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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Estudo aponta alto consumo de drogas para ereção por jovem; uso pode viciar


A preocupação em se garantir na hora do sexo tem levado muitos brasileiros a usar remédios que estimulam a ereção, como Viagra, Levitra e Cialis.
Se a curiosidade por experimentar o "doping sexual" não é nova, uma pesquisa recente mostra um alto consumo entre jovens, uma faixa etária em que são raras as indicações de uso. E o consumo frequente pode levar à dependência.


Confira alguns mitos e verdades sobre impotência 25 fotos

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Homens que não têm uma ereção completa podem ser considerados impotentes. Verdade: existem diferentes graus de impotência, mas todos se caracterizam pela ereção não completa. Na disfunção leve, o homem consegue penetração, mas sente que o pênis não está em sua rigidez máxima. Nos graus moderado e severo, o homem já apresenta dificuldade tanto de penetração quanto de ereção. É importante salientar, no entanto, que eventualmente qualquer homem pode vir a ter alguma falha na hora da relação sexual, motivada por fatores psicológicos, como ansiedade, estresse e preocupação. "Para ser considerada disfunção, a falha tem de ser recorrente e impedir o homem de ter ume relação sexual satisfatória", diz o urologista Valter Javaroni, membro do departamento de sexualidade humana da Sociedade Brasileira de Urologia e chefe do departamento de Andrologia da secção do Rio de Janeiro da mesma entidade. Se o problema estiver causando incômodo, vale consultar um médico para que ele possa avaliar melhor o caso e indicar um tratamento, se houver necessidade Leia mais Shutterstock/Arte UOL



Entre os homens de 22 a 30 anos que experimentaram os estimuladores nos últimos seis meses, um em cada cinco passou a usá-los em todas as relações sexuais. Já entre aqueles que têm de 41 a 50 anos, 44% passaram a usar o medicamento em todas as relações após experimentarem a droga.

Esses são os resultados de um levantamento feito entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015 com consumidores brasileiros pelo instituto GFK, sob encomenda da fabricante de medicamentos Medley.

O urologista Sidney Glina conta que todos os meses recebe jovens que querem parar de tomar o remédio. Um dos pacientes foi um adolescente de 16 anos que relatou ao médico que ele e seus amigos transavam com as mesmas meninas e ele não poderia "falhar". "Há uma pressão para os homens mostrarem sua masculinidade, 'comparecer'", diz.

É exatamente a ansiedade e o medo de falhar que fazem com que muitos comprem o medicamento, e passem a acreditar que não vão conseguir uma ereção sem essa "ajudinha". Quando chegam ao consultório, a tarefa do médico é procurar algum problema físico que justifique a indicação do medicamento que trata a disfunção erétil.

E, na maioria dos casos, não há nada além da insegurança e de uma dependência que faz com que o paciente acredite que precisa da droga para conseguir transar --e essa é uma situação que deve ser tratada com ajuda psicológica profissional.

Para o terapeuta sexual Amaury Mendes Júnior, o fato de esses medicamentos serem encontrados em lugares tão distantes das farmácias quanto motéis e baladas, faz com que seu uso seja considerado normal.. "Virou uma droga necessária para noitada, uma vez que o álcool inibe o desempenho sexual".
Relação entre homens e mulheres mudou, mas não justifica uso excessivo das drogas

Mendes Júnior tem recebido um número cada vez maior de pacientes com dificuldade de ereção por motivos psicológicos, e entre as principais queixas está a nova postura das mulheres, sexualmente mais experientes, além da característica das relações afetivas, cada vez mais rápidas.

A coordenadora do Programa de Sexualidade da USP (Universidade de São Paulo), Carmita Abdo, concorda que houve mudança na relação entre homens e mulheres. "Antes as parceiras eram menos experientes sexualmente, e diante dessa parceira com mais experiência eles não querem parecer menos experientes ou ter um desempenho pior do que outros homens".

Abdo destaca ainda que a dependência do remédio não permite que os jovens aprendam a fazer sexo naturalmente. "Ao iniciar o uso [dos estimulantes de ereção] sem necessidade, o homem não ganha experiência para ter uma relação sexual espontânea. Ele acaba atribuindo sua competência ao medicamento e não a si mesmo".

A ansiedade pode levar o corpo a produzir e liberar adrenalina --o hormônio que provoca a contração dos vasos--, e aí a ereção não vai acontecer. Glina afirma que muitas vezes o remédio atua apenas como uma "muleta" psicológica, sem efeitos físicos imediatos. "Muitos jovens tomam pouco antes de transar, mas o remédio demora pelo menos uma hora para fazer efeito".
Drogas podem provocar diversos efeitos colaterais; funcionamento se baseia

Além da dependência, alguns dos efeitos colaterais físicos que podem atingir os pacientes são dores de cabeça, vista embaçada, dores nas costas e nas pernas, e sensação de nariz entupido.

Ao contrário do que pregam os mitos populares, de acordo com os médicos ouvidos pelo UOL, não há relação direta entre o uso desses medicamentos e o aparecimento de doenças cardíacas --a única contraindicação é para aqueles que fazem uso de remédio para o coração feitos à base de nitratos.

As drogas que combatem a disfunção erétil funcionam a partir da inibição de uma substância que regula a produção de uma enzima que facilita o relaxamento da musculatura e circulação do sangue, mecanismo que ajuda a provocar a ereção.

"O pênis fica muito sensível com o remédio, [mas] isso não significa que necessariamente exista a vontade de fazer sexo ou facilitar o orgasmo", afirma Glina.

O homem só conseguirá ter e manter uma ereção mais facilmente, o que pode prolongar a relação sexual, ou mesmo possibilitar um maior número de relações e diminuir o tempo de recuperação entre uma relação e outra. Aliás, prolongar o prazer foi o motivo indicado por 40% dos homens que disseram usar os medicamentos.

Segundo pesquisas norte-americanas, a disfunção erétil atinge aproximadamente 10% dos homens de 40 a 70 anos, que não conseguem ter ou manter uma ereção suficientemente para ter relações sexuais. Entre esses, 25% têm disfunções moderadas ou intermitentes. Já entre os mais jovens, a disfunção atinge de 5% a 10% dos homens com menos de 40 anos.


Juliana Passos
Do UOL, em São Paulo

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