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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Debate mostrou quem é a pedra no sapato da presidente


Nas duas vezes em que teve a oportunidade de fazer pergunta para outros candidatos, a presidente Dilma Rousseff escolheu Marina Silva. A candidata do PSB é a pedra no sapato de Dilma, ainda líder nas pesquisas, mas com diferença cada vez menor em relação ao segundo colocado.

O debate de ontem, à primeira vista, deixou a impressão de uma polarização entre Dilma e Marina, com Aécio Neves correndo por fora, no terceiro lugar, e não entre PT e PSDB, como estavam convencidas as direções dos dois partidos.

Merece registro, no entanto, a postura do candidato do PSDB. A não ser por uma breve menção às "contradições" de Marina, já no final do debate, Aécio, em geral, poupou a candidata do PSB e foi contundente nas críticas à presidente. Nem mesmo o formato do debate explica o fato de o terceiro não tentar desconstruir o segundo colocado.

Desde a época em que o candidato do PSB era Eduardo Campos o acerto com o PSDB, no segundo turno, era dado como favas contadas. Agora o PSDB começa a vislumbrar a hipótese de atacar a posição de Dilma Rousseff. Não foi por acaso que o candidato, mais do que no debate da Rede Bandeirantes, passou a falar em mudanças.

Marina, por seu turno, virou vidraça. Ela foi cobrada por Dilma a explicar como pretende abrir mão de receitas e ao mesmo tempo assegurar recursos para programas cuja execução chega à casa dos R$ 140 bilhões. "Não são promessas, são compromissos".

No decorrer da campanha ou no segundo turno, com tempo igual de televisão para os candidatos, Marina terá de encontrar explicações mais precisas que a realização de uma "política macroeconômica saudável".

Outro ponto que deve exigir mais satisfações de Marina é a questão da governabilidade: como a candidata pretende aprovar seus projetos no Congresso, sem contar com partidos fortes na retaguarda e uma ampla base de sustentação política.

Em alta nas pesquisas, é natural que Marina passe a ser referência nos debates. A presidente leva a desvantagem de ser atacada por todos os outros adversários e ter que ela própria investir contra Marina, o que nunca é um bom negócio, porque a palavra final cabe sempre a quem foi chamado a responder a pergunta. Se há alguma polarização visível e entre governo (Dilma) e oposição (todos os outros)

No centro do ringue, Marina sobreviveu. Estava calma, inclusive quando teve de responder à pergunta sobre quais empresas contrataram suas palestras. Não se destacou, mas também não cometeu nenhum erro capaz de comprometer seu crescimento nas pesquisas.

Aécio Neves bem que tentou levar o debate para a economia, especialmente para o fato de o país se encontrar numa "recessão técnica". Marina ainda falou em "contração", mas o assunto morreu por aí. No debate da Bandeirantes, Dilma tentou polarizar com Aécio e as "medidas impopulares" que ele se declarara disposto a tomar, para fazer um ajuste econômico. Ficou por aí.

Se alguém contava com o debate para definir o voto, deve esperar pelos próximos, dia 28, na Record, e no dia 2 de outubro na TV Globo.

Por Raymundo Costa | De São Paulo

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