segunda-feira, 23 de abril de 2012

Do povo on line

Cachoeira
Quer dizer que aquela frase "colocar a raposa para tomar conta do galinheiro" virou realidade em nosso país?
Com no mínimo 17 senadores-raposas integrando a comissão dessa CPI do Cachoeira, considero uma perda de tempo e de dinheiro (dinheiro nosso, claro) o Senado insistir numa CPI que -já sabemos- se transformará em uma nova e indigesta pizza.

Depois de virar o Google do avesso, continuo na dúvida: Carlinhos é Cachoeira porque ninguém segura ou porque leva todo mundo para o buraco?

 Brasília
Perfeita a análise de Fernando Rodrigues ("Opinião", ontem) sobre os motivos que levaram à mudança da capital federal do Rio para o planalto central.
Somente gostaria de discordar do trecho em que diz que "passaram-se 52 anos e a capital da República não produz nem pregos". Brasília é a maior fábrica de corruptos que existe, consumindo milhões de reais por ano.

Três Poderes?

BRASÍLIA - A República é formada por três Poderes independentes, Executivo, Judiciário e Legislativo. E eles estão pegando fogo.

O Legislativo, o mais tradicional saco de pancadas, está criando uma CPI para investigar tudo e todos, inclusive membros dos próprios três Poderes que andaram perigosamente próximos de cachoeiras, macacos, cachorros e outros bichos.

O Judiciário está de dar dó. Nunca antes na história deste país -sem exagero- os ministros do Supremo se xingam tanto publicamente. Cezar Peluso saiu da presidência do tribunal acusando a presidente da República de desrespeitar a Constituição e o colega Joaquim Barbosa de ser populista, inseguro e temperamental.

Não bastasse, Barbosa, que é relator do mensalão e vai assumir a presidência da mais alta corte do país em sete meses, reagiu em entrevista a Carolina Brígido, do "Globo", despejando os seguintes adjetivos sobre Peluso: "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano", "pequeno", "imperial".

Dá para acreditar numa coisa assim? São esses, nesse clima, que vão julgar o mensalão, um dos casos mais complexos em décadas.

Enquanto isso, o Executivo, que defenestrou sete ministros, faz que não é com ele. A presidente Dilma disse -muito bem, aliás- que vai manter "uma posição absolutamente de respeito" ao Congresso e, portanto, aos trabalhos da CPI.

E quem conhece um pouco do palácio do Planalto diz que o andar do gabinete presidencial parece estar num outro mundo: ninguém fala em CPI, só em economia.

Aparentemente, é ótimo. Enquanto parlamentares e magistrados se engalfinham, a presidente pensa no crescimento, na desoneração das empresas, na garantia de empregos e de salários. Na normalidade, enfim.

Tomara, sinceramente, que dê certo, mas governos não lucram com CPIs e podem perder muito. Depende das torrentes do Cachoeira.

 Eliane Cantanhêde
elianec@uol.com.br

Painel da FOLHA

Pior dos mundos

Além de todos os inconvenientes que pode trazer para o governo federal, a CPI do Cachoeira provoca urticárias também nos candidatos a prefeito do PT, a despeito do empenho da cúpula do partido em instalá-la.

Se um dos objetivos da comissão era tirar o foco do julgamento do mensalão, o efeito foi o oposto: externa e internamente, no Supremo Tribunal Federal aumentou a pressão para que o caso entre em pauta ainda neste semestre. Para petistas como João Paulo Cunha, que é réu no processo e candidato a prefeito de Osasco (SP), a combinação de uma CPI imprevisível com o julgamento de proporção inédita é considerada desastrosa.


Tentáculos 1 Já circula entre parlamentares que além das ramificações previsíveis para investigar o PAC e o Dnit, a CPI poderá ter um braço na área da saúde, devido aos negócios do do grupo de Carlinhos Cachoeira com laboratórios farmacêuticos.

Tentáculos 2 Na bancada do PMDB, há quem aposte que, se a CPI mergulhar nos contratos da saúde, atingirá em cheio o já enrolado governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que chefiou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Fogo... Além disso, veteranos de Congresso identificam sinais de que uma ala da bancada do PT, ligada ao líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), estaria disposta a ver o ministro Alexandre Padilha (Saúde) lançado no olho do furacão.

...amigo A briga entre os dois petistas começou quando Padilha, então coordenador político do governo, não indicou Dirceu Raposo, apadrinhado de Chinaglia, para continuar à frente da Anvisa no ano passado. O duelo nos bastidores também explicaria em parte a disputa na bancada pela relatoria da CPI.

Alvos Um dos primeiros nomes na lista que a oposição quer convocar para depor no Congresso é o do ex-chefe do Dnit Luiz Pagot, degolado pela presidente Dilma Rousseff na "faxina" dos Transportes.

Mágoa Diante de evidências de que o grupo de Cachoeira agiu para derrubá-lo, a oposição espera que Pagot continue botando a boca no trombone sobre pressões da Delta para ser beneficiada no órgão que ele comandava.

Emplumada As boas notícias do Datafolha para Dilma Rousseff se estendem à seara tucana. Entre os que declaram ter votado em José Serra para presidente em 2010, a presidente tem 52% de avaliação ótima ou boa. Ela é aprovada por 60% dos simpatizantes do PSDB.

Penetra Alvo preferencial de ONGs ligadas ao meio ambiente pelo fato de ter sido o relator do Código Florestal, o ministro Aldo Rebelo (Esporte) brinca quando questionado se pretende participar da Rio+20: "Se coincidir com uma vistoria da obra do Maracanã, posso aparecer".

Vital De todas as contrapartidas que o PSB pede para o PT para apoiar Fernando Haddad em São Paulo, a aliança em João Pessoa (PB), onde o partido de Eduardo Campos tem a prefeitura e o governo, é questão de honra.

Mapa O PSDB quer ampliar de 793 para mil o número de prefeituras. O foco serão cidades situadas nos oito Estados governados pelo partido. Em São Paulo, a intenção é elevar de 205 para 230 municípios administrados.

Giro No final do mês, líderes tucanos, Aécio Neves à frente, iniciarão uma série de encontros regionais com candidatos a prefeito que vão às urnas em outubro. O primeiro será em Recife (PE).

 VERA MAGALHÃES - painel@uol.com.br