terça-feira, 1 de setembro de 2009

Educação: Aumento de alunos em instituição fraca preocupa

"Se o crescimento em cinco pontos percentuais das faculdades periclitantes não necessariamente assusta, a constatação de que o número de estudantes nelas matriculados aumentou gordos 25% é definitivamente preocupante"

Hélio Schwartsman escreve para a "Folha de SP":

A elevação de 31% para 36% na proporção de instituições de ensino superior mal avaliadas pelo IGC (Índice Geral de Cursos) é significativa ou não? É difícil responder, porque, devido à ausência de série histórica, não existem termos de comparação. Essa é apenas a segunda edição do IGC.

Sem a possibilidade de apontar tendências e tirar conclusões definitivas, só o que se pode fazer é levantar hipóteses.

Se o crescimento em cinco pontos percentuais das faculdades periclitantes não necessariamente assusta, a constatação de que o número de estudantes nelas matriculados aumentou gordos 25% é definitivamente preocupante.

Existem aqui várias possibilidades. Pela mais óbvia, algumas universidades estão crescendo demais, o que leva à perda de qualidade. Por outra, a entrada de contingentes crescentes de alunos mal preparados é que estaria causando a piora dos conceitos. Não se pode descartar uma combinação de ambas as explicações.

A segunda hipótese se coaduna com o fato de que, nos últimos anos, o governo federal ampliou bastante as possibilidades de jovens de baixa renda conseguirem vagas em instituições de ensino superior.

Uma corrente mais populista de educadores tem urticária à simples menção da ideia de que pobres pioram as avaliações, mas esse é um dado empírico constatado nas mais variadas situações. Não é motivo para deixar de lado a bandeira da ampliação do ensino superior nem para suspender nenhum programa de inclusão social. Significa apenas que, ao implementar projetos desse tipo, devemos estar preparados para assistir a uma queda -que se espera seja momentânea- nos indicadores de qualidade.

Seja como for, em médio prazo o sistema parece caminhar mesmo para a estabilidade, pois o ritmo de crescimento das matrículas, após a explosão dos anos 90, está se reduzindo. Depois de caminhar na faixa dos 12% a 15% anuais até 2002, o índice está agora na casa dos 5% a cada ano.

Palpites mais precisos sobre o que está ocorrendo seriam possíveis se o Inep, o órgão do Ministério da Educação incumbido das provas e avaliações, divulgasse o IGC de forma mais completa, detalhando o conceito obtido por cada instituição nos três elementos que o compõem: o Enade (o velho "provão"), o IDD (que busca medir o conhecimento que a universidade agregou ao aluno) e as variáveis de insumo (qualificação do corpo docente e a infraestrutura pedagógica). É uma pena que não o tenha feito.

SBPC e JC

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