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sábado, 2 de julho de 2011

Alta do real reacende temor de guerra cambial e agrava problemas econômicos do Brasil


O real brasileiro atingiu sua cotação mais alta em 12 anos frente ao dólar na sexta-feira (1º), reacendendo o temor de guerra cambial no Brasil e agravando os problemas econômicos para a presidente Dilma Rousseff. A cotação do dólar atingiu R$ 1,5523, o valor mais baixo desde logo após a adoção do cambio flutuante em 1999, devido ao afluxo de investidores buscando ativos de maior retorno, após o alívio da crise da dívida grega.


O rápido crescimento econômico do Brasil e as altas taxas de juros reais de quase 6% tornam seus mercados altamente atrativos para os investidores estrangeiros, carentes de oportunidades de investimento nos mercados desenvolvidos.


“As taxas de juros americanas estão próximas de zero, as taxas de juros britânicas estão próximas de zero, as taxas japonesas estão próximas de zero e as taxas brasileiras estão em 12,25% –eu diria que esse é o xis da questão”, disse Neil Shearing, da Capital Economics em Londres.


A contínua valorização da moeda do país é uma dor de cabeça para o governo de Rousseff, que está preocupado com a perda de competitividade do setor industrial do país.


O Brasil tem sido um forte crítico da política monetária ultrafrouxa dos Estados Unidos, conhecida como alívio quantitativo, que é culpada por injetar liquidez na economia global.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) encerrou nesta semana sua segunda rodada de compra de títulos, chamada de QE2. Grande parte dessa liquidez, argumenta o Brasil, tem fluido para os mercados emergentes, como os da América Latina, inflacionando os preços de ativos e forçando os governos a adotarem controles de capital defensivos.

Mas com o fim do alívio quantitativo, o governo terá que procurar outros motivos para a valorização do real.


Dados do banco central mostram que o investimento estrangeiro direto e os preços mais altos dos commodities são responsáveis por grande parte do afluxo de dólares neste ano, em vez de investimentos especulativos. 

Aproximadamente US$ 42,4 bilhões fluíram para o Brasil entre janeiro e abril deste ano, mais de cinco vezes do que no mesmo período no ano passado. Apenas aproximadamente US$ 7 bilhões disso foram destinados ao mercado de renda fixa.


Além disso, os lares japoneses continuam sendo firmes compradores de ativos brasileiros, com aproximadamente US$ 4 bilhões fluindo para o Brasil a cada mês, de investidores de lá.

O governo se mostrou disposto a permitir o fortalecimento da moeda nos últimos meses para combater o aumento da inflação, mas uma maior valorização provocará oposição dos poderosos lobbies industriais do Brasil.


Rousseff, uma economista, chegou à presidência com a promessa de reduzir as taxas de juros, mas teve suas mãos amarradas pelo aumento da inflação.


Shearing disse que a taxa de câmbio real da moeda brasileira frente ao dólar valorizou 12% desde sua alta pré-crise.


Grande parte da força da moeda vem dos preços recordes dos commodities, que ajudaram a limitar o déficit em conta corrente a aproximadamente 2,3% do produto interno bruto em maio.


“Se o nível das importações se mantiver o mesmo e os preços dos commodities voltarem aos níveis de 2005, nós reconhecemos que o déficit ficaria próximo de 5% do PIB, o que se aproximaria do território de risco”, disse Shearing.

Tradução: George El Khouri Andolfato
UOL/NOTÍCIAS/INTERNACIONAL

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