sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Como continuar petista?


Nasci numa família petista. Acho que já escrevi isso antes, mas é uma lembrança muito forte: eu morava no Tatuapé, de frente para a fábrica de eletrodomésticos Philco, e o Lula comandava as greves lá. Eu acordava com ele berrando, irritada, mas minha mãe me mandava ter respeito pelo homem que mudaria o país. Quando o Lula foi eleito pela primeira vez e subiu a rampinha pra abraçar o Fernando Henrique, lembro da minha mãe no meio da sala, chorando mais do que quando eu voei da bicicleta, quebrei a clavícula e fiquei desacordada por longos segundos.

Sempre votei em todos eles: Suplicy, Marta, Mercadante, Lula, Dilma, Haddad. Mas de uns dois anos pra cá, minha família fez como a Marta: me abandonou, pegou horror ao partido. Se tornaram magoados vingativos. Os xingamentos vão de pinguço ladrão a escória da humanidade. Ela virou a típica senhorinha reaça das redes sociais, postando "Revoltados On Line", ajudando a viralizar vídeos terríveis de ministros sendo vaiados acompanhados de suas famílias. Senti um soprinho de esperança em recuperar meus pais quando num almoço o tema foi difamar o Cunha. Mas, no cafezinho, eles voltaram com força total, mostrando um clipezinho musicalizado da Dilma saudando a mandioca. E o milho também.

Fiquei sozinha nessa. Segui defendendo a ciclovia. Mesmo aturando 80% dos meus amigos falando que na periferia o Haddad deixou a desejar, que a faixa termina em lugar nenhum, que é malfeita, que antes a cidade deveria dar segurança pras pessoas andarem de bicicleta, que quem mandou comprar carro pra aquecer a economia foi o próprio PT. Que ciclovia é coisa pra agradar os alunos "de esquerda, mas com dinheiro" dele, que moram no centro expandido. Perdi uma quantidade enorme de amigos (que nunca fiz) quando comemorei a reeleição da Dilma. Tudo bem que fui meio sem noção e escrevi "Chupa Itaim" e "pega no meu pau Vila Nova Conceição" no Facebook. Muitos outros, esses sim importantes, me deram apenas "hide" e avisaram por inbox: "Quando você se curar dessa doença maligna chamada ignorância política, voltamos a falar". Não se "cura" com facilidade algo que se aprendeu a amar na infância. Sigo me agarrando aos poucos amigos que acreditam. Lendo os poucos articulistas que acreditam. Pedindo a um amigo que trabalha com o Haddad que me coloque em contato com ele, pra que eu possa conversar mais, entender mais, e não perder a fé. Mas a cada dia, um bom combatente entrega os pontos. Ligo para um colega escritor intelectual de esquerda e ele me aconselha: "Não escreve sobre isso não, tá feia a coisa, eu não acredito mais".

Está cada dia mais difícil responder "mas tanto foi feito pelos pobres" a cada 765 motivos para deixar de ser petista. Zé Dirceu armou o maior esquema de propina da história e mesmo depois de ser pego, armou de novo! Mas tanto foi feito pelos pobres! Os discursos da Dilma nunca falam com clareza sobre pedaladas fiscais e Petrolão! Mas tanto foi feito pelos pobres! Daí tento "mas nunca em um governo se colocou tanto bandido na cadeia! É a democracia!". Mas Dilma foi uma péssima gestora, olha como está o dólar, a inflação, o desemprego, os cortes na educação, na saúde, na grana dos aposentados! Mas nunca em um governo se colocou tanto bandido...Mas os bandidos estavam mancomunados com o PT ou, em grande parte, ERAM do PT. Mas nunca em... É... Veja bem... Que tristeza tudo isso.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Do Eduardo Cunha para Jaques Wagner



TIROTEIO



A Câmara nunca perdeu institucionalidade sob meu comando. Sempre conduzi a Casa com equilíbrio. Não visto essa carapuça.


DE EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), presidente da Câmara, sobre o ministro Jaques Wagner (Defesa) ter dito que espera isenção na condução dos trabalhos.

domingo, 26 de julho de 2015

ENACTUS, criado na UNIVERSITEC, ganha prêmio nacional de empreendedorismo




sábado, 25 de julho de 2015

Lula apela a FHC para conter impeachment


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso, e propor uma conversa entre os dois sobre a crise política. O objetivo imediato do movimento é conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Há cerca de duas semanas, amigos de Lula discutiram separadamente com ele e FHC a possibilidade de um encontro dos dois. Os contatos ocorreram às vésperas de o tucano viajar de férias para a Europa.

Lula disse a aliados que a conversa poderia ser por telefone e antes de Fernando Henrique viajar. O tucano preferiu deixar a definição de um eventual encontro para ser discutida depois que ele voltar ao Brasil, em agosto.

Não foi o primeiro aceno de Lula à oposição. Em maio, ele encontrou o senador José Serra (PSDB-SP) na festa de um amigo comum e disse que gostaria de marcar uma conversa reservada. Lula derrotou Serra na eleição de 2002.

Lula tem mantido somente os aliados mais próximos informados sobre essas conversas, e só avisou que procuraria Fernando Henrique na véspera de autorizar os contatos com o antecessor.

A intenção do petista é buscar um conciliador na oposição para tentar dissipar, pelo menos dentro do PSDB, as forças que trabalham pelo impeachment da presidente.

A crise que envolve Dilma aprofundou-se nas últimas semanas, com o avanço das investigações sobre corrupção na Petrobras, a crise econômica e a rebeldia dos aliados do PT no Congresso.

SEM INTERMEDIÁRIOS

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Instituto Lula afirmou nesta quarta-feira (22) que o ex-presidente não tem interesse em conversar com Fernando Henrique nem soube de nenhum interesse da parte do antecessor.

Por e-mail, Fernando Henrique disse à Folha: "O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público".

Serra não quis confirmar o conteúdo da conversa que teve com Lula em maio, e disse apenas que não tem nenhum encontro marcado com ele.

As informações sobre a movimentação de Lula foram confirmadas à Folhapor integrantes do Instituto Lula e políticos de três partidos. Para a assessoria de Lula, "relatos anônimos" servem apenas para alimentar "especulação".

RADICALIZAÇÃO

A aliados com quem discutiu o assunto, Lula disse preferir uma conversa discreta com FHC. O petista tem procurado evitar que seus movimentos ampliem a radicalização do ambiente político.

Lula, que fez recentemente críticas ao modo como Dilma vem lidando com a crise, tem procurado agir como bombeiro e procurou líderes do PMDB, como o senador Renan Calheiros (AL), para conter os ânimos no Congresso.

O ex-presidente debateu com seus auxiliares durante meses a decisão de buscar reaproximação com os tucanos. Os petistas sabem que a radicalização da campanha presidencial do ano passado, em que Dilma atacou FHC, tornou mais difícil o diálogo com eles.

No PSDB, há dúvidas sobre a conveniência de uma conversa que tenha como tema a governabilidade de Dilma. Mesmo tucanos considerados moderados, que hoje são contra o impeachment, temem que um diálogo com o PT seja visto como conchavo e arranhe a imagem do partido.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que foi derrotado por Dilma na eleição presidencial do ano passado, é visto pelos petistas como um dos principais obstáculos a qualquer tentativa de acerto entre os dois grupos políticos.

Momento não é para busca de aproximação com o governo, diz FHC




Daniela Lima, 
Folha, São Paulo

terça-feira, 21 de julho de 2015

A festa dos palhaços da CBF


CBF procura Sampaoli, mas só para ouvir sugestões




A CBF quer ouvir sugestões de pelo menos um treinador rival da seleção brasileira: Jorge Sampaoli, técnico do Chile. O argentino recebeu um convite de Gilmar Rinaldi para conversar com a comissão técnica comandada por Dunga. No primeiro telefonema dado pelo coordenador de seleções da CBF, Sampaoli não respondeu se aceita o convite.

O argentino tem dúvidas se Dunga reagiu bem à ideia. Porém, o técnico brasileiro está em sintonia com Gilmar no projeto de reunir técnicos estrangeiros para discutir o futebol nacional.

A meta do coordenador era juntar vários treinadores de outras nacionalidades de uma só vez, mas ele encontra dificuldades por conta da agenda de cada um. Assim, pode realizar encontros individuais.

O blog procurou Gilmar para falar sobre o assunto, no entanto, seu celular foi atendido pela assessoria de imprensa da CBF que declarou que informações só serão divulgadas por meio do site da entidade.

Campeão da Copa América, Sampaoli se transformou num dos estrangeiros mais desejados pelos times brasileiros desde o ano passado.

O São Paulo foi clube que mais se aprofundou nas negociações. Após a saída de Muricy Ramalho, Carlos Miguel Aidar, acompanhado do empresário e ex-volante Bernardo Silva, que tem bom relacionamento com o argentino, mas não é agente dele, teve uma longa conversa com treinador.

Durante a Copa América, foi a vez de Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, tentar a contratação em vão.

Por sua vez, apesar de querer ouvir Sampaoli e outros estrangeiros, a CBF mantém a postura de rejeitar técnicos de fora do país no comando da seleção. E assegura que Dunga segue firme no cargo.

Luta feminina do ano, Ronda Rousey x Beth Correia





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dilma, vete! ANTONIO DELFIM NETTO



Um dos problemas mais complicados –principalmente nas "ciências" sociais– é o estabelecimento de relações de causalidade. O festejado aumento recente de protagonismo do Poder Legislativo, essencial à consolidação do processo democrático no regime presidencialista, é a causa eficiente da visível irresponsabilidade fiscal que ele tem revelado? O maior equilíbrio de forças entre o Executivo, que formula o Orçamento, e o Legislativo, que o modifica, aprova e fiscaliza a sua execução, é necessariamente um mal? Por que um projeto proposto por um deputado ou senador é sujeito a mais desconfiança do que quando ele mesmo é submetido, pelos nebulosos caminhos da burocracia, na proposta orçamentária?

É impossível proibir, sem anular o Poder Legislativo, emendas ou modificações de gastos dentro das boas regras orçamentárias universais.

Elas exigem que (1) caibam no teto técnica e honestamente estabelecido para a receita total, ou seja, apenas substituam outras de valor equivalente, que, (2) quando o teto é violado, sejam acompanhadas pela aprovação de aumento da receita (imposto ou contribuição) igual e simultâneo, que (3) despesas de caráter permanente não sejam financiadas por aumento de receitas eventuais ou aleatórias e que (4) se considere que o investimento de hoje é despesa de custeio permanente de amanhã.

Essas regras têm sido abusadas pelos três Poderes, num conluio permissivo preocupante que ameaça a estabilidade financeira do país.

Seguramente, não foi o aumento do protagonismo do Legislativo, que, aliás, ajudou a aprovar boa parte do "ajuste" proposto pelo governo, que produziu a irresponsabilidade. Foi a visível e crescente desorientação do Executivo e do PT que estimularam a oportunística "farra fiscal" à qual não faltou, sequer, o Poder Legislativo! Dá tristeza e preocupação assistir ao que poderia ser um enorme avanço civilizatório, uma Câmara independente funcional e ágil, revelar-se uma assembleia de diretório acadêmico, onde a repetitiva gritaria ignorante de um esquerdismo infantil e o abuso de uma direita troglodita prevalecem sobre o bom senso.

Presidente Dilma, enfrente o "panelaço" que lhe cabe! Não sofra calada à desresponsabilização do Legislativo e do Judiciário no aumento das despesas. Vete os gastos propostos de quase R$ 80 bilhões nos próximos três anos, que nas últimas semanas foram postos no seu caminho. E vá à televisão mostrar à sociedade, com clareza, que, para desgastá-la, alguns oportunistas recusam os caminhos institucionais e ensaiam jogar o Brasil no caos financeiro.