PT do Rio decidiu adiar a reunião que selaria hoje o destino
da relação com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). A perspectiva
de uma candidatura própria em 2014 e a rejeição popular que o governador
vem enfrentando são os argumentos de parte majoritária do partido para
defender o rompimento imediato, como informou ontem Ilimar Franco, na
coluna Panorama Político. A decisão significaria a saída dos petistas da
gestão de Cabral. A estimativa dos dirigentes é que dos 21 dirigentes
da Executiva estadual, 14 já tenham decidido pela saída.
O
adiamento do encontro foi proposto, segundo o presidente regional do PT,
por representantes de todas as correntes do partido — incluindo o
senador Lindberg Farias, pré-candidato do partido ao governo do estado. A
ideia, discutida em conversas entre os petistas ontem e anteontem,
seria criar uma unanimidade em torno da decisão, para evitar rachas em
ano pré-eleitoral.
— Não vou fazer uma reunião pró-forma. Só farei
o encontro para dar encaminhamento a essa questão. Todos querem
discutir com profundidade a hora de deixar o governo. Vamos deixar, não
tem jeito. O Cabral está deixando claro que tem candidato. E não há
possibilidade de não termos — afirma o presidente estadual do PT, Jorge
Florêncio.
A defesa pelo tempo a mais de discussão foi feita pelo
próprio Lindbergh, que quer convencer os dirigentes ainda refratários ao
rompimento, como a deputada federal Benedita da Silva, da corrente
Construindo um Novo Brasil (CNB). Os diversos grupos políticos dentro do
partido farão reuniões separadas para tratar do tema.
Sérgio
Cabral recorreu à sua base na Assembleia Legislativa, para tentar evitar
os reflexos políticos da crise iniciada com os protestos. Na semana
passada, reuniu quatro dos seis deputados estaduais petistas. O PMDB,
que lançará o vice-governador Luiz Fernando Pezão ao governo, pressiona
para que o PT retire a candidatura de Lindbergh.
A aliança entre
PT e PMDB enfrenta dificuldades em 15 estados. Os que têm mais delegados
com votos na convenção nacional petista são Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Ceará e Paraná.
O grupo de Lindbergh (que não pertence a
nenhuma corrente, mas está próximo da Socialismo e Luta) vai defender a
saída do PT do governo Cabral em setembro. Hoje, o partido ocupa duas
pastas na gestão peemedebista: a de Meio Ambiente (Carlos Minc) e a de
Assistência Social e Direitos Humanos (Zaqueu Teixeira). A partir de
outubro, seria lançada a pré-candidatura de Lindbergh.
— Fui um
dos que defendi o adiamento da discussão sobre a saída do governo agora,
porque queremos a maior unidade possível em torno da decisão. Temos uma
campanha eleitoral pela frente — diz Antônio Neiva, integrante da
Executiva e da corrente Socialismo e Luta.
Os petistas defensores
do rompimento sustentam que “a base do partido está com pé do lado de
fora do governo”. O grupo de Benedita, que apoiou Cabral desde a
primeira hora, mantém a fidelidade ao aliado, mas ela vem sendo
procurada pelo grupo de Lindbergh para mudar de posição. Dentro do
partido, os petistas que estão no governo têm dito que respeitarão a
decisão da maioria.
Na frente mais veemente contra a permanência
no governo Cabral está o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ),
opositor da aliança do PT com o PMDB no estado desde a sua formação. Ele
sustenta que o PT está perdendo espaço nos movimentos sociais, ao se
manter ao lado de um governo em crise de popularidade:
— Defendo
que o PT saia imediatamente dos dois governos (do estado e da
Prefeitura). Já está saindo atrasado. A participação nesses governos tem
distanciado o PT de sua militância. Os movimentos sociais cresceram com
as manifestações. E o PT está ficando fora dos movimentos sociais. Uma
série de marcas desses governos são contrárias ao que o PT sempre
defendeu — diz o deputado.
Maiá Menezes
O Globo