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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Educação - Externalidades perversas da educação Uniban. O crime de ser mulher

Em cerimônia religiosa realizada na Paróquia São José, no Jardim Europa, em São Paulo, o reitor da Uniban - Universidade Bandeirantes, Heitor Pinto e Silva que já deve contar com mais de 63, anos casou-se com a atriz e diretora Eloísa Vits de uns 30 anos (30 anos de diferença!). Assistiram à boda mais de 500 convidados vips.

A foto abaixo, tirada dos arquivos da Revista Caras, foi também postada, pelo jornalista Cláudio Humberto, no seu blog e curiosamente, sumiu antes do meio dia de hoje 10 de novembro do blog do Jornalista. Só se foi a pedido do próprio Reitor da Uniban.

Segue a matéria da jornalista Eliane Cantanhêde.




ELIANE CANTANHÊDE

Folha de S.Paulo

BRASÍLIA - Noutro dia, uma mulher de mais de 60 anos foi amordaçada, torturada e violentada por um criminoso que entrou na sua casa, em Brasília, fazendo-se passar por bombeiro eletricista.
É dramático, mas comum. Pior foi a entrevista da delegada (delegadaaa!) a uma rádio, em que ela nem sequer fez referência ao crime e ao criminoso, centrando suas suspeitas (ou seriam certezas?) sobre a própria vítima: se nunca tinha visto o homem, como entabulou conversa com ele? Se morava sozinha, como deixou o estranho entrar? E sentenciou: "Há muita coisa estranha nessa história".
Nada disse sobre o estupro, a violência, a covardia, as escoriações, as muitas horas que a mulher havia ficado ferida, amarrada e amordaçada. No inconsciente da delegada, a vítima era a ré. Afinal, uma mulher madura, sozinha, sabe-se lá!
É o que ocorre na Uniban, quando vândalos recalcados promovem uma rebelião, perseguem, ameaçam e humilham uma colega indefesa, porque... Por que mesmo? Ah, sim! Era insinuante. E ela é que acaba expulsa pelo conselho universitário, até o reitor agir. A vítima virou ré. Afinal, uma mulher jovem, bonita, de saia curta...
São dois casos bastante simbólicos. No de Brasília, não foi um policial bruto e machista que inverteu as condições de vítima e réu: foi uma delegada mulher. No da Uniban, quem embolou os personagens foi o conselho de uma entidade acadêmica, que foi criada e é regiamente paga para cuidar da educação (e da segurança) dos filhos alheios.
Se a delegada e a cúpula da escola são os primeiros e mais insensíveis algozes, para onde correr? A quem recorrer? O "mal" e o "bem" se embaralham cruelmente, e a vítima passa a ser cada vez mais vítima -na condição de ré.
PS - Por falar nisso, no Estado de Maluf e na capital de Pitta, quem é condenada e paga a conta é Luiza Erundina. É de rir ou de chorar?

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