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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Como se saíram neste ano os principais atores da política nacional


Blog do FERNANDO RODRIGUES (FOLHA DE SÃO PAULO) avalia as principais personalidades da política nacional pós-eleições municipais de 2012:


GANHA – Lula – sua principal aposta (Haddad) venceu na cidade mais relevante do país. Reafirmou sua condição de condestável do PT e principal líder governista. Tem tanto poder no PT como um dia ACM teve no PFL. É impossível o PT decidir seus rumos para 20-14 sem ouvir Lula.

GANHA - Dilma Rousseff – foi um pouco empurrada, mas foi, a comícios de candidatos a prefeitos do PT. Mergulhou em campanhas. Melhorou sua “identidade petista”.
Ao ter subido em vários palanques reposicionou-se dentro do establishment partidário. Saiu da eleição mais petista do que entrou.

GANHA – Eduardo Campos – o seu partido, o PSB, foi um dos que mais cresceu nesta eleição, junto com o PT. Campos é o mais citado “presidenciável” fora do campo PT-PSDB. E tem relações excelentes com Aécio Neves, o eventual candidato de oposição ao Planalto em 2014.

GANHA – Fernando Haddad – é o representante do PT 3.0, a terceira geração da sigla. Ao governar a cidade de São Paulo, qualifica-se para no futuro tentar disputar o governo paulista.

GANHA – ACM Neto – líder solitário do DEM, construiu uma trincheira em Salvador com sua vitória para prefeito da cidade, derrotando o PT. Será a voz mais estridente da oposição ao governar a terceira cidade em número de eleitores no país.

GANHA – Gabriel Chalita – teve 14% dos votos na cidade de São Paulo e se credencia como o nome da renovação do PMDB. Em 2014, será um ator relevante nas alianças paulistas da legenda.

GANHA – Celso Russomanno – com 21,6% dos votos para prefeito, mais do que triplicou sua votação na cidade de São Paulo na comparação com o que recebeu no município em 2010, quando era candidato a governador. Será procurado por vários partidos em 2014.

GANHA – Alexandre Padilha – o ministro da Saúde é candidato a ser o “novo” petista na eleição para governador de São Paulo em 2014. Precisa se entender com o ministro Aloizio Mercadante (Educação) e com o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho.

PERDE – José Serra – foi derrotado numa eleição na qual era apontado como franco favorito no início da disputa. Aos 70 anos, enfrentará resistências no PSDB para se candidatar a cargos majoritários em 2014. Tem pouco ou nenhum controle sobre amplos setores do PSDB fora de São Paulo.

PERDE – Geraldo Alckmin – segurou a onda no PSDB quando Serra quis ser candidato a prefeito de São Paulo. Por essa razão, torna-se parceiro na derrota –embora fosse explícito que não desejasse verdadeiramente a eleição do companheiro de sigla. O PSDB de São Paulo perdeu cerca de 40 prefeituras em relação a 2008. Para piorar, sofrerá agora ataques de todos os lados por parte do PT e do PSD (de Kassab). Fica mais apertada sua reeleição em 2014.

PERDE – Jaques Wagner – o governador da Bahia não conseguiu conquistar a prefeitura de Salvador por meio da candidatura de Nelson Pelegrino. Os sonhos presidenciais de Wagner ficam por ora enterrados. Lula é quase um pop star na capital da Bahia e esse aspecto torna ainda pior a derrota do PT. Foi também um sinal de que Lula pode muito, mas não pode tudo.

PERDE – Marina Silva – depois de ser a terceira via em 2010 na disputa presidencial, saiu do PV, ficou sem partido e só apoiou candidatos de maneira esparsa pelo país. Deixou de acumular forças para 2014 e perde o empuxo de dois anos atrás.

PERDE – Fernando Henrique Cardoso – o PSDB ensaiou um “revival” a favor do legado do ex-presidente, mas foi um espasmo passageiro. FHC fez algumas declarações pró-Serra. O efeito foi nulo. O tucano também tem um discurso mais liberal (a favor de descriminalização de drogas leves, por exemplo), algo que o afasta cada vez mais dos conservadores tucanos paulistas. Sua influência político-partidária-eleitoral evanesce de maneira constante. O tucano vai se tornando uma figura histórica respeitável, mas só como um quadro na parede.

PERDE – José Sarney – apesar de sua filha, Roseana Sarney, governar o Maranhão, o presidente do Senado foi figura distante nas disputas deste ano. Seu grupo foi alijado da eleição para prefeito de São Luís. No Amapá, Estado pelo qual Sarney se elege senador via PMDB, sua presença também foi lateral. Como termina seu mandato na presidência do Senado em janeiro, Sarney entra em uma fase crepuscular de sua carreira política.

NA MESMA – Aécio Neves – seu candidato venceu em Belo Horizonte e o tucano consolidou uma boa relação com a força emergente que é o PSB. Mas perdeu algumas cidades mineiras importantes e viu seu partido ser derrotado país afora. É o nome único do PSDB para ser candidato a presidente em 2014? Sim, mas essa já era sua condição antes das eleições.

NA MESMA – Gilberto Kassab – tem baixa popularidade, mas construiu um partido que nesta eleição já é o 4º em número de prefeitos eleitos. No Congresso, a bancada do PSD de Kassab passa a ser fundamental nas votações relevantes. Como não conseguiu ajudar a eleger Serra em São Paulo (seria sua grande trincheira), fica na mesma situação de antes do pleito: um político em alta no cenário nacional, mas ainda a ser provado num disputa majoritária.

NA MESMA – Marta Suplicy – resmungou ao ser preterida por Lula na disputa paulistana. Negociou um cargo no governo federal (Ministério da Cultura) e passou a apoiar Haddad. Mas a vitória petista não é nem de longe mérito seu. Por fim, se Marta não serviu para encarnar o novo na cidade de São Paulo, também não poderá por essa lógica ser candidata a governo do Estado em 2014.

NA MESMA – Michel Temer – o vice-presidente da República mostrou lealdade ao PT e à Dilma Rousseff ao colocar o PMDB como aliado em algumas cidades. Mas continua sem muito acesso ao Planalto e com muita gente cobiçando sua vaga na chapa em 2014.
Temer registrou uma vitória no plano paulista, com o lançamento do Gabriel Chalita prefeito da capital do Estado. Mas essa é apenas uma aposta no mercado futuro: é necessário saber se o patrimônio de 14% dos votos obtidos na cidade será bem usado daqui a dois anos.

NA MESMA – Sérgio Cabral – teve vitórias no Rio de Janeiro, mas sua imagem continua enrolada por causa da “turma do guardanapo” no escândalo do Cachoeira (a festa num restaurante europeu). Nesta eleição, saiu-se como alguém pouco confiável no PMDB, pois apareceu como pretendente ao cargo de vice-presidente hoje ocupado por Michel Temer, seu colega de partido.

NA MESMA – Eduardo Paes – depois de dizer que é mais prefeito do Rio do que um militante do PMDB, defendeu Sérgio Cabral como candidato do partido a vice-presidente em 2014. Teve grande votação no Rio, mas não tem forças nacionais a apoiá-lo para voos mais altos fora do Estado.

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