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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Diálogo de Anônimos



  • Serà que alguém jà se deu o trabalho de calcular, retrospectivamente, a "taxa de acerto" de algumas previsões?

Desconfio que para algumas, especialmente as dos economistas, uma tal taxa, se calculada, estaria bastante próxima do zero...

Quem sabe isso não estaria também em boa parte decorrente do fato que os economistas, em sua maioria, obstinam-se a aplicar modelos mecanicistas relativamente simples, que com sorte e exceções às vezes funcionam para realidades fisicas o menos remotas possiveis das condições de experiencias de laboratorio, às realidades sociais, nas quais os fatores humanos, biologicos e do pensamento, complexificam irremediavelmente o quadro dos modelos, tornando as hipoteses de racionalidade dos comportamentos individuais bastante frageis, resultando em margens muito amplas de imprevisibilidade.

Pelo jeito, com tais presmissas, a certeza do erro (que haverà erro) parece ser a unica coisa realmente previsivel com certeza (ou pelo menos com uma margem de erro aceitavel)!

Falar de "erro" do modelo de previsão nestas condições parece pleonastico... precisaria jogar o modelo fora e adotar outro!




  • Com a devida vênia e a (in)certeza de poder estar dizendo besteira, pergunto (baseado na jurisprudência de que perguntar não ofende): como ficam os ciclos econômicos, independente da duração? A tendência (trend) conteria elementos para previsão nos curto, médio e longo prazos? Claro que no último cenário (longo prazo) estaremos todos mortos, já dizia o poeta.

Dizia Keynes, com sua visão estática individualista e que vitimou nossa sociedade: no longo prazo todos estaremos mortos.  Delfim Netto foi atrás, quando Ricardo Arnst perguntou a ele no seu livro (O que os economistas pensam sobre sustentabilidade que, a propósito, nem sabia que os economistas pensavam...).  Ricardo perguntou: você não tem medo do que pode acontecer ao planeta e Delfim respondeu: "sou muito velho e não estarei aqui para viver isso". Além de Keynes temos outros cientistas que podem nos dizer com todas as letras que "sem a Amazônia todos estaremos mortos."  Outro poeta (Roegen) lembrou que do ponto de vista da nossa espécie animal somos praticamente imortais.  O nosso fim coletivo está ligado ao nosso individualismo, a falta de solidariedade da nossa espécie animal, entre nossos pares e com os demais seres vivos e ecossistemas (por que não ser carnívoros se não somos nós que entramos no corredor da morte e sofrimento extremo ao longo da vida com um sistema nervoso central?).

Outro poeta (Laszlos) também disse que o futuro não foi feito para ser previsto, mas para ser criado. Na cultura do bilionário e da celebridade que veste a roupa do bilionário para os lavados cerebrais (bilhões de pessoas) isso não faz o menor sentido. Vamos todos tomar Coca-Cola até morrer.

Os economistas são cassandras às avessas.  Apolo apaixonado pela Cassandra deu a ela o poder de prever o futuro, até o dia que ela se recusou em deitar com ele novamente. Nesse dia, ele a amaldiçoou e ela continuou prevendo o futuro, no entanto, ninguém iria mais acreditar nela.  Os economistas são cassandras às avessas, porque não conseguem prever o futuro, mas todos acreditam neles.

Por pura ideologia, claro, e interesse próprio. A crise de 2008 até hoje é uma crise final que vai terminar em colapso das economias e guerras, mesmo antes do colapso planetário. Muito simples: o crescimento não será restaurado, crescimento é um fim em si mesmo, não tem base de sustentação - embora também não tenha sustentabilidade socioambiental.

Incrível. Estamos vivendo o pior modelo econômico na mais alta potência - sem nomes, pois todos - comunismo, socialismo, ditadura, capitalismo - são idênticos e baseados em fluxos e nas falsas suposições que a sociedade pode ser extremamente desigual e que o planeta é inesgotável, inclusive na quantidade de água, apesar de serem claramente finitos.

O futuro que estamos criando no dia a dia é o do colapso total. Até agora não há nada que tenha alterado isso. Ao contrário.

Abraço

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