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sábado, 14 de julho de 2012

Brasileiro no exterior deve estar consciente que representa o país



SÃO PAULO - Entre os inúmeros resultados positivos que o fortalecimento e o equilíbrio da economia brasileira têm proporcionado, um deles é o maior acesso de uma classe emergente ao universo do turismo. É hoje bastante comum encontrar, tanto nos voos domésticos como internacionais, uma presença constante de brasileiros que estão realizando sua primeira viagem aérea. O mesmo também vem acontecendo nos navios que realizam cruzeiros pela costa brasileira ou até naqueles que se dirigem à Europa e a outros países da América Latina.

Essa ampliação do acesso de mais brasileiros a um universo que poucos anos atrás era quase exclusivo de uma classe mais privilegiada merece reconhecimento. Sabemos que o comportamento de um turista, independentemente da sua nacionalidade, é muito distinto quando está em grupo e quando viaja sozinho (ou com acompanhante). A orientação para toda pessoa que viaja ao exterior envolve dois aspectos distintos, mas ao mesmo tempo complementares.

Primeiro, é importante desenvolver a capacidade de observar, entender e apreciar os novos lugares visitados. Isso envolve diversos sentidos como visão, audição, olfato e degustação — além de um interesse genuíno pela história, cultura e formas de vida do país visitado. Quando fiz minha primeira viagem ao exterior, para trabalhar em um projeto da Unesco, no México, recebi o seguinte conselho: “Nunca compare os ideais da sua cultura com a realidade da cultura alheia.”

Isso é muito comum entre turistas, profissionais que vão trabalhar no exterior ou imigrantes. Distantes do país de origem, temos a tendência a idealizá-lo, lembrando apenas as virtudes e esquecendo os seus problemas. Assim, fazemos comparações que serão injustas com o lugar onde estamos naquele momento.

O segundo aspecto se refere aos efeitos que as condutas do viajante, quando no exterior, provocam nos seus interlocutores. Todas as suas manifestações serão, inevitavelmente, associadas e transferidas para a imagem que ele mesmo constrói do seu país de origem. Por essa razão, cada brasileiro, ao viajar para o exterior, deve ter consciência que ele é um representante do Brasil, o tempo todo.

Isto se aplica aos turistas que saem para Miami, Buenos Aires, Nova York ou Las Vegas, por exemplo, com uma lista de compras e lugares para se divertir, quanto para aqueles que partem para a Europa, Ásia, Oceania ou África na tentativa de conhecer outras culturas. Além, é claro, dos que vão exercer qualquer atividade profissional em qualquer parte do mundo.

Seria importante se algum órgão governamental, associado à iniciativa privada dos operadores, agentes de viagens e companhias aéreas, iniciasse uma campanha de orientação ao viajante destacando sua importância como embaixador do Brasil no exterior. Iniciativas desta natureza podem contribuir para reforçar a imagem e interesse pelo Brasil tanto de turistas como investidores estrangeiros.

Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft consultoria – transição de gerações. Atua como consultor e palestrante no Brasil e no exterior. É articulista e autor de 16 livros sobre empresas familiares, sociedades empresariais e qualidade de vida. Cursou filosofia na Faculdade Anglicana de Teologia, em São Paulo. Trabalhou por sete anos em projetos de desenvolvimento comunitário da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco) no México e no Peru. Coordenou a área de recursos humanos nas empresas Kibon, DOW Química e Villares.

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