Amazônia, meio ambiente, ecologia, biodiversidade, desenvolvimento sustentável, ciência e tecnologia, incubadoras e parques tecnológicos, política nacional e internacional - Amazonia, the environment, ecology, biodiversity, sustainable development, science and technology, incubators and technology parks, national and international policy
sábado, 31 de janeiro de 2009
BRASIL - Como funciona a Amazônia (2) a maior floresta tropical do mundo
A Amazônia é a maior floresta tropical em área contínua da Terra. São cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados divididos entre o Brasil, Venezuela, Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Equador e Colômbia. Nela também está a maior bacia hidrográfica do mundo com o maior rio do planeta, o Amazonas. Ficam no Brasil cerca de 80% da floresta.A maior parte do ecossistema amazônico fica em terra firme numa grande planície de 100 a 200 metros de altitude que segue até as montanhas onde inicia a Cordilheira dos Andes. Esta grande planície é fruto dos sedimentos deixados pelo lago Belterra, que existiu na região se formou a 1,8 milhão de anos atrás e desapareceu há 25 mil anos.
Na foz da bacia hidrográfica no litoral brasileiro, o solo e a vegetação estão praticamente no nível do mar e, em algumas áreas abaixo, o que faz com que o mar invada o leito do rio, provocando um fenômeno chamado pororoca. Igarapés, estreitos riachos que cortam a mata, e igapós, extensas áreas com água cobrindo a vegetação mais baixa, são comuns na região. Uma das mais interessantes atrações turísticas da região, o encontro das águas em Manaus mostra outra característica da região: de um lado as águas escuras e ácidas do rio Negro, do outro as barrentas do rio Solimões se unem para formar o Amazonas.

Como todas as floretas tropicais, a maior parte do seu solo é pobre em nutrientes, formando uma grande biomassa na base das árvores, essa sim rica em nutrientes. Suas árvores como as samuameiras, castanheiras, mogno ou jatobá podem chegar a alturas entre 30 e 50 metros de altura. As palmeiras também são comuns na região. O açaizeiro, de onde sai o açaí - fruto utilizado na alimentação diária de boa parte da população tradicional da região, é um dos mais comuns.
A dimensão da rica biodiversidade amazônica ainda é uma incógnita, havendo as mais diversas estimativas para o número de espécies vegetais e animais presentes na floresta. Alguns animais aquáticos bem conhecidos como o pirarucu, boto e peixe-boi estão ameaçados de extinção graças a exploração desenfreada. O mogno, árvore cuja madeira pela sua maleabilidade é muito procurada, também está ameaçada.
A pressão econômica e social do homem tem sido a maior razão para a devastação amazônica. O chamado arco do desmatamento, área fronteiriça da floresta que abrange Rondônia, norte do Mato Grosso, sul do Pará e oeste do Maranhão, empurra a destruição cada vez mais para dentro da mata.
Degradação da floresta
Por ano, são desmatados, em média, cerca de 21 mil quilômetros da floresta no Brasil, o que significa dizer que a Amazônia perde o equivalente a um Estado de Sergipe anualmente. De 2004 até metade de 2007, houve uma queda acentuada nos índices de desmatamento, chegando a 14 mil quilômetros quadrados entre agosto de 2005 e julho de 2006. De agosto de 2006 a julho de 2007, foram desmatados 11,2 mil quilômetros quadrados. A situação, no entanto, começou a se inverter novamente. Nos últimos cinco meses de 2007, o desmatamento foi de 3.233 quilômetros quadrados, um número muito alto principalmente porque nos últimos meses do ano, com as chuvas fortes na região, a derrubada de árvores costuma ser pequena. Mas quais as razões para o desmatamento?
São várias as causas do desmatamento amazônico: aumento populacional, exploração de madeira, pecuária e agricultura extensiva, queimadas, extração mineral e ampliação da infra-estrutura da região, são as principais resposáveis do desmatamento da Amazônia.
BRASIL - Como funciona a Amazônia (1)

INTERNACIONAL CHILE - PEDRAS NO CAMINHO PARA EDUARDO FREI QUE ASPIRA NOVAMENTE À PRESIDÊNCIA DO CHILE
Eduardo Frei o Pai.
Eduardo Frei Montalva, foi presidente entre 1964 e 1970, encabeçou a oposição contra Salvador Allende e depois de apoiar inicialmente a ditadura liderou as forças contrárias ao general Augusto Pinochet, até sua morte em uma clínica privada onde foi operado. A justiça investiga se, como acreditam a família Frei e muitos no Chile, a ditadura mandou envenenar o ex-presidente. Os exames encontraram indícios de que foi assim e espera-se uma rápida resolução do juiz encarregado do caso.
Uma das pedras no caminho do Frei filho para ser novamente Presidente é José Antonio Gómez e muitos apostam que Gómez não conseguirá chegar até a última primária, a de Santiago, em 17 de maio, por falta de recursos para sustentar a campanha e porque depois da retirada do ex-presidente Ricardo Lagos e do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza (de uma corrida na qual nunca entraram completamente), Frei chegou à disputa com o apoio de democratas-cristãos, socialistas e do Partido pela Democracia, três dos quatro maiores partidos da Concertación.Anteriormente, a senadora e ex-ministra Soledad Alvear se demitiu da presidência da Democracia Cristã (DC) e abandonou a competição pela presidência ao ver que não subia nas pesquisas, assim deixando o caminho livre para Frei.
O principal obstáculo que ele tem pela frente é o empresário Sebastián Piñera, o representante da direita, cuja fortuna é estimada em US$ 1,3 bilhão, que depois de ser derrotado por Bachelet em 2005 começou imediatamente a corrida para a eleição presidencial de dezembro de 2009 e que agora tem uma grande vantagem em todas as pesquisas sobre seu rival democrata-cristão.Por enquanto, a Concertación só pede a Frei para forçar um segundo turno, apesar do esperado impacto da crise econômica internacional, que se traduzirá no Chile em maior desemprego e menor crescimento, para então tentar derrotar Piñera.
Entretanto, a direita aspira a ganhar sem chegar à recontagem de votos.Com um período presidencial de quatro anos sem reeleição, os chilenos deverão se acostumar à repetição de rostos nas eleições para La Moneda. Logo haverá vários ex-presidentes e candidatos derrotados que podem aspirar a uma segunda oportunidade. De fato, a batalha de dezembro de 2009 será entre um ex-presidente e um ex-candidato presidencial. A própria Bachelet fica situada como candidata para a eleição de 2013, depois de se recuperar nas pesquisas e de estar se transformando em uma figura querida pelos chilenos.
Frei, um engenheiro civil e hidráulico e empresário, também tem como desvantagem a forma como terminou seu governo, em meio a uma recessão provocada pelo ajuste diante da chamada crise asiática, que quase custou a vitória a Lagos contra Joaquín Lavín, e obscureceu os primeiros anos de crescimento e modernização de seu mandato.Mas o sobrenome Frei é quase uma marca na política chilena. Seu pai, Eduardo Frei Montalva, foi presidente entre 1964 e 1970, encabeçou a oposição contra Salvador Allende e depois de apoiar inicialmente a ditadura liderou as forças contrárias ao general Augusto Pinochet, até sua morte em uma clínica privada onde foi operado. A justiça investiga se, como acreditam a família Frei e muitos no Chile, a ditadura mandou envenenar o ex-presidente. Os exames encontraram indícios de que foi assim e espera-se uma rápida resolução do juiz encarregado do caso.
Quarto de sete irmãos, Eduardo Frei Ruiz-Tagle se dedicou tardiamente à política. Considerado sério, de oratória frágil e até aborrecido, sua falta de loquacidade é mais atribuível à timidez, porque em particular tem senso de humor. Para esta campanha mudou seu estilo. Hoje está mais desenvolvido e seguro de si. Saiu em último lugar nas preferências das pesquisas, mas começou a ganhar terreno na medida em que seus adversários da Concertación se retiravam. Flertou até com a esquerda e depois propôs uma nova Constituição para o Chile em 2010, no bicentenário da independência, a mais sólida que fez algum dos candidatos.Declarou estar disposto a abrir espaço parlamentar para os comunistas, que 19 anos após a volta da democracia ainda não conseguiram eleger um deputado ou senador, pelo sistema eleitoral criado pela ditadura. A rigor, segundo indicam as pesquisas, sem esses votos não poderia vencer Piñera. De todos os possíveis candidatos da Concertación, Frei é o que mais pode evitar a drenagem de votos do centro para Piñera, que votou contra o ex-ditador Pinochet no plebiscito de 1988.Frei já teve uma disputa eleitoral direta com Piñera, em 1989, o último ano do governo Pinochet, para chegar ao Senado. Na época Frei quase duplicou os votos de Piñera, com 41% contra 21,9%, obteve primeira maioria nacional e ambos chegaram à Câmara Alta. Mas então a Concertación não sofria o desgaste de 19 anos de governo. Frei superou esse registro ao ser eleito presidente com 57,9%, a maior votação já obtida por um candidato ao cargo.É católico, casado com a orientadora familiar Marta Larraechea, uma mulher simpática e brincalhona, com quem tem quatro filhas. Ao se inscrever para as primárias, Frei afirmou que "esta é uma etapa, um caminho, que há alguns meses parecia escuro. Vamos ganhar em dezembro e vamos continuar construindo um país mais humano, mais justo".
Mas, nas águas da coalição do governo ou base aliada (como se diz no Brasil) não estão tão calma assim como parece. Novas pedras surgiram e dificuldades maiores surgiram do próprio interior da coalição governista. a esquerda, que já leva 16 anos no poder está extremamente, por assim dizer, cansada e existem correntes importantes dentro do partida da presidenta que lutam por uma maior expressão no exercício do poder e é, reiteradamente, obstaculizada sua maior participação no governo.
É a velha guarda que viveu o retorno à democracia e que usufruiu do poder por estes 16 anos. a idade dos principais principais líderes, se somadas, alcançariam cerca de 800 anos.
De muita experiência e de pouca vontade de inovar. Não gostam da transparência das ações do governo, não gostam de caminhar pelas ruas e recorrer seus distritos eleitorais. Na eleições´, apenas aparecem em cartazes com suas fotos maquilhadas, como se fossem, ainda jovens maduros. E ainda querem continuar governando. Já disse uma amigo que o poder, até de sindico, é motivo de briga e de ambição.
Logo veremos em detalhe esse novo panorama da política chilena. Os jovens também querem participar dos destinos do país. eles representam cerca de 3 milhões de votos que não se registraram e não voraram nas últimas eleições.
Hoje contam com representantes que querem entrar nessa briga, desde dentro da consertação.
Quens são? quais são suas propostas. Em outra matéria analizaremos detalkhes de essa luta que recem começa no Chile e seguramente se expandirá para outros países.
DAVOS - A CRISE ACENDE O DEBATE PELO PROTECIONISMO ECONÔMICO
El crack financiero internacional y la necesidad de disciplinar a los mercados pusieron sobre el tapete una vieja discusión, en torno del proteccionismo económico. El debate entre potencias, entre sí, y con los países en vías de desarrollo, recrudece frente a la crisis.
¿Cuál es la mejor receta para afrontar la crisis? ¿Cerrarse al mundo para ordenarse en las cuestiones domésticas? ¿Hasta dónde? ¿Hasta cuándo? ¿Cómo será el nuevo capitalismo que emerja de esta debacle?
Los interrogantes están abiertos y admiten diferentes respuestas alrededor del mundo.
Algunos, ya tejen estrategias. El presidente norteamericano, Barack Obama, incluyó en su paquete de medidas económicas una cláusula conocida como "Buy American" (Compre productos estadounidenses) para la adquisición de acero, incluida en el proyecto de estímulo de 825.000 millones de dólares, lo que irritó a algunos socios comerciales de Washington. La Cámara de Representantes aprobó la medida esta semana.
Artigo completo aqui ftp://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1095079
INTERNACIONAL - A PRESIDENTA CHILENA MICHELLE BACHELET FOI CONVIDADA A ESTADOS UNIDOS POR BARACK OBAMA

La evolución de la crisis económica internacional, en particular los alcances que tendrá ésta para el continente, y la importancia de la Cumbre de las Américas que se llevará a cabo en abril, fueron los temas que se abordaron en la conversación.
Durante el diálogo, Obama valoró muy positivamente los avances alcanzados por Chile en materias sociales.
Asimismo, Bachelet conversó con la nueva secretaria de Estado Hillary Clinton, en la que la Mandataria chilena felicitó a la ex primera dama por su designación en el gabinete del primer afroamericano que gobierna Estados Unidos, según se informa desde la Presidencia de la República.
Durante su discurso de investidura el pasado 20 de enero, Obama se refirió a la futura relación de la principal potencia del mundo con América Latina, situación que se abordaría en la eventual reunión bilateral que sostendrán ambos presidentes.
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL - UM OUTRO MUNDO, APENAS UM MUNDO MELHOR do Deputado Fernando Gabeira
Hoje em Belém do Pará, Amazônia, Brasil, a consigna do dia, que estava em todas as declarações e discuros era "um outro mundo é possível"!
Aí está Gabeira, líder do Partido Verde, que não perdoa deslize, com um dos seus artigos que faz sentido para o momento.
FERNANDO GABEIRA (da Folha de São Paulo)
Outro mundo
RIO DE JANEIRO - Quando estava preso, Affonso Romano me visitou e disse que achava que nossa visão revolucionária tinha muito de religioso. Naquele momento, estranhei. Mais tarde, lendo a conferência de George Steiner, "Os Sonhadores do Absoluto", percebi que havia afinidades. Sobretudo nessa certeza em determinar o sentido do homem, em sonhar com um mundo completamente novo, inclusive com um homem novo.No meio da década de 60, no bar Degrau, disse para Bolívar Lamounier que, como Sartre, achava o marxismo o horizonte intelectual insuperável de nosso século. "Bobagem do Sartre", respondeu diante do copo de chope. Também estranhei. Sartre era o filósofo.Tinha muitas reações de estranheza diante dos livros de Isaiah Berlin. Ele escreveu numa revista "Encounter" financiada pelo governo americano. Era considerado da CIA. A qualidade de sua obra me conquistou. Além de entender a Revolução Russa, achou bem no romantismo alemão as raízes revolucionárias.
Homem novo? Sentido da história? Todas essas grandes ideias passam por sua análise fria, liquidificadora.Leio agora sobre a Europa. Deu um grande salto no pós-Guerra. Um a um, os partidos social-democratas se livraram das certezas da história, contentando-se com o aumento do poder de consumo, a maior liberdade das pessoas, uma estabilidade democrática.
Vista retrospectivamente, foi uma extraordinária conquista.Nesse momento de crise, em vez de outro mundo, peço um mundo melhor. É o caminho para abordar a economia e a degradação ambiental. Uma vez foi tentada uma conferência entre os dois fóruns, Davos e Porto Alegre. Um caos. Cada um falava a sua língua. Não conseguiram se entender. Se houver outro mundo, ou, mais modestamente, um mundo melhor, dependerá mesmo de fóruns como esses?
CAPA DE ALGUNS PRINCIPAIS JORNAIS E RÁDIOS DO BRASIL
BandNews
Reajuste do funcionalismo público pode ser revisto
Segundo a rádio BandNews, o Ministério do Planejamento anunciou que, em caso de agravamento da crise financeira mundial, os reajustes concedidos a servidores públicos podem ser revistos.
CBN
Celso Amorim critica protecionismo norte-americano
Jovem Pan
Abimaq faz acordo com CUT para garantir empregos
JORNAIS
Folha de S. Paulo
Governo quer comprar e revender casa popular
Por meio de licitação, o governo quer comprar casas de construtoras para refinanciá-las pela Caixa Econômica Federal. A medida é parte de pacote que deve ser fechado na semana que vem. Os financiamentos beneficiariam quem tem renda mensal entre R$ 1.200 e R$ 2.200. O governo quer a construção de 1 milhão de moradias até 2010 em todo o pacote habitacional.
O Globo
BNDES dará socorro direto a montadoras
Jornal do Brasil
Juros do BC devem cair a 9% este ano
TELEJORNAIS
Rede Globo- Jornal Nacional
Presidente Lula critica protecionismo ao aço americano
Para Lula, a proposta do presidente Barack Obama de só utilizar aço produzido nos Estados Unidos nas obras financiadas pelo governo americano é prejudicial para o comércio entre os países.
Rede Record- Jornal da Record
Salário mínimo passa a valer R$ 465 a partir de domingo
TV Brasil - Repórter Brasil Noite
Apoio do PSDB à candidatura de Tião Viana tumultua as eleições no Congresso
COMO DISSE UM GRANDE ECONOMISTA: A ECONOMIA É BURRA, CRESCEU ESTÁ ÓTIMO, NÃO CRESCEU ESTÁ RUIM
Todo início de ano o governo, e as instituições econômicas, fazem as suas projeções de crescimento.
Abaixo estão as 10 projeções mais confiáveis para o crescimento da economia brasileira em 2009:
01. Governo - 4%
02. Banco Central - 3,2%
03. Banco Mundial - 2,9%
04. UNCTAD - 2,9%
05. BIS - 2,8%
06. CNI - 2,3%
07. Boletim Focus - 2%
08. Cepal - 2,1%
09. FMI - 1,8%
10. Banco Morgan Stanley - 0%
O governo pode ter exagerado, mas, o Morgan Stanley, com certeza, aloprou.
Não obstante, segundo os feiticeiros, entre o 0% e o 4% estão em jogo 5 milhões de empregos.
Portanto, mesmo dando coluna do meio, não há como o país não ficar preocupado com a retração dos postos de trabalho causada por uma taxa de crescimento que se apure menor que a projeção do Banco Central.
Olha que as previsões para o crescimento da América Latina são de 0,5%.
Fonte: http://www.parsifal.org/
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Floresta Amazônica está cada vez mais devastada (do Le Monde) Estes dados não contam nos arquivos do IMAZON?.
Recentemente, como foi comentado neste blog, a ONG IMAZON divulgou a queda do desmatamento da Amazônia em mais de 80%. No artigo abaixo do Jornal Le Monde a versão que se da é diferente. Confira.

Melhor que qualquer discurso, um número resume a dimensão do choque ao qual se submete a Amazônia: 17% da floresta foi destruída em cinco anos, entre 2000 e 2005. É o que afirma o Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (PNUMA), no relatório sobre o "Meio ambiente na Amazônia", que será publicado e que provavelmente constitui o trabalho mais completo sobre o assunto em dez anos.
Essa cifra mostra a dimensão, no nível dos oito países que dividem a maior massa florestal do planeta (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela), de uma desordem que na maior parte do tempo só é percebida através do prisma do gigante brasileiro. No decorrer desse período, 857 mil quilômetros quadrados de árvores - o equivalente à superfície da Venezuela - viraram fumaça ou foram cortadas sobre uma área de 5.148 quilômetros quadrados que correspondem à definição mais rígida da Amazônia. Aquela que, segundo os especialistas, atendem aos critérios hidrográfico, ecológico e político.
A maior parte do arroteamento foi feito no Brasil, mas os outros países, com exceção do Peru e da Venezuela, também se depararam com um rápido desaparecimento da cobertura vegetal. "O avanço das frentes pioneiras na Amazônia e das transformações que elas introduzem é tão grande, que o movimento de ocupação dessas últimas 'fronteiras do planeta' parece irreversível", constatam os autores.
Por trás do desflorestamento, acontece uma grande corrida para a apropriação das gigantescas reservas de terra e matérias-primas da região. "A dinâmica econômica, em resposta à demanda dos mercados estrangeiros, alimenta uma forte pressão sobre os recursos naturais. O modelo de produção dominante, que não leva em conta nenhum critério de desenvolvimento sustentável, leva à fragmentação dos ecossistemas e à erosão da biodiversidade", eles lamentam, denunciando um sistema predatório. A exploração florestal, muitas vezes ilegal, conquista novas terras para a pecuária ou para as culturas voltadas à exportação como a soja, extração mineral e petroleira, construção de estradas e infraestruturas....
A colonização da Amazônia é acompanhada por uma multiplicação dos conflitos com as populações locais dentro de um contexto em que os direitos de propriedade continuam indefinidos. O PNUMA não condena a exploração da Amazônia somente pelo desastre ecológico ao qual ela conduz. Ele também estigmatiza um modelo de desenvolvimento deplorável do ponto de vista social, uma vez que a população - concentrada nas cidades - ultrapassa os 33 milhões de habitantes, contra 5 milhões nos anos 1970 e que aumenta mais rápido que no resto dos países da zona. "A renda per capita mostrada por certas localidades não deve mascarar uma situação geral de grande pobreza. A riqueza extraída da exploração dos recursos naturais, na maioria das vezes, não é reinvestida no local", adverte o relatório. No Equador, nas cidades petroleiras de Orellana e Sucumbíos, a renda per capita ultrapassa US$ 25 mil por ano, oito vezes mais que a média nacional, mas os indicadores de desenvolvimento humano continuam piores do que em outros lugares. O relatório também destaca o impacto da degradação do ambiente, da poluição das águas sobre o crescimento das carências alimentares ou a propagação de certas doenças como a dengue ou a malária. O desaparecimento de certas espécies, que funcionam como predadores naturais dos agentes de transmissão dessas doenças, facilita a propagação das epidemias.
Diante desse quadro devastador, existem iniciativas para introduzir um desenvolvimento mais sustentável. Mas elas permanecem em segundo plano. Os planos de desenvolvimento sustentável adotados pela maior parte do país e a classificação como zonas protegidas de cerca de 15% do território amazônico também não parecem, aos olhos do PNUMA, razões suficientes para se tranquilizar quanto ao futuro. Um futuro para o qual a instituição da ONU enxerga quatro cenários possíveis. De uma exploração controlada até o desaparecimento do paraíso verde: todas as opções são consideradas, exceto aquela que consistiria em transformar a Amazônia em uma gigantesca reserva natural.