BRASÍLIA - A operação da Polícia Federal que
prendeu um dos mais próximos aliados da senadora e ex-ministra do
Turismo Marta Suplicy criou em setores do partido a expectativa de que
ela desista da pré-candidatura a prefeita de São Paulo. Em especial,
dois deputados federais que integravam seu grupo mas que após desavenças
na campanha eleitoral de 2010 se afastaram dela e agora têm projeto
próprio.
Carlos Zarattini, ex-secretário municipal de Transportes e das Subprefeituras; e Jilmar Tatto, ex-secretário de Abastecimento, Subprefeituras; Transportes e Governo da gestão Marta, entre 2001 e 2004, figuram como azarões no embate interno na legenda e precisam superar três obstáculos para prevalecer. O primeiro, a desistência de Marta e a migração para eles do eleitor da senadora, de dentro e fora do PT. O segundo, o ministro da Educação Fernando Haddad, cuja candidatura, ungida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é considerada por ambos como "a negação da política".
"A Marta já teve oportunidade várias vezes na vida. Foi três vezes candidata a prefeita, uma a governadora e uma a senadora", diz Zarattini. "Há um esgotamento político da Marta, que precisa se reciclar, se refazer politicamente na cidade, reconstruir pontes que foram fechadas por ela", declara Tatto, que também questiona se, no imaginário petista, é possível aceitar alguém recém-eleito como a senadora deixar o cargo para um suplente de outro partido (no caso o PR, que tem a primeira suplência da petista).
Em tese e segundo avaliações do grupo, considerando-se o tamanho de cada corrente interna do PT paulistano, o maior beneficiado com uma desistência de Marta seria Zarattini. Sua corrente, a Novo Rumo, tem mais de 35% do diretório municipal. O grupo de Tatto tem 22% do diretório, ao passo que o de Marta tem 20%; e a de Haddad, 10%. Mas integrantes do partido dizem acreditar que, em um processo interno, essas transferências não são automáticas. O que vale também para colocar em xeque até onde o apoio de Lula será determinante.
"Há sim um setor do PT que não quer saber, que o que Lula fala é lei, que não quer debate. Essa é a parte pobre da política. Mas no geral tem um pessoal que não se influencia. Que não é tão automática assim essa transferência", diz Tatto. Em sua avaliação, Lula coloca o ministro "em uma fria", "porque Haddad não gosta de política, gosta de universidade, e para o processo eleitoral, o eleitor percebe que ele não tem pegada, não tem a vibração que um candidato precisa ter".
Zarattini acha que Haddad não é conhecido no PT, pelas lideranças de bairro, pelos militantes, e que o apoio de Lula não resolve esse problema. "Se o Lula entra em campo de fato e chama as lideranças, e essas lideranças repassam para baixo esse apoio ao Haddad, aí realmente vai dar uma desequilibrada. Mas não sei se ele vai se envolver tanto assim a fundo".
Tanto Zarattini quanto Tatto acham que se forem realizadas prévias as chances de o candidato preferido de Lula vencer são diminuídas (por isso o ex-presidente não quer prévias), assim como - mas em menor grau - se a opção for por um congresso municipal com os cerca 500 delegados da cidade. Alegam que, quanto mais gente participar do processo, mais diluído ele ficará, o que diminuiria as chances de um candidato sem antiga interlocução com os filiados.
Nesta seara e sem a presença de Marta, apostam, o embate seria mesmo entre ambos. E aqui apresenta-se o terceiro obstáculo de cada um. "Entre eu e o Zarattini não podem ficar os dois, só um de nós", diz Tatto. A razão, com a qual Zarattini compartilha, é que eles detêm o mesmo perfil: são novidade em uma disputa para o Executivo municipal, participaram do governo Marta, e têm base consolidada no município de São Paulo. Tatto foi o petista mais votado na capital paulista, com 170 mil votos, seguido de Zarattini, com 108 mil.
Zarattini acha que é o mais capacitado para entrar em um dos setores tradicionalmente mais alheios ao petismo em São Paulo: a classe média (a "antiga", não "a nova"). Em razão disso, aposta em um discurso de redução do custo de vida da população por meio de redução de impostos e ainda no resgate do discurso petista pré-governo Lula: o combate à corrupção. Principalmente por meio da punição de empresas corruptoras. Mas é crível falar em ética após as denúncias de corrupção do governo Lula? "Temos que olhar para a frente. Não quero discutir mensalão, aloprados, quero saber quais medidas temos que tomar para evitar isso", diz.
Tatto fala sobre os problemas da mobilidade urbana da cidade, principalmente as que afetam a periferia e a "nova" classe média. Diz que a campanha tem que focar os benefícios que uma prefeitura parceira do governo federal pode trazer para obras de infraestrutura que beneficie as classes mais baixas da população. "É nessa área que entro com precisão por ter sido secretário municipal de Transportes quando foi feita uma revolução na área no governo Marta."
(Caio Junqueira | Valor)
Carlos Zarattini, ex-secretário municipal de Transportes e das Subprefeituras; e Jilmar Tatto, ex-secretário de Abastecimento, Subprefeituras; Transportes e Governo da gestão Marta, entre 2001 e 2004, figuram como azarões no embate interno na legenda e precisam superar três obstáculos para prevalecer. O primeiro, a desistência de Marta e a migração para eles do eleitor da senadora, de dentro e fora do PT. O segundo, o ministro da Educação Fernando Haddad, cuja candidatura, ungida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é considerada por ambos como "a negação da política".
"A Marta já teve oportunidade várias vezes na vida. Foi três vezes candidata a prefeita, uma a governadora e uma a senadora", diz Zarattini. "Há um esgotamento político da Marta, que precisa se reciclar, se refazer politicamente na cidade, reconstruir pontes que foram fechadas por ela", declara Tatto, que também questiona se, no imaginário petista, é possível aceitar alguém recém-eleito como a senadora deixar o cargo para um suplente de outro partido (no caso o PR, que tem a primeira suplência da petista).
Em tese e segundo avaliações do grupo, considerando-se o tamanho de cada corrente interna do PT paulistano, o maior beneficiado com uma desistência de Marta seria Zarattini. Sua corrente, a Novo Rumo, tem mais de 35% do diretório municipal. O grupo de Tatto tem 22% do diretório, ao passo que o de Marta tem 20%; e a de Haddad, 10%. Mas integrantes do partido dizem acreditar que, em um processo interno, essas transferências não são automáticas. O que vale também para colocar em xeque até onde o apoio de Lula será determinante.
"Há sim um setor do PT que não quer saber, que o que Lula fala é lei, que não quer debate. Essa é a parte pobre da política. Mas no geral tem um pessoal que não se influencia. Que não é tão automática assim essa transferência", diz Tatto. Em sua avaliação, Lula coloca o ministro "em uma fria", "porque Haddad não gosta de política, gosta de universidade, e para o processo eleitoral, o eleitor percebe que ele não tem pegada, não tem a vibração que um candidato precisa ter".
Zarattini acha que Haddad não é conhecido no PT, pelas lideranças de bairro, pelos militantes, e que o apoio de Lula não resolve esse problema. "Se o Lula entra em campo de fato e chama as lideranças, e essas lideranças repassam para baixo esse apoio ao Haddad, aí realmente vai dar uma desequilibrada. Mas não sei se ele vai se envolver tanto assim a fundo".
Tanto Zarattini quanto Tatto acham que se forem realizadas prévias as chances de o candidato preferido de Lula vencer são diminuídas (por isso o ex-presidente não quer prévias), assim como - mas em menor grau - se a opção for por um congresso municipal com os cerca 500 delegados da cidade. Alegam que, quanto mais gente participar do processo, mais diluído ele ficará, o que diminuiria as chances de um candidato sem antiga interlocução com os filiados.
Nesta seara e sem a presença de Marta, apostam, o embate seria mesmo entre ambos. E aqui apresenta-se o terceiro obstáculo de cada um. "Entre eu e o Zarattini não podem ficar os dois, só um de nós", diz Tatto. A razão, com a qual Zarattini compartilha, é que eles detêm o mesmo perfil: são novidade em uma disputa para o Executivo municipal, participaram do governo Marta, e têm base consolidada no município de São Paulo. Tatto foi o petista mais votado na capital paulista, com 170 mil votos, seguido de Zarattini, com 108 mil.
Zarattini acha que é o mais capacitado para entrar em um dos setores tradicionalmente mais alheios ao petismo em São Paulo: a classe média (a "antiga", não "a nova"). Em razão disso, aposta em um discurso de redução do custo de vida da população por meio de redução de impostos e ainda no resgate do discurso petista pré-governo Lula: o combate à corrupção. Principalmente por meio da punição de empresas corruptoras. Mas é crível falar em ética após as denúncias de corrupção do governo Lula? "Temos que olhar para a frente. Não quero discutir mensalão, aloprados, quero saber quais medidas temos que tomar para evitar isso", diz.
Tatto fala sobre os problemas da mobilidade urbana da cidade, principalmente as que afetam a periferia e a "nova" classe média. Diz que a campanha tem que focar os benefícios que uma prefeitura parceira do governo federal pode trazer para obras de infraestrutura que beneficie as classes mais baixas da população. "É nessa área que entro com precisão por ter sido secretário municipal de Transportes quando foi feita uma revolução na área no governo Marta."
(Caio Junqueira | Valor)
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