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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Casa das Caldeiras

Feliz coincidência

Se os cinco empresários do setor produtivo privado com quem a presidente Dilma Rousseff conversou individualmente na semana passada tiverem o mesmo (bom) senso de oportunidade, patriotismo ou adesão aos objetivos do governo para o país que o atribuído por interlocutores do blog ao presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, estaremos no melhor dos mundos. Os investimentos fluirão e a atividade reagirá rapidamente sob condições que a governante encomendou à sua equipe – e, por garantia, pediu a Deus. O PIB tende a crescer 5% ao ano ou mais, o juro nominal e real não descolará da mínima histórica e a taxa de câmbio será a adequada para evitar tragédia na indústria e inflação descontrolada. O IPCA permanecerá orbitando 5,5% ao ano – variação considerada estrutural pelo BC e que já não provoca ranger de dentes no mercado.

A conversa entre a presidente Dilma e o principal executivo do Bradesco durou 1h30 na sexta-feira. E pode não ter qualquer relação com a decisão do banco de ampliar o crédito pré-aprovado para pessoas físicas e que poderá beneficiar cerca de 25 milhões de clientes – praticamente a metade da base já atendida pela instituição. A decisão do Bradesco foi anunciada ontem e considerada, por fontes do Casa das Caldeiras, produto da reunião entre a presidente e Trabuco.

Octavio de Lazari Junior, diretor da área de empréstimos e financiamento do Bradesco, explicou a Felipe Marques, especialista em crédito do Valor, que o aumento dos limites para pessoas físicas decorre da segurança do banco em sua capacidade de prever o risco da base de clientes, que recebeu um reforço significativo desde que foram abertas cerca de 1.000 novas agências no fim de 2011.

O Bradesco foi um dos grandes bancos que teve necessidade de reformular seus modelos estatísticos de concessão de crédito nos últimos anos, para prever com mais eficácia o comportamento de classes de baixa renda. Essa reformulação foi necessária com a chegada de 42,5 milhões de pessoas agregadas ao sistema bancário brasileiro de meados de 2005 até o fim de 2012.

O colunista Raymundo Costa detalha no Valor PRO que Dilma recebeu seis pesos pesados entre quinta e sexta-feira para discutir cenários e projetos específicos das empresas. Além do presidente do Bradesco, a presidente recebeu Rodolpho Tourinho, presidente do Sindicato Nacional da Indústria Pesada; o presidente do grupo francês Lafarge, Bruno La Font; os diretores-presidentes da Cosan, Rubens Ometto; da Vale, Murilo Ferreira; e da Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

A ideia desses encontros é distender as relações da presidente com o PIB nacional e inspirar mais confiança a fim de melhorar o ambiente de negócios. Embora tenha sido convocado a investir e ter suas reivindicações em grande parte atendidas pelo governo, o setor privado não respondeu com o investimento previsto, em 2012.

A desconfiança do empresariado decorre do intervencionismo da presidente e de decisões que contribuem para gerar desconfiança no governo. Dois exemplos são frequentemente citados, segundo contou um integrante do primeiro escalão: o apoio à presidente Cristina Kirchner, que não chega a ser um modelo para os brasileiros, e o posicionamento em relação à posse de Hugo Chávez, na Venezuela, antes mesmo que os próprios venezuelanos tivessem apresentado a solução.

Valor Econômico. 

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